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    "NEM TODO QUE ME DIZ: SENHOR, SENHOR..."

    Domingo, dia 01 de Junho de 2008

    9º Domingo Comum - Ano A (semana I do saltério) ,   S. Justino, mártir, +167

    Livro de Deuteronómio 11,18.26-28.

    «Gravai, pois, estas minhas palavras no vosso coração e no vosso espírito; atai-as aos braços como um símbolo, trazei-as como filactérias entre os olhos.
    Vede: proponho-vos hoje a bênção ou a maldição:

    a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos prescrevo; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos afastardes do caminho que hoje vos indico, para seguirdes deuses estrangeiros que não conheceis.»

    Livro de Salmos 31(30),2-3.3-4.17.25.

    Em ti, SENHOR, me refugio; que eu nunca seja confundido. Salva-me pela tua justiça.

    Inclina para mim os teus ouvidos; apressa-te a libertar-me. Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.

    Inclina para mim os teus ouvidos; apressa-te a libertar-me. Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.

    Tu és o meu rochedo e a minha fortaleza; por amor do teu nome, guia-me e conduz-me.
    Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face; salva-me pela tua misericórdia.»
    Tende coragem e fortalecei o vosso coração, todos vós, que esperais no SENHOR!

    Carta aos Romanos 3,21-25.28.

    Mas agora foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas:
    a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma:
    todos pecaram e estão privados da glória de Deus.

    Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus.
    Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé; foi assim que ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos outrora,
    Pois estamos convencidos de que é pela fé que o homem é justificado,
    independentemente das obras da lei.

    Evangelho segundo S. Mateus 7,21-27.

    «Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu.
    Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’
    E, então, dir-lhes-ei: 'Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’»

    «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
    Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
    Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
    Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Afraate (?-c. 345), monge e bispo em Niínive, perto de Mossul, no actual Iraque
    Exposições nº 1

    «Porque ninguém pode pôr outro fundamento diferente do que foi posto, isto é, Jesus Cristo» (1Co 3, 11)

    Um rei não permanece numa casa que se encontra vazia de tudo. Um rei exige toda uma ornamentação doméstica, por forma a que nada lhe falte. [...] O mesmo acontece ao homem que se torna uma habitação para Cristo-Messias: provê a tudo quanto convém ao serviço do Messias que nele habita, provê às coisas que Lhe agradam.

    Com efeito, começa por construir o seu edifício sobre a rocha, que é o próprio Messias. Sobre esta rocha faz assentar a fé, e é sobre a fé que se eleva todo o edifício. Para que a casa se torne Sua morada, é-lhe exigido o puro jejum, estabelecido sobre a fé. É-lhe exigida a oração pura, recebida na fé. É-lhe exigido o amor, montado sobre a fé. Tem igualmente necessidade de esmolas, dadas com fé. Que peça a humildade, amada com fé. Que escolha para si a virgindade, apreciada na fé. Que leve para sua casa a santidade, plantada sobre a fé.

    Que medite igualmente na sabedoria, encontrada na fé. Que peça para si a condição de estrangeiro, proveitosa na fé. Terá de ter simplicidade, combinada com a fé. Que peça igualmente paciência, que é realizada por meio da fé. Que se torne perspicaz pela doçura, adquirida pela fé. Que ame a penitência, que aparece à fé. Que peça ainda a pureza, guardada pela fé. [...] Eis as obras exigidas pelo rei Messias, que habita nos homens que constroem por meio de tais obras. Com efeito, a fé é composta por muitas coisas e adorna-se com muitas cores, porque é semelhante a um edifício construído com diversos materiais, e o seu edifício eleva-se até aos céus. [...]

    O mesmo se passa com a nossa fé: o seu fundamento é a verdadeira rocha, Nosso Senhor Jesus, o Messias. [...] Este fundamento é a base de todo o edifício. Se alguém acede à fé, está firmado sobre a rocha, isto é, sobre Nosso Senhor Jesus, o Messias. E o seu edifício não será abalado pelas torrentes, nem colocado em perigo pelos ventos, nem se abaterá nas tempestades, porque o edifício foi construído sobre a rocha, que é o verdadeiro fundamento.

    "EU SOU O PÃO VIVO, QUE DESCEU DO CÉU"

    Quinta-feira, dia 22 de Maio de 2008

    Livro de Deuteronómio 8,2-3.14-16.

    Recorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer durante quarenta anos pelo deserto, a fim de te humilhar, para te experimentar, para conhecer o teu coração e ver se guardarias ou não os seus mandamentos.
    Ele te humilhou e fez passar fome; depois, alimentou-te com esse maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te ensinar que nem só de pão vive o homem; de tudo o que sai da boca do Senhor é que o homem viverá.
    Então, o teu coração se tornaria soberbo e tu esquecerias o Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egipto, da casa de servidão.
    Foi Ele quem te conduziu através desse deserto grande e temível, de serpentes venenosas e escorpiões, lugar árido, onde não há água. Foi Ele quem fez jorrar, para ti, água do rochedo duro.
    Foi Ele quem te alimentou neste deserto com um maná desconhecido dos teus pais, para te humilhar, para te pôr à prova e, no futuro, te tornar feliz.

    Livro de Salmos 147,12-13.14-15.19-20.

    Glorifica, Jerusalém, o SENHOR; louva, Sião, o teu Deus.

    Ele reforçou os ferrolhos das tuas portas e abençoou os teus filhos dentro de ti;
    Ele estabeleceu a paz nas tuas fronteiras e saciou-te com a flor do trigo.

    Ele manda as suas ordens à terra, e a sua palavra corre velozmente;
    Ele revela os seus planos a Jacob, os seus preceitos e as suas sentenças a Israel.
    Não fez assim com nenhum outro povo, não lhes deu a conhecer os seus mandamentos.

    1ª Carta aos Coríntios 10,16-17.

    O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?
    Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão.

    Evangelho segundo S. João 6,51-58.

    Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»
    Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!»

    Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
    Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.

    Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.
    Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.
    Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»

    Da Bíblia Sagrada

    João Paulo II
    Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 15

    "A minha carne é verdadeiro alimento e o meu sangue bebida verdadeira"

    A reprodução sacramental na Santa Missa do sacrifício de Cristo coroado pela sua ressurreição implica uma presença muito especial, que – para usar palavras de Paulo VI – «chama-se «real», não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem «reais», mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem».

    Reafirma-se assim a doutrina sempre válida do Concílio de Trento: «Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação». Verdadeiramente a Eucaristia é "mysterium fidei", mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé, como lembram frequentemente as catequeses patrísticas sobre este sacramento divino.

    «Não hás-de ver – exorta S. Cirilo de Jerusalém – o pão e o vinho [consagrados] simplesmente como elementos naturais, porque o Senhor disse expressamente que são o seu corpo e o seu sangue: a fé t'o assegura, ainda que os sentidos possam sugerir-te outra coisa».

    "Adoro te devote, latens Deitas": continuaremos a cantar com S. Tomás, o Doutor Angélico. Diante deste mistério de amor, a razão humana experimenta toda a sua limitação. Compreende-se como, ao longo dos séculos, esta verdade tenha estimulado a teologia a árduos esforços de compreensão.

    São esforços louváveis, tanto mais úteis e incisivos se capazes de conjugarem o exercício crítico do pensamento com a «vida de fé» da Igreja, individuada especialmente «no carisma da verdade» do Magistério e na «íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais» sobretudo os Santos.

    Permanece o limite apontado por Paulo VI: «Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério, para estar de acordo com a fé católica deve assegurar que na sua realidade objectiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o corpo e o sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho».

    "QUEM NÃO É CONTRA NÓS É POR NÓS"

    Quarta-feira, dia 21 de Maio de 2008

    Santa Catarina de Génova, viúva, penitente,+1510

    Carta de S. Tiago 4,13-17.

    E agora, vós dizeis: «Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos ali um ano, faremos negócios e ganharemos bom dinheiro.» Vós, que nem sequer sabeis o que será a vossa vida no dia de amanhã! O que é, afinal, a vossa vida? Sois fumo que aparece por um instante e logo a seguir se desfaz!

    Em vez disso, deveis dizer: «Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.» Pelo contrário, gloriais-vos das vossas prosápias: toda a vaidade deste género é má.
    Quem sabe praticar o bem e não o faz comete pecado.

    Livro de Salmos 49(48),2-3.6-7.8-10.11.

    — Felizes os humildes de espírito porque deles é o Reino dos Céus!

    — Ouvi isto, povos todos do universo, muita atenção, ó habitantes deste mundo; poderosos e humildes, escutai-me, ricos e pobres, todos juntos, sede atentos!

    — Por que temer os dias maus e infelizes, quando a malícia dos perversos me circunda? Por que temer os que confiam nas riquezas e se gloriam na abundância de seus bens?

    — Ninguém se livra de sua morte por dinheiro nem a Deus pode pagar o seu resgate. A isenção da própria morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal.

    — Morrem os sábios e os ricos igualmente; morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo o que possuem aos estranhos.

    Evangelho segundo S. Marcos 9,38-40.

    Disse-lhe João: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.»
    Jesus disse-lhes: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim.

    Quem não é contra nós é por nós.

    Da Bíblia Sagrada

    Pio XII, papa de 1939 a 1958
    Encíclica Mystici Corporis Christi

    "Quisemos impedi-lo porque não nos segue"

    Imitemos a vastidão do amor de Cristo, modelo supremo de amor pela Igreja, sua Esposa; contudo, o amor do divino Esposo é tão vasto, que a ninguém exclui, e na sua Esposa abraça a todo o gênero humano; pois que o Salvador derramou o seu sangue na cruz para conciliar com Deus todos os homens de todas as nações e estirpes, e para os reunir num só corpo.

    Por conseguinte, o verdadeiro amor da Igreja exige não só que sejamos todos no mesmo corpo membros uns dos outros, cheios de mútua solicitude (cf. Rm 12,5;1Cor 12,25), que se alegrem com os que se alegram e sofram com os que sofrem (cf. lCor 12,26), mas que também nos outros homens ainda não incorporados conosco na Igreja, reconheçamos outros tantos irmãos de Jesus Cristo segundo a carne, chamados como nós para a mesma salvação eterna.

    É verdade que hoje não faltam - é um grande mal - os que vão exaltando a rivalidade, o ódio, o rancor, como coisas que elevam e nobilitam a dignidade e o valor do homem. Nós, porém, que magoados vemos os funestos frutos de tal doutrina, sigamos o nosso Rei pacífico, que nos ensinou a amar os que não são da mesma nação ou mesma estirpe (cf. Lc 10,33-37) até os próprios inimigos (cf. Lc 6,27-35; Mt 5,44-48).

    Nós, compenetrados dos suavíssimos sentimentos do Apóstolo das gentes, com ele cantemos o comprimento, a largura, a sublimidade, a profundeza da caridade de Cristo (cf. Ef 3,18), que nem a diversidade de nacionalidade, ou de costumes pode quebrar, nem a vastidão imensa do oceano diminuir, nem as guerras, justas ou injustas, arrefecer.

    OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

     

    “Eis que eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 13,34).

    Amar é o mesmo que dar: dar a vida, a salvação, a paz, a eternidade, a felicidade...; enfim, dar o que nós temos, somos e vivemos...dar a graça em toda a sua plenitude; dar a satisfação, a realização, a santificação. Para São João amar é dar a devida obediência aos santos mandamentos da Lei de Deus (Cf.1Jo 5,3) e isso é sinônimo de plena comunhão com a vontade divina e constitui a nossa verdadeira liberdade, pois, ser livre é escolher o Bem o Sumo Bem e o Sumo Bem é Deus. E ninguém ama a Deus e ao próximo se não guarda os Seus Mandamentos e não sabe doar-se. Os Sete Sacramentos da Igreja são essa expressão doadora de Deus.

    A palavra Sacramento significa: sinal sagrando onde Deus opera diretamente realizando o seu Eterno Plano de Amor, ou seja, é Deus mesmo fazendo a Sua Obra por meio destes Sinais Sagrados. Na verdade os Sacramentos são os fundamentos da vida e da fé cristãs. Eles foram instituídos pelo próprio Cristo, assim designados: Batismo: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Ide, pois; de todas as nações fazei discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. (Mt 18b-19).

    Confirmação: “Chegando em Éfeso Paulo encontrou alguns discípulos e lhes perguntou: ‘Recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?’ – Mas eles lhe responderam: ‘Nós nem mesmo ouvimos falar do Espírito Santo!’ Paulo perguntou: ‘Então que batismo recebestes?’ Eles responderam: ‘O batismo de João’. Paulo continuou: ‘João ministrava um batismo de conversão e pedia ao povo que cresse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus’. Eles o escutaram e receberam o batismo em nome de Jesus. Paulo lhes impôs as mãos, e o Espírito Santo veio sobre eles: falavam em línguas e profetizavam”. (At 19,1b-8).

    Eucaristia: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de ter pronunciado a benção, ele o partiu; depois, dando-o aos discípulos, disse: ‘Tomai, comei, isto é o meu corpo’. A seguir, tomou uma taça e, depois de ter dado graças, deu-a a eles, dizendo: ‘Bebei dela todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, derramado em prol da multidão, para o perdão dos pecados’”. (Mt 26,26-28).

    Penitência: “Então Jesus lhes disse de novo: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio’. Tendo assim falado, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados. A quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos’”. (Jo 20,21-23).

    Unção dos Enfermos: “Jesus chama os Doze. E começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos impuros. Eles partiram e proclamaram que era preciso converter-se. Expulsavam muitos demônios, faziam unções com óleo em muitos doentes e os curavam”. (Mc 6,7.12-13).

    Ordem: “Jesus sobe à montanha e chama aqueles que Ele queria. ‘Com efeito, há eunucos que nasceram assim do seio materno; há eunucos que foram feitos pelos homens; e há os que se tornaram eunucos por amor ao Reino dos céus. Quem puder compreender compreenda’”. (Mc 3,13a ;Mt 19,12).

    Matrimônio: “Eis que o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne”. (Gn 1,27). “Assim, eles não são mais dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu!” (Mt 19,6).

    Caríssimos irmãos e irmãs, “os sete sacramentos atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão: dão à vida de fé do cristão origem e crescimento, cura e missão. Nisto existe certa semelhança entre as etapas da vida natural e as da vida espiritual”. (CIC).

    Paz e Bem!

    "MESTRE, BOM É ESTARMOS AQUI!"

    Sabado, dia 17 de Maio de 2008

    S. Pascoal Bailão, religioso leigo, +1592

    Carta de S. Tiago 3,1-10.

    Meus irmãos, não haja muitos entre vós que pretendam ser mestres, sabendo que nós teremos um julgamento mais severo,
    pois todos nós falhamos com frequência. Se alguém não peca pela palavra, esse é um homem perfeito, capaz também de dominar todo o seu corpo. Quando pomos um freio na boca do cavalo para que nos obedeça, dirigimos todo o seu corpo.

    Vede também os barcos: por grandes que sejam e fustigados por ventos impetuosos, são dirigidos com um pequeno leme para onde quer a vontade do piloto.
    Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma grande floresta!

    Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade; entre os nossos membros, é ela que contamina todo o corpo e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência.
    Todas as espécies de animais selvagens, de aves, de répteis e de animais do mar se podem domar e têm sido domadas pelo homem.
    A língua, pelo contrário, ninguém a pode dominar: é um mal incontrolável, carregado de veneno mortal.

    Com ela bendizemos quem é Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
    De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. Mas isto não deve ser assim, meus irmãos.

    Livro de Salmos 12(11),2-3.4-5.7-8.

    Salva-nos, SENHOR, pois cada vez há menos justos!

    A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens.
    Mentem uns aos outros; na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração.

    Que o SENHOR acabe com esses lábios de mentira, com toda a língua que profere arrogâncias, como aqueles que dizem: «Confiamos na força da nossa língua; os nossos lábios nos defenderão; quem nos poderá dominar?»

    As palavras do SENHOR são verdadeiras; são como a prata limpa no crisol, sete vezes refinada.
    Tu, SENHOR, cuidarás de nós e nos defenderás para sempre dessa gente.

    Evangelho segundo S. Marcos 9,2-13.

    Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles.
    As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim.
    Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.
    Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.»

    Não sabia que dizer, pois estavam assombrados.
    Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.
    Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos.

    Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.
    E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?» Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado?
    Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»

    Da Bíblia Sagrada

    Pedro, o Venerável (1092-1156), abade de Cluny
    Sermão n.º 1 para a Transfiguração; PL 189, 959

    «Mestre, bom é estarmos aqui»

    «O seu rosto resplandeceu como o Sol» (Mt 17,2) [...] Envolvida pela aura da carne, hoje resplandeceu a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1,9). Hoje ela glorifica esta mesma carne, mostra-a deificada aos apóstolos para que estes a revelem ao mundo. E tu, cidade beatífica, fruirás eternamente a contemplação deste Sol, ao desceres do «céu, de junto de Deus [...], já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo» (Ap 21,2). Nunca mais esse Sol se porá para ti; para sempre Ele próprio fará raiar a manhã eterna.

    Nunca mais esse Sol será velado por nuvem alguma, mas brilhará sem cessar, e cumular-te-á de uma luz que não declinará nunca. Nunca mais esse Sol te toldará os olhos, antes dar-te-á forças para que o olhes, e encantar-te-á com o seu esplendor divino [...] «Não mais haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor» (Ap 21,4) que ensombre o brilho que Deus te deu, pois, como foi dito a João: «O antigo mundo pereceu».


    Eis o Sol de que fala o profeta: «Já não será o Sol que te iluminará durante o dia, nem a Lua durante a noite. O Senhor será a tua luz eterna, o teu Deus será o teu esplendor. (Is 60,19). Eis a luz eterna que resplandece para ti no rosto do Senhor. Escutas a voz do Senhor, contemplas o seu rosto resplandecente, e tornas-te como o Sol. Pois é pelo rosto que reconhecemos cada pessoa, e reconhecê-la, é como ficar iluminado por ela.

    Aqui na terra acreditas pela fé; nos céus, reconhecerás. Aqui captas com a inteligência; lá, serás captado. Aqui, vês «como num espelho»; lá, verás «face a face» (1 Co 13,12) [...] Assim se cumprirá o desejo do profeta: «Que Ele faça resplandecer em nós o seu rosto» (Sl 67,2) [...] Nessa luz exultarás para sempre; nessa luz caminharás sem cansaço. Nessa luz, verás a luz eterna.

    Paz e Bem!

    "TOMA A SUA CRUZ, E SIGUA-ME"

    Sexta-feira, dia 16 de Maio de 2008

    São João Nepomuceno, mártir, +1383

    Carta de S. Tiago 2,14-24.26.

    De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo?
    Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará?

    Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.
    Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé.
    Tu crês que há um só Deus? Fazes bem. Também o crêem os demônios, mas enchem-se de terror.» Queres tu saber, ó homem insensato, como é que a fé sem obras é estéril?

    Não foi porventura pelas obras que Abraão, nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaac? Repara que a fé cooperava com as suas obras e que, pelas obras, a sua fé se tornou perfeita. E assim se cumpriu a Escritura que diz: Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe contado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes, pois, como o homem fica justificado pelas obras e não somente pela fé. Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta.

    Livro de Salmos 112(111),1-2.3-4.5-6.

    Feliz o homem que teme o SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.

    Sua descendência será poderosa sobre a terra, e bendita, a geração dos justos. Haverá na sua casa abundância e riqueza e a sua prosperidade durará para sempre.

    Brilha para os homens rectos como luz nas trevas: ele é piedoso, clemente e compassivo.

    Feliz o homem que se compadece e empresta e administra os seus bens com justiça. Este jamais sucumbirá. O justo deixará memória eterna.

    Evangelho segundo S. Marcos 8,34-38.9,1.

    Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
    Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la.
    Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
    Ou que pode o homem dar em troca da sua vida?

    Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»
    Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santa Teresa d'Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja
    Poema : « En la cruz está la vida »

    «Tome a sua cruz, e siga-Me»

    Na cruz está a vida
    E a consolação.
    Só ela é o caminho
    Que conduz ao céu.

    Na cruz está «O Senhor
    Do céu e da terra» (Act 17,24).
    Nela fruímos uma paz imensa,
    Mesmo em plena guerra;
    Ela aniquila todos os males
    deste mundo.
    E só ela é o caminho
    Que conduz ao céu.

    Acerca da cruz, a Esposa diz
    Ao seu Bem-Amado
    Que é «a palmeira preciosa»
    A que subiu (Ct 7,9).
    E cujo fruto foi provado
    Pelo Deus dos céus.
    E só ela é o caminho
    Que conduz ao céu.

    A cruz é «a árvore verdejante
    E desejada» (Ct 2,3).
    Da Esposa que, à sua sombra
    Se senta
    Para desfrutar o seu Bem-Amado,
    O Rei do céu.
    Só ela é o caminho
    Que conduz ao céu.

    É uma «oliveira preciosa» (Sir 24,14),
    A Santa Cruz
    Que com seu óleo nos unge
    E nos dá luz.
    Ó alma minha, toma a cruz
    Para tua grande consolação,
    Porque só ela é o caminho
    Que conduz ao céu.

    Para as almas que por completo
    Se submeteram a Deus
    E se afastaram verdadeiramente
    Do mundo,
    A cruz é «árvore de vida» (Gn 2,9)
    E de consolação,
    E um caminho de delícias
    Que conduz ao céu.

    E porque na cruz foi posto
    O Salvador,
    Na cruz está «a glória
    E a honra» (Ap 4,11),
    E na dor
    Vida e felicidade,
    E o mais seguro caminho
    Que conduz ao céu.

    "Ó ABISMO DA RIQUEZA, DA SABEDORIA E DA CIÊNCIA DE DEUS!"

    Quarta-feira, dia 14 de Maio de 2008

    S. Matias, Apóstolo ,   São Matias, Apóstolo e Mártir

    Livro dos Actos dos Apóstolos 1,15-17.20-26.

    Por aqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos encontravam-se reunidas cerca de cento e vinte pessoas e disse:
    «Irmãos, era necessário que se cumprisse o que o Espírito Santo anunciou na Escritura pela boca de David a respeito de Judas, que foi o guia dos que prenderam Jesus.
    Ele, efectivamente, era um dos nossos e tinha recebido uma parte do nosso ministério.

    Está realmente escrito no Livro dos Salmos: ‘Fique deserta a sua habitação e não haja quem nela resida’. E ainda: ‘Receba outro o seu encargo.’
    Portanto, de entre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós,
    a partir do baptismo de João até ao dia em que nos foi arrebatado para o Alto, é indispensável que um deles se torne, connosco, testemunha da sua ressurreição.»

    Designaram dois: José, de apelido Barsabas, chamado Justo, e Matias.
    Fizeram, então, a seguinte oração: «Senhor, Tu que conheces o coração de todos, indica-nos qual destes dois escolheste
    para ocupar, no ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas, que foi para o lugar que merecia.»
    Depois, tiraram à sorte, e a sorte caiu em Matias, que foi incluído entre os onze Apóstolos.

    Livro de Salmos 113(112),1-2.3-4.5-6.7-8.

    Louvai, servos do SENHOR, louvai o nome do SENHOR.
    Bendito seja o nome do SENHOR, agora e para sempre.

    Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do SENHOR.
    O SENHOR reina sobre todas as nações, a sua majestade está acima dos céus. Quem é como o SENHOR, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas?

    Ele se inclina, lá do alto, para observar o céu e a terra.
    Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria, para o fazer sentar entre os grandes, entre os grandes do seu povo.

    Evangelho segundo S. João 15,9-17.

    «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor.
    Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor.
    Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.
    É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.

    Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.
    Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
    Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei- -vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai.
    Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá.
    É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Lourenço Justiniano (1381-1455), cónego regular, depois Bispo de Veneza
    Sermão para a festa de São Matias

    Deus escolheu o apóstolo Matias

    Escreve o apóstolo Paulo: «Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Que insondáveis são os Seus juízos e impenetráveis os Seus caminhos!» (Rom 11, 33). [...] E diz o Salmo: «Todas as Vossas obras são fruto da Vossa sabedoria» (Sl 103, 24), isto é, feitas no Teu Verbo, na Tua Palavra eterna. Se foi no Verbo e pelo Verbo que todas as coisas foram feitas (Jo 1, 3), quem poderá duvidar de que foi com sabedoria e perfeição, e sem parcialidades, que Ele escolheu os Seus discípulos? «Ele nos escolheu antes da constituição do mundo», diz o apóstolo Paulo (Ef 1, 4). [...]

    Consideremos a escolha de Matias. Os apóstolos tinham escolhido José Barsabas e Matias [...]; em seguida, apresentaram essa escolha Àquele que julga segundo o coração e que «conhecia o coração» de ambos, a fim de que Ele desse a conhecer qual dos dois tinha escolhido. E Ele tinha certamente escolhido Matias para essa honra antes de as sortes serem lançadas, antes mesmo da criação do mundo. [...]

    «Tudo quanto pedirdes, orando, crede que o recebereis e o obtereis» (Mc 11, 24), diz o Senhor. É por isso que a Igreja tem o costume de rezar de comum acordo sempre que considera dever pedir alguma coisa ao Senhor; meio algum tem tanta influência na vontade de Deus como a oração, se for feita com fé, com serenidade, com humildade e perseverança. Assim, pois, a sorte em nada prejudicou este glorioso apóstolo porque, como testemunha a Escritura, os apóstolos começaram por rezar; pelo contrário, foi em resposta à oração deles que Deus lhes inspirou que tirassem a eleição à sorte.

    Por outro lado, Matias não obteve uma graça menor do que a de Pedro ou dos outros apóstolos, ainda que tenha sido chamado em último lugar. Ele recebeu o Espírito com a mesma plenitude que os outros, e recebeu os mesmos dons espirituais que eles. Ao poisar sobre ele, o Espírito Santo encheu-o de caridade, concedendo-lhe que se exprimisse em todas as línguas, que fizesse milagres, que convertesse as nações, que pregasse a Cristo e que recebesse o triunfo do martírio.

    "AINDA NÃO ENTENDES NEM COMPREENDESTES?"

    Terça-feira, dia 13 de Maio de 2008

    Nossa Senhora de Fátima ,   Nossa Senhora de Fátima

    Carta de S. Tiago 1,12-18.

    Feliz o homem que resiste à tentação, porque, depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém diga, quando for tentado para o mal: «É Deus que me tenta.» Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém.
    Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz.

    E a concupiscência, depois de ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas.

    Livro de Salmos 94(93),12-13.14-15.18-19.

    SENHOR, feliz o homem a quem tu corriges e instruis na tua lei!

    Esse terá descanso nos dias maus, enquanto se abre a cova para o ímpio. SENHOR não abandona o seu povo nem despreza a sua herança.

    De novo há-de voltar a haver justiça, e hão-de segui-la todos os de coração recto.
    Quando digo: «Os meus pés vacilam», logo a tua bondade, SENHOR, me ampara.

    Quando se avolumam as angústias dentro em mim, as tuas consolações confortam a minha alma.

    Evangelho segundo S. Marcos 8,14-21.

    Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco.
    Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.»
    E eles discorriam entre si: «Não temos pão.»
    Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido?

    Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.»
    «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.»
    Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

    Da Bíblia Sagrada

    Jean Pierre de Caussade (1675-1751), jesuita
    Abandono na Providência divina (§26)

    «Ainda não entendestes nem compreendestes?»

    Se perfurássemos o véu, e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua acção em tudo quanto nos acontece, dizendo perante todas as coisas: «Dominus est, é o Senhor!» (Jo, 21, 7). E descobriríamos em todas as circunstâncias um dom de Deus.

    Consideraríamos as criaturas frágeis instrumentos nas mãos de um obreiro omnipotente; e reconheceríamos sem dificuldade que nada nos falta, e que a contínua atenção de Deus O leva a proporcionar-nos em cada instante aquilo que nos convém. Se tivéssemos fé, teríamos boa vontade para com todas as criaturas; haveríamos de as acariciar, interiormente gratos pelo facto de elas servirem e se tornarem favoráveis à nossa perfeição, aplicada pela mão de Deus. Se vivêssemos ininterruptamente uma vida de fé, estaríamos em permanente comércio com Deus, falando com Ele a todo o momento.

    A fé é intérprete de Deus; sem os esclarecimentos que ela proporciona, não compreendemos a linguagem das criaturas. Esta é uma escrita em números, onde apenas vemos confusão; uma amálgama de espinhos, de onde não nos ocorre que Deus possa falar. Mas a fé permite-nos ver, como Moisés, o fogo da caridade divina que arde no seio destes espinhos (Ex 3, 2); a fé dá-nos a chave destes números, permitindo-nos descobrir, no meio da confusão, as maravilhas da sabedoria do alto. A fé confere um rosto celeste a toda a terra; é por meio dela que o coração é transportado, arrebatado, para conversar no céu. [...] A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da ciência de Deus.

    "PORQUE PEDE ESTA GERAÇÃO UM SINAL?"

    Segunda-feira, dia 12 de Maio de 2008

    Beata Joana de Portugal, virgem, +1490

    Carta de S. Tiago 1,1-11.

    Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, saúda as doze tribos da Dispersão.

    Meus irmãos, considerai como uma enorme alegria o estardes rodeados de provações de toda a ordem, tendo em conta que a prova a que é submetida a vossa fé produz a constância.
    Mas a constância tem de se exercitar até ao fim, de modo a serdes perfeitos e irrepreensíveis, sem falhar em nada.
    Se algum de vós tem falta de sabedoria, que a peça a Deus, que a todos dá generosamente e sem recriminações, e ser-lhe-á dada.

    Mas peça-a com fé e sem hesitar, porque aquele que hesita assemelha-se às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo vento.
    Não pense, pois, tal homem que receberá qualquer coisa do Senhor,
    sendo de espírito indeciso e inconstante em tudo.
    Que o irmão de condição humilde se glorie na sua exaltação, e o rico na sua humilhação, pois ele passará como a flor da erva.
    Com efeito, ao despontar o Sol com ardor, a erva seca e a sua flor cai, perdendo toda a beleza; assim murchará também o rico nos seus empreendimentos.

    Livro de Salmos 119,67.68.71.72.75.76.

    Antes de me teres humilhado, eu pecava; mas, agora, cumpro a tua palavra.

    Tu és bom e generoso; ensina-me as tuas leis.
    Foi bom para mim ter sido castigado, pois assim aprendi os teus decretos.
    Prezo mais a lei da tua boca do que milhões em ouro e prata.

    SENHOR, eu sei que as tuas sentenças são justas e que me castigaste para meu proveito.
    Que a tua bondade me sirva de conforto, conforme o que prometeste ao teu servo.

    Evangelho segundo S. Marcos 8,11-13.

    Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova.
    Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.»
    E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

    Da Bíblia Sagrada

    Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
    Um Caminho Simples

    "Para o porem à prova, pediram-lhe um sinal"

    Deus está em toda a parte, em tudo, e sem Ele não podemos existir. Nem um só instante duvidei da sua existência mas sei que alguns vivem na dúvida. Se não acreditais em Deus, podeis, no entanto, ajudar os outros com actos inspirados pelo amor e o fruto dessas obras serão graças suplementares que descerão à vossa alma. Começareis então a desabrochar lentamente e aspirareis à alegria de amar a Deus.

    Há tantas religiões! Cada um segue Deus à sua maneira. Quanto a mim, sigo o caminho de Cristo: Jesus é o meu Deus, Jesus é o meu Esposo, Jesus é o meu único Amor, Jesus é o meu Tudo em tudo, Jesus é tudo para mim.

    Eis a razão por que nunca tenho medo. Faço o meu trabalho com Jesus, faço-o por Ele, dedicando-lho; por isso, os resultados são seus e não meus. Se precisais de um guia, só tendes que voltar os olhos para Jesus. Deveis entregar-vos a Ele e contar inteiramente com Ele. Quando fazeis isso, a dúvida dissipa-se e a segurança invade-vos. Mas Jesus disse: "Se não vos tornardes semelhantes a uma criança, não podereis vir a mim" (Mt 18,3).

    "TU, SEGUE-ME"

    Sabado, dia 10 de Maio de 2008

    S. João de Ávila, presbítero, +1569 ,   Beato Damião de Veuster, apóstolo dos leprosos, +1889

    Livro dos Actos dos Apóstolos 28,16-20.30-31.

    Quando entrámos em Roma, Paulo foi autorizado a ficar em alojamento próprio com o soldado que o guardava.
    Três dias depois, convocou os principais dos judeus e, quando estavam todos reunidos, disse-lhes: «Irmãos, embora nada tenha feito contra o povo ou contra os costumes paternos, fui preso em Jerusalém e entregue às mãos dos romanos.
    Estes, depois de me terem interrogado, queriam libertar-me, por não haver em mim crime algum digno de morte.

    Mas, como os judeus se opuseram, fui constrangido a apelar para César, sem querer, de modo algum, acusar o meu povo.
    Foi por este motivo que pedi para vos ver e falar, pois é por causa da esperança de Israel que trago estas cadeias.»
    Paulo permaneceu dois anos inteiros no alojamento que alugara, onde recebia todos os que iam procurá-lo,
    anunciando o Reino de Deus e ensinando o que diz respeito ao Senhor Jesus Cristo, com o maior desassombro e sem impedimento.

    Livro de Salmos 11(10),4-5.7.

    — Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.

    — Deus está no templo santo, e no céu tem o seu trono; volta os olhos para o mundo, seu olhar penetra os homens.
    — Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.

    — Examina o justo e o ímpio, e detesta o que ama o mal. Porque justo é nosso Deus, o Senhor ama a justiça. Quem tem reto coração há de ver a sua face.

    Evangelho segundo S. João 21,20-25.

    Pedro voltou-se e viu que o seguia o discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se tinha apoiado sobre o seu peito e lhe tinha perguntado: 'Senhor, quem é que te vai entregar?'
    Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: «Senhor, e que vai ser deste?»
    Jesus respondeu-lhe: «E se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me!»

    Foi assim que, entre os irmãos, correu este rumor de que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse que ele não havia de morrer, mas sim: «Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso?»
    Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu. E nós sabemos bem que o seu testemunho é verdadeiro.
    Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever.

    Da Bíblia Sagrada

    Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja
    Caminho da perfeição, 17

    « – E ele Senhor?... – Que tens com isso? Tu segue-me»

    Deus não conduz todas as almas pelo mesmo caminho. Aquele que julga caminhar pelo caminho mais humilde é talvez o maior aos olhos do Senhor. Assim, porque neste mosteiro todas se dedicam à oração, não se conclui que todas devam ser contemplativas. É impossível, e a ignorância desta verdade pode desolar as que o não são...

    Eu passei mais de catorze anos sem sequer poder meditar, a não ser lendo, e deve haver muitas pessoas assim. Outras são incapazes de meditar, mesmo com a ajuda de um livro. Elas só conseguem rezar vocalmente: isso fixa-as mais... Há muitas pessoas semelhantes. Mas se são humildes, creio que no fim de contas elas não serão as menos afortunadas: elas irão juntamente com as almas inundadas de consolações. De uma certa maneira, o seu caminho é mesmo mais seguro, porque nós ignoramos se essas consolações vêm de Deus ou se o demónio é o seu autor...

    Essas pessoas que não têm consolações caminham na humildade, temendo sempre que seja por culpa delas, e têm um cuidado contínuo em avançarem. Ao verem outras verterem uma lágrima, logo lhes parece que se elas não choram, é sinal de que estão muito atrasadas no serviço de Deus, elas que talvez estejam mais avançadas do que as outras. Com efeito, as lágrimas, embora boas, não são inteiramente perfeitas, e há sempre mais segurança na humildade, na mortificação, no desprendimento e em outras virtudes. Assim não temais nada, e dizei a vós mesmas que não deixareis de chegar à perfeição, tal como os grandes contemplativos.

    "SENHOR, TU SABES TUDO, TU SABES QUE EU TE AMO"

    Sexta-feira, dia 09 de Maio de 2008

    Santa Catarina de Bolonha, virgem, mística, +1463 ,   Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos

    Livro dos Actos dos Apóstolos 25,13-21.

    Alguns dias mais tarde, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram apresentar cumprimentos a Festo.
    Como se demorassem vários dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: «Está aqui um homem que Félix deixou preso, e contra o qual, estando eu em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram queixa, pedindo a sua condenação.
    Respondi-lhes que não era costume dos romanos conceder a entrega de homem algum, antes de o acusado ter os acusadores na sua frente e dispor da possibilidade de se defender da acusação.

    Vieram, pois, comigo e, sem mais demoras, sentei-me, no dia seguinte, no tribunal e mandei comparecer o homem.
    Postos em frente dele, os acusadores não alegaram nenhum dos crimes que eu pudesse suspeitar; só tinham com ele discussões acerca da sua religião e de um certo Jesus, que morreu e Paulo afirma estar vivo.
    Quanto a mim, embaraçado perante um debate deste género, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém, a fim de lá ser julgado sobre o assunto.
    Mas Paulo apelou para que a sua causa fosse reservada à decisão de Augusto e eu ordenei que o mantivessem preso até o enviar a César.»

    Livro de Salmos 103(102),1-2.11-12.19-20.

    Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e todo o meu ser louve o seu nome santo.
    Bendiz, ó minha alma, o SENHOR, e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

    Como é grande a distância dos céus à terra, assim são grandes os seus favores para os que o temem. Como o Oriente está afastado do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

    SENHOR estabeleceu nos céus o seu trono e o seu reino estende-se a tudo o que existe.
    Bendizei o SENHOR, todos os seus anjos, poderosos mensageiros, que cumpris as suas ordens, sempre dóceis à sua palavra.

    Evangelho segundo S. João 21,15-19.

    Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.»
    Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.»

    E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.
    Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.»

    E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), bispo de Hippone (África do Norte) e doutor da Igreja
    Sermão Guelferbytanus 16, 1

    «Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo»

    Eis que o Senhor, depois da sua ressurreição, aparece de novo aos seus discípulos. Interroga o apóstolo Pedro, obriga-o a confessar o seu amor, ele que por medo, o havia negado três vezes. Cristo ressuscitou segundo a carne, e Pedro segundo o espírito. Como Cristo morreu sofrendo, Pedro morre negando. O Senhor Cristo ressuscitou de entre os mortos, e ressuscitou Pedro graças ao amor que este lhe tinha. Interrogou o amor daquele que se declarava agora abertamente, e confiou-lhe o seu rebanho.

    Por conseguinte, que é que Pedro trazia a Cristo pelo facto de O amar? Se Cristo te ama, o benefício é para ti, não para Cristo. Se tu amas Cristo, o benefício é ainda para ti, não para ele. Entretanto, o Senhor Cristo, querendo mostrar-nos como os homens devem provar que O amam, revela-nos isso claramente: amando as suas ovelhas.

    «Simão, filho de João, tu amas-me? – Amo-te – Apascenta as minhas ovelhas». E isso uma vez, duas vezes, três vezes. Pedro não diz mais nada a não ser o seu amor. Amemo-nos pois uns aos outros e amaremos Cristo. 

    LOUVAI A DEUS, REINOS DA TERRA, CANTAI HINOS AO SENHOR!

    Quarta-feira, dia 07 de Maio de 2008

    Santa Flávia Domitila, Virgem e Mártir, séc. I ,   Nossa Senhora dos Desamparados

    Livro dos Actos dos Apóstolos 20,28-38.

    Tomai cuidado convosco e com todo o rebanho, de que o Espírito Santo vos constituiu administradores para apascentardes a Igreja de Deus, adquirida por Ele com o seu próprio sangue. Sei que, depois de eu partir, se hão-de introduzir entre vós lobos temíveis que não pouparão o rebanho e que, mesmo no meio de vós, se hão-de erguer homens de palavras perversas para arrastarem discípulos atrás de si.
    Estai, pois, vigilantes e recordai-vos de que, durante três anos, de noite e de dia, não cessei de exortar, com lágrimas, cada um de vós.

    E agora, confio-vos a Deus e à palavra da sua graça, que tem o poder de construir o edifício e de vos conceder parte na herança com todos os santificados.
    Jamais cobicei prata, nem ouro, nem o vestuário de alguém.
    E bem sabeis que foram estas mãos que proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros.
    Em tudo vos demonstrei que deveis trabalhar assim, para socorrerdes os fracos, recordando-vos das palavras que o próprio Senhor Jesus disse: ‘A felicidade está mais em dar do que em receber.’»

    Depois destas palavras, ajoelhou-se com todos eles e orou.
    Todos romperam em pranto e, lançando-se ao pescoço de Paulo, começaram a abraçá-lo,
    consternados, sobretudo, com as palavras que lhes dissera: que não veriam mais o seu rosto. Em seguida, acompanharam-no ao barco.

    Livro de Salmos 68(67),29-30.33-35.35-36.

    Deus, mostra o teu poder, aquele poder com que intervieste em nosso favor.

    No teu santuário, em Jerusalém, os reis virão oferecer-te presentes.
    Louvai a Deus, reinos da terra, cantai hinos ao Senhor!

    Ele avança pelos céus eternos e faz ouvir a sua voz, que é poderosa.
    Reconhecei o poder de Deus! A sua majestade resplandece sobre Israel; o seu poder alcança a vastidão das nuvens.

    Reconhecei o poder de Deus! A sua majestade resplandece sobre Israel; o seu poder alcança a vastidão das nuvens.
    Deus é temível no seu santuário, o Deus de Israel dá força e poder ao seu povo. Bendito seja Deus!

    Evangelho segundo S. João 17,11-19.

    Doravante já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos!
    Enquanto estava com eles, Eu guardava-os em ti, em ti que a mim te deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o homem da perdição, cumprindo-se desse modo a Escritura.

    Mas agora vou para ti e, ainda no mundo, digo isto para que eles tenham em si a plenitude da minha alegria.
    Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.
    Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno.

    De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.
    Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra.
    Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo,
    e por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja
    Sermões sobre S. João, n.º 107

    «E, ainda no mundo, digo estas coisas para que tenham em si a plenitude da minha alegria»

    Tendo dito a seu Pai: «Doravante, já não estou neste mundo [...]; vou para Ti» (Jo 17,11), Nosso Senhor recomenda a seu Pai aqueles que iam ficar privados da sua presença física: «Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti». Enquanto homem, Jesus pede a Deus pelos discípulos que recebeu de Deus. Mas prestemos atenção às palavras que diz a seguir: «Para serem um, como Nós somos!». Reparemos que Ele não diz: "Para que, connosco, sejam um", ou: "Para que sejamos, nós e eles, uma só coisa, como Nós somos um", mas diz: «Para que sejam um como nós».

    Que sejam um na sua natureza, como nós somos um na nossa. Estas palavras, por serem verdadeiras, exigem que Jesus tenha falado como tendo a mesma natureza divina que seu Pai, como noutro passo diz: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10,30). Na sua natureza humana, Ele tinha dito: «O Pai é mais do que Eu». (Jo 14,28), mas como n'Ele Deus e o homem são apenas uma e a mesma pessoa, compreendemos que Ele é homem porque reza, e compreendemos que é Deus porque é um com Aquele a quem reza [...].

    «Mas agora vou para Ti e, ainda no mundo, digo estas coisas para que tenham em si a plenitude da minha alegria». Ele ainda não tinha deixado o mundo, ainda aqui estava mas, como ia deixá-lo em breve, era como se aqui já não estivesse. Mas que alegria era essa cuja plenitude Ele queria que os discípulos tivessem? Já antes Ele o explicou, quando disse: «Para serem um, como Nós somos!». Esta alegria, que é a sua e que Ele lhes deu, Ele predisse que havia de se cumprir integralmente, e é por isso que fala dela «no mundo». Essa alegria é a paz e a bondade do mundo que há-de vir; para a obtermos, temos de viver neste mundo na moderação, na justiça e na piedade.

    "PAI, CHEGOU A HORA!"

    Terça-feira, dia 06 de Maio de 2008

    S. Domingos Sávio, jovem religioso, +1857 ,   Santo André Kim e 102 Companheiros, mártires coreanos, entre 1791 e 1866

    Livro dos Actos dos Apóstolos 20,17-27.

    De Mileto, Paulo mandou chamar os anciãos da igreja de Éfeso.
    Quando chegaram junto dele, disse-lhes: «Sabeis como, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia, procedi sempre convosco.
    Tenho servido o Senhor com toda a humildade e com lágrimas, no meio das provações, que as ciladas dos judeus me acarretaram.

    Jamais recuei perante qualquer coisa que vos pudesse ser útil. Preguei e instruí-vos, tanto publicamente como nas vossas casas, afirmando a judeus e gregos a necessidade de se converterem a Deus e de acreditarem em Nosso Senhor Jesus.
    E agora, obedecendo ao Espírito, vou a Jerusalém, sem saber o que lá me espera;
    só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me avisa de que me aguardam cadeias e tribulações.

    Mas, a meus olhos, a vida não tem valor algum; basta-me poder concluir a minha carreira e cumprir a missão que recebi do Senhor Jesus, dando testemunho do Evangelho da graça de Deus.
    Agora sei que não vereis mais o meu rosto, todos vós, no meio de quem passei, proclamando o Reino.
    Por isso, tomo-vos hoje por testemunhas de que estou limpo do sangue de todos,
    pois jamais recuei, quando era preciso anunciar-vos todos os desígnios de Deus.

    Livro de Salmos 68(67),10-11.20-21.

    Fizeste cair, ó Deus, a chuva com abundância; restauraste as forças à tua herança extenuada.

    Teu povo ficou restabelecido, e Tu, ó Deus, reconfortaste o pobre com a tua bondade.
    Bendito seja o Senhor, dia após dia; Ele cuida de nós; Ele é o Deus da nossa salvação.

    Ele é o nosso Deus, é um Deus que salva. Na verdade, o SENHOR Deus é aquele que nos livra da morte!

    Evangelho segundo S. João 17,1-11.

    Assim falou Jesus. Depois, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória,
    segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste.

    Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.
    Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar.
    E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.

    Dei-te a conhecer aos homens que, do meio do mundo, me deste. Eles eram teus e Tu mos entregaste e têm guardado a tua palavra.
    Agora ficaram a saber que tudo quanto me deste vem de ti,
    pois as palavras que me transmitiste Eu lhas tenho transmitido. Eles receberam-nas e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste.
    É por eles que Eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me confiaste, porque são teus.

    Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu; e neles se manifesta a minha glória.
    Doravante já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos!

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Irineu de Lyon (c. 130 - c. 208), bispo, teólogo e mártir
    Contra as Heresias, IV, 14

    "... a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste"

    No princípio, não foi porque precisasse do homem que Deus modelou Adão, mas para ter alguém em quem depositasse os seus benefícios. Porque, não só antes de Adão mas mesmo antes de toda a criação, já o Verbo glorificava o Pai, permanecendo n'Ele, e era glorificado pelo Pai, tal como Ele próprio disse: "Pai, glorifica-Me com a glória que Eu tinha junto de Ti antes do princípio do mundo". Também não foi porque tivesse necessidade do nosso serviço que Ele nos ordenou que O seguíssemos, mas para nos obter a salvação. Porque seguir o Salvador é participar da salvação, tal como seguir a luz é tomar parte da luz.

    Quando os homens estão na luz, não são eles que iluminam a luz e a fazem resplandecer, antes são iluminados e tornados resplandecentes por ela; longe de lhe acrescentar o que quer que seja, eles beneficiam da luz e por ela são iluminados. O mesmo acontece com o serviço prestado a Deus; o nosso serviço não acrescenta nada a Deus, porque Deus não precisa do serviço dos homens; mas, àqueles que O servem e O seguem, Deus dá a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna...

    Se Deus solicita o serviço dos homens é para poder, Ele que é bom e misericordioso, conceder os seus benefícios aos que perseveram no seu serviço. Porque, se Deus não precisa de nada, o homem precisa da comunhão de Deus. A glória do homem é perseverar no serviço de Deus. É por isso que o Senhor dizia aos seus discípulos: "Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós" (Jo 15,16).

    Indicava assim que não eram eles que O glorificavam sguindo-O mas que, por terem seguido o Filho de Deus, eram glorificados por Ele. "Pai, quero que onde Eu estiver eles estejam também comigo, para contemplarem a minha glória" (Jo 17,24).

    "DISSE-VOS ISTO PARA QUE ENCONTREIS EM MIM A PAZ"

    Segunda-feira, dia 05 de Maio de 2008

    Santo Ângelo, presbítero, mártir, +1220

    Livro dos Actos dos Apóstolos 19,1-8.

    Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, depois de atravessar as regiões do interior, chegou a Éfeso. Encontrou alguns discípulos
    e perguntou-lhes: «Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?» Responderam: «Mas nós nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo.»
    E indagou: «Então, que baptismo recebestes?» Responderam eles: «O baptismo de João.»
    «João disse Paulo ministrou apenas um baptismo de penitência e dizia ao povo que acreditasse naquele que ia chegar depois dele, isto é, Jesus.»

    Quando isto ouviram, baptizaram-se em nome do Senhor Jesus.
    E, tendo-lhes Paulo imposto as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar línguas e a profetizar.
    Eram, ao todo, uns doze homens.
    Paulo foi, em seguida, à sinagoga, onde, durante três meses, falou desassombradamente e argumentava de forma a persuadir os seus ouvintes sobre o que dizia respeito ao Reino de Deus.

    Livro de Salmos 68(67),2-3.4-5.6-7.

    Levanta-se Deus: os seus inimigos dispersam-se e fogem diante dele os que o odeiam.

    Como se dissipa o fumo, assim eles se dissipam; como a cera se derrete ao fogo, assim desfalecem os ímpios diante de Deus.
    Mas os justos alegram-se e rejubilam; diante de Deus exultam de alegria.

    Louvai a Deus, cantai salmos ao seu nome, abri caminho àquele que cavalga sobre as nuvens; o seu nome é SENHOR! Exultai na sua presença!
    Ele é pai dos órfãos e defensor das viúvas, o Deus que habita no seu santo templo.

    Deus prepara uma casa para os desamparados e liberta aqueles que estão prisioneiros; mas os rebeldes viverão em terra estéril.

    Evangelho segundo S. João 16,29-33.

    Disseram-lhe os seus discípulos: «Agora, sim, falas claramente e não usas nenhuma comparação.
    Agora vemos que sabes tudo e não precisas de que ninguém te faça perguntas. Por isso, cremos que saíste de Deus!»
    Disse-lhes Jesus: «Agora credes?
    Eis que vem a hora e já chegou em que sereis dispersos cada um por seu lado, e me deixareis só, se bem que Eu não esteja só, porque o Pai está comigo.
    Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Siluane (1866-1938), monge ortodoxo
    Escritos Espirituais

    "Disse-vos isto para que encontreis em mim a paz"

    Não foi o próprio Senhor quem disse: "O Reino de Deus está em vós" (Lc 17,21)? É agora que começa a vida eterna. Peço-vos, meus irmãos, fazei a experiência! Se alguém vos ofender, vos caluniar, vous roubar o que vos pertence, mesmo se for um perseguidor, rezai a Deus dizendo: "Senhor, nós somos todos tuas criaturas, tem piedade dos teus servos e conduz-lhes o coração à penitência".

    Então, sentirás a graça na tua alma. Naturalmente que, ao princípio, tens de fazer algum esforço para amares os teus inimigos; mas o Senhor, ao ver a tua boa vontade, ajudar-te-á em todas as coisas e a própria experiência te mostrará o caminho. Pelo contrário, aquele que medita coisas más contra os seus inimigos não pode possuir o amor nem conhecer Deus.

    Não sejas nunca violento para com o irmão, nunca o julgues, convence-o na mansidão e no amor. O orgulho e a dureza roubam a paz. Ama, portanto, aquele que não te ama e reza por ele; assim, a tua paz não será perturbada.

    "QUEM ME VÊ, VÊ O PAI"

    Sabado, dia 03 de Maio de 2008

    S. Filipe e S. Tiago (menor), Apóstolos ,   ,   São Filipe, apóstolo ,   S. Tiago Menor, apóstolo

    1ª Carta aos Coríntios 15,1-8.

    Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão.

    Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze.

    Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram.
    Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos.
    Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto.

    Livro de Salmos 19(18),2-3.4-5.

    Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

    Um dia passa ao outro esta mensagem e uma noite dá conhecimento à outra noite.
    Não são palavras nem discursos cujo sentido se não perceba.

    Seu eco ressoou por toda a terra, e a sua palavra, até aos confins do mundo. Deus fez, lá no alto, uma tenda para o Sol,

    Evangelho segundo S. João 14,6-14.

    Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.
    Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»
    Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»

    Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'?
    Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras.
    Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras.

    Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai,
    e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Hilário (c. 315 - 367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja
    Sobre a Trindade, 7, 34-36

    "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta"

    Jesus disse: "Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas já o conheceis e o vistes". Vê-se o homem Jesus Cristo. Os apóstolos têm diante dos olhos o seu aspecto exterior, isto é, a sua natureza de homem, ao passo que Deus, liberto de toda a carne, não é reconhecível no miserável corpo carnal. Como é então que conhecer a Cristo pode ser também conhecer o Pai?
    Estas palavras inesperadas perturbam o apóstolo Filipe; a fraqueza do seu espírito humano não lhe permite compreender uma afirmação tão estranha...

    Então, com a impetuosidade que lhe permitiam a sua familiaridade e a sua fidelidade de apóstolo, ele interroga o Mestre: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta!" Não é que ele deseje contemplar o Pai com os seus olhos físicos, mas pede para compreender aquilo que vê com os seus olhos. Porque, vendo o Filho na sua forma humana, ele não compreende como, desse modo, tinha visto o Pai...

    O Senhor responde-lhe então: "Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces, Filipe?" Repreende-o por ignorar quem ele era... Porque é que não o tinham reconhecido, a ele que há tanto tempo procuravam? É que, para o reconhecerem, era preciso reconhecer que a divindade, a natureza do Pai, estava nele. Na verdade, todas as obras que ele tinha feito eram próprias de Deus: caminhar sobre as águas, dar ordens aos ventos, realizar coisas impossíveis de compreender, tais como mudar a água em vinho ou multiplcar os pães...,

    afugentar os demónios, expulsar as doenças, dar remédio às enfermidades do corpo, corrigir as malformações congénitas, perdoar os pecados, devolver a vida aos mortos. Eis tudo o que o seu corpo de carne tinha feito, e tudo isso lhe permite proclamar-se Filho de Deus. Daí a sua reprimenda e a sua queixa: por causa da realidade misteriosa do seu nascimento humano, não se tinham apercebido da natureza divina que realizava estes milagres nessa natureza humana que o Filho tinha assumido.

    "NINGUÉM TIRARA A VOSSA ALEGRIA"

    Sexta-feira, dia 02 de Maio de 2008

    Santo Atanásio, bispo, Doutor da Igreja, +373

    Livro dos Actos dos Apóstolos 18,9-18.

    Certa noite, o Senhor disse a Paulo, numa visão: «Nada temas, continua a falar e não te cales,
    porque Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade.»
    Então, ele ficou lá durante um ano e seis meses, a ensinar-lhes a palavra de Deus.
    Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus, de comum acordo, contra Paulo e levaram-no ao tribunal.
    «Este homem disseram eles induz as pessoas a prestar culto a Deus de uma forma contrária à Lei.»

    Paulo ia abrir a boca, quando Galião disse aos judeus: «Se se tratasse de uma injustiça ou grave delito, escutaria as vossas queixas, ó judeus, como é meu dever.
    Mas como se trata de um conflito doutrinal sobre palavras e nomes e acerca de vossa própria Lei, o assunto é convosco. Recuso-me a ser juiz em semelhante questão.»
    E mandou-os sair do tribunal.

    Então todos se apoderaram de Sóstenes, o chefe da sinagoga, e puseram-se a bater-lhe diante do tribunal. E Galião não se importou nada com isso.
    Depois de se ter demorado ainda algum tempo em Corinto, Paulo despediu-se dos irmãos e embarcou para a Síria, com Priscila e Áquila, rapando a cabeça em Cêncreas, por causa de um voto que tinha feito.

    Livro de Salmos 47(46),2-3.4-5.6-7.

    Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com brados de alegria,
    porque o SENHOR, o Altíssimo, é temível; Ele é o grande rei de toda a terra.

    Ele submeteu os povos ao nosso poder, pôs as nações a nossos pés.
    Para nós escolheu a nossa herança, a glória de Jacob, seu predilecto.

    Deus subiu por entre aclamações, o SENHOR subiu ao som da trombeta.
    Cantai a Deus, cantai! Cantai ao nosso rei, cantai!

    Evangelho segundo S. João 16,20-23.

    Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria!
    A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo.
    Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.
    Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), bispo de Hippone (África do Norte) e doutor da Igreja
    Sermões sobre S. João, nº 101

    «Ninguém tirará a vossa alegria»

    Estas palavras do Salvador: «Eu hei-de ver-vos de novo e o vosso coração alegrar-se-á e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» não devem ser reportadas a esse tempo em que, após a ressurreição, ele se mostrou aos seus discípulos na sua carne e lhes disse para o tocarem, mas a este outro tempo do qual ele já dissera: «Aquele que me ama, meu Pai o amará e eu me manifestarei a ele» (Jo 14,21).

    Esta visão não é para esta vida, mas para a do mundo que há-de vir. Ela não é para um tempo, mas não terá fim. «A vida eterna consiste nisto: que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste» (Jo 17,3). Desta visão e conhecimento, o apóstolo Paulo disse: «Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conheço de me maneira imperfeita: então, conhecerei exactamente, como também sou conhecido» (1 Cor 13,12).

    Este fruto do seu trabalho, a Igreja o produz agora no desejo, então ela o produzirá na visão; agora ela o produz na dor, então ela o produzirá na alegria; agora ela o produz na súplica, então ela o produzirá no louvor. Este fruto não terá fim, porque só o infinito nos será cumulado. É o que fazia Filipe dizer: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta» (Jo 14, 8).