Joshuavida's profileJESUS EU CONFIO EM VÓSPhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    SÃO PEDRO E SÃO PAULO

     

    Domingo, 1 de julho de 2007

    S. Pedro e S. Paulo (Apóstolos), Ofício Solene, 1ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha

    O apóstolo Pedro e Paulo, o doutor das nações, nos ensinaram, Senhor, a vossa lei.

    Hoje: Dia do Papa

    Santo: Marco Túlio Maruzzo Rappo, Obdulio Arroyo Navarro, Teodorico, Aarão, Domiciano, Gall, Cibardo, Raimundo Lulle

    Oração: Ó Deus, que hoje nos concedei a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos dos Apóstolos (At 12, 1-11)

    AGORA SEI QUE O SENHOR ENVIOU O SEU ANJO PARA ME LIBERTAR DO PODER DE HERODES

    Naqueles dias, [1]o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. [2]Mandou matar a espada Tiago, irmão de João. [3]E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos pães ázimos. [4]Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da páscoa. [5]Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.

    [6]Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. [7]Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: "Levanta-te pressa!" As correntes caíram-lhe das mãos. [8]O anjo continuou: "Coloca o cinto e calça tuas sandálias!" Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: "Põe tua capa e vem comigo!" [9]Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão.

    [10]Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. [11]Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!" Palavra do Senhor!

    Salmo: 33(34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R/.5b)

    DE TODOS OS TEMORES ME LIVROU O SENHOR DEUS

    Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

    Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

    Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

    O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

    II Leitura: 2ª Carta de Paulo a Timóteo (2Tm 4, 6-8.17-18 )

    AGORA ESTÁ RESERVADA PARA MIM A COROA DA JUSTIÇA

    Caríssimo, [6]quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. [7]Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. [8]Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.

    [17]Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. [18]O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. Palavra do Senhor!

    Evangelho: Mateus (Mt 16, 13-19)

    TU ÉS PEDRO E EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS

    Naquele tempo, [13]Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" [14]EIes responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".

    [15]Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" 16Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". [17]Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

    [18]Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. [19]Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus". Palavra da Salvação!

    SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS (1)

    A celebração de hoje é antiqüíssima; foi inscrita no Santoral romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo fora dos muros, a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos.

    São Pedro

    Simão era pescador de Betsaida (Lc 5,3; JO 1,44), que mais tarde se estabelecera em Cafarnaum (Mc 1,21.29). Seu irmão André o introduz entre os que seguem Jesus (Jo 1,42): mas Simão havia sido certamente preparado para este encontro por João Batista. O Cristo lhe muda o nome e o chama "Pedra" (Mt 16,17-19; JO 21,15-17), para realizar em sua pessoa o tema da pedra fundamental. Simão Pedro é uma das primeiras testemunhas que vê o sepulcro vazio (Jo 20,6) e merece uma especial aparição de Jesus ressuscitado (Lc 24,34).

    Depois da ascensão, ele toma a direção da comunidade cristã (At 1,15; 15,7), enuncia o esquema da Boa-nova (At 2,1441), e é o primeiro a tomar consciência da necessidade de abrir a Igreja aos pagãos (At 10-11). Essa missão espiritual não o livra da condição humana nem das deficiências do temperamento (Mt 10,41; 14,29.66-72; Jo 13,6; 18,10; Mt 14,29-31).

    Paulo não hesita em contradizê-lo na discussão de Antioquia (At 15; Gl 2, 11-14), para convidá-lo a libertar-se das praticas judaicas. Parece, de fato, que neste ponto Pedro tenha tardado a abrir-se e tendesse a considerar os cristãos de origem pagã como uma comunidade inferior a dos cristãos de origem judaica (At 6,1-2). Quando Pedro vai a Roma torna-se o apóstolo de todos. Cumpre, então, plenamente, sua missão de "pedra angular", reunindo num só "edifício" os judeus e os pagãos e ratifica esta missão com seu sangue.

    A celebração de hoje é antiqüíssima; foi inscrita no Santoral romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo fora dos muros, a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos.

    São Paulo

    Depois de sua conversão na estrada de Damasco, Paulo percorre, em quatro ou cinco viagens, o Mediterrâneo. Faz a primeira viagem em companhia de Barnabé (At 13-14); partem de Antioquia, param na ilha de Chipre e depois percorrem a atual Turquia. Após o concílio dos apóstolos em Jerusalém, Paulo inicia uma segunda viagem, desta vez expressamente como "convidado" dos "Doze" (At 15,36-18,22).

    Atravessa novamente a Turquia, evangeliza a Frigia e a Galácia, onde adoece (Gl 4,13). Passa à Europa com Lucas e funda a comunidade de Filipos (Grécia setentrional). Depois de um período de prisão, evangeliza a Grécia; em Atenas sua missão encontra nos Filósofos um obstáculo; em Corinto funda a comunidade que lhe dá mais trabalho. Em seguida volta a Antioquia.

    Uma terceira viagem (At 18,23-21,17) o leva às Igrejas fundadas na atual Turquia, especialmente a Éfeso, depois à Grécia e a Corinto. De passagem em Mileto, anuncia aos anciãos sua próxima provação. De fato, pouco depois de sua volta a Jerusalém é preso pelos judeus e posto no cárcere (At 21). Sendo cidadão romano, Paulo apela para Roma.

    Empreende assim uma quarta viagem, esta a Roma, mas não mais em estado de liberdade (At 21-26). Chega a Roma pelo ano 60 ou 61; é mantido na prisão até cerca do ano 63; no entanto, aproveitando de algumas facilidades que lhe são proporcionadas, entra em freqüente contato com os cristãos da cidade e escreve as "cartas do cativeiro". Libertado no ano 63, faz, provavelmente, uma última viagem à Espanha (Rm 15,24-28) ou às comunidades dirigidas por Timóteo e Ti to, às quais escreve cartas que deixam entrever seu fim próximo. De novo preso e encarcerado, Paulo sofre o martírio cerca do ano 67.

    Pedro e Paulo: dois nomes que ao longo dos séculos personificaram a Igreja inteira em sua ininterrupta Tradição. Aos dois primeiros mestres da fé chegou-se mesmo a "confessar" os pecados no Confiteor, reconhecendo neles a Igreja histórica. Para os orientais também, os dois "irmãos" significam todo o colégio apostólico, como pedras fundamentais da fé. Ainda hoje o Papa invoca a autoridade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo quando, em seus atos oficiais, quer referir a Tradição à sua fonte: a palavra de Deus. Só pela escuta desta palavra no Espírito, pode a Igreja se "tornar perfeita no amor em união como Papa, os bispos e toda a ordem sacerdotal".

    -------------

    1 MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    Citação www.freifenando.net

    Recanto das Letras - Poesias, Contos, Mensagens

    O SENHOR É A FORÇA DE SEU POVO, FORTALEZA E SALVAÇÃO DO SEU UNGIDO.

     

    Sexta-feira, 29 de junho de 2007

    12ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27, 8-9).

    A bondade e a paciência dos pais aumentam a bondade e a paciência dos filhos. (Frei Anselmo Fracasso)

    Hoje: Dia do Pescador e dia da Telefonista

    Santos: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Cirilo de Alexandria (Doutor da Igreja, patriarca; proclamou a Bem-Aventurada Virgem Maria "Mãe de Deus, ou "Theotókos"), Ladislau (rei da Hungria), Madalena Fontaine, João (eremita de origem bretã), Sansão (sacerdote romano)

    Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Gênesis (Gn 17, 1.9-10.15-22)

    ALIANÇA E CIRCUNCISÃO

    [1]Abrão tinha noventa e nove anos de idade, quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse:" Eu sou o Deus poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito". [9]Deus disse ainda a Abraão: "Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre. [10]Esta é a minha aliança que devereis observar, aliança entre mim e vós e tua descendência futura: todo homem entre vós deverá ser circuncidado".

    [15]Deus disse também a Abraão: "Quanto à tua mulher, Sarai, já não a chamarás Sarai, mas Sara. [16]Eu a abençoarei e também dela te darei um filho. Vou abençoá-la, e ela será mãe de nações, e reis de povos dela sairão". [17]Abraão prostrou-se com o rosto em terra, e pôs-se a rir, dizendo consigo mesmo: "Será que um homem de cem anos vai ter um filho e que, aos noventa anos, Sara vai dar à luz?" [18]E, dirigindo-se a Deus, disse: "Se ao menos Ismael pudesse viver em tua presença".

    [19]Deus, porém, disse: "Na verdade, é Sara, tua mulher, que te dará um filho, a quem chamarás Isaac. Com ele estabelecerei a minha aliança, uma aliança perpétua para a sua descendência. [20]Atendo ao teu pedido, também, a respeito de Ismael. Eu o abençoarei e tornarei fecundo e extremamente numeroso. Será pai de doze príncipes e farei dele uma grande nação. [21]Mas, quanto à minha aliança, eu a estabelecerei com Isaac, o filho que Sara te dará no ano que vem, por este tempo". [22]Tendo acabado de falar com Abraão, Deus se retirou. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    ESTE É O SINAL DE MINHA ALIANÇA

    A fé do homem bíblico, iluminada por Deus, reinterpretou um rito natural, comum a outros povos, como sinal da aliança. Essa atitude nos esclarece sobre um traço da "mentalidade sacramental" em nosso relacionamento com Deus. Quando Jesus, na maturidade dos tempos, "instituiu" os sacramentos, não inventa uma realidade semelhante a um meteorito, uma instituição que cai do alto e é imposta ao homem.

    Trata-se, ao contrário, de algo que tem suas raízes na antropologia, na condição humana. Negá-lo seria mutilar o próprio homem. Deus é criador e salvador, ao mesmo tempo, da natureza e da graça. Esta não é um "segundo plano" ao qual se poderia subir à vontade. Linguagens, danças, reuniões dizem-nos claramente que o homem necessita do que é sensível para conhecer e exprimir-se. Evidentemente nem todos os sinais são autênticos.

    Podem ser vazios ou enganadores: gestos mecânicos, costumes inspirados no interesse, na hipocrisia ou no conformismo social. Toda a Bíblia ergue a voz contra o formalismo e o ritualismo. O que interessa a Deus é o "coração", o modo como o homem se coloca em face do Senhor, dos homens, dos acontecimentos.

    Salmo: 127 (128), 1-2.3.4-5 [R/4]

    SERÁ ASSIM ABENÇOADO TODO AQUELE QUE RESPEITA O SENHOR

    Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!

    A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

    Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

    Evangelho: Mateus (Mt 8, 1-4)

    A CURA DE UM LEPROSO

    [1]Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. [2]Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: "Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar". [3]Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Eu quero, fica limpo". No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. [4]Então Jesus lhe disse: "Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles". Palavra da Salvação!

    ------------

    Nota: Outras Leituras Relacionadas: Mc 1, 40-45; Lc 5, 12-16; Lv 13,14; 2Rs 7; 2Cr 26, 16-21

    -------------

    Comentário o Evangelho (2)

    SEJA PURIFICADO!

    A cena do encontro de Jesus com um leproso, e sua cura, é carregada de sentido. O milagre acontece no âmbito de relações interpessoais. De um lado, está Jesus, cujo poder taumatúrgico é muito conhecido, bem como sua disposição a colocar-se a serviço dos oprimidos de todos os tipos. De outro, encontra-se um indivíduo estigmatizado por causa de uma doença, que afastava de si as pessoas e o obrigava a viver segregado de qualquer contato social. Havia algo ainda mais grave: a lepra excluía-o da comunidade religiosa, portanto, de Deus.

    O milagre de Jesus consistirá em refazer a 'rede de relações da qual o leproso fora afastado.

    O segundo é o âmbito da vontade livre. Aí, Jesus age de maneira bem simples: nada de gestos mágicos nem de cerimônias. O leproso recorre a ele, com toda a liberdade e confiança: "Senhor, se tu queres, tens o poder de purificar-me". E Jesus o cura com um ato de sua vontade: "Eu quero, fique purificado". A doença do leproso não o compele a buscar a cura, independentemente de sua vontade.

    O terceiro é o âmbito da fé. Se o homem recorreu a Jesus, foi porque reconhecia seu poder. Sem este pressuposto, não seria movido a desrespeitar uma convenção social, e a aproximar-se do Mestre.

    SÃO PEDRO E SÃO PAULO (3)

    "A liturgia romana sempre reuniu os dois apóstolos Pedro e Paulo numa só solenidade, por considerá-los os fundadores da Igreja de Roma. Tendo os dois padecido o martírio na perseguição de Nero, a tradição os identificou também no dia de sua morte: 29 de junho. Pedro e Paulo são de fato os pilares da Igreja primitiva. Unidos, representam um símbolo visível, tão necessário no dia de hoje, da colegialidade do episcopado na Igreja".

    Desde o início, Pedro é representado nos Evangelhos como o primeiro dos apóstolos. Em todas as listas ou catálogos dos nomes dos apóstolos, Pedro figura sempre em primeiro lugar. E, nos momentos decisivos, em que a missão de Cristo envolve crise, é sempre São Pedro o porta-voz dos apóstolos, o primeiro a proclamar a fé da Igreja primitiva. Seu nome de família era Simão, filho de Jonas, mas Jesus, no primeiro encontro, mudou-lhe o nome para Pedro, pedra-rocha, e mais tarde dá a razão disso (Mt 16,13-20).

    Pedro era irmão de André, nascido em Betsaida, era pescador de profissão, casado e morava em Cafarnaum, quando Jesus o chamou ao apostolado. No Evangelho, ele aparece como homem de temperamento impulsivo, mas leal, expansivo, generoso e, sobretudo, muito apegado ao Mestre.

    Jesus, aos poucos, o coloca em evidência entre os apóstolos, marcando-o como seu futuro vigário na Igreja. Em Cesaréia de Filipe, Jesus diz solenemente a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado também no céu". Nestas palavras Jesus anuncia, entre outras coisas, que Pedro é a rocha inabalável que serve de fundamento à Igreja, na mesma recebe o supremo poder, e a ele são entregues as chaves do Céu.

    Depois da Ressurreição, na praia do lago de Genesaré, Jesus dirigiu-se novamente a Pedro, perguntando-lhe: "Simão, filho de Jonas, amas-me mais que estes?" Ele respondeu: "Sim, Senhor, sabeis que vos amo". Jesus acrescentou: "Apascenta meus cordeiros". Por três vezes Jesus fez esta pergunta e deu-lhe ordem de tomar conta de seu rebanho. Era a investidura oficial a Pedro de ser o Vigário de Cristo, Pastor Supremo no único rebanho do Mestre (Jo 21,1 5s).

    Os primeiros dez capítulos dos Atos dos Apóstolos descrevem de modo especial a atuação marcante do apóstolo Pedro, que emerge como o grande líder, responsável pela comunidade cristã de Jerusalém. E ele que toma a iniciativa de integrar Matias ao Colégio dos Apóstolos, em lugar de Judas. E ele que faz o primeiro discurso no dia de Pentecostes, convertendo três mil pessoas.

    E ele que realiza o primeiro milagre, sarando o homem coxo. E ele que e preso como responsável pela nova religião que as autoridades judaicas queriam suprimir. Pedro naquela ocasião toma a defesa: "Temos que obedecer antes a Deus do que aos homens". E Pedro que reprime a atitude falsa de Ananias e Safira.

    Pedro toma a iniciativa da eleição dos diáconos, para que atendam à administração material da comunidade cristã. E Pedro que oficialmente abre a porta da Igreja ao primeiro pagão, Cornélio e sua família, batizando-o em nome de Cristo. E Pedro que convoca o primeiro concílio dos apóstolos, tomando a palavra no conclave.

    A tradição atesta que Pedro, saindo de Jerusalém, foi para Antioquia, dirigindo aquela Igreja por sete anos, depois rumou para Roma, onde ficou até a morte, que se deu aos 29 de junho de 67. Foi crucificado como o próprio Mestre, mas pediu que sua posição fosse de cabeça para baixo, como gesto de humildade. Há provas históricas irrefutáveis que seu corpo foi sepultado onde, atualmente, surge a maior igreja do mundo: a Basílica Vaticana.

    São Paulo

    Paulo nasceu provavelmente nos primeiros anos da era cristã, em Tarso da Cilícia hoje ocupada pela Turquia. Embora judeu, a Paulo se atribui o título de cidadão romano, talvez por privilégio anexo à cidade de Tarso. Usava um nome judeu, Saulo, e outro romano, Paulo, com o qual foi melhor conhecido. Aprendeu a língua grega que se falava em Tarso e a aramaica, usada na Palestina.

    De Tarso foi para Jerusalém onde recebeu sólida formação nas Sagradas Escrituras e nos métodos da tradição dos rabinos. Ele se diz da tribo de Benjamim, pertencendo à seita fanática dos fariseus. Teve por mestre o célebre fariseu Gamaliel e tornou-se ele mesmo fervoroso e defensor da lei antiga e da tradição dos antepassados. Era fabricante de tendas.

    Os Atos dos Apóstolos nos falam dele no fim do capítulo VII, por ocasião da morte do diácono Estêvão, quando Paulo guardava as vestes dos que apedrejavam Estêvão, concordando, portanto, com o crime. Depois do assassinato de Estêvão, Paulo perseguiu com sanha os membros da comunidade cristã. Todo o capitulo IX dos Atos dos Apóstolos narra a milagrosa conversão de São Paulo.

    A caminho de Damasco, a para prender os cristãos, foi derrubado do cavalo e Jesus lhe falou: "Saulo, por que me persegues?" Conduzido cego à cidade de Damasco, Paulo foi levado para a casa do sacerdote Ananias que o preparou para o batismo. E uma narração empolgante, que prova a força de Cristo em dominar seu perseguidor. Depois do batismo, Paulo se dirigiu ao deserto da Arábia, onde ficou três anos, entregue à oração, penitência e onde o próprio Cristo se tornou seu preceptor.

    De volta para Jerusalém, foi-lhe difícil achegar-se aos apóstolos que o temiam e não disfarçavam a desconfiança que lhes inspirava aquela conversão quase inacreditável. Apresentado aos apóstolos por Barnabé, iria assumir uma importantíssima missão no Cristianismo primitivo. A partir de Antioquia na Síria, inicialmente com Barnabé, Paulo realizou três grandes expedições missionárias que tiveram a duração de 25 anos.

    Passou dois anos preso em Cesaréia, e de lá, por ter apelado ao tribunal de César, partiu para Roma, onde continuou preso, mas em relativa liberdade para receber os cristãos e dirigir sua palavra aos pagãos. Inocentado no processo que lhe armaram os judeus, viajou para a Espanha, visitou novamente suas comunidades no Oriente e, de volta a Roma, ano 67, foi preso sob o imperador Nero, condenado porque seguia uma religião ilegal. Foi morto por decapitação e não por crucificação, porque ele era cidadão romano.

    Paulo, escrevendo aos Coríntios, deixou-nos um catálogo impressionante de seus trabalhos pela pregação do Evangelho: "Sofri muito pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, muitíssimo mais pelos açoites. Muitas vezes estive em perigo de morte; cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove golpes de açoites. Três vezes fui batido com varas, fui apedrejado, três vezes naufraguei passando uma noite e um ido em alto-mar" (2Cor 11,20-26).

    A descrição dos sofrimentos suportados por causa do Evangelho continua de forma comovente. O papel de Paulo na Igreja foi de transcendental relevo. Além de ter fundado as melhores comunidades cristãs no mundo helênico, que foram o esteio da expansão do Cristianismo na Ásia Menor, Paulo, em suas 14 cartas escritas às comunidades cristãs por ele fundadas, foi o grande teólogo que tentou elaborar uma síntese doutrinária do mistério de Cristo para todos os séculos de valor inestimável. Este gigante inatingível de apóstolo e santo dizia com humildade e fraqueza: "Pela graça de Deus, sou o que sou, mas a graça dele em mim não ficou estéril".

    ---

    Nota: A comemoração liturgia de São Pedro e São Paulo ocorrerá no próximo domingo, dia 1 de julho de 2007

    -------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©1997 Vozes

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    FAREI SURGIR UM SACERDOTE FIEL, QUE AGIRÁ SEGUNDO O MEU CORAÇÃO E MINHA VONTADE, DIZ O SENHOR.

     

    Quinta-feira, 28 de junho de 2007

    Santo Irineu (bispo e mártir), Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Vermelha

    Farei surgir um sacerdote que agirá segundo o meu coração e a minha vontade, diz o Senhor. (1Sm 2,35)

    Deus tem sempre que ensinar, e o ser humano tem sempre que aprender de Deus. (Santo Irineu)

    Santos: Irineu (discípulo de S. Policarpo de Esmirna), Argemiro, Vicência, Leão II, Lúcia, Paulo I, Três Marias, Pápias, Bem-Aventurado Paulo Giustiniani (veneziano, monge, fundador da Ordem Companhia dos Eremitas de S. Romualdo)

    Oração: Ó Deus, vós concedestes ao bispo santo Irineu firmar a verdadeira doutrina e a paz da Igreja; pela intercessão de vosso servo, renovai em nós a fé e a caridade, para que nos apliquemos constantemente em alimentar a união e a concórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Gênesis (Gn 16, 1-12.15-16)

    NASCIMENTO DE ISMAEL

    [1]Sarai, a mulher de Abrão, não lhe dera filhos. Mas, tendo uma escrava egípcia, chamada Agar,[2]Sarai disse a Abrão: "Eis que o Senhor me fez estéril. Une-te, pois, à minha escrava, para ver se, por ela, posso ter filhos". Abrão atendeu ao pedido de Sarai. [3]Depois de Abrão ter morado dez anos em Canaã, Sarai, sua esposa, tomou sua escrava egípcia, Agar, e deu-a como mulher ao seu marido Abrão. [4]Abráo uniu-se a Agar e ela concebeu. Percebendo-se grávida, começou a olhar com desprezo a sua senhora.

    [5]Sarai disse a Abrão: 'Tu és responsável pela injúria que estou sofrendo. Fui eu mesma que coloquei minha escrava em teus braços, e ela, apenas ficou grávida, pôs-se a desprezar-me. O Senhor será juiz entre mim e ti". [6]Abrão respondeu a Sarai: "Olha, a escrava é tua; faze dela o que bem entenderes". E Sarai maltratou-a tanto que ela fugiu. [7]Um anjo do Senhor, encontrando-a junto à fonte do deserto, no caminho de Sur, disse-lhe: [8]"Agar, escrava de Sarai, de onde vens e para onde vais?" Ela respondeu: "Estou fugindo de Sarai, minha senhora". [9]E o anjo do Senhor lhe disse: "Volta para a tua senhora e sê submissa a ela". [10]E acrescentou: "Multiplicarei a tua descendência de tal forma, que não se poderá contar'.

    [11]Disse, ainda, o anjo do Senhor: "Olha, estás grávida e darás à luz um filho e o chamarás Ismael, porque o Senhor te ouviu na tua aflição. [12]Ele será indomável como um jumento selvagem, sua mão se levantará contra todos, e a mão de todos contra ele. E ele viverá separado de todos os seus irmãos". [15]Agar deu à luz o filho de Abrão; e ele pôs o nome de Ismael ao filho que Agar lhe deu. [16]Abrão tinha oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    AGAR DEU À LUZ O FILHO DE ABRÃO

    Dá-nos certa vaidade sabermos "bancar os espertos", ser descobridores de atalhos, conjugar o verbo 'arranjar-se". E todo um florescimento de espírito de iniciativa, de inventiva, para ultrapassar prescrições, limites e imposições. E tão forte nosso hábito neste sentido que cremos, às vezes, oportuno aplicar o mesmo critério em nossas relações com Deus. Tanto mais quanto a espera, como no caso de Abraão e Sara, se torna espasmódica.

    Pequeninos seres imersos no tempo, chegamos a imaginar a eternidade como uma soma de tempos, portanto... longa. Esperar os tempos de Deus pode às vezes ser como esperar O desenrolar de longas práticas burocráticas. Trata-se, ao contrário, de "um outro tempo" (se assim se pode dizer), algo absolutamente diferente daquilo que denominamos tempo. De resto, a sabedoria popular sempre afirmou que "Deus escreve direito por linhas tortas". A capacidade divina de salvação revela-se em valorizar também os resultados de certas iniciativas colaterais.

    Salmo: 105 (106), 1-2.3-4a.4b-5 [R/.1a]

    DAI GRAÇAS AO SENHOR PORQUE ELE É BOM

    Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia! Quem contará os grandes feitos do Senhor? Quem cantará todo o louvor que ele merece?

    Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo!

    Visitai-me com a vossa salvação, para que eu veja o bem-estar do vosso povo, e exulte na alegria dos eleitos, e me glorie com os que são vossa herança.

    Evangelho: Mateus (Mt 7, 21-29)

    NÃO BASTA DIZER: SENHOR, SENHOR

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: [21]"Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no reino dos céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. [22]Naquele dia, muitos vão me dizer: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?' [23]Então eu lhes direi publicamente: Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal.

    [24]Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. [25]Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. [26]Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia.

    [27]Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!" [28]Quando Jesus acabou de dizer estas palavras, as multidões ficaram admiradas com seu ensinamento. [29]De fato, ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os mestres da lei. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    UMA TERRÍVEL FRUSTRAÇÃO

    Jesus entreviu a possibilidade de o discípulo do Reino, embora cheio de zelo, sentir a terrível frustração de ver-se rejeitado, por ocasião do juízo final. Isto acontecerá a quem reduz sua fé a palavrórios vazios e a gestos incapazes de provar sua adesão ao Reino. Pelo contrário, a garantia de entrar no Reino definitivo está na disposição de fazer a vontade do Pai celeste. Esta consiste em ter um amor entranhado pelos mais fracos e pequeninos, em mostrar-se misericordioso e serviçal com os outros, em suma, em praticar tudo quanto nos foi ensinado no sermão da montanha.

    A postura do Messias-juiz é paradoxal. Enquanto as pessoas afirmam ter profetizado, expulsado demônios e feito milagres em seu nome, ele as repele dizendo terem praticado a iniqüidade. O que, com uma leitura superficial, podia parecer um gesto louvável de bondade, com uma leitura mais profunda, acaba aparecendo coisa totalmente diferente.

    Os títulos de profeta, exorcista e taumaturgo são insuficientes para garantir a salvação. Quiçá o verdadeiro motivo de sua ação não fosse um amor entranhado ao próximo. Teriam agido por exibicionismo? Buscavam promover-se? Exerciam o ministério por mera formalidade? Tudo isto é possível. Uma coisa é certa: não agiam em sintonia com a vontade de Deus.

    SANTO IRINEU DE LYON (3)

    Padre da Igreja, grego de nascimento, filho de pais cristãos, nasceu na ilha de Esmirna, no ano 130. Foi discípulo de Policarpo, outro Padre e santo da Igreja. Dele Irineu pôde recolher ainda viva a tradição apostólica, pois Policarpo fora consagrado bispo pelo próprio João Evangelista, o que torna importantíssimos os seus testemunhos doutrinais.

    Muito culto e letrado em várias línguas, Irineu foi ordenado por são Policarpo, que o enviou para a Gália, atual França, onde havia uma grande população de fiéis cristãos procedentes do Oriente. Lá, trabalhou ao lado de Fotino, o primeiro bispo de Lyon, que, em 175, o enviou a Roma para, junto do papa Eleutério, resolver a delicada questão doutrinal dos hereges montanistas. Esses fanáticos, vindos do Oriente, pregavam o desprezo pelas coisas do mundo, anunciando o breve retorno de Cristo para o juízo final.

    Contudo tanto o papa quanto Irineu foram tomados pela surpresa da bárbara perseguição decretada pelo imperador Marco Aurélio. Rapidamente, em 177, ela atingiu a cidade de Lyon, ocasionando o grande massacre dos cristãos, todos mortos pelo testemunho da fé.

    Um ano depois, Irineu retornou a Lyon, onde foi eleito e aclamado sucessor do bispo mártir, Fotino. Nesse cargo ele permaneceu vinte e cinco anos. Ocupou-se da evangelização e combateu, principalmente, a heresia dos gnósticos, além das outras que proliferavam nesses primeiros tempos. Obteve êxito, junto ao papa Vitor I, na questão da comemoração da festa da Páscoa, quando lhe pediu que atuasse com moderação para manter a união entre a Igreja do Ocidente e a do Oriente.

    A sua obra escrita mais importante foi o tratado "Contra as heresias", onde trata da falsa gnose, e depois, de todas as outras heresias da época. O texto grego foi perdido, mas existem as traduções latina, armênia e siríaca.

    Importante não só do lado teológico, onde expôs já pronta a teoria sobre a autoridade doutrinal da Igreja, mas ainda do lado histórico, pois documentou e nos apresentou um quadro vivo das batalhas e lutas de então.

    Mais tarde, um outro tratado, chamado "Demonstração da pregação apostólica", foi encontrado inteiro, numa tradução armênia. Além de vários fragmentos de outras obras, cartas, discursos e pequenos tratados.

    Irineu morreu como mártir no dia 28 de junho de 202, em Lyon, e sua festa litúrgica ocorre nesta data. As relíquias de santo Irineu estão sepultadas, junto com os mártires da Igreja de Lyon, na catedral desta cidade.

    -----------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 http://www.zinester.com/lr/927294/24964650 (Santo do Dia, 27/06/2007)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    O SENHOR É A FORÇA DE SEU POVO, FORTALEZA E SALVAÇÃO DE SEU UNGIDO.

     

    Quarta-feira, 276 de junho de 2007

    12ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27, 8-9).

    Para a vida se tornar sagrada é preciso estar em constante estado de doação. (Raul Anderson

    Hoje: São Cirilo (Bispo e doutor), memória facultativa; dia Nacional do Vôlei e dia do Relojoeiro;

    Santos: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Cirilo de Alexandria (Doutor da Igreja, patriarca; proclamou a Bem-Aventurada Virgem Maria "Mãe de Deus, ou "Theotókos"), Ladislau (rei da Hungria), Madalena Fontaine, João (eremita de origem bretã), Sansão (sacerdote romano)

    Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Gênesis (Gn 15, 1-12.17-18)

    A ALIANÇA DE DEUS COM ABRAÃO

    Naqueles dias, [1]o Senhor falou a Abrão, dizendo: "Não temas, Abrão! Eu sou o teu protetor e tua recompensa será muito grande". [2]Abrão respondeu: "Senhor Deus, que me darás? Eu me vou desta vida sem filhos e o herdeiro de minha casa será Eliezer de Damasco". [3]E acrescentou: "Como não me deste descendência, um servo nascido em minha casa será meu herdeiro". [4]Então o Senhor falou-lhe nestes termos: "O teu herdeiro não será esse, mas um dos teus descendentes é que será o herdeiro". [5]E, conduzindo-o para fora, disse-lhe: "Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!" E acrescentou: "Assim será a tua descendência".

    [6]Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. [7]E lhe disse: "Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra". [8]Abrão lhe perguntou: "Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?" [9]E o Senhor lhe disse: 'Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha".[10]Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra. [11]Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. [12]Quando o sol já se ia pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror.

    [17]Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos. [18]Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: "Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates". Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    ABRÃO TEVE FÉ NO SENHOR

    Justiça, recompensa, posse: termos abstratos "de código", para nos; termos concretos, a entender em sentido de relacionamento pessoal, para a Bíblia. Relações vividas na qualidade e no calor de um chamado do Senhor. Donde falar-se de "segunda vocação" de Abraão. Estamos sempre no quadro de religiosidade tecida de relações pessoais que partem de um chamado-iniciativa de Deus e uma resposta-aceitação do homem.

    Para lá de frias normas protocolares ou cultuais, sublinham-se dúvidas, anseios, temores e esperanças do homem; e generosidade, paciência, grandeza e bondade de Deus. A vida, vivida como resposta ao contínuo chamado de Deus é capaz de mudar totalmente as perspectivas. Uma psicologia dos "chamados" é apta para valorizar plenamente uma existência.

    Acredita-se que tudo o que se faz, seja qual for o vulto das repercussões, verdadeiramente vale a pena de ser feito. Nada é pequeno, se há na base um chamado do Senhor. Nada se perde se, vindo de Deus, aceito confiantemente por nós, é vivido com amor perseverante e com abertura. Fixa-te em Deus, o único necessário, único que permanece!

    Salmo: 104 (105), 1-2.3-4.6-7.8-9 [R/.8a]

    O SENHOR SE LEMBRA SEMPRE DA ALIANÇA

    Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas!

    Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face!

    Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

    Ele sempre se recorda da aliança, promulgada a incontáveis gerações; da aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac.

    Evangelho: Mateus (Mt 7, 15-20)

    GUARDAI-VOS DOS FALSOS PROFETAS

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: [15]"Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. [16]Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? [17]Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má produz frutos maus. [18]Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. [19]Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. [20]Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    APRENDENDO A DISCERNIR

    Nem no seio da comunidade cristã o discípulo está a salvo. Aí, também, pode ser vítima de engano, e acabar se desviando do ensinamento autêntico do Mestre. Pois bem, quando Jesus falou de falsos profetas que são como lobos disfarçados em cordeiros não estava se referindo às pessoas de fora, e sim às lideranças da comunidade, que tentavam enganar os que tinham aderido ao Reino. Por conseguinte, os inimigos eram os próprios irmãos de fé.

    Quem eram os falsos profetas? Eram os cristãos que, com uma aparência de piedade, contaminavam a comunidade com doutrinas espúrias, contrárias às de Jesus. Desta forma, levavam as pessoas a não prosseguirem no seu caminho de fé, e sim a se afastarem da comunidade, quando não, em muitos casos, a optarem por uma vida de libertinagem.

    A preocupação principal era de caráter prático: os cristãos poderiam ser levados a viver uma vida incompatível com sua condição de discípulos do Reino. Urgia ter um agudo senso de discernimento até mesmo em relação à comunidade cristã, e, de maneira especial, a seus líderes. Jesus ofereceu um critério prático, que consistia em confrontar o ensinamento com a vida.

    O modo de proceder seria o aferidor da veracidade do líder comunitário. Se, no seu dia-a-dia, desse testemunho de lutar pela justiça do Reino, poderia ser considerado verdadeiro profeta. Caso contrário, a comunidade deveria precaver-se dele como de um lobo traiçoeiro.

    SÃO CIRILO (BISPO E DOUTOR)3

    Cirilo de Alexandria, São (Cyrillus, bispo, c. 370-442 d.C.) foi uma figura notável em seu tempo por sua influência política e sua sagacidade teológica. É também considerado Doutor da Igreja. O seu dia é comemorado em 27 de junho.

    Em Alexandria, exerceu vigorosa oposição ao judaísmo, à heresia e ao paganismo (pode ter sido, em parte, culpado da morte de Hipácia), enquanto na Igreja, em geral, foi o principal defensor da cristologia alexandrina, a união de Deus e do Homem em Cristo. Isso causou um conflito com Nestório, bispo de Constantinopla, a quem Cirilo acusou de negar a divindade de Cristo, na doutrina do nestorianismo.

    Valendo-se de sua influência sobre a corte de Constantinopla (principalmente sobre a imperatriz Pulquéria), Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no Concílio de Éfeso, em 431 (embora tivesse que gastar grandes somas no suborno da corte, a fim de evitar sua própria condenação por um sínodo rival realizado pelos partidários de Nestório). Em 433 d.C., Cirilo aceitou a reconciliação, e a controvérsia acalmou-se até o fim de sua vida.

    Escreveu várias obras, inclusive uma defesa da Igreja contra os ataques do imperador Juliano, o apóstata. Cirilo também foi um dos principais sistematizadores da mariologia, que é o estudo de Maria, mãe de Jesus, sendo que é um dos tópico que mais causa polêmicas na cristandade.

    ---------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 wikipedia

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    O SENHOR É A MINHA SALVAÇÃO, A QUEM EU TEMEREI?

     

    Domingo, 24 de junho de 2007

    Natividade de São João Batista, Ofício Solene, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Branca

    O Senhor é a minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremer? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2).

    Hoje: Dia do Mel, dia Internacional da Ufologia e dia do Migrante

    Santo: Nascimento de São João Batista (filho de Zacarias, o "Benedictus"), Fausto, Firmo, Rengarda, Vicente Lebbe, Bem-Aventurado Simplício (bispo de Autun), Rombaudo (Ilhas Britânicas, morto na Bélgica), Teodulfo (abade de Lobbes).

    Oração: Concedei, Deus todo-poderoso, que a vossa família siga pel caminho da salvação e, atenta às exortações de São João Batista, chegue ao redentor que ele anunciou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Isaías (Is 49, 1-6)

    EU TE FAREI LUZ DAS NAÇÕES

    [1]Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; [2]fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, [3]e disse-me: 'Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado". [4]E eu disse: 'Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa".

    [5]E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. [6]Disse ele: "Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra". Palavra do Senhor!

    Salmo: 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 [R/.14a]

    EU VOS LOUVO E VOS DOU GRAÇAS, Ó SENHOR, PORQUE DE MODO ADMIRÁVEL ME FORMASTES!

    Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos; percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são conhecidos.

    Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!

    Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis, quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas.

    II Leitura: Atos (At 13, 22-26)

    ANTES QUE JESUS CHEGASSE, JOÃO PREGOU UM BATISMO DE CONVERSÃO

    Naqueles dias, Paulo disse: [22]"Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade'. [23]Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus.

    [24]Antes que ele chegasse, 'João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. [25]Estando para terminar sua missão, João declarou: 'Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias'. [26]Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação". Palavra do Senhor!

    Evangelho: Lucas (Lc 1, 57-66.80)

    JOÃO É O SEU NOME

    [57]Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. [58]Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. [59]No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. [60]A mãe, porém, disse: "Não! Ele vai chamar-se João". [61]Os outros disseram: "Não existe nenhum parente teu com esse nome!"

    [62]Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. [63]Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome". E todos ficaram admirados. [64]No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. [65]Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia.

    [66]E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: "O que virá a ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. [80]E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. Palavra da Salvação!

    SÃO JOÃO BATISTA (1)

    "Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como o santo que hoje festejamos. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes além das procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista".

    Ele é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

    Os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias (Lc 1,5-25). Na circuncisão ele recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Ele era seis meses mais velho do que Jesus, mas iniciou sua pregação pública à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início à própria missão.

    O evangelista São Lucas assim resume a infância de João: "O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel" (Lc 1,80).

    Há autores que dizem que João se teria unido à seita dos essênios, tipo de monges rigoristas que viviam no deserto à beira do Jordão ou do Mar Morto, em forma comunitária, entregues à oração e à penitência

    O Evangelho apresenta João Batista por ocasião do batismo de Jesus. Com palavras incisivas e vibrantes, pregava a necessidade da conversão e do batismo de penitência. Suas palavras eram duras e veementes. Insistia com rigor na necessidade do fiel cumprimento dos deveres de estado. Argumentava com a proximidade da vinda do Messias prometido e tão esperado.

    A originalidade deste profeta era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo, e daí o apelido de Batista.

    Sua pregação atraía muitas pessoas impressionadas pelas suas palavras e pelo seu exemplo de vida austera. O próprio Evangelho diz que ele vestia rude pele de camelo e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre.

    João, em sua pregação, descreve, com figuras apocalípticas, o juízo iminente de Deus e exorta a todos à penitência dos pecados como única forma de escapar da ira de Deus. Ao ver muitos fariseus e saduceus, que vinham para serem batizados, disse-lhes: "Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar da ira iminente? Fazei, portanto, frutos dignos de conversão e não julgueis que vos basta dizer: 'Temos por pai Abraão', pois eu vos asseguro que Deus tem o poder de suscitar destas pedras verdadeiros filhos de Abraão. O machado está posto à raiz das árvores e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3,7).

    João Batista teve a sorte de batizar o próprio Cristo, embora protestasse ser indigno de desatar-lhe as sandálias. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias, com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo" (Mt 3,11).

    João morreu mártir pela fidelidade à sua missão de profeta, em denunciar publicamente o adultério de Herodes, que vivia em forma escandalosa com sua cunhada Herodíades. João foi preso, encarcerado na fortaleza de Maqueronte e, mais tarde, degolado a pedido da esposa adulterina de Herodes. Seus discípulos recolheram o corpo e lhe deram honrada sepultura.

    O maior elogio dado a São João foi o de Jesus que o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista. Contudo, o menor no Reino de Deus é maior do que ele" (Mt 11,11). João, de fato, pertence ao Antigo Testamento e nós ao Novo. Quem viver plenamente a redenção que nos vem de Cristo, já é maior, pela graça, que o profeta João!

    Deste grande profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24 de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é a aurora da vinda de Cristo; 29 de agosto é o dia de sua morte por degolação.

    João Batista é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo vivo da face ascética da religião.

    Certo dia, haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um profeta... Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que João Batista" (Mt 11,7-11).

    A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração.

    À testa do governo da Galiléia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: "Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão".

    Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande veneração ao profeta João Batista.

    A morte de João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve este martírio: "Chegou o dia propicio. Herodes, por ocasião de seu aniversário, ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galiléia. A filha de Herodiades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então, o rei disse à moça: 'Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade do meu reino'. Ela saiu e perguntou à mãe: 'O que é que eu peço?' E ela respondeu: 'A cabeça de João Batista'.

    Voltando logo à presença do rei fez o pedido: 'Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista'. O rei ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a a menina e esta a entregou à sua mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram num túmulo" (Mc 6,21-26).

    Jesus chamou João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no testemunho glorioso de seu sangue.

    -------------

    1 O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    OUVI, SENHOR, A VOZ DO MEU APELO: TENDE COMPAIXÃO DE MIM E ATENDEI-ME

     

    Sábado, 23 de junho de 2007

    11ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meus

    protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9).

    Não juremos; mas procedamos como se tivéssemos jurado. (Francisco Arias)

    Hoje: Dia Internacional das Aldeias SOS

    Santos: Bem-Aventurado Bento Menni, José Cafasso (sacerdote e professor de teologia moral em Turim), Edeltrudes, Agripina (virgem mártir), Maria d'Oignies, Tomás Garnet.

    Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 12, 1-10)

    Paulo exalta sua fraqueza e limitação

    Irmãos, 1será que é preciso gloriar-me? Na verdade, não convém. No entanto, passarei a falar das visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem, unido a Cristo, que, há quatorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu. Se ele foi arrebatado com o corpo ou sem o corpo, eu não o sei, só Deus sabe. 3Sei que esse homem - se com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus o sabe 4foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis que nenhum homem consegue pronunciar.

    5Quanto a esse homem eu me gloriarei, mas, quanto a mim mesmo, eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. 6No entanto, se eu quisesse gloriar-me, não seria insensato, pois só diria a verdade. Mas evito gloriar-me, para que ninguém faça de mim uma idéia superior àquilo que vê em mim ou que ouve de mim. 7E para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais.

    8A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. 9Mas ele disse-me: "Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta". Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. 10Eis por que eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura1

    Eu não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas

    Em plena era da cibernética, em clima de economia programada, em que se procura reduzir ao mínimo as fronteiras do imprevisível, golpeamos o paradoxo Paulino: "Quando sou fraco, então é que sou forte" (v. 10). E não se trata de slogan em cartaz publicitário ou figura de retórica, mas de princípio fundamental.

    Vivemos em época de intensa politização. E a política em sentido estrito é conquista e uso do poder. As expressões de Paulo são um convite à reflexão, para evitar os abusos de um meio que deve permanecer tal. O cristão não pode substituir o primado da fé pelo da política. Há também em política uma força dos fracos (cf a não-violência). Mas a perspectiva cristã vai além: nossa fragilidade permite à eficiência divina manifestar-se inteiramente.

    Salmo: 33(34), 8-9.10-11.12-13 (R/.9a)

    Provai e vede quão suave é o Senhor!

    O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

    Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada.

    Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus. Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias?

    Evangelho: Mateus (Mt 6, 24-34)

    O mais importante é realizar a vontade do Pai

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24"Ninguém pode servir a dois senhores, pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Querr de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?

    28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: 'O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?'

    32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34Portanto, não vos preocupeis com o dia de manhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho2

    O Reino de Deus e a sua justiça

    Jesus exortou os seus discípulos a "buscarem, antes de qualquer coisa, o Reino de Deus e a sua justiça". Esta admoestação pode ser tomada como uma espécie de resumo dos ensinamentos do Mestre. Nela está sintetizado o essencial de sua doutrina.

    Busca o Reino de Deus quem centra a sua vida em Deus e em sua vontade, não deixando de fora nenhum âmbito de sua existência, por mais simples que seja. Deus não quer ter concorrentes, e não os tem. A idolatria não encontra lugar no coração do discípulo, uma vez que está solidamente ancorado em Deus.

    A justiça do Reino decorre desta busca sincera, sendo sua expressão. Ela se torna patente no modo de proceder do discípulo cuja vida está centrada em Deus. Neste sentido, justiça torna-se sinônimo de amor misericordioso, solidariedade fraterna, perdão reconciliador, igualdade respeitosa, empenho por construir a paz. Justiça do Reino é ação visando expandir o senhorio de Deus na vida de cada pessoa e da sociedade. É luta em prol de um mundo mais conformado com o querer divino. É rejeição de tudo quanto impede o Reino acontecer. Enfim, é recusa a toda forma de idolatria e injustiça.

    A busca do Reino de Deus e de sua justiça polariza de tal modo as preocupações do discípulo, a ponto de nada mais lhe parecer importante. Independentemente de suas preocupações, ele terá, por acréscimo, tudo quanto necessita.

    São José Cafasso

    Cafasso era de família abastada do povo e Bosco provinha de uma família humilde e absolutamente pobre. Foi em sua humildade, o maior amigo e benfeitor de São João Bosco e, de muitos seminaristas pobres e um dos melhores formadores de sacerdotes do século XIX. Nasceu 4 anos antes de Dom Bosco e na mesma cidade em que Dom Bosco nasceu. Desde criança sobressaiu-se por sua grande inclinação à piedade e a compartilhar ajudas aos pobres. No ano de 1827, sendo são José Cafasso seminarista encontrou-se pela primeira vez com João Bosco.

    Após ordenar-se como sacerdote, com a idade de 21 anos, o santo viajou a Turim, para aperfeiçoar seus estudos no instituto "O Convictorio". Suas habilidades estudantis foram premiadas ao ser nomeado como professor da instituição acadêmica, e em seguida, como reitor durante doze anos. São José Cafasso formou mais de cem sacerdotes em Turim, e entre suas alunos teve vários santos. Era professor de Teologia Moral em Turim.

    Foi mestre e diretor espiritual de São João Bosco. Deu excelente formação moral ao Clero piemontês, de acordo com a boa escola de São Francisco de Sales e Santo Afonso de Ligório. Turim, que era a capital do reino de Sabóia, as presídios estavam cheios de terríveis criminosos, abandonados por todos.

    Contudo, São José Cafasso decidiu evangelizar esse local, e com a infinita paciência e amabilidade foi ganhando os presos um a um, fazendo-os confessar-se e começar uma vida santa. Além disso, o santo acompanhou até a forca a mais de 68 condenados à morte, e ainda que haviam sido terríveis criminosos, nem um faleceu sem confessar-se e arrepender-se.

    A primeira qualidade que todos notavam neste santo era "o dom de conselho", qualidade que o Espírito Santo lhe havia dado para saber aconselhar o que mais lhe convinha a cada um.

    Outra grande qualidade que o fez muito popular foi sua calma e serenidade. Encurvado (desde jovem) e pequeno de estatura, porém na face sempre uma sorriso amável. Sua voz sonora, e encantadora, e sua conversa irradiava uma alegria contagiosa. Faleceu um sábado.

    Deixou em testamento os poucos bens que possuía a seus amigos São João Bosco e São José Benedito Cottolengo. Sua oração fúnebre a fez seu discípulo preferido: São João Bosco. Antes de morrer escreveu esta estrofe: "Não será morte e sim um doce sono para ti, alma minha, se ao morrer te assiste Jesus, e te recebe a Virgem Maria". Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947.

    ----------------------------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 Associação do Senhor Jesus (

    http://www.zinester.com/lr/920936/24964650)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    OVI, SENHOR, A VOZ DO MEU APELO: TENDE COMPAIXÃO DE MIM E ATEIDEI-ME...

     

    Sexta-feira, 22 de junho de 2007

    11ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meus

    protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9).

    Não deves abandonar o barco em uma tempestade só porque não podes controlar o vento. (São Tomás Moro)

    Hoje: Dia do Orquidófilo; Memória Facultativa de São Paulino de Nola (Bispo)

    Santos: Maria Madalena (libertada dos demônios por Cristo), José da Palestina, Felipe Evans, Platão (Ancyra, atual Ancara na Turquia), Cirilo, Teófilo (mártir), Vandregísilo (abade), Meneleu (monge de Précigné, no Anjou), João Lloyd.

    Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 11, 18.21b-30)

    FIEL SERVIDOR DE CRISTO EM MEIO A FADIGAS E TRIBULAÇÕES

    Irmãos, [18]já que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei. [21b]O que outros ousam dizer em vantagem própria, eu também o digo a meu respeito, embora fale como insensato.

    [22]São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São da descendência de Abraão? Eu também. [23]São servos de Cristo? Como menos sensato digo: Eu ainda mais. De fato, muito mais do que eles: pelos trabalhos, pelas prisões, pelos açoites sem conta. Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. [24]Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um. [25]Três vezes, fui batido com varas. Uma vez, fui apedrejado.

    Três vezes, naufraguei. Passei uma noite e um dia em alto-mar. [26]Fiz inúmeras viagens, com inúmeros perigos: perigos de rios, perigos de ladrões, perigos da parte de meus compatriotas, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos em lugares desertos, perigos no mar, perigos por parte de falsos irmãos. [27]Trabalhos e fadigas, inúmeras vigílias, fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! [28]E, sem falar de outras coisas, a minha preocupação de cada dia, a solicitude por todas as Igrejas!

    [29]Quem é fraco, que eu também não seja fraco com ele? Quem é escandalizado, que eu não fique ardendo de indignação? [30]Se é preciso gloriar-se, é de minhas fraquezas que me gloriarei! Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    A SOLICITUDE PARA TODAS AS IGREJAS

    O anúncio do evangelho não é uma tecnologia educativa. Não pode limitar-se a ensinar um Crucificado, importa revivê-lo. Ele não pode ser "colocado" como nova marca de detergente moral. A palavra de Deus é uma Pessoa, não um conteúdo inerte, a transmitir se mediante um sistema oportunamente disposto. O anúncio envolve a pessoa do anunciante. O evangelho que é tampouco uma coleção de receitas, quiçá morais. É um drama que revive de contínuo em seus anunciadores.

    Todo ensinamento aqui tem cunho de autobiografia. O evangelizador é pessoa incômoda, não só porque incomoda os outros, mas porque deve continuamente incomodar-se a sim mesmo. Sua posição é sempre de braços abertos. A mais exposta. É a estratégia da fraqueza, típica das realidades profundas. O amor é o aspecto mais profundo ao mesmo tempo mais frágil do homem. Deus, em Cristo, em Cristo crucificado, é o maior "risco" que se possa imaginar, de fazer empalidecer os mais ousado sensacionalismo jornalístico. Tal "risco" se repete em cada evangelização.

    Salmo: 33 (34), 2-3.4-5.6-7 (R/.cf.18b)

    O SENHOR LIBERTA OS JUSTOS DE TODAS AS ANGÚSTIAS!

    Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

    Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

    Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

    Evangelho: Mateus (Mt 6, 19-23)

    ONDE ESTÁ O TEU TESOURO, AÍ ESTARÁ TAMBÉM O TEU CORAÇÃO

    Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: [19]"Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. [20]Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. [21]Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

    [22]O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho é sadio, todo o teu corpo ficará iluminado. [23]Se o teu olho está doente, todo o corpo ficará na escuridão. Ora, se a luz que existe em ti é escuridão, como será grande a escuridão. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    ONDE ESTÁ O TEU CORAÇÃO?

    A opção que o discípulo fez pelo Reino de Deus revela-se no cotidiano de sua existência. Suas escolhas e preferências são um indicador seguro desta opção que norteia todo o seu agir. Desta forma, fecha-se a porta para a hipocrisia, pois o modo de agir do discípulo revelará onde ele colocou o seu coração.

    Se foi em Deus, o discípulo jamais absolutizará os tesouros terrenos, que podem enferrujar, ser destruídos ou roubados. O apego desmedido aos bens materiais, com os quais se busca segurança, a salvo de qualquer contratempo, não combina com a confiança na Providência divina. É ilusório contar com eles, por que não servem para consolidar a comunhão do discípulo com Deus. Pelo contrário, podem até se tornar um empecilho.

    O discípulo sensato busca os tesouros celestes. Como se identificam esses tesouros? Não se trata de algo que está posto no céu, fora da nossa realidade. Tesouro celeste é tudo que contribui para aprofundar os laços entre Deus e o discípulo do Reino. Correspondem a experiências terrenas, mas que transcendem a história. A misericórdia, a solidariedade, a partilha, o perdão, a reconciliação, e atitudes afins, são os tesouros verdadeiros que o discípulo deve desejar. Ao valorizá-los, ele dá testemunho de onde está colocado o seu coração. Neste caso, estará seguramente posto em Deus, por estar voltado para o próximo.

    SÃO JOÃO FISHER (3)

    Aos 14 anos já era o estudante que mais se sobressaia. Aos 20 foi nomeado professor do colégio São Miguel. Doutorou-se na famosa Universidade de Cambridge, e aos 22 anos, obteve a dispensa da falta de idade, e foi ordenado sacerdote. Pouco depois recebeu o nomeação de vice-chanceler ou vice-reitor da grande universidade. Em 1504, foi eleito nosso santo como bispo de Rochester, quando somente tinha 35 anos.

    E ele, como cumpria sempre com as responsabilidades que lhe confiavam, dedicou-se a este ofício com a todas as forças de sua forte personalidade. Com um entusiasmo não muito freqüente em sua época, dedicou-se a visitar todas e cada uma das paróquias para observar se cada um estava cumprindo com seu dever, e animar aos não muito entusiastas.

    Aos sacerdotes insistia na grave responsabilidade de cumprir com muita exatidão seus deveres sacerdotais. Ia pessoalmente visitar aos mais pobres. Dedicava, além disso, muitas horas ao estudo e a escrever livros. Fizeram-se muito famosos seus discursos fúnebres na morte do rei Henrique VII e no funeral da rainha Margarida. Mesmo sendo bispo e além disso chanceler da universidade, levava uma vida tão austera como a de um monge. Não dormia mais da seis horas. Fazia fortes penitências.

    Quando Lutero começou a difundir os erros dos protestantes, o bispo Fisher foi eleito para atacar tão fatais erros, e escreveu quatro livros para combater os erros dos luteranos. Em um Sínodo de Inglaterra, o bispo Fisher protestou fortemente contra a mundanismo de alguns eclesiásticos, e a vaidade, daqueles que buscavam altos postos e não a verdadeira santidade.

    Quando o rei Henrique VIII se dispôs divorciar de sua legítima esposa e casar-se com sua concubina Ana Bolena, o bispo João Fisher foi o primeiro a opor-se. E ainda que muitas altas personagens, por conservar a amizade do rei, declararam que esse divórcio poderia ser feito, João, ainda em perigo de perder suas responsabilidades e ser condenado à morte, declarou publicamente que o matrimônio católico é indissolúvel.

    O terrível rei Henrique VIII declarou-se então chefe supremo da Igreja na Inglaterra em substituição ao Sumo Pontífice, e todos os que desejavam conservar suas altos postos na governo e na Igreja, o apoiaram. Porém João Fisher declarou que isto era absolutamente errado e em pleno Parlamento exclamou: "Querer substituir ao Papa de Roma pelo rei de Inglaterra, como chefe de nossa religião é como gritar um 'morra' à Igreja Católica". As ameaças dos inimigos começaram a chegar sobre ele. Por duas vezes levaram-no ao presídio.

    Outra vez trataram de o envenenar. Inventaram sobre ele toda classe de calúnias, e como não o conseguiram intimidar, mandaram-no encerrado na Torre de Londres. Tinha então 66 anos. Estando na prisão, recebeu do sumo Pontífice a nomeação de Cardeal. O ímpio rei exclamou: "Mandaram-lhe o chapéu de Cardeal, porém não poderá colocar, porque eu lhe mandarei cortar a cabeça". E assim foi. Em 17 de junho de 1535 leram-lhe a sentença de morte.

    O rei Henrique VIII mandava matá-lo para não aceitar o divórcio e para não aceitar que o rei substituísse ao Papa na governo da Igreja Católica. Ao chegar ao local onde lhe iriam cortar a cabeça, o venerável ancião dirige-se à multidão e lhes diz a todos que morrem por defender à Santa Igreja Católica fundada por Jesus Cristo. Recita o "Tedeum" em ação de graças e, morre.

    -----------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 Associação do Senhor Jesus (http://www.zinester.com/lr/920933/24964650)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    O HOMEM DE CORAÇÃO PURO E MÃOS INOCENTES É DIGNO DE SUBIR À MONTANHA DO SENHOR E DE PERMANECER EM SEU SANTUÁRIO.

     

    Quinta-feira, 21de junho de 2007

    São Luiz Gonzaga, Religioso (memória), 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

    O homem de coração puro e mãos inocentes é digno de subir à montanha do Senhor e de permanecer em seu santuário. (Sl 23, 4.3)

    O valor da mocidade depende da causa a cujo serviço ela for posta. (Tristão de Athayde)

    Hoje: Dia do Profissional de Mídia

    Santos: Luis Gonzaga (padroeiro celeste da juventude cristã), Demétrio, Albano, Leufredo (mundador do Mosteira La Croix-Saint-Leufroy), Eusébio (bispo de Samostata, na Síria)

    Oração: Ó Deus, fonte dos dons celestes, reunistes no jovem Luís Gonzaga a prática da penitência e a admirável pureza de vida. Concedei-nos, por seus méritos e preces, imitá-lo na penitência, se não o seguimos na inocência. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

    I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 11, 1-11)

    O APÓSTOLO DE COMPARA AOS SEUS ADVERSÁRIOS

    Irmãos, [1]oxalá pudésseis suportar um pouco de insensatez, da minha parte. Na verdade, vós me suportais. [2]Sinto por vós um amor ciumento semelhante ao amor que Deus vos tem. Fui eu que vos desposei a um único esposo, apresentando-vos a Cristo como virgem pura.

    [3]Porém, receio que, como Eva foi enganada pela esperteza da serpente, também vossos pensamentos se corrompam, afastando-se da simplicidade e pureza devidas a Cristo. [4]De fato, se aparece alguém pregando outro Jesus, que nós não pregamos, ou prometendo um outro Espírito, que não recebestes, ou anunciando um outro evangelho, que não acolhestes, vós o suportais de bom grado.

    [5]No entanto, entendo que em nada sou inferior a esses "super-apóstolos"! [6]Mesmo que eu seja inábil na arte de falar, não o sou quanto à ciência: eu vo-lo tenho demonstrado em tudo e de todas as maneiras. [7]Acaso cometi algum pecado, pelo fato de vos ter anunciado o evangelho de Deus gratuitamente, humilhando-me a mim mesmo para vos exaltar? 8Para vos servir, despojei outras Igrejas, delas recebendo o meu sustento.

    [9]E quando, estando entre vós, tive alguma necessidade, não fui pesado a ninguém, pois os irmãos vindos da Macedônia supriram as minhas necessidades. Em todas as circunstâncias, cuidei - e cuidarei ainda - de não ser pesado a vós. [10]Tão certo como a verdade de Cristo está em mim, essa minha glória não me será arrebatada nas regiões da Acaia. 11E por quê? Será porque eu não vos amo? Deus o sabe! Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    ANUNCIEI-VOS, GRATUITAMENTE, O EVANGELHO DE DEUS

    Nossa mentalidade "tecnicista" nos predispõe ao mito da novidade. Habituados a ver sucederem-se vertiginosamente os métodos de trabalho, somos levados a crer que o novo é sempre o melhor, inclusive no plano dos valores. Em nosso inconsciente, pensamos aos valores como nos automóveis: quando se começa a produzir o último modelo, deve cessar automaticamente o fabrico do precedente. Entre o antigo e o novo, normalmente nos achamos predispostos ao novo, opondo-lhe o antigo.

    Também para a vida cristão pode-se ter a mesma mentalidade. Começa-se então a estabelecer distinção entre evangelho e evangelho, entre Cristo e Cristo. Se rebaixamos a Palavra a simples palavra (com minúscula), afogamo-la em nosso mundo achacado de retórica, mundo da incomunicabilidade e da inflação das palavras.

    Salmo: 110 (111), 1-2.3-4.7-8 (R/7a)

    VOSSAS OBRAS, Ó SENHOR; SÃO VERDADE E SÃO JUSTIÇA

    Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

    Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

    Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.

    Evangelho: Mateus (Mt 6, 7-15)

    ASSIM DEVEIS REZAR: PAI NOSSO...

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7"Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus.

    11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    FAÇA-SE A SUA VONTADE

    Nas entrelinhas do Pai-Nosso, escondem-se dois elementos da vontade do Pai que devem ser postos em prática pelos discípulos do Reino: o saber-se filho e o saber-se irmão e irmã. Filiação e fraternidade são dois eixos fundamentais na vida dos seguidores de Jesus.

    Saber-se filho significa colocar o Pai celeste como centro da própria vida, sem dar lugar a nenhuma forma de idolatria. A vida do filho é polarizada pela vontade do Pai. Ela é o imperativo de sua ação.

    Saber-se irmão e irmã significa colocar-se em pé de igualdade com o semelhante. A fraternidade leva o discípulo a recusar toda forma de tirania e opressão, que rebaixa o ser humano, sem reconhecer a dignidade que lhe é própria. Pelo contrário, a fraternidade gera partilha e perdão, fazendo com que todos tenham o alimento necessário para viver, e colocando um basta às divisões, entre irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai do Céu.

    A ação do maligno visará sempre minar esses pilares da vida do discípulo, levando-o a ser infiel ao Pai, para adotar deuses estranhos, como os bens materiais, o prazer, a fama e tantos outros, e a romper com a fraternidade, recorrendo à vingança, à mentira, ao ódio, e, em certos casos, até à indiferença.

    O pai-nosso descortina, para quem o reza, um horizonte diferente, no qual, o Pai e o próximo tornam-se um apelo irrecusável. Sem isto, reduz-se a um punhado de palavras vazias.

    SÃO LUÍS GONZAGA (3)

    Veneramos hoje o santo que se tornou o símbolo da pureza e foi declarado o protetor da juventude: São Luís Gonzaga. Nascido em Castiglione, em 1568, era filho primogênito do Marquês de Castiglione, parente próximo do Duque de Mântua e de São Carlos Borromeu. Sua formação foi de acordo com sua categoria de príncipe: armas, estudos humanísticos, etiqueta e cortesia. No entanto, sua piedosa mãe cuidou de lhe proporcionar boa base de educação cristã.

    Como primogênito, com direito à sucessão aos títulos honoríficos, herdeiro do feudo do pai, foi enviado às mais brilhantes cortes do tempo. Esteve alguns anos na corte aristocrática dos Médici de Florença, na corte do Duque de Mântua e, finalmente, na corte mais faustosa do mundo, a do rei e imperador da Espanha, como pajem de honra do primogênito do rei Filipe II.

    O pai se comprazia com a inteligência aberta e a habilidade diplomática de Luis e já pensava com orgulho no seu sucessor.

    Mas, já desde muito tempo, o coração de Luís não estava preso às seduções do mundo, às honras do poder terreno. Com doze anos, em Florença costumava rezar perante a Imagem de Nossa Senhora da Anunciação, em Santa Maria in Fiori, e lá ofereceu a Nossa Senhora sua virgindade. Aos quinze anos, estando na luxuosa corte de Madri, concebeu o desejo de se consagrar a Deus na vida religiosa, renunciando para isso aos direitos do principado.

    "Em meio ao luxo da corte, levava vida de oração tão profunda que em breve alcançou a mais alta contemplação. Como preservação de sua pureza e sua vida interior contra as seduções, praticava uma penitência rigorosa, disciplinando-se três vezes por semana até derramar sangue. Seu pai, o marquês, opôs-se decididamente a seu pedido de entrar na Companhia de Jesus.

    Eram tantas as esperanças que tinha depositado no seu primogênito, tão esplendidamente dotado de inteligência, caráter e tino diplomático! A renúncia de Luís, por outra parte, fazia com que o principado recaísse no segundo filho Rodolfo, completamente destituído das qualidades necessárias para governar. Luís o sabia, e isso tornava tanto mais angustiante sua escolha. Luís, porém, não cedeu. Durante quatro anos, manteve sua resolução frente às pressões e repressões de seu pai. O marquês teve finalmente que ceder, ao perceber que Luís se disciplinava até ao sangue

    Renunciando para sempre a seus direitos de herdeiro do principado, em favor do irmão menor, com 19 anos, seguiu para Roma a fim de ingressar no noviciado dos jesuítas.

    Os quatro anos que viveu na Companhia de Jesus serviram-lhe para aprofundar ainda mais sua doação total a Deus e seu desejo de entregar-se por completo à salvação do próximo. Por isso, quando em 1591 a peste invadiu Roma, onde estudava teologia, dedicou-se sem reservas ao serviço dos empestados. Seu organismo, já depauperado por uma vida tão intensa e mortificada, não pôde resistir a este novo esforço. Assim falecia, tomado pela doença virulenta e pelo esgotamento. Tinha então 23 anos.

    A profundidade de sua vida interior, em circunstâncias difíceis, sua admirável coragem em defender a vocação, seu alto conceito da castidade, sua dedicação até à morte aos pobres e doentes, fizeram dele um dos modelos mais perfeitos da juventude. Foi beatificado em 1605, 14 anos após a morte, estando ainda viva sua mãe! Seu culto é um dos mais difundidos e populares em todo o mundo católico.

    -------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 O SANTO DO DIA, Don Servilio Conti, ©Vozes, 1997

    4 Arcebispo de Uberaba, MG (Fonte: CNBB)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    O SENHOR É A MINHA SALVAÇÃO, A QUEM PODERIA EU TEMER?

     

    Domingo, 17 de junho de 2007

    11º Do Tempo Comum (Ano "C"), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    O Senhor é a minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremer? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2).

    Hoje: Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca

    Santo: Bessário (anacoreta, discípulo de Santo Antão e de São Macário de Cétia), Ismael, Manuel, Rainério, Adélia, Hervê (monge cego que era guiado por um lobo, da Bretanha), Maria a Miserável, Odo de Cambrai, Nicandro e Marciano (mártires, na Campânia), Antídio (Bispo de Besançon), Hipácio (abade, Calcedônia), Avito (Auvergne), Ranieri (Pisa)

    Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    1ª Leitura: II Livro de Samuel (2Sm 12,7-10.13)

    O SENHOR PERDOOU O TEU PECADO

    Naqueles dias, [7]Natã disse a Davi: "Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu te ungi como rei de Israel, e salvei-te das mãos de Saul. [8]Dei-te a casa do teu senhor e pus nos teus braços as mulheres do teu senhor, entregando-te também a casa de Israel e de Judá; e, se isto te parece pouco, vou acrescentar outros favores. [9]Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias, para fazer da sua mulher a tua esposa, fazendo-o morrer pela espada dos amonitas. [10]Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa".

    [13]Davi disse a Natã: "Pequei contra o Senhor". Natã respondeu-lhe: "De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento, o filho que te nasceu morrerá". Palavra do Senhor!

    Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R/.cf.5c)

    EU CONFESSEI, AFINAL, MEU PECADO E PERDOASTES, SENHOR, MINHA FALTA

    Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!

    Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: "Eu confessarei meu pecado!" E perdoastes, Senhor, minha falta.

    Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo. Regozijai-vos, ó justos, em Deus, e no Senhor exultai de alegria! Corações retos, cantai jubilosos!

    II Leitura: Carta de Paulo aos Gálatas (Gl 2, 16.19-21 )

    EU VIVO, MAS NÃO EU, É CRISTO QUE VIVE EM MIM

    Irmãos, [16]sabendo que ninguém é justificado por observar a lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo, nós também abraçar-nos a fé em Jesus Cristo. Assim fomos justificados pela fé em Cristo e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado. [19]Aliás, foi em virtude da lei que eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Com Cristo, eu fui pregado na cruz.

    [20]Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. [21]Eu não desprezo a graça de Deus. Ora, se a justiça vem pela lei, então Cristo morreu inutilmente. Palavra do Senhor!

    Evangelho: Lucas (Lc 7, 36-8,3)

    OS MUITOS PECADOS QUE ELA COMETEU ESTÃO PERDOADOS, PORQUE ELA MOSTROU MUITO AMOR

    Naquele tempo, [36]um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, [38]e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-o com os cabelos, cobria-os de beijo e os ungia com o perfume. 39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: "Se este homem fosse profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é pecadora".

    [40]Jesus disse então ao fariseu: "Simão, tenho uma coisa para te dizer". Simão respondeu: "Fala, mestre!" [41]"Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinqüenta. [42]Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?" [43]Simão respondeu: "Acho que é aquele ao qual perdoou mais". Jesus lhe disse: "Tu julgaste corretamente".

    [44]Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: "Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. [45]Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. [46]Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. [47]Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor". [48]E Jesus disse à mulher: "Teus pecados estão perdoados".

    [49]Então, os convidados começaram a pensar: "Quem é este que até perdoa pecados?" 50Mas Jesus disse à mulher: "Tua fé te salvou. Vai em paz!" [8,1]Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus. Os doze iam com ele; [2]e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; [3]Joana, mulher de Cuza, alto funcionários de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. Palavra da Salvação!

    O AMOR GRATUITO DE DEUS VENCE O PECADO (1)

    Um dos temas fundamentais do evangelho de Lucas é a manifestação que Jesus faz de si mesmo, como aquele que salva os pecadores. Neste sentido, ele já se proclama Deus, porque os judeus têm consciência de que só Deus pode perdoar os pecados.

    O pecado é a morte do homem

    "O pecado é recusa de comunhão com Deus e desagregação do povo que Deus convocou, ofensa a Deus e, portanto, verdadeira e radical alienação do homem" (RdC 93). O pecado é a morte do homem. O homem está mais próximo de si mesmo quanto mais o estiver dos outros; só se encontra a si mesmo saindo de si; só chega a ser ele mesmo através dos outros. Isso, porém, se verifica num nível extremamente profundo.

    De fato, se o outro é apenas um indivíduo qualquer, pode mesmo tornar-se causa de irreparável perdição para o homem. O ser humano é, em última análise, pré-ordenado ao outro, mas ao Outro por antonomásia, isto é, a Deus; e quanto mais próximo de si está, tanto mais o está de Deus. Ao contrário, o "fechamento" a Deus "desintegra" o homem. O pecado, enquanto recusa a Deus, é recusa da "fonte da vida"; é, portanto, morte. A morte física é o sinal e a visibilização da morte da pessoa. O pecado é incomunicabilidade, é solidão. No interior do pecado há uma dinâmica de morte.

    A escravidão, a fome, a miséria, a infância abandonada, a vontade de destruição que vai da luta de faca à explosão atômica e aos armamentos, são os sinais visíveis do pecado (1ª leitura).

    O impossível ao homem é possível a Deus

    O homem pode tirar a própria vida (não só a biológica) e pode tirá-la aos outros, mas não pode restituí-la a si nem aos outros. Não pode recolocar-se em comunicação com Deus; é uma impossibilidade absoluta radical. Só Deus pode perdoar os pecados (Lc 7,49).

    O que é impossível ao homem é possível a Deus. Cristo, perdoando, é a revelação de Deus como amor-absoluto, gratuito, como amor apesar de tudo, como "aceitação" radical do homem, como amor que restitui a vida. Jesus destrói a falsa imagem do Deus no qual "santidade" quereria dizer um "não" absoluto ao pecador. Deus e não absoluto ao pecado, mas não ao pecador.

    O homem, para viver, tem necessidade de estar na verdade do seu ser. E a verdade é que ele é pecador. Deve destruir a falsa consciência de ser justo, deve ter a consciência de ser doente, para chamar o médico. Não há pior doente do que o que se crê são. É preciso sentir-se pecador.

    O homem, libertado pelo amor de Deus, torna-se libertador

    Mas então, que pode fazer o homem pecador?

    "Crer" que é pecador, que está morto (Natan ajuda Davi a tomar consciência disso) e crer no amor de Deus que nos é oferecido em Jesus. A salvação é a fé em Jesus (2ª leitura).

    Quem "aceita" ser amado gratuitamente, sem mérito seu, vive, torna-se capaz de amar e de enfrentar a vida. A experiência do perdão recebido é a experiência do grande amor de Deus. O maior pecado perdoado revela o maior amor (evangelho). O ser perdoado é o motivo mais forte para amar mais a Deus e ao próximo. Para viver, temos mais necessidade do perdão de Deus do que do pão que comemos.

    Se o pecado é a verdadeira, radical alienação do homem, a raiz única e profunda de qualquer outra alienação, o perdão de Deus é a verdadeira força de libertação do homem. E o homem libertado pelo amor de Deus se torna libertador.

    Hoje há uma grande necessidade de renovação no mundo. Todos vêem que muita coisa vai mal. Os jornais nos oferecem a ração cotidiana da perversidade e dos sofrimentos do homem. Há porém, no mundo um grande esforço para torná-lo mais humano, para vencer as forças do mal. Procura-se libertar o homem da ignorância, da fome, das doenças, da exploração, das estruturas opressivas. Mas será suficiente o esforço humano, dos indivíduos e da sociedade, para criar um homem novo, um mundo novo?

    Bastará fazer leis mais justas, mudar as estruturas? O mal de que o homem deve ser libertado está "dentro" do homem.

    A luta do homem é necessária, mas insuficiente.

    O sacramento da penitência é o lugar em que o cristão encontra o amor de Deus que perdoa e renova; é ai que ele volta a ser filho de Deus e irmão do homem. Aproximar-se do sacramento da penitência é reconhecer a radical insuficiência para salvar de si mesmo a própria vida, é abrir-se para acolher o amor eficaz de Deus, é empenhar-se por levar ao mundo a novidade do amor.

    --------------

    1 MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembléia Cristã, pgs. 228-229, ©Paulus, 1995

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    MEU CORAÇÃO EXULTA PORQUE ME SALVAIS. CANTAREI AO SENHOR PELO BEM QUE ME FEZ.

     

    Sábado, 16 de junho de 2007

    Imaculado Coração de Maria (Memória), Ano "C", 2ª do Saltério (Livro III), cor Branca

    Meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez (Sl 12,6)

    O coração de Maria, no momento da encarnação do Verbo, se tornou como que o centro do mundo. (Frei Battistini)

    Santos: Nossa Senhora do Carmo (ou N.Srª do Monte Carmelo), Maria Madalena Postel, Vitalino, Hilarino, Atenogênio (bispo de Sebaste, na Armênia), Sisenando (Córdova), Bartolomeu dos Mártires

    Oração: Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Imaculado Coração de Maria, concedei que, por sua intercessão, nos tornemos um templo da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    Leitura: Isaías (Is 61, 9-11)

    EXULTO DE ALEGRIA NO SENHOR

    [9]A descendência do meu povo será conhecida entre as nações, e seus filhos se fixarão no meio dos povos; quem os vir há de reconhecê-los como descendentes abençoados por Deus. [10]Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas jóias. [11]Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações. Palavra do Senhor!

    Comentário da I Leitura

    BOA NOVA PARA OS POBRES

    Num contexto mais amplo essa passagem nos leva, de fato, a Is 61, 1-11. Ela exemplifica mais uma vez a preocupação do profeta com os pobres, preocupação proeminente em Is 58 e 59. Entretanto, a importância da passagem transcende seu contexto historio. Ela apresenta um resumo conciso da missão de um servo de Deus em qualquer época. É missão para elevar a camada inferior da sociedade. O Evangelho de Lucas traz Jesus lendo este texto, com variações mínimas, no início de sua missão (Lc 4, 17-19)

    No versículo 61,11 o mais importante é a bênção da justiça para distinguir a descendência escolhida. A maldição do pecado será anulada (Is 59, 9-15); a nova videira dará fruto esperado (Is 5,7); em virtude dela, serão Carvalhos do Justo (Is 61,23). A cidade feita um jardim de justiça, começa a ressoar cânticos de louvor que outros povos escutam; porque o louvor sem a justiça não era aceito. A cidade poderá chamar-se Cidade Fiel (Is 1,26) e as portas, Louvor (Is 60,18)

    Cântico: 1Sm 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R/.cf.1a)

    MEU CORAÇÃO SE REGOZIJA NO SENHOR

    Exulta no Senhor meu coração, e se eleva a minha fronte no meu Deus; minha boca desafia os meus rivais porque me alegro com a vossa salvação.

    O arco dos fortes foi dobrado, foi quebrado, mas os fracos se vestiram de vigor. Os saciados se empregaram por um pão, mas os pobres e os famintos se fartaram. Muitas vezes deu à luz a que era estéril, mas a mãe de muitos filhos definhou.

    E o Senhor quem dá a morte e dá a vida, faz descer à sepultura e faz voltar; é o Senhor quem faz o pobre e faz o rico, é o Senhor quem nos humilha e nos exalta.

    O Senhor ergue do pó o homem fraco, do lixo ele retira o indigente, para fazê-los assentar-se com os nobres num lugar de muita honra e distinção.

    Evangelho: Lucas (Lc 2, 41-51)

    Teu Pai e eu estávamos angustiados, à tua procura

    [41]Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da páscoa. [42]Quando ele completou doze anos, subiram para festa, como de costume. [43]Passados os dias da páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. [44]Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos.

    [45]Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. [46]Três dias depois, o encontraram no templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. [47]Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. [48]Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: "Meu filho, por que agiste assim conosco?"

    Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura". [49]Jesus respondeu: "Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?" [50]Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. [51]Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. Palavra da Salvação!

    Comentando o Evangelho (1)

    O MENINO NO TEMPLO

    Jesus completa a idade em que assume suas obrigações legais: a marca inicial da circuncisão desemboca na entrega da lei. Esta submete agora com mais autoridade que o pátrio poder. Cheio de sabedoria e graça, dá uma lição dolorosa a seus pais, contrastando duas paternidades. Dá também uma lição aos doutores da lei no templo de Jerusalém.

    Jesus é filho carnal de Maria, pela qual está ligado fisicamente à humanidade. Está ligado a ela por afeto e submissão filial. Mas essa relação fica relativizada e submetida a outra superior. Jesus é filho legal de José, pelo qual fica registrado oficialmente como descendente de Davi. Mas também a sua relação com José fica relativizada e submetida à relação de Jesus com o Pai.

    O adolescente está cortando muitos vínculos com um só gesto, que por isso se torna espetacular e dramático, como ação simbólica. Não pede permissão, porque recebe ordens diretamente do Pai. Maria e José ficam implicados, têm que contribuir, com a sua angústia e dor, para a trama: no final, esses atores não compreenderam completamente. O relato de Lucas põe em primeiro plano a relação suprema e misteriosa de Jesus com o Pai.

    A DEVOÇÃO AO CORAÇÃO DE MARIA

    A devoção ao Coração de Maria é análoga ao Sagrado Coração de Jesus, e consiste na veneração ao seu coração carnal, unido à pessoa dela, como símbolo do amor, especialmente o seu amor para com o Divino Filho, suas virtudes e sua vida interior. Esta devoção foi incentivada por S. João Eudes, no século XVII e o Papa Pio VII a permissão para festa no ano de 1805. Motivado pelas aparições de Fátima, o Papa Pio XII, em 31 de outubro de 1942 consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria e em 4 de maio de 1944 determinou que a sua festa fosse celebrada em todas as Igrejas do Ocidente no oitavo dia da Assunção. O Papel de Maria é universal e Ela é a Mãe da Igreja como nos fala a Constituição Dogmática "Lumen Gentium".

    E ainda: "Enquanto na Beatíssima Virgem a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga (Ef 5,27), os cristãos ainda se esforçam para crescer em santidade vencendo o pecado. Por isso elevam seus olhos a Maria que refulge para toda a comunidade dos eleitos como exemplo de virtudes. Piedosamente nela meditando e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, a Igreja penetra com reverência mais profunda no sublime mistério da Encarnação, assemelhando-se mais e mais ao Esposo." (LG 155/65 ) Uma mulher sem máscara!

    ----------------

    1 Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    ESTES SAÕ HOMENS SANTOS QUE SE TORNARAM AMIGOS DE DEUS.

     

    Sábado, 9 de junho de 2007

    José de Anchieta, BV (presbítero), memória 1ª do Saltério (Livro III), cor Verde

    Estes são homens santos que se tornaram amigos de Deus, gloriosos arautos de sua mensagem.

    As palavras só como moedas: uma pode valer por muitas, e muitas não valer por uma.(Francisco de Quevedo)

    Hoje: Dia Nacional de Anchieta, Apóstolo do Brasil, e dia do Tenista

    Oração: Derramai, Senhor, sobre nós a vossa graça, a fim de que, a exemplo do bem-aventurado José de Anchieta, apóstolo do Brasil, sirvamos fielmente ao evangelho, tornando-nos tudo para todos, e nos esforcemos em ganhar para vós nossos irmãos no amor de Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Tobias (Tb 12, 1.5-15.20)

    PÔR NOSSA CONFIANÇA EM DEUS

    Naqueles dias, [1]Tobit chamou Tobias, seu filho, e disse-lhe: "Filho, paguemos o salário ao homem que viajou contigo, acrescentando uma gratificação". [5]Tobias chamou, pois, o anjo e disse-lhe: "Recebe como salário a metade de tudo o que trouxeste ao voltar, e vai em paz". [6]Então Rafael chamou os dois à parte e disse-lhes: "Bendizei a Deus e dai-lhe graças, diante de todos os viventes, pelos benefícios que vos concedeu. Bendizei e cantai o seu nome. Manifestai a todos os homens as obras de Deus, como é justo, e não hesiteis em expressar-lhe o vosso reconhecimento. [7]Se é bom guardar o segredo do rei, é justo revelar e publicar as obras de Deus. Fazei o bem, e o mal não vos atingirá.

    [8]É valiosa a oração com o jejum, e a esmola com justiça, do que muito com iniqüidade. Melhor é dar esmolas, do que acumular tesouros. [9]A esmola livra da morte e purifica de todo pecado. Os que dão esmola serão saciados de vida. [10]Aqueles, porém, que cometem o pecado e a injustiça, são inimigos de si mesmos. [11]E agora vos manifestarei toda a verdade, sem vos ocultar coisa alguma. Já vos declarei e disse: "É bom guardar o segredo do rei, mas as obras de Deus devem ser reveladas, com a glória devida".

    [12]Pois bem, quando tu e Sara fazíeis oração, eu apresentava o memorial da vossa prece diante da glória do Senhor. E fazia o mesmo quando tu, Tobit, enterravas os mortos. [13]Quando não hesitaste em levantar-te da mesa, deixando a refeição e saindo para sepultar um morto, fui enviado a ti para te pôr à prova. [14]Mas Deus enviou-me, também, para te curar a ti e a Sara, tua nora. [15]Eu sou Rafael, um dos sete anjos que permanecem diante da glória do Senhor e têm acesso à sua presença". [20]Agora, bendizei o Senhor sobre a terra e dai graças a Deus. Eis que subo para junto de quem me enviou. Escrevi tudo o que vos aconteceu". E o anjo desapareceu. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    AGORA, BENDIZEI O SENHOR

    Esta revelação do "sentido" de toda a história de Tobias e de sua família é um presságio do que acontecerá no fim de toda existência humana, quando cada um verá a luz de Deus os fios de sua vida. Isto será para ele a fonte de sua eterna felicidade. O livro de Tobias nos convida, pois, a erguermos o olhar e entrever o que Deus faz por nós. São quatro mensagens. Antes de tudo o "agradecimento", que para nós, cristãos, tem um sentido profundamente "eucarístico": Jesus agradeceu ao Pai poder dar-se a nós em dom tão completo.

    Deus nos "protege" fazendo-nos "ser bons, virtuosos, operadores do bem. Daí a certeza de que toda prece ou boa ação nossa é "apresentada" a Deus, não é coisa anônima, perdida entre tantas, tem um nome, um valor, é cara a Deus. Enfim, exatamente por isso, Deus nos "prova", nos "experimenta" como o outro, para levar-nos a maior pureza, gratificar-nos e premiar-nos mais.

    Salmo: 145 (146), 2abc.7.8-9a.9bc-10 (+1b)

    BENDITO SEJA DEUS, QUE VIVE ETERNAMENTE!

    Porque vós castigais e salvais, fazeis descer aos abismos da terra, e de lá nos trazeis novamente: de vossa mão nada pode escapar.

    Compreendei o que fez para nós, dai-lhe graças, com todo o respeito! Vossas obras celebrem a Deus e exaltem o Rei sempiterno!

    Eu desejo, de toda a minha alma alegrar-me em Deus, Rei dos céus.

    Bendizei o Senhor, seus eleitos, fazei festa e alegres louvai-o!

    Evangelho: Marcos (Mc 12, 38-44)

    ESTA POBRE VIÚVA DEU MAIS DO QUE TODOS OS OUTROS

    Naquele tempo, [38]Jesus dizia, no seu ensinamento, à multidão: "Tomai cuidado com os doutores da lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; [39]gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. [40]Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação".

    [41]Jesus estava sentado no templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. [42]Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. [43]Jesus chamou os discípulos e disse: "Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. [44]Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver". Palavra da Salvação!

    Comentando o Evangelho (2)

    A GENEROSIDADE LOUVADA

    O contraste entre a oferta dos ricos e a da pobre viúva foi sublinhado, de propósito, por Jesus. Dois gestos, materialmente idênticos, escondiam diferenças significativas. A oferta do rico, maior em quantidade, não tinha a qualidade da oferta da viúva: a primeira provinha do supérfluo, a segunda da penúria e significava abrir mão do próprio sustento. A generosidade do rico revelou exibição, enquanto a da viúva tinha a consistência de um gesto feito de coração.

    A observação de Jesus deixava transparecer sua simpatia e predileção pelos pobres. A humildade e simplicidade destes tornavam-nos abertos para Deus, a ponto de se esquecerem de si mesmos e de suas necessidades materiais. A total confiança na misericórdia divina levava-os a se mostrarem desapegados mesmo daquilo que lhes era necessário para sobreviver.

    Desta maneira, os pobres mostravam-se mais predispostos a acolher o Reino de Deus. Por não estarem apegados aos bens materiais, deixavam espaço aberto para Deus se tornar Senhor de suas vidas. Jesus dava-se conta de como a pobreza gerava liberdade, possibilitando a ação do Reino.

    Louvando o gesto daquela pobre viúva, Jesus denunciava o daqueles que acreditavam poder comprar a benevolência divina com esmolas generosas.

    BEATO JOSÉ DE ANCHIETA (3)

    Aos 14 anos ingressou no Colégio de Artes, anexo à Universidade em Coimbra, destacando-se como um dos melhores alunos e grande poeta. Compunha versos latinos com extrema facilidade e era chamado o "Canário de Coimbra". Em 1° de maio de 1551 ingressou à Companhia de Jesus e iniciou seus estudos de Filosofia. Devido a uma enfermidade em 1553 partiu de Tejo (Lisboa) para o Brasil, onde iniciou seu primeiro trabalho de catequese com os índios tupis.

    Tornou-se o braço direito do Padre Manuel da Nóbrega, que já estava no Brasil desde 1549. A vida do Padre Anchieta é um tecido de episódios milagrosos. Tal era o domínio que tinha sobre a natureza e sobre os animais que foi chamado "o Novo Adão". Converteu e batizou muitos milhares de indígenas e assentou as bases da civilização cristã na América portuguesa.

    Ajudou o Padre Nóbrega na fundação e consolidação da cidade de São Paulo. Teve papel eminente na expulsão dos calvinistas franceses da Baía da Guanabara e na fundação da cidade do Rio de Janeiro. É autor de um famoso poema latino dedicado à Imaculada Virgem, além de muitas obras poéticas e teatrais. Entre 1577 e 1587 foi designado como superior dos jesuítas no Brasil, incentivando ainda mais o trabalho nas escolas e a catequese com as crianças.

    Faleceu em 9 de junho de 1597, com a idade de 63 anos. Em 10 de agosto de 1736 o Papa Clemente XII declarou ao Pe. Anchieta como "Venerável". É autor de um famoso poema latino dedicado à Imaculada Virgem, além de muitas obras poéticas e teatrais. Foi beatificado em 1980. É chamado como "Apóstolo do Brasil".

    ----------------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

    3 Associação do Senhor Jesus (http://www.zinester.com/lr/908730/24964650)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    OLHAI PARA MIM SENHOR, E TENDE PIEDADE

     

    Sexta-feira, 8 de junho de 2007

    9ª Semana do Tempo Comum (ano impar), 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)

    Uma coisa é pensa no amanhã, e outra coisa é pensar no amanhã, não vivendo o dia de hoje. (Pe. José G. de Luna)

    Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Tobias (Tb 11, 5-17)

    FÉ AUTÊNTICA E CONFIANÇA EM DEUS, EIS O DESAFIO!

    Naqueles dias, [5]Ana estava sentada, observando atentamente o caminho por onde devia chegar seu filho. [6]Percebeu que ele se aproximava e disse ao pai: "Teu filho está chegando, e com ele o homem que o acompanhou". [7]Antes que Tobias se aproximasse do pai, Rafael lhe disse: "Estou certo de que seus olhos se abrirão. [8]Aplica-lhe nos olhos o fel do peixe. O remédio fará com que as manchas brancas se contraiam e se desprendam de seus olhos. Teu pai vai recuperar a vista e enxergará a luz". [9]Ana correu, atirou-se ao pescoço do filho e disse: "Voltei a ver-te, meu filho, agora posso morrer!" E chorou.

    [10]Tobit levantou-se e, tropeçando, atravessou a porta do pátio. [11]Tobias foi ao seu encontro, tendo na mão o fel do peixe. Soprou-lhe nos olhos e, segurando-o, disse: "Confiança, pai!" Derramou o remédio e esfregou-o. [12]Depois, com ambas as mãos, tirou-lhe as películas dos cantos dos olhos. [13]Então Tobit caiu-lhe ao pescoço, chorando e dizendo: "Eu te vejo, meu filho, luz de meus olhos!" [14]E acrescentou: "Bendito seja Deus! Bendito seja o seu grande nome! Benditos sejam todos os seus santos anjos por todos os séculos!

    [15]Porque, se ele me castigou, agora vejo o meu filho Tobias!" A seguir, Tobit entrou com Ana em sua casa, louvando e bendizendo a Deus em alta voz, por tudo o que lhes tinha acontecido. E Tobias contou ao pai como tinha sido boa a viagem deles, por obra do Senhor Deus, como haviam trazido dinheiro e como se tinha casado com Sara, filha de Ragüel. Aliás, ela já se aproximava das portas de Nínive. [16]Tobit e Ana alegraram-se muito e saíram ao encontro da nora, às portas da cidade. Vendo-o andar a passos largos e com toda a firmeza, sem que ninguém o conduzisse pela mão, os ninivitas se admiraram.

    [17]E diante deles Tobit louvava e bendizia a Deus em alta voz, por ter sido misericordioso para com ele e por lhe ter aberto os olhos. E, aproximando-se de Sara, mulher de seu filho Tobias, abençoou-a e disse: "Bem-vinda sejas, minha filha. E bendito seja o teu Deus, filha, que te trouxe para junto de nós! Abençoado seja o teu pai, abençoado o meu filho Tobias e abençoada sejas tu, minha filha! Entra em tua casa com saúde, a ti bênção e alegria! Entra, minha filha!"

    E naquele dia foi grande o contentamento entre todos os judeus que se encontravam em Nínive.. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    DEUS ME CASTIGOU E AGORA VEJO O MEU FILHO TOBIAS!

    Esta história edificante de família judaica no exílio pode tornar-se símbolo da história das famílias cristãs por entre as peripécias da vida. Sofrimento físico e moral, pobreza, separações não são uma fatalidade para quem tem fé; entram no plano misterioso e misericordioso de Deus. A confiança nele alivia sempre a dor; abre à esperança, torna-se prece, e esta esperança obtém muitas vezes êxito feliz, até na existência terrena.

    A fé é luz interior que faz ver, também quando os olhos estão apagados. As expectativas se realizam. Quantos pais e mãe aguardam o retorno dos filhos e os revêem numa nova luz! É uma esperança que tem em Cristo sua "luz": ele mostra em si próprio que o sofrimento aceito com fé deságua na ressurreição.

    Salmo: 145 (146), 2abc.7.8-9a.9bc-10 (+1b)

    OS QUE AMAM VOSSA LEI, TÊM GRANDE PAZ!

    Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos.

    Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei.

    Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar.

    Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.

    Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.

    Evangelho: Marcos (Mc 12, 35-37)

    JESUS QUESTIONA AS AUTORIDADES MAL-INTENCIONADAS

    Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: "Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés".

    37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?" E uma grande multidão o escutava com prazer. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    QUESTIONANDO UMA CRENÇA

    A crença de que o Messias descenderia de Davi vinha e longa data. No início da monarquia, Deus prometera suscitar para Davi um descendente que o sucedesse no trono, de maneira a consolidar a realeza. A relação entre Deus e o monarca seria como a de pai e filho: "Eu serei para ele um pai, e ele será meu filho". O Senhor comprometia-se a garantir a estabilidade do trono real de Israel, a fim de que subsistisse para sempre.

    O fim da monarquia deu lugar à crença de que, no final dos tempos, Deus haveria de suscitar um descendente de Davi, para restaurar Israel. Esta esperança messiânica era muito viva no tempo de Jesus. Aliás, ele mesmo foi identificado como filho de Davi.

    Contudo, Jesus olhava com reservas para esta antiga tradição, e a questionou servindo-se da citação de um salmo. Considerado do rei Davi, este salmo refere-se a alguém superior a seu autor: "Disse o Senhor ao meu Senhor". O Messias não seria um descendente de Davi, mas seu Senhor. Por conseguinte, deveria ser procurado fora da descendência davídica. Fixar-se na continuidade dinástica, ao longo dos tempos, poderia levar a identificações enganosas.

    Relativizado o critério davídico, Jesus sugere aos ouvintes perguntar-se por uma outra identidade do Messias. Não seria ele o Filho de Deus?

    SANTO EFRÉM (3)

    Efrém nasceu em 306 em Nisibina ou em seus arredores (Mesopotâmia), Depois de ter estudado junto ao bispo daquela cidade, Jacob (Jaime) se converteu no animador de uma escola de doutrina, poesia e canto. Refugiou-se em Edesa no ano 367, por causa da ocupação persa de Nisibina, e nela prosseguiu suas atividades de ensinamento, unidas a composição de muitos escritos exegéticos, catequéticos e hinos em siríaco. Sua exuberância poética era tão grande e tal o gosto dos sírios pela poesia, que muitas homilias estão compostas em versos. Recebeu o título de "Profeta dos Sírios" e "Cítara do Espírito Santo" e a tradição se alegrou em engrandecê-lo, ao estilo dos dois primeiros apotegmas, atribuindo-lhe a concessão milagrosa dos carismas da palavra, da sabedoria e também das lágrimas. A respeito dele foi escrito que era tão natural vê-lo chorar como respirar. Levou, desde muito jovem, juntamente com outros, vida comum na castidade, pobreza e penitência e retiro, compatível, não obstante, com o ensinamento e a pregação. Foi ordenado diácono, mas não sabemos exatamente quando. Muitos são os escritos sobre a sua vida, mas lamentavelmente, mistura-se muitos elementos lendários. Várias fontes revelam que se ocupou com grande generosidade a assistência aos enfermos, famintos, dando sepultura aos mortos numa época de grande miséria. Seja verdadeira ou não esta informação, é de grande significado, pois a Tradição queria transmitir dele um perfil completo, não só como grande escritor e compositor de hinos, como também, a imagem de um diácono entregue ao serviço dos mais necessitados.

    Morreu no ano 373, sendo tão venerado que rapidamente seus hinos e outros escritos foram introduzidos nas celebrações litúrgicas. Seus escritos foram traduzidos para o grego e latim e, com adaptações, introduzidos em muitíssimas recopilações; sob o impulso do grande, ainda que ingênuo, entusiasmo e amor que se lhe professava, atribuíram-lhe falsamente muitas obras que não o pertenciam.

    --------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 Vita e Detti dei Padri del Deserto, Cittá Nuova Editricci, Roma, 1990

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE VIVERÁ ENTERNAMENTE.

     

    Quinta-feira, 7 de junho de 2007

    Santíssimo Sangue e Corpo de Cristo (Ano C), 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

    O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o mel do rochedo o saciou (Sl 80,17)

    Santos: Antônio Maria Gianelli (bispo de Bobbio), Aventino de Bagnères (mártir), Colmano de Dromore (bispo), Deocaro de Herriedon (abade), Landulfo Variglia (monge, bispo de Asti), Licário do Egito (mártir), Meriadoc de Vannes (bispo), Meriadoc II de Vannes (bispo), Paulo de Constantinopla (bispo, mártir), Pedro, Wallabonso, Sabiniano, Wistremundo, Evêncio e Jeremias (monges, mártires de Córdova), Roberto de Newminster (abade), Vulflágio de Abbeville (eremita), Willibaldo de Eichstätt (bispo).

    Oração: Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    1ª Leitura: Gênesis (Gn 14, 18-20)

    TROUXE PÃO E VINHO

    Naqueles dias, [18]Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e como sacerdote do Deus altíssimo, [19]abençoou Abrão, dizendo: "Bendito seja Abrão pelo Deus altíssimo, criador do céu e da terra! [20]Bendito seja o Deus altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos!" E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo. Palavra do Senhor!

    Salmo 109 (110), 1.2.3.4 (R/.4bc)

    TU ÉS ETERNAMENTE SACERDOTE SEGUNDO A ORDEM DO REI MELQUISEDEQUE!

    Palavra do Senhor ao meu Senhor: "Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!"

    O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois ele diz: "Domina com vigor teus inimigos".

    'Tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!"

    Jurou o Senhor e manterá sua palavra: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!"

    II Leitura: I Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 11, 23-26 )

    TODAS AS VEZES QUE COMERDES E BEBERDES, ESTAREIS PROCLAMANDO A MORTE DO SENHOR

    Irmãos, [23]o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão [24]e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". [25]Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória". [26]Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Palavra do Senhor!

    Evangelho: Lucas (Lc 9, 11b-17)

    TODOS COMERAM E FICARAM SATISFEITOS

    Naquele tempo, [11b]Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o reino de Deus e curava todos os que precisavam. [12]A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: "Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto". [13]Mas Jesus disse: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Eles responderam: "Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente".

    [14]Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: "Mandai o povo sentar-se em grupos de cinqüenta". [15]Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. [16]Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. [17]Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram. Palavra da Salvação!

    Comentando o Evangelho do Dia (1)

    EUCARISTIA, FESTA DA PARTILHA

    O milagre da multiplicação dos pães põe em relevo uma dimensão irrenunciável da Eucaristia; a lição da partilha. Este é seu eixo principal.

    Como no deserto, tudo começa com a partilha da palavra. Jesus era incansável no seu afã de falar às multidões a respeito do Reino de Deus, revelando-lhes os mistérios, e abrindo-lhes as mentes e os corações para a grandeza inimaginável da misericórdia divina. As palavras de Jesus preenchiam um vazio na existência daquele povo, abandonado e desorientado, vagando como se fosse ovelhas sem pastor.

    A partilha da palavra segue a partilha do pão. Embora, na opinião dos discípulos, fosse mais prudente despedir as multidões, para irem comprar pães nos vilarejos próximos, o Mestre julgou mais conveniente que eles mesmos providenciassem o alimento necessário, sem se importar com a quantidade de pessoas. E aconteceu o milagre: a multidão foi saciada graças à iniciativa de Jesus, e sob sua orientação.

    A Eucaristia simboliza a partilha que deve acontecer no dia-a-dia do cristão. O pão-Jesus, recebido sacramentalmente, alimenta o discípulo para que esteja sempre disposto a partilhar. Seria contraditório receber Jesus eucarístico e permanecer fechado no próprio egoísmo, insensível às necessidades das outras pessoas. A festa da partilha eucarística deve ser prenúncio da festa da partilha no mundo.

    SANTO ANTÔNIO MARIA GIANELLI (2)

    Fundou a Congregação das Filhas de Maria (Irmãs Gianellinas) e a Congregação dos Missionários (ou Oblatos) de Santo Afonso de Ligório. Nomeado bispo de Bobbio, na Itália, reformou completamente essa diocese, afastando sacerdotes indignos e substituindo-os por outros formados segundo seu espírito inteiramente apostólico.

    Na Itália, venera-se SANTO ANTÔNIO GIANELLI, bispo de Bobbio e fundador de duas congregações religiosas. De extraordinário nada houve em sua vida, a não ser a fidelidade constante para com os deveres de estado. Foi por isso mesmo que Pio XII o canonizou, apresentando-o como modelo a toda a Igreja, por essa fidelidade nas coisas pequeninas. Viveu entre os séculos XVIII e XIX.

    ------------------

    1 EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

    2 Associação do Senhor Jesus (http://www.zinester.com/lr/905634/24964650)

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    SENHOR, TU ÉS A ROCHA ONDE FUNDAMENTO A MINHA VIDA...

     

    Terça-feira, 5 de junho de 2007

    São Bonifácio (Bispo e Mártir), Ofício de Memória, 1ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha

    Este santo lutou até a morte pela lei de seu Deus e não temeu as ameaças dos ímpios, pois se apoiava numa rocha inabalável

    A natureza não se defende, ela se vinga. (Joelmir betting)

    Hoje: Dia mundial da Ecologia e do Meio Ambiente.

    Oração: Interceda por nós, ó Deus, o mártir são Bonifácio para que guardemos fielmente e proclamemos em nossas obras a fé que ele ensinou com sua palavra e testemunhou com o seu sangue. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Tobias (Tb 2, 9-14)

    MESMO AS PESSOAS CORRETAS PODEM SER PROVADAS

    Eu, Tobias, na noite de Pentecostes, depois de ter sepultado um morto, [9]tomei banho, entrei no pátio de minha casa e deitei-me, junto à parede do pátio, deixando o rosto descoberto por causa do calor. [10]Não sabia que, na parede, por cima de mim, havia pardais aninhados. Seu excremento quente caiu nos meus olhos e provocou manchas brancas. Fui procurar os médicos para me tratarem. Quanto mais remédios me aplicavam, mais meus olhos se obscureciam com as manchas, até que fiquei completamente cego. Durante quatro anos estive privado da vista. Todos os meus irmãos se afligiram por minha causa. Aicar cuidou do meu sustento, durante dois anos, até que partiu para Elimaida.

    [11]Naquela ocasião, Ana, minha mulher, dedicou-se a trabalhos femininos, tecendo lã.

    [12]Entregava o produto aos patrões e estes lhe pagavam o salário. No sétimo dia do mês de Distros, ela separou a peça de tecido que estava pronta, e mandou-a aos patrões. Estes pagaram-lhe todo o salário e ainda lhe deram um cabrito para a mesa.

    [13]Quando entrou em minha casa, o cabrito começo a balir. Chamei minha mulher e perguntei-lhe: "De onde vem este cabrito? Não terá sido roubado? Devolve-o a seus donos, pois não temos o direito de comer coisa alguma roubada". [14]Ela respondeu-me: "É um presente que me foi dado além do salário". Mas não acreditei nela e insisti que o devolvesse aos patrões, ficando bastante contrariado por causa disso. Ela então replicou: "Onde estão as tuas esmolas? Onde estão as tuas obras de justiça? Vê-se bem em ti o que elas são!" Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    TORNEI-ME INÚTIL PELA CEGUEIRA

    O reino de Deus, pelo que tem de atual, é vivido na vida cotidiana, e aí é construído pelo que tem de futuro. Como para os desterrados: salvação estava em aceitar os próprios males das mãos de Deus (embora os causassem os deportadores): a seu tempo, Deus intervirá. Sim, as coisas cotidianas da vida concorrem para a salvação., para a construção do reino, se colocadas umas sobre as outras como material de construção, mesmo quando não material escolhido. Tobias tornou-se mais escrupuloso. Ana mas enervada. Tobais deveria prezá-la mais, confiar nela; Ana não deveria censurar-lhe as boas obras. Em tais casos requer-se amor redobrado: é luz, serenidade, alegria.

    Salmo: 111 (112), 1-2.7bc-8.9 (+cf. 7c)

    O CORAÇÃO DO JUSTO É FIRME E CONFIANTE AO SENHOR

    Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

    Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro. Seu coração está tranqüilo e nada teme, e confusos há de ver seus inimigos.

    Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.

    Evangelho: Marcos (Mc 12, 13-17)

    DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E A DEUS O QUE É DE DEUS

    Naquele tempo, [13]as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes para apanharem Jesus em alguma palavra. [14]Quando chegaram, disseram a Jesus: Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É licito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?"

    [15]Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: "Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja". [16]Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: "De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?" Eles responderam: "De César". [17]Então Jesus disse: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". E eles ficaram admirados com Jesus. Palavra do Senhor!

    Comentário o Evangelho (2)

    OPOSIÇÕES INEXISTENTES

    Para confundir Jesus, fariseus e herodianos propuseram-lhe uma pergunta capciosa a respeito da liceidade de pagar o tributo ao imperador romano.

    O pano de fundo desta questão era complexo. Sob o aspecto político, tratava-se de saber se Jesus era contra ou a favor da dominação estrangeira. Sob o aspecto religioso, a resposta de Jesus revelaria que imagem ele fazia de Deus, que escolhera Israel para ser o povo de sua predileção, e não se contentava em vê-lo oprimido. Afinal, o Deus de Jesus era um Deus libertador? Sob o aspecto econômico, a questão levava Jesus a posicionar-se diante da penúria do povo, do qual se exigia pagamento de tributo. Sob o aspecto social, Jesus deveria dizer se concordava com a situação de opressão a que estava reduzido o povo de Israel.

    A resposta do Mestre, aparentemente evasiva, revela sua visão da história, centrada no Reino de Deus. Não existe contraposição entre César e Deus, uma vez que estão situados em níveis diferentes. O pagamento do tributo ao imperador é irrelevante, quando este não cede à tentação de usurpar o lugar de Deus, tiranizando as pessoas. Deus é o Senhor absoluto da História. E César deve submeter-se a ele. Importa que todos, inclusive o imperador, acolham a vontade divina.

    Conseqüentemente, a resposta de Jesus revela que ele se opunha a todo tipo de opressão e exploração, pois o Pai é um Deus libertador. É preciso ser perspicaz para compreender o sentido da posição de Jesus.

    SÃO BONIFÁCIO (3)

    Chamado o "Apóstolo de Alemanha" por haver evangelizado sistematicamente as grandes regiões principais, por haver fundado e organizado igrejas e haver promovido uma hierarquia sob a jurisdição direta da Santa Sé Seus dons como missionário e reformador geraram importantes frutos. Winfrido (seu nome de batismo) trasladou-se ainda muito jovem ao mosteiro de Nursling, na diocese de Winchester, onde foi nomeado diretor da escola Ali escreveu a primeira gramática latina (Inglaterra). Com a idade de 30 anos ordenou-se sacerdote e dedicou-se a teologia.

    Em 718 o Papa São Gregório II outorgou a Winfrido a ordem direta para levar a Palavra de Deus aos hereges em geral. O Santo partiu imediatamente com destino a Alemanha, cruzou os Alpes, atravessou Baviera e chegou em Hesse. Em pouco tempo, pode enviar à Santa Sé um informe tão satisfatório que o Papa passou a ver o missionário com atenções de lhe confiar o bispado.

    O dia de Santo André, ano 722, foi consagrado bispo regional com a jurisdição geral na Alemanha. Bonifácio regressou a Hesse e como primeira medida propôs arrancar as enraizada superstições pagãs, que eram o principal obstáculo para a evangelização. No ano 731, o Papa Gregório III, sucessor de Gregório II, nomeou a São Bonifácio como metropolitano para toda Alemanha, autoridade para criar bispados onde cresse conveniente. Em sua terceira viagem a Roma foi nomeado também delegado da Sede Apostólica.

    São Bonifácio e seu discípulo São Sturmi fundaram no ano de 741 o mosteiro de Fulda, que com o tempo converteu-se no Monte Cassino da Alemanha. Anos mais tarde, quando o Santo dispunha -se a realizar uma confirmação em massa, na véspera de Pentecostes, apareceu uma horda de pagãos hostis que atacou o grupo brutalmente e ele foi decapitado pelos pagãos. O corpo do Santo foi trasladado para o mosteiro de Fulda, onde ainda repousa e onde se reúne constantemente a Conferência dos Bispos alemães, em homenagem a ele.

    -------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 http://www.zinester.com/lr/905041/24964650

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

     

    OLHAI PARA MIM, SENHOR, E TENDE PIEDADE...

     

    Segunda-feira, 4 de junho de 2007

    9ª Semana do Tempo Comum (ano impar), 1ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados! (Sl 24, 16.18)

    Compreendo o bem, mas não consigo compreender o mal. (Mercedes Pires de Souza)

    Hoje: Dia mundial contra a agressão infantil e dia do engenheiro agrimensor.

    Oração: Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Tobias (Tb 1, 3; 2, 1a-8)

    TOBIAS ANDAVA NOS CAMINHOS DA VERDADE E DA JUSTIÇA

    [1,3]Eu, Tobit, andei nos caminhos da verdade e da justiça, todos os dias da minha vida. Dei muitas vezes esmolas aos meus irmãos e compatriotas, que comigo foram deportados para Nínive, no país dos assírios. [2,1ª]No dia da nossa festa de Pentecostes, que é a festa das Sete Semanas, prepararam-me um excelente almoço, e reclinei-me para comer. [2]Quando puseram a mesa com numerosas iguanas, disse ao meu filho Tobias: "Vai, filho, vai procurar, entre nossos irmãos deportados em Nínive, algum que, de todo o seu coração, se lembre do Senhor, e traze-o aqui para comer comigo. Assim, meu filho, ficarei esperando até que voltes.

    [3]Tobias saiu, pois, à procura de um pobre entre nossos irmãos. E voltou dizendo: "Pai!" Respondi: "Que há, meu filho?" Continuou Tobias: "Um homem do nosso povo foi morto e lançado à praça pública. E ainda se encontra lá, estrangulado". [4]Levantei-me de um salto, deixando o almoço, sem prová-lo. Tirei o cadáver do meio da praça e depositei-o numa das dependências da casa, esperando o pôr-do-sol para enterrá-lo.

    [5]Ao voltar, lavei-me e, entristecido, tomei minha refeição. [6]Lembrei-me das palavras do profeta Amós, ditas contra Betel: "Vossas festas se transformarão em luto e todos os vossos cantos em lamentação". [7]E chorei. Depois que o sol se escondeu, fui cavar uma sepultura e enterrei o cadáver. [8]Meus vizinhos zombavam, dizendo: "Ele ainda não tem medo. Já foi procurado para ser morto por este motivo, e teve que fugir. No entanto, está de novo sepultando os mortos!" Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    TOBIAS ANDAVA NOS CAMINHOS DA VERDADE E DA JUSTIÇA

    Temos aqui uma primeira mensagem de fidelidade a Deus a todo custo. Tobias foi fiel desde a juventude. Enquanto os contemporâneos e parentes cediam ao paganismo, ele peregrinava a Jerusalém segundo a lei, levava primícias, dízimos, ofertas; era generoso com os pobres, viúvas, órfãos, forasteiros. Desterrado, mantivera-se fiel a seus compromissos religiosos; tornado rico, servia-se do que tinha em favor dos outros.

    De modo particular, com risco de vida, dava sepultura aos justiçados e assassinados. Condenado, fugira; depois uma reviravolta política permitiu-lhe tornar. A cena de hoje põe em evidência sua generosidade e serve para encaminhar a narração do livro. Havendo dado tanto, Deus lhe pede tudo! Quando menos o esperamos, pode vir a "provação" decisiva, a confirmar a própria doação e é o pressuposto da retribuição de Deus.

    Salmo: 111 (112), 1-2.3-4.5-6 (R/.1a)

    FELIZ AQUELE QUE RESPEITA O SENHOR!

    Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

    Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

    Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

    Evangelho: Marcos (Mc 12, 1-12)

    O QUE FARÁ O DONO DA VINHA?

    Naquele tempo, [1]Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da lei e anciãos, usando parábolas: "Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores, e viajou para longe. [2]Na época da colheita, ele mandou um empregado aos agricultores para receber a sua parte dos frutos da vinha. [3]Mas os agricultores pegaram o empregado, bateram nele, e o mandaram de volta sem nada.

    [4]Então o dono da vinha mandou de novo mais um empregado. Os agricultores bateram na cabeça dele e o insultaram. [5]Então o dono mandou ainda mais outro, e eles o mataram. Trataram da mesma maneira muitos outros, batendo em uns e matando outros. [6]Restava-lhe ainda alguém: seu filho querido. Por último, ele mandou o filho até aos agricultores, pensando: 'Eles respeitarão meu filho'. [7]Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: 'Esse é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa'. [8]Então agarraram o filho, o mataram e o jogaram fora da vinha.

    [9]Que fará o dono da vinha? Ele virá, destruirá os agricultores, e entregará a vinha a outros. [10]Por acaso, não lestes na escritura: 'A pedra que os construtores deixaram de lado, tornou-se a pedra mais importante; [11]isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos?'" [12]Então os chefes dos judeus procuraram prender Jesus, pois compreenderam que havia contado a parábola para eles. Porém, ficaram com medo da multidão e, por isso, deixaram Jesus e foram-se embora. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    A INFINITA PACIÊNCIA DE DEUS

    A parábola dos vinhateiros homicidas deixa patente a infinita misericórdia de Deus para com a humanidade pecadora. Por isso, o texto evangélico é tecido de situações inverossímeis que dificilmente se encontram no âmbito das ações humanas. A lição nele contida é clara: quando se trata de salvar, Deus não mede esforços; a condenação só acontece no final de um longo processo de paciente tentativa de levar as pessoas à reconciliação.

    É inexplicável que o proprietário, depois de plantar sua vinha com tanto cuidado, não tenha jamais retornado para vê-la, contentando-se em enviar seus servos, após vários anos, para receber a parte da colheita que lhe cabia. Não se concebe por que o proprietário tenha continuado a mandar "muitos outros", embora sabendo que os primeiros tinham sido tratados duramente.

    A hostilidade dos arrendatários era evidente, e se radicalizava sempre mais: pegaram o primeiro enviado, espancaram-no e o mandaram embora sem nada; o segundo foi ferido na cabeça e coberto de injúrias, e o terceiro, assassinado. Daí para frente, os enviados eram espancados ou mortos.

    Por que o proprietário não pôs um basta nesta covardia, logo no princípio? Por que teve a coragem de enviar seu filho e herdeiro, sabendo da fúria dos arrendatários? Seu comportamento foi paradoxal. No seu afã de conduzir a humanidade aos caminhos da salvação, Deus se serve dos expedientes mais inesperados. Importa sermos capazes de percebê-los e acolhê-los com amor. 

    SÃO FRANCISCO CARACCIOLO (3)

    Seu primeiro e verdadeiro nome era Ascânio e morava junto à Congregação dos Brancos da Justiça, e se dedicavam aos presidiários, condenados à morte. Aos 21 anos, foi acometido por uma enfermidade terrível na pele, semelhante a lepra, e todos acreditavam ser incurável. Então Francisco fez a Deus esta promessa: "Se me curas desta enfermidade, dedicarei minha vida ao sacerdócio e ao apostolado". Curado milagrosamente, decidiu cumprir com sua promessa, indo para Nápoles e a outros lugares. Assim que se ordenou sacerdote uniu-se a um grupo de apostolado que se dedicava a atender a presidiários.

    Em 1588 um grande apóstolo chamado João Adorno, dispôs edificar uma comunidade religiosa, dedicando a metade do tempo à oração e a outra metade ao apostolado. Para isto mandou uma carta a um Ascânio Caracciolo, pedindo-lhe conselhos sobre este projeto e propondo-lhe sua colaboração. Porém, sucedeu que os que levavam a carta equivocaram-se de destinatário e em vez de entregá-la a Ascânio entregaram-na a Francisco Caracciolo, que ao lê-la sentiu que esta comunidade era o que ele havia desejado por muitos anos.

    Com João Adorno fundaram a nova congregação. Durante uma estada com os padres do Oratório caiu gravemente enfermo e veio a falecer. Seu copo foi transportado para Nápoles e sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de seus numerosos milagres foi a de um aleijado, durante seu funeral. Foi canonizado a 24 de maio de 1807.

    ---------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 Associação do Senhor Jesus.

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    O SENHOR SE TORNOU O MEU APOIO, LIBERTOU-ME E ME SALVOU PORQUE ME AMA.

    Sábado, 2 de junho de 2007

    8ª Semana do Tempo Comum (ano impar), 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

    O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama. (Sl 17, 19-20)

    Memória (facultativas): Nossa Senhora no sábado (branca); S. Marcelino e S. Pedro (mártires, vermelha)

    Oração do Dia: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Eclesiástico (Eclo 51, 17-27)

    A SABEDORIA É UM DOM DIVINO

    [17]Quero dar-te graças e louvar-te, e bendirei o nome do Senhor. [18]Na minha juventude, antes de andar errante, procurei abertamente a sabedoria em minhas orações; [19]diante do santuário eu suplicava por ela, e até ao fim vou procurá-la; ela floresceu, como a uva temporã. [20]Meu coração nela colocou sua alegria; meu pé andou por um caminho reto, e desde a juventude segui suas pegadas.

    [21]lnclinei um pouco o ouvido e a acolhi, [22]e encontrei para mim abundante instrução, e por meio dela fiz grandes progressos: [23]por isso glorifico a quem me dá a sabedoria. [24]Porque resolvi pô-la em prática, procurei o bem e não serei confundido. [25]Minha alma aprendeu com ela a ser valente e na prática da lei procurei ser cuidadoso. [26]Levantei minhas mãos para o alto e me arrependi por tê-la ignorado. [27]Para ela orientei a minha alma e na minha purificação a encontrei. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    GLORIFICO A QUEM ME DÁ A SABEDORIA

    A procura de Deus, na qual consiste a sabedoria, não se encontra no termo de mero esforço intelectual, porém exige a conversão do coração e concreto estilo de vida. A sabedoria não é um conjunto de argumentos, mas dom de Deus, oferecido numa comunidade de vida aos discípulos suficientemente despojados de si para estar dispostos a receber.

    Para o cristão, ela se encontra na "pureza de coração", que faz "ver a Deus"; naquele "morrer com Cristo", que nos faz desejar "conhecer só a Cristo, e a Cristo crucificado"; naquele "perder a própria vida por Cristo" na pobreza, na obediência, na castidade, na doação de si, início da verdadeira vida.

    Salmo: 18 (19), 8.9.10.11 (R/.9a)

    OS ENSINOS DO SENHOR SÃO SEMPRE RETOS, ALEGRIA AO CORAÇÃO.

    A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

    Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

    É puro o temor do Senhor; imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

    Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

    Evangelho: Marcos (Mc 11, 27-33)

    COM QUE AUTORIDADE FAZES ESSAS COISAS?

    Naquele tempo, [27]Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no templo, os sumos sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: [28]"Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?" [29]Jesus respondeu: "Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. [30]O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me".

    [31]Eles discutiam entre si: "Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: 'Por que não acreditastes em João? [32]Devemos então dizer que vinha dos homens?" Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. [33]Então eles responderam a Jesus: "Não sabemos". E Jesus disse: "Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    UMA SITUAÇÃO EMBARAÇOSA

    A situação embaraçosa que os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos - o Grande Conselho - quiseram criar para Jesus acabou recaindo sobre eles. Imaginavam colocá-lo num beco sem saída, ao questioná-lo sobre a autoridade de sua ação. Se evocasse sua autoridade de Messias, levaria seus inquisidores a agirem, imediatamente, para evitar uma intervenção dos romanos. Deveriam mandar prendê-lo, para impedir que criasse situações delicadas em que os opressores estrangeiros se sentissem provocados. Se atribuísse a si mesmo a autoridade com que agia, seria acusado de impostura, e, por conseguinte, deveria ser urgentemente punido por seu ato irresponsável.

    Jesus escapou da insídia, de maneira inteligente: confrontou seus adversários com uma questão à qual eles não tiveram como responder. Tratava-se da delicada questão da origem do batismo ministrado por João. Eles logo se deram conta da armadilha preparada pelo Mestre. Daí confessaram serem incapazes de responder. E, assim, deram margem para Jesus se declarar não estar obrigado a dizer de onde vinha sua autoridade para realizar ações inusitadas.

    O Evangelho apresenta a imagem de um Jesus astuto, que sabe como se safar das ciladas armadas contra ele. Com isto, os discípulos são alertados a serem espertos no trato com os inimigos do Reino.

    A bondade e a misericórdia, características de quem quer seguir o Mestre, não são sinônimos de ingenuidade. O serviço do Reino, em determinadas circunstâncias, requer muita esperteza, como acontecia com Jesus.

    Mais vale um pequeno gesto de amor do que a soberba de grandes feitos (Frei Neylor Tonin)

    SÃO MARCELINO E SÃO PEDRO (3)

    São Marcelino era sacerdote e São Pedro havia recebido a ordem menor do exorcismado. Durante a perseguição de Diocleciano foram ambos decapitados e tiveram a honra de ter seus nomes inscritos no Cânon tradicional da Santa Missa. Eles deveriam desaparecer da história, pois iam ser decapitados numa mata, a fim de serem esquecidos para sempre. Mas por uma ironia da Providência, os nomes de ambos estão inseridos até hoje na Prece Eucarística Romana, que é a primeira das Orações Eucarísticas do nosso Missal.

    Assim, se perpetuaram por todos esses dezessete séculos e irão até o fim da História. Foram vítimas da perseguição aos cristãos, no ano de 304. Duas piedosas mulheres exumaram os cadáveres e lhes deram correta sepultura na catacumba de São Tibúrcio, sobre a Via Lavicana. O imperador Constantino mandou edificar uma Igreja sobre a tumba dos mártires e, no ano 827, o Papa Gregório IV doou os restos mortais destes Santos a Eginhard, homem de confiança de Carlomagno, para que as relíquias fossem veneradas. Finalmente, os corpos dos mártires descansaram no Mosteiro de Selingestadt, a uns 22 km de Frankfurt. Durante esse traslado, contam alguns relatos, ocorreram numerosos milagres.

    --------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 http://www.zinester.com/lr/902718/24964650

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).

    SER MARTIR DA FÉ É AMAR A DEUS ACIMA DE TODAS A COISAS, ATÉ MESMO DA PRÓPRIA VIDA

     

    Sexta-feira, 1º de junho de 2007

    São Justino (mártir), Ofício de Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica vermelha

    Os pagãos me contaram suas fábulas, mas nada valem perante a vossa Lei. Diante dos reis falei de vossa aliança sem me envergonhar.

    Santo Antônio foi uma pessoa com a alma enamorada de Deus. (Pe. Marcelo Rossi)

    Hoje: Dia Nacional da Imprensa

    Oração: Ó Deus, que destes ao mártir são Justino um profundo conhecimento de Cristo pela loucura da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, repelir os erros que nos cercam e permanecer firmes na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Eclesiástico (Eclo 44, 1.9-13)

    OS PATRIARCAS SÃO REFERÊNCIAS DE FÉ E DEDICAÇÃO A DEUS

    [1]Vamos fazer o elogio dos homens famosos, nossos antepassados através das gerações. [9]Outros não deixaram lembrança alguma, desaparecendo como se não tivessem existido. Viveram como se não tivessem vivido, e seus filhos também, depois deles. [10]Mas estes, ao contrário, são homens de misericórdia; seus gestos de bondade não serão esquecidos.

    [11]Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são a sua melhor herança. [12]A descendência deles mantém-se fiel às alianças, [13]e, graças a eles, também os seus filhos. Sua descendência permanece para sempre, e sua glória jamais se apagará. Palavra do Senhor!

    Comentando a I Leitura (1)

    NOSSOS PAIS SÃO HOMENS DE MISERICÓRDIA

    Este elogia dos homens que foram grandes com Deus será retomado na epístola aos Hebreus (c.11) e permanece na memória que a Igreja faz dos mártires e Santos, que construíram sua história, a história mais profunda e verdadeira, a do homem com Deus. "Em seu dia natalício a Igreja proclama o mistério pascal realizado nos Santos que sofreram com Cristo e com ele são glorificados, e propõe aos fiéis o seu exemplo, que atrai todos ao Pai por meio de Cristo".

    A luta pela oração, pela vitória da Igreja. Também da história de nossa vida, o que em verdade permanecerá a história de nosso amor com relação a Deus e aos irmãos.

    Salmo: 149, 1-2.3-4.5-6a e 9b (R/.4a)

    O SENHOR AMA SEU POVO DE VERDADE.

    Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembléia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu rei!

    Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes.

    Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca. Eis a glória para todos os seus santos.

    Evangelho: Marcos (Mc 11, 11-26)

    MINHA CASA SERÁ CHAMADA CASA DE ORAÇÃO

    Tendo sido aclamado pela multidão, [11]Jesus entrou, no templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. [12]No dia seguinte, quando saiam de Betânia, Jesus teve. fome. [13]De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. [14]Entáo Jesus disse à figueira: "Que ninguém mais coma de teus frutos". E os discípulos escutaram o que ele disse.

    [15]Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. [16]Ele não deixava ninguém carregar nada através do templo. [17]E ensinava o povo, dizendo: "Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões". [18]Os sumos sacerdotes e os mestres da lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada como ensinamento dele.

    [19]Ao entardecer; Jesus e os discípulos saíram da cidade. [20]Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. [21]Pedro lembrou-se e disse a Jesus: "Olha, mestre, a figueira que amaldiçoaste secou". [22]Jesus lhes disse: "Tende fé em Deus.

    [23]Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer; assim acontecerá. [24]Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. [25]Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados".Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    O TEMPLO PROFANADO

    O comércio no templo deu margem para que a corrupção tomasse conta dele. Jesus interpretou o fato como uma forma de profanação, embora a classe sacerdotal e o pessoal ligado ao culto fossem coniventes com a situação implantada. Criou-se um perigoso conluio entre religião e comércio, a ponto de se operar uma sacralização deste em desprestígio daquela. Os comerciantes, é óbvio, ambicionavam o lucro, esquecendo-se de que sua presença no lugar sagrado só deveria visar a facilitação da vida dos peregrinos.

    A casa de Deus transformou-se num pólo de exploração. De outra pare, o comércio acentuava ainda mais a distinção entre ricos e pobres. Os primeiros possuíam dinheiro suficiente para comprar animais de grande porte para oferecer em sacrifício, e trocavam grandes somas de dinheiro com os cambistas.

    Quanto aos pobres, pouco tinham para adquirir o suficiente para a própria oferta.

    Sendo assim, os verdadeiros fundamentos da religião acabavam sendo olvidados. Antes de mais nada, a vida de oração baseada numa fé sólida, que dá ao orante a certeza de ser atendido. A fé abre o coração para Deus, impedindo a pessoa de confiar na posse dos bens. Pelo contrário, perdão e a reconciliação deixavam de fazer parte das disposições de quem se aproximava de Deus, no templo convertido em um antro de ladrões. O ambiente dispersivo impedia que o peregrino se conscientizasse do dever de buscar a comunhão com o próximo, antes de voltar-se para Deus.

    SÃO JUSTINO (3)

    Abrimos o mês do Sagrado Coração de Jesus, pedindo que nos conserve a confiança e o desejo de lutar pela fraternidade e união dos homens. Hoje festejamos um homem que talvez seja o mais célebre do século II: SÃO JUSTINO, o filósofo, o primeiro apologético leigo. Tinha ele 30 anos de idade, quando se converteu ao cristianismo. Depois de procurar a verdade em todas as correntes do pensamento de então, chegou a descobrir Deus pela palavra de um velho sábio cristão.

    Deixou-nos ele três escritos, chamados apologias, ou defesa do pensamento cristão. Possuímos dele também a descrição da Liturgia, ou seja, da missa do seu tempo, no século II. É um documento valiosíssimo, como se pode imaginar. Justino negou-se a ordem dada por Crescencio de oferecer sacrifícios aos ídolos e, confessando valentemente a Cristo, foi condenado a morrer decapitado.

    DIA NACIONAL DA IMPRENSA

    Até o ano de 1999, o dia da imprensa era comemorado era o dia 10 de setembro. Mas você sabe por que a data mudou? Foi em 10 de setembro de 1808 que circulou pela primeira vez a Gazeta do Rio de Janeiro, um periódico oficial que servia à Corte. Até esse ano, eram proibidas a circulação e a impressão de qualquer tipo de jornal ou livro. Porém, havia um jornal que, antes da criação da Gazeta do Rio de Janeiro, já circulava clandestinamente: era o Correio Braziliense, produzido pelo jornalista gaúcho Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça.

    Se na época as publicações brasileiras eram proibidas porque a Corte Portuguesa temia que os brasileiros fossem influenciados pelas idéias de liberdade, igualdade e fraternidade que circulavam pela Europa, o Correio Braziliense tinha que permanecer clandestino porque simpatizava com tais pensamentos. O Correio Braziliense foi lançado em junho de 1808, ou seja, três meses antes da Gazeta. Somente em 1999 foi reconhecido oficialmente como pioneiro na história da imprensa brasileira e então, foi criada uma lei que determinava a mudança do dia da imprensa para 1o de junho. (IGBE Teen)

    -------------------

    1 Missal Cotidiano, © Paulus

    2 O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998

    3 OS SANTOS DE CADA DIA, José Benedito Alves. ©Paulinas, 1997

    "Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2Tm 3,15-17).