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    "DESCERÁ SOBRE VÓS O ESPÍRITO SANTO DE DEUS"

    Quarta-feira, dia 30 de Abril de 2008

    S. Pio V, papa, +1572

    Livro dos Actos dos Apóstolos 17,15.22-34.18,1.

    Os que acompanhavam Paulo levaram-no a Atenas e regressaram, incumbidos de transmitir a Silas e a Timóteo a ordem de irem reunir-se a Paulo o mais rapidamente possível.
    De pé, no meio do Areópago, Paulo disse, então: «Atenienses, vejo que sois, em tudo, os mais religiosos dos homens.
    Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido.’ Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio.

    O Deus que criou o mundo e tudo quanto nele se encontra, Ele, que é o Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários construídos pela mão do homem,
    nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, Ele, que a todos dá a vida, a respiração e tudo mais.
    Fez, a partir de um só homem, todo o género humano, para habitar em toda a face da Terra; e fixou a sequência dos tempos e os limites para a sua habitação,
    a fim de que os homens procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo, mesmo tacteando, embora não se encontre longe de cada um de nós.

    É nele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos, como também o disseram alguns dos vossos poetas: ‘Pois nós somos também da sua estirpe.’
    Se nós somos da raça de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem.
    Sem ter em conta estes tempos de ignorância, Deus faz saber, agora, a todos os homens e em toda a parte, que todos têm de se arrepender,
    pois fixou um dia em que julgará o universo com justiça, por intermédio de um Homem, que designou, oferecendo a todos um motivo de crédito, com o facto de o ter ressuscitado de entre os mortos.»

    Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, uns começaram a troçar, enquanto outros disseram: «Ouvir-te-emos falar sobre isso ainda outra vez.»
    Foi assim que Paulo saiu do meio deles.
    Alguns dos homens, no entanto, concordaram com ele e abraçaram a fé, entre os quais Dionísio, o areopagita, e também uma mulher de nome Dâmaris e outros com eles.
    Depois disso, Paulo afastou-se de Atenas e foi para Corinto.

    Livro de Salmos 148(147),1-2.11-12.13.14.

    Louvai ao SENHOR do alto dos céus; louvai-o nas alturas!

    Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos celestes!
    Louvai-o, reis do mundo e todos os povos; todos os chefes e governantes do mundo;
    os jovens e as donzelas, os velhos e as crianças!

    Louvem todos o nome do SENHOR, pois só o seu nome é sublime e a sua glória está acima do céu e da terra!
    Ele engrandeceu a força do seu povo, Ele é a honra de todos os seus fiéis, dos filhos de Israel, seu povo amigo.

    Evangelho segundo S. João 16,12-15.

    «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora.
    Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir.
    Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer.
    Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.»

    Comentário ao Santo Evangelho: S. Siluane (1866-1938), monge ortodoxo
    Escritos espirituais

    "Quando vier, o Espírito de verdade guiar-vos-á para a verdade completa"

    Se quiseres rezar no teu coração e não fores capaz, contenta-te com dizer a oração com os lábios e mantém o teu espírito atento ao que dizes. Pouco a pouco, o Senhor te dará também a graça da oração interior e saberás então rezar sem distracções. Não procures realizar a oração do coração através de meios técnicos; prejudicarias o teu coração e, no fim, estarias a rezar só com os lábios. Reconhece a ordem da vida espiritual: Deus concede os seus dons à alma humilde e sincera. Sê obediente, conserva a moderação em tudo, no alimento, na palavra, em toda a atitude. Então o próprio Senhor te dará a graça da oração interior...

    O silêncio espiritual nasce do desejo de cumprir o mandamento de Cristo: "Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças" (Mt 12,33). Esse silêncio nasce da procura do Deus vivo, naquele que se quer libertar das tentações deste mundo para encontrar o Senhor na plenitude do amor, para viver em sua presença na pura oração. Senhor, como poderia eu não te procurar? Tu revelaste-te à minha alma de uma forma tão incrível!

    Fizeste-a prisioneira do teu amor, ela não pode esquecer-te. Com efeito, repentinamente, a alma reconhece o Senhor no Espírito Santo; quem pode descrever esta alegria e esta consolação? O Espírito Santo age no homem todo, na inteligência, na alma e no corpo; por isso, Deus é reconhecido na terra como no céu. Na sua infinita bondade, o Senhor concedeu-me esta graça, a mim que sou pecador, para que os homens o conheçam e se voltem para ele.

    "PARA ONDE VAIS?"

    Terça-feira, dia 29 de Abril de 2008

    Santa Catarina de Sena, virgem, Doutora da Igreja, Padroeira da Europa,+1380

    Livro dos Actos dos Apóstolos 16,22-34.

    A multidão amotinou-se contra eles; e os estrategos, arrancando-lhes as vestes, mandaram-nos açoitar.
    Depois de lhes terem dado muitas vergastadas, lançaram-nos na prisão, recomendando ao carcereiro que os tivesse sob atenta vigilância.
    Ao receber tal ordem, este meteu-os no calabouço interior e prendeu-lhes os pés no cepo.

    Cerca da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus, e os presos escutavam-nos.
    De repente, sentiu-se um violento tremor de terra que abalou os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e as cadeias de todos se desprenderam.
    Acordando em sobressalto, o carcereiro viu as portas da prisão abertas e puxou da espada para se matar, pensando que os presos se tinham evadido.
    Paulo, então, bradou com voz forte: «Não faças nenhum mal a ti mesmo, porque nós estamos todos aqui.»

    O carcereiro pediu luz, correu para dentro da masmorra e lançou-se a tremer, aos pés de Paulo e de Silas.
    Depois, trouxe-os para fora e perguntou: «Senhores, que devo fazer para ser salvo?»
    Eles responderam: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo tu e os teus.»
    E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, assim como aos que estavam na sua casa.
    O carcereiro, tomando-os consigo, àquela hora da noite, lavou-lhes as feridas e imediatamente se baptizou, ele e todos os seus.
    Depois, levando-os para cima, para a sua casa, pôs-lhes a mesa e entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus.

    Livro de Salmos 138(137),1-2.2-3.7-8.

    Dou-te graças, SENHOR, de todo o coração, na presença dos poderosos te hei de louvar.

    Inclino-me voltado para o teu santo templo e louvarei o teu nome, pela tua bondade e pela tua fidelidade, porque foste mais além das tuas promessas.
    Inclino-me voltado para o teu santo templo e louvarei o teu nome, pela tua bondade e pela tua fidelidade, porque foste mais além das tuas promessas.

    Quando te invoquei, atendeste-me e aumentaste as forças da minha alma.
    Quando estou em angústia, conservas-me a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua mão direita me salva.
    SENHOR tudo fará por mim! Ó SENHOR, o teu amor é eterno! Não abandones a obra das tuas mãos!

    Evangelho segundo S. João 16,5-11.

    «Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: 'Para onde vais?'
    Mas, por vos ter anunciado estas coisas, o vosso coração ficou cheio de tristeza.
    Contudo, digo-vos a verdade: é melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei.

    E, quando Ele vier, dará ao mundo provas irrefutáveis de uma culpa, de uma inocência e de um julgamento: de uma culpa, pois não creram em mim;
    de uma inocência, pois Eu vou para o Pai, e já não me vereis;
    de um julgamento, pois o dominador deste mundo ficou condenado.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Santa Teresa Benedita da Cruz [€dite Stein] (1891-1942) carmelita, mátir, co-padroeira da Europa
    Poesia de Pentecostes 1937

    "É bom para vós que eu parta porque, se não partir, o Paráclito não virá a vós"

    Quem és tu, doce luz que me enches
    e iluminas as trevas do meu coração?...
    És o Mestre da obra,
    o construtor da eterna catedral
    que se eleva desde a terra ao Céu?
    Tu dás vida às suas colunas, que se erguem,
    altas e rectas, sólidas e imutáveis (Ap 3,12).
    Marcadas pelo sinal do Nome divino e eterno,
    lançam-se para a luz e suportam a cúpula
    que termina e coroa a santa catedral,
    a tua obra que abraça o universo inteiro:
    o Espírito Santo, Mão criadora de Deus!...

    És tu o doce cântico do amor
    e do sagrado respeito que ressoa sem fim
    à volta do trono da Trindade santa (Ap 4,8),
    sinfonia em que ecoa
    a nota pura dada por cada criatura?
    O som harmonioso,
    o acorde unânime dos membros e da Cabeça (Ef 4,15),
    no qual cada um, no auge da alegria,
    descobre o sentido misterioso do seu ser
    e o deixa brotar em gritos de júbilo,
    livre e paricipante no seu próprio jorrar:
    Espírito Santo eterno júbilo!

    "IDE PELO MUNDO INTEIRO, PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA"

    Sexta-feira, dia 25 de Abril de 2008

    S. Marcos, Evangelista ,   S. Marcos, evangelista, +74

    1ª Carta de S. Pedro 5,5-14.

    Igualmente, vós, jovens, sede submissos aos presbíteros; e revesti-vos todos de humildade no trato uns com os outros, porque Deus opõe-se aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes.
    Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no devido tempo.Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós.
    Sede sóbrios e vigiai, pois o vosso adversário, o diabo, como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar.

    Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que a vossa comunidade de irmãos, espalhada pelo mundo, suporta os mesmos padecimentos.
    Depois de terdes padecido por um pouco de tempo, o Deus que é todo graça e vos chamou em Jesus Cristo à sua eterna glória, há-de restabelecer-vos e consolidar-vos, tornar-vos firmes e fortes. Para Ele o poder pelos séculos dos séculos. Ámen.

    Por Silvano, a quem considero um irmão fiel, escrevo-vos estas breves palavras, para vos exortar e para vos assegurar que esta é a verdadeira graça de Deus; perseverai nela!
    Manda-vos saudações a comunidade dos eleitos que está em Babilónia e, em particular, Marcos, meu filho.
    Saudai-vos uns aos outros com um ósculo de irmãos que se amam. Paz a todos vós, que estais em Cristo.

    Livro de Salmos 89(88),2-3.6-7.16-17.

    Hei-de cantar para sempre o amor do SENHOR; a todas as gerações anunciarei a sua fidelidade.

    Proclamarei que o teu amor é para sempre, e que a tua fidelidade é eterna como o céu.
    Os céus celebram as tuas maravilhas, SENHOR, e a assembleia dos santos, a tua fidelidade.

    Quem, nos céus, poderá comparar-se ao SENHOR? Quem, entre os deuses, se lhe poderá igualar?

    Feliz da nação que sabe louvar-te, SENHOR, que sabe caminhar na luz do teu rosto.
    Em teu nome rejubila a toda a hora e se gloria com a tua justiça.

    Evangelho segundo S. Marcos 16,15-20.

    E disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.
    Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado.
    Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.»

    Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus. Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam.

    Santo Ireneu de Lyon (c. 130 - c. 208), bispo, teólogo e mártir
    Contra as Heresias, III 1,1

    "Proclamai a Boa Nova a toda a criação"

    A partir do momento em que nosso Senhor ressuscitou dos mortos e os apóstolos foram revestido com a força do alto pela vinda do Espírito Santo (Lc 24,49), eles ficaram cheios de certeza a propósito de tudo e receberam o perfeito conhecimento. Então, foram até às extremidades da terra (Sl 18,5), proclamando a Boa Nova que nos vem de Deus e anunciando aos homens a paz do céu, eles que possuíam todos por igual e cada um em particular o Evangelho de Deus.

    Assim, Mateus, no meio dos Hebreus e na sua própria língua, publicou uma forma escrita do Evangelho, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam Roma e aí fundavam a Igreja. Após a morte deles, Marcos, discípulo de Pedro e seu intérprete (1Pe 5,19), transmitiu-nos também por escrito a pregação de Pedro. Por seu lado, Lucas, companheiro de Paulo, consignou num livro o Evangelho pregado por este. Por fim, João, o discípulo do Senhor, o mesmo que tinha repousado sobre o seu peito, publicou também ele o Evangelho, durante a sua estadia em Éfeso...

    Marcos, intérprete e companheiro de Pedro, apresentou assim o início da sua redacção do Evangelho: «Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Tal com está escrito nos profetas, "eis que envio o meu mensageiro diante de ti para preparar o teu caminho"»... Como se vê, Marcos faz das palavras dos santos profetas o início do Evangelho, e aquele que os profetas proclamaram como Deus e Senhor, Marcos põe-no logo a abrir como Pai de nosso Senhor Jesus Cristo...

    No fim do Evangelho, Marcos diz: «E o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi levado aos céus e sentou-se à direita de Deus». É a confirmação da palavra do profeta: «Oráculo do Senhor ao meu senhor: Senta-te à minha direita e eu farei dos teus inimigos escabelo para os teus pés» (Sl 109,1).

    25 de Abril

    São Marcos

    Admite-se que o autor do Segundo Evangelho e o Marco - primo de Barnabé, de que se fala nos Actos e nas Epístolas - sejam uma só e a mesma pessoa. Marcos e Maria viviam em Jerusalém. A sua casa servia de local de reunião dos primeiros cristãos. Discípulo de São Paulo, esteve ao seu lado quando este ficou preso em Roma. Foi também discípulo de São Pedro: \"a que (Igreja) está em Babilónia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho\" (1 Pedro 5,13s.).

    Santo Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem decididamente a Marcos, discípulo e intérprete de São Pedro, o segundo Evangelho. E segundo os críticos modernos, o evangelho de Marcos foi escrito por volta dos anos 60/70 e dirigido aos cristãos de Roma.

    "DISSE-VOS ISTO PARA QUE A MINHA ALEGRIA ESTEJA EM VÓS E A VOSSA ALEGRIA SEJA COMPLETA"

    Quinta-feira, dia 24 de Abril de 2008

    S. Fidélis (Fiel) de Sigmaringa, mártir, +1622

    Livro dos Actos dos Apóstolos 15,7-21.

    Depois de longa discussão, Pedro ergueu-se e disse-lhes: «Irmãos, sabeis que Deus me escolheu, desde os primeiros dias, para que os pagãos ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho e abraçassem a fé. E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo como a nós. Não fez qualquer distinção entre eles e nós, visto ter purificado os seus corações pela fé. Porque tentais agora a Deus, querendo impor aos discípulos um jugo que nem os nossos pais nem nós tivemos força para levar? Além disso, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos que seremos salvos, exactamente como eles.»

    Toda a assembleia ficou em silêncio e se pôs a ouvir Barnabé e Paulo a descrever os milagres e prodígios que Deus realizara entre os pagãos, por intermédio deles. Quando acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: «Irmãos, escutai-me. Simão contou como Deus, desde o princípio, se dignou intervir para tirar de entre os pagãos um povo que fosse consagrado ao seu nome. E com isto concordaram as palavras dos profetas, conforme está escrito:

    Depois disto, hei-de voltar a reconstruir a tenda de David, que estava caída; reconstruirei as suas ruínas e erguê-la-ei de novo, a fim de que o resto dos homens procure o Senhor, bem como todos os povos que foram consagrados ao meu nome diz o Senhor, que dá a conhecer estas coisas desde a eternidade.

    Por isso, sou de opinião que não se devem importunar os pagãos convertidos a Deus. Que se lhes diga apenas para se absterem de tudo quanto foi conspurcado pelos ídolos, da imoralidade, das carnes sufocadas e do sangue. Desde os tempos antigos, Moisés tem em cada cidade os seus pregadores e é lido todos os sábados nas sinagogas.»

    Livro de Salmos 96(95),1-2.2-3.10.

    Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, terra inteira!

    Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, proclamai, dia após dia, a sua salvação.
    Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, proclamai, dia após dia, a sua salvação.

    Anunciai aos pagãos a sua glória e a todos os povos, as suas maravilhas. Proclamai entre os povos: «O Senhor é rei!» Por isso, a terra está firme, não vacila; Deus governa os povos com equidade.

    Evangelho segundo S. João 15,9-11.

    «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.

    Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, doutor da Igreja
    Prosologion, 26

    "Disse-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa"

    Eu te peço, meu Deus: faz com que te conheça, que te ame, para que a minha alegria esteja em ti. E, se isso não for plenamente possível nesta vida, faz ao menos que eu progrida todos os dias, até atingir a plenitude. Que nesta vida o teu conhecimento cresça em mim e que ele esteja completo no último dia; que o teu amor cresça em mim e que ele seja perfeito na vida futura, para que a minha alegria, já grande em esperança cá na terra, seja então acabada na realidade.

    Senhor Deus, através do teu Filho deste-nos a ordem, ou melhor, aconselhaste-nos a pedir; e prometeste que seríamos atendidos, para que a nossa alegria seja perfeita (Jo 16,24). Faço-te, Senhor, a oração que nos sugeres pela boca daquele que é o nosso "Conselheiro Admirável" (Is 9,5). Que eu possa receber o que prometeste pela boca daquele que é a Verdade, para que a minha alegria seja perfeita. Deus verdadeiro, faço-te esta oração; atende-me para que a minha alegria seja perfeita.

    Que doravante seja esta a meditação do meu espírito e a palavra dos meus lábios. Seja este o amor do meu coração e o discurso da minha boca, seja a fome da minha alma, a sede da minha carne e o desejo de todo o meu ser, até ao dia em que eu entre na alegria do Senhor (Mt 25,21), Deus único em três Pessoas, bendito pelos séculos. Amen.

    "SE ALGUÉM ME AMA, O MEU PAI O AMARÁ"

    Segunda-feira, dia 21 de Abril de 2008

    Santo Anselmo de Cantuária, bispo, Doutor da Igreja, +1109,

    Livro dos Actos dos Apóstolos 14,5-18.

    Entre os pagãos e os judeus, conduzidos pelos respectivos chefes, levantou-se um movimento para os maltratar e apedrejar.
    Logo que tiveram conhecimento disso, refugiaram-se nas cidades da Licaónia, Listra e Derbe, e arredores,
    onde começaram a anunciar a Boa-Nova.
    Havia em Listra um homem aleijado dos pés, coxo de nascença e que nunca tinha andado.
    Um dia, ouviu Paulo falar. Este, fitando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado, disse-lhe em voz alta: «Ergue-te, direito sobre os teus pés!» Ele deu um salto e começou a andar.

    Ao ver o que Paulo acabava de fazer, a multidão gritou em licaónio: «Os deuses tomaram forma humana e desceram até nós!»
    E chamavam Zeus a Barnabé, e Hermes a Paulo, pois este é que lhes dirigia a palavra.
    Então, o sacerdote do templo de Zeus, venerado junto da cidade, trazendo touros e grinaldas para as portas da cidade, pretendia, juntamente com a multidão, oferecer-lhes um sacrifício.
    Ao terem conhecimento disso, os Apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e precipitaram-se para a multidão, gritando:
    «Amigos, que fazeis? Também nós somos homens da mesma condição que vós, homens que vos anunciam a Boa-Nova de que deveis abandonar os ídolos vãos e voltar-vos para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles se encontra.

    Nas gerações passadas, permitiu que todos os povos seguissem os seus próprios caminhos, mas nem por isso deixou de dar testemunho da sua generosidade, dispensando-vos do céu chuvas e estações de fertilidade, enchendo os vossos corações de alimento e de felicidade.»
    Mesmo depois de terem assim falado, foi a custo que impediram a multidão de lhes oferecer um sacrifício.

    Livro de Salmos 115(113B),1-2.3-4.15-16.

    Não a nós, ó SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, pelo teu amor e fidelidade.
    Se não, os pagãos vão continuar a dizer: «Onde está o vosso Deus?»

    Nosso Deus, lá do céu, faz tudo o que lhe apraz.
    Os ídolos dos pagãos são ouro e prata, obra das mãos dos homens.

    Sede abençoados pelo SENHOR, que fez o céu e a terra.
    Céu é pertença do SENHOR; mas a terra, Ele a deu aos seres humanos.

    Evangelho segundo S. João 14,21-26.

    Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.»
    Perguntou-lhe Judas, não o Iscariotes: «Porque te hás-de manifestar a nós e não te manifestarás ao mundo?»
    Respondeu-lhe Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.

    Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou».
    «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco;
    mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»

    S. Nicolau Cabasilas (cerca 1320-1363), teólogo laico grego
    A Vida em Cristo, IV, 6-8

    «Se alguém me ama..., meu Pai amá-lo-á, e habitaremos nele»

    A promessa vinculada à mesa eucarística faz-nos habitar em Cristo e Cristo em nós, porque está escrito: «Permanece em Mim e Eu nele» (Jo 6,56). Se Cristo habita em nós, de que necessitaremos? O que nos poderá faltar? Se permanecemos em Cristo, que mais poderemos desejar? Ele é ao mesmo tempo nosso hóspede e nossa morada. Nós somos felizes por sermos sua habitação! Que alegria em sermos nós próprios a morada de um tal hóspede!

    Que bem poderia faltar aos que ele trata deste modo? Que teriam eles de comum com o mal, os que resplandecem numa tal luz? Que mal poderia resistir a tanto bem? Mais ninguém pode morar em nós ou vir assaltar-nos quando Cristo se une a nós deste modo. Ele rodeia-nos e penetra o mais profundo de nós mesmos; ele é a nossa protecção, o nosso refúgio; ele encerra-nos de todos os lados. Ele é nossa morada, e é o hóspede que enche toda a sua casa.

    Porque nós não recebemos uma parte dele mas ele próprio, não um raio de luz mas o sol..., a ponto de formar com ele um só espírito (1Cor 6,17) ... A nossa alma está unida à sua alma, o nosso corpo ao seu corpo e o nosso sangue ao seu sangue... Como disse S. Paulo: «O nosso ser mortal é absorvido pela vida» (2Cor 5,4) e «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2,20).

    "NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS"

    Domingo, dia 20 de Abril de 2008

    5º Domingo de Páscoa, ano A (semana I do saltério) ,   S. Teodoro, presbítero, +613 ,   Santa Inês de Montepulciano, virgem, +1312

    Livro dos Actos dos Apóstolos 6,1-7.

    Por esses dias, como o número de discípulos ia aumentando, houve queixas dos helenistas contra os hebreus, porque as suas viúvas eram esquecidas no serviço diário.
    Os Doze convocaram, então, a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém deixarmos a palavra de Deus, para servirmos às mesas.
    Irmãos, é melhor procurardes entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria; confiar-lhes-emos essa tarefa.

    Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra.»
    A proposta agradou a toda a assembleia e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócuro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
    Foram apresentados aos Apóstolos que, depois de orarem, lhes impuseram as mãos.
    A palavra de Deus ia-se espalhando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém, e grande número de sacerdotes obedeciam à Fé.

    Livro de Salmos 33(32),1-2.4-5.18-19.

    Exultai, ó justos, no SENHOR; louvai-o, rectos de coração.
    Louvai o SENHOR com a cítara; cantai-lhe salmos com a harpa de dez cordas.

    As palavras do SENHOR são verdadeiras, as suas obras nascem da fidelidade.
    Ele ama a rectidão e a justiça; a terra está cheia da sua bondade.

    Os olhos do SENHOR velam pelos seus fiéis, por aqueles que esperam na sua bondade,
    para os libertar da morte e os manter vivos no tempo da fome.

    1ª Carta de S. Pedro 2,4-9.

    Aproximando-vos dele, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus,
    também vós – como pedras vivas – entrais na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
    Por isso se diz na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida, preciosa; quem crer nela não será confundido.

    A honra é, então, para vós, os crentes; mas, para os incrédulos, a pedra que os construtores rejeitaram, esta mesma tornou-se a pedra angular,
    e também uma pedra que faz tropeçar, uma pedra de escândalo. Tropeçam nela porque não creram na palavra; para isso estavam destinados.
    Vós, porém, sois linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamardes as maravilhas daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável;

    Evangelho segundo S. João 14,1-12.

    Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim.
    Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?
    E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também.
    E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.»
    Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?»
    Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.
    Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»

    Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»
    Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'?
    Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras.
    Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras.
    Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai,

    Comentário ao Santo Evangelho: Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da igreja, co-padroeira da Europa
    Oração 16

    «Na casa de meu Pai há muitas moradas»

    Tu queres, Pai eterno, que te sirvamos segundo a tua vontade, e conduzes os teus servidores de diferentes maneiras e por diversas vias. Assim tu mostras que não devemos de modo algum julgar as intenções do homem pelos actos que nos apercebemos do exterior... A alma que na tua luz vê a luz (Sl 35,10) regozija-se ao contemplar em cada homem as tuas formas variadas, as tuas vias inumeráveis.

    Porque ainda que caminhem por diferentes vias, eles não correm menos pela estrada da tua ardente caridade. De resto, sem isso eles não seguiriam verdadeiramente a tua verdade. É por isso que vemos alguns correr por um caminho de penitência, estabelecida na mortificação corporal; outros estabelecidos sobre a humildade e a mortificação da sua própria vontade; outros sobre uma fé viva; outros sobre a misericórdia; e outros todos abertos ao amor ao próximo, depois de se terem esquecido de si mesmos. 

    Por este modo de ver, a alma... desenvolve-se e adquire a luz sobrenatural pela qual descobre a largueza sem medida da tua bondade. Como têm o sentido do real, esses que vêem a tua vontade em todas as coisas! Em todas as acções dos homens, eles consideram a tua vontade sem julgar a das criaturas. Compreenderam bem e receberam a doutrina da tua verdade, quando diz: «não julgueis segundo as aparências» (Jo 7,24).

    Ó Verdade eterna, qual é o teu ensinamento? Por que caminho é que tu queres que vamos ao Pai? Que via nos convém seguir? Não posso ver outra estrada que não seja a que pavimentaste com as virtudes verdadeiras e reais da tua ardente caridade. Tu, Verbo eterno, tu a aspergiste com o teu sangue; é ela a via. 

    "QUEM ME VÊ, VÊ O PAI"

    Sabado, dia 19 de Abril de 2008

    Santo Expedito, mártir, séc. III ,   Nossa Senhora da Alegria

    Livro dos Actos dos Apóstolos 13,44-52.

    No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor.
    A presença da multidão encheu os judeus de inveja, e responderam com blasfémias ao que Paulo dizia.
    Então, desassombradamente, Paulo e Barnabé afirmaram: «Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada. Visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os pagãos,
    pois assim nos ordenou o Senhor: Estabeleci-te como luz dos povos, para levares a salvação até aos confins da Terra.»

    Ao ouvirem isto, os pagãos encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
    Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda aquela região.
    Mas os judeus incitaram as senhoras devotas mais distintas e os de maior categoria da cidade, desencadeando uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu território.
    Estes, sacudindo contra eles o pó dos pés, foram para Icónio.
    Quanto aos discípulos, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

    Livro de Salmos 98,1.2-3.3-4.

    Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque Ele fez maravilhas! A sua mão direita e o seu santo braço lhe deram a vitória.

    SENHOR anunciou a sua vitória, revelou aos povos a sua justiça.
    Lembrou-se do seu amor e da sua fidelidade em favor da casa de Israel. Todos os confins da terra presenciaram o triunfo libertador do nosso Deus.

    Lembrou-se do seu amor e da sua fidelidade em favor da casa de Israel. Todos os confins da terra presenciaram o triunfo libertador do nosso Deus.
    Aclamai o SENHOR, terra inteira, exultai de alegria e cantai.

    Evangelho segundo S. João 14,7-14.

    Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»
    Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»
    Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'?
    Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras.

    Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras.
    Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai,
    e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Orígenes (c.185-253), presbítero e teólogo
    A Oração, 31

    «O que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai»

    Quer-me parecer que quem se dispõe a orar deverá recolher-se e procurar preparar-se um pouco para conseguir ficar mais atento, mais concentrado no todo da sua oração. Deve também afastar do seu pensamento a ansiedade e a perturbação, e esforçar-se por lembrar a grandeza de Deus de quem se aproxima, pensar também que será ímpio se a Ele se apresentar sem a necessária atenção, sem algum esforço, mas com uma espécie de à vontade; deve, enfim, rejeitar todos os pensamentos excêntricos.

    Ao começar a oração, devemos apresentar, digamos, a alma antes das mãos, erguer a Deus o espírito antes dos olhos, libertar o espírito da terra antes de o elevarmos para o oferecer ao Senhor do universo, depor, enfim, quaisquer ressentimentos por ofensas que cremos ter sofrido, se de facto desejamos que Deus esqueça o mal cometido contra Ele próprio, contra os nossos semelhantes, ou contra a boa razão.

    Dado que podem ser muitas as atitudes do corpo, o gesto de erguer as mãos e os olhos aos céus deve claramente ser preferido a todos os outros, para assim exprimirmos no corpo a imagem das disposições da alma durante a oração [...], mas as circunstâncias podem por vezes levar-nos a rezar sentados [...] ou mesmo deitados [...]. No que diz respeito à oração de joelhos, esta torna-se necessária sempre que acusamos os nossos pecados perante Deus, e Lhe suplicamos que deles nos cure e nos absolva.

    Essa atitude é o símbolo da humilhação e da submissão de que fala Paulo, quando escreve: «É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra» (Ef 3, 14-15). Trata-se da genuflexão espiritual, assim chamada porque todas as criaturas adoram a Deus no nome de Jesus e humildemente a Ele se submetem. O apóstolo Paulo parece fazer uma alusão a isso quando diz: «Para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra» (Fl 2,10).

    "EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA"

    Sexta-feira, dia 18 de Abril de 2008

    Santa Maria da Encarnação, viúva, +1618

    Livro dos Actos dos Apóstolos 13,26-33.

    Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que de entre vós são tementes a Deus, a nós é que foi dirigida a palavra de salvação.
    Sem dúvida, os habitantes de Jerusalém e os seus chefes não quiseram reconhecer Jesus, mas, condenando-o, cumpriram, sem disso se aperceberem, as profecias que são lidas todos os sábados.
    Embora não tivessem encontrado nele motivo algum de morte, exigiram a Pilatos que o mandasse matar.
    Quando cumpriram tudo o que acerca dele estava escrito, desceram-no do madeiro e sepultaram-no.

    Mas Deus ressuscitou-o dos mortos e, durante muitos dias, apareceu aos que tinham subido com Ele da Galileia a Jerusalém, os quais são agora suas testemunhas diante do povo.
    E nós estamos aqui para vos anunciar a Boa-Nova de que a promessa feita a nossos pais,
    Deus a cumpriu em nosso benefício, para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no Salmo segundo: Tu és meu filho, Eu hoje te gerei!

    Livro de Salmos 2,6-7.8-9.10-11.

    «Fui Eu que consagrei o meu rei sobre o meu monte santo de Sião!»

    Vou anunciar o decreto do SENHOR. Ele disse-me: «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.
    Pede-me e Eu te darei povos como herança e os confins da terra por domínio.
    Hás-de governá-los com ceptro de ferro e destruí-los como um vaso de barro.»

    agora, prestai atenção, ó reis! Deixai-vos instruir, juízes da terra!
    Servi o SENHOR com temor, prestai-lhe homenagem com tremor,

    Evangelho segundo S. João 14,1-6.

    Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim.
    Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?
    E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também.
    E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.»

    Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?»
    Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.

    São Tomás de Aquino (1225-1274), téologo dominicano, doutor da Igreja
    Comentário ao evangelho de S. João, 14,2

    «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

    Cristo é ao mesmo tempo o caminho e o fim: o caminho, pela sua humanidade, o fim, pela sua divindade. Assim, enquanto homem que é, diz: «Eu sou o Caminho» e, enquanto Deus que é, a isto acrescenta: «A Verdade e a Vida». Estas duas últimas palavras designam bem o fim desse caminho, pois o fim desse caminho é o fim do desejo humano [...]. Cristo é o caminho para se atingir o conhecimento da verdade, sendo Ele próprio a verdade: «Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e caminharei na verdade» (Sl 85,11). E Cristo é o caminho para se chegar à vida, sendo Ele próprio a vida: «Hás-de ensinar-me o caminho da vida» (Sl 15,11) [...].

    Se procuras pois um caminho a seguir, segue a Cristo, pois Ele próprio é o caminho: «Este é o caminho a seguir» (Is 30,21). E comenta Santo Agostinho: «Caminha seguindo o homem e chegarás a Deus». Porque mais vale coxear durante o caminho do que caminhar a passos largos mas fora do caminho. Aquele que no caminho coxeia, mesmo se não avançar, aproxima-se do seu fim: mas aquele que caminha fora do caminho, quanto mais denodadamente correr, mais do seu fim se afastará.

    Se procuras para onde ir, sê unido a Cristo, porque Ele é em pessoa a verdade a que desejamos chegar: «Sim, é a verdade que a minha boca proclama» (Pr 8,7). Se procuras onde ficar, fica junto a Cristo porque Ele é, em pessoa, a vida: «Aquele que me encontrar, encontrará a vida» (Pr 8,35).

    EM VERDADE, EM VERDADE VOS DIGO: NÃO É O SERVO MAIOR QUE O SEU SENHOR

    Quinta-feira, dia 17 de Abril de 2008

    Beata Catarina Tekakwitha, índia, mártir, +1680

    Livro dos Actos dos Apóstolos 13,13-25.

    De Pafos, onde embarcaram Paulo e os companheiros, dirigiram-se a Perga da Panfília. João, porém, separando-se deles, voltou para Jerusalém.
    Quanto àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
    Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: «Irmãos, se tiverdes alguma exortação a dirigir ao povo, falai.»
    Então, Paulo, levantando-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós os tementes a Deus, escutai:

    O Deus deste povo, o Deus de Israel, escolheu os nossos pais e engrandeceu este povo durante a sua permanência no Egipto. Depois, com a força do seu braço, retirou-o de lá
    e, durante uns quarenta anos, sustentou-o no deserto.
    A seguir, exterminando sete nações na terra de Canaã, conferiu-lhes a posse do seu território, por cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois disso, deu-lhes juizes até ao profeta Samuel.
    Em seguida, pediram um rei, e Deus concedeu-lhes, durante quarenta anos, Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim.

    Pondo este de parte, Deus elevou David como rei, e a seu respeito deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades.’
    Da sua descendência, segundo a sua promessa, Deus proporcionou a Israel um Salvador, que é Jesus.
    João preparou a sua vinda, anunciando um baptismo de penitência a todo o povo de Israel.
    Quase a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém cujas sandálias não sou digno de desatar.’

    Livro de Salmos 89(88),2-3.21-22.25.27.

    Hei-de cantar para sempre o amor do SENHOR; a todas as gerações anunciarei a sua fidelidade.

    Proclamarei que o teu amor é para sempre, e que a tua fidelidade é eterna como o céu.
    Encontrei David, meu servo, e ungi-o com óleo santo.

    Minha mão estará sempre com ele e o meu braço há-de torná-lo forte.
    Minha fidelidade e o meu amor estarão com ele; pelo meu nome crescerá o seu poder.
    Ele me invocará, dizendo: ‘Tu és meu pai, és o meu Deus e o rochedo da minha salvação!’

    Evangelho segundo S. João 13,16-20.

    Em verdade, em verdade vos digo, não é o servo mais do que o seu Senhor, nem o enviado mais do que aquele que o envia.

    Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática.
    Não me refiro a todos vós. Eu bem sei quem escolhi, e há-de cumprir-se a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar.
    Desde já vo-lo digo, antes que isso aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu sou.

    Em verdade, em verdade vos digo: quem receber aquele que Eu enviar é a mim que recebe, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.»

    Comentário do Santo Evangelho: Santa Teresa do Menino Jesus (187-1897), carmelita, doutora da Igreja
    Manuscrito autobiográfico B, 2vº-3vº

    «Receber aquele que eu envio é receber-me a mim próprio; e receber-me é receber aquele que me enviou»

    Ser tua esposa, ó Jesus, ser carmelita, ser, pela minha união contigo, a mãe das almas, isso deveria ser-me suficiente. Não é assim. Sem dúvida estes três privilégios – carmelita, esposa e mãe - são a minha vocação; contudo, sinto em mim outras vocações... Sinto a necessidade, o desejo de realizar para ti, Jesus, todas as obras mais heróicas...

    Apesar da minha pequenez, queria iluminar as almas como os profetas, os doutores; tenho a vocação de ser apóstola. Queria percorrer a Terra, pregar o teu nome e implantar no solo infiel a tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria suficiente; queria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nos cinco cantos do mundo e até nas ilhas mais remotas. Queria ser missionária, não só durante alguns anos mas queria sê-lo desde a criação do mundo até à consumação dos séculos...

    Ó meu Jesus! A todas as minhas tolices, o que vais responder? Haverá alma mais pequena, mais impotente do que a minha? E contudo, mesmo por causa da minha fraqueza, quiseste, Senhor, encher os meus desejozinhos infantis, e queres agora encher outros desejos maiores que o universo... Compreendi que o amor continha todas as vocações, que o amor era tudo, que abraçava todos os tempos e lugares; numa palavra, que ele era a vida eterna... A minha vocação, descobri enfim, é o amor.

    "EU SOU A LUZ..."

    Quarta-feira, dia 16 de Abril de 2008

    S. Bento José Labre, peregrino, +1783 ,   Santa Engrácia de Saragoça, virgem, mártir, +305

    Livro dos Actos dos Apóstolos 12,24-25.13,1-5.

    Entretanto, a palavra de Deus crescia e multiplicava-se.
    Barnabé e Saulo, depois de terem cumprido a sua missão, regressaram de Jerusalém, levando consigo João, de sobrenome Marcos.
    Havia na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores: Barnabé, Simeão, chamado ‘Níger’, Lúcio de Cirene, Manaen, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo.

    Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei.»
    Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.
    Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de Chipre.

    Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar.

    Livro de Salmos 67(66),2-3.5.6.8.

    Deus se compadeça de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a luz do seu rosto.

    Sejam conhecidos na terra os teus caminhos e entre as nações, a tua salvação!
    Alegrem-se e exultem as nações, porque julgas os povos com justiça e governas as nações sobre a terra.

    Que os povos te louvem, ó Deus! Todos os povos te louvem!
    Que Deus nos abençoe; e o seu temor chegue aos confins da terra!

    Evangelho segundo S. João 12,44-50.

    Jesus levantou a voz e disse: «Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou;
    e quem me vê a mim vê aquele que me enviou.
    Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas.
    Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar.

    Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia;
    porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar.

    E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim.»

    Orígenes (c.185-253), padre e teólogo
    Homilias sobre o Génesis, 1, 5-7

    «Eu sou a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas»

    Cristo é «a luz do mundo» (Jo 8, 12) e Ele ilumina a Igreja com a sua luz. E, tal como a lua recebe a sua luz do sol a fim de iluminar a noite, assim também a Igreja, recebendo a luz de Cristo, ilumina todos aqueles que se encontram na noite da ignorância...

    É pois Cristo que é «a verdadeira luz que ilumina todo o homem vindo a este mundo» (Jo 1,9), e a Igreja, recebendo a sua luz, torna-se, ela própria, luz do mundo, «iluminando aqueles que caminham nas trevas» (Rom 2,19), de acordo com esta palavra de Cristo aos seus discípulos: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14). Do que se conclui que Cristo é a luz dos apóstolos, e os apóstolos, por sua vez, a luz do mundo.

    "EU DOU A MINHA VIDA PELAS MINHAS OVELHAS"

    Segunda-feira, dia 14 de Abril de 2008

    S. Pedro Gonçalves Telmo, confessor, +1246

    Livro dos Actos dos Apóstolos 11,1-18.

    Os Apóstolos e os irmãos da Judeia ouviram, entretanto, dizer que também os pagãos tinham recebido a palavra de Deus.
    E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os circuncisos começaram a censurá-lo,
    dizendo-lhe: «Tu entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles.»
    Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo:
    «Estava eu em oração na cidade de Jope quando, em êxtase, tive uma visão: um objecto semelhante a uma grande toalha, descia do céu, preso pelas quatro pontas, e chegou até junto de mim.

    Fitando os olhos nele, pus-me a observar e vi os quadrúpedes da terra, os animais ferozes, os répteis e as aves do céu.
    Ouvi também uma voz que me dizia: ‘Vamos, Pedro, mata e come.’
    Mas eu respondi: ‘De modo algum, Senhor! Nunca entrou na minha boca nada de profano ou impuro!’
    A voz fez-se ouvir do Céu, pela segunda vez: ‘O que Deus purificou não o consideres tu impuro.’
    Isto repetiu-se três vezes; depois, tudo foi novamente elevado ao Céu.
    Nesse instante, apresentaram-se três homens na casa em que estávamos, enviados de Cesareia à minha presença.

    O Espírito disse-me que os acompanhasse, sem hesitar. Vieram também comigo os seis irmãos, aqui presentes, e entrámos em casa do homem.
    Ele contou-nos que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa, dizendo-lhe: ‘Envia alguém a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro;
    ele dir-te-á palavras que te hão-de trazer a salvação, a ti e a toda a tua casa.’
    Ora, quando principiei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós, ao princípio.

    Recordei-me, então, da palavra do Senhor, quando Ele dizia: ‘João baptizou em água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo.’
    Se Deus, portanto, lhes concedeu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para me opor a Deus?»
    Estas palavras apaziguaram-nos, e eles deram glória a Deus, dizendo: «Deus também concedeu aos pagãos o arrependimento que conduz à Vida!»

    Livro de Salmos 42(41),2-3.43,3.4.

    Como suspira a corça pelas águas correntes, assim a minha alma suspira por ti, ó Deus.

    Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo! Quando poderei contemplar a face de Deus?

    Envia a tua luz e a tua verdade, para que elas me guiem e conduzam à tua montanha santa, à tua morada.

    Eu irei ao altar de Deus, ao Deus que é a alegria da minha vida. Ao som da harpa te louvarei, ó Deus, meu Deus.

    Evangelho segundo S. João 10,11-18.

    Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
    O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as,
    porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.

    Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me,
    assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas.
    Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor.
    É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois.
    Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Papa Bento XVI
    Homilia da Missa inaugural do seu Pontificado, 24/4/05 (trad. DC 2337, p. 547, copyright © Libreria Editrice Vaticana)

    "Dou a vida pelas minhas ovelhas"

    No Antigo Oriente era costume que os reis se designassem como pastores do seu povo. Esta era uma imagem do seu poder, uma imagem cínica: os povos eram para eles como ovelhas, das quais o pastor podia dispor como lhe aprazia. Enquanto o pastor de todos os homens, o Deus vivo, se tornou ele mesmo cordeiro, pôs-se do lado dos cordeiros, daqueles que são esmagados e mortos.

    Precisamente assim Ele se revela como o verdadeiro pastor: "Eu sou o bom pastor... Ofereço a minha vida pelas minhas ovelhas", diz Jesus de si mesmo (cf. Jo 10, 14 s). Não é o poder que redime, mas o amor! Este é o sinal de Deus: Ele mesmo é amor. Quantas vezes nós desejaríamos que Deus se mostrasse mais forte. Que atingisse duramente, vencesse o mal e criasse um mundo melhor.

    Todas as ideologias do poder se justificam assim, justificando a destruição daquilo que se opõe ao progresso e à libertação da humanidade. Nós sofremos pela paciência de Deus. E de igual modo todos temos necessidade da sua plenitude. O Deus, que se tornou cordeiro, diz-nos que o mundo é salvo pelo Crucificado e não por quem crucifica. O mundo é redimido pela plenitude de Deus e destruído pela impaciência dos homens.

    “PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU”

    Porquanto não recebeste um espírito de escravidão, para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! (Rm 8,15)”.

    Jesus Cristo o Filho de Deus vivo nos ensinou que o nosso Deus não é um Deus desconhecido, mas um Pai extremamente Bom do qual podemos nos aproximar sem medo. Ele nos ensina também que somos pertença desse Pai e por isso ousamos com toda segurança chamá-lo como tal. Essa assertiva do Senhor levou São Pedro Crisólogo afirmar: “A consciência que temos de nossa situação de escravos nos faria desaparecer debaixo da terra, nossa condição terrestre se reduziria a pó, se a autoridade de nosso Pai e o Espírito de seu Filho não nos levasse a clamar: “Abba, Pai!” Quando ousaria a fraqueza humana de um mortal chamar a Deus seu Pai, senão apenas quando o íntimo do homem é animado pela força do alto?”

    “Esta força do Espírito que nos introduz na Oração do Senhor traduz-se nas liturgias do Oriente e do Ocidente pela bela expressão tipicamente cristã: “parrhesia” , simplicidade sem rodeios, confiança filial, jovial segurança, audácia humilde, certeza de ser amado”. (CIC). No momento que abro meu coração, minha vida e todo o meu ser para chamar a Deus de Pai como Jesus nos revelou, o faço com a convicção de que não só estou sendo ouvido, mas também atendido em minha ousadia filial e ainda mais participo da comunhão dos eleitos, da família Sagrada do Autor de toda criação. Com isso também experimento no mais íntimo do meu ser que não estou só, que nasci para a glória, para a verdadeira felicidade e que minha estadia neste mundo é apenas um ato temporal provido do testemunho desta comunhão com o meu Pai que me fez para o eterno.

    Quando digo: “Pai nosso”, sinto que tenho uma multidão de irmãos e isso me faz ver que pertenço a Família de Deus, terrena e celeste, onde Deus é nosso Pai, Maria nossa mãe, Jesus o Primogênito e o Espírito Santo é o amor que nos torna UM, com os anjos e santos e com todos os homens e mulheres redimidos.

    Quando digo: “Que estás no céu”, não me refiro a um lugar no espaço, “mas a majestade de Deus e sua presença no coração dos justos”. Santa Tereza dizia: “Onde Deus está ai está o céu”. Logo, o Céu é a eternidade dos filhos e filhas de Deus em Deus. É a Casa do Pai, verdadeira pátria dos eleitos e eleitas do Senhor. Como disse Jesus: “O Reino de Deus já está no meio de vós”. Alegremo-nos e exultemos irmãos e irmãs, a eternidade já foi inaugurada por Jesus em nossa vida, por isso, tudo o que fizermos o façamos para a maior glória de Deus que nos faz participantes do seu eterno Amor. Quais filhos pródigos deixemo-nos abraçar e beijar pela ternura do Pai de nossa salvação a fim de que vivamos na herança eterna que está reservada para todos aqueles que perseverarem no caminho da justiça e do seguimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus de Nazaré.

    Rezar o “Pai e nosso que estás no céu” é permanecer em sintonia com a vontade de Deus, é assimilar seu plano para a nossa vida, é depositarmos Nele tudo o que somos e vivemos, é deixarmos que o seu Espírito nos conduza pelo Caminho que é Cristo Jesus, anunciando a Verdade libertadora de Sua redenção, acolhendo a Vida eterna prometida. Assim seja! Vem, Senhor Jesus!

    Paz e Bem!

    Frei Fernando, OFMConv.

    "AS MINHAS OVELHAS OUVEM A MINHA VOZ E ME SEGUEM"

    Domingo, dia 13 de Abril de 2008

    4º Domingo de Páscoa, ano A (semana IV do saltério) ,   S. Martinho I, papa, +656

    Livro dos Actos dos Apóstolos 2,14.36-41.

    De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras: «Homens da Judeia e todos vós que residis em Jerusalém, ficai sabendo isto e prestai atenção às minhas palavras.
    Saiba toda a casa de Israel, com absoluta certeza, que Deus estabeleceu como Senhor e Messias a esse Jesus por vós crucificado.»
    Ouvindo estas palavras, ficaram emocionados até ao fundo do coração e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?»

    Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um o baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo.
    Na verdade, a promessa de Deus é para vós, para os vossos filhos, assim como para todos os que estão longe: para todos os que o Senhor nosso Deus quiser chamar.»
    Com estas e muitas outras palavras, Pedro exortava-os e dizia-lhes: «Afastai-vos desta geração perversa.»
    Os que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia, juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas.

    Livro de Salmos 23(22),1-3.3-4.5.6.

    SENHOR é meu pastor: nada me falta.

    Em verdes prados me faz descansar e conduz-me às águas refrescantes.
    Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.

    Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.
    Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão-me confiança.

    Preparas a mesa para mim à vista dos meus inimigos; ungiste com óleo a minha cabeça; a minha taça transbordou. Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.

    1ª Carta de S. Pedro 2,20-25.

    Aliás, que mérito tem suportar que vos batam, se vos portais mal? Mas se, fazendo o bem, sofreis com paciência, isso é uma coisa meritória diante de Deus.
    Ora, foi para isto que fostes chamados; visto que Cristo também padeceu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos.

    Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se encontrou engano; ao ser insultado, não respondia com insultos; ao ser maltratado, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga com justiça; subindo ao madeiro, Ele levou os nossos pecados no seu corpo, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fostes curados.
    Na verdade, éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao Pastor e Guarda das vossas almas.

    Evangelho segundo S. João 10,1-10.

    «Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador.
    Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
    A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair.
    Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz.

    Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.»
    Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
    Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.

    Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção.
    Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem.
    O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

    "A QUEM IREMOS NÓS, SENHOR?"

    Sabado, dia 12 de Abril de 2008

    S. Victor de Braga, mártir, +300

    Livro dos Actos dos Apóstolos 9,31-42.

    Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, crescia como um edifício e caminhava no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo, ia aumentando.
    Pedro, que andava por toda a parte, desceu também até junto dos santos que habitavam em Lida.
    Encontrou lá, estendido num catre, havia oito anos, um homem chamado Eneias, que era paralítico.
    Pedro disse-lhe: «Eneias, Jesus Cristo vai curar-te! Levanta-te e arranja a enxerga.» E ele ergueu-se imediatamente.
    Todos os habitantes de Lida e da planície de Saron viram isso e converteram-se ao Senhor.

    Havia em Jope, entre os discípulos, uma mulher chamada Tabitá, que significa «Gazela.» Era rica em boas obras e nas esmolas que distribuía.
    Ora, nesses dias, caiu doente e morreu. Depois de a terem lavado, depositaram-na na sala de cima.
    Como Lida era perto de Jope e ouvindo os discípulos dizer que Pedro estava lá, mandaram-lhe dois homens com o seguinte pedido: «Vem depressa ter connosco!»
    Pedro partiu imediatamente com eles. Logo que chegou, levaram-no à sala de cima e encontrou lá todas as viúvas, que choravam e lhe mostravam as túnicas e mantos feitos por Dórcada, enquanto ela estava na sua companhia.

    Pedro mandou sair toda a gente, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se depois para o corpo, disse: «Tabitá, levanta-te!» Ela abriu os olhos e, ao ver Pedro, sentou-se.
    Tomando-a pela mão, Pedro ajudou-a a erguer-se. Chamando então os santos e as viúvas, apresentou-lha viva.
    Toda a cidade de Jope soube deste acontecimento e muitos acreditaram no Senhor.

    Livro de Salmos 116(115),12-13.14-15.16-17.

    Como retribuirei ao SENHOR todos os seus benefícios para comigo?
    Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do SENHOR.

    Cumprirei as minhas promessas feitas ao SENHOR na presença de todo o seu povo.
    preciosa aos olhos do SENHOR a morte dos seus fiéis.

    SENHOR, sou teu servo, filho da tua serva; quebraste as minhas cadeias.
    Hei-de oferecer-te sacrifícios de louvor, invocando, SENHOR, o teu nome.

    Evangelho segundo S. João 6,60-69.

    Depois de o ouvirem, muitos dos seus discípulos disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?»
    Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos?
    E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes?
    É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida.

    Mas há alguns de vós que não crêem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar.
    E dizia: «Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.»
    A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele.
    Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?»
    Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Concílio Vaticano II
    Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium), 10

    O Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo reune-nos n'Ele e envia-nos ao mundo

    A Liturgia é simultâneamente a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Baptismo se reunam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor.

    A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos «mistérios pascais», a viverem «unidos no amor» (cf Ac 4,32); pede «que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé»; e pela renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia, e aquece os fiéis na caridade urgente de Cristo. Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja.

    "FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM".

    Sexta-feira, dia 11 de Abril de 2008

    Santo Estanislau, bispo, mártir, +1097 ,   Nossa Senhora dos Prazeres

    Livro dos Actos dos Apóstolos 9,1-20.

    Saulo, entretanto, respirando sempre ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, foi ter com o Sumo Sacerdote
    e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse homens e mulheres que fossem desta Via, os trouxesse algemados para Jerusalém.
    Estava a caminho e já próximo de Damasco, quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu.
    Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque me persegues?»
    Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» Respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
    Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer.»
    Os seus companheiros de viagem tinham-se detido, emudecidos, ouvindo a voz, mas sem verem ninguém.

    Saulo ergueu-se do chão, mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em Damasco,
    onde passou três dias sem ver, sem comer nem beber.
    Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor disse-lhe numa visão: «Ananias!» Respondeu: «Aqui estou, Senhor.»
    O Senhor prosseguiu: «Levanta-te, vai à casa de Judas, na rua Direita, e pergunta por um homem chamado Saulo de Tarso, que está a orar neste momento.»
    Saulo, entretanto, viu numa visão um homem, de nome Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.
    Ananias respondeu: «Senhor, tenho ouvido muita gente falar desse homem e a contar todo o mal que ele tem feito aos teus santos, em Jerusalém.
    E agora está aqui com plenos poderes dos sumos sacerdotes, para prender todos quantos invocam o teu nome.»

    Mas o Senhor disse-lhe: «Vai, pois esse homem é instrumento da minha escolha, para levar o meu nome perante os pagãos, os reis e os filhos de Israel.
    Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo meu nome.»
    Então, Ananias partiu, entrou na dita casa, impôs as mãos sobre ele e disse: «Saulo, meu irmão, foi o Senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no caminho em que vinhas, para recobrares a vista e ficares cheio do Espírito Santo.»
    Nesse instante, caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recuperou a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo.
    Depois de se ter alimentado, voltaram-lhe as forças e passou alguns dias com os discípulos, em Damasco.
    Começou, então, imediatamente, a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus.

    Livro de Salmos 117,1.2.

    Louvai o SENHOR, todas as nações! Exaltai-o, todos os povos!
    Porque o seu amor para connosco não tem limites e a fidelidade do SENHOR é eterna!

    Evangelho segundo S. João 6,52-59.

    Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!»
    Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
    Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.

    Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.
    Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.
    Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»
    Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga.

    Catecismo da Igreja Católica
    § 1362-1366

    "Fareis isto em memória de mim" (1 Co 11,25)

    A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja que é o seu corpo. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial. No sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens. Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tomam-se de certo modo presentes e actuais. É assim que Israel entende a sua libertação do Egipto: sempre que se celebrar a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida (Ex 13,3.8).

    O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre actual: «Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado", realiza-se a obra da nossa redenção» (Vatican II, LG 63).

    Porque é o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O carácter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22, 19-20). Na Eucaristia, Cristo dá aquele mesmo corpo que entregou por nós na cruz, aquele mesmo sangue que «derramou por muitos em remissão dos pecados» (Mt 26, 28). A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque representa (torna presente) o sacrifício da cruz, porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto.

    "O PÃO QUE EU VOS HEI DE DAR É A MINHA CARENE, ENTREGUE PARA QUE O MUNDO VIVA".

    Quinta-feira, dia 10 de Abril de 2008

    S. Macário de Antioquia, bispo, +1012

    Livro dos Actos dos Apóstolos 8,26-40.

    O Anjo do Senhor falou a Filipe e disse-lhe: «Põe-te a caminho e dirige-te para o Sul, pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza, a qual se encontra deserta.»
    Ele pôs-se a caminho e foi para lá. Ora, um etíope, eunuco e alto funcionário da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém, regressava, na mesma altura, sentado no seu carro, a ler o profeta Isaías.

    O Espírito disse a Filipe: «Vai e acompanha aquele carro.»
    Filipe, acorrendo, ouviu o etíope a ler o profeta Isaías e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a ler?»
    Respondeu ele: «E como poderei compreender, sem alguém que me oriente?» E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto dele.
    A passagem da Escritura que ele estava a ler era a seguinte: Como ovelha levada ao matadouro, e como cordeiro sem voz diante daquele que o tosquia, assim Ele não abre a sua boca. Na humilhação se consumou o seu julgamento, e quem poderá contar a sua geração? Da face da terra foi tirada a sua vida!
    Dirigindo-se a Filipe, o eunuco disse-lhe: «Peço-te que me digas: De quem fala o profeta? De si mesmo ou de outra pessoa?»

    Então, Filipe tomou a palavra e, partindo desta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Boa-Nova de Jesus.
    Pelo caminho fora, encontraram uma nascente de água, e o eunuco disse: «Está ali água! Que me impede de ser baptizado?»
    Filipe respondeu: «Se acreditas com todo o coração, isso é possível.» O eunuco respondeu: «Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.»
    E mandou parar o carro. Ambos desceram à água, Filipe e o eunuco, e Filipe baptizou-o.
    Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe e o eunuco não o viu mais, seguindo o seu caminho cheio de alegria.
    Filipe encontrou-se em Azoto e, partindo dali, foi anunciando a Boa-Nova a todas as cidades, até que chegou a Cesareia.

    Livro de Salmos 66(65),8-9.16-17.20.

    Bendizei, ó povos, o nosso Deus, fazei ressoar a voz do seu louvor.

    Foi Ele quem salvou a nossa vida e não permitiu que os nossos pés resvalassem.
    Vinde e ouvi, todos os que temeis a Deus; vou narrar-vos o que Ele fez por mim.

    Por Ele gritou a minha boca e o seu louvor andava já na minha língua.
    Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem me retirou a sua misericórdia.

    Evangelho segundo S. João 6,44-51.

    Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia.
    Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim.
    Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai.
    Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna.
    Eu sou o pão da vida.
    Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram.
    Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá.
    Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Concílio Vaticano II
    Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium), 47-48

    "O pão que eu vos hei de dar é a minha carne, entregue para que o mundo viva"

    O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.

    48. É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos (1Co 15,28).

    "SENHOR, DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO!"

    Terça-feira, dia 08 de Abril de 2008

    S. Gualter (Valter) de Pontoise, abade, +1099

    Livro dos Actos dos Apóstolos 7,51-60.8,1.

    Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, sempre vos opondes ao Espírito Santo; como foram os vossos pais, assim sois vós também.
    Qual foi o profeta que os vossos pais não tenham perseguido? Mataram os que predisseram a vinda do Justo, a quem traístes e assassinastes,
    vós, que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos, mas não a guardastes!»
    Ao ouvirem tais palavras, encheram-se intimamente de raiva e rangeram os dentes contra Estêvão.

    Mas este, cheio do Espírito Santo e de olhos fixos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé, à direita de Deus.
    «Olhai, disse ele, eu vejo o Céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.»
    Eles, então, soltaram um grande grito e taparam os ouvidos; depois, à uma, atiraram-se a ele e, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo.
    E, enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito.»

    Depois, posto de joelhos, bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» Dito isto, adormeceu.
    Saulo aprovava também essa morte. No mesmo dia, uma terrível perseguição caiu sobre a igreja de Jerusalém. À excepção dos Apóstolos, todos se dispersaram pelas terras da Judeia e da Samaria.

    Livro de Salmos 31(30),3-4.6.7.8.17.21.

    Inclina para mim os teus ouvidos; apressa-te a libertar-me. Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.

    Tu és o meu rochedo e a minha fortaleza; por amor do teu nome, guia-me e conduz-me.
    Nas tuas mãos entrego o meu espírito; SENHOR, Deus fiel, salva-me.

    Detesto os que adoram ídolos falsos; eu, por mim, confio no SENHOR.
    Hei-de alegrar-me e regozijar-me com a tua misericórdia, pois viste a minha miséria e conheceste a angústia da minha alma.

    Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face; salva-me pela tua misericórdia.»
    Ao abrigo da tua face, Tu os guardas das intrigas dos homens; na tua tenda os defendes contra as línguas maldizentes.

    Evangelho segundo S. João 6,30-35.

    Eles replicaram: «Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra realizas Tu?
    Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu.»
    E Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo.»
    Disseram-lhe então: «Senhor, dá-nos sempre desse pão!»
    Respondeu-lhes Jesus: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede.

    Comentário ao Santo Evangelho: Catecismo da Igreja Católica
    § 1337-1341

    "Não foi Moisés quem vos deu o pão que vinha do céu; é o meu Pai que vos dá o verdadeiro pão que vem do céu"

    Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor. Para lhes deixar uma garantia deste amor, para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso, «constituindo-os, então, sacerdotes do Novo Testamento» (Concílio de Trento)...

    Celebrando a última ceia com os seus Apóstolos, no decorrer do banquete pascal, Jesus deu o seu sentido definitivo à Páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus para o seu Pai, pela sua morte e ressurreição – a Páscoa nova – é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia, que dá cumprimento a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino.

    Ao ordenar que repetissem os seus gestos e palavras, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26), Jesus não pede somente que se lembrem d'Ele e do que Ele fez. Tem em vista a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida, morte, ressurreição e da sua intercessão junto do Pai.

    "O REINO DE DEUS É QUE ACREDITEIS NAQUELE QUE ELE ENVIOU"

    Segunda-feira, dia 07 de Abril de 2008

    S. João Baptista de la Salle, presbítero, fundador, +1719

    Livro dos Actos dos Apóstolos 6,8-15.

    Cheio de graça e força, Estêvão fazia extraordinários milagres e prodígios entre o povo.
    Ora, alguns membros da sinagoga, chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e da Ásia, vieram para discutir com Estêvão;
    mas era-lhes impossível resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.
    Subornaram, então, uns homens para dizerem: «Ouvimo-lo proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.»
    Provocaram, assim, a ira do povo, dos anciãos e dos escribas; depois, surgindo-lhe na frente, arrebataram-no e levaram-no ao Sinédrio.

    Aí, apresentaram falsas testemunhas que declararam: «Este homem não cessa de falar contra este Lugar Santo e contra a Lei,
    pois ouvimo-lo afirmar que Jesus, o Nazareno, destruiria este lugar e mudaria as regras que Moisés nos legou.»
    Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo.

    Livro de Salmos 119(118),23-24.26-27.29-30.

    Ainda que os grandes conspirem contra mim, o teu servo meditará nas tuas leis.
    Os teus preceitos são as minhas delícias; são eles os meus conselheiros.
     

    Expus-te os meus caminhos e Tu me respondeste; ensina-me as tuas leis.
    Faz-me compreender o caminho dos teus preceitos para meditar nas tuas maravilhas.

    Afasta-me dos caminhos da mentira; concede-me a graça da tua lei.
    Escolhi o caminho da verdade e preferi as tuas sentenças.

    Evangelho segundo S. João 6,22-29.

    No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do lago reparou que ali não estivera mais do que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos, mas que estes tinham partido sozinhos.
    Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades até ao lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
    Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus.

    Ao encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste cá?»
    Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes.
    Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo.»

    Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?»
    Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.»

    Comentário ao Santo Evangelho: Santo Inácio de Antioquia (? - cerca 110), bispo e mártir
    Carta aos naturais de Filadélfia

    «O reino de Deus é que acreditais naquele que ele enviou»

    Vós, filhos da luz verdadeira, fugi das querelas e das más doutrinas. Como ovelhas, segui o vosso pastor. Porque muitas vezes os lobos aparentemente dignos de fé extraviam os que correm na corrida de Deus, mas se permanecerdes unidos, eles não encontrarão lugar entre vós.

    Tende pois cuidado em participar numa única eucaristia; não há, com efeito, senão uma só carne de Nosso Senhor, um só cálice para nos unir no seu sangue, um só altar, como não há senão um só bispo rodeado de padres e de diáconos. Assim, tudo o que fizerdes, vós o fareis segundo Deus... Meu refúgio é o Evangelho, que é para mim o próprio Jesus na carne, e os apóstolos, que incarnam o presbitério da Igreja. Amemos também os profetas, porque também eles anunciaram o Evangelho; eles esperaram em Cristo e esperam-no; acreditando nele, foram salvos e, permanecendo unidos a Jesus Cristo, santos dignos de amor e admiração, mereceram receber o testemunho de Jesus Cristo e ter lugar no Evangelho, nossa esperança comum...

    Deus não habita onde reina a divisão e a cólera. Mas o Senhor perdoa a todos os que se arrependem, se o arrependimento os levar à união com Cristo que nos libertará de toda a opressão. Suplico-vos, não ajam no espírito de querela, mas segundo os ensinamentos de Cristo. Ouvi que diziam: «O que não encontro nos arquivos, não o acredito no Evangelho»... Para mim, os meus arquivos, é o Cristo; os meus arquivos invioláveis são a cruz, a sua morte e a sua ressurreição, e a fé que vem dele. Eis donde espero, com a ajuda das vossas orações, toda a minha justificação.

    NÃO NOS ARDIA O CORAÇÃO, QUANDO ELE PELO CAMINHO NOS EXPLICAVA AS "ESCRITURAS?"

    Domingo, dia 06 de Abril de 2008

    3º Domingo de Páscoa (semana III do saltério) ,   S. Marcelino de Cartago, pai de família, mártir, +411

    Livro dos Actos dos Apóstolos 2,14.22-28.

    De pé, com os Onze, Pedro ergueu a voz e dirigiu-lhes então estas palavras: «Homens da Judeia e todos vós que residis em Jerusalém, ficai sabendo isto e prestai atenção às minhas palavras.
    Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa.
    Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte.

    David diz a seu respeito: ‘Eu via constantemente o Senhor diante de mim, porque Ele está à minha direita, a fim de eu não vacilar.
    Por isso o meu coração se alegrou e a minha língua exultou; e até a minha carne repousará na esperança,
    porque Tu não abandonarás a minha vida na habitação dos mortos, nem permitirás que o teu Santo conheça a decomposição.
    Deste-me a conhecer os caminhos da Vida, hás-de encher-me de alegria com a tua presença.’

    Livro de Salmos 16(15),1-2.5.7-8.9-10.11.

    Defende-me, ó Deus, porque em ti me refugio.

    Digo ao SENHOR: «Tu és o meu Deus, és o meu bem e nada existe acima de ti.»
    SENHOR, minha herança e meu cálice, a minha sorte está nas tuas mãos.

    Bendirei o SENHOR porque Ele me aconselha; até durante a noite a minha consciência me adverte. Tenho sempre o SENHOR diante dos meus olhos; com Ele a meu lado, jamais vacilarei.


    Por isso, o meu coração se alegra e a minha alma exulta e o meu corpo repousará em segurança. Pois Tu não me entregarás à morada dos mortos, nem deixarás o teu fiel conhecer a sepultura.
    Hás-de ensinar-me o caminho da vida, saciar-me de alegria na tua presença, e de delícias eternas, à tua direita.

    1ª Carta de S. Pedro 1,17-21.

    E, se invocais como Pai aquele que, sem parcialidade, julga cada um consoante as suas obras, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação;
    sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro,
    mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha,
    predestinado já antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por causa de vós;
    vós, que por meio dele tendes a fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e o glorificou, a fim de que a vossa fé e a vossa esperança estejam postas em Deus.

    Evangelho segundo S. Lucas 24,13-35.

    Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém;
    e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera.
    Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho;
    os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
    Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos.

    E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!»
    Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
    como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado.
    Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas.
    É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia.
    Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»

    Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram!
    Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?»
    E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.
    Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante.
    Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles.

    E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho.
    Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença.
    Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
    Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros,
    que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!»
    E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.

    Comentário ao Santo Evangelho: São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
    Homilia 23

    «Não vos esqueçais da hospitalidade»

    Dois dos discípulos caminhavam juntos. Eles não acreditavam, e no entanto falavam sobre o Senhor. De repente Este apareceu-lhes, mas sob uns traços que não lhes permitia reconhecê-Lo. [...] Convidam-No para partilhar da sua pousada, como é costume entre viajantes [...] Põem então a mesa, apresentam os alimentos, e a Deus, que eles não tinham ainda reconhecido na explicação das Escrituras, descobrem-No quando da fracção do pão.

    Não foi portanto ao escutarem os preceitos de Deus que foram iluminados, mas ao cumpri-los: «Não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rm 2,13). Se quisermos compreender o que ouvimos, apressemo-nos a pôr em prática o que conseguimos perceber. O Senhor não foi reconhecido enquanto falava; Ele dignou-Se manifestar-Se quando Lhe ofereceram de comer.

    Ponhamos pois amor no exercício da hospitalidade, queridos irmãos; pratiquemos de coração a caridade. Diz Paulo sobre este assunto: «Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueceis da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.» (He 13,1; Gn 18,1ss). Também Pedro diz: «Exercei a hospitalidade uns para com os outros, sem queixas» (1 Pe 4,9). E a própria Verdade nos declara: «Era peregrino e recolhestes-Me» [...] «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35.40) [...]

    E apesar disto, somos tão preguiçosos diante da graça da hospitalidade! Avaliemos, irmãos, a grandeza desta virtude. Recebamos Cristo à nossa mesa, para que possamos ser recebidos no seu festim eterno. Dêmos neste preciso momento a nossa hospitalidade a Cristo que no estrangeiro está, para que no momento do julgamento não sejamos como estrangeiros que Ele não sabe de onde vêm (Lc 13,25), mas sejamos irmãos que em seu Reino Ele recebe.

    "SOU EU, NÃO TENHAIS MEDO".

    Sabado, dia 05 de Abril de 2008

    S. Vicente Ferrer, presbítero, +1419

    Livro dos Actos dos Apóstolos 6,1-7.

    Por esses dias, como o número de discípulos ia aumentando, houve queixas dos helenistas contra os hebreus, porque as suas viúvas eram esquecidas no serviço diário.
    Os Doze convocaram, então, a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém deixarmos a palavra de Deus, para servirmos às mesas.

    Irmãos, é melhor procurardes entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria; confiar-lhes-emos essa tarefa.
    Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra.»
    A proposta agradou a toda a assembleia e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócuro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
    Foram apresentados aos Apóstolos que, depois de orarem, lhes impuseram as mãos.
    A palavra de Deus ia-se espalhando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém, e grande número de sacerdotes obedeciam à Fé.

    Livro de Salmos 33(32),1-2.4-5.18-19.

    Exultai, ó justos, no SENHOR; louvai-o, rectos de coração.

    Louvai o SENHOR com a cítara; cantai-lhe salmos com a harpa de dez cordas.
    As palavras do SENHOR são verdadeiras, as suas obras nascem da fidelidade.
    Ele ama a rectidão e a justiça; a terra está cheia da sua bondade.

    Os olhos do SENHOR velam pelos seus fiéis, por aqueles que esperam na sua bondade,
    para os libertar da morte e os manter vivos no tempo da fome.

    Evangelho segundo S. João 6,16-21.

    Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram até ao lago
    e, subindo para um barco, foram atravessando o lago em direcção a Cafarnaúm.
    Já tinha escurecido e Jesus ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se.
    Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus que se aproximava do barco, caminhando sobre o lago, e tiveram medo.
    Mas Ele disse-lhes: «Sou Eu, não tenhais medo!»
    Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam.

    Comentário ao Santo Evangelho: Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
    Poema « Am Steuer » / « A Tempestade », 1940

    «Sou Eu. Não temais»

    - Senhor, como são altas as ondas,
    E tão escura a noite !
    Não poderias dar-lhe alguma claridade ?
    É que velo solitária na noite !

    - Segura o leme com mãos firmes,
    Tem confiança, mantém a calma.
    A tua barca é-Me preciosa,
    A bom porto a levarei.

    Mantém, sem desistires,
    Os olhos na bússola.
    É ela que ajuda a chegar ao destino
    No meio de noites e tempestades.

    A agulha da bússola
    oscila mas mostra segura a direcção.
    Ela te indicará o cabo
    Aonde quero que arribes.

    Tem confiança, mantém a calma :
    Por noites e tempestades
    A vontade de Deus, fiel, te guiará,
    Se vigilante for teu coração.