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    OS JUSTOS RESPLANDECEM ETERNAMENTE NA GLÓRIA DE DEUS

    Sexta-feira, dia 29 de Agosto de 2008

    Martírio de S. João Baptista

    Livro de Jeremias 1,17-19.

    Tu, porém, cinge os teus rins, levanta-te e diz-lhes tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles; se não, serei Eu a fazer-te temer na sua presença.
    E eis que hoje te estabeleço como cidade fortificada, como coluna de ferro e muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e de seus chefes, dos sacerdotes e do povo da terra.
    Far-te-ão guerra, mas não hão-de vencer, porque Eu estou contigo para te salvar» – oráculo do Senhor.

    Livro de Salmos 71(70),1-2.3-4.5-6.15.17.

    Em ti, SENHOR, me refugio, jamais serei confundido.

    Pela tua justiça, livra-me e protege-me; inclina para mim os teus ouvidos e salva-me.
    Sê a minha protecção e o refúgio onde me acolho. Tu prometeste salvar-me, pois és o meu rochedo e a minha fortaleza.

    Meu Deus, livra-me das mãos do ímpio, das mãos do opressor e do violento.
    Tu és a minha esperança, ó Senhor DEUS, e a minha confiança desde a juventude.

    Em ti me apoio desde o seio materno, desde o ventre materno és o meu protector; és o objecto contínuo do meu louvor. Minha boca proclamará a tua justiça, e todo o dia anunciarei a tua salvação, sabendo bem que ela é inenarrável.
    Instruíste-me, ó Deus, desde a minha juventude e até hoje anunciei sempre as tuas maravilhas.

    Evangelho segundo S. Marcos 6,17-29.

    Na verdade, tinha sido Herodes quem mandara prender João e pô-lo a ferros na prisão, por causa de Herodíade, mulher de Filipe, seu irmão, que ele desposara.
    Porque João dizia a Herodes: «Não te é lícito ter contigo a mulher do teu irmão.»
    Herodíade tinha-lhe rancor e queria dar-lhe a morte, mas não podia,
    porque Herodes temia João e, sabendo que era homem justo e santo, protegia-o; quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado.

    Mas chegou o dia oportuno, quando Herodes, pelo seu aniversário, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e aos principais da Galileia.
    Tendo entrado e dançado, a filha de Herodíade agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que quiseres e eu to darei.» E acrescentou, jurando: «Dar-te-ei tudo o que me pedires, nem que seja metade do meu reino.»

    Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei-de pedir?» A mãe respondeu: «A cabeça de João Baptista.»
    Voltando a entrar apressadamente, fez o seu pedido ao rei, dizendo: «Quero que me dês imediatamente, num prato, a cabeça de João Baptista.»
    O rei ficou desolado; mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar.

    Sem demora, mandou um guarda com a ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi e decapitou-o na prisão;
    depois, trouxe a cabeça num prato e entregou-a à jovem, que a deu à mãe. Tendo conhecimento disto, os discípulos de João foram buscar o seu corpo e depositaram-no num sepulcro.

    Da Bíblia Sagrada

    Lansperge, o Cartuxo (1489-1539), religioso, teólogo
    Sermão para a Degolação de S. João Baptista, Opera Omnia, t.2, p. 514s

    "Felizes os que são perseguidos por amor da justiça" (Mt 5,10)

    A morte de Cristo está na origem de uma multidão incontável de crentes. Pelo poder desse mesmo Jesus e graças à sua bondade, a morte preciosa dos seus mártires e dos seus santos fez nascer uma grande multidão de cristãos. Com efeito, nunca a religião cristã pôde ser aniquilada pela perseguição dos tiranos nem pelo assassinato injustificácel de inocentes: pelo contrário, sempre tirou disso grande fonte de crescimento.

    Temos um exemplo em S. João, que baptizou Cristo e cujo santo martírio hoje festejamos. Herodes, esse rei infiel, quis, por fidelidade ao seu juramento, apagar completamente da memória dos homens a lembrança de João. Ora não só João não foi aniquilado como milhares de homens, inflamados pelo seu exemplo, acolheram a morte com alegria por amor da justiça e da verdade...

    Que cristão, digno desse nome, não venera hoje João, aquele que baptizou o Senhor? Em toda a parte do mundo, os cristãos celebram a sua memória, todas as gerações o proclamam bem-aventurado e as sua virtudes enchem a Igreja de perfume. João não viveu só para si e não morreu só para si.

    PAZ E BEM!

    TARDE VOS AMEI, Ó BELEZA TÃO ANTIGA E TÃO NOVA

    Quinta-feira, dia 28 de Agosto de 2008

    Santo Agostinho, bispo, Doutor da Igreja, +430

    1ª Carta aos Coríntios 1,1-9.

    Paulo, chamado por vontade de Deus a ser apóstolo de Cristo Jesus, e Sóstenes, nosso irmão,
    à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos, com todos os que em qualquer lugar invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
    graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

    Dou incessantemente graças ao meu Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi concedida em Cristo Jesus.
    Pois nele é que fostes enriquecidos com todos os dons, tanto da palavra como do conhecimento.
    Assim, foi confirmado em vós o testemunho de Cristo, de modo que não vos falta graça alguma, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    É Ele também que vos confirmará até ao fim, para que sejais encontrados irrepreensíveis no Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor.

    Livro de Salmos 145(144),2-3.4-5.6-7.

    Todos os dias te bendirei; louvarei o teu nome para sempre.

    SENHOR é grande e digno de todo o louvor; a sua grandeza é insondável. Cada geração contará à seguinte o louvor das tuas obras e todos proclamarão as tuas proezas.

    Anunciarão o esplendor da tua majestade e eu meditarei sobre as tuas maravilhas. Eles contarão o poder das tuas obras e eu proclamarei a tua grandeza.

    Assim celebrarão a memória da tua imensa bondade e glorificarão a tua justiça.

    Evangelho segundo S. Mateus 24,42-51.

    Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.
    Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa.
    Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.»
    «Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo?

    Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado.
    Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens.
    Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: 'O meu senhor está a demorar’, e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece; vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Macário (? - 405), monge no Egipto
    Homilias espirituais, nº 33

    Pela oração, vigiar à espera de Deus

    Para rezar, não são precisos nem gestos, nem gritos, nem silêncio, nem genuflexões. A nossa oração, ao mesmo tempo sábia e fervorosa, deve ser espera de Deus, até que Deus venha e visite a nossa alma por todas as suas vias de acesso, por todos os seus caminhos, por todos os seus sentidos. Demos tréguas aos nossos silêncios, aos nossos gemidos, aos nossos soluços: não procuremos na oração senão o abraço apertado de Deus.
    Não é verdade que, no trabalho, empregamos todo o nosso corpo num mesmo esforço? Não colaboram nisso todos os nossos membros? Que também a nossa alma se consagre toda ela à oração e ao amor do Senhor; que ela não se deixe distrair nem bloquear com pensamentos; que toda ela seja espera de Cristo. Então Cristo iluminá-la-á, ensinar-lhe-á a verdadeira oração, dar-lhe-á a súplica pura e espiritual de acordo com a vontade de Deus, a adoração "em espírito e verdade" (Jo 4,24).
    Aquele que exerce um comércio não procura simplesmente realizar um lucro. Esforça-se também, por todos os meios, por aumentá-lo e acrescentá-lo. Empreende novas viagens e renuncia às que lhe parecem não trazer proveito; só parte com a esperança de um negócio.. Como ele, saibamos também conduzir a nossa alma pelos caminhos mais diversos e mais oportunos e adquiriremos, oh ganho supremo e verdadeiro, esse Deus que nos ensina a rezar na verdade.
    O Senhor repousa numa alma fervorosa, faz dela o seu trono de glória, ali se senta e permanece.

    O ARREPENDIMENTO VERDADEIRO É ENTREGAR-SE A DEUS

    Segunda-feira, dia 25 de Agosto de 2008

    S. José de Calasanz, presbítero, educador, +1648 ,   S. Luís (IX), rei de França, +1270 ,   Beato Miguel de Carvalho, presbítero, mártir, +1624

    2ª Carta aos Tessalonicenses 1,1-5.11-12.

    Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, que está em Tessalónica.
    Graça e paz a vós da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.
    Devemos dar continuamente graças a Deus por vós, irmãos, como é justo, pois que a vossa fé cresce extraordinariamente e a caridade recíproca superabunda em cada um e em todos vós, a ponto de nós próprios nos gloriarmos de vós nas igrejas de Deus, pela vossa constância e fé em todas as perseguições e tribulações que suportais.

    Elas são o indício do justo juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus pelo qual padeceis.
    Eis por que oramos continuamente por vós: para que o nosso Deus vos torne dignos da vocação e, com o seu poder, a vossa vontade de bem e a actividade da vossa fé atinjam a plenitude, de modo que seja glorificado em vós o nome de Nosso Senhor Jesus e vós nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

    Livro de Salmos 96(95),1-2.2-3.4-5.

    Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, terra inteira!

    Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, proclamai, dia após dia, a sua salvação. Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, proclamai, dia após dia, a sua salvação.

    Anunciai aos pagãos a sua glória e a todos os povos, as suas maravilhas. Porque o SENHOR é grande e digno de louvor, mais temível que todos os deuses. Os deuses dos pagãos não valem nada; foi o SENHOR quem criou os céus.

    Evangelho segundo S. Mateus 23,13-22.

    Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino do Céu! Nem entrais vós nem deixais entrar os que o querem fazer.
    Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, que devorais as casas das viúvas, com o pretexto de prolongadas orações! Por isso, sereis mais rigorosamente julgados.
    Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito e, depois de o terdes seguro, fazeis dele um filho do inferno, duas vezes pior do que vós!

    Ai de vós, guias cegos, que dizeis: 'Se alguém jura pelo santuário, isso não tem importância; mas, se jura pelo ouro do santuário, fica sujeito ao juramento.’
    Insensatos e cegos! Que é o que vale mais? O ouro ou o santuário, que tornou o ouro sagrado?
    Dizeis ainda: 'Se alguém jura pelo altar, isso não tem importância; mas, se jura pela oferta que está sobre o altar, fica sujeito ao juramento.’
    Cegos! Qual é o que vale mais? A oferta ou o altar, que torna sagrada a oferta?

    Portanto, jurar pelo altar é o mesmo que jurar por ele e por tudo o que está sobre ele;
    jurar pelo santuário é jurar por ele e por aquele que nele habita;
    jurar pelo Céu é jurar pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado.

    Da Bíblia Sagrada

    Cardeal John Henry Newman (1801-1890), sacerdote, fundador de comunidade religiosa, teólogo
    PPS vol. 5, n°22

    Voltar a Deus com arrependimento verdadeiro

    O sentimento da presença de Deus não é apenas o fundamento da paz numa consciência recta; é também o fundamento da paz no arrependimento. À primeira vista, pode parecer estranho que o arrependimento do pecador produza nele conforto e paz. É certo que o evangelho promete transformar toda a dor em alegria; temos, pois, de nos alegrar até na dor, na fraqueza e no desprezo. Gloriamo-nos «também nas tribulações [...] porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido», diz o Apóstolo Paulo (Rom 5, 3-5).

    Mas, se há dor que pode parecer um mal absoluto, que continua a ser um mal no reinado do evangelho, é claramente a consciência de não termos correspondido ao evangelho. Se há momento em que a presença do Altíssimo pode parecer-nos intolerável, é o momento em que tomamos subitamente consciência de termos sido ingratos e rebeldes para com Ele.

    E, contudo, não há arrependimento verdadeiro que não seja acompanhado pelo pensamento de Deus. O homem arrependido pensa em Deus no seu coração, porque O procura; e procura-O porque é movido pelo amor. É por isso que a própria dor de ter ofendido a Deus deve ser acompanhada por uma certa doçura, a doçura do amor.

    O que é o arrependimento, senão o impulso do coração, que nos leva a entregar-nos a Deus, quer para o perdão, quer para a correcção, a amar a Sua presença por si mesma, a preferir a correcção que Dele provém ao repouso e à paz que o mundo poderia oferecer-nos sem Ele?

    Enquanto vivia nos campos, com os porcos, o filho pródigo sentia dor, mas não se sentia arrependido; limitava-se a ter remorsos. Quando, porém, começou a sentir-se verdadeiramente arrependido, levantou-se, voltou para junto do pai, a quem confessou que pecara, libertando assim o coração da sua miséria. O remorso, aquilo a que o Apóstolo Paulo chama «a tristeza do mundo», produz a morte (2Cor 7, 10).

    Em vez de voltarem para junto da fonte da vida, do Deus da consolação, aqueles que estão cheios de remorsos limitam-se a revolver as próprias ideias, sem conseguirem confiar a ninguém a dor que sentem. [...] Precisamos de conforto para o nosso coração, a fim de que ele saia das trevas e abandone a tristeza. [...] Mas só a presença de Deus pode ser para nós refúgio verdadeiro.

    PAZ E BEM!

    "TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO".

    Domingo, dia 24 de Agosto de 2008

    XXI Domingo Comum (semana I do saltério) ,   S. Bartolomeu, apóstolo

    Livro de Isaías 22,15.19-23.

    Isto diz o Senhor DEUS do universo: «Vai ter com Chebna, esse tal administrador do palácio real,
    Vou depor-te do teu cargo, destituir-te do teu posto.
    Naquele dia, chamarei o meu servo Eliaquim, filho de Hilquias.

    Vesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa, porei nas suas mãos o teu poder; será como pai para os habitantes de Jerusalém, para o povo de Judá.
    Porei sobre os seus ombros a chave do palácio de David: o que ele abrir ninguém fechará, o que ele fechar ninguém abrirá.
    Fixá-lo-ei como prego em lugar firme, será como um trono de glória para a casa de seu pai.’»

    Livro de Salmos 138(137),1-2.2-3.6.8.

    Dou-te graças, SENHOR, de todo o coração, na presença dos poderosos te hei-de louvar.

    Inclino-me voltado para o teu santo templo e louvarei o teu nome, pela tua bondade e pela tua fidelidade, porque foste mais além das tuas promessas.

    Inclino-me voltado para o teu santo templo e louvarei o teu nome, pela tua bondade e pela tua fidelidade, porque foste mais além das tuas promessas.
    Quando te invoquei, atendeste-me e aumentaste as forças da minha alma.

    SENHOR é excelso, mas repara no humilde e reconhece de longe o soberbo.
    SENHOR tudo fará por mim! Ó SENHOR, o teu amor é eterno! Não abandones a obra das tuas mãos!

    Carta aos Romanos 11,33-36.

    Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus! Como são insondáveis as suas decisões e impenetráveis os seus caminhos!
    Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem lhe serviu de conselheiro?
    Quem antes lhe deu a Ele, para que lhe seja retribuído?
    Porque é dele, por Ele e para Ele que tudo existe. Glória a Ele pelos séculos! Ámen.

    Evangelho segundo S. Mateus 16,13-20.

    Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»
    Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»
    Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
    Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»

    Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu.
    Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.
    Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»
    Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Hilário (c. 315 - 367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja
    Comentários sobre Mateus, 16

    "Tu és... o Filho do Deus vivo"

    O Senhor tinha perguntado: "Quem dizem os homens que é o Filho do homem?" Naturalmente que o aspecto do seu corpo manifestava o Filho do homem mas, ao fazer esta pergunta, ele dava a entender que, para além do que se pudesse ver nele, havia outra coisa a discernir... O objecto da pergunta era um mistério para o qual se devia orientar a fé dos crentes.

    A confissão de Pedro obteve plenamente a recompensa que merecia por ter visto naquele homem o Filho de Deus. "Feliz" é ele, louvado por ter alongado a sua vista para além dos olhos humanos, não olhando para o que vinha da carne e do sangue mas contemplando o Filho de Deus revelado pelo Pai dos céus. Foi considerado digno de ser o primeiro a reconhecer o que em Cristo era de Deus.

    Que belo alicerce pôde ele dar à Igreja, confirmado pelo seu novo nome! Ele torna-se a pedra digna de edificar a Igreja de forma a que ela rompa as leis do inferno... e todas as cadeias da morte. Feliz porteiro do céu a quem são confiadas as chaves do acesso à eternidade; a sua sentença na terra antecipa a autoridade do céu, de tal forma que o que tiver ligado ou desligado na terra sê-lo-á também no céu.

    Jesus ordena ainda aos discípulos que não digam a ninguém que ele é o Cristo porque vai ser preciso que outros, quer dizer, a Lei e os profetas, sejam testemunhas do seu Espírito, uma vez que o testemunho da ressurreição caberá aos apóstolos. E, assim como foi manifestada a felicidade daqueles que conhecem Cristo no Espírito, foi igualmente manifestado o perigo de se desconhecer a sua humildade e a sua Paixão.

    PAZ E BEM!

    Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS

    Sexta-feira, dia 22 de Agosto de 2008

    Nossa Senhora Rainha

    Livro de Ezequiel 37,1-14.

    A mão do SENHOR desceu sobre mim; então, conduziu-me em espírito e colocou-me no meio de um vale que estava cheio de ossos. Fez-me passar junto deles, à sua volta, e eis que eles eram muitos sobre o solo do vale; e estavam completamente ressequidos.

    O Senhor disse-me: "Filho de homem, estes ossos poderão voltar à vida?" Eu respondi: "Senhor DEUS, só Tu o sabes." Ele disse-me: "Profetiza sobre estes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim fala o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que vou introduzir em vós o sopro da vida para que revivais.

    Dar-vos-ei nervos, farei crescer a carne que revestirei de pele e depois dar-vos-ei o sopro da vida, para que revivais. Sabereis assim, que Eu sou o SENHOR."
    Profetizei, segundo a ordem recebida. E aconteceu que, enquanto eu profetizava, ouviu-se um ruído, depois um tumulto ensurdecedor; entretanto, os ossos iam-se juntando uns aos outros.
    Olhei e eis que se formavam nervos, a carne crescia, e a pele cobria-os por cima; mas neles não havia espírito.

    Então, Ele disse-me: "Profetiza! Profetiza, filho de homem, e diz ao espírito: Assim fala o Senhor DEUS: 'Espírito, vem dos quatro ventos, sopra sobre estes mortos, para que eles recuperem a vida'."
    Profetizei como me era ordenado e, imediatamente, o espírito penetrou neles. Retomando a vida, endireitaram-se sobre os pés; era um exército muito numeroso.

    Ele disse-me: "Filho de homem, esses ossos são toda a casa de Israel. Eles dizem: 'Os nossos ossos estão completamente ressequidos, a nossa esperança desvaneceu-se; ficámos reduzidos a isto.'
    Profetiza, por conseguinte, e diz-lhes: Assim fala o Senhor DEUS: Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, meu povo, e vos reconduzirei à terra de Israel.

    Então, reconhecereis que Eu sou o Senhor DEUS, quando abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, ó meu povo. Introduzirei em vós o meu espírito e vivereis; estabelecer-vos-ei na vossa terra. Então, reconhecereis que Eu, o SENHOR, falei e agi" -oráculo do SENHOR.

    Livro de Salmos 107(106),2-3.4-5.6-7.8-9.

    Digam-no aqueles que o SENHOR resgatou, os que Ele libertou do poder do inimigo fez regressar de todas as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul.

    Andaram errantes pelo deserto e pela solidão, sem encontrar caminho para uma cidade onde habitar. Tinham fome e sede e já se sentiam desfalecer.

    Mas, na sua angústia, clamaram ao SENHOR e Ele livrou-os das suas aflições. Conduziu-os depois por um caminho seguro, que levava a uma cidade onde podiam habitar.

    Dêem graças ao SENHOR, pelo seu amor e pelas suas maravilhas em favor dos homens. Pois Ele deu de beber aos que tinham sede, e matou a fome aos famintos.

    Evangelho segundo S. Mateus 22,34-40.

    Constando-lhes que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, os fariseus reuniram-se em grupo. E um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?»

    Jesus disse lhe: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia, na Capadócia, doutor da Igreja
    Grandes Regras, Q. 2

    «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

    Recebemos de Deus a tendência natural para fazermos o que Ele nos manda, de maneira que não podemos insurgir-nos, como se Ele nos pedisse uma coisa extraordinária, nem orgulhar-nos, como se déssemos mais do que aquilo que nos é dado. [...] Ao recebermos de Deus o mandamento do amor, possuímos imediatamente, desde a nossa origem, a faculdade natural de amar.

    Não foi a partir do exterior que fomos por ela enformados; e isto é evidente, porque procuramos naturalmente aquilo que é belo [...]; sem que no-lo ensinem, amamos aqueles que nos são aparentados, pelos laços do sangue ou de uma qualquer aliança; enfim, de boa vontade damos provas de benevolência aos nossos benfeitores.

    Ora, haverá coisa mais admirável do que a beleza de Deus? [...] Haverá desejo mais ardente do que a sede provocada por Deus na alma purificada, que exclama com emoção sincera: «Desfaleço de amor» (Cant 2, 5)? [...] Esta bondade é invisível aos olhos do corpo, só podendo ser captada pela alma e pela inteligência.

    Sempre que iluminou os santos, deixou neles o aguilhão de um grande desejo, a ponto de eles exclamarem: «Ai de mim, que vivo no exílio» (Sl 119, 5), «Quando poderei eu chegar, para contemplar a face de Deus?» (Sl 41,3), «Desejo partir para estar com Cristo» (Fil 1, 23) e «A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo» (Sl 41, 3). [...] É assim que os homens aspiram naturalmente ao belo. Mas aquilo que é bom é também supremamente amável; ora, Deus é bom; portanto, se todas as coisas procuram o que é bom, todas as coisas procuram a Deus. [...]

    Se o afecto dos filhos pelos pais é um sentimento natural, que se manifesta no instinto dos animais e na disposição dos homens para amarem as mães desde tenra idade, não sejamos menos inteligentes do que as crianças, nem mais estúpidos do que os animais: não nos apresentemos diante de Deus que nos criou como estrangeiros sem amor.

    Mesmo que não tivéssemos compreendido, pela Sua bondade, Quem Ele é, devíamos ainda assim, apenas pelo facto de termos sido criados por Ele, amá-Lo acima de tudo, e permanecer ligados à memória do que Ele é, como as crianças permanecem ligadas à memória de sua mãe.

    PAZ E BEM!

    "NÓS DEIXAMOS TUDO E TE SEGUIMOS"

    Terça-feira, dia 19 de Agosto de 2008

    S. João Eudes, presbítero, +1680

    Livro de Ezequiel 28,1-10.

    Foi-me dirigida a palavra do SENHOR nestes termos:
    "Filho de homem, diz ao príncipe de Tiro: Eis o que diz o Senhor DEUS: Tu te encheste de orgulho, dizendo: 'Eu sou um deus, estou sentado no trono de Deus, no coração do mar', não sendo tu um deus mas apenas um homem; e, contudo, julgas-te igual a Deus.

    Consideras-te mais sábio do que Daniel: nenhum mistério te é obscuro.
    Foi pela tua sabedoria e inteligência que adquiriste riqueza e amontoaste ouro e prata em teus tesouros. Pela tua perícia para o comércio, acrescentaste as riquezas, e o teu coração ensoberbeceu-se.
    Por causa disto, assim fala o Senhor DEUS: Já que te julgas deus,
    por isso, eis que farei vir contra ti estrangeiros, os mais bárbaros dos povos. Eles desembainharão a espada contra a tua sabedoria e macularão o teu esplendor.

    Far-te-ão descer à cova; morrerás de morte violenta no coração dos mares. Dirás ainda, à vista dos teus carrascos: 'Eu sou um deus', quando é evidente que não és senão um homem e não um deus, na mão do teu assassino. Morrerás da morte dos incircuncisos, aos golpes dos estrangeiros. Sou Eu quem o afirma" -oráculo do Senhor DEUS.

    Deut. 32,26-27.27-28.30.35-36.

    Eu disse: ‘Vou destroçá-los; vou apagar do meio dos homens a sua memória'.

    Se os hostilizasse como povo inimigo, não se ensoberbeceriam seus adversários? De certo diriam: ‘Foi o nosso poder que triunfou, não foi o Senhor que fez tudo isto!’


    Se os hostilizasse como povo inimigo, não se ensoberbeceriam seus adversários? De certo diriam: ‘Foi o nosso poder que triunfou, não foi o Senhor que fez tudo isto!’ Eles são gente insensata, desprovida de inteligência.

    Como poderia um só perseguir mil, e dois, pôr em fuga dez mil, se o seu Rochedo lhos não vendesse, se o Senhor lhos não entregasse?

    A mim pertencem a vingança e a retribuição, quando o pé deles resvalar, pois está próximo o dia da sua ruína; depressa virá o seu destino.

    O Senhor fará justiça ao seu povo e terá compaixão dos seus servos, ao ver que as suas mãos fraquejam, que já não há escravo nem homem livre.’

    Evangelho segundo S. Mateus 19,23-30.

    Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu.
    Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.»
    Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?»

    Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.»
    Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?»

    Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.

    E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.

    Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
    Homilia 5 sobre o Evangelho

    "Nós deixamos tudo e te seguimos"

    Ouvistes, meus irmãos, que Pedro e André abandonaram as redes para seguirem o Redentor ao primeiro apelo da sua voz (Mt 4,20)... Talvez algum de vós diga baixinho: "Para obedecer ao apelo do Senhor, que é que aqueles dois pecadores abandonaram, eles que não tinham quase nada?" Mas, nesta matéria, temos de considerar as disposições do coração mais do que os bens que se possuem.

    Deixa muito aquele que não retém nada para si; deixa muito aquele que abandona tudo, mesmo se não é muita coisa. Quanto a nós, aquilo que possuimos, conservamo-lo com paixão, e, o que não temos, buscamo-lo com todo o nosso desejo. Sim, Pedro e André deixaram muito, pois um e outro abandonaram mesmo o desejo de possuirem.

    Abandonaram muito porque, renunciando aos seus bens, renunciaram também às suas ambições. Seguindo o Senhor, renunciaram a tudo o que teriam podido desejar se o não tivessem seguido.

    Paz e Bem!

    BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO...

    Segunda-feira, dia 18 de Agosto de 2008

    Beato Alberto Hurtado Cruchaga, presbítero, +1952 ,   Santa Helena, mãe do imperador Constantino, +328

    Livro de Ezequiel 24,15-24.

    Foi-me dirigida a palavra do SENHOR, nestes termos:
    "Filho de homem, vou tirar-te de repente aquela que é a alegria dos teus olhos; mas tu não deverás lamentar-te, nem chorar, nem derramar lágrimas.
    Suspira em silêncio, não guardes o luto habitual pelos defuntos; conserva o turbante na cabeça, calça as sandálias, não cubras o rosto e não comas pão ordinário."

    Falei ao povo na parte da manhã. À tarde, minha mulher morria; e eu, na manhã do dia seguinte, fiz como me tinha sido ordenado.
    E o povo disse-me: "Não queres dizer-nos o que significa para nós aquilo que fizeste?"
    E eu respondi-lhes: "A palavra do SENHOR foi-me dirigida nestes termos:
    Diz à casa de Israel: 'Assim fala o Senhor DEUS: Eis que vou profanar o meu santuário, o orgulho da vossa força, as delícias dos vossos olhos e a paixão das vossas vidas. Os vossos filhos e filhas que deixastes cairão ao fio da espada.

    Então, fareis o que Eu fiz. Não cobrireis o vosso rosto e não comereis pão ordinário.
    Com o turbante na cabeça e as sandálias calçadas, não vos lamentareis e não chorareis; mas consumir-vos-eis nas vossas iniquidades e gemereis uns para os outros.
    Ezequiel será para vós um sinal: fareis como ele fez, quando isto acontecer. Então, reconhecereis que Eu sou o Senhor DEUS.

    Deut. 32,18-19.20.21.

    Desprezaste o Rochedo que te gerou, e esqueceste o Deus que te formou. O Senhor viu isso e irritou-se, provocado por seus filhos e filhas.

    E disse: ‘Vou esconder deles a minha face, verei qual será o seu futuro, porque eles são uma geração rebelde, filhos em quem não se pode confiar.

    Fazem-me ciúmes com o que não é Deus, irritam-me com seus ídolos vãos. Eu é que lhes farei ciúmes com um que não é povo, com uma nação insensata os irritarei.’

    Evangelho segundo S. Mateus 19,16-22.

    Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?»
    Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.»
    «Quais?» perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho,
    honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?»
    Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.»
    Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens.

    Da Bíblia Sagrada

    Clemente de Alexandria (150-c.215), teólogo
    Homilia: «Os ricos salvar-se-ão?»

    «Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3)

    Não se trata de rejeitar os bens susceptíveis de ajudar o próximo. É da natureza das posses serem possuídas; como é da natureza dos bens difundir o bem; Deus destinou-os ao bem-estar dos homens. Os bens estão nas nossas mãos como ferramentas, como instrumentos dos quais retiramos bom uso, se soubermos manipulá-los. [...] A natureza fez das riquezas escravas, e não senhoras. Não se trata, pois, de as depreciar porque, em si mesmas, não são boas nem más, mas perfeitamente inocentes.

    Só de nós depende o uso, bom ou mau, que delas fizermos; o nosso espírito, a nossa consciência, são inteiramente livres para disporem à sua vontade dos bens que lhes foram confiados. Destruamos, pois, não os nossos bens, mas a cobiça que lhes perverte o uso. Quando nos tivermos tornado virtuosos, saberemos usá-los com virtude. Compreendamos que esses bens dos quais nos mandam desfazermo-nos são os desejos desregrados da alma. [...] Nada lucrais em largar o dinheiro que tendes, se continuardes a ser ricos em desejos desregrados. [...]

    Eis de que forma concebe o Senhor o uso dos bens exteriores: temos de nos desfazer, não de um dinheiro que nos permite viver, mas das forças que nos levam a usá-lo mal, ou seja, das doenças da alma. [...] Temos de purificar a nossa alma, isto é, de a tornar pobre e nua, para nesse estado ouvirmos o chamamento do Salvador: «Vem e segue-Me». Ele é o caminho que percorre aquele que tem o coração puro. [...] Este considera que a fortuna, o ouro, a prata, as casas que possui, que tudo isso são graças de Deus, e mostra-Lhe o seu reconhecimento socorrendo os pobres com os seus próprios fundos.

    Ele sabe que possui esses bens, mais para os irmãos do que para si mesmo; longe de se tornar escravo das suas riquezas, é mais forte do que elas; não as encerra na sua alma. [...] E, se um dia o dinheiro lhe desaparecesse, aceitaria a ruína com a felicidade dos melhores dias. É esse o homem, afirmo eu, que Deus considera bem-aventurado e a quem chama «pobre em espírito» (Mt 5, 3), herdeiro certo do Reino dos Céus, que está fechado àqueles que não souberam desprender-se da sua opulência.

    Paz e Bem!

    O SENHOR EXALTA OS HUMILDES

    Assunção de Nossa Senhora

    A morte da Virgem Maria chama-se dormição, porque foi sonho de amor. Não foi triste nem doloroso; foi o cumprimento dum desejo. É probabilíssimo e hoje bastante comum a crença de a Santíssima Virgem ter morrido antes que se realizasse a dispersão dos apóstolos. A tradição antiga localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu filho celebrara os mistérios da Eucaristia e onde, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os apóstolos.

    Hoje, sobre a parte da área que a Basílica de Constantinopla ocupou, levanta-se a "igreja da Dormição", magnífica rotunda de estilo gótico, consagrada em 1910, cujas pontiagudas torres se descobrem de todos os ângulos de Jerusalém. É lugar preferido por fiéis de todas as confissões cristãs para o seu último descanso na terra. Assim vê-se rodeada de cemitérios católico, grego, arménio e protestante anglicano.

    Por meio da Constituição Apostólica "Munificentissimus Deus", definiu Pio XII esta doutrina como dogma de fé. Dada em Roma, junto de S. Pedro, no ano do grande Jubileu, mil novecentos e cinquenta, no dia primeiro de Novembro, festa de todos os Santos.

    cf.www.ecclesia.pt

    Domingo, dia 17 de Agosto de 2008

    XX Domingo Comum (semana IV do saltério) ,   S. Jacinto, presbítero, apóstolo da Polónia, +1257

    Livro de Isaías 56,1.6-7.

    Eis o que diz o SENHOR: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está mesmo a chegar, e a minha vitória prestes a aparecer.
    Quanto aos estrangeiros que se converterem ao SENHOR, para o servirem e amarem e serem seus servos, se guardarem o sábado sem o profanar, e forem fiéis à minha aliança,
    hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de cumulá-los de alegria na minha casa de oração; os seus holocaustos e sacrifícios ser-me-ão agradáveis sobre o meu altar, porque a minha casa é casa de oração, e assim será para todos os povos

    Livro de Salmos 67(66),2-3.5.6.8.

    Deus se compadeça de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a luz do seu rosto.

    Sejam conhecidos na terra os teus caminhos e entre as nações, a tua salvação!
    Alegrem-se e exultem as nações, porque julgas os povos com justiça e governas as nações sobre a terra.

    Que os povos te louvem, ó Deus! Todos os povos te louvem!
    Que Deus nos abençoe; e o seu temor chegue aos confins da terra!

    Carta aos Romanos 11,13-15.29-32.

    É a vós, os gentios, que eu digo isto: exactamente como Apóstolo dos gentios que sou, enalteço este meu ministério,
    para ver se provoco o ciúme dos que são da minha carne e salvo alguns deles.
    Porque, se a sua rejeição serviu para a reconciliação do mundo, que irá ser a sua admissão senão uma passagem da morte à vida? É que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.

    Outrora vós desobedecestes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência deles;
    do mesmo modo, também eles desobedeceram agora, em favor da misericórdia que alcançastes, para que também eles venham agora a alcançar misericórdia.

    Porque Deus encerrou a todos na desobediência, para com todos usar de misericórdia. Glória a Deus para sempre!

    Evangelho segundo S. Mateus 15,21-28.

    Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon.
    Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.»
    Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.»
    Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»

    Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.»
    Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.»
    Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.»
    Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

    Da Bíblia Sagrada

    Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
    Orações de meditação, nº 2

    «Filho de David, tem piedade de mim»

    Por vezes, Senhor, sinto-Te passar; Tu não Te deténs junto de mim, passas adiante, mas eu grito-Te como a cananeia. Ousarei aproximar-me de Ti? Certamente, porque os cãezinhos expulsos da casa do dono não deixam de voltar e, mantendo guarda à casa, recebem todos os dias o seu pedaço de pão. Expulso, eis-me aqui novamente; mandado embora, clamo; escorraçado, suplico. Assim como os cãezinhos não podem viver longe dos homens, assim também a minha alma não consegue viver longe do meu Deus!

    Abre-me, Senhor! Que eu chegue junto de Ti, para ser inundado com a Tua luz. Tu habitas nos céus, Tu escondeste-Te nas trevas, na nuvem escura. Como diz o profeta: «Envolvestes-vos numa nuvem, para impedir que a prece a atravessasse» (Lam 3, 44). Apodreço aqui na terra, o meu coração como que num lodaçal. [...] As Tuas estrelas deixaram de brilhar para mim, o sol escureceu, a lua já não ilumina. Oiço cantar os Teus altos feitos nos salmos, nos hinos e nos cantos espirituais; no Evangelho, os Teus gestos e as Tuas palavras resplandecem de luz; os exemplos dos Teus servos [...], as ameaças e as promessas das Tuas Escrituras de verdade, impõem-se a meus olhos e vêm bater à surdez dos meus ouvidos. O meu espírito, porém, endureceu; aprendi a dormir diante do esplendor do sol; habituei-me a deixar de ver aquilo que se me oferece desta maneira. [...]

    Até quando, Senhor, até quando tardarás a rasgar os céus, a vir socorrer o meu torpor? (Sl 12, 1; Is 64, 1). Que eu deixe de ser o que sou [...], que me converta e que regresse ao chegar a noite, como um cãozito faminto. Percorro a Tua cidade, peregrina ainda em parte neste mundo, embora a maioria dos seus habitantes já tenha encontrado a sua alegria nos céus. Talvez também eu encontre aí a minha habitação.

    Paz e Bem!

    COMO SURGIU O SANTO ROSÁRIO?

     

    O costume de contar pequenas orações de repetição nos dedos da mão, por meio de pedrinhas, grãos ou ossinhos, soltos ou unidos por um barbante, é muito antigo e utilizado por fiéis de muitas religiões. O Islamismo, fundado por Maomé (que nasceu em torno de 570 e morreu em 632), usa o “subha”, feito de madeira, osso ou madre-pérola, e consta de três grupos de trinta e três contas para recitar noventa e nove nomes de Deus. No cristianismo, isto se verificava entre os monges nos séculos IV e V (anos 300 e 400).

    Primeiramente, foi introduzido o costume de rezar determinado número de vezes o Pai Nosso. Isto se dava de modo especial nos mosteiros, sobretudo a partir do século X (depois do ano 900) onde muitos cristãos que faziam os votos de vida religiosa não tinham condições de participar das orações dos salmos (do saltério), com leituras e cânticos. Seus superiores estabeleciam para eles a recitação do Pai-Nosso determinado número de vezes.

    Até o século VII (depois do ano 600), a frase do anúncio do anjo a Maria era a antífona do ofertório do quarto domingo de Advento. É antiga também a recitação da parte da “Ave Maria” que recordava a mensagem do anjo e as palavras de Isabel a Nossa Senhora quando esta a visitou. O nome Jesus no final da primeira parte e a segunda parte foram introduzidos em torno do ano 1480.

    Inicialmente, a recitação da Ave Maria era feita sem a inclusão de fatos – mistérios – da vida de Cristo. Entre 1410 e 1439, o monge cartuxo Domingo de Prusia, de Colônia, Alemanha, introduziu uma espécie de saltério mariano, com 50 Ave-Marias, mas cada uma era seguida de uma referência a uma passagem do Evangelho, como uma jaculatória. Assim, os salmos eram substituídos pelas Ave-Marias e as antífonas, pelas passagens evangélicas.

    A iniciativa do monge teve plena aceitação e popularização. Os ditos saltérios marianos se multiplicaram. Chegou-se a ter em torno de 300 referências ao Evangelho. O dominicano Alano de la Roche (1428-1475) empenhou-se muito na promoção do saltério mariano, que começou a se chamar “Rosário da Bem-Aventurada Virgem Maria”. Outro dominicano, Alberto de Castello, em 1521, simplificou o Rosário, escolhendo 15 passagens evangélicas para meditação a cada dez Ave-Marias. São Pio V, Papa de 1566 a 1572, época final e de implementação do Concílio de Trento, em que foram organizados os livros litúrgicos utilizados até o Concílio Vaticano II, estabeleceu a atual configuração do Rosário. Ele atribuiu à oração do Rosário a vitória naval de Lepanto, em 07 de outubro de 1571, que salvou o povo cristão da Europa de um grande perigo. Por causa disto, introduziu a festa de Nossa Senhora do Rosário.

    Esta designação de “rosário” pode ter origem no costume de, em alguns lugares, o povo oferecer coroas (guirlandas) de rosas à sua rainha. Os cristãos transferiram isto a Maria, a rainha do céu e da terra: oferecer-lhe uma coroa de 150 rosas – Ave-Marias. Daí o rosário, mas dividido em três partes, resultando o terço. Cada dez Ave-Marias, um fato da vida de Jesus e de Maria: cinco fatos da infância: mistérios da alegria (gozosos); cinco fatos da dor, da paixão e morte (dolorosos); cinco da vitória de Cristo e da participação de Maria nela (gloriosos). Como ficava fora a pregação de Jesus, João Paulo II, em 16 de outubro de 2002, acrescentou cinco mistérios da luz (luminosos). Assim, o rosário passa a ter 200 Ave-Marias (duzentas rosas) e cada série de cinco mistérios passa a ser um quarto. Mas, pela tradição, continuar-se-á a falar em rezar um terço ou um rosário.

    Conforme outra fonte, viria de uma tradição popular, segundo a qual um monge rezava freqüentemente 50 Ave-Marias, as quais se deslocavam de seus lábios como rosas que iam pousar na cabeça da Virgem Maria.

    Pe. Antonio Valentini Neto
    fonte: www.presbiteros.com.br

    "BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES"

    Sexta-feira, dia 15 de Agosto de 2008

    Assunção de Nossa Senhora

    Livro do Apocalipse 11,19.12,1-6.10.

    Depois, abriu-se no céu o santuário de Deus e apareceu a Arca da aliança. E houve relâmpagos, estrondos, trovões, um tremor de terra e uma tempestade de granizo.
    Depois, apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o tormento de dar à luz.

    Apareceu ainda outro sinal no céu: era um grande dragão de fogo com sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças tinha sete coroas e,
    com a sua cauda, varreu a terça parte das estrelas do céu e lançou-as à terra. Depois colocou-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando ele nascesse.
    Ela deu à luz um filho varão. Ele é que há-de governar todas as nações com ceptro de ferro. Mas o filho foi-lhe arrebatado para junto de Deus e do seu trono.

    E a Mulher fugiu para o deserto onde Deus lhe preparou um lugar, de modo a não lhe faltar aí o alimento durante mil duzentos e sessenta dias. Então ouvi uma voz forte no céu que aclamava: «Eis que chegou o tempo da salvação, da força e da realeza do nosso Deus e do poder do seu Cristo! Porque foi precipitado o Acusador dos nossos irmãos, o que os acusava diante de Deus, dia e noite;

    Livro de Salmos 45,10.11.12.16.

    Entre as damas da tua corte há filhas de reis, à tua direita está a rainha ornada com ouro de Ofir.

    Filha, escuta, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa do teu pai. Porque o rei deixou-se prender pela tua beleza; ele é agora o teu senhor: presta-lhe homenagem!
    Avançam com alegria e júbilo e entram felizes no palácio real.

    1ª Carta aos Coríntios 15,20-26.

    Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.
    Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.
    E, como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida. Mas cada um na sua própria ordem: primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.

    Depois, será o fim: quando Ele entregar o reino a Deus e Pai, depois de ter destruído todo o principado, toda a dominação e poder.
    Pois é necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés.
    O último inimigo a ser destruído será a morte,

    Evangelho segundo S. Lucas 1,39-56.

    Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»

    Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.

    Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.»

    Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

    Da Bíblia Sagrada

    S. Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego
    Homilia sobre a Dormição da Mãe de Deus

    "Exalta os humildes"

    Era preciso que a Virgem fosse associada a seu Filho em tudo o que respeita à nossa salvação. Tal como ela o fez partilhar a sua carne e o seu sangue..., assim ela tomou parte em todos os seus sofrimentos e em todas as suas dores... Foi ela quem primeiro se tornou conforme à morte do Salvador por uma morte semelhante à dele (Rm 6,5). Foi por isso que, antes de qualquer outro, ela participou da ressurreição.

    Com efeito, depois de o Filho ter quebrado a tirania do inferno, ela teve a felicidade de o ver ressuscitado e de receber a sua saudação e de o acompanhar tanto quanto pôde até à sua partida para o céu. Depois da ascensão, ela tomou o lugar que o Salvador tinha deixado livre entre os apóstolos e os outros discípulos... Não convinha isso a uma mãe, mais do que a qualquer outra pessoa?

    Mas era preciso que aquela alma santíssima se separasse daquele corpo sacratíssimo. Deixou-o e uniu-se à alma de seu Filho, ela que era uma luz criada uniu-se à luz que não teve princípio. E o seu corpo, depois de ter ficado algum tempo debaixo da terra, também ele foi levado ao céu. Era preciso, com efeito, que ele passasse por todos os caminhos que o Salvador tinha percorrido, que resplandecesse para os vivos e para os mortos, que santificasse a natureza em todos os aspectos e que, em seguida, recebesse o lugar que lhe convinha.

    Por isso, o túmulo o abrigou durante algum tempo; depois, o céu acolheu aquela terra nova, aquele corpo espiritual, mais digno do que os anjos, mais santo do que os arcanjos. E o trono foi entregue ao rei, o paraiso à árvore da vida, o mundo à luz, a árvore ao seu fruto, a Mãe ao Filho; ela era perfeitamente digna pois que ela o tinha gerado.

    O bem-aventurada! Quem encontrará as palavras capazes de exprimir os benefícios que recebeste do Senhor e os que prodigalizaste a toda a humanidade?... Só lá em cima podem resplandecer as tuas maravilhas, nesse "novo céu" e nessa "nova terra" (Ap 21,1), onde brilha o Sol da Justiça (Ma 3,20) que as trevam nem seguem nem precedem. O próprio Senhor proclama as tuas maravilhas, enquanto os anjos te aclamam.

    Paz e Bem!

    "O ÓDIO NÃO É UMA FORÇA CRIATIVA; A FORAÇA CRIATIVA É O AMOR".

    Quinta-feira, dia 14 de Agosto de 2008

    S. Maximiliano Maria Kolbe, presbítero, mártir, +1941

    Livro de Ezequiel 12,1-12.

    Foi-me dirigida a palavra do SENHOR nestes termos:
    "Filho de homem, tu moras no meio desta raça de gente rebelde que tem olhos para ver e não vê, ouvidos para ouvir e não ouve; porque são gente rebelde.
    Tu, filho de homem, prepara a tua bagagem de emigrante e sai de dia, à vista deles. Sai do lugar onde te encontras, para outro lugar à vista deles. Talvez eles vejam; porque são gente rebelde.
    Prepararás as tuas coisas como bagagem de exilado, de dia, à vista deles; e sairás à tarde, à vista deles, como saem os exilados.
    Faz um buraco na parede, à vista deles, e sai através dele.
    À vista deles, põe a bagagem aos ombros e sai na obscuridade. Cobre o rosto para não poderes ver o país, porque Eu faço de ti um símbolo para a casa de Israel."

    Procedi conforme me foi ordenado; preparei as minhas coisas como bagagem de exilado e, à tarde, fiz um buraco na parede com a mão. Saí na obscuridade e carreguei a bagagem, à vista deles.
    Foi-me dirigida a palavra do SENHOR, de manhã, nestes termos:
    "Filho de homem, não te perguntou a casa de Israel, a gente rebelde: 'Que fazes?'
    Responde-lhes: Assim fala o Senhor DEUS: 'Este oráculo de ameaça é dirigido ao chefe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que nela habita.'

    Diz: 'Eu sou para vós um sinal. Como eu fiz, assim vos será feito.' Eles irão para o exílio, para o cativeiro.
    O príncipe que se encontra no meio deles carregará a bagagem ao ombro, na obscuridade, e sairá pelo muro, no qual será feito um buraco. Ele cobrirá o rosto para não ser visto por ninguém nem poder contemplar o país.

    Livro de Salmos 78(77),56-57.58-59.61-62.

    Mas eles puseram à prova e ofenderam o Altíssimo e não observaram os seus preceitos.

    Transviaram-se e apostataram como seus pais, desviaram-se como a seta de um arco frouxo.
    Irritaram-no nos lugares altos, provocaram os seus ciúmes com o culto dos ídolos.

    Deus ouviu isto e indignou-se, e repudiou Israel com veemência.
    Entregou ao cativeiro a sua fortaleza e o seu esplendor na mão dos inimigos. Entregou o seu povo à espada, irritou-se contra a sua herança.

    Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35.19,1.

    Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?»
    Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
    Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
    Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
    Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida.
    O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: 'Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’
    Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida.

    Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: 'Paga o que me deves!’
    O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: 'Concede-me um prazo que eu te pagarei.’
    Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia.

    Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor.
    O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste;
    não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’
    E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.

    Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»
    Quando acabou de dizer estas palavras, Jesus partiu da Galileia e veio para a região da Judeia, na outra margem do Jordão.

    Da Bíblia Sagrada

    S. Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
    A oração do Senhor, 23-24 (trad. Breviário e DDB 1982, p.56)

    «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»

    O Senhor obriga-nos a perdoar, nós mesmos, as dívidas aos nossos devedores, tal como nós pedimos que nos perdoe as nossas (Mt 6,12). Devemos saber que não podemos obter o que pedimos em relação aos nossos pecados, se não fizermos o mesmo àqueles que pecaram para connosco. Por isso Cristo diz algures: «É a medida com que servirdes que servirá de medida para vós» (Mt 7,2). E o servo que, depois de ter sido perdoado de toda a sua dívida, não quis, por sua vez, perdoar a do seu companheiro de serviço, foi lançado na prisão.

    Porque não quis usar de clemência para com o seu companheiro, perdeu o que o seu senhor lhe oferecera. Isso, estabelece-o Cristo, ainda com mais força, nos Seus preceitos, quando decreta: «Quando vos puserdes de pé em oração, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que o Pai que está nos céus vos perdoe as vossas faltas. Mas se não perdoardes, o vosso Pai que está nos céus também não vos perdoará as vossas faltas» (Mc 11, 25-26)...

    Quando Abel e Caim, os primeiros, ofereceram sacrifícios, não eram as suas oferendas que Deus olhava, mas o seu coração (Gn 4,3s). Aquele cuja oferenda lhe agradava era aquele cujo coração lhe agradava. Abel, pacífico e justo, oferecendo o sacrifício a Deus na inocência, ensinava os outros a virem tementes a Deus para oferecerem o seu presente no altar, com um coração simples, o sentido da justiça, a concórdia e a paz.

    Oferecendo com tais disposições o sacrifício a Deus, mereceu tornar-se ele próprio numa oferenda preciosa e dar o primeiro testemunho do martírio. Prefigurou, pela glória do seu sangue, a Paixão do Senhor, porque possuía a justiça e a paz do Senhor. São homens semelhantes que são coroados pelo Senhor, e que, no dia do julgamento, obterão justiça com Ele. 

    São Maximiliano Maria Kolbe - Mártir - 14 de Agosto

    Nasceu na Polónia, em 1894. Morreu num campo de concentração nazista, oferecendo a sua vida em favor de um pai de família condenado à morte. Era franciscano conventual. Ensinou teologia em Cracóvia. Devotadíssimo de Nossa Senhora, fundou, na Polónia, a Milícia da Imaculada. E para maior divulgação da devoção à Imaculada, criou a Revista Azul, destinada aos operários e camponeses, alcançando, em 1938, cerca de 1 milhão de exemplares. A "Cidade da Imaculada" abrigava 672 religiosos e um vasto parque gráfico. Foi percursor das comunicações. Perto de Nagasaki fundou uma segunda Cidade da Imaculada com o seu boletim mariano e missionário, impresso em japonês.

    Regressado à Polónia, foi preso pelos nazistas devido à influência que a revista e publicações marianas exerciam. Foi dia 7 de Fevereiro de 1941, em Varsóvia. Dali foi levado para Auschwitz e condenado a trabalhos forçados. Exerceu um verdadeiro apostolado no meio dos companheiros de infortúnio, encorajando-os a resistir com firmeza de ânimo. Foi ali que se ofereceu para morrer no lugar de Francisco Gajowniczek. Único sobrevivente do grupo, no subterrâneo da morte, Maximiliano

    Kolbe resistiu por quinze dias à fome, à sede, ao desespero na escuridão do cárcere. Confortava os companheiros, os quais, um após outro, aos poucos sucumbiam. Morreu com uma injecção de fenol que lhe administraram. Era o prisioneiro com o nº 16.670. Foi no dia 14 de Agosto de 1941. Beatificado por Paulo VI em 1971, foi canonizado por João Paulo II, em 1982.

    Toda a razão de ser, de sofrer e de morrer do Padre Kolbe esteve em perscrutar - para dela viver e fazer que se vivesse - a resposta de Maria a Bernardette: "Sou a Imaculada Conceição".

    Dizia São Maximiliano: "O ódio não é uma força criativa; a força criativa é o amor".

    Paz e Bem!

    "EU ESTOU LÁ NO MEIO DELES"

    Quarta-feira, dia 13 de Agosto de 2008

    Santo Hipólito, presbítero, mártir, +235 ,   S. Ponciano, papa, mártir, +235

    Livro de Ezequiel 9,1-7.10,18-22.

    Depois, gritou com voz forte aos meus ouvidos, nestes termos: "Aproximai-vos, vós que guardais a cidade, cada um com o seu instrumento de destruição na mão."
    Eis que seis homens avançaram da porta superior que dá para norte; cada um tinha na mão o seu instrumento de destruição. No meio deles havia um homem vestido de branco que tinha à cintura os apetrechos de escriba. Entraram e colocaram-se junto ao altar de bronze.
    A glória do Deus de Israel tinha-se levantado dos querubins, sobre os quais se encontrava, e dirigiu-se para a entrada do templo. Então, chamou o homem que estava vestido de branco e tinha à cintura os apetrechos de escriba.

    O SENHOR disse-lhe: "Vai pela cidade, atravessa Jerusalém e marca uma cruz na fronte dos homens que gemem e se lamentam por causa das abominações que nela se praticam."
    E aos outros ouvi-o dizer: "Ide pela cidade atrás dele e feri os seus habitantes. Que o vosso olhar não poupe ninguém nem tenha piedade.
    Velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, matai-os a todos e exterminai toda a gente; mas não toqueis naqueles que foram marcados na fronte. Começai pelo meu santuário." E começaram, então, pelos velhos que estavam diante do templo.

    Depois disse-lhes: "Profanai o templo, enchei de mortos o vestíbulo e saí." Depois, eles saíram e feriram os que estavam na cidade.
    Saiu, então, da soleira do templo a glória do SENHOR e colocou-se sobre os querubins.
    Os querubins estenderam as asas e elevaram-se da terra, à minha vista, quando saíram, e as rodas juntamente com eles. Pararam à entrada da porta oriental do templo do SENHOR, e a glória do Deus de Israel estava sobre eles, pelo lado de cima.

    Eram os seres viventes que eu tinha visto sob o Deus de Israel, junto ao rio Cabar, e reconheci que eram querubins.
    Cada um tinha quatro faces e cada um tinha quatro asas; e havia sob as suas asas algo como mãos humanas.
    Quanto ao aspecto das suas faces, eram semelhantes às que eu tinha visto junto do rio Cabar. Cada um seguia direito diante de si.

    Livro de Salmos 113(112),1-2.3-4.5-6.

    Louvai, servos do SENHOR, louvai o nome do SENHOR.

    Bendito seja o nome do SENHOR, agora e para sempre.
    Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do SENHOR.

    SENHOR reina sobre todas as nações, a sua majestade está acima dos céus.
    Quem é como o SENHOR, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas?
    Ele se inclina, lá do alto, para observar o céu e a terra.

    Evangelho segundo S. Mateus 18,15-20.

    «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão.
    Se não te der ouvidos, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas.

    Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender à própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos.
    Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.»

    «Digo-vos ainda: Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu.
    Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
    Da Unidade da Igreja, 12

    «Eu estou lá no meio deles»

    O Senhor disse: «Se dois de entre vós na terra unirem as suas vozes para pedir o que quer que seja, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Quando dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou lá no meio deles». Mostra assim que não é o grande número dos que rezam, mas a sua unanimidade, que obtém mais graças. «Se dois de entre vós na terra unirem as suas vozes»: Cristo põe em primeiro lugar a unidade das almas, põe antes de tudo a concórdia e a paz.

    Que haja plena concordância entre nós, eis o que Ele constante e firmemente ensinou. Ora, como pode pôr-se em concordância com outro quem não está em concordância com o corpo da Igreja e com o conjunto dos irmãos?... O Senhor fala da Sua Igreja, fala àqueles que estão na Igreja: se estiverem de acordo entre si, se orarem em conformidade com as Suas recomendações e os Seus conselhos, quer dizer, mesmo se só dois ou três rezarem numa só alma, mesmo sendo apenas dois três, podem obter aquilo que pedem à majestade de Deus.

    «Onde quer que dois ou três estejam reunidos em meu nome, eu estou com eles»: quer dizer, ele está com os pacíficos e os simples, com os que temem a Deus e observam o seus mandamentos. Ele diz que está com dois ou três, apenas, como esteve com os três jovens na fornalha; porque permaneceram simples em relação a Deus e unidos entre si, reconfortou-os com um sopro de orvalho no meio das chamas (Dn 3, 50).

    O mesmo aconteceu com os dois apóstolos fechados no cativeiro; porque eles eram simples, porque eram unidos de coração, Ele acudiu-lhes, quebrou as portas do seu cárcere (Act 25, 25)... Quando portanto Cristo inscreve, entre os seus preceitos, esta palavra: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles», não separa pessoas da Igreja que Ele próprio instituiu. Mas reprova aos dissidentes a sua dicórdia e recomenda a paz aos seus fiéis.

    Paz e Bem!

    O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

     

    Definição:

    1. Nome vulgar do Sacramento da penitência; no respectivo rito, nome dado à acusação pelo penitente dos seus pecados; e ainda nome dado à fórmula de acusação genérica: “Confesso a Deus…”, usada no Sacramento e também no ato penitencial da missa.

    2. Historicamente, também se chama confissão ao lugar do martírio do mártir ou do confessor da fé, bem como ao respectivo túmulo e altar sobre ele construído. É exemplo célebre de confissão o da basílica de S. Pedro do Vaticano, assente sobre o túmulo do Príncipe dos apóstolos, como comprovaram escavações arqueológicas recentes. (D. Manoel Freire Falcão)

    Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas confessavam-se pecadoras (Lv 4; 23,26-32; Mt 3,6; Mc 1,4-5; LC 3,3-14). Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mt 9,13; 11,19; 1Tm 1,5). Os evangelistas contam-nos algumas destas confissões (LC 5,8; 7,36-50; 19,1-10; Jo 4,5-42; LC 15,11-32; 18,9-14). Os apóstolos falam da confissão dos pecados (1Jo 1,9-10; At 19,18; Jo 20,23; Mt 18,18; Tg 5,16).

    .....

    "Toda a força da penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade." Portanto, a finalidade e o efeito deste Sacramento é a reconciliação com Deus. Os que recebem o Sacramento da penitência com coração contrito e disposição religiosa "podem usufruir a paz e a tranqüilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual".

    Com efeito, o Sacramento da reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira "ressurreição espiritual", uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos Filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus (Cf LC 15,32). (CIC 1468)

    .....

    SANTOS:

    "E novamente quero recomendar três coisas à alma que deseje decididamente buscar a santidade e dar fruto, ou seja, tirar proveito da confissão.

    Em primeiro lugar, total sinceridade e franqueza. O mais santo e mais sábio confessor não consegue derramar à força na alma aquilo que deseja, se a alma não for sincera e franca. A alma insincera, reticente, expõe-se a grandes perigos na vida espiritual e o próprio Senhor não se comunica a essa alma num nível mais elevado, porque sabe que ela não tiraria proveito dessas graças especiais.

    Segundo: humildade. A alma não tira o devido proveito do Sacramento da Confissão se não é humilde. O orgulho mantém a alma nas trevas. Ela não sabe e não quer penetrar devidamente no fundo da sua miséria; esconde-se atrás de uma máscara evitando tudo que a possa curar.

    Terceiro: obediência. A alma desobediente não obterá nenhuma vitória, ainda que o próprio Nosso Senhor a ouvisse diretamente em confissão. O mais experiente confessor em nada poderá ajudar a uma alma de tal natureza. A alma desobediente se expõe a grandes desgraças; não progredirá na perfeição nem na vida espiritual. Deus cumula generosamente a alma das graças, mas somente se ela for obediente." (Sta M. Faustina Kowalska. ponto 113).

    PENITÊNCIA

    Definição:

    É metanóia -conversão -mudança de vida (2Sm 12,14-23; Is 1,16-19; Jl 2,12-19; Ez 18,30s; 33,10s; LC 13,4s; 24,46s; Mt 3,2.8; 11,21s; LC 13,3; Ap 2,5; At 3,19; Ef 4,20-24; 1Jo 1,8-10).

    A penitência deve ser interior (Is 58,5-7; Jr 4,4; 9,24s; Rm 2,29; Cl 2,11; Gl 5,6; 6,15), mas manifesta-se também em ritos exteriores (Lv 4-5; 16,1-19; Nm 29,7-11; LC 5,8; 18,9).

    É uma virtude: Dt 4,9; Jó 42,6; Sl 51,10; Eclo 2,18; 1Cor 11,31; Cl 3,9.

    O batismo - Sacramento da penitência ou da conversão: batismo de João (Mt 3,6; Mc 1,4s; LC 3,3-14). batismo cristão (At 2,38; 3,19; 5,31; 11,18; 17,30; 22,16; 26,20).

    .....

    SANTOS:

    - "Apressai-vos desde o princípio a aplicar o remédio, por que, se o mal tiver tempo de crescer no coração, tarde virá a medicina." (S. João da cruz)

    PENSAMENTOS:

    "Senhor, aceito a morte em remissão dos meus pecados, quando quiseres, onde quiseres, como quiseres. Agora mesmo, se assim o quiseres. Mas também gostaria de pular o purgatório "a la torera"..

    Senhor, se me concedes um pouco mais de tempo - spatium verae paenitentiae (tempo de verdadeira penitência) -, para apagar com muito amor os meus pecados e preencher todos os buracos - as omissões - que há na minha vida, eu vou ficar muito agradecido." (Pe Ângelo Ballbé)

    CREIO NO PERDÃO DOS PECADOS

    INTRODUÇÃO:

    O mistério glorioso da ressurreição de Jesus traz ao mundo o presente excepcional da paz – a saudação do ressuscitado a seus discípulos -, e o perdão dos pecados que Cristo anuncia e outorga aos Apóstolos no mesmo dia da ressurreição. São como as duas faces da mesma moeda: o perdão que gera a paz e a paz que brota do perdão dos pecados.

    O perdão dos pecados marca a missão de Cristo no mundo, pois como diz São Paulo: “se entregou por nossos pecados e ressuscitou por nossa justificação” (Romanos 4,25), com o resultado da paz que nos consegue, porque “Ele é a nossa paz” (Efésios 2,14). Jesus significa Salvador: vem salvar o povo de seus pecados.

    Em consonância com esta missão, o Senhor tinha exercido sua misericórdia com os pecadores, mas era imprescindível que tal poder se concedesse aos homens. Por isso quis comunicá-lo a sua Igreja, e na aparição da tarde da ressurreição disse aos Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo: a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados” (João 20,23). Na Igreja, portanto, existe o perdão dos pecados em virtude de uma condescendência infinita de Deus para com a humanidade.

    O Símbolo dos Apóstolos professa a fé no perdão dos pecados: “Creio... no perdão dos pecados”, que no símbolo niceno-constantinopolitano se explícita dizendo: “Confesso que há um só batismo, para a remissão dos pecados”. Mais adiante se explicitará o papel do batismo na remissão do pecado e também o do sacramento da penitência.

    IDÉIAS PRINCIPAIS:

    1. Somos pecadores

    O homem nasce com o pecado original, herdado dos primeiros pais, Adão e Eva. Ainda mais, ao largo da vida, todos pecamos: ofendemos a Deus porque não cumprimos o que Ele nos pede; ofendemos também a nossos irmãos e, com isso, ofendemos a Deus. O ser humano tem uma grande necessidade do perdão de Deus.

    2. Cristo perdoava os pecados

    Enquanto Jesus Cristo esteve na terra, perdoava os pecados daqueles que se arrependiam. No Evangelho se destaca este poder de Cristo, que podia exercê-lo por ser verdadeiro Deus, além de homem verdadeiro. “Tem confiança, filho, teus pecados te são perdoados” (Mateus 9,2), diz ao paralítico. E à mulher pecadora, que se apresenta na casa de Simão, lhe diz: “Teus pecados ficam perdoados” (Lucas 7,48).

    3. Cristo entrega o poder de perdoar os pecados à Igreja

    Quando na tarde da ressurreição Cristo dá o Espírito Santo a seus Apóstolos, lhes deu justamente o poder de perdoar os pecados: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20,22-23). A Igreja exerce este poder sobretudo no batismo e na penitência.

    4. Há um só batismo para o perdão dos pecados

    No momento da ascensão ao céu, Jesus disse a seus Apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Marcos 16,15-16). Cristo quis vincular o perdão dos pecados à fé e ao batismo. O batismo é o primeiro sacramento que perdoa os pecados e os apaga completamente, ainda que não livre o ser humano da debilidade de sua natureza nem da concupiscência.

    5. O sacramento da penitência

    Sendo tão radical o efeito do batismo, caberia pensar em uma posterior inocência definitiva; porém, a liberdade do ser humano é frágil e faz-se necessário o perdão. Cristo conhecia nossa condição e dispôs outro meio de reconciliação para os que tiverem caído depois do batismo: o sacramento da penitência que nos reconcilia com Deus e com a Igreja.

    6. A Igreja pode perdoar os pecados, em nome de Jesus

    Não há nenhum pecado, por grave que seja, que a Igreja não possa perdoar. Cristo nos remiu do pecado oferecendo sua vida pela humanidade e quis que na Igreja estivessem abertas as portas do perdão a quem se arrepende de seus pecados. Na Igreja, o poder de perdoar os pecados pelo sacramento da penitência, possuem unicamente os que receberam a potestade sacerdotal no Sacramento da Ordem, a saber: os bispos e os presbíteros (os padres).

    7. Temos de agradecer este dom de Cristo a sua Igreja

    Que fácil fica dar graças a Deus por ter dado a sua Igreja o poder de perdoar os pecados! São João Crisóstomo dizia: “Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos, nem aos arcanjos... Deus sanciona lá no alto tudo o que os sacerdotes façam aqui embaixo”. E Santo Agostinho: “Se na Igreja não houvesse remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma expectativa de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Demos graças a Deus que deu à Igreja semelhante dom”.

    PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:

    - Buscar com freqüência, e bem arrependidos, o sacramento da penitência.

    - Dar muitas graças a Deus pelo imenso dom de Cristo a sua Igreja: a missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados.

    BIBLIOGRAFIA:

    1. Material baseado no livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España de autoria de Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela e traduzido para o português pelo Pe. Antônio Carlos Rossi Keller.

    2. Catecismo da Igreja Católica

    3. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

    Fonte: www.presbiteros.com.br

    O PECADO


    Definição:

    "palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna" (Sto. Agostinho);
    Falta contra a razão, a Verdade, a consciência reta;
    Falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo.

    Implica uma conversão à criatura e amor de si mesmo em detrimento de Deus.

    Pode ser mortal ou venial.

    É mortal quando "mata" a graça santificante, isto é, quando ataca em nós a caridade. Acontece quando um ato humano (com plena advertência e livre) que possua uma matéria grave é cometido.

    Um pecado venial ocorre quando faltam a matéria grave, a plena consciência ou a devida liberdade, isto é, quando ao menos um dos elementos necessários a que o pecado seja mortal não aparece.

    O pecado mortal anula o estado de graça (justificação) e o fiel não deve, então se aproximar da Comunhão.

    Os pecados veniais não retiram o estado de graça e suas culpas podem ser apagadas, por exemplo, pela Eucaristia.

    Todo pecado acarreta dupla conseqüência: a responsabilidade pessoal e os danos provocados pela ação.

    A responsabilidade, ou culpa, é reparada ordinariamente pelo Sacramento da penitência, ao passo que os danos provocados pelo pecado, chamados de "penas temporais", necessitam de boas obras que as expiem. Um outro modo de redimir-se das penas temporais é lucrar uma indulgência.

    Numa confissão, há a obrigação de dizer ao sacerdote todos os pecados mortais.

    .....

    O primeiro conceito de pecado está ligado à violação de um tabu (Js 7,24-26; 9,20; 1Sm 15,3-32; 2Sm 1,14s; 6,1s).

    No AT o pecado está ligado à relação do homem com Deus. O pecado implica em infidelidade à aliança, em traição ao amor de Deus, em separação da comunidade. Para Jesus, pecador é quem não observa a vontade de Deus expressa pela Lei (Mt 9,13; 19,17-29). Jesus denuncia o pecado, mas é amigo dos pecadores (Mt 11,19; LC 15,1s) e lembra que Deus está pronto a perdoar (LC 11,4; 15,1-34; 18,13).

    O pecado é a tentação do ser humano de dominar a Deus (Gn 3,1-19; Eclo 3,26-29; 10,12s; Jó 21,14-16; 22,17s; 1Sm 2,1-10).

    O pecado é uma desobediência a Deus, um atentado contra o amor de uma pessoa (Dt 11,16; Dn 9,5-9; Is 50,1; Os 2,4-9; Jr 3; Ez 16; Tg 4,4-10).

    Paulo descreve a origem do pecado, mal que aflige a humanidade toda (Rm 1-5), mas que encontra o remédio na redenção operada por Cristo (Rm 6-8). O pecado para ele é uma escravidão à Lei e ao mundo (Rm 6,6; 7,5-23; Gl 4,3). Mas pela fé em Cristo e pela prática do amor ao próximo o cristão fica livre de todo pecado (Rm 13,8-10; 1Cor 13,4-7).

    Para João, o pecado por excelência é o "príncipe deste mundo" (Jo 3,19-21; 8,44; 16,11).

    Do coração procede todo o pecado (Ex 20,17; Jó 31,4-37; Mt 12,33-37; 15,19s).

    Cristo veio por causa dos pecadores, não por causa dos justos (LC 12,1s; 5,32; 19,1-10; Mt 9,1-13).

    pecado original (Gn 3,1-24; 11,1-9; Rm 5,12-21; 1Cor 15,21s; Rm 3,23).

    .....

    O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. "Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna."

    O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão... (CIC 1863)

    Pecado e corpo

    - O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. "Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna."

    O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão... (CIC 1863)

    - Já no homem, tratando-se de um ser composto, espírito corpo, existe certa tensão, desenrola-se certa luta de tendência entre o "espírito" e a carne . Mas essa luta, de fato, pertence à herança do pecado, é uma conseqüência dele e, ao mesmo tempo, uma confirmação, e faz parte da experiência do combate espiritual: Para o Apóstolo, não se trata de discriminar e condenar o corpo que, juntamente com a alma espiritual, constitui a natureza do homem e sua subjetividade pessoal.

    Ele quis tratar sobretudo das obras, ou melhor, das disposições estáveis virtudes vícios moralmente boas ou más, que são fruto da submissão (no primeiro caso) ou, pelo contrário, de resistência (no segui do caso) à ação salvífica do Espírito santo. Por isso o Apóstolo escreve: "Se, portanto, vivemos pelo espírito, caminhemos também segundo o espírito" (Gl 5,25). (CIC 2516)

    .....

    santos:

    "Oh! Se os homens soubessem de quantos bens de luz divina os priva esta cegueira causada pelos seus apegos e afeições desregradas, e em quantos males e danos os fazem cair cada dia por não se quererem mortificar."

    "Quem evita as pequenas faltas não cometerá maiores; mas até nas pequenas há grande perigo, porque por elas se abre a porta do coração."

    "Alguns têm em pouco suas faltas; outros se entristecem em demasia quando vêem suas quedas, pensando que já haviam de ser santos; e, assim, aborrecem-se contra si mesmos, com impaciência, o que é outra imperfeição."
    (S. João da Cruz)

    “Na Paixão e morte de Cristo, os nossos pecados foram apagados. Se acolhermos com fé essa verdade, aceitando fielmente, e sem reservas, o Cristo por inteiro, de modo a escolher e trilhar o caminho da imitação de Cristo, Ele, através de sua Paixão e morte nos conduzirá à glória da ressurreição.”
    (Santa Teresa Benedita da Cruz )

    “Não somos santas que choramos nossos pecados: alegramo-nos pois eles servem para glorificar a misericórdia de Deus.”

    "O pecado mortal não me tiraria a confiança."
    (Santa Teresinha do Menino Jesus)

    .....

    pensamentos:
    "Senhor, aceito a morte em remissão dos meus pecados, quando quiseres, onde quiseres, como quiseres. Agora mesmo, se assim o quiseres. Mas também gostaria de pular o Purgatório "a la torera"..
    Senhor, se me concedes um pouco mais de tempo - spatium verae paenitentiae (tempo de verdadeira penitência) -, para apagar com muito amor os meus pecados e preencher todos os buracos - as omissões - que há na minha vida, eu vou ficar muito agradecido." (Pe Ângelo Ballbé)


    Referência: Pastoralis; Catecismo da Igreja Católica 1849-63 ; www.bibliacatolica.com.br; - SCIADINI ocd, Patrício. "São João da Cruz de A a Z", São Paulo: Edições Loyola, 2003; Catecismo da Igreja Católica

    TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA...

    Quinta-feira, dia 07 de Agosto de 2008

    S. Sisto II, papa, e companheiros mártires, +258 ,   S. Caetano, presbítero, +1547

    Livro de Jeremias 31,31-34.

    Dias virão em que firmarei uma nova aliança com a casa de Israel e a casa de Judá – oráculo do Senhor.
    Não será como a aliança que estabeleci com seus pais, quando os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egipto, aliança que eles não cumpriram, embora Eu fosse o seu Deus – oráculo do Senhor.

    Esta será a Aliança que estabelecerei, depois desses dias, com a casa de Israel – oráculo do Senhor: Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
    Ninguém ensinará mais o seu próximo ou o seu irmão, dizendo: ‘Aprende a conhecer o Senhor!’ Pois todos me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, porque a todos perdoarei as suas faltas, e não mais lembrarei os seus pecados» – oráculo do Senhor.

    Livro de Salmos 51(50),12-13.14-15.18-19.

    Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito.

    Não me afastes da tua presença, nem me prives do teu santo espírito!
    Dá-me de novo a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito generoso.

    Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos e os pecadores hão-de voltar para ti.
    Não te comprazes nos sacrifícios nem te agrada qualquer holocausto que eu te ofereça.

    sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito; ó Deus, não desprezes um coração contrito e arrependido.

    Evangelho segundo S. Mateus 16,13-23.

    Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»
    Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»
    Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
    Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»

    Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu.
    Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.
    Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»
    Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias.

    A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
    Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!»
    Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»

    Da Bíblia Sagrada

    Beata Teresa de Calcutá (1910-1097), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
    Não há maior amor

    O sacramento da reconciliação: "Tudo o que tiveres desligado na terra será desligado nos céus"

    A confissão é um acto magnífico, um acto de grande amor. Só ali nos podemos dirigir como pecadores, portadores do pecado; só dali podemos regressar como pecadores perdoados, sem pecado.
    A confissão não é senão a humildade em acção. Chamávamos-lhe outrora penitência, mas trata-se verdadeiramente de um sacramento de amor, do sacramento do perdão.

    Quando uma brecha se abre entre mim e Cristo, quando o meu amor cria fissuras, qualquer coisa pode vir ocupar esse interstício. A confissão é aquele momento em que permito a Cristo que retire de mim tudo o que divide, tudo o que destrói. A realidade dos meus pecados deve aparecer em primeiro lugar. À maior parte de nós, espreita o perigo de esquecer que somos pecadores e que devemos dirigir-nos à confissão enquanto tal.

    Devemos dirigir-nos a Deus para lhe dizer quanto estamos desolados por tudo o que pudemos ter feito e que o feriu.
    O confessionário não é lugar para conversas banais ou tagarelices. O que aí importa é apenas um assunto - os meus pecados, o meu arrependimento, o meu perdão, como vencer as minhas tentações, como praticar a virtude, como crescer no amor de Deus.

    Paz e Bem!

    "CORAGEM, SOU EU! NÃO TENHAIS MEDO!"

    Segunda-feira, dia 04 de Agosto de 2008

    S. João Maria Vianney, presbítero, +1859

    Livro de Jeremias 28,1-17.

    Naquele mesmo ano, no início do reinado de Sedecias, rei de Judá, ou seja, no quinto mês do quarto ano, Hananias, filho de Azur, profeta de Guibeon, no templo do Senhor e na presença dos sacerdotes e de todo o povo, falou-me nos seguintes termos:
    «Assim fala o Senhor do universo, Deus de Israel: ‘Vou quebrar o jugo do rei da Babilónia! Dentro de dois anos, farei voltar a este lugar todos os objectos do templo do Senhor, que Nabucodonosor, rei da Babilónia, levou daqui e transportou para a Babilónia.

    Para este lugar farei voltar Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá e todos os exilados de Judá que foram para a Babilónia, porque vou quebrar o jugo do rei da Babilónia’» – oráculo do Senhor.
    O profeta Jeremias respondeu ao profeta Hananias, na presença dos sacerdotes e do povo que se aglomerava no templo do Senhor:
    «Assim seja! Que o Senhor o permita! Realize o Senhor a tua profecia e traga de volta para este lugar o tesouro do templo, e todos os exilados cativos da Babilónia.

    Contudo, ouve o que te vou dizer, a ti e a todo o povo:
    Os profetas que nos precederam a mim e a ti, anunciaram a numerosos países e a poderosos reinos, guerra, fome e peste.
    Quanto ao profeta que profetiza a paz, somente quando se realizar o seu oráculo é que se poderá saber se ele é realmente um enviado do Senhor.»

    Então, o profeta Hananias retirou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e, partindo-o, exclamou na presença de todo o povo: «Oráculo do Senhor: ‘Assim, decorridos dois anos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilónia e retirá-lo-ei do pescoço de todas as nações!’» Então, o profeta Jeremias retirou-se.
    Depois que o profeta Hananias quebrou e retirou o jugo do pescoço de Jeremias, a palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, nestes termos:
    «Vai dizer a Hananias: Isto diz o Senhor: ‘Quebraste jugos de madeira, mas, em vez deles, farei jugos de ferro.’

    Porque isto diz o Senhor do universo: ‘Eu ponho um jugo de ferro ao pescoço de todas estas nações, a fim de que se submetam a Nabucodonosor, rei da Babilónia. Ficar-lhe-ão submetidas, e até lhe darei poder sobre os animais selvagens.’»

    E Jeremias acrescentou, dirigindo-se ao profeta Hananias: «Escuta a minha voz, Hananias! O Senhor não te enviou. És tu que levas o povo a crer na mentira! Por isso, eis o que diz o Senhor: ‘Vou retirar-te da face da terra. Morrerás ainda este ano, porque pregaste a revolta contra o Senhor!’» E o profeta Hananias morreu naquele ano, no sétimo mês.

    Livro de Salmos 119,29.43.79.80.95.102.

    Afasta-me dos caminhos da mentira; concede-me a graça da tua lei.

    Não me tires da boca a palavra da verdade, porque pus a minha esperança nas tuas sentenças. Unam-se a mim os que te obedecem e conheçam os teus preceitos.

    Que o meu coração obedeça às tuas leis, para não ter de que me envergonhar.
    Os ímpios procuram a minha perdição, mas eu estou atento às tuas ordens.

    Não me tenho desviado das tuas sentenças, pois és Tu quem me ensina.

    Evangelho segundo S. Mateus 14,22-36.

    Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões.
    Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só.
    O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
    De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.

    Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo.
    No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»
    Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus.

    Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!»
    Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
    E, quando entraram no barco, o vento amainou.
    Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»

    Após a travessia, pisaram terra em Genesaré. Ao reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-lhe todos os doentes, suplicando-lhe que, ao menos, os deixasse tocar na orla do seu manto. E todos aqueles que a tocaram, ficaram curados.

    Da Bíblia Sagrada

    São Bruno ( ? – 1101), fundador dos cartuxos
    Carta a Raoul le Verd, 4, 15-16

    «Jesus subiu a um monte para orar na solidão»

    Querido irmão, habito um deserto situado na Calábria, bastante afastado, de todos os lados, das habitações dos homens; aqui estou com os meus irmãos religiosos, alguns deles detentores de muita sabedoria; fazem vigília santa e perseverante, à espera do regresso do seu Mestre, para Lhe abrirem a porta quando Ele bater (Lc 12,36) [...].

    O que a solidão e o silêncio do deserto trazem de útil e de divina alegria àqueles que os amam, sabem-nos aqueles que tal experimentaram. Aqui, de facto, os homens fortes podem recolher-se o quanto desejarem, ficar em si próprios, cultivar assiduamente as virtudes e alimentar-se, em felicidade, dos frutos do paraíso. Aqui esforçamo-nos por adquirir aquele olhar claro que fere de amor o divino Esposo e cuja pureza denuncia ver a Deus. Aqui nos dedicamos a um repouso bem preenchido e nos pacificamos em acções tranquilas. Aqui Deus dá aos seus atletas, para o labor do combate, a desejada recompensa: uma paz que o mundo ignora e a alegria no Espírito Santo [...].

    De facto, que há de mais contrário à razão, à justiça, à própria natureza, que preferir a criatura ao Criador, perseguir os bens perecíveis mais que os bens eternos, os da terra mais que os do céu? [...] A Verdade em pessoa dá este conselho a todos: «Vinde a mim, vós que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11,28). Não é um ingrato sofrimento ser atormentado pelo desejo de adquirir, pelas preocupações, pela ansiedade, pelo temor? [...] Foge, irmão, de todas estas inquietações, muda-te da tempestade deste mundo para o repouso tranquilo e seguro do bom porto.

    NOSSA ORIGEM É DIVINA

     

    Todos nós que aqui vivemos, somos inseguros por natureza, sentimos bem de perto o que isso significa na medida em que somos dependentes de tudo, seja do ar que respiramos; da comida que comemos; da água que bebemos e de modo especial daqueles que nos deram a vida. Ocorre que, quando somos capazes por nós mesmos de alguma coisa, pensamos que podemos tudo e com isso, nos mais das vezes, botamos tudo a perder.

    Ora, em nossa humanidade não podemos esquecer que essa nossa dependência nunca nos deixará e que mesmo os homens querendo sentir-se auto-suficientes serão sempre criaturas sujeitas às frágeis condições de nossa existência e nada mais. Porém, quando tratamos essa questão a partir da fé, mudamos nosso entendimento porque passamos a entender melhor qual seja a vontade de Deus à nosso respeito, isto é, passamos a viver o plano do Senhor para a nossa salvação.

    E o que quer dizer tudo isso? Quer dizer que a nossa origem não é apenas natural e dependente do tempo; mas, para além da natureza que nos tem e à quem nós temos temporariamente, somos também nascidos da eternidade e para a eternidade, pois nossa origem é divina, porque fomos criados à “imagem e semelhança” de Deus (Gn 1,26). Visto que, ao sermos gerados, nossos pais cumprem apenas a ordem do Criador: “crescei-vos e multiplicai-vos” (Gn 1,28).

    De fato, não podemos esquecer nunca nossa origem divina, pois, querendo ou não, haveremos de prestar contas ao nosso Criador e Pai pelos dons que dele recebemos para que aqui vivêssemos de acordo com o seu propósito divino, isto é, o bem e a felicidade de todas as suas criaturas.

    Agora vejamos o que São Paulo falou a esse respeito: “Deus fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: ‘Nós somos também de sua raça’...” (At 17,26-28).

    Por isso, “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gl 6,7-9). Então, “Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor”. (Rm 12,11).

    Paz e Bem!

    O ZELO POR TUA CASA ME CONSOME!

    Sexta-feira, dia 01 de Agosto de 2008

    Santo Afonso Maria de Ligório, bispo, Doutor da Igreja, +1787

    Livro de Jeremias 26,1-9.

    No começo do reinado de Joaquim, filho de Josias, rei de Judá, a palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, nestes termos:
    «Isto diz o Senhor: ‘Põe-te no átrio do templo e fala ali a todos os habitantes de Judá que vêm prostrar-se no templo do Senhor, e anuncia-lhes todas as palavras que te mandei anunciar, sem omitir nenhuma.

    Talvez te ouçam e se convertam cada um do seu mau caminho. Arrepender-me-ei então do castigo que, por causa das suas más obras, tinha determinado dar-lhes.’
    Dir-lhes-ás: ‘Isto diz o Senhor: Se não me ouvirdes, se não obedecerdes à lei que vos impus, ouvindo as palavras dos profetas, meus servos, que continuamente vos enviei, e a quem não tendes ouvido,
    farei a esta casa o que fiz a Silo e farei desta cidade um objecto de maldição para todos os povos da terra.’»

    Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram Jeremias pronunciar estas palavras no templo. Porém, mal Jeremias acabara de repetir o que o Senhor lhe ordenara dizer ao povo, os sacerdotes, os profetas e a multidão lançaram-se sobre ele, exclamando: «À morte!
    Porque profetizas, em nome do Senhor, este oráculo: ‘Acontecerá a este templo o mesmo que sucedeu a Silo e esta cidade será transformada em deserto, sem habitantes?’» Juntou-se toda a multidão contra Jeremias no templo do Senhor.

    Livro de Salmos 69,6.8-10.14.

    RESPONDE-ME SENHOR, PELO TEU IMENSO AMOR.

    Deus, Tu conheces a minha insensatez, e as minhas faltas não te são ocultas. Por causa de ti, tenho sofrido insultos, o meu rosto cobriu-se de vergonha.

    Tornei-me um estranho para os meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe.
    O zelo da tua casa me consome; os insultos dos que te ultrajam caíram sobre mim.

    Mas eu dirijo a ti a minha oração, ó SENHOR, no tempo favorável; ó Deus, responde-me, pelo teu grande amor, como prova de que és meu salvador.

    Evangelho segundo S. Mateus 13,54-58.

    Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres?
    Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?

    Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.»
    E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, Doutor da Igreja
    A Trindade, 12,52-53

    «Não é o filho do carpinteiro?... Ele não fez muitos milagres neste lugar, em virtude da falta e fé deles»

    Por tanto tempo quanto eu goze do sopro de vida que me concedeste, Pai santo, Deus todo poderoso, proclamar-te-ei  Deus eterno, e também Pai eterno. Nunca eu me farei juiz do teu poder supremo e dos teus mistérios; nunca eu farei passar o meu conhecimento limitado à  frente da noção verdadeira do teu infinito; nunca eu afirmarei que outrora exististe sem a tua Sabedoria, sem o teu Poder e o teu Verbo, Deus, o Unigénito, meu Senhor JESUS Cristo. É que mesmo sendo a linguagem humana fraca e imperfeita, ao falar de ti, ela não limitará o meu espírito ao ponto de reduzir a minha fé ao silêncio, por falta de palavras capazes de exprimir o mistério do teu ser...

    Também nas realidades da natureza, há muitas coisas das quais não conhecemos a causa, sem contudo lhes ignorarmos os efeitos. E, quando, pela nossa natureza, não sabemos o que dizer dessas coisas, a nossa fé cora de adoração. Quando contemplo o movimento das estrelas..., o fluxo e refluxo do mar..., o poder escondido na mais pequena semente..., a minha ignorância ajuda-me a contemplar-te, pois, se não compreendo essa natureza que está ao meu serviço, distingo nela a tua bondade, mesmo pelo facto de existir para me servir. Eu próprio, apercebo-me de que não me conheço, mas admiro-te tanto mais... Deste-me a razão e a vida e os meus sentidos de homem que me causam tantas alegrias, mas não consigo compreender qual foi o meu começo de homem.

    É, pois, não conhecendo aquilo que me cerca, que capto aquilo que és; e, percebendo aquilo que és, adoro-te. Por isso, quando se trata dos teus mistérios, o não os compreender, não diminui a minha fé no teu poder supremo... O nascimento o teu Filho eterno ultrapassa a própria noção de eternidade, é anterior aos tempos eternos. Nunca exististe sem ele... És o Pai eterno do teu Unigénito, antes dos tempos eternos.

    Paz e Bem!