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    LITURGIA DIÁRIA

    Segunda-feira, dia 31 de Dezembro de 2007

    S. Silvestre I, papa, +335

    1ª Carta de S. João 2,18-21.

    Filhinhos, estamos na última hora. Ouvistes dizer que há-de vir um Anticristo; pois bem, já apareceram muitos anticristos; por isso reconhecemos que é a última hora.
    Eles saíram de entre nós, mas não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido connosco; mas aconteceu assim para que ficasse claro que nenhum deles é dos nossos.
    Vós, porém, tendes uma unção recebida do Santo e todos estais instruídos.
    Não vos escrevi por não saberdes a verdade, mas porque a sabeis, e também que da verdade não vem nenhuma mentira.

    Livro de Salmos 96(95),1-2.11-12.13.

    Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, terra inteira!

    Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, proclamai, dia após dia, a sua salvação.
    Alegrem-se os céus, exulte a terra! Ressoe o mar e tudo o que nele existe!

    Alegrem-se os campos e todos os seus frutos, exultem de alegria todas as árvores dos bosques
    na presença do SENHOR, que se aproxima e vem para governar a terra! Ele governará o mundo com justiça e os povos, com a sua fidelidade.

    Evangelho segundo S. João 1,1-18.

    No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus.
    No princípio Ele estava em Deus.
    Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência.
    Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens.
    A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam.

    Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
    Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele.
    Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus.

    E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
    João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: 'O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.'»

    Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças.
    É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo.
    A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

    Da Bíblia Sagrada

    Cardeal John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo
    PPS, t. 2, n° 3

    «E o Verbo fez-se carne»

    O Verbo era, desde a origem, o Filho Único de Deus. Antes que os mundos fossem criados, mesmo antes que o tempo existisse, Ele era, no seio do Pai eterno, Deus de Deus e Luz da Luz, supremamente bendito no conhecimento que tinha do Pai e no conhecimento que o Pai tinha dele, recebendo dele toda a perfeição divina, mas sempre um com aquele que o tinha gerado. Tal como se diz no início do Evangelho: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus»...

    Ele teria podido, em verdade, quando o homem caíu, permanecer na glória que tinha junto do Pai. Mas esse amor insondável que se tinha manifestado na origem da nossa criação, insatisfeito por ver a sua obra estragada, fê-lo descer do seio de Seu Pai para cumprir a Sua vontade e reparar o mal de que o pecado era a causa. Com uma admirável indulgência, veio, já não revestido de poder mas de fraqueza, sob a forma de um servo, sob a aparência do homem caído que Ele tinha por desígnio erguer. Assim se humilhou, sofrendo todas as enfermidades da nossa natureza, semelhante à nossa carne pecadora, parecido com o pecador à excepção do pecado, puro de toda a falta mas sujeito a toda a tentação e, por fim, «obediente até à morte e morte de cruz» (Fl 2,8)...

    Assim, o Filho de Deus tornou-se Filho do homem - mortal, mas não pecador; herdeiro das nossas enfermidades, mas não da nossa falta; rebotalho da antiga raça mas «começo da nova criação de Deus» (Ap 3,14). Maria, sua mãe, ... deu uma natureza criada àquele que era o seu Criador. Desta forma, veio a este mundo, não sobre as núvens do céu mas nascido cá em baixo, nascido de uma mulher; Ele, filho de Maria, e ela, mãe de Deus... Ele era verdadeiramente Deus e homem, mas uma só pessoa..., um só Cristo.

    LITURGIA DIÁRIA

    Domingo, dia 30 de Dezembro de 2007

    Festa da Sagrada Família

    Livro de Eclesiástico 3,2-6.12-14.

    Porque o Senhor glorifica o pai acima dos filhos, e estabelece sobre eles a autoridade da mãe. O que honra o pai alcança o perdão dos pecados, e quem honra a sua mãe é semelhante ao que acumula tesouros.
    Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos, e será ouvido no dia da sua oração.

    Quem glorifica o pai gozará de longa vida e quem obedece ao Senhor consolará a sua mãe. Filho, ampara o teu pai na velhice, não o desgostes durante a sua vida; mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes, tu que estás na plenitude das tuas forças.
    A caridade que exerceres com o teu pai não será esquecida, e ser-te-á considerada, em reparação de teus pecados.

    Livro de Salmos 128(127),1-2.3.4-5.

    Felizes os que obedecem ao SENHOR e andam nos seus caminhos.
    Comerás do fruto do teu próprio trabalho: assim serás feliz e viverás contente.

    tua esposa será como videira fecunda na intimidade do teu lar; os teus filhos serão como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa.

    Assim vai ser abençoado o homem que obedece ao SENHOR.

    SENHOR te abençoe do monte Sião! Possas contemplar a prosperidade de Jerusalém todos os dias da tua vida,

    Carta aos Colossenses 3,12-21.

    Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, fazei-o vós também.

    E, acima de tudo isto, revesti-vos do amor, que é o laço da perfeição.
    Reine nos vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados num só corpo. E sede agradecidos.
    A palavra de Cristo habite em vós com toda a sua riqueza: ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria; cantai a Deus, nos vossos corações, o vosso reconhecimento, com salmos, hinos e cânticos inspirados.

    E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai.
    Esposas, sede submissas aos maridos, como convém no Senhor.
    Maridos, amai as esposas e não vos exaspereis contra elas.
    Filhos, obedecei em tudo aos pais, porque isso é agradável no Senhor.
    Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

    Evangelho segundo S. Mateus 2,13-15.19-23.

    Depois de partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.»

    E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto, permanecendo ali até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho.

    Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.»
    Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel. Porém, tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá.

    Advertido em sonhos, retirou se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: Ele será chamado Nazareno.

    Da Bíblia Sagrada

    Festa da Sagrada Família

    A liturgia deste domingo propõe-nos a família de Jesus, como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares… As leituras fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes, que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.

    O Evangelho apresenta uma catequese sobre Jesus e a missão que o Pai lhe confiou; mas, sobretudo, propõe-nos o quadro de uma família exemplar – a família de Nazaré. Nesse quadro há duas coordenadas que são postas em relevo: trata-se de uma família onde existe verdadeiro amor e verdadeira solidariedade entre os seus membros; e trata-se de uma família que escuta Deus e que segue, com absoluta confiança, os caminhos por Ele propostos.

    A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram ser Homem Novo. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

    A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.

    www.agencia-ecclesia.pt

    LITURGIA DIÁRIA

    Quinta-feira, dia 27 de Dezembro de 2007

    São João, Apóstolo e Evangelista

    1ª Carta de S. João 1,1-4.

    O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida,
    – de facto, a Vida manifestou-se; nós vimo-la, dela damos testemunho e anunciamo-vos a Vida eterna que estava junto do Pai e que se manifestou a nós –
    o que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
    Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa.

    Livro de Salmos 97(96),1-2.5-6.11-12.

    SENHOR é rei: alegre-se a terra e rejubile a multidão das ilhas!
    Ele está rodeado de nuvens e escuridão; a justiça e o direito são a base do seu trono.
    As montanhas derretem-se, como cera, diante do Senhor de toda a terra.
    Os céus proclamam a justiça de Deus e todos os povos contemplam a sua grandeza.
    luz desponta para os justos, e a alegria, para os rectos de coração.
    Alegrai-vos, justos, no SENHOR, proclamai que o seu nome é santo!

    Evangelho segundo S. João 20,2-8.

    Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
    Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo.
    Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.

    Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou.
    Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão,
    ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição.
    Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer,

    Da Bíblia Sagrada

    Papa Bento XVI
    Audiência geral de 9/8/06 (trad. DC n° 2365, p. 821 © Libreria Editrice Vaticana)

    O ensinamento do Apóstolo S. João

    Se existe um assunto característico que mais sobressai nos escritos de João, é o amor. Não foi por acaso que quis iniciar a minha primeira Carta encíclica com as palavras deste Apóstolo: "Deus é amor (Deus caritas est); quem está no amor habita em Deus e Deus habita nele" (1 Jo 4, 16). É muito difícil encontrar textos do género noutras religiões.

    Portanto, tais expressões põem-nos diante de um dado verdadeiramente peculiar do cristianismo. Certamente João não é o único autor das origens cristãs que fala do amor. Sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo se com acentuações diferentes. Se agora nos detemos a reflectir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras. Uma coisa é certa:  ele não reflecte de modo abstracto, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico.

    De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência directa, concreta e verificável a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus mostra-nos quais são os componentes ou melhor as fases do amor cristão, um movimento caracterizado por três momentos.

    O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando, como ouvimos, a afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definição de Deus. Ele diz, por exemplo, que "Deus é Espírito" (Jo 4, 24) ou que "Deus é luz" (1 Jo 1, 5). Aqui proclama com intuição resplandecente que "Deus é amor". Observe-se bem: não é simplesmente afirmado que "Deus ama", nem sequer que "o amor é Deus"!

    Por outras palavras:  João não se limita a descrever o agir divino, mas procede até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor a Deus, mas dirige-se directamente a Deus para definir a sua natureza com a dimensão infinita do amor.

    Com isto João deseja dizer que o constitutivo essencial de Deus é o amor e, portanto, toda a actividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor:  tudo o que Deus faz é por amor, mesmo se nem sempre podemos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.

    LITURGIA DIÁRIA

    Quarta-feira, dia 26 de Dezembro de 2007

    Santo Estêvão, diácono, primeiro mártir, séc. I

    Livro dos Actos dos Apóstolos 6,8-10.7,54-59.

    Cheio de graça e força, Estêvão fazia extraordinários milagres e prodígios entre o povo.
    Ora, alguns membros da sinagoga, chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e da Ásia, vieram para discutir com Estêvão;
    mas era-lhes impossível resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.

    Ao ouvirem tais palavras, encheram-se intimamente de raiva e rangeram os dentes contra Estêvão.
    Mas este, cheio do Espírito Santo e de olhos fixos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé, à direita de Deus.
    «Olhai, disse ele, eu vejo o Céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.»

    Eles, então, soltaram um grande grito e taparam os ouvidos; depois, à uma, atiraram-se a ele
    e, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo.
    E, enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito.»

    Livro de Salmos 31(30),3-4.6.7.8.17.21.

    Inclina para mim os teus ouvidos; apressa-te a libertar-me. Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.
    Tu és o meu rochedo e a minha fortaleza; por amor do teu nome, guia-me e conduz-me.

    Nas tuas mãos entrego o meu espírito; SENHOR, Deus fiel, salva-me.
    Detesto os que adoram ídolos falsos; eu, por mim, confio no SENHOR.
    Hei-de alegrar-me e regozijar-me com a tua misericórdia, pois viste a minha miséria e conheceste a angústia da minha alma.

    Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face; salva-me pela tua misericórdia.»
    Ao abrigo da tua face, Tu os guardas das intrigas dos homens; na tua tenda os defendes contra as línguas maldizentes.

    Evangelho segundo S. Mateus 10,17-22.

    Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas;
    sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos.
    Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer.
    Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós.
    O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte.
    E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.

    Da Bíblia Sagrada

    Comentário do Martírio de Santo Estêvão

    São Cesário de Arles (470-543), monge e bispo
    Sermões ao povo, n° 37

    Santo Estêvão, o primeiro a seguir os passos de Cristo

    «Cristo padeceu por nós, deixando-vos um exemplo para seguirdes os seus passos» (1 Pe 2, 21). Qual o exemplo do Senhor que devemos seguir? O de ressuscitar os mortos? O de caminhar sobre as águas? Não, não serão esses, mas o de sermos mansos e humildes de coração (Mt 11,29) e de amarmos tanto os amigos como os nossos inimigos (Mt 5,44).

    «A fim de seguirdes os seus passos», escreve São Pedro. Disse-o também o beato João evangelista: «Quem diz que permanece em Cristo deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2,6). Como caminhou Cristo? Rezou na cruz pelos seus inimigos, dizendo: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Eles perderam de facto o juízo e foram possuídos por um espírito maligno, e enquanto nos perseguem sofrem perseguição bem maior do diabo. Por isso muito devemos rezar, sobretudo pela sua libertação, não pela sua condenação.

    Foi o que fez o beato Estêvão, ele que foi o primeiro a seguir, em toda a glória, os passos de Cristo. Porque, enquanto o apedrejavam em saraivada, por si próprio gritou de pé; mas ao pedir pelos seus inimigos pôs-se de joelhos, gritando com todas as suas forças: «Senhor Jesus Cristo, não lhes atribuas este pecado» (Act 7,60). Portanto, se pensamos que não podemos imitar a nosso Senhor, ao menos imitemos aquele que era seu servo como nós.

    NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS

    25 de Dezembro

    A história do Natal começou na véspera do nascimento de Jesus, quando, segundo a Bíblia, os anjos anunciaram a chegada do menino.

    Oficialmente, faz agora 2007 anos. Nessa altura, o imperador Augusto determinou o registo de toda a população do Império Romano por causa dos impostos, tendo cada pessoa, para o efeito de inscrever na sua localidade.

    Segundo o Novo Testamento, José partiu de Nazaré para Belém, para esse efeito, e levou com ele a sua esposa, Maria, que esperava um Filho. Ao longo da viagem, chegou a hora de Maria dar à luz, e como a cidade estava com os albergues completamente cheios, tiveram de pernoitar numa gruta. Foi nessa região da Judeia, que Jesus nasceu.

    Diz a Bíblia que um Anjo desceu onde estavam os pastores que guardavam os seus rebanhos durante a noite e disse-lhes: «Deixai o que estais a fazer e vinde adorar o menino, que se encontra em Belém e é o vosso Redentor». Os pastores foram apressados, procurando o lugar indicado pelo Anjo, e lá encontraram Maria, José e o menino. Ao vê-lo, espalharam a boa nova.

    Os primeiros registos da celebração do Natal têm origem na Turquia, a 25 de Dezembro, em meados do sec II.

    No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional.

    O período das festas alargou-se até à Epifania, ou seja vai desde 25 de Dezembro até 6 de Janeiro. O dia 6 de Janeiro é o chamado dia dos Reis Magos.

    A religião Cristã foi, depois, abraçando toda a Europa, dando a conhecer a outros povos a celebração do Natal. Na Inglaterra, o primeiro arcebispo de Cantuária foi responsável pela celebração do Natal. Na Alemanha, foi reconhecido em 813, através do sínodo de Mainz. Na Noruega, pelo rei Hakon em meados de 900. E em finais do séc. IX, o Natal já era celebrado em toda a Europa.

    Os Evangelhos de S.Lucas e S. Mateus relatam a história do nascimento de Jesus. Só que, ao contrário do que julgávamos, Jesus não teria nascido no Inverno e sim na Primavera ou no Verão - os pastores não guardariam os rebanhos nos montes com o rigor do Inverno...

    Em relação à data do nascimento de Jesus, existem algumas dúvidas. A estrela que guiou os Magos até à gruta de Belém deu lugar a várias explicações.

    Alguns cientistas afirmam que deverá ter sido um cometa. No entanto, nessa altura não há registo que algum cometa tivesse sido visto.

    Outros dizem que, no ano 6 ou 7 a. C., houve um alinhamento dos planetas Júpiter e Saturno mas também não é muito credível, para que se considere esse o ano do nascimento de Jesus.

    Por outro lado, a visita dos Reis Magos é comemorada 12 dias depois do Natal (Epifania) sendo tradicional festejar este acontecimento em pleno Inverno, a 6 de Janeiro.

    De qualquer forma, para além da certeza histórica de uma data, é o mistério do Nascimento de Jesus Cristo que os cristãos celebram. E esse é eterno!

    O MISTÉRIO DO NATAL

     

    Penetrar o Mistério do Natal é penetrar o Mistério da Vida Divina que nos visita e nos enche de ternura, compreensão, paz e harmonia em nosso viver. Quando olhamos a singeleza do presépio, a simplicidade dos que o visitam e a Beleza Divina estampada nos restos de Jesus, Maria e José, participamos também desse Mistério de Amor.

    E nós, em nossa pequenez, ficamos como que inebriados, enriquecidos do élan vital que envolve esse Mistério, é quando meditamos: de fato, Deus visitou realmente nosso mundo natural para nos fazer participar com Ele de sua Glória.

    Creio que o ser humano não despertou ainda do sono letárgico de suas fraquezas, é por isso vive envolvido nessa atmosfera de morte que o cerca. Precisamos acordar, por meio da fé, para a realidade do Filho de Deus que nasce entre nós, pára assim participarmos do seu reinado e com Ele vencermos o pecado e todo o mal.

    O Natal do Senhor é o mais inovador dos acontecimentos, pois, nele nossa carne é divinizada e por isso, somos alçados a maior de todas as graças: à filiação divina, à participação definitiva no Reino de Deus. Cristo se encarnou para nos levar consigo para a Glória de Deus Pai.

    Paz e Bem!

    SENHOR, A QUEM IRÍAMOS NÓS?

     

    Frequentemente Jesus se aproximava dos pecadores: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores". (Mc 2,17). Todavia, o que chama mais a atenção nesta aproximação é que, os pecadores deixavam o pecado para permanecerem com Jesus, pois encontravam Nele o verdadeiro sentido da vida.

    Assim aconteceu com Mateus (Mt 9,9), Zaqueu (Lc 19,1-10), a samaritana (Jo 4), a mulher adúltera (Jo 8) e todos os demais; aqueles, porém, que queriam permanecer no pecado, caiam na tristeza e se afastavam do Senhor ignorando a sua presença, mergulhando nas fraquezas a que se acostumara (Mt 19,16-22; Jo 6,60.66).

    Todo ser humano quer ser feliz, essa é a razão de ser da nossa existência; ocorre que, por vivermos num mundo competitivo e injusto, por causa do pecado, vemos a felicidade mais nas coisas que passam do que nas que não passam e como não podemos possuí-las plenamente, ficamos insatisfeitos e tristes. O Senhor, porém, nos ensina: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo". (Mt 6,33)

    “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus”!

    Paz e Bem!