Joshuavida's profileJESUS EU CONFIO EM VÓSPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
"CHEGUE A MINHA ORAÇÃO ATÉ A VOSSA PRESENÇA, SENHOR!"Terça-feira, dia 30 de Setembro de 2008 S. Jerónimo, presbítero, cardeal, Doutor da Igreja, séc. IV Livro de Job 3,1-3.11-17.20-23. Por fim, Job abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento. Tomou a palavra e disse: «Desapareça o dia em que nasci e a noite em que foi dito: ‘Foi concebido um varão!’ Porque não morri no seio da minha mãe ou não pereci ao sair das suas entranhas? Porque encontrei joelhos que me acolheram e seios que me amamentaram? Estaria agora deitado em paz, dormiria e teria repouso com os reis e os grandes da terra, que constroem mausoléus para si; com os príncipes que amontoam ouro e enchem de dinheiro as suas casas. Ou como um aborto escondido, eu não teria existido, como um feto que não viu a luz do dia. Ali, os maus cessam as suas perversidades, ali, repousam os que esgotaram as suas forças. Por que razão foi dada luz ao infeliz, e vida àqueles para quem só há amargura? Esses esperam a morte que não vem e a procuram mais do que um tesouro; esses saltariam de júbilo e se alegrariam por chegar ao sepulcro. Porque vive um homem cujo caminho foi barrado e a quem Deus cerca por todos os lados? Livro de Salmos 88(87),2-3.4-5.6.7-8. Chegue a minha oração até a vossa presença. — A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia, e de noite se eleva até vós meu gemido. Chegue a minha oração até a vossa presença, inclinai vosso ouvido a meu triste clamor! — Saturada de males se encontra a minh’alma, minha vida chegou junto às portas da morte. Sou contado entre aqueles que descem à cova, toda gente me vê como um caso perdido! — O meu leito já tenho no reino dos mortos, como um homem caído que jaz no sepulcro, de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre e excluiu por completo de sua atenção. — Ó Senhor, me pusestes na cova mais funda, nos locais tenebrosos da sombra da morte. Sobre mim cai o peso do vosso furor, vossas ondas enormes me cobrem, me afogam. Evangelho segundo S. Lucas 9,51-56. Como estavam a chegar os dias de ser levado deste mundo, Jesus dirigiu-se resolutamente para Jerusalém e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de lhe prepararem hospedagem. Mas não o receberam, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma?» Mas Ele, voltando-se, repreendeu-os. E foram para outra povoação. Da Bíblia Sagrada Santo Agostinho (354-430), bispo de Hippone (Norte de África) e doutor da Igreja - Sermão sobre o Salmo 64 «Recusaram-se a acolhê-lo, porque se dirigia para Jerusalém» Há duas cidades; uma chama-se Babilônia, a outra Jerusalém. O nome de Babilônia significa «confusão»; Jerusalém significa «visão de paz». Olhem verdadeiramente a cidade de confusão para melhor conhecerem a visão de paz; suportem a primeira, aspirem à segunda. O que é que permite distinguir estas duas cidades? Podemos desde já separar uma da outra? Elas estão mescladas uma na outra e, desde o aparecimento do género humano, encaminham-se assim até ao fim dos tempos. Jerusalém nasceu com Abel, Babilônia com Caim... As duas cidades materiais foram construídas mais tarde, mas elas representam simbolicamente as duas cidades imateriais cujas origens remontam ao início dos tempos e que devem durar aqui em baixo até ao fim dos séculos. O Senhor então separá-las-á, quando puser uns à sua direita e outros à sua esquerda (Mt 25,33)... Mas há qualquer coisa que distingue, mesmo agora, os cidadãos de Jerusalém dos cidadãos de Babilônia: são dois amores. O amor a Deus faz Jerusalém; o amor ao mundo faz Babilônia. Perguntem quem amam e saberão de onde são. Se acharem que são cidadãos de Babilônia, arranquem da vossa vida a cobiça, plantai em vós a caridade; se acharem que são cidadãos de Jerusalém, suportai pacientemente o cativeiro, tende esperança na vossa libertação. Com efeito, muitos cidadãos da nossa santa mãe Jerusalém (Ga 4,26) estavam de início cativos de Babilônia... Como pode despertar-se em nós o amor a Jerusalém, nossa pátria, da qual a duração do exílio nos fez perder a lembrança? É o próprio Pai quem, a partir de lá, nos escreve e reaviva em nós pelas suas cartas, que são as Santas Escrituras, a nostalgia do regresso. Paz e Bem! BENDIZEI AO SENHOR, TODOS OS SEUS ANJOSSegunda-feira, dia 29 de Setembro de 2008 S. Miguel, arcanjo , São Gabriel, arcanjo , São Rafael, arcanjo Livro de Daniel 7,9-10.13-14. «Continuava eu a olhar, até que foram preparados uns tronos, e um Ancião sentou-se. Branco como a neve era o seu vestuário, e os cabelos da cabeça eram como de lã pura; o trono era feito de chamas, com rodas de fogo flamejante. Corria um rio de fogo que jorrava da parte da frente dele. Mil milhares o serviam, dez mil miríades lhe assistiam. O tribunal reuniu-se em sessão e foram abertos os livros. Contemplando sempre a visão nocturna, vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído.» Livro de Salmos 138(137),1-2.2-3.4-5. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor! — Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me. — Eu agradeço o vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. — Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: "como a glória do Senhor é grandiosa!". Evangelho segundo S. João 1,47-51. Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: 'Vi-te debaixo da figueira'? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.» Da Bíblia Sagrada S. Gregório o Grande (c. 540-604), papa e doutor da Igreja «Bendizei ao Senhor, todos os Seus anjos, sempre dóceis à Sua palavra» (Sl 103,20) Muitas páginas da Sagrada Escritura atestam que os anjos existem... Mas é preciso saber que a palavra «anjo» designa a sua função: ser mensageiro. E chamam-se «arcanjos» os que anunciam os acontecimentos mais importantes. É assim que o arcanjo Gabriel é enviado à Virgem Maria; para esta função, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais elevada categoria... Semelhantemente, quando se trata de estender um poder extraordinário, é Miguel que é o enviado. Com efeito, a sua ação como o seu nome, querem dizer: «Quem é como Deus?», fazem compreender aos homens que ninguém pode fazer o que pertence apenas a Deus realizar. O antigo inimigo, que desejou por orgulho fazer-se semelhante a Deus, dizia: «Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, serei semelhante ao Altíssimo» (Is. 14,13). Mas o Apocalipse diz-nos que no fim dos tempos, assim que ele for abandonado à sua própria força, antes de ser eliminado pelo suplício final, deverá combater contra o arcanjo Miguel: «Travou-se uma batalha no céu: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o Dragão. E o Dragão também combatia juntamente com os seus anjos. Mas não prevaleceram; o Dragão e os seus anjos foram precipitados na terra» (Ap 12, 7-9). À Virgem Maria, foi pois Gabriel, cujo nome significa «Força de Deus», que foi enviado; não vinha ele anunciar aquele que quisera manifestar-se num condição humilde, para triunfar do orgulho do demónio? Era pois pela «Força de Deus» que devia ser anunciado aquele que vinha como «o Senhor forte e poderoso, o Senhor herói nas batalhas» (Sl 24,8). Quanto ao arcanjo Rafael, o seu nome significa «Deus cura». Com efeito, foi ele que libertou da escuridão os olhos de Tobias, tocando-os como um médico vindo do alto (Tb 12,14). Aquele que foi enviado para tratar o justo na sua enfermidade bem pode ser apelidado de «Deus cura». Paz e Bem! O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO É QUE NOS LEVA À RECONCILIAÇÃODomingo, dia 28 de Setembro de 2008 S. Venceslau, rei da Boémia, mártir, +935 , S. Lourenço Ruiz e companheiros, mártires, ++1633-37 Livro de Ezequiel 18,25-28. Porém, vós dizeis: 'O modo de proceder do Senhor não é justo.' Escutai, pois, casa de Israel: Então é o meu modo de agir que não é justo? Ou é o vosso que o não é ? Se o justo se afasta da sua justiça para praticar o mal e morre por causa disto, é por causa do mal que praticou que ele morrerá. Se o pecador se afasta do pecado que cometeu para praticar o direito e a justiça, ele merece viver. Se ele se afasta dos pecados que cometeu, viverá certamente, não morrerá. Livro de Salmos 25(24),4-5.6-7.8-9. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão. — Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,/ e fazei-me conhecer a vossa estrada!/ Vossa verdade me oriente e me conduza,/ porque sois o Deus da minha salvação;/ em vós espero, ó Senhor, todos os dias! — Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura/ e a vossa compaixão que são eternas!/ Não recordeis os meus pecados quando jovem,/ nem vos lembreis de minhas faltas e delitos!/ De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia/ e sois bondade sem limites, ó Senhor! — O Senhor é piedade e retidão,/ e reconduz ao bom caminho os pecadores./ Ele dirige os humildes na justiça,/ e aos pobres ele ensina o seu caminho. Carta aos Filipenses 2,1-11. Se tem algum valor uma exortação em nome de Cristo, ou um conforto afectuoso, ou uma solidariedade no Espírito, ou algum afecto e compaixão, então fazei com que seja completa a minha alegria: procurai ter os mesmos sentimentos, assumindo o mesmo amor, unidos numa só alma, tendo um só sentimento; nada façais por ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e cada um exactamente os interesses dos outros. Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!”, para glória de Deus Pai. Evangelho segundo S. Mateus 21,28-32. «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ Mas ele respondeu: 'Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi. Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: 'Vou sim, senhor.’ Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Responderam eles: «O primeiro.» Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder vos no Reino de Deus. João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.» Da Bíblia Sagrada Clemente de Alexandria (150 - c.215), teólogo «Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus» As portas estão abertas a todo aquele que, em sinceridade, com o coração, se voltar para Deus, e o Pai recebe com alegria um filho que verdadeiramente se arrependa. Qual é o sinal do arrependimento verdadeiro? Não voltar a cair em velhos erros e arrancar do coração, pela raiz, os pecados que nos punham em perigo de morte. Quando estes estiverem apagados, Deus virá habitar-nos. Porque, como diz a Escritura, um pecador que se converte e se arrepende encontrará no Pai e nos anjos do céu uma imensa e incomparável alegria (Lc 15,10). Eis por que o Senhor disse : «Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios » (Os 6, 6; Mt 9,13); « Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão » (Ez 33,11). «Mesmo que os vossos pecados O Pai de toda a consolação, que é bom, cheio de compaixão, de misericórdia e de paciência por natureza, espera os que se convertem. E a verdadeira conversão supõe que deixemos de pecar e que não olhemos mais para trás [...]. Lamentemos amargamente, pois, os erros cometidos e peçamos ao Pai que os esqueça. Ele pode, na sua misericórdia, desfazer o que foi feito e, com o orvalho do Espírito, apagar as nossas faltas passadas. Paz e Bem! E TODOS ESTAVAM MARAVILHADOS COM A GRANDEZA DE DEUS.Sabado, dia 27 de Setembro de 2008 S. Vicente de Paulo, presbítero, fundador, +1660 Livro de Eclesiastes 11,9-10.12,1-8. Jovem, regozija-te na tua mocidade e alegra o teu coração na flor dos teus anos. Segue os impulsos do teu coração e o que agradar aos teus olhos, mas sabe que, de tudo isso, Deus te pedirá contas. Lança fora do teu coração a tristeza, poupa o sofrimento ao teu corpo: também a meninice e a juventude são ilusão. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua juventude,antes que venham os dias maus e cheguem os anos, dos quais dirás: «Não sinto neles prazer algum»; antes que escureçam o Sol e a luz, a Lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; quando os guardas da tua casa começarem a tremer, e os homens robustos, a vergar; quando as mós deixarem de moer por serem poucas, e se escurecer a vista dos que olham pela janela; quando se fecham as portas da rua, quando enfraquece a voz do moinho, quando se acorda com o piar de um pássaro e emudecem as canções. Então, também haverá o medo das subidas, e haverá sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira abre em flor, o gafanhoto engorda, e a alcaparra perde as suas propriedades. Então, o homem encaminha-se para a sua casa da eternidade, e as carpideiras percorrem as ruas; antes que se rompa o cordão de prata e se quebre a bacia de oiro; antes que se parta a bilha na fonte, e se desenrole a roldana sobre a cisterna. Então o pó voltará à terra de onde saiu e o espírito voltará para Deus que o concedeu. Ilusão das ilusões - disse Qohélet - tudo é ilusão. Livro de Salmos 90(89),3-4.5-6.12-13.14.17. — Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós. — Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. — Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! -- Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Evangelho segundo S. Lucas 9,43-45. E todos estavam maravilhados com a grandeza de Deus. Estando todos admirados com tudo o que Ele fazia, Jesus disse aos seus discípulos : Da Bíblia Sagrada Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI] «O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens» Depois de O terem flagelado, coroado de espinhos e de Lhe vestirem um manto de escárnio, os soldados romanos levaram Jesus a Pilatos. Este militar de coração duro ficou aparentemente incomodado com a visão daquele homem destruído, alquebrado. Apresentou-O à multidão, declarando: «Idou anthropos; Ecce homo», que traduzimos habitualmente por «Eis o homem!» (Jo 19,5). Mas em grego isto quer dizer mais exactamente: «Vede, isto é o homem!» Na boca de Pilatos, estas palavras eram as de um cínico que queria dizer: «Nós gloriamo-nos de ser homens, mas agora, vede pois, ei-lo, este verme de terra é o homem! Como é desprezível e pequeno!» Nestas palavras cínicas, o evangelista João reconheceu igualmente palavras proféticas que transmitiu à cristandade. Sim, Pilatos tem razão quando diz: «Vede, isto é o homem!» N'Ele, em Jesus Cristo, podemos ler o que o homem é, o projecto de Deus, e que tratamento lhe reservamos. Em Jesus dilacerado, podemos ver como o homem consegue ser cruel, pequeno e mesquinho. N'Ele, podemos ler a história do ódio do homem e a história do pecado. N'Ele, no seu amor que sofre por nós, podemos ver ainda melhor a resposta de Deus: Sim, isto é o homem, que Deus amou até ao pó, que Deus amou a ponto de o seguir até ao derradeiro sofrimento da morte. Mesmo na humilhação extrema, ele é o chamado de Deus, o irmão de Jesus Cristo, chamado a tomar parte do amor eterno de Deus. A pergunta «O que é o homem?» encontra resposta na imitação de Jesus Cristo. Fazendo nossos os seus passos, podemos aprender, dia após dia, o que é o homem, na paciência do amor e no sofrimento com Jesus Cristo, tornando-nos, assim, homens. Então, quereremos erguer os olhos para Aquele que Pilatos, que a Igreja, nos apresentam. O homem é Ele. Oremos-Lhe, pedindo que nos ensine a nos tornarmos verdadeiramente homens, a sermos homens. Paz e Bem! "TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO"Sexta-feira, dia 26 de Setembro de 2008 S. Cosme e S. Damião, médicos, mártires, +303 Livro de Eclesiastes 3,1-11. Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo para matar e tempo para curar, tempo para destruir e tempo para edificar, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar, tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar; tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço, tempo para procurar e tempo para perder, tempo para guardar e tempo para atirar fora, tempo para rasgar e tempo para coser, tempo para calar e tempo para falar, tempo para amar e tempo para odiar, tempo para guerra e tempo para paz. Que proveito tira das suas fadigas aquele que trabalha? Eu vi a tarefa que Deus impôs aos filhos dos homens para que dela se ocupem. Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim. Livro de Salmos 144(143),1-2.3-4. — Bendito seja o Senhor, meu rochedo! — Bendito seja o Senhor, meu rochedo. Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo. É meu escudo: é nele que espero. — Que é o homem, Senhor, para vós? Por que dele cuidais tanto assim, e no filho do homem pensais? Como o sopro de vento é o homem, os seus dias são sombra que passa. Evangelho segundo S. Lucas 9,18-22. Um dia, quando orava em particular, estando com Ele apenas os discípulos, perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?» Responderam-lhe: «João Baptista; outros, Elias; outros, um dos antigos profetas ressuscitado.» Disse-lhes Ele: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «O Messias de Deus.» Ele proibiu-lhes formalmente de o dizerem fosse a quem fosse; e acrescentou: «O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.» Da Bíblia Sagrada Paulo VI, papa de 1963 a 1978 "E vós, que dizeis? Para vós, quem sou eu?" Cristo! Sinto a necessidade de o anunciar, não posso calá-lo: "Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1Co 9,16) Sou enviado por ele para isso mesmo; sou apóstolo, sou testemunha. Quanto mais longe está o objectivo e mais difícil é a missão, mais premente é o amor que me impele (2Co 5,14). Devo proclamar o seu nome: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). É ele que nos revela o Deus invisível, o primogénito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas (Col 1,15s). Ele é o Mestre da humanidade e o Redentor: nasceu, morreu e ressuscitou por nós; é o centro da história e do mundo. É quem nos conhece e nos ama; é o companheiro e o amigo da nossa vida. É o homem da dor e da esperança; é o que deve vir e que será um dia nosso juiz e tembém, assim o esperamos, a plenitude eterna da nossa existência, a nossa felicidade. Nunca mais acabaria de falar dele: ele é a luz, é a verdade; muito mais, é "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ele é o Pão, a Fonte de água viva que responde à nossa fome e à nossa sede (Jo 6,35; 7,38); ele é o Pastor, o nosso guia, o nosso exemplo, o nosso reconforto, o nosso irmão. Como nós, e mais do que nós, foi pequeno, pobre, humilhado, trabalhador, infeliz e paciente. Para nós, falou, realizou milagres, fundou um Reino novo onde os pobres são bem-aventurados, onde a paz é o princípio da vida em comum, onde os que têm o coração puro e os que choram são exaltados e consolados, onde os que aspiram à justiça são atendidos, onde os pecadores podem ser perdoados, onde todos são irmãos. Jesus Cristo: vocês já ouviram falar dele e até, para a maioria, vocès pertencem-lhe, vocês são cristãos. Pois bem! A vocês, cristãos, eu repito o seu nome, a todos anuncio: Jesus Cristo é "o princípio e o fim, o alfa e o ómega" (Ap 21,6). Ele é o rei do mundo novo; é o segredo da história, a chave do nosso destino; Ele é o Mediador, a ponte entre a terra e o céu...; o Filho do homem, o Filho de Deus..., o Filho de Maria... Jesus Cristo! Lembrem-se: é o anúncio que fazemos para a eternidade, é a voz que fazemos ressoar por toda a terra (Rm 10,18) e para os séculos que hão-de vir. Paz e Bem! Ó SENHOR, VÓS FOSTES SEMPRE UM REFÚGIO PARA NÓSQuinta-feira, dia 25 de Setembro de 2008 S. Firmino, bispo, mártir, séc. III Livro de Eclesiastes 1,2-11. Ilusão das ilusões - disse Qohélet - ilusão das ilusões: tudo é ilusão. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche. Para onde sempre correram, continuam os rios a correr. Todas as palavras estão gastas, o homem não consegue já dizê-las. A vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve. Aquilo que foi é aquilo que será; aquilo que foi feito, há-de voltar a fazer-se: e nada há de novo debaixo do Sol! Se de alguma coisa alguém diz: «Eis aí algo de novo!», ela já existia nas eras que nos precederam. Não há memória das coisas antigas; e também não haverá memória do que há-de suceder depois; nem ficará disso memória entre aqueles que hão-de vir mais tarde. Livro de Salmos 90(89),3-4.5-6.12-13.14.17. — Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós. — Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para nós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. — Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. — Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! — Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. Evangelho segundo S. Lucas 9,7-9. O tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que se passava; e andava perplexo, pois alguns diziam que João ressuscitara dos mortos; outros, Da Bíblia Sagrada Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja "Herodes procurava vê-lo" Neste mundo, o Senhor só é visto quando quer. Não há de que nos espantarmos. Mesmo na ressurreição, só foi dado ver Deus aos que tinham o coração puro: "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus" (Mt 5,8). Quantos bem-aventurados não tinha Jesus enumerado já e, contudo, não lhes tinha prometido esta possibilidade de verem Deus. Se, portanto, aqueles que têm o coração puro hão-de ver Deus, seguramente que os outros não o verão...; aquele que não quis ver Deus não pode ver Deus. Porque Deus não se vê num lugar mas através de um coração puro. Não são os olhos do corpo que procuram Deus; ele não é captado pelo olhar, nem tocado pelo tacto, nem ouvido numa conversa, nem reconhecido numa atitude. Julgamo-lo ausente e vemo-lo; está presente e não o vemos. Aliás, nem todos os apóstolos viam Cristo; foi por isso que ele lhes disse: "Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheceis?" (Jo 19,9) Com efeito, todo aquele que conheceu qual é "a largura, o comprimento, a altura e a profundidade - o amor de Cristo que ultrapassa todo o conhecimento" (Ef 3,18-19), esse viu também Cristo, viu também o Pai. Porque, no que nos toca, não é segundo a carne que conhecemos Cristo (2Co 6,16), mas segundo o Espírito: "O Espírito que está diante da nossa face é o Ungido do Senhor, o Cristo" (Lm 420). Que ele se digne, na sua misericórdia, cumular-nos com toda a plenitude de Deus, a fim de que o possamos ver! Paz e Bem! A TUA PALAVRA É A VERDADEQuarta-feira, dia 24 de Setembro de 2008 Nossa Senhora das Mercês , S. Vicente Maria Strambi, bispo, +1824 Livro de Provérbios 30,5-9. Toda a palavra de Deus é provada ao fogo, é um escudo para aqueles que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso. Peço-te duas coisas, não mas negues antes da minha morte: Afasta de mim a falsidade e a mentira, não me dês pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, para que, saciado, não te renegue, e não diga: «Quem é o Senhor?» Ou, empobrecido, não roube e não profane o nome do meu Deus. Livro de Salmos 118,29.72.89.101.104.163. — Vossa palavra é uma luz para os meus passos!
— É eterna, ó Senhor, vossa palavra, ela é tão firme e estável quanto o céu. De todo mau caminho afasto os passos, para que eu siga fielmente as vossas ordens. — De vossa lei eu recebi inteligência, por isso odeio os caminhos da mentira. Eu odeio e detesto a falsidade, porém amo vossas leis e mandamentos! Evangelho segundo S. Lucas 9,1-6. Tendo convocado os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e para curarem doenças. Depois, enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os doentes, e disse-lhes: «Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. Em qualquer casa em que entrardes, ficai lá até ao vosso regresso. Quanto aos que vos não receberem, saí dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés, para servir de testemunho contra eles.» Eles puseram-se a caminho e foram de aldeia em aldeia, anunciando a Boa-Nova e realizando curas por toda a parte. Da Bíblia Sagrada S. João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia depois de Constantinopla, doutor da Igreja - 4ª homilia sobre a 1ª epístola aos Coríntios «A tua majestade suprema é proclamada pela boca das crianças, dos pequeninos» (Sl 8,3) A cruz conquistou os espíritos no meio de pregadores ignorantes, e isso no mundo inteiro. Não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o Evangelho, e do julgamento futuro. A cruz transformou, pois, em filósofos, pessoas simples e iletradas. Eis como: «a loucura de Deus é mais sábia que o homem, e a sua fraqueza, mais forte» (1 Co 1,25). Como é que é mais forte? Porque se propaga pelo mundo inteiro, porque submeteu os homens ao seu poder e resiste aos inumeráveis adversários que gostariam de ver desaparecer o nome do Crucificado. Pelo contrário, esse nome desabrochou e propagou-se; os seus inimigos pereceram, desapareceram; os vivos que combatiam um morto foram reduzidos à impotência... Com efeito, o que publicanos e pecadores conseguiram vencer pela graça de Deus, os filósofos, os oradores, os reis, em breve, a terra inteira, em toda a sua extensão, não foi sequer capaz de o imaginar... Era pensando nisso que o apóstolo Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens». De outro modo, como teriam podido esses doze pecadores pobres e ignorantes imaginar uma tal empresa? Paz e Bem! "GUIAI-ME, SENHOR, NO CAMINHO DE VOSSOS PRECEITOS!"Terça-feira, dia 23 de Setembro de 2008 São Pio de Petrelcina (Padre Pio), presbítero, +1968 Livro de Provérbios 21,1-6.10-13. O coração do rei é como água corrente nas mãos do Senhor, Ele o dirigirá para onde quiser. Os caminhos do homem parecem-lhe sempre retos, mas é o Senhor quem pesa os corações. A prática da justiça e da equidade é mais agradável ao Senhor que os sacrifícios. Olhares altivos, coração soberbo: a lâmpada dos ímpios é o pecado. Os projectos do homem diligente têm êxito, mas quem se precipita cai certamente na ruína. Os tesouros adquiridos pela mentira são vaidade passageira e laço de morte. A alma do ímpio deseja o mal; não terá compaixão do seu próximo. Com o castigo do insolente, o ingénuo ficará mais sábio; quando se adverte o sábio, ele adquire mais saber. O justo está atento à família do ímpio, e precipita os maus na desventura. Aquele que se faz surdo ao clamor do pobre, também um dia clamará e não será ouvido. Livro de Salmos 119,1.27.30.34.35.44. Guiai-me, Senhor, no caminho de vossos preceitos! — Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! — Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos. — Guiai meus passos no caminho que traçastes, pois só nele encontrarei felicidade. Evangelho segundo S. Lucas 8,19-21. Sua mãe e seus irmãos vieram ter com Ele, mas não podiam aproximar-se por causa da multidão. Anunciaram-lhe: «Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.» Mas Ele respondeu-lhes: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.» Da Bíblia Sagrada Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja Ela vivia de fé como nós Como eu gostava de ser padre para pregar acerca da Virgem Santa! Uma só vez bastava-me para dizer tudo o que penso a esse respeito. Teria, primeiro, feito entender a que ponto se conhece mal a sua vida. Não precisaria de dizer coisas inacreditáveis ou que não se sabem; por exemplo, que muito pequenita, aos três anos, a Virgem Santa foi ao Templo oferecer-se a Deus com sentimentos ardentes de amor e absolutamente extraordinários; quando ela lá foi talvez simplesmente para obedecer a seus pais... Para que um sermão sobre a Virgem me agrade e me faça bem, preciso de ver a sua vida real, não a sua vida suposta; e estou certa de que a sua vida real devia ser muito simples. Mostram-na inabordável, era preciso mostrá-la imitável, fazer ressaltar as suas virtudes, dizer que ela vivia de fé, como nós; dar provas pelo Evangelho onde lemos: «eles não compreenderam o que lhes dizia» (Lc 2,50). E esta outra, não menos misteriosa: «Os seus pais ficavam admirados com o que diziam dele» (Lc 2,33). Essa admiração supõe uma certa estranheza, não acham? Sabe-se bem que a Virgem é a rainha do Céu e da terra, mas é mais mãe que rainha, e não é preciso dizer, por causa das suas prerrogativas, que ela eclipsa a glória de todos os santos, como o sol ao nascer faz desaparecer as estrelas. Meu Deus! Eu penso exactamente o contrário, creio que ela aumentará muito o esplendor dos eleitos. Está certo falar das suas prerrogativas, mas não é preciso dizer que isso... Quem sabe se alguma alma não iria mesmo sentir um certo afastamento em relação a uma criatura tão superior e não diria para consigo: «Se assim é, mais vale brilhar tanto quanto se possa num cantinho». O que a Virgem tinha a mais do que nós é que ela não podia pecar, que estava isenta de pecado original, mas, por outro lado, teve muito menos sorte do que nós porque não tinha Virgem Santa para amar, e é uma grande doçura a mais para nós. Paz e Bem! O JUSTO HABITARÁ O MONTE SANTO DO SENHORSegunda-feira, dia 22 de Setembro de 2008 S. Maurício e companheiros (soldados romanos), mártires, séc. III , Beato José Calasanz e companheiros, mártires, +1648 Livro de Provérbios 3,27-34. Não negues um benefício a quem dele precisa, se estiver nas tuas mãos poder concedê-lo. Não digas ao teu próximo: «Vai, e volta depois, amanhã te darei», quando o puderes logo atender. Não maquines o mal contra teu próximo, quando ele deposita confiança em ti. Não litigues contra ninguém, sem motivo, quando não te fez mal algum. Não invejes o homem violento, nem adoptes o seu procedimento, porque o Senhor abomina o homem perverso, mas reserva para os rectos a sua intimidade. A maldição do Senhor cai sobre a casa do ímpio, mas Ele abençoa a morada dos justos. Ele escarnece dos escarnecedores, mas concede a sua graça aos humildes. Livro de Salmos 15(14),2-3.3-4.5. O Justo habitará no monte santo do Senhor. Aquele que leva uma vida sem mancha, pratica a justiça e diz a verdade com todo o coração; aquele cuja língua não levanta calúnias e não faz mal ao seu próximo, nem causa prejuízo a ninguém. Aquele cuja língua não levanta calúnias e não faz mal ao seu próximo, nem causa prejuízo a ninguém; aquele que despreza o que é desprezível, mas estima os que temem o SENHOR. Aquele que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo; aquele que não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Quem assim proceder não há-de sucumbir para sempre. Evangelho segundo S. Lucas 8,16-18. «Ninguém acende uma candeia para a cobrir com um vaso ou para a esconder debaixo da cama; mas coloca-a no candelabro, para que vejam a luz aqueles que entram. Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz. Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga possuir.» Da Bíblia Sagrada Bem aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade «Prestai atenção ao modo como escutais» Escuta em silêncio. Porque o teu coração transborda com um milhão de coisas, tu não podes escutar nele a voz de Deus. Mas assim que te pões à escuta da voz de Deus no teu coração pacificado, ele enche-se de Deus. Isso requer muitos sacrifícios. Se pensamos que queremos rezar, temos de nos preparar para isso. Sem desfalecimento. Não são senão as primeiras etapas em direcção à oração, mas se não as concluímos com determinação, nunca alcançaremos a última etapa, a presença de Deus. É por isso que a aprendizagem deve ser feita desde o início: colocar-se à escuta da voz de Deus no seu coração; e, no silêncio do coração, Deus põe-se a falar. Depois, da plenitude do coração sobe o que a boca deve dizer. Aí opera-se a fusão. No silêncio do coração, Deus fala e tu só tens que escutar. Depois, uma vez que o teu coração entra em plenitude, porque ele se encontra repleto de Deus, repleto de amor, repleto de compaixão, repleto de fé, compete à tua boca pronunciar-se. Lembra-te, antes de falares, que é necessário escutar e só então, das profundezas de um coração aberto, podes falar e Deus entende-te. OS ÚLTIMOS SÃO OS PRIMEIROS...Domingo, dia 21 de Setembro de 2008 XXV Domingo Comum (semana I do saltério) , S. Mateus, apóstolo e evangelista Livro de Isaías 55,6-9. Buscai o SENHOR, enquanto se pode encontrar; invocai-o, enquanto está perto. Deixe o ímpio os seus caminhos, e o criminoso os seus projectos. Volte-se para o SENHOR, que terá piedade dele, para o nosso Deus, que é generoso em perdoar. Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos oráculo do SENHOR. Tanto quanto os céus estão acima da terra, assim os meus caminhos são mais altos que os vossos, e os meus planos, mais altos que os vossos planos. Livro de Salmos 145(144),2-3.8-9.17-18. Todos os dias te bendirei; louvarei o teu nome para sempre. O SENHOR é grande e digno de todo o louvor; a sua grandeza é insondável. O SENHOR é clemente e compassivo, é paciente e misericordioso. O SENHOR é bom para com todos; a sua ternura repassa todas as suas obras. O SENHOR é justo em todos os seus caminhos e misericordioso em todas as suas obras. O SENHOR está perto de todos os que o invocam, dos que o invocam sinceramente. Carta aos Filipenses 1,20-24.27. de acordo com a ansiedade e a esperança que tenho de que em nada serei envergonhado. Pelo contrário: com todo o desassombro, agora como sempre, Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida quer pela morte. É que, para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. Estou pressionado dos dois lados: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, já que isso seria muitíssimo melhor; mas continuar a viver é mais necessário por causa de vós. Só isto é necessário: comportai-vos em comunidade de um modo digno do Evangelho de Cristo, para que – quer eu vá ter convosco, quer esteja ausente – ouça dizer isto de vós: que permaneceis firmes num só espírito, lutando juntos, numa só alma, pela fé no Evangelho Evangelho segundo S. Mateus 20,1-16. «Com efeito, o Reino do Céu é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 'Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ O proprietário respondeu a um deles: 'Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ Da Bíblia Sagrada S. Efrém (cerca 306-373), diácono na Síria, doutor da Igreja «Não me será permitido dispor dos meus bens como me aprouver?» Aqueles homens estavam dispostos a trabalhar mas «ninguém os contratou»; eles eram trabalhadores, mas ociosos por falta de trabalho e de patrão. Em seguida, uma voz contratou-os, uma palavra pô-los a caminho e, no seu zelo, não combinaram antecipadamente qual o preço do seu trabalho, como os primeiros. O patrão avaliou os seus trabalhos com sabedoria e pagou-lhes tanto como aos outros. Nosso Senhor disse esta parábola para que ninguém dissesse: «Uma vez que não fui chamado na juventude, não posso ser recebido». Mostrou que, seja qual for o momento da sua conversão, todo o homem é acolhido... «Ele saiu pela manhã, pela terceira hora, pela hora sexta, pela hora nona e pela hora undécima»: pode-se compreender isso desde o início da sua pregação, ao longo da sua vida até à cruz, porque foi «à hora undécima» que o ladrão entrou no Paraíso. Para que não se incrimine o ladrão, nosso Senhor afirma a sua boa vontade; se tivesse sido contratado, teria trabalhado: «Ninguém nos contratou». O que damos a Deus é bem digno dele e o que ele nos dá bem superior a nós. Contratam-nos para um trabalho proporcional às nossas forças, mas propõem-nos um salário superior ao que o nosso trabalho merece... Ele age do mesmo modo para com os primeiros e para com os últimos; «recebeu cada um uma moeda» com a imagem do Rei. Tudo isso significa o pão da vida (Jo 6,35) que é o mesmo para todos os homens; único é o remédio de vida para aqueles que o tomam. No trabalho da vinha, não se pode acusar o patrão pela sua bondade, e não se encontra nada a dizer acerca da sua rectidão. Na sua rectidão, ele deu como havia combinado, e mostrou-se misericordioso como quis. É para ensinar isto que nosso Senhor disse esta parábola, e resumiu tudo isto nestas palavras: «Não me é permitido fazer o que quero na minha casa?» Paz e Bem! AS SEMENTES DO REINOSabado, dia 20 de Setembro de 2008 Santos André Kim Taegón, presbítero, Paulo Chóng Hasang e companheiros, mártires, +1846 1ª Carta aos Coríntios 15,35-37.42-49. Mas dir-se-á: Como ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam? Assim está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito um ser vivente e o último Adão, um espírito que vivifica. Mas o primeiro não foi o espiritual, mas o terreno; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo vem do céu. Tal como era o terrestre, assim são também os terrestres; tal como era o celeste, assim são também os celestes. E assim como trouxemos a imagem do homem da terra, assim levaremos também a imagem do homem celeste. Livro de Salmos 56(55),10-12.13-14. Na presença do Senhor, andarei na luz da vida! — Meus inimigos haverão de recuar em qualquer dia em que eu vos invocar; tenho certeza: o Senhor está comigo. — Confio em Deus e louvarei sua promessa; é no Senhor que eu confio e nada temo: que poderia contra mim um ser mortal? — Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz, e vos oferto um sacrifício de louvor, porque da morte arrancastes minha vida e não deixastes os meus pés escorregarem, para que eu ande na presença do Senhor, na presença do Senhor na luz da vida. Evangelho segundo S. Lucas 8,4-15. Como estivesse reunida uma grande multidão, e de todas as cidades viessem ter com Ele, disse esta parábola: «Saiu o semeador para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, foi pisada e as aves do céu comeram-na. Outra caiu sobre a rocha e, depois de ter germinado, secou por falta de humidade. Outra caiu no meio de espinhos, e os espinhos, crescendo com ela, sufocaram-na. Uma outra caiu em boa terra e, uma vez nascida, deu fruto centuplicado.» Dizendo isto, clamava: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça!» Os discípulos perguntaram-lhe o significado desta parábola. Disse-lhes: «A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus; mas aos outros fala-se-lhes em parábolas, a fim de que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam.» «O significado da parábola é este: a semente é a Palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem, mas em seguida vem o diabo e tira-lhes a palavra do coração, para não se salvarem, acreditando. Os que estão sobre a rocha são os que, ao ouvirem, recebem a palavra com alegria; mas, como não têm raiz, acreditam por algum tempo e afastam-se na hora da provação. A que caiu entre espinhos são aqueles que ouviram, mas, indo pelo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, pela riqueza, pelos prazeres da vida e não chegam a dar fruto. E a que caiu em terra boa são aqueles que, tendo ouvido a palavra, com um coração bom e virtuoso, conservam-na e dão fruto com a sua perseverança.» Da Bíblia Sagrada S. Teodoro Estudita (759-826), monge em Constantinopla «Uma semente caiu em boa terra» É a Maria, creio, que se dirige o profeta Joel, ao dizer: «Não temas, tu, a terra; canta e rejubila, porque o Senhor faz grandes coisas» (2,21). Porque Maria é a terra: a terra onde Moisés, homem de Deus, recebeu ordem para tirar as sandálias dos pés (Ex 3,5), uma imagem da Lei que a graça virá substituir. Ela é também a terra onde, pelo Espírito Santo, se fixou Aquele acerca de quem cantamos que «fundou a terra sobre bases sólidas» (Sl 103,5). É uma terra que, sem ter sido semeada, faz brotar o fruto que dá alimento a todo o ser vivo (Sl 135,25). Uma terra onde não cresceu o espinheiro do pecado: pelo contrário, nela nasceu quem desde a raiz o arrancou. Terra que é, enfim, não maldita, como a primeira, de campos onde abundavam espinhos e abrolhos (Gn 3,18), mas sobre a qual repousa a bênção do Senhor, e que traz em seu seio um «fruto bendito», como diz a palavra sagrada (Lc 1,42). [...] Exulta pois, Maria, casa do Senhor, terra que Deus marcou com seus passos [...]. Exulta, paraíso mais feliz que o jardim do Éden, onde toda a virtude germinou e onde cresceu a árvore da Vida. Paz e Bem! "AO DESPERTAR, ME SACIARÁ VOSSA PRESENÇA, Ó SENHOR".Sexta-feira, dia 19 de Setembro de 2008 S. Januário, bispo, mártir, +305 , Nossa Senhora da Salette 1ª Carta aos Coríntios 15,12-20. Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados. Por conseguinte, aqueles que morreram em Cristo, perderam se. E se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Livro de Salmos 17,1.6-7.8.15. AO DESPERTAR, ME SACIARÁ VOSSA PRESENÇA, Ó SENHOR. Ouve, SENHOR, a minha causa justa, atende ao meu clamor. Escuta a minha oração, que não sai de lábios mentirosos. Eu te invoco, ó Deus; responde-me! Inclina para mim o ouvido, escuta as minhas palavras. Mostra-nos a tua misericórdia, Tu, que salvas dos agressores os que buscam refúgio na tua direita. Guarda-me como à pupila dos teus olhos; esconde-me à sombra das tuas asas, Eu, porém, pela justiça, contemplarei a tua face e, ao despertar, serei saciado com a tua presença. Evangelho segundo S. Lucas 8,1-3. Em seguida, Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens. Da Bíblia Sagrada Papa Bento XVI «Acompanhavam-No os Doze, e também mulheres» Sabemo-lo, de entre os seus discípulos Jesus escolheu doze homens como Pais do novo Israel, e escolheu-os para «estarem com Ele e para os enviar a pregar» (Mc 3, 14). Este facto é evidente mas, além dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, também muitas mulheres são escolhidas no número dos discípulos. Posso apenas brevemente mencionar aquelas que se encontram no caminho do próprio Jesus, a começar pela profetisa Ana, até à Samaritana, à mulher sírio-fenícia, à hemorroísa e à pecadora perdoada. Não me referirei sequer às protagonistas de algumas eficazes parábolas, por exemplo a uma dona de casa que amassa o pão, à mulher que perde a dracma, à viúva que importuna o juiz. Mais significativas nesta nossa reflexão são aquelas mulheres que desenvolveram um papel activo no contexto da missão de Jesus. Em primeiro lugar, pensamos naturalmente na Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra materna, colaborou de modo único para a nossa Redenção, e de tal forma que Isabel veio a proclamá-la «bendita [...] entre as mulheres», acrescentando: «Feliz de ti que acreditaste» (Lc 1, 45). Tornando-se discípula do Filho, Maria manifestou em Caná total confiança nele e seguiu-O até à Cruz, onde recebeu dele uma missão materna para com todos os seus discípulos de todos os tempos, representados por João. Surgem depois várias mulheres que, a diversos títulos, gravitaram em torno da figura de Jesus, com funções de responsabilidade. São exemplo eloquente disso as mulheres que seguiam Jesus para o assistir com os seus bens e das quais Lucas nos transmite alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana e «muitas outras». Depois, os Evangelhos informam-nos que as mulheres, diversamente dos Doze, não abandonaram Jesus na hora da Paixão. Entre elas destaca-se, em particular, Madalena, que presenciou a Paixão, mas que para além disso foi também a primeira testemunha do Ressuscitado e quem O anunciou. É precisamente para Maria de Magdala que S. Tomás de Aquino reserva a singular qualificação de «apóstola dos apóstolos», dedicando-lhe este bonito comentário: «Como uma mulher tinha anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim uma mulher foi a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida». (Referências bíblicas : Mc 3,14-15 ; Lc 2,36-38 ; Jo 4,1-39; Mc 7,24-30 ; Mt 9,20-22 ; Lc 7,36-50 ; Mt 13,33 ; Lc 15,8-10 ; Lc 18,1-18 ; Lc 1,42 ; Lc 1,45 ; Jo 2,25 ; Jn 19,25-27 ; Lc 8,2-3 ; Mt 27,56.61; Mc 15,40 ; Jo 20,1.11-18) PAZ E BEM! "O AMOR JAMAIS PASSARÁ".Quarta-feira, dia 17 de Setembro de 2008 S. Roberto Belarmino, bispo, Doutor da Igreja, +1621 1ª Carta aos Coríntios 12,31.13,1-13. Aspirai, porém, aos melhores dons. Aliás, vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita. O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil. Pois o nosso conhecimento é imperfeito e também imperfeita é a nossa profecia. Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança. Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor. Livro de Salmos 33(32),2-3.4-5.12.22. Louvai o SENHOR com a cítara; cantai-lhe salmos com a harpa de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo, tocai com arte por entre aclamações. As palavras do SENHOR são verdadeiras, as suas obras nascem da fidelidade.Ele ama a rectidão e a justiça; a terra está cheia da sua bondade. Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, o povo que Ele escolheu para sua herança. Venha sobre nós, SENHOR, o teu amor, pois depositamos em ti a nossa confiança. Evangelho segundo S. Lucas 7,31-35. «A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas às outras, dizendo: 'Tocámos flauta para vós, e não dançastes! Entoámos lamentações, e não chorastes!' Veio João Baptista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: 'Está possesso do demónio!' Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores!' Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.» Da Bíblia Sagrada S. Siluane (1866-1936) "Adão, onde estás?" (Gn 3,9): responder aos apelos do Senhor A minha alma anseia pelo Senhor e eu procuro-o com lágrimas. Como poderia não te procurar? Tu foste o primeiro a encontrar-me. Tu permitiste-me que vivesse a doçura do teu Espírito Santo e a minha alma amou-te. Tu vês, Senhor, o meu sofrimento e as minhas lágrimas. Se não me tivesses atraído com o teu amor, eu não te procuraria como te procuro. Mas o teu Espírito fez-me conhecer-te e a minha alma alegra-se por tu seres o meu Deus e o meu Senhor e, até às lágrimas, anseio por ti... Senhor misericordioso, tu vês a minha queda e a minha dor; mas, humildemente, imploro a tua clemência: derrama sobre o pecador que eu sou a graça do teu Espírito Santo. A sua lembrança leva o meu espírito a encontrar de novo a tua misericórdia. Senhor, dá-me o teu humilde Espírito para que eu não perca de novo a tua graça e não me lamente como Adão que chorava a separação de Deus e o Paraíso perdido. O Espírito de Cristo, que o Senhor me deu, quer a salvação de todos, deseja que todos conheçam Deus. O Senhor deu o Paraíso ao ladrão; dá-lo-á também a todos os pecadores. Pelos meus pecados, sou pior do que um cão tinhoso mas pus-me a pedir ao Senhor que mos perdoasse e ele concedeu-me, não só o seu perdão, como o próprio Espírito Santo. E, no Espírito Santo, conheci Deus... O Senhor é misericordioso; a minha alma sabe-o mas descrevê-lo é impossível. Ele é infinitamento manso e humilde e a minha alma, quando o vê, transforma-se toda ela em amor a Deus e ao próximo; torna-se ela mesma mansa e humilde. Mas, se o homem perder a graça, chorará como Adão quando foi expulso do Paraíso... Dá-nos, Senhor, o arrependimento de Adão e a tua santa humildade. Paz e Bem! "JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE"Terça-feira, dia 16 de Setembro de 2008 S. Cornélio, papa, mártir, +253 , S. Cipriano, bispo, mártir, +258 1ª Carta aos Coríntios 12,12-14.27-31. Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo. De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos ou livres, e todos bebemos de um só Espírito. O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro. E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo, profetas; em terceiro, mestres; em seguida, há o dom dos milagres, depois o das curas, o das obras de assistência, o de governo e o das diversas línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Fazem todos milagres? Possuem todos o dom das curas? Todos falam línguas? Todos as interpretam? Aspirai, porém, aos melhores dons. Aliás, vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros. Livro de Salmos 100(99),1-2.3.4.5. SENHOR é bom! O seu amor é eterno! É eterna a sua fidelidade! Aclamai o SENHOR, terra inteira, servi ao SENHOR com alegria, vinde à sua presença com cânticos de júbilo! Sabei que o SENHOR é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho. Entrai pelas suas portas em acção de graças; entrai nos seus átrios com hinos de louvor; glorificai-o e bendizei o seu nome. Evangelho segundo S. Lucas 7,11-17. Em seguida, dirigiu-se a uma cidade chamada Naim, indo com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando estavam perto da porta da cidade, viram que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva; e, a acompanhá-la, vinha muita gente da cidade. Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam. Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!» O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe. O temor apoderou-se de todos, e davam glória a Deus, dizendo: «Surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o seu povo!» E a fama deste milagre espalhou-se pela Judeia e por toda a região. Da Bíblia Sagrada Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja "Jovem, eu te ordeno, levanta-te" Que ninguém duvide, se for cristão, de que, mesmo agora, os mortos ressuscitam. Claro que todos temos olhos para ver mortos ressuscitarem da forma como ressuscitou o filho desta viúva de quem se fala no evangelho. Mas nem todos podem ver ressuscitar os homens que estão mortos espiritualmente; para isso é preciso já se ter ressuscitado interiormente. É maior feito ressuscitar alguém que há-de viver para sempre do que ressuscitar alguém que tem de morrer de novo. A mãe deste jovem, esta viúva, teve transportes de alegria ao ver ressuscitar o seu filho. A nossa mãe, a Igreja, rejubila também ao ver todos os dias a ressurreição espiritual dos seus filhos. O filho da viúva tinha morrido com a morte do corpo; mas estes, com a morte da alma. Derramavam-se lágrimas sobre a morte visível do primeiro; mas poucos se preocupam com a morte invisível destes últimos, nem sequer a vêem. O único que não ficou indiferente foi aquele que conhecia estes últimos mortos; só ele conhecia esses mortos e lhes podia dar a vida. Com efeito, se o Senhor não tivesse vindo para ressuscitar os mortos, o apóstolo Paulo não teria dito: "Levanta-te, tu que dormes, ergue-te de entre os mortos e Cristo te iluminará!" (Ef 5,14) Paz e Bem! "QUANDO FOR ERGUIDO DA TERRA, ATRAIREI TODOS A MIM"Domingo, dia 14 de Setembro de 2008 Exaltação da Santa Cruz (ofício da festa) , Exaltação da Santa Cruz Livro de Números 21,4-9. Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?» Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel. O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo. O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.» Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia. Livro de Salmos 78(77),1-2.34-35.36-37.38. Escuta, meu povo, os meus ensinamentos; presta atenção às minhas palavras. Vou abrir a minha boca em parábolas e revelar os enigmas de outros tempos. Quando os castigava, eles procuravam-no, convertiam-se e voltavam-se para Deus. Recordavam-se então que Deus era o seu protector, que o Altíssimo era o seu libertador. Mas logo o enganavam com a boca e lhe mentiam com a língua. Os seus corações não eram leais com Ele, nem fiéis à sua aliança. Mas Deus, que é misericordioso, perdoava-lhes os pecados e não os destruía. Muitas vezes conteve a sua ira, e não deixou que o seu furor se avivasse. Carta aos Filipenses 2,6-11. Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!”, para glória de Deus Pai. Evangelho segundo S. João 3,13-17. Pois ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. Da Bíblia Sagrada Santo Efrém (c.306-373), diácono na Síria, doutor da Igreja (?) «Quando for erguido da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32) De ora em diante, pela cruz, as sombras estão dissipadas e a verdade eleva-se, como diz o apóstolo João: «Porque as primeiras coisas passaram [...] Eu renovo todas as coisas» (Ap 21,4-5). A morte é espoliada, o inferno liberta os cativos, o homem está livre, o Senhor reina, a criação está em alegria. A cruz triunfa e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7,9), vêm para O adorar. Com o beato Paulo, que exclama : «Quanto a mim, porém, de nada quero me gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Ga 6,14), encontramos nela a nossa alegria. A cruz traz a luz a todo o universo, ela afasta as trevas e reúne as nações do Ocidente, do Oriente, do Norte e do mar numa só Igreja, numa única fé, num só baptismo na caridade. Fixada no Calvário, ela dirige-se ao centro do mundo. Armados com a cruz, os apóstolos vão pregar e reunir na sua adoração o universo inteiro, espezinhando todas as forças hostis. Por ela, os mártires confessaram a sua fé com audácia e não temeram os ardis dos tiranos. Carregando-a, os monges fizeram da solidão a própria morada, numa imensa alegria. Na hora em que Jesus regressar, aparecerá primeiro no céu esta cruz, cetro precioso, vivo, verdadeiro e santo do Grande Rei: «Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem» (Mt 24,30). Vê-la-emos, escoltada pelos anjos, a iluminar a Terra, de uma a outra ponta do Universo, mais clara que o sol, a anunciar o Dia do Senhor. Paz e Bem! ASSENTAR OS ALICERCES SOBRE A ROCHASabado, dia 13 de Setembro de 2008 S. João Crisóstomo, bispo, Doutor da Igreja, +407 1ª Carta aos Coríntios 10,14-22. Por isso, meus caros, fugi da idolatria. Falo-vos como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão. Vede o Israel segundo a carne: os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar? Que vos hei-de dizer, pois? Que a carne imolada aos ídolos tem algum valor, ou que o próprio ídolo é alguma coisa? Não! Mas aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus. E eu não quero que estejais em comunhão com os demónios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele? Livro de Salmos 116(115),12-13.17-18. Como retribuirei ao SENHOR todos os seus benefícios para comigo? Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do SENHOR. Evangelho segundo S. Lucas 6,43-49. «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. «Porque me chamais 'Senhor, Senhor', e não fazeis o que Eu digo? Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente arremessou-se contra ela, e a casa imediatamente se desmoronou. E foi grande a sua ruína!» Da Bíblia Sagrada Santo Ireneu de Lyon (c. 130 - c 208), bispo, teólogo e mártir Assentar os alicerces sobre a rocha A pregação da Igreja apresenta, sob todos os aspectos, uma solidez inabalável; permanece idêntica a si mesma e beneficia do testemunho dos profetas, dos apóstolos e de todos os seus discípulos, testemunho que engloba "o começo, o meio e o fim", a totalidade do desígnio de Deus infalivelmente ordenada para a salvação do homem e pedra angular da nossa fé. Por isso, nós guardamos com cuidado essa fé que recebemos da Igreja... Com efeito, foi à Igreja que foi confiado o "dom de Deus" (jo 4,10) - assim como o sopro tinha sido confiado à primeira obra que Deus modelou, Adão (Gn 2,7) - a fim de que todos os membros da Igreja possam dele participar e por ele ser vivificados. Nela é que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor do dom da incorruptibilidade, confirmação da nossa fé e escada para a nossa ascenção até Deus: "Na Igreja, escreve S. Paulo, Deus colocou apóstolos, profetas, doutores" e todos os outros, por acção do Espírito (1 Co 12,28.11). Onde estiver a Igreja, está também o Espírito Santo; e onde está o Espírito de Deus, está também a Igreja e toda a graça. E o Espírito é Verdade (1 Jo 5,6). É por isso que aqueles que se excluem do Espírito deixam de se alimentar no seio de sua Mãe para receber a vida e de participar da fonte límpida que brota do corpo de Cristo(Jo 7,37), mas, pelo contrário, "controem para si cisternas quebradas" (Jr 2,13)... Tornando-se estrangeiros à verdade, é fatal que persistam no erro e sejam sacudidos por ele, que... não tenham nunca uma doutrina firmemente estabelecida, uma vez que preferem ser argumentadores de palavras mais do que discípulos da verdade. Porque não se alicerçam na única Rocha mas na areia. Paz e Bem! BASTA AO DISCÍPULO SER COMO MESTRESexta-feira, dia 12 de Setembro de 2008 S. Guido de Anderlecht, peregrino, +1012 , Santíssimo Nome de Maria 1ª Carta aos Coríntios 9,16-19.22-27. Porque, se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar! De facto, embora livre em relação a todos, fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Livro de Salmos 84,3.4.5-6.8.12. Minha alma suspira e tem saudades dos átrios do SENHOR; O meu coração e a minha carne cantam de alegria ao Deus vivo! Felizes os que habitam na tua casa e te louvam sem cessar. Eles avançam com entusiasmo crescente, até se apresentarem em Sião diante de Deus. Evangelho segundo S. Lucas 6,39-42. Jesus disse-lhes ainda esta parábola: «Um cego pode guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? Da Bíblia Sagrada S. Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja O discípulo bem formado será como o seu mestre "O discípulo não está acima do mestre. Será perfeito se for como o mestre". Os bem-aventurados discípulos estavam destinados a tornar-se os guias e os mestres espirituais da terra inteira. Deviam assim dar provas, mais do que quaisquer outros, de um visível fervor, estar familiarizados com a maneira de viver segundo o Evangelho e dispostos a praticar qualquer boa obra. Teriam de transmitir àqueles que instruissem a doutrina exacta, salutar e estritamente conforma à verdade, depois de primeiramente a terem contemplado e deixado a luz divina iluminar a sua inteligência. Sem isso, seriam cegos a conduzir outros cegos. Porque os que estão mergulhados nas trevas da ignorância não podem conduzir ao conhecimento da verdade os homens que sofrem essa mesma ignorância. Aliás, quereriam eles que caissem todos juntos no abismo das suas más tendências? Foi por isso que o Senhor quis parar a inclinação para a vanglória que se encontra em tantas pessoas e dissuadi-las de rivalizar com os seus mestres para ultrapassarem a reputação deles. Disse-lhes: "O discípulo não está acima do mestre". Mesmo se acontecer a alguém atingir um grau de virtude igual à dos predecessores, deverá sobretudo imitar a modéstia deles. Paulo dá-nos uma prova disso quando diz: "Mostrai-vos meus imitadores, como eu próprio o sou de Cristo" (1 Co 11,1). Se é assim, porque julgas, se o Mestre não julga ainda? Porque ele não veio para julgar o mundfo (Jo 12,47), mas para lhe trazer a graça... "Se eu não julgo, disse ele, não julgues também tu, que és meu discípulo. Pode acontecer que sejas mais culpado do que aquele que estás a julgar... Porque reparas na palha que está no olho do teu irmão?"` Paz e Bem! "QUERO SER SANTO"Terça-feira, dia 09 de Setembro de 2008 S. Pedro Claver, presbítero, +1654 1ª Carta aos Coríntios 6,1-11. Quando algum de vós entra em litígio com outro, como é que se atreve a submetê-lo ao juízo dos injustos e não ao dos santos? Ou não sabeis que os santos é que hão-de julgar o mundo? E, se é por vós que o mundo há-de ser julgado, sereis indignos de julgar questões menores? Quando, pois, tendes questões menores, porque escolheis como juízes aqueles que a Igreja menospreza? Ou não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os pedófilos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os beberrões, nem os caluniadores, nem os salteadores herdarão o Reino de Deus. Livro de Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6.9. Cantai ao SENHOR um cântico novo; louvai-o na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel no seu criador; regozije-se o povo de Sião no seu rei! SENHOR ama o seu povo e honra os humildes com a vitória! Entoem bem alto os louvores de Deus, com a espada de dois gumes na mão, Evangelho segundo S. Lucas 6,12-19. Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. Descendo com eles, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon, Da Bíblia Sagrada Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade «Passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles» Creio que as nossas irmãs receberam aquela comunicação da alegria que se percebe em muitos religiosos que sem reservas se deram a Deus. A nossa obra é apenas a expressão do amor que temos a Deus. Este amor precisa de alguém que o receba, e é assim que as pessoas que encontramos nos dão o meio de o exprimirmos. Precisamos de encontrar Deus, e não é na agitação nem no barulho que poderemos encontrá-Lo. Deus é o amigo do silêncio. Em que tamanho silêncio não crescem as árvores, as flores e a erva! Em que tamanho silêncio não se movem as estrelas, a lua e o sol! Não é nossa missão dar Deus aos pobres dos casebres? Não um Deus morto, mas um Deus vivo e que ama. Quanto mais recebermos na oração silenciosa, mais podemos dar na nossa vida activa. Precisamos de silêncio para sermos capazes de tocar as almas. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que diz através de nós. Todas as palavras que dissermos serão vãs se não vierem do mais íntimo; as palavras que não transmitem a luz de Cristo aumentam as trevas. Os nossos progressos na santidade dependem de Deus e de nós próprios, das graças de Deus e da própria vontade que temos de ser santos. Temos de assumir o compromisso vital de atingir a santidade. «Quero ser santo» significa: quero desligar-me de tudo o que não é Deus, quero despojar o coração de todas as coisas criadas, quero viver na pobreza e no despojamento, quero renunciar à minha vontade, às minhas inclinações, caprichos e gostos, e tornar-me o dócil servo da vontade de Deus. VINDE, EXULTEMOS DE ALEGRIA NO SENHORDomingo, dia 07 de Setembro de 2008 XXIII Domingo Comum (semana III do saltério) , Beato Vicente de Santo António, presbítero e mártir, +1629 Livro de Ezequiel 33,7-9. A ti, filho de homem, Eu constituí-te sentinela da casa de Israel. Deves ouvir a palavra que sai da minha boca e adverti-los, da minha parte. Livro de Salmos 95(94),1-2.6-7.8-9. Vinde, exultemos de alegria no SENHOR, aclamemos o rochedo da nossa salvação. Vamos à sua presença com hinos de louvor, saudemo-lo com cânticos jubilosos. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Carta aos Romanos 13,8-10. Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. Evangelho segundo S. Mateus 18,15-20. «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.» Da Bíblia Sagrada São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, doutor da Igreja «Eu estou no meio deles» Quando vos digo que imiteis o apóstolo Paulo, não pretendo dizer que ressusciteis os mortos ou que cureis os leprosos. Fazei melhor do que isso: tende caridade. Tende o amor que animava São Paulo, porque essa virtude é muito superior ao poder de fazer milagres. Onde há caridade, Deus-Filho reina, com Seu Pai e com o Espírito Santo, Ele que disse: «Onde estão dois ou três reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles». Gostar de estar juntos é uma característica de uma amizade que, além de real, é forte. Haverá então, perguntareis, pessoas tão miseráveis, que não desejem ter Cristo no meio delas? Sim, meus filhos, nós próprios; nós expulsamo-Lo do meio de nós quando estamos em guerra uns contra os outros. Dir-me-eis: o que estás tu a dizer? Não vês que nos reunimos em Seu nome, dentro da mesma morada, neste recinto da mesma igreja, atentos à voz do nosso pastor? Sem a menor dissensão, em unidade de cânticos e de orações, escutando juntos o nosso pastor? Onde está a discórdia de que falas? Bem sei que nos encontramos no mesmo redil, sob o cajado do mesmo pastor. Mas isso ainda me faz chorar com mais amargura. [...] Porque, se agora estais calmos e tranquilos, quando saís da igreja, este critica aquele; um insulta o outro em público; aquele deixa-se devorar pela inveja, pelo ciúme ou pela avareza; um terceiro medita na vingança, um quarto na sensualidade, na duplicidade ou na fraude. [...] Respeitai, pois, respeitai esta mesa santa à qual comungamos todos; respeitai a Cristo, imolado por nós; respeitai o sacrifício que é oferecido neste altar que se encontra no meio de nós. PAZ E BEM! Autor de "Instinto Selvagem" vira roteirista de Cristo
http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/images/instinto2.jpg Por Sérgio Rizzo Para o público, a cruzada de pernas de Sharon Stone sem calcinhas e o uso alternativo de furadores de gelo foram alguns dos elementos que fizeram de “Instinto Selvagem” (1992), o quatro longa-metragem em inglês dirigido pelo holandês Paul Verhoeven (“Robocop”, “A Espiã”), um sucesso de bilheteria – mais de US$ 350 milhões em todo o mundo. Mas, nos bastidores de Hollywood, o filme já era comentado muito antes das filmagens por causa de seu roteirista, Joe Eszterhas, que teria recebido pelo trabalho uma quantia então recorde para a função – a bolada alcançaria a cifra de US$ 3 milhões. Nada mal: pelo seu primeiro roteiro filmado, que deu origem a “Flashdance” (1983), o cachê teria sido de US$ 250 mil. Eszterhas ainda conseguiu manter o padrão salarial de “Instinto Selvagem” em “Invasão de Privacidade” (1993), também com Sharon Stone, baseado em romance de Ira Levin e dirigido por Philip Noyce, mas não emplacou nenhum outro êxito. Nos anos 2000, sumiu do mapa. O que ocorreu com ele na subida, na descida e na retomada ocupa “Crossbearer: A Memory of Faith” (St. Martin’s Press), que chega às livrarias norte-americanas nesta terça, dia 2. De acordo com a revista “Publishers Weekly”, o livro assinala a transformação de um roteirista em memorialista. “Foi parte de um acordo com Deus”, afirma Eszterhas em entrevista a Dick Donahue. “Eu era alcoólatra e fumava quatro maços de cigarro por dia. Depois de uma cirurgia na garganta (por causa de um câncer), me disseram que eu precisava parar de beber e de fumar imediatamente se quisesse ter uma chance de sobreviver. Cerca de um mês nesse regime, e eu já estava ficando maluco.” Eszterhas conta que foi sendo tomado pelo desespero até que, em um dia de muito calor, quando mosquitos e abelhas decidiram atacar o aparelho que lhe permitia respirar, ele se sentou na calçada, durante uma caminhada, e começou a chorar. “Ali, eu me ouvi – dentro da minha cabeça, claro, porque não tinha condições de falar – rezando e dizendo: ‘Por favor, Deus, me ajude’. Não rezava desde que era criança; Deus tinha sido irrelevante em toda a minha vida. Depois de ficar sentado por cinco ou dez minutos, me levantei e me senti melhor, mais forte do que havia me sentido desde a cirurgia.” Lidar com a abstinência, garante ele, se tornou mais fácil desde então. “Pela primeira vez, eu pensei que de fato conseguiria me livrar do álcool e do cigarro, e agradeço a Deus por isso. Durante os meses seguintes, uma vez que não tinha mantido nenhuma espécie de relacionamento com Deus em tantos anos, eu estava relutante em pedir a ajuda de Deus para viver. Mas, finalmente, disse que se Deus me ajudasse a viver eu contaria ao mundo o que aconteceu comigo, e como aconteceu.” O que Hollywood pensa da conversão? “Poucas pessoas viram o livro, mas todas elas sabem que tenho uma fé profunda e que isso representa um grande aspecto da minha vida. E, sim, penso que certamente existem muitos que olham para mim e pensam: ‘Bem, ele agora perdeu todos os miolos, não apenas alguns’. Sinto essa reação, mas devem existir muitos outros – cuja espiritualidade é mais ‘new age’ – que respeitam minha fé.” Eszterhas conta que esteve com seu antigo agente, Guy McElwaine, cerca de quatro horas antes que ele morresse. Sentou-se ao seu lado, rezou, deu-lhe um beijo e notou que as pessoas no quarto ficaram muito tocadas. Algumas lhe disseram depois: “Você então renasceu, hein?”. Ele acredita que não. “Passei por uma espécie de conversão íntima que me levou para mais perto de Deus, mas que também me levou de volta para uma grande dimensão de minha infância católica”, explica. Nada de trabalhos como “Instinto Selvagem” daqui para a frente, acredita ele. “Estou seguro de que vou usar essas experiências em meu trabalho, porque eu gostaria de expressar de outras maneiras o que está nesse livro – talvez como ficção, talvez em outros gêneros. Se estou certo de uma coisa, é de que os meus escritos, seja lá qual for a sua forma, jamais serão tão sombrios quanto algumas coisas que escrevi no passado. Não é que eu queira fazer proselitismo e ser um missionário, converter as pessoas, mas penso que vi um lado mais iluminado da vida, da realidade cotidiana e das pessoas do que eu havia visto antes, e gostaria que ele viesse a aparecer em meus escritos.” Isso também é Hollywood. Comentário: [Rogge] [Hamburg, Alemanha] |
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