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    A REALIZAÇÃO HUAMANA E A VONTADE DE DEUS

    Todo ser humano busca realizar-se na vida, muitas vezes, porém, essa realização torna-se um pesadelo pela forma como é buscada. Quando se tem em vista os próprios interesses em detrimento do plano da salvação, isto é, os valores do Reino de Deus, o resultado é a infelicidade e a perdição.

     

     A cegueira espiritual aliada ao egoísmo e a avareza são geradoras de intrigas, divisões, partidos, ódios, rancores, calúnias, difamações, orgulho, vaidade e morte; pois, o querer humano desprovido da graça de Deus é um querer inútil, fugaz.

     

    O verdadeiro sentido da vida consiste buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, para que tudo o que desejamos da parte de Deus se cumpra em nosso viver. Aqui plantamos o que havemos de colher na eternidade. Quem planta na terra fértil da existência: amor, fidelidade, perdão, bondade, paz, colherá plenamente esses frutos de santidade porque eles são vontade de Deus para nós.

     

    Paz e Bem!

    O CRISTO, RESSUSCITADO DOS MORTOS, JÁ NÃO MORRE; A MORTE NÃO TEM MAIS PODER SOBRE ELE, ALELUIA!

    Segunda-feira, 30 de abril de 2007

    4ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    O Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia! (Rm 6,9)

    A mulher põe no mundo toda a poesia e toda a doçura. (L. Daudet)

    Hoje: Dia Nacional da Mulher e Dia do Ferroviário

    Santos: Pedro de Verona (mártir), Vilfrido o Moço (bispo), Hugo de Cluny (abade), Roberto de Molesmes (abade), José Cottolengo, Antônia, Catarina de Sena.

    Oração: Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei de santa alegria os vossos filhos e filhas que libertastes da escravidão do pecado e concedei-lhes a felicidade eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos (At 11, 1-18)

    TAMBÉM AOS PAGÃOS DEUS CONCEDEU A CONVERSÃO QUE LEVA PARA A VIDA!

    Naqueles dias, [1]os apóstolos e os irmãos, que viviam na Judéia, souberam que também os pagãos haviam acolhido a palavra de Deus. [2]Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis de origem judaica começaram a discutir com ele, dizendo: [3]'Tu entraste na casa de pagãos e comeste com eles!" [4]Então, Pedro começou a contar-lhes, ponto por ponto, o que havia acontecido: [5]"Eu estava na cidade de Jope e, ao fazer oração, entrei em êxtase e tive a seguinte visão: Vi uma coisa parecida com uma grande toalha que, sustentada pelas quatro pontas, descia do céu e chegava até junto de mim.

     [6]Olhei atentamente e vi dentro dela quadrúpedes da terra, animais selvagens, répteis e aves do céu. [7]Depois ouvi uma voz que me dizia: 'Levanta-te, Pedro, mata e come'. [8]Eu respondi: 'De modo nenhum, Senhor! Porque jamais entrou coisa profana e impura na minha boca'. [9]A voz me disse pela segunda vez: 'Não chames impuro o que Deus purificou'. [10]lsso repetiu-se por três vezes. Depois a coisa foi novamente levantada para o céu.

    [11]Nesse momento, três homens se apresentaram na casa em que nos encontrávamos. Tinham sido enviados de Cesaréia, à minha procura. [12]O Espírito me disse que eu fosse com eles sem hesitar. Os seis irmãos que estão aqui me acompanharam e nós entramos na casa daquele homem. [13]Então ele nos contou que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer: 'Manda alguém a Jope para chamar Simão, conhecido como Pedro. [14]Ele te falará de acontecimentos que trazem a salvação para ti e para toda a tua família'. [15]Logo que comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que desceu sobre nós no princípio.

    [16]Então, eu me lembrei do que o Senhor havia dito: 'João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo'. [17]Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós que acreditamos no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?" [18]Ao ouvirem isso, os fiéis de origem judaica se acalmaram e glorificavam a Deus, dizendo: 'Também aos pagãos Deus concedeu a conversão que leva para a vida!". Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    TAMBÉM AOS PAGÃOS DEUS CONCEDEU A CONVERSÃO

    O episódio de Jope e o batismo do pagão Cornélio representam uma superação, no plano prático e de princípio, do particularismo judaico e uma nítida tomada de consciência da destinação universal da Igreja. A partir deste momento, torna-se claro, pelo menos na linha dos princípios, que os pagãos poderão ser levados ao batismo sem serem primeiro submetidos às práticas e observâncias do judaísmo.

    A decisão de Pedro chefe da nova comunidade não será uma conquista fácil para a Igreja primitiva. Passará por reconsiderações e retrocessos, especialmente junto aos "judaizantes", preocupados com a pureza legal e incapazes de compreender o alcance revolucionário do evangelho de liberdade pregado por Jesus. Também Pedro, que é herói neste episódio, conhecerá hesitações, recuará de suas decisões. Dando a fé aos pagãos impuros, Deus lhes purificou os corações. O corpo, embora não circunciso, será purificado pela irradiação da circuncisão do coração, ou seja, pela conversão.

    Salmo: 41 (42), 2-3; 42(43), 3.4 (+ cf. Sl 42[42], 3a)

    MINHA ALMA SUSPIRA POR VÓS, Ó MEU DEUS

    Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minha alma por vós, ó meu Deus!

    A minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

    Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso monte santo, até a vossa morada!

    Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei ao som da hara, meu Senhor e meu Deus!

    Evangelho: João (Jo 10, 1-10)

    EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA

    Naquele tempo, disse Jesus: [1]"Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. [2]Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. [3]A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. [4]E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. [5]Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos".

    [6]Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. [7]Então Jesus continuou: "Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. [8]Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. [9]Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. [10]O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância".Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    O PASTOR DAS OVELHAS

    Jesus serviu-se da metáfora do pastor para explicitar que tipo de relação desejava estabelecer com seus discípulos. Queria superar os esquemas bem conhecidos na época, pelos quais os mestres tornavam-se verdadeiros tiranos dos discípulos. Sua intenção era ser um mestre diferente. Como?

    Sendo um mestre legítimo, seria como o pastor que entra pela porta do curral e não por outras vias, à maneira dos mestres mal-intencionados. Estabelecendo um relacionamento cordial e amigo com seus discípulos, imitaria o pastor que conversa com suas ovelhas, chama-as pelo nome e as trata com carinho, pois sua função é cuidar delas.

    Conduzindo os discípulos de maneira segura, para evitar extravios, assemelhar-se-ia ao pastor que se coloca à frente do rebanho. Suas ovelhas o seguem, sem hesitar, por reconhecerem a voz de seu guia.

    Defendendo seu rebanho dos perigos e das ciladas que a vida lhes prepara. Os mercenários, nos momentos de perigo, deixam as ovelhas entregues a si mesmas. Agem assim, porque são mercenário, incapazes de arriscar suas vidas para defender o rebanho. Jesus, pelo contrário, defenderá os seus discípulos, até o extremo, mesmo tendo de entregar sua própria vida.

    Portanto, é mais prudente deixar-se guiar por um tal pastor.

    SÃO JOSÉ BENTO COTTOLENGO (3)

    São José Bento Cottolengo ingressou no Seminário de Turim aos 17 anos de idade e aos 25 anos foi ordenado sacerdote. Fundou a Pequena Casa da Divina Providência e as Damas da Caridade ou Cottolenguinas, (vicentinas), cuja finalidade é o serviço aos pequeninos, aos deficientes, aos doentes. Dizia a respeito da "Pequena Casa da Divina Providência": Chama-se "Pequena Casa" porque, em comparação com o universo, que é igualmente Casa da Divina Providência, é, com toda certeza, bem pequena.

    A confiança em Deus que a tudo provê lhe era tão grande que jamais o Senhor Deus lhe faltou nas horas difíceis e de necessidade. Certa vez nosso querido santo afirmou: "Quando chegar a hora do almoço, a Providência não se esquecerá de que os pobres têm que almoçar". São José Cottolengo tinha como lema "caridade e confiança": fazer todo o bem possível e confiar sempre em Deus. Foi canonizado por Pio XI, em 1934.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, ©Paulinas

    3

    www.asj.org.br

    A QUEM ESTAMOS OUVINDO?

    O Bom Pastor nos fala, ouvimos sua voz e seguimos seus passos rumo ao Seu Infinito; estamos na estrada da vida, ainda neste mundo, mas caminhando fielmente com Jesus, nosso Mestre e Senhor. Sua voz é clara como os frutos que ela gera em nós: amor, compreensão, perdão, paz, misericórdia, salvação.

     

    É verdade que outras vozes querem nos falar e até nos guiar por outros caminhos que não o Senhor, único caminho; estas são vozes que nitidamente percebemos não virem de Deus: a voz da mentira, do ódio, fingimento, orgulho, avareza, impureza, luxúria, adultério, intriga, superstições, etc.

     

    Quem não ouve a voz do Senhor, mas a estas vozes e as segue, termina os seus dias na angústia e na dor, por se perderem nas trilhas mortíferas do mal, sem fruto algum.

     

    "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão". (Jo 10,28)

     

    Paz e Bem!

    CANTEMOS AO SENHOR, ELE SE COBRIU DE GLÓRIA.

    Quinta-feira, 26 de abril de 2007

    3ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Cantemos ao Senhor, ele se cobriu de glória. O Senhor é a minha força e o meu cântico: foi para mim a salvação, aleluia! (Ex 15, 1-2)

    Oração: Ó Deus eterno e onipotente, que nestes dias vos mostrais tão generoso, dai-nos sentir mais de perto o vosso amor paterno para que, libertados das trevas do erro, siga,ps com firmeza a luz da verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos (At 8, 26-40)

    AQUI TEMOS ÁGUA

    Naqueles dias, [26]um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: "Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto". Filipe levantou-se e foi. [27]Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. [28]Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. [29]Então o Espírito disse a Filipe: "Aproxima-te desse carro e acompanha-o". [30]Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: "Tu compreendes o que estás lendo?" [31]O eunuco respondeu: "Como posso, se ninguém me explica?" Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele.

    [32]A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: "Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. [33]Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra". [34]E o eunuco disse a Filipe: "Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?" [35]Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco.

    [36]Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. Então o eunuco disse a Filipe: "Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?" [37][38]O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eunuco. [39]Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. [40]Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    O QUE IMPEDE QUE EU SEJA BATIZADO?

    A Palavra escrita não basta, por si só para suscitar a fé no Senhor. O etíope lê e não compreende". Vem a palavra viva da Igreja (Filipe), que lê e interpreta. E a Igreja aprendeu do Ressuscitado a ler as Escrituras. Sua compreensão, porém, e a descoberta do mistério da ressurreição não são em si mesmas um fim, mas levam ao sacramento. Com a água do Batismo se encerra em Jerusalém o dia de Pentecostes. Com a água do batismo se encerra no deserto o encontro de Filipe com o etíope. E "cheio de alegria, prossegue o seu caminho" (versículo 39).

    Não há caminho de salvação que não passe por estas três etapas: escuta da palavra anunciada pela Igreja, batismo, alegria da vida renovada. A autenticidade de uma etapa condiciona a possibilidade dos outros momentos.

    Salmo: 65(66), 8-9. 16-17. 20 (R/. 1)

    ACLAMAI O SENHOR DEUS, Ó TERRA INTEIRA

    Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés.

    Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca!

    Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou, longe de mim o seu amor!

    Evangelho: João (Jo 6, 44-51)

    EU SOU O PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU

    Naquele tempo, disse Jesus à multidão: [44]"Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. [45]Está escrito nos profetas: 'Todos serão discípulos de Deus'. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. [46]Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.

    [47]Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. [48]Eu sou o pão da vida. [49]Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. [50]Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. [51]Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    O ENSINAMENTO DO PAI

    É o Pai quem tem a iniciativa na dinâmica da fé dos cristãos. No seu amor, elege o ser humano para ser objeto de sua revelação, e o convida a aderir ao Filho Jesus. Só vai a Jesus quem é escolhido e impelido pelo Pai. Só se entrega a Jesus quem se deixa guiar pelo Pai. E tudo quanto o Pai realiza está em função de guiar a humanidade para o Filho. O ato de fé no Senhor Jesus é, portanto, indício de obediência ao ensinamento do Pai e de submissão à sua vontade.

    A incredulidade configura-se como rebeldia contra o Pai. Não se trata de mera oposição a Jesus, numa atitude sem maiores conseqüências. Nem, tampouco, pode ser considerada como uma fatalidade na vida das pessoas, numa espécie de anulação de sua liberdade.

    No ato de fé, está implicada a liberdade humana. Instruído pelo Pai, cabe ao ser humano acolher ou não a instrução recebida. Se a acolhe, sem dúvida será capaz de reconhecer em Jesus o enviado do Pai. Se a rejeita, não somente se tornará um adversário do Filho, mas também do Pai. Não é possível acolher a moção do Pai, mas fechar-se para o Filho. Ou seja, não dá para ficar no meio do caminho. Quem recebeu o ensinamento do Pai, necessariamente, irá a Jesus

    Mais importante do que nascer numa terra, é ver a terra nascer dentro da gente. (Manuel Bandeira)

    SÃO LUIS MARIA GRIGNON DE MONFORT (3)

    Um dos mais admiráveis devotos de Nossa Senhora, cuja devoção iniciou quando ainda menino. Criado e ambiente profundamente religioso, eram em dezesseis irmãos, três dos quais fizeram os votos. Tamanho era seu amor a Mãe de Deus que acrescentou o nome "Maria" em honra de Nossa Senhora, no dia da sua crisma. Posteriormente, em Paris, iria desenvolver as bases de um magnífico movimento que teria por lema "os escravos de Jesus em Maria".

    Os primeiros anos de sacerdócio não lhe foram fáceis. A dedicação e o rigor devotadas por são Luis provocaram muitas críticas, reclamações. Partiu para Roma para buscar ajuda e contou ao Papa de seu grande desejo em participar de missões em terras estrangeiras mas o Papa lhe disse que precisava dele na França, pois justamente naqueles momentos os jansenistas (que acreditavam que a graça não era dada a todos), ameaçavam a Igreja. São Luis obedeceu. E Maria continuou sendo o centro principal de suas pregações, até mesmo escrevendo uma obra intitulada "A Verdadeira devoção a Nossa Senhora".

    Este livro é admirado por todos para todos os que amam a Nossa Senhora, assim como o nosso Papa, João Paulo II que tanto o admira. São Luis recomenda a todos a consagração a Virgem Santíssima e que Ela nos guarde como sua propriedade. Após anos de perseverança e com a santa ajuda de Nossa Mãe Santíssima, são Luis conseguiu formar um grupo de religiosos e partir para a Evangelização do Novo Mundo e suas sementes chegaram inclusive no Brasil, possuindo representantes de tais comunidades em vários recantos do mundo. Por sua obstinação religiosa, perseverança, seu imenso amor pelas missões, principalmente marianas, pode ver realizado o sonho de sua juventude, partindo para a eternidade aos 46 anos de idade.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.asj.org.br

    RESSUSCITOU O BOM PASTOR, QUE DEU A VIDA POR SUAS OVELHAS E QUIS MORRER PELO REBANHO, ALELUIA!

    Segunda-feira, 23 de abril de 2007

    3ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Ressuscitou o bom pastor, que deu a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho, aleluia!

    Mais difícil do que publicar um livro é escrever um bom livro. (Jorge Amado)

    Hoje: Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral, dia Mundial do Escoteiro e dia Nacional do Choro

    Oração: ó Deus, vós que mostrais a luz da verdade aos que erram para que possam voltar ao bom caminho, concedei a todos os que gloriam da vocação cristã rejeitem o que se opõe este nome e abracem quando possa honrá-lo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos (At 6, 8-15)

    ESTEVÃO É PRESO E CONDENADO INJUSTAMENTE

    Naqueles dias, [8]Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.[9]Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estevão. [10]Porém não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.

    [11]Então subornaram alguns indivíduos, que disseram: "Ouvimos este homem dizendo blasfêmias contra Moisés e contra Deus". [12]Desse modo, incitaram o povo, os anciãos e os doutores da lei, que prenderam Estevão e o conduziram ao sinédrio. [13]Ai apresentaram falsas testemunhas, que diziam: "Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a lei. [14]E nós o ouvimos afirmar que Jesus nazareno ia destruir este lugar e ia mudar os costumes que Moisés nos transmitiu". [15]Todos os que estavam sentados no sinédrio tinham os olhos fixos sobre Estevão, e viram seu rosto como o rosto de um anjo. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    NÃO CONSEGUIAM RESISTIR À SABEDORIA E AO ESPÍRITO COM QUE ELE FALAVA

    Estevão realiza na sua vida a vida de Cristo: na pregação, nos milagres, no processo do Sinédrio, na morte violenta. Seu destino é o mesmo de Cristo, que continua na vida da Igreja. Dizer às pessoas que a religião delas "acabou", que "lei e templo" nenhuma relação tem mais com Deus e com a salvação, não é possível sem provocar luta. A não ser que tais pessoas sejam abertas e dóceis à verdade e à novidade de Deus.

    Estevão anuncia que a plenitude da lei e que o novo e definitivo templo de Deus é Cristo. Assim, a verdadeira fidelidade à lei e ao templo exige a superação e leva a Cristo.

    Também nós podemos cair numa visão legalista da vida cristã e numa prática formalística da missa e dos sacramentos. Cumpre ser aberto ao sopro do Espírito para fazer da religião um verdadeiro relacionamento com o Deus vivo em Cristo, e não a adoração de ídolos mortos.

    Salmo: 118 (119), 23-24.26-27.29-30 (R/.1b)

    FELIZ É QUEM NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO

    Que os poderosos reunidos me condenem; o que me importa é o vosso julgamento! Minha alegria é a vossa aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos.

    Eu vos narrei a minha sorte e me atendestes, ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! Fazei-me conhecer vossos caminhos, e então meditarei vossos prodígios!

    Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos.

    Evangelho: João (Jo 6, 22-29)

    ESFORÇAI-VOS NÃO PELO ALIMENTO QUE SE PERDE, MAS PELO ALIMENTO QUE PERMANECE ATÉ A VIDA ETERNA

    Depois que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o mar. [22]No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos. [23]Entretanto, tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças.

    [24]Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. [25]Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: "Rabi, quando chegaste aqui?" [26]Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade, eu vos digo, estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. [27]Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo".

    [28]Então perguntaram: "Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" [29]Jesus respondeu: "A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    O ALIMENTO IMPERECÍVEL

    Tendo sido procurado por interesses particulares, Jesus exorta o povo a buscar o alimento imperecível, que dura para a vida eterna. Mais importante que o pão material, necessário para matar a fome física, é o alimento que só o Filho do Homem pode oferecer.

    Estas palavras de Jesus podiam dar margem a mal-entendidos. Seus ouvintes corriam o risco de pensar em algo misterioso, conhecido só pelo Mestre, que tinha o poder mágico de substituir o alimento material.

    Entretanto, Jesus referia-se a algo muito mais simples: ele mesmo era o alimento que haveria de propiciar vida eterna a quem se dispusesse a acolhê-lo. Suas palavras deveriam ser tomadas num sentido espiritual-existencial. Alimentar-se de Jesus significa acolhê-lo como o Senhor de nossa própria existência. E isto resultará numa espécie de identificação da vida do discípulo com a do Mestre, passando por um processo de transformação. O parâmetro da ação do discípulo será o amor e a solidariedade. Os pobres e marginalizados serão objeto privilegiado de sua atenção. Por estar radicado em Deus, será livre para servir ao próximo, sem qualquer distinção.

    Este modo de viver terá como desfecho a vida eterna. É a obra de Jesus em nós.

    SÃO JORGE (MÁRTIR) (3)

    A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

    Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

    A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

    Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

    De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

    São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente

    DIA MUNDIAL DO LIVRO

    Hoje, dia 23, comemora-se o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. Instituída pela Unesco em 1995, a data visa atrair a atenção das autoridades governamentais e da população para este que é um dos meios de transmissão de conhecimento mais universais e eficazes que existem. Em várias cidades do mundo acontecerão eventos comemorativos. Esta data foi uma escolha natural da Conferência Geral da UNESCO para creditar tributo mundial aos livros e seus autores nesta data, encorajando ao povo em geral, especialmente aos jovens, a descobrirem o prazer da leitura. A idéia desta celebração teve origem na Catalunia no dia de São Jorge.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.paulinas.org.br (2007)

     

    PEDRO, TU ME AMAS? APASCENTA AS MINHAS OVELHAS.

    Domingo, 22 de abril de 2007

    3º da Páscoa, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Hoje: Dia do Descobrimento do Brasil (507º ano), dia Internacional da Terra, dia da Comunidade Luso-Brasileira e dia da Aviação de Caça.

    Oração: Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado gora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    1ª Leitura: Atos (At 5,27b-32.40b-41)

    DISSO SOMOS TESTEMUNHAS, NÓS E O ESPÍRITO SANTO

    Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. [27b]O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: [28]"Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!"

    [29]Então Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. [30]O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. [31]Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. [32]E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem".

    [40b]Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. [41]Os apóstolos saíram do conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. Palavra do Senhor!

    Salmo 29 (30), 2 e 4.5 e 6.11 e 12a e 13b (R/.2a)

    EU VOS EXALTO, Ó SENHOR, PORQUE VÓS ME LIVRASTES

    Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, e não deixastes rir de mim meus inimigos! Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes, quando estava já morrendo!

    Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.

    Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! Transformastes o meu pranto em uma festa, Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

    II Leitura: Apocalipse (Ap 5, 11-14)

    O CORDEIRO IMOLADO É DIGNO DE RECEBER O PODER E A RIQUEZA

    Eu, João, vi [11]e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos seres vivos e dos anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, [12]e proclamavam em alta voz: "O cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor". [13]Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: "Ao que está sentado no trono e ao cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre". [14]Os quatro seres vivos respondiam: "Amém", e os anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre. Palavra do Senhor!

    Evangelho: João (Jo 21, 1-19)

    JESUS APROXIMOU-SE, TOMOU O PÃO E DISTRIBUIU-O A ELES

    Naquele tempo, [1]Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: [2]Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. [3]Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar".Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. [4]Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. [5]Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não".

    [6]Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. [7]Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. [8]Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. [9]Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. [10]Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes".

    [11]Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. [12]Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. [13]Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. [14]Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

    [15]Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?" Pedro respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse: "Apascenta os meus cordeiros". [16]E disse de novo a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?" Pedro disse: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta as minhas ovelhas". [17]Pela terceira vez, perguntou a Pedro: "Simão, filho de João, tu me amas?"

    Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta as minhas ovelhas. [18]Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir". [19]Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou : "Segue-me". Palavra da Salvação!

    LITURGIA DO CÉU E DA TERRA (2)

    A grande liturgia do céu, que constitui o modelo ideal da liturgia cristã no dia de domingo, é celebrada diante do trono de Deus e do seu Espírito por vinte e quatro anciãos e quatro seres vivos (símbolo da humanidade e das forças cósmicas). As primeiras aclamações dirigidas a Deus são sucessivamente atribuídas ao Cristo que aparece como "cordeiro vivo, mas com os sinais de sua paixão. O coro de louvor, que inclui as criaturas espirituais do céu e todos os seres vivos e inanimados do cosmos, reconhece ao "Cordeiro imolado" as próprias prerrogativas de Deus.

    Tornamo-nos voz de todas as criaturas

    O louvor cósmico ao Cristo redentor e à sua salvação pascal mostra que uma ordem simplesmente "natural" é uma utopia. A natureza, que espera a revelação dos filhos de Deus, está incluída na redenção. O homem, que se faz voz de todas as criaturas, é, de agora em diante e para sempre, o homem novo, que, em Cristo, já está glorificado. Assim, não existe um Deus impessoal, mas o Pai de Jesus Cristo, constituído por ele, Senhor dos homens e do cosmos. Como todo dom vem a nós por Jesus Cristo, assim todo louvor e súplica sobe, por ele, ao Pai. A oração cristã, na expressão oficial, dirige-se diretamente ao Pai, chama-o Deus e Senhor, interpondo a mediação do Senhor nosso Jesus Cristo; mas nas formas populares, ela se dirige ao Cristo "como Deus", honra-o como Senhor da glória, e manifesta, com segurança, a sua fé na Cabeça que a precede e a guia.

    A Igreja terrestre, unida a Cristo, que intercede por nós no céu, sabe que participa, desde agora, da liturgia perene, através da ação de graças.

    A tentação do neoclericalismo

    Pode surgir uma tentação para a comunidade cristã, devido a essa visão cósmica de fé e de glorificação de Cristo redentor: a de empenhar-se numa restauração sobretudo terrena do reino de Cristo; a de impor a presença da Igreja em todos os campos, suplantando as legítimas autonomias e as justas distinções entre a ordem profana e a ordem sobrenatural. Esta a tentação consiste em querer deduzir diretamente da Escritura uma política - e uma única - conforme a própria exegese.

    É o risco, não menos grave e real, do gueto e da intolerância. "Por mais que possa isso parecer paradoxal, o próprio valor que se atribui ao evangelho corre o risco de erguer um muro de separação entre ele e o mundo daqueles que não o aceitam ou que, embora admirando-o, não fazem dele sua regra humana e política. Há um bom uso e um mau uso do evangelho. O bom uso consiste em fazer dele a inspiração constante da nossa visão do mundo e das nossas responsabilidades, e não um código de técnicas políticas. Há, ao contrário, certo modo de apresentar o evangelho, que corta toda comunicação e está em contradição direta com o respeito 4ue se pretende prestar aos que não crêem. Se este respeito é real, deve-se ter confiança em suas motivações de homens de boa vontade, que se colocam precisamente no nível da razão, do coração e da reta consciência. Do contrário, torna-se a substituir o diálogo, tão freqüentemente preconizado, por um monólogo político confessional. O diálogo com o mundo se tornaria, por um estranho desvio, um monólogo cristão, se não mesmo uma nova cruzada" (M. Roy).

    A alma da cidade secular

    O mundo êo lugar em que o cristão se encontra com seus irmãos e a eles se reúne, percorrendo os mesmos caminhos que eles, embora seja portador de uma seiva que supera e sublima os dinamismos puramente terrenos, a fim de contribuir para sua renovação.

    "Não basta ser iluminados pela fé e inflamados pelo desejo do bem para impregnar de princípios sadios uma civilização... é necessário inserir-se em suas instituições" (Pacem in Tems, 148).

    Este retrato do trabalhador cristão resume quais devem ser as qualidades humanas requeridas de um cristão que quer construir com Deus céus e terra novos". Diante dos enormes desafios atuais: desemprego, condições inumanas de trabalho, de salário, de habitação, de saúde, o trabalhador cristão quer empenhar-se profundamente e não mais em estruturas marginais, mas no sentido das instituições profanas existentes, respeitando sua autonomia.

    O trabalhador nada tem de um "beato" que prega moral e faz sermões a cada momento. Não é um "moralista enfadonho"; é, antes, um homem mais humano que os outros, um operário mais preocupado com a libertação do que os outros, com a defesa dos mais fracos, com a promoção coletiva, com a realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna. É nisso que se concretizam sua fé e sua caridade.

    Diante das diversas soluções para ajudar o homem, participa do amor que tem Cristo por todos os seres humanos, sem excluir nenhum.

    1 www.asj.org.br (2004)

    2 Missal Dominical, ©Paulus, 1995

    VINDE Ó DEUS EM NOSSO AUXÍLIO, SOCORREI-NOS SEM DEMORA, ALELUIA!

    Quinta-feira, 19 de abril de 2007

    2ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Ó Deus, quando saístes à frente do vosso povo, abrindo-lhe o caminho e habitando entre eles, a terra estremeceu, fundiram-se os céus, aleluia! (Sl 67,8s.20)

    Se a intenção é reta então a consciência estará satisfeita. (Xavier Leon-Dufour)

    Hoje: Dia do Índio e Dia do Exercito

    Oração: Concedei, ó Deus, que vejamos frutificar em toda a nossa vida as graças do mistério pascal, que instituístes na vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos (At 5, 27-33)

    NEM O SINÉDRIO AMEAÇAVA A MISSÃO DOS APÓSTOLOS

    Naqueles dias, os guardas [27]levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, [28]dizendo: "Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!"

    [29]Então Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. [30]O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. [31]Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. [32]E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem". [33]Quando ouviram isto, ficaram furiosos e queriam matá-los. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    DISSO SOMOS TESTEMUNHAS, NÓS E O ESPÍRITO SANTO

    Os apóstolos, para fornecer a prova judicial de suas afirmações, são obrigados a citar duas testemunhas (Dt 19,15). Apresentam-se eles próprios como primeira testemunha; a outra é o Espírito Santo, Testificam o que viram e ouviram: são as testemunhas autorizadas da vida, da morte e da ressurreição de Jesus. Mas a visão dos acontecimentos mudou-se para eles em experiência religiosa, e a este título encontraram outra testemunha, o Espírito, dispensador das maravilhas vividas pelos cristãos; estes são outros tantos sinais de que Jesus continua sua obra messiânica entre os seus, melhor ainda que no passado.

    O testemunho apostólico não é, pois, a simples atestação de um fato, mas, graças à presença do Espírito, é a interpretação religiosa do desígnio de Deus. Desta forma, o apóstolo continua a obra dos profetas. Também a Igreja, que no Espírito relê os acontecimentos contemporâneos, pode dar o mesmo testemunho e renovar a ação de graças pela salvação.

    Salmo: 33 (34), 2 e 9.17-18.19-20 (R/.7a)

    ESTE INFELIZ GRITOU A DEUS E FOI OUVIDO

    Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

    Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.

    Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.

    Evangelho: João (Jo 3, 31-36)

    O PAI AMA O FILHO E ENTREGOU TUDO EM SUA MÃO

    [31]"Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. [32]Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. [33]Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro.

    [34]De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida. [35]O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. [36]Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    O testemunho de Jesus

    Jesus apresentou-se como testemunha do Pai, uma vez que suas palavras reportam-se a tudo quanto dele viu e ouviu. Entender a identidade e a missão de Jesus é de suma importância no processo da fé. Por isso, Nicodemos devia ser bem instruído. Sua relação com o Mestre dependeria do peso que este discípulo iria dar às palavras de Jesus. E estas teriam mais valor se realmente o Filho falasse a partir de seu contato imediato com o Pai. Caso contrário, não passariam de meras palavras humanas.

    Jesus, porém, apresenta-se como superior a todos os demais seres humanos, por ter experimentado a intimidade do Pai. Sua linguagem toca as verdades mais sublimes, porque "quem é da Terra, pertence à Terra e fala com um ser terreno".

    No entanto, a rejeição faz parte de sua missão, pois "ninguém aceita o seu testemunho", mesmo sendo veraz. O Filho age, movido pelo Espírito que o Pai lhe conferiu abundantemente. O Espírito sugere-lhe as palavras que deve proclamar, de modo a garantir a fidelidade ao projeto de Deus, sem deturpações. De sua boca sai a Palavra de Deus capaz de tocar o coração humano e movê-lo à conversão. Seu domínio se estende sobre todas as coisas, já que tudo lhe foi entregue, por obra do amor do Pai.

    Diante dos discípulos apresentam-se dois caminhos: o da fé que leva à vida eterna, e o da incredulidade que submete o ser humano à ira de Deus. Diante deles, Nicodemos viu-se obrigado a tomar uma decisão.

    SANTO EXPEDITO (3)

    Santo Expedito foi martirizado na Armênia. Ele era militar, foi decapitado no dia 19 de abril de 303, sob o imperador Dioclesiano, que subira ao trono de Roma em 284. Levava uma vida devassa; mas um dia, tocado pela graça de Deus, vendo uma grande luz, tudo mudou em sua vida. Foi então que lhe apareceu o Espírito do mal, em forma de corvo, e lhe segredou "cras....! cras....! cras....!" palavra latina que quer dizer: "Amanhã...! amanhã...! amanhã...!, isto é - Deixe para amanhã! Não tenha pressa! Adie sua conversão!" Mas Santo Expedito, pisoteando o corvo, esmagou-o, gritando: HODIE! Quer dizer: HOJE! Nada de protelações! É pra já!"

    É por isto que o Santo Expedito é invocado nos casos que exige solução imediata, nos negócios em que qualquer demora poderia causar prejuízo. No Brasil, sobretudo, Santo Expedito é invocado nos negócios, o santo da "ultima hora", num sim, sem adiamentos.Origem histórica: Mártir de Metilene, é pouco conhecido dos historiadores, mas sua existência é certa. Santo Expedito, segundo a tradição, era armênio, não se conhecendo o lugar de seu nascimento, mas parece provável que seja Metilene, localidade onde sofreu seu martírio.

    A Armênia é uma região da Ásia Ocidental, situada ao Sul do Cálcaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, nas margens dos Rios Tigre e Eufrates. Essa região foi sempre considerada uma terra de predileção. Aliás, pelo testemunho da Sagrada Escritura, foi sobre as montanhas armênias do Ararat que a Arca de Noé pousou quando as águas do dilúvio baixaram (Gênesis, 8.5). A Armênia foi uma das primeiras regiões a receber a pregação dos apóstolos Judas Tadeu, Simão e Bartolomeu, mas também local de inúmeras perseguições aos cristãos. Essa região foi regada com o sangue de muitos mártires, entre eles Santo Expedito. Sua cidade natal (com toda probabilidade) não passa hoje de uma pequena localidade chamada Melatia, cidade construída no século II pelo imperador romano Trajano.

    A partir de Marco Antonio, tornou-se residência da 12ª Legião, conhecida como "Fulminante", cuja missão era defender o império romano dos bárbaros asiáticos. Hoje Metilene é uma cidade mística e simples, onde sua população vive em calma, longe das agitações políticas. Além de Santo Expedito, que foi levado à morte a 19 de Abril de 303, sob o poder de Deocleciano, lá veneram-se outros Santos mártires, entre eles: São Polieucto, outro oficial do exército romano que foi martirizado no século III. Deocleciano subiu ao trono de Roma em 284. Por seu ambiente e por seu caráter, parecia oferecer aos cristãos garantias de benevolência, pois havia em seu palácio a liberdade de religião, sendo, inclusive, sua esposa Prisca e sua filha Valéria, cristãs, ou ao menos, catecúmenas.

    Sob influências de Galero, seu genro, pagão convicto, determinou a perseguição dos cristãos, ordenando a destruição de igrejas e livros sagrados, a cessação das assembléias cristãs e a abjuração de todos os cristãos. Galero, sempre incitado por sua mãe, também pagã, queria abolir para sempre o Cristianismo e através de insinuações maldosas e hábeis calúnias, fez crer a Deocleciano, que o cristianismo conspirava de várias formas contra a augusta pessoa do imperador. Deocleciano, então, empreendeu a exterminação sistemática dos cristãos, envolvendo, inclusive, os membros de sua própria família e os servidores de seu palácio.

    Foi uma hecatombe sangrenta: oficiais, magistrados, o bispo da Nicomédia (Antino), padres, diáconos, simples fiéis foram assassinados ou afogados em massa. Somente em 324, com a retomada da autoridade do imperador cristão Constantino, foi que tiveram fim as terríveis perseguições que durante três séculos tinham ensangüentado a Igreja. Para fazer a novena de Santo Expedito é necessário orar durante nove dias seguidos, sozinho ou em grupo. Deve-se rezar um credo, depois a oração a Santo Expedito, sem esquecer de pedir a benção desejada. Em seguida, um Pai Nosso e ascender uma vela.

    Para finalizar diga: "Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre pelos séculos Amém". Durante os nove dias peça perdão a Deus por seus pecados e mantenha bons pensamentos. Depois resta apenas ter fé e esperar pela graça.

    1 Extraído do COMENTÁRIO BIBLICO, Vol. 2, ©Edições Loyola, 1999

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.asj.org.br (2005)

    SENHOR, EU VOS LOUVAREI ENTRE OS POVOS, ANUNCIAREI VOSSO NOME AOS MEUS IRMÃOS, ALELUIA!

    Quarta-feira, 18 de abril de 2007

    2ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Senhor, eu vos louvarei entre os povos, anunciarei vosso nome aos meus irmãos, aleluia! (Sl 17,50;21,23)

    Hoje: Dia Nacional do Livro Infantil

    Oração: Imploramos, ó Deus, a vossa clemência, ao recordar cada ano o mistério pascal que renova a dignidade humana, e nos traz a esperança da ressurreição: concedei-nos acolher sempre com amor o que celebramos com fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Atos (At 5, 17-26)

    COM MAIS ENTUSIASMO E MAIOR FIRMEZA

    Naqueles dias, [17]levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido - isto é, o partido dos saduceus - cheios de raiva [18]e mandaram prender os apóstolos e lançá-los na cadeia pública. [19]Porém, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo: [20]"Ide falar ao povo, no templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver". [21]Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no templo e começaram a ensinar.

    O sumo sacerdote chegou com os seus partidários e convocou o sinédrio e o conselho formado pelas pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos à prisão. [22]Mas, ao chegarem à prisão, os servos não os encontraram e voltaram dizendo: [23]"Encontramos a prisão fechada, com toda segurança, e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro". [24]Ao ouvirem essa notícia, o chefe da guarda do templo e os sumos sacerdotes não sabiam o que pensar e perguntavam-se o que poderia ter acontecido.

    [25]Chegou alguém que lhes disse: "Os homens que vós colocastes na prisão estão no templo ensinando o povo!" [26]Então o chefe da guarda do templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    OS HOMENS QUE VÓS COLOCASTES NA PRISÃO ESTÃO NO TEMPLO ENSINANDO O POVO!

    Cada prisão dos apóstolos nos Atos é imediatamente seguida de uma libertação providencial. Ora, a libertação do cárcere é o primeiro ato da luta que Deus conduz em favor das testemunhas, contra o povo do Antigo Testamento. Para os apóstolos é um sinal dos tempos messiânicos a abertura das prisões (Is 42, 7; 49,9) e, ao mesmo tempo, sinal de que a difusão da Palavra se firma no poder de Deus e não nas forças do homem. A Palavra de Deus não pode ser aprisionada (2Tm 2,9).

    Na libertação do cárcere, experimentam os apóstolos a libertação pascal. Com efeito, esta não aparece apenas como um acontecimento da vida de Cristo que devem testemunhar, mas se torna uma experiência religiosa pessoal, um fato concreto de vida. Na Eucaristia, comemoramos os fatos passados, exatamente para que aprendamos a reencontrá-los nos acontecimentos de nossa vida.

    Salmo: 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R/.7a)

    ESTE INFELIZ GRITOU A DEUS, E FOI OUVIDO

    Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

    Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

    Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

    O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

    Evangelho: João (Jo 3, 16-21)

    DEUS ENVIOU SEU FILHO AO MUNDO PARA QUE O MUNDO SEJA SALVO POR ELE

    [16]Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. [17]De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. [18]Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

    [19]Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. [20]Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. [21]Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    A MISSÃO DO FILHO

    O processo de formação para o discipulado requer a compreensão da identidade de Jesus e da sua missão. A fé consiste na adesão ao Mestre assim como se nos apresenta. Quanto mais adequada for esta compreensão, tanto mais profundo será o compromisso da fé. Eis por que Jesus pôs-se a instruir Nicodemos a este respeito.

    O Filho é a expressão perfeita do amor do Pai pela humanidade, que o ofereceu como prova de amor. A origem divina de Jesus dá credibilidade às suas palavras, pois seu testemunho reporta-se diretamente a Deus. Ele não é um simples intermediário entre o Pai e a humanidade. É a encarnação do amor de Deus.

    A missão terrena de Jesus consistiu em colocar-se inteiramente a serviço da salvação da humanidade, propiciando-lhe a vida eterna. Ele a resgata do poder do pecado e da morte, abrindo-lhe perspectivas novas de comunhão com Deus. Por seu ministério destruiu-se o muro de separação erguido entre o Criador e a criatura, refazendo-se a amizade inicial. Não compete a Jesus ser o juiz da humanidade, condenando-a por seus pecados.

    Cabe-lhe, sim, ser seu salvador. Mesmo que a humanidade prefira as trevas em detrimento da luz, a missão do Filho de Deus permanece inalterada. O gesto de recusar a luz já traz em si o germe da condenação, porém não tolhe ao ser humano a possibilidade de converter-se para a luz. Jesus é infinitamente paciente e espera que o ser humano se decida em favor dele.

    SANTA MARIA ENCARNAÇÃO (3)

    Nascida em Paris em 1565, Santa Maria da Encarnação, religiosa carmelita, cujo nome anterior era Acaria, nasceu em Paris, no dia 1º de Janeiro de 1565. Seu nome de batismo era Bárbara. Casou-se aos 16 anos com um rico senhor, chamado Pedro Acário, e foi mãe de seis filhos. Passou por várias atribulações e aflição de espírito. Seu marido foi exilado, seus bens confiscados. Tomou a defesa do marido, não se detendo até provar a inocência dele. Educou os filhos no amor à verdade, no respeito e no serviço aos mais pobres e desvalidos.

    Ensinou-os a viver de maneira simples, sóbria, modesta e temente a Deus. Ensinou-lhes também o espírito de sacrifício e a força de vontade perante as dificuldades. E o fez mais com seu exemplo do que com palavras: os infelizes, os aflitos, os doentes, os encarcerados encontraram nela amparo e proteção. Assentou na França as Carmelitas e apoiou a obra das vocações. Morto seu esposo em 1613, ingressou ela na Ordem das Carmelitas, jurando obediência à própria filha, eleita abadessa do convento de Amiens.

    Terminou os seus dias num leito de dor no convento carmelita de Pontoise. E ao morrer no dia 7 de fevereiro de 1618, recitou várias vezes os Salmos 21 e 101. Era quinta-feira santa do ano 1618.

    1 Extraído do COMENTÁRIO BIBLICO, Vol. 2, ©Edições Loyola, 1999

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.asj.org.br (2005)

    O CRISTO, RESSUSCITADO DOS MORTOS, JÁ NÃO MORRE; A MORTE NÃO TEM MAIS PODER SOBRE ELE, ALELUIA! Rm 6,9

    Segunda-feira, 16 de abril de 2007

    2ª Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    O Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não tem mais poder sobre ele, aleluia! (Rm 6, 9)

    Carrego no coração o peso das riquezas que não partilhei. (Rabindrnath Tagore)

    Hoje: Dia Nacional da Voz

    Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos para alcançarmos a herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    Leitura: Atos (At 4, 23-31)

    CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO, ANUNCIAVAM A PALAVRA DE DEUS

    Naqueles dias, [23]logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos haviam dito. [24]Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a Deus, dizendo: "Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. [25]Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: 'Por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vás? [26]Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu messias'.

    [27]Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e o povo de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, [28]a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse. [29]Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. [30]Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus". [31]Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    TODOS FICARAM CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO

    A comunidade cristã acolhe com a oração Pedro e João postos em liberdade. Uma oração que revela a consciência que a comunidade tem de si mesma. Encontramos aqui uma norma perene para a Igreja: os acontecimentos da comunidade são interpretados e iluminados pela Palavra de Deus, que é "lida circularmente" e compreendida à luz da vida e da fé dos crentes.

    Como a comunidade primitiva, também nós devemos "crer" que em nossa existência e na de nossas comunidades se repete o destino de Jesus. A prece inspirada no Salmo 2 é modelo de toda prece cristã. Nela não se dá uma "evasão" do mundo em busca de um contato com o divino, porém à luz da palavra se lê a própria existência e se procura força e coragem para uma vida de testemunho.

    Salmo: 2, 1-3. 4-6. 7-9 (+.cf. 12d)

    FELIZES HÃO DE SER TODOS AQUELES QUE PÕEM SUA ESPERANÇA NO SENHOR

    Por que os povos agitados se revoltam? Por que tramam as nações projetos vãos? Por que os reis de toda a terra se reúnem, e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu ungido? 'Vamos quebrar suas correntes", dizem eles, "e lançar longe de nós o seu domínio!"

    Ri-se deles o que mora lá nos céus; zomba deles o Senhor onipotente. Ele, então, em sua ira os ameaça, e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: "Fui eu mesmo que escolhi este meu rei, e em Sião, meu monte santo, o consagrei!"

    O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: "Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como vaso de argila!"

    Evangelho: João (Jo 3, 1-8)

    ASSIM ACONTECE A TODO AQUELE QUE NASCEU DO ESPÍRITO

    [1]Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, [2]que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: "Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele". [3]Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o reino de Deus".

    [4]Nicodemos disse: "Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?" [5]Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". [6]Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. [7]Não te admires por eu haver dito: "Vós deveis nascer do alto. [8]O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    NASCER DO ESPÍRITO

    Nicodemos representa uma categoria de pessoas que se aproximam de Jesus com o desejo de conhecê-lo e de se fazer discípulo dele. Num primeiro momento, a aproximação acontece no escondimento. Por isso, ele vem falar com Jesus na calada da noite, para não ser flagrado por nenhum de seus companheiros, com o risco de se tornar objeto de zombaria e perseguição.

    De início, uma simples admiração pelo Mestre, e um desejo sincero de ouvir-lhe os seus ensinamentos. Quando, porém, se põe a ouvi-lo, começa a descobrir o longo caminho que deverá percorrer até sintonizar com o Mestre. O diálogo entre Jesus e Nicodemos é cheio de mal-entendidos. Assim, quando o Mestre lhe afirma a necessidade de "nascer de novo", ou "nascer do alto", Nicodemos entende isso no sentido superficial, imaginando deve voltar ao ventre materno e retomar a vida a partir daí.

    O discipulado exigia do discípulo secreto nascer do Espírito. O que significa isto, na prática? Jesus propunha a Nicodemos romper os laços que o ligavam à sinagoga, para aderir, de todo coração, à comunidade cristã. Em outras palavras, deveria renunciar à sua condição de fariseu e de alto dignitário dos judeus, e confessar-se abertamente discípulo de Jesus. Esta opção resultaria em desprezo e perseguição por parte de seus antigos correligionários. Seria necessário começar uma vida nova, na pobreza e no despojamento, e confiar totalmente, apenas, em Deus. Isto seria nascer de novo!

    SANTA BERNADETE SOUBIROUS (3)

    Bernarda, era o nome a filha de Francisco Soubirous e Luisa Casterot, nascida em 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, uma região montanhosa da França, os famosos Pirineus. Mas era chamada pela forma carinhosa do nome no diminutivo: Bernadete. A família de camponeses era numerosa, religiosa e muito pobre. Desde a infância, a pequena tinha problemas de saúde em conseqüência da asma. Era analfabeta, mas tinha aprendido a rezar o terço, o que fazia diariamente enquanto cuidava dos afazeres da casa.

    Numa tarde úmida e fria, Bernadete foi, junto com a irmãzinha e algumas companheiras, procurar gravetos. Tinham de atravessar um riacho, mas ela se atrasou porque ficou com receio de molhar os pés, quando ouviu um barulho nos arbustos, ergueu os olhos e viu uma luz, dentro da gruta natural na encosta da montanha. Olhando melhor, viu Nossa Senhora vestida de branco, faixa azul na cintura, terço entre as mãos, que a chamou para rezar. Era o dia 11 de fevereiro de 1858.

    Quando chegaram em casa, a sua irmãzinha contou o ocorrido para os pais, que a proibiram de sair de casa. Bernadete chorou muito e adoeceu, então os pais deixaram que ela voltasse para lá. A aparição se repetiu, sete dias depois, quando Nossa Senhora lhe disse: "Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro". Voltou mais dezoito vezes, até 16 de julho, na gruta de Massabielle, nos montes Pirineus.

    Bernadete sofreu muitas e pesadas provações para ser acreditada em suas visões, que só os numerosos milagres confirmaram como obra divina. Enquanto o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes se tornava um dos lugares mais visitados pelos peregrinos do mundo e a água da fonte era considerada milagrosa pelos devotos, Bernadete se recolhia na sombra.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO, (c) Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.paulinas.org.br

    ESSE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS!

    Sábado, 14 de abril de 2007

    Oitava da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    O Senhor fez o seu povo sair com grande júbilo; com gritos de alegria, os seus eleitos, aleluia!(Sl 104,43)

    Senhor, vós sois meu único bem, toda a minha herança e o que desejo possuir para sempre. (Pe. Vigne)

    Hoje: Dia do Pan Americanismo

    Oração: Ó Deus, que pela riqueza da vossa graça multiplicais os povos que crêem em vós, contemplai solícito aqueles que escolhestes e daí aos que renasceram pelo batismo a veste da imortalidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    Leitura: Atos (At 4, 13-21)

    TODOS GLORIFICARAM A DEUS PELO QUE HAVIA ACONTECIDO

    Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas, [13]ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. [14]No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário. [15]Mandaram que saíssem para fora do sinédrio, e começaram a discutir entre si: [16]"O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo.

    [17]Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus". [18]Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. [19]Pedro e João responderam: "Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! [20]Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos". [21]Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido. Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    QUANTO A NÓS, NÃO NOS PODEMOS CALAR SOBRE O QUE VIMOS E OUVIMOS

    Os chefes do povo compreendem a força revolucionária do testemunho apostólico. Compreendem que a afirmação "Cristo é o único salvador do homem" assinala o fim da religião como era por eles concebida e praticada.

    Que fazer então? É necessário fazer calar. Já está preparada a dinâmica da morte. Se ficam na injunção e na eliminação, é unicamente por motivos de oportunismo político.

    Mas o cristão, como Pedro e João, não pode calar. Anunciar a Cristo não provém de necessidade humana, mas de missão divina. "Sereis minhas testemunhas", dissera-lhes Jesus. Nenhuma intimidação, nenhuma perseguição poderá detê-los.

    A coragem da Igreja, que anuncia o Cristo ressuscitado, não pode ser tolhida pelo mundo, porque não vem do mundo.

     Salmo: 117 (118), 1 e 14-15.16ab-18.19-21 (+21a)

    DOU-VOS GRAÇA, Ó SENHOR, PORQUE ME OUVISTES

    Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. "Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.

    A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas!" O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.

    Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; quero entrar para dar graças ao Senhor! "Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!" Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!

    Evangelho: Marcos (Mc 16, 9-15)

    PROCLAMAR A BOA NOTÍCIA DO REINO

    [9]Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, a qual havia expulsado sete demônios. [10]Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. [11]Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. [12]Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo.

    [13]Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. [14]Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. [15]E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    SUPERANDO A INCREDULIDADE

    A superação da incredulidade, por parte dos primeiros discípulos, aconteceu mediante um penoso caminho trilhado pela comunidade a fim de entender o que se passara com o Senhor. Não dava para acreditar que estivesse vivo quem fora vítima de horrenda morte de cruz! As imagens do Mestre desfigurado pelas torturas, cravado na cruz, com o lado perfurado por uma lança estavam ainda demasiadamente vivas na memória dos discípulos, para que pudessem dar crédito ao que se falava a respeito da ressurreição de Jesus.

    O testemunho de quem havia dado o passo da fé era sumariamente desprezado. Quando Maria Madalena comunicou aos discípulos - tristonhos e imersos em pranto - que o Senhor estava vivo, eles não lhe deram crédito. Igualmente, não acreditaram nos dois discípulos que tinham tomado consciência da ressurreição de Jesus, enquanto voltavam para o campo.

    A incredulidade dos Onze só foi superada após a refeição com o Mestre. A censura que ele lhes dirigiu, por serem duros de coração, valeu também para todos quantos persistiam em lastimar a morte do amigo, sem se darem conta de que algo novo havia acontecido.

    Era urgente deixar a incredulidade de lado, pois tinham uma grande missão a cumprir: ir pelo mundo inteiro e proclamar o Evangelho a toda criatura. O conteúdo da Boa Nova a ser anunciada consistia exatamente no fato da ressurreição do Senhor e que por meio dela era possível obter a salvação oferecida pelo Pai a cada ser humano.

    Independentemente da reação dos ouvintes, quem experimentou a presença do Ressuscitado é impelido a anunciar a todo mundo esta experiência transformadora.

    SANTA LIDUÍNA (3)

    Lidvina ou Liduína, como costuma ser chamada por nós, nasceu em Schiedan, Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Ainda criança, recolhia alimentos e roupas para os pobres e doentes abandonados. Até os quinze anos, Liduína era uma menina como todas as demais. Porém, no inverno daquele ano, sua vida mudou completamente. Com um grupo de amigos foi patinar no gelo e, em plena descida da montanha, um deles se chocou violentamente contra ela. Estava quase morta com a coluna vertebral partida e com lesões internas. Imediatamente, foi levada para casa e colocada sobre a cama, de onde nunca mais saiu, até morrer.

    Depois do trágico acidente, apareceram complicações e outras doenças, numa seqüência muito rápida. Apesar dos esforços, os médicos declararam que sua enfermidade não tinha cura e que o tratamento seria inútil, só empobrecendo ainda mais a família.

    Os anos se passavam e Liduína não melhorava, nem morria. Ficou a um passo do desespero total, quando chegou em seu socorro o padre João Pot, pároco da igreja. Com conversas serenas, o sacerdote recordou a ela que: "Deus só poda a árvore que mais gosta, para que produza mais frutos; e aos filhos que mais ama, mais os deixa sofrer". E pendurou na frente da sua cama um crucifixo. Pediu que olhasse para ele e refletisse: se Jesus sofreu tanto, foi porque o sofrimento leva à glória da vida eterna.

    Liduína entendeu que sua situação não foi uma fatalidade sem sentido, ao contrário, foi uma benção dada pelo Senhor. Do seu leito, podia colaborar com a redenção, ofertando seu martírio para a salvação das almas. E disse ao padre que gostaria de receber um sinal que confirmasse ser esse o seu caminho. E ela o obteve, naquela mesma hora. Na sua fronte apareceu uma resplandecente hóstia eucarística, vista por todos, inclusive pelo padre Pot.

    A partir daquele momento, Liduína nunca mais pediu que Deus lhe aliviasse os sofrimentos; pedia, sim, que lhe desse amor para sofrer pela conversão dos pecadores e pela salvação das almas. Do seu leito de enferma ela recebeu de Deus o dom da profecia e da cura pela oração aos enfermos. Após doze anos de enfermidade, também começou a ter êxtases espirituais, recebendo mensagens de Deus e da Virgem Maria.

    Em 1890, o papa Leão XII elevou santa Liduína ao altar e autorizou o seu culto para o dia da sua morte. A igreja de Schiedan, construída em sua homenagem, tornou-se um santuário, muito procurado pelos devotos que a consideram padroeira dos doentes incuráveis.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.paulinas.org.br

    O SENHOR CONDUZIU O SEU POVO NA ESPERANÇA!

    Sexta-feira, 13 de abril de 2007

    Oitava da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    O Senhor conduziu o seu povo na esperança e recobriu com o mar seus inimigos, aleluia! (Sl 77,53)

    Ser feliz é ver sem inveja a felicidade dos outros e com alegria a felicidade comum. (Bossuet)

    Hoje: Dia do Hino Nacional Brasileiro

    Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que no sacramento pascal restaurastes vossa aliança, reconciliando convosco a humanidade, concedei-nos realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    Leitura: Atos (At 4, 1-12)

    EM NENHUM OUTRO HÁ SALVAÇÃO

    Naqueles dias, depois que o paralítico fora curado, [1]Pedro e João ainda estavam falando ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do templo e os saduceus. [2]Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam a ressurreição dos mortos na pessoa de Jesus. [3]Eles prenderam Pedro e João e os colocaram na prisão até ao dia seguinte, porque já estava anoitecendo.

    [4]Todavia, muitos daqueles que tinham ouvido a pregação acreditaram. E o número dos homens chegou a uns cinco mil. [5]No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém os chefes, os anciãos e os mestres da lei. [6]Estavam presentes o sumo-sacerdote Anás, e também Caifás, João, Alexandre, e todos os que pertenciam às famílias dos sumos sacerdotes. [7]Fizeram Pedro e João comparecer diante deles e os interrogavam: "Com que poder ou em nome de quem vós fizestes isso?"

    [8]Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: "Chefes do povo e anciãos: [9]hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. [10]Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, - aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos - que este homem está curado, diante de vós. [11]Jesus é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular. [12]Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos". Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    EM NENHUM OUTRO HÁ SALVAÇÃO

    Se a presença gloriosa de Cristo continua nos prodígios e milagres operados pelos apóstolos também a presença de recusa, perseguição e sofrimentos continua na carne de sua Igreja. Testemunho-perseguição é outro binômio inseparável da comunidade eclesial. A perseguição é selo de autenticidade da mensagem e fonte de crescimento. Perseguição quer dizer que a verdade da mensagem não se mede pela acolhida do mundo, mas só pela fidelidade ao Cristo ressuscitado. A coragem e as palavras para dar testemunho na perseguição vêm do Espírito.

    O motivo da perseguição e o objetivo do testemunho é Cristo ressuscitado, único salvador do homem. Esta afirmação, contudo, é uma revolução radical: é o fim da velha religião-de-Israel, para quem a salvação era a lei. Afirmar que Cristo ressuscitou não quer dizer que ele vive num mundo abstrato, em lugar "distante", de onde não pode incomodar, mas que está "presente e ativo" no mundo.

    Salmo: 117 (118), 1-2 e 4. 22-24. 25-27a (+22)

    A PEDRA QUE OS PEDREIROS REJEITARAM, TORNOU-SE AGORA A PEDRA ANGULAR

    Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" Os que temem o Senhor agora o digam: "Eterna é a sua misericórdia!"

    "A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

    Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação; ó Senhor, dai-nos também prosperidade!" Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

    Evangelho: João (Jo 21, 1-14)

    JESUS APROXIMOU-SE, TOMOU O PÃO E DISTRIBUIU-O POR ELES

    Naquele tempo, [1]Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: [2]Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus.[3]Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar". Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite.

    [4]Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. [5]Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não". [6]Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. [7]Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. [8]Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros.

    [9]Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. [10]Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes [11]Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. [12]Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. [13]Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. [14]Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    A REFEIÇÃO COM O RESSUSCITADO

    O texto evangélico alude a dois níveis de comunhão na vida dos discípulos: entre si e com o Ressuscitado. Isto perfaz uma experiência característica do discipulado cristão.

    A comunhão dos discípulos entre si expressa-se na disposição a trabalharem juntos. Quando Pedro revela sua decisão de ir pescar, imediatamente outros seis companheiros dispõem-se a ir com ele. Embora a pescaria tenha sido infrutífera, o simples fato de estarem pescando juntos já era significativo. Cada qual poderia ir pescar sozinho, pensando em si mesmo e no lucro que obteria com a pesca. A disposição de partilharem o trabalho dava à pescaria uma nova dimensão.

    A comunhão com o Ressuscitado expressa-se no convite para a refeição. Primeiramente, Jesus pede aos sete pescadores algo para comer. Uma vez que nada tinham pescado, ordena-lhes que lancem novamente a rede, à direita da barca. Resultado: recolhem-na abarrotada de enormes peixes. Entretanto, quando atingem a margem do lago, deparam-se com uma surpresa: a refeição preparada pelo próprio Mestre! Este lhes oferece peixe assado e pão, como gesto de bondosa solicitude, saciando-lhes a fome, após uma noite inteira de fadiga e de trabalho inútil.

    A comunhão com o Senhor dava consistência à comunhão dos discípulos entre si. Caso contrário, não passariam de um grupo de amigos, sem maiores compromissos. A presença do Senhor fazia frutificar o esforço da comunidade de atrair para a fé muitas outras pessoas. Isto é o que simboliza a rede repleta com 153 grandes peixes.

    SÃO MARTINHO I (3)

    O papa Martinho I sabia que as conseqüências das atitudes que tomou contra o imperador Constante II, no século VII, não seriam nada boas. Nessa época, os detentores do poder achavam que podiam interferir na Igreja, como se sua doutrina devesse submissão ao Estado. Martinho defendeu os dogmas cristãos, por isso foi submetido a grandes humilhações e também a degradantes torturas.

    Martinho nasceu em Todi, na Toscana, e era padre em Roma quando morreu o papa Teodoro, em 649. Eleito para sucedê-lo, Martinho I passou a dirigir a Igreja com a mão forte da disciplina que o período exigia. Para deixar isso bem claro ao chefe do poder secular de então, assumiu mesmo antes de ter sua eleição referendada pelo imperador.

    Um ano antes, Constante II tinha publicado o documento "Tipo", que apoiava as teses hereges do cisma dos monotelistas, os quais negavam a condição humana de Cristo, o que se opõe às principais raízes do cristianismo. Para reafirmar essa posição, o papa convocou, ainda, um grande Concílio, um dos maiores da história da Igreja, na basílica de São João de Latrão, para o qual foram convidados todos os bispos do Ocidente. Ali foram condenadas, definitivamente, todas as teses monotelistas, o que provocou a ira mortal do imperador Constante II.

    Ele ordenou a seu representante em Ravena, Olímpio, que prendesse o papa Marinho I. Querendo agradar ao poderoso imperador, Olímpio resolveu ir além das ordens: planejou matar Martinho. Armou um plano com seu escudeiro, que entrou no local de uma missa em que o próprio papa daria a santa comunhão aos fiéis. Na hora de receber a hóstia, o assassino sacou de seu punhal, mas ficou cego no mesmo instante e fugiu apavorado. Impressionado, Olímpio aliou-se a Martinho e projetou uma luta armada contra Constantinopla. Mas o papa perdeu sua defesa militar porque Olímpio morreu em seguida, vitimado pela peste que se alastrava naquela época.

    Com o caminho livre, o imperador Constante II ordenou a prisão do papa Martinho I pedindo a sua transferência para que o julgamento se desse em Bósforo, estreito que separa a Europa da Ásia, próximo a Istambul, na Turquia. A viagem tornou-se um verdadeiro suplício, que durou quinze meses e acabou com a saúde do papa. Mesmo assim, ao chegar à cidade, ficou exposto, desnudo, sobre um leito no meio da rua, para ser execrado pela população. Depois, foi mantido incomunicável num fétido e podre calabouço, sem as mínimas condições de higiene e alimentação.

    Ao fim do julgamento, o papa Martinho I foi condenado ao exílio na Criméia, sul da Rússia, e levado para lá em março de 655, em outra angustiante e sofrida viagem que durou dois meses. Ele acabou morrendo de fome quatro meses depois, em 16 de setembro daquele ano. Foi o último papa a ser martirizado e sua comemoração foi determinada pelo novo calendário litúrgico da Igreja para o dia 13 de abril.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.paulinas.org.br

    ALEGRAI-VOS SEMPRE NO SENHOR, REPITO, ALEGRAI-VOS!

    Quinta-feira, 12 de abril de 2007

    Oitava da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Senhor, todos louvaram, unânimes, a vossa mão vitoriosa, pois a vossa sabedoria abriu os lábios dos mudos e tornou eloqüente a língua das crianças, aleluia! (Sb 10, 20-21)

    Hoje é dia de Deus, não haja tristeza no teu coração, pois a alegria do Senhor será a tua força. (Paulo de Araújo)

    Oração: Ó Deus, que reunistes povos tão diversos no louvor do vosso nome, concedei aos que renasceram nas águas do batismo ter no coração a mesma fé e na vida a mesma caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

    Leitura: Atos (At 3, 11-26)

    OS DISCÍPULOS DE JESUS SÃO OS CONTINUADORES DA SUA MISSÃO SALVÍFICA

    Naqueles dias, [11]como o paralítico não deixava mais Pedro e João, todo o povo, assombrado, foi correndo para junto deles, no chamado "Pórtico de Salomão". [12]Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo: "Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade? [13]O Deus de Abraão, de lsaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. [14]Vós rejeitastes o santo e o justo, e pedistes a libertação para um assassino. [15]Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas.

    [16]Graças à fé no nome de Jesus, este nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós. [17]E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. [18]Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. [19]Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. [20]Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Cristo, que vos foi destinado.

    [21]No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus, nos tempos passados, pela boca de seus santos profetas. [22]Com efeito, Moisés afirmou: 'O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos, um profeta como eu. Escutai tudo o que ele vos disser. [23]Quem não der ouvidos a esse profeta, será eliminado do meio do povo'. [24]E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias.

    [25]Vós sois filhos dos profetas e da aliança, que Deus fez com vossos pais, quando disse a Abraão: 'Através da tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra'. [26]Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades". Palavra do Senhor!

    Comentando a Leitura (1)

    VÓS MATASTES O AUTOR DA VIDA, MAS DEUS O RESSUSCITOU DOS MORTOS

    O perigo que ameaça constantemente a Igreja é o de se fazer fim e não meio, de levar os homens a ela e não a Cristo.

    Pedro, interpretando o milagre do aleijado, afirma com veemência que é obra de Deus, não do apóstolo, nem da Igreja. A Igreja é apenas "testemunha" da obra de Deus, sinal e instrumento de salvação, mas não o centro. O centro está além. É Deus que nela opera. Deus é que deve ser glorificado, não ela.

    Por isto a Igreja é pobre, é o lugar onde Deus age, mas não é ela a agir. A Igreja é semente a "serva" de seu Senhor, Cristo. Anuncia com palavras e ações o seu mistério. Ele, rejeitando e crucificado, é a salvação. Deus o ressuscitou e fez dele o autor da vida. Cristo é a vida. O homem, diante disto, deve fazer a opção "radical". Aceitar na fé a Cristo como "salvação" da própria vida, ou recusá-lo.

    Salmo: 8, 2a e 5.6-7.8-9 (R/.2ab)

    Ó SENHOR, NOSSO DEUS, COMO É GRANDE VOSSO NOME POR TODO O UNIVERSO!

    Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Perguntamos: "Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?"

    Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes.

    As ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.

    Evangelho: Lucas (Lc 24, 35-48)

    O ENCONTRO DO CRISTO RESSUSCITADO COM SEUS DISCÍPULOS

    Naquele tempo, [35]os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. [36]Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: "A paz esteja convosco!" [37]Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma.

    [38]Mas Jesus disse: "Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração? [39]Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho". [40]E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. [41]Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: "Tendes aqui alguma coisa para comer?" [42]Deram-lhe um pedaço de peixe assado. [43]EIe o tomou e comeu diante deles.

    [44]Depois disse-lhes: "São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos". [45]Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as escrituras, [46]e lhes disse: "Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia [47]e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. [48]Vós sereis testemunhas de tudo isso". Palavra da Salvação!

    Comentário o Evangelho (2)

    SOU EU MESMO!

    As primeiras comunidades cristãs tiveram dificuldade em ver, no Ressuscitado, o Jesus que havia sido crucificado. A tentação era a de não identificá-los e de tomá-los como duas pessoas distintas. O Evangelho explicita esta identificação aplicando ao Ressuscitado gestos típicos da antiga convivência de Jesus com os discípulos. O Mestre come peixe assado e mel, diante deles. Entretanto, a prova melhor da identidade do Ressuscitado era oferecida pelas Escrituras. Lidas com atenção, ajudavam a comunidade cristã a compreender que o Cristo devia sofrer, mas também haveria de ressuscitar, por desígnio de Deus. Os discípulos teriam a missão de ser anunciadores deste gesto amoroso do Pai para com Jesus, penhor de salvação para toda a humanidade.

    A comunidade cristã compreendeu que, se o Ressuscitado não fosse o mesmo Jesus que fora crucificado, a salvação de Deus não a teria atingido. Os pecados da humanidade só foram redimidos porque Jesus foi capaz de vencê-los com sua morte de cruz. No entanto, se a última palavra na vida de Jesus tivesse sido a morte, com seu sabor de derrota, não tinha de se gloriar, pois em nada teria sido diferente dos demais seres humanos.

    Quando a comunidade entendeu o verdadeiro sentido do "Sou Eu!" pronunciado pelo Ressuscitado, tornou-se capaz de fazer a conexão entre o passado e o presente e proclamar a fé no Jesus vivo e atuante no meio dela, incentivando-a a superar o medo e a proclamar as maravilhas operadas por Deus em seu Filho Jesus.

    SÃO JÚLIO I (3)

    O Martirológio Romano enumera nove santos e oito santas com esse nome e quase todos são mártires do primeiro século do cristianismo. Mas, hoje, celebramos Júlio, o primeiro papa a tomar este nome, e que dirigiu a Igreja de 337 a 352.

    Júlio era de origem romana, filho de um certo cidadão chamado Rústico. Viveu no período em que a Igreja respirava a liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino, o Magno, em 313. Essa liberdade oferecia ao cristianismo melhores condições de vida e expansão da religião. Por outro lado, surgiram as primeiras heresias: donatismo, puritanismo na moral,e o arianismo, negando a divindade de Cristo.

    Com a morte de Constantino, os sucessores, infelizmente, favoreceram os partidários do arianismo. O papa Júlio I tomou a defesa e hospedou o patriarca de Alexandria, Atanásio, o grande doutor da Igreja, batalhador da fé no concílio de Nicéia e principal alvo do ódio dos arianos, que o tinham expulsado da sede patriarcal. O papa Júlio I convocou dois sínodos de bispos em que, com a condenação do semi-arianismo, Atanásio foi reabilitado, recebendo cartas do papa que se felicitava com a Igreja de Alexandria, baluarte da ortodoxia cristã.

    O papa Júlio I construiu várias igrejas em Roma: a dos Santos Apóstolos, a da Santíssima Maria de Trastévere, e três mandou construir nos cemitérios das vias Flavínia, Aurélia e Portuense, respectivamente as igrejas de São Valentim, de São Calisto e de São Félix. Cuidou da organização eclesiástica e da catequese catecumenal, ou seja, dos adultos e mais velhos

    Morreu em 352, após quinze anos de pontificado. Foi sepultado no cemitério de Calepódio, na via Aurélia, numa igreja que ele também havia mandado edificar. Sua veneração começou entre os fiéis a partir do século VII. Suas relíquias, segundo a tradição, foram transladadas para a basílica de São Praxedes a pedido do papa Pascoal I. O seu culto, que já fora autorizado, refloresceu em 1505, quando do seu translado para a basílica da Santíssima Maria de Trastévere, em Roma.

    1 Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996

    3 www.paulinas.org.br

    CISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!

    Sábado, 7 de abril de 2007

    Vigília Pascal, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    Hoje: Dia Mundial da Saúde e dia Nacional do Jornalista

    Bênção do Fogo: Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes àquele que crêem o clarão da vossas luz, santificai este novo fogo. Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chega purificados à festa da luz eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

    Leitura, Gênesis (Gn 1, 1 - 2, 2)

    DEUS VIU TUDO QUANTO HAVIA FEITO E EIS QUE TUDO ERA MUITO BOM

    [1]No princípio Deus criou o céu e a terra. [2]A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. [3]Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz se fez. [4]Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. [5]E à luz Deus chamou "dia" e às trevas, "noite". Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.

    [6]Deus disse: "Faça-se um firmamento entre as águas, separando umas das outras". [7]E Deus fez o firmamento, e separou as águas que estavam embaixo, das que estavam em cima do firmamento. E assim se fez. [8]Ao firmamento Deus chamou "céu". Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.

    [9]Deus disse: "Juntem-se as águas que estão debaixo do céu num só lugar e apareça o solo enxuto!" E assim se fez. [10]Ao solo enxuto Deus chamou "terra" e ao ajuntamento das águas, "mar". E Deus viu que era bom. [11]Deus disse: "A terra faça brotar vegetação e plantas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, que tenham nele a sua semente sobre a terra". E assim se fez. [12]E a terra produziu vegetação e plantas que trazem semente segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto tendo nele a semente da sua espécie. E Deus viu que era bom. [13]Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.

    [14]Deus disse: "Façam-se luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar as épocas, os dias e os anos, [15]e que resplandeçam no firmamento do céu e iluminem a terra". E assim se fez. [16]Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para presidir o dia, e o luzeiro menor para presidir à noite, e as estrelas. [17]Deus colocou-os no firmamento do céu para alumiar a terra, [18]para presidir ao dia e à noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom. [19]E houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.

    [20]Deus disse: "Fervilhem as águas de seres animados de vida e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu". [21]Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam, em multidão, nas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom. [22]E Deus os abençoou, dizendo: "Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra". [23]Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia.

    [24]Deus disse: "Produza a terra seres vivos segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies". E assim se fez. [25]Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies e todos os répteis do solo segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom. [26]Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e segundo à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra".

    [27]E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou. [28]E Deus os abençoou e lhes disse: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra". [29]E Deus disse: "Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. [30]E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento". E assim se fez. [31]E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.

    [2,1]E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. [2]No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. Palavra do Senhor

    Nota: Leitura breve: Ge 1, 1.26-31

    I Salmo 104/103, 1-2a. 5-6. 10 e 12. 13-14. 24 e 35c (R/. cf. 30)

    ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO, SENHOR, E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI

    Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto.

    A terra vós firmastes em suas bases, ficará firme pelos séculos sem fim; os mares a cobriam como um manto, e as águas envolviam as montanhas.

    Fazeis brotar em meio aos vales as nascentes que passam serpeando entre as montanhas; às suas margens vêm morar os passarinhos, entre os ramos eles erguem o seu canto.

    De vossa casa as montanhas irrigais, com vossos frutos saciais a terra inteira; fazeis crescer os verdes pastos para o gado e as plantas que são úteis para o homem.

    Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, que sabedoria em todas elas! Encheu-se a terra com as vossas criaturas! Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

    II Leitura: Gênesis (Gn 22, 1-18)

    O SACRIFÍCIO DE NOSSO PAI ABRAÃO

    Naqueles dias, [1]Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: "Abraão!" E ele respondeu: "Aqui estou". [2]E Deus disse: "Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar". [3]Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac. Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado. [4]No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar. [

    5]Disse, então, aos seus servos: "Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá. Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós". [6]Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos. [7]Isaac disse a Abraão: "Meu pai". "Que queres, meu filho?", respondeu ele. E o menino disse: "Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?" [8]Abraão respondeu: "Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho". E os dois continuaram caminhando juntos.

    [9]Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar. [10]Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. [11]E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: "Abraão! Abraão!" Ele respondeu: "Aqui estou!" [12]E o anjo lhe disse: "Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único". [13]Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. [14]Abraão passou a chamar aquele lugar: "O Senhor providenciará". Donde até hoje se diz: "Sobre o monte o Senhor providenciará".

    [15]O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, [16]e lhe disse: "Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, [17]eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos. [18]Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste". Palavra do Senhor!

    Nota: Leitura breve: Ge 22, 1-2.9-13.15-18

    II Salmo 15 (16), 5 e 8. 9-10. 11 (+ 1)

    GUARDAI-ME, Ó DEUS, PORQUE EM VÓS ME REFUGIO!

    Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.

    Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranqüilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção.

    Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

    III Leitura: Êxodo (Ex 14, 15 - 15, 1)

    OS FILHOS DE ISRAEL ENTRARAM PELO MEIO DO MAR A PÉ ENXUTO

    Naqueles dias, [15]o Senhor disse a Moisés: "Por que clamas a mim por socorro? Dize aos filhos de Israel que se ponham em marcha. [16]Quanto a ti, ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar. [17]De minha parte, endurecerei o coração dos egípcios, para que sigam atrás deles, e eu seja glorificado às custas do faraó, e de todo o seu exército, dos seus carros e cavaleiros. [18]E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado às custas do faraó, dos seus carros e cavaleiros".

    [19]Então, o anjo do Senhor, que caminhava à frente do acampamento dos filhos de Israel, mudou de posição e foi para trás deles; e com ele, ao mesmo tempo, a coluna de nuvem, que estava na frente, colocou-se atrás, [20]inserindo-se entre o acampamento dos egípcios e o acampamento dos filhos de Israel. Para aqueles a nuvem era tenebrosa, para estes, iluminava a noite. Assim, durante a noite inteira, uns não puderam aproximar-se dos outros. [21]Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante toda a noite o Senhor fez soprar sobre o mar um vento leste muito forte; e as águas se dividiram.

    [22]Então, os filhos de Israel entraram pelo meio do mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam como que uma muralha à direita e à esquerda. [23]Os egípcios puseram-se a persegui-los, e todos os cavalos do faraó, carros e cavaleiros os seguiram mar adentro. [24]Ora, de madrugada, o Senhor lançou um olhar, desde a coluna de fogo e da nuvem, sobre as tropas egípcias e as pôs em pânico. [25]Bloqueou as rodas dos seus carros, de modo que só a muito custo podiam avançar. Disseram, então, os egípcios: "Fujamos de Israel! Pois o Senhor combate a favor deles, contra nós".

    [26]O Senhor disse a Moisés: "Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem contra os egípcios, seus carros e cavaleiros". [27]Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar voltou ao seu leito normal, enquanto os egípcios, em fuga, corriam ao encontro das águas, e o Senhor os mergulhou no meio das ondas. [28]As águas voltaram e cobriram carros, cavaleiros e todo o exército do faraó, que tinha entrado no mar em perseguição de Israel. Não escapou um só.

    [29]Os filhos de Israel, ao contrário, tinham passado a pé enxuto pelo meio do mar, cujas águas lhes formavam uma muralha à direita e à esquerda. [30]Naquele dia, o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios, e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar, [31]e a mão poderosa do Senhor agir contra eles. O povo temeu o Senhor, e teve fé no Senhor e em Moisés, seu servo. [15,5]Então, Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor este cântico...

    ...Cântico: Ex 15, 1-2. 3-4. 5-6. 17-18 (+ 1a)

    CANTEMOS AO SENHOR QUE FEZ BRILHAR A SUA GLÓRIA!

    Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória: precipitou no mar Vermelho o cavalo e o cavaleiro! O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi ele neste dia para mim libertação!

    Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei. O Senhor é um Deus guerreiro; o seu nome é "onipotente". Os soldados e os carros do faraó jogou no mar; seus melhores capitães no mar Vermelho.

    Afundaram como pedras e as ondas os cobriram. Ó Senhor, o vosso braço é duma força insuperável! Ó Senhor, o vosso braço esmigalhou os inimigos!

    Vosso povo levareis e o plantareis em vosso monte, no lugar que preparastes para a vossa habitação, no santuário construído pelas vossas próprias mãos. O Senhor há de reinar eternamente, pelos séculos!

    IV Leitura: Is 54, 5-14

    COM MISERICÓRDIA ETERNA, EU O TEU SENHOR, COMPADECI-ME DE TI

    [5]Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra. [6]O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus.

    [7]Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te. [8]Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor. [9]Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças. [10]Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor.

    [11]Pobrezinha, batida por vendavais, sem nenhum consolo, eis que assentarei tuas pedras sobre rubis, e tuas bases sobre safiras; [12]revestirei de jaspe tuas fortificações, e teus portões, de pedras preciosas, e todos os teus muros, de pedra escolhida. [13]Todos os teus filhos serão discípulos do Senhor, teus filhos possuirão muita paz; [14]terás a justiça por fundamento. Longe da opressão, nada terás a temer; serás livre do terror, porque ele não se aproximará de ti. Palavra do Senhor!

    III Salmo: 29(30), 2 e 4.5-6.11 e 12a e 13b (+2a)

    EU VOS EXALTO, Ó SENHOR, PORQUE VÓS ME LIVRASTES!

    Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, e não deixastes rir de mim meus inimigos! Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes, quando estava já morrendo!

    Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.

    Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! Transformastes o meu pranto em uma festa, Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

    V Leitura: Is 55, 1-11

    VINDE A MIM, OUVI E TEREIS VIDA

    Assim diz o Senhor: [1]"Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga. [2]Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.

    [3]ínclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi. [4]Eis que fiz dele uma testemunha para os povos, chefe e mestre para as nações. [5]Eis que chamarás uma nação que não conhecias, e acorrerão a ti povos que não te conheciam, por causa do Senhor, teu Deus, e do santo de Israel, que te glorificou. [6]Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto.

    [7]Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão. [8]Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. [9]Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.

    [10]Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, [11]assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la". Palavra do Senhor!

    II Cântico: Is 12. 2-23.4bcd.5-6 (+ 3)

    COM ALEGRIA BEBEREIS DO MANANCIAL DA SALVAÇÃO

    Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e Salvação. Com alegria bebereis do manancial da Salvação.

    E direis naquele dia: "Dai louvores ao Senhor, invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

    Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus santo de Israel!"

    VI Leitura: Br 3, 9-15.32-4,4

    MARCHA PARA O ESPLENDOR DO SENHOR

    [9]Ouve, Israel, os preceitos da vida; presta atenção, para aprenderes a sabedoria. [10]Que se passa, Israel? Como é que te encontras em terra inimiga? [11]Envelheceste num pais estrangeiro, te contaminaste com os mortos, foste contado entre os que descem à mansão dos mortos. [12]Abandonas-te a fonte da sabedoria! [13]Se tivesses continuado no caminho de Deus, viverias em paz para sempre. [14]Aprende onde está a sabedoria, onde está a fortaleza e onde está a inteligência, e aprenderás também onde está a longevidade e a vida, onde está o brilho dos olhos e a paz. [15]Quem descobriu onde está a sabedoria? Quem penetrou em seus tesouros?

    [32]Aquele que tudo sabe, conhece-a, descobriu-a com sua inteligência; [33]aquele que criou a terra para sempre e a encheu de animais e quadrúpedes; aquele que manda a luz, e ela vai, chama-a de volta, e ela obedece tremendo. [34]As estrelas cintilam em seus postos de guarda e alegram-se; [35]ele chamou-as, e elas respondem: "Aqui estamos"; e alumiam com alegria o que as fez. [36]Este é o nosso Deus, e nenhum outro pode comparar-se com ele.

    [37]EIe revelou todo o caminho da sabedoria a Jacó, seu servo, e a Israel, seu bem-amado. [38]Depois, ela foi vista sobre a terra e habitou entre os homens. [4,1]A sabedoria é o livro dos mandamentos de Deus, é a lei, que permanece para sempre. Todos os que a seguem, têm a vida, e os que a abandonam, têm a morte. [2]Volta-te, Jacó, e abraça-a; marcha para o esplendor, à sua luz. [3]Não dês a outro a tua glória nem cedas a uma nação estranha teus privilégios. [4]Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus. Palavra do Senhor!

    IV Salmo: 18(19), 8.9.10.11 (R/.Jo 6, 68c)

    SENHOR, TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA

    A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

    Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

    É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

    Mais desejáveis do que o ouro são eles do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que mel, que o mel que sai dos favos.

    VII Leitura: Ez 36, 16-17a.18-28

    DERRAMAREI SOBRE VÓS UMA ÁGUA PURA E DAR-VOS-EI UM CORAÇÃO NOVO

    [16]A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: [17]"Filho do homem, os da casa de Israel estavam morando em sua terra. Mancharam-na com sua conduta e suas más ações. [18]Entáo derramei sobre eles a minha ira, por causa do sangue que derramaram no pais e dos ídolos com os quais o mancharam. [19]Eu dispersei-os entre as nações, e eles foram espalhados pelos países. Julguei-os de acordo com sua conduta e suas más ações.

    [20]Quando eles chegaram às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; pois deles se comentava: 'Esse é o povo do Senhor; mas tiveram de sair do seu país!'[21] Então eu tive pena do meu santo nome que a casa de Israel estava profanando entre as nações para onde foi. [22]Por isso, dize à casa de Israel: 'Assim fala o Senhor Deus: Não é por causa de vós que eu vou agir, casa de Israel, mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.

    [23]Vou mostrar a santidade do meu grande nome, que profanastes no meio das nações. As nações saberão que eu sou o Senhor, - oráculo do Senhor Deus - quando eu manifestar minha santidade à vista delas por meio de vós. [24]Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os países, e vos conduzirei para a vossa terra. [25]Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados. Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos.

    [26]Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós. Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne; [27]porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos. [28]Habitareis no pais que dei a vossos pais. Sereis o meu povo e eu 'serei o vosso Deus. Palavra do Senhor!

    V Salmo: 41(42), 3.5bcd; 43(43), 3.4 (+ Sl 41[42]. 2)

    A MINHA ALMA TEM SEDE DE DEUS

    A minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

    Peregrino e feliz caminhando para a casa de Deus, entre gritos, louvor e alegria da multidão jubilosa.

    Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso monte santo, até a vossa morada!

    Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus!

    Epístola: Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 6, 3-11)

    CRISTO RESSUSCITADO DOS MORTOS NÃO MORRE MAIS

    Irmãos, [3]será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? [4]Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. [5]Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição. [6]Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado. [7]Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado.

    [8]Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. [9]Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. [10]Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive. [11]Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo. Palavra do Senhor!

    VI Salmo: 117(118), 1-2.16ab-17.22-23 (+24)

    ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA

    Daí graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!"

    A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor!

    A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos!

    Evangelho (Ano C): Lucas (Lc 24, 1-12)

    POR QUE ESTAIS PROCURANDO ENTRE OS MORTOS AQUELE QUE ESTÁ VIVO?

    [1]No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. [2]Elas encontraram a pedra do túmulo removida. [3]Mas ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus [4]e ficaram sem saber o que estava acontecendo. Nisso, dois homens com roupas brilhantes pararam perto delas. [5]Tomadas de medo, elas olhavam para o chão, mas os dois homens disseram: "Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? [6]Ele não está aqui. Ressuscitou!

    Lembrai-vos do que ele vos falou, quando ainda estava na Galiléia: [7]´O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia". [8]Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus. [9]Voltaram do túmulo e anunciaram tudo isso aos onze e a todos os outros. [10]Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas contaram essas coisas aos apóstolos. [11]Mas eles acharam que tudo isso era desvario, e não acreditaram. [12]Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido. Palavra da Salvação!

    SEPULTURA DO SENHOR (*)

    Como a semente confiada à terra, Cristo "repousa" no sepulcro, à espera da ressurreição. A Igreja vela junto ao túmulo do seu Senhor, participando do seu mistério; de fato, ela também espera a ressurreição no ultimo dia, o grande "dia do Senhor".

    O sábado santo é, tradicionalmente, um dia sem assembléia eucarística; o jejum da eucaristia prepara a festa da noite de Páscoa. Celebram-se, no entanto, os vários momentos da Liturgia das Horas, na qual o tema dominante é a esperança da ressurreição e a entrada do Messias, vencedor da morte, no santuário do céu. Velada nos salmos e na leitura do profeta, a ressurreição do Senhor transcende toda perspectiva de sobrevivência e de prolongamento da vida terrena, inaugurando um modo novo de existência, que as leituras do Novo Testamento põem em foco sob diferentes aspectos. Um deles é a "descida de Cristo aos infernos", isto é, à habitação dos mortos, que é recordada no símbolo da fé batismal, como um momento importante na história da nossa salvação.

    Cristo, verdadeiro homem, experimentou profundamente o aniquilamento da morte, para efetuar a vitória sobre ela e tornar dela participante quem nele crê. Em Cristo, novo Adão, os justos do Antigo Testamento e todos os homens que buscaram a Deus com coração reto, encontram a plenitude daquilo que viveram na esperança. Cristo, o homem fiel a Deus, não foi "entregue à corrupção", mas "vivificado pelo Espírito" subiu ao céu, proclamando a glória de Deus e manifestando-se Senhor de "todas as coisas", no céu, na terra e debaixo da terra".

    Assim, para todo aquele que crê, a morte não é o fim da vida, mas a vitória sobre os limites da condição terrena e a participação da vida eterna de Deus. E o batismo é uma simbólica descida à morte junto com Cristo, para emergir, com ele, na liberdade dos filhos de Deus.

    VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA

    Por antiqüíssima tradição, esta é "a noite de vigília em honra do Senhor" (Ex 12,42). Os fiéis, trazendo na mão - segundo a exortação do evangelho (Lc 1 2, 35 e seguintes) - a vela acesa, assemelham-se aos que esperam o Senhor ao voltar, para que, quando ele chegar, os encontre ainda vigilantes e os faça sentar-se à sua mesa.

    A noite pascal é o grande sacramento da vida do cristão. Batismo e eucaristia, que são o centro da liturgia de hoje, tornam-nos presentes e contemporâneos os acontecimentos que celebramos, e nos comunicam seu valor salvífico.

    A Vigília pascal (que não é vigília, mas já é a festa), termina com a celebração eucarística que é a raiz de todas as outras; a partir desta noite da ressurreição, Cristo está presente entre os seus por meio dos sacramentos, e principalmente da eucaristia que os contém todos.

    A Vigília se desenrola deste modo: depois de breve liturgia da luz (primeira parte), a santa Igreja medita as "maravilhas" que o Senhor fez por seu povo desde o princípio, e confia na sua palavra e na sua promessa (segunda parte ou liturgia da Palavra) até o momento em que, aproximando-se o dia da ressurreição, com os seus membros regenerados no batismo (terceira parte ou liturgia batismal), é convidada à mesa, que o Senhor preparou para seu povo por meio da sua morte e ressurreição (quarta parte ou liturgia eucarística). A celebração da Vigília pascal se desenrola toda durante a noite, deve, pois, começar depois do início da noite, ou terminar antes do amanhecer do domingo.

    A missa da noite, mesmo que celebrada antes da meia-noite, é a missa pascal do domingo da Ressurreição.

    Os que participam desta missa podem receber de novo a comunhão na segunda missa de Páscoa.

    (*) Missal Dominical, ©Paulus, 1995

     

    A CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO DEVE SER A NOSSA GLÓRIA

    Quinta-feira, 5 de abril de 2007

    Ceia do Senhor, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

    A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14)

    Oração: Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

    O episódio do Lava-pés caracteriza o projeto de Deus revelado em Jesus. Para ser cristã, a comunidade precisa assumir esse projeto, tornando-o realidade no amor-serviço aos outros. Essa é a autêntica conversão a Jesus Cristo (evangelho).

    I Leitura: Êxodo (Ex 12, 1-8.11-14)

    PÁSCOA, A PASSAGEM DA ESCRAVIDÃO DO EGITO À LIBERDADE

    Naqueles dias, 1o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2"Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: 'No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro.

    O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de 7Israel reunida o imolará ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a páscoa, isto é, a 'passagem' do Senhor!

    12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua". Palavra do Senhor.

    Salmo: 115(116B), 12-13.15-16bc.17-18 (+cf.1Cor 10,16)

    O CÁLICE POR NÓS ABENÇOADO É A NOSSA COMUNHÃO COM O SANGUE DO SENHOR

    12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

    15É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. 16bcEis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

    17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

    II Leitura: Coríntios (Cor 11, 23-26)

    Jesus Cristo, nossa Páscoa definitiva

    Irmãos, 23o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória". 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Palavra do Senhor!

    Evangelho: João (Jo 13, 1-15)

    O VERDADEIRO SENTIDO NO SERVIÇO AOS IRMÃOS

    1Era antes da festa da páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

    2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6chegou a vez de Simão Pedro.

    Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" 7Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". 8Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". 9Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça". 10Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos". 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".

    12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz". Palavra da Salvação!

    CRISTO INSTITUI O SACRAMENTO DO AMOR (1)

    A instituição da eucaristia como rito memorial da nova aliança é certamente o aspecto mais evidente da celebração atual, que, aliás, justifica a sua solenidade como uma evocação "histórica" e figurativa do acontecimento realizado na última ceia. Mas é o próprio missal romano que convida a meditar sobre outros dois aspectos do mistério deste dia: a instituição do sacerdócio ministerial e o serviço fraterno da caridade. De fato, sacerdócio e caridade estão estreitamente ligados com o sacramento da eucaristia, compreendido em sua globalidade e de modo mais preciso.

    Jesus lava os pés dos seus: é um gesto de amor

    É significativo o fato de João não referir os gestos rituais sobre o pão e o vinho, como os outros evangelistas, ao referir as últimas horas de Jesus com seus discípulos e ao reunir nos "discursos da última ceia" os temas fundamentais do seu evangelho; no entanto, era esse um dado fixo e antiqüíssimo da tradição na comunidade, que vemos relatado em forma bem definida no primeiro documento que dele fala, a carta de Paulo aos coríntios (1ª leitura).

    João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mutuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -' através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: o amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que crêem.

    Jesus se dá em alimento; é o sacramento do amor

    É a mesma realidade que o rito da ceia, em sua repetição até o fim dos tempos e em sua necessária simplicidade de forma (estilizada) exprime com outra linguagem; mas só quem é "iniciado" pode compreendê-la, e quem vive ou se esforça por viver todos os dias aquilo que exprime no momento da assembléia. Só participamos autenticamente da eucaristia, memorial do sacrifício de Jesus, quando ela é também memorial do nosso sacrifício.

    Em outras palavras, trata-se de ter para com o corpo eclesial do Cristo aquele respeito que se tem por seu corpo eucarístico. A presença real do Senhor morto e ressuscitado no pão e no vinho, sobre os quais se diz a ação de graças (cf 2ª leitura), se estende, embora de outro modo, à pessoa dos irmãos, especialmente dos mais pobres (cf todo o contexto de 1 Cor cap. 11); quem faz discriminação, quem despreza os outros, quem mantém divisões na comunidade "não reconhece o corpo do Senhor". Sua ceia não é mais a Ceia do Senhor, mas um rito vazio que expressa sua condenação.

    O sacerdócio nasce da eucaristia; é o dom para a unidade

    Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da ação eucarística. Quem "preside" à comunidade e é por ela responsável, preside também à eucaristia; reúne-a na oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxilio mútuo. Para ser coerentes com seu ministério sacramental, o bispo com os sacerdotes (e os diáconos) são os mais próximos do Cristo servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial.

    O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do ministério sacerdotal com a celebração da eucaristia: "Os presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participando, no grau próprio de seu ministério, da função de Cristo Mediador único (cf 1Tm 2,5), a todos anunciam a palavra de Deus.

    Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no culto eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem Os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no sacrifício da missa o único sacrifício do Novo Testamento, isto é, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas se ofereceu ao Pai... Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo...

    De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus".

    AO NOME DE JESUS, NOSSO SENHOR, SE DOBRE TODO JOELHO, NO CÉU, NA TERRA E NA MANSÃO DOS MORTOS.

    Quarta-feira, 4 de abril de 2007

    Semana Santa, 2ª do Saltério (Livro II), cor litúrgica roxa

    Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e na mansão dos mortos, pois o Senhor se fez obediente até a morte e morte de cruz. E por isso Jesus Cristo é Senhor na glória de Deus Pai. (Fl 2,10.8.11)

    Deus não veio suprimir o sofrimento. Nem veio explicá-lo, mas enchê-lo de sua presença. (Paul Claudel)

    Oração: Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos e servas a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Isaias (Is 50, 4-9a)

    A CONFIANÇA EM DEUS DEVE SER LUZ PARA TODA NOSSA VIDA

    [4]O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. [5]O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. [6]Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.

    [7]Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. [8]A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. [9ª]Sim, o Senhor Deus é meu auxiliador; quem é que me vai condenar? Palavra do Senhor.

    Comentando a I Leitura (1)

    O MESSIAS AGÜENTA FIRME A FLAGELAÇÃO E A HUMILHAÇÃO

    O Servo de Javé não é um portador de sabedoria humana, nem confia nos recursos da dialética. Assemelha-se aos pobres analfabetos, que não sabem usar a arma da palavra. Sua língua é a de discípulo (versículo 4): narra só as coisas que Deus lhe confiou. Sua força está toda aqui, daqui lhe vem a capacidade de suportar as bofetadas com um rosto de pedra. Que o servo Jesus fosse, não apenas um portador da palavra, mas em verdade a Palavra de Deus, não muda os termos da profecia, antes a leva ao extremo.

    Sua paixão foi a conseqüência de sua fidelidade à missão de profeta: falou, por isso foi crucificado. Não pode ser outra a missão da Igreja. Deve ela falar a palavra de salvação, que é palavra recebida do alto. Como para 5. Paulo, seu falar não se exprime "em discurso de humana sabedoria, mas em demonstração de espírito e virtude" (1 Cor 2,4). Por isto, permanece sempre "em religiosa escuta da palavra de Deus", para ser sua fiel dispensadora.

    Salmo: 68(69), 8-10.21bcd-22.31 e 33-34 (R/.14c e b)

    RESPONDEI-ME PELO VOSSO IMENSO AMOR, NESTE TEMPO FAVORÁVEL, SENHOR DEUS

    [8]Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; 9eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. [10]Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador; e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim!

    [21b]O insulto me partiu o coração. [21c]Eu esperei que alguém de mim tivesse pena; [21d]procurei quem me aliviasse e não achei! [22]Deram-me fel como se fosse um alimento, em minha sede ofereceram-me vinagre!

    [31]Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! [33]Humildes, vede isto e alegrai-vos: vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! [34]Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

    Evangelho: Mateus (Mt 26, 14-25)

    O SUBLIME E INFINITO AMOR DE DEUS

    Naquele tempo, [14]um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes [15]e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

    [17]No primeiro dia da festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a páscoa?" [18]Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a páscoa em tua casa, junto com meus discípulos"'. [19]Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a páscoa.

    [20]Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. [21]Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". [22]Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" [23]Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. [24]O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" [25]Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes". Palavra da Salvação!

    Comentário do Evangelho (2)

    UM DE VÓS ME TRAIRÁ

    A dureza do coração de Judas impediu-o de reconhecer quem, de fato, era o Messias Jesus. Sua decepção deveu-se ao fato de o Mestre não corresponder às suas expectativas messiânicas. Sem dúvida, Judas imaginava-o como um Messias glorioso, cheio de poder, líder de uma revolta contra os romanos, objeto da admiração popular. Evidentemente, os discípulos haveriam de tirar partido da situação, se as coisas fossem assim.

    O projeto de Judas não encontrou guarida no coração de Jesus. O Mestre não buscava a própria glória, mas a fidelidade à vontade do Pai. Seu poder era usado para servir e libertar, e não para oprimir e dominar. Não estava tanto preocupado com os romanos, quanto com seus próprios compatriotas, que tinham transformado a religião em instrumento de opressão. Jesus tornara-se objeto da admiração popular, mas também vítima da perseguição sistemática por parte de seus adversários.

    Nada do que Judas imaginava, acontecia com o Mestre. Daí a sua decepção. Sua decisão de traí-lo resultou de uma paixão precipitada. Não foi capaz de abrir mão de seu preconceito com relação a Jesus. Por isso, não vendo realizar-se o que imaginava, Judas optou por vender o seu Mestre.

    A atitude do discípulo traidor repete-se cada vez que os seguidores de Jesus caem na tentação de medi-lo com os parâmetros que têm na cabeça. É o erro fatal de quem o desconhece.

    A Vigília Pascal é o cume do ano litúrgico. Sua celebração se realiza na noite do Sábado Santo; mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do Domingo.

    SANTO ISIDORO (3)

    Isidoro foi um dos homens mais influentes da Nação espanhola, Pai dos Concílios, dirigiu um dos mais celebres quarto Concílio em 633, o de Toledo, conselheiro até dos reis. É considerado como o maior símbolo e apogeu da Espanha Católica do século VII, comparado por muitos, a Santo Agostinho. Sua obra fundamental foi Etimologias, uma grande enciclopédia constituída por 20 livros que reunia toda a cultura antiga, salvando-a do perigo do naufrágio. Escreveu inumeráveis livros além de regra de vida monástica que exerceu grande influxo na difusão do monacato na Espanha. Foi uma das sementes mais ricas para o florescimento do catolicismo.

    Bispo e doutor da Igreja da Idade Média. Zeloso e preocupado com a maturidade cultural e moral do clero espanhol. Sua profunda sabedoria estava sempre aliada à humildade e caridade. Mais dois de seus irmãos foram bispos e santos (Leandro e Fulgêncio) e sua irmã, Florentina, religiosa. Leandro, o mais velho, foi tutor e mestre de Isidoro que ficou órfão ainda menino.

    1 MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997

    3 www.asj.org.br

    NÃO ME DEIXEIS, SENHOR, À MERCÊ DOS MEUS ADVERSÁRIOS.

    Terça-feira, 3 de abril de 2007

    Semana Santa, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica roxa

    Não me deixeis, Senhor, à mercê de meus adversários, pois contra mim se levantaram testemunhas falsas, mas volta-se contra eles a sua iniqüidade. (Sl 26, 12)

    A cruz é o símbolo de um Deus todo-poderoso que se quis fazer homem e morrer como escravo para salvar a sua criatura. (Wladimir Lossky)

    Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

    I Leitura: Isaias (Is 49, 1-6)

    EU TE FAREI LUZ DAS NAÇÕES

    [1]Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; [2]fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: "Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado". [4]E eu disse: "Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa".

    [5]E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. [6]Disse ele: "Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra".Palavra do Senhor.

    Comentando a I Leitura (1)

    EU TE FAREI LUZ DAS NAÇÕES

    Há na obra de salvação realizada por Jesus um paradoxo, cuja explicação nos devolve necessariamente ao irrepreensível poder de Deus. Sob o aspecto humano, a vida de Jesus se encerra com um xeque radical. Ninguém como ele pôde dizer: "Esforcei-me em vão, em vão e por nada consumi minhas energias" (versículo 4). Ninguém jamais falara como ele, ninguém jamais praticara em favor dos pobres obras como as suas. Entretanto, ao pé da cruz havia apenas um grupo exíguo de pessoas fiéis. Contudo, exatamente por causa deste seu aniquilamento, tornou-se a luz dos povos e levou a salvação até às extremidades da terra (versículo 6).

    Sinal do Cristo, a Igreja deve dispor-se a repetir visivelmente o mistério, rejeitando toda lógica de força, poder e prestígio. A salvação não chega aos homens em proporção da eficiência e do saber estratégico do povo de Deus; vem de uma decisão do Pai, e manifesta-se ao mundo, sobretudo onde é capaz de entrar o amor, para vantagem dos outros, na treva do fracasso e na humilhação da derrota.

    Salmo: 70 (71), 1-2. 3-4a. 5-6ab. 15 e 17 (+ cf. 15)

    MINHA BOCA ANUNCIARÁ VOSSA JUSTIÇA

    [1]Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre! [2]Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

    [3]Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! [4ª]Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

    [5]Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! 6aSois meu apoio desde antes que eu nascesse, [6b]desde o seio maternal, o meu amparo.

    [15]Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. [17]Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

    Evangelho: João (Jo 13, 21-33.36-38)

    O GALO NÃO CANTARÁ ANTES QUE ME TENHAS NEGADO TRÊS VEZES

    Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, [21]Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: "Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará". [22]Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.

    [23]Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. [24]Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. [25]Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: "Senhor, quem é?" [26]Jesus respondeu: "É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho". Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.

    [27]Depois do pedaço de pão, satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: "O que tens a fazer, executa-o depressa". [28]Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. [29]Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: "Compra o que precisamos para a festa", ou que desse alguma coisa aos pobres. [30]Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. [31]Depois que Judas saiu, disse Jesus: "Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. [32]Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. [33]Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir’".

    [36]Simão Pedro perguntou: "Senhor, para onde vais?" Jesus respondeu-lhe: "Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde". [37]Pedro disse: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!" [38]Respondeu Jesus: "Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes". Palavra da Salvação!

    Comentário do Evangelho (2)

    O TRAIDOR IDENTIFICADO

    O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haveria de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes.

    O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelhos, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro.

    Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo?

    Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor.

    SANTAS ÁGAPE, IRENE E QUILÔNIA (3)

    As três eram irmãs: denunciadas por levar Bíblias com elas, foram presas e levadas diante do governador da Macedônia, Dulcério. Submetidas a intenso interrogatório, confessaram sua fé e obediência a Deus .Sofreram o martírio por volta do ano 304, durante a perseguição de Diocleciano. Santa Irene havia escondido grande parte dos livros cristãos em sua casa. Depois, fugiu para as montanhas juntamente com Ágape e Quilônia. Ágape e Quilônia, porém foram encontradas e condenadas a morrer queimadas vivas. Santa Irene seria a última a passar por tal desumano sofrimento. Submetida a novo interrogatório, manteve-se firme em sua profissão de fé. Tirando-lhe a roupa, expuseram-na à vergonha pública. Também queimaram-na viva.

    1 MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997

    2 O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas

    3 www.asj.org.br