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    Por que não se pronuncia nome de «Iahweh» na liturgia católica

    21 novembro 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

    Explicação de Michel Remaud, diretor do Instituto Albert Decourtray

    JERUSALÉM, quinta-feira, 20 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O pedido da Santa Sé de não pronunciar o nome bíblico de Deus, «Iahweh», constitui um novo gesto de respeito pelo povo judeu e permite compreender melhor a fé cristã. Assim explica o Pe. Michel Remaud, diretor do Instituto Albert Decourtray (http://www.institut-etudes-juives.net), instituto cristão de estudos judaicos e de literatura hebraica de Jerusalém, em uma declaração feita à Zenit para dar a compreender a transcendência da decisão vaticana.

    O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, celebrado em outubro, recordou a carta enviada no verão pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos às conferências episcopais do mundo, na qual pede que não se use o termo «Iahweh» nas liturgias, orações e cantos.

    A carta explica que este termo deve traduzir-se de acordo ao equivalente hebraico «Adonai» ou do grego «Kyrios» - «Senhor» em português.

    Em síntese, explica o especialista, «hoje, o nome divino já não se pronuncia nunca», e declara como o povo judeu chegou a esta prática baseando-se na tradição judaica, e em especial na Mishná, corpo exegético de leis judaicas compiladas, que recolhe e consolida a tradição oral judaica desenvolvida durante séculos, desde os tempos da Torá ou lei escrita, e até sua codificação, no final do século III.

    «Até perto do ano 200 antes da nossa era, o nome divino era pronunciado todas as manhãs no momento na bênção sacerdotal: ‘Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a sua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz’ (Nm 6, 24-26)», começa recordando o especialista.

    «A Mishná indica que o nome era pronunciado no templo ‘como está escrito’, enquanto se usava outra denominação (Kinuy) no resto do país. A partir de certa época, deixa-se de pronunciar o nome divino na liturgia diária do templo. O Talmude dá a entender que se toma esta decisão para evitar que alguns fizessem do nome um uso mágico», explica o padre.

    Segundo as fontes do Pe. Remaud, «a partir da morte do grande sacerdote Simão o Justo, por volta de 195 antes de nossa era, deixa-se de pronunciar o nome divino na liturgia diária».

    O erudito compara o testemunho do Talmude com o do livro de Ben Sira (o Eclesiástico).

    Simão o Justo é evocado nele, no capítulo 50, ao término de uma longa passagem (capítulos 44-50), onde são recordados todos os «homens ilustres» desde Enoc, passando pelos patriarcas, Moisés, Davi, Elias, etc.

    Esta enumeração acaba detendo-se no grande sacerdote Simão, descrito amplamente na glória da majestade do exercício de suas funções. Esta descrição culmina na pronunciação do nome divino, que aparece assim como a conclusão destes sete capítulos: « Então, descendo do altar, o sumo sacerdote elevava as mãos sobre todo o povo israelita, para render glória a Deus em alta voz, e para glorificá-lo em seu nome» (Eclesiástico 50, 22).

    A partir de Simão o Justo e até a ruína do tempo, o nome só se escutava «como se escreve» na liturgia do Yom Kipur, no templo de Jerusalém, onde o grande sacerdote o pronunciava 10 vezes por dia, continua explicando Remaud.

    «Os ‘cohanim’ (descendentes de Aarão) e o povo presente no átrio, quando ouviam o nome explícito através da boca do grande sacerdote, ajoelhavam-se, prostravam-se com o rosto por terra, dizendo: ‘Bendito seja o nome glorioso de seu reino para sempre’.»

    A Mishná não diz que o grande sacerdote pronunciava o nome divino, mas que o nome «saía de sua boca», esclarece.

    Parece também que, no final do período do segundo templo, o grande sacerdote já somente pronunciava o nome em voz baixa, como explica uma lembrança de infância do rabino Tarphon (séculos I-II), que conta que, inclusive aguçando o ouvido, não teria podido escutar o nome.

    A fórmula do Êxodo, «Este é meu nome para sempre» (Êxodo 3, 15), mediante um jogo de palavras em hebraico, é interpretada pelo Talmude de Jerusalém: «Este é meu nome para estar escondido».

    Segundo esta evolução, «hoje, o nome divino não se pronuncia nunca – explica o sacerdote católico. No ofício do Yom Kipur na sinagoga, que reemprega a liturgia do templo pela recitação do que acontecia quando o templo existia, as pessoas se prostravam na sinagoga quando se recorda – sem pronunciá-lo – que o grande sacerdote pronunciava o nome divino».

    O sacerdote se atreve a tirar uma conclusão deste repasso histórico, advertindo que se trata de uma posição pessoal.

    «Sabe-se que o Novo Testamento e os primeiros cristãos, denominando Jesus com o termo ‘Senhor’ (Kyrios), aplicaram-lhe deliberadamente o termo utilizado em grego para traduzir o nome divino», explica.

    «Na tradição litúrgica do judaísmo, este nome divino não era pronunciado mais que na liturgia do perdão dos pecados, no dia do Kipur. Poderia ver-se uma alusão a esta tradição e ao poder purificador do nome neste versículo da primeira epístola de São João: ‘Vossos pecados foram perdoados por seu nome’ (1 João 2, 12)», conclui.

    A conclusão do especialista coincide com a do Vaticano, pois a carta da Congregação para o Culto Divino explica que a tradição de traduzir «Iahweh» por Senhor «é importante para entender Cristo», já que o título de «Senhor» é intercambiável entre o Deus de Israel e o Messias da fé cristã».

    Paz e Bem!

    BENTO XVI EXPLICA COMO SÃO PAULO ENTENDE A JUSTIFICAÇÃO

     

    Queridos irmãos e irmãs:

    No caminho que estamos percorrendo sob a guia de São Paulo, queremos agora deter-nos em um tema que está no centro das controversas do século da Reforma: a questão da justificação. Como um homem chega a ser justo aos olhos de Deus? Quando Paulo encontrou o ressuscitado no caminho de Damasco, era um homem realizado: irrepreensível quanto à justiça derivada da Lei (cf. Fil 3, 6), superava muitos de seus conterrâneos na observância das prescrições mosaicas e era zeloso em conservar as tradições de seus pais (cf. Gál 1, 14).

    A iluminação de Damasco mudou radicalmente sua existência: começou a considerar todos os seus méritos, conquistas de uma carreira religiosa integríssima, como «lixo» frente à sublimidade do conhecimento de Jesus Cristo (cf. Flp 3, 8). A Carta aos Filipenses nos oferece um testemunho comovente da passagem de Paulo de uma justiça fundada na Lei e conseguida com a observância das obras prescritas a uma justiça baseada na fé em Cristo: havia compreendido que o que até agora lhe havia parecido um lucro, na verdade frente a Deus era uma perda, e havia decidido por isso apostar toda sua existência em Jesus Cristo (cf. Flp 3, 7). O tesouro escondido no campo e a pérola preciosa, em cuja posse investe todo o mais, já não eram as obras da Lei, mas Jesus Cristo, seu Senhor.

    A relação entre Paulo e o Ressuscitado chegou a ser tão profunda que o impulsionou a afirmar que Cristo não era somente sua vida, mas seu viver, até tal ponto que, para poder alcançá-lo, inclusive a morte era um lucro (cf. Flp 1, 21). Não é que ele desprezasse a vida, mas que havia compreendido que para ele o viver já não tinha outro objetivo e, portanto, já não tinha outro desejo que alcançar Cristo, como em uma competição atlética, para estar sempre com Ele: o Ressuscitado se havia convertido no princípio e no fim da sua existência, no motivo e na meta da sua corrida.

    Só a preocupação pelo crescimento na fé daqueles aos que havia evangelizado e a solicitude por todas as Igrejas que havia fundado (cf. 2 Cor 11, 28) o induziam a desacelerar a corrida rumo ao seu único Senhor, para esperar os discípulos, para que pudessem correr com ele. Se na anterior observância da Lei não tinha nada que reprovar-se desde o ponto de vista da integridade moral, uma vez alcançado por Cristo, preferia não julgar a si mesmo (cf. 1 Cor 4, 3-4), mas se limitava a correr para conquistar Aquele por quem havia sido conquistado (cf. Flp 3, 12).

    Por causa desta experiência pessoal da relação com Jesus, Paulo coloca no centro de seu Evangelho uma irreduzível oposição entre dois percursos alternativos para a justiça: um construído sobre as obras da Lei, o outro fundado sobre a graça da fé em Cristo. A alternativa entre a justiça pelas obras da Lei e a justiça pela fé em Cristo se converte assim em um dos temas dominantes de suas cartas: «Nós, judeus de nascença, e não pecadores dentre os pagãos, sabemos, contudo, que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado» (Gál 2, 15-16).

    E ele reafirma aos cristãos de Roma que «com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo» (Rm 3, 23-24). E acrescenta: «Pensemos que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da Lei» (ibid 28). Lutero traduziu esta passagem como «justificados só pela fé». Voltarei sobre isto ao final da catequese. Antes devemos esclarecer o que é esta «Lei» da qual fomos liberados e o que são essas «obras da Lei» que não justificam.

    A opinião – que se repetirá na história – segundo a qual se tratava da lei moral, e que a liberdade cristã consistia, portanto, na libertação da ética, já existia na comunidade de Corinto. Assim, em Corinto circulava a palavra «panta mou estin» (tudo me é lícito). É óbvio que esta interpretação é errônea: a liberdade cristã não é libertinagem, a libertação da qual São Paulo fala não é libertar-se de fazer o bem.

    Mas o que significa, portanto, a Lei da qual fomos libertos e o que não salva? Para São Paulo, como para todos os seus contemporâneos, a palavra Lei significava a Torá em sua totalidade, ou seja, os cinco livros de Moisés. A Torá implicava, na interpretação farisaica, que Paulo havia estudado e feito sua, um conjunto de comportamentos que iam desde o núcleo ético até as observâncias rituais e culturais que determinavam substancialmente a identidade do homem justo. Particularmente a circuncisão, a observância do alimento puro e geralmente a pureza ritual, as regras sobre a observância do sábado, etc., comportamentos que aparecem com freqüência nos debates entre Jesus e seus contemporâneos.

    Todas estas observâncias que expressam uma identidade social, cultural e religiosa, haviam chegado a ser singularmente importantes no tempo da cultura helenística, começando desde o século III a.C. Esta cultura, que se havia convertido na cultura universal de então, era uma cultura aparentemente racional, uma cultura politeísta aparentemente tolerante, que exercia uma forte pressão de uniformidade cultural e ameaçava assim a identidade de Israel, que estava politicamente obrigado a entrar nesta identidade comum da cultura helenística com a conseguinte perda de sua própria identidade, perdendo assim também a preciosa herança da fé de seus pais, a fé no único Deus e nas promessas de Deus.

    Contra esta pressão cultural, que ameaçava não só a identidade israelense, mas também à fé no único Deus e em suas promessas, era necessário criar um muro de diferenciação, um escudo de defesa que protegesse a preciosa herança da fé; este muro consistia precisamente nas observâncias e prescrições judaicas. Paulo, que havia aprendido estas observâncias precisamente em sua função defensiva do dom de Deus, da herança da fé em um único Deus, via esta identidade ameaçada pela liberdade dos cristãos: por isso os perseguia.

    No momento de seu encontro com o Ressuscitado, ele entendeu que com a ressurreição de Cristo a situação havia mudado radicalmente. Com Cristo, o Deus de Israel, o único Deus verdadeiro se convertia no Deus de todos os povos. O muro – assim diz a Carta aos Efésios – entre Israel e os pagãos já não era necessário: é Cristo quem nos protege contra o politeísmo e todos os seus desvios; é Cristo quem nos une com e no único Deus; é Cristo quem garante nossa verdadeira identidade na diversidade das culturas, é Ele o que nos torna justos. Ser justo quer dizer simplesmente estar com Cristo e em Cristo. E isso basta. Já não são necessárias outras observâncias.

    Por isso a expressão «solo fide» de Lutero é certa se não se opõe à fé, à caridade, ao amor. A fé é olhar para Cristo, confiar-se a Cristo, unir-se a Cristo, conformar-se com Cristo, com a sua vida. E a forma, a vida de Cristo, é o amor; portanto, crer é conformar-se com Cristo e entrar em seu amor. Por isso São Paulo, na Carta aos Gálatas, na qual, sobretudo desenvolveu sua doutrina sobre a justificação, fala da fé que age por meio da caridade (cf. Gál 5, 14).

    Paulo sabe que no duplo amor a Deus e ao próximo está presente e cumprida toda a Lei. Assim, na comunhão com Cristo, na fé que cria a caridade, toda a Lei se realiza. Somos justos quando entramos em comunhão com Cristo, que é amor. O Evangelho da solenidade de Cristo Rei, é o Evangelho do juiz cujo único critério é o amor. O que pede é só isso: tu me visitaste quando estava enfermo? Quando estava na prisão? Tu me deste de comer quando tinha fome, ou me vestiste quando estava nu? E, assim, a justiça se decide na caridade.

    Portanto, ao término deste Evangelho, podemos dizer: só amor, só caridade. Mas não há contradição entre este Evangelho e São Paulo. É a mesma visão, segundo a qual a comunhão com Cristo, a fé em Cristo cria a caridade. E a caridade é a realização da comunhão com Cristo. Assim, se estamos unidos a Ele somos justos, e não há outra forma.

    No final, podemos só rezar ao Senhor para que nos ajude a crer. Crer realmente; crer se converte, assim, em vida, unidade com Cristo, transformação de nossa vida. E transformados pelo seu amor, pelo amor a Deus e ao próximo, podemos ser realmente justos aos olhos de Deus.

    Permalink: http://www.zenit.org/article-20107?l=portuguese

    [Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

    © Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

    O SENHOR É O MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ

    Domingo, dia 23 de Novembro de 2008
    NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO - SOLENIDADE

    34º Domingo do Tempo Comum - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo - Ano A (semana II do saltério) ,   S.Clemente I, papa, mártir, +102

    Livro de Ezequiel 34,11-12.15-17.

    Porque assim fala o Senhor DEUS: "Eis que Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas. Como o pastor se preocupa com o seu rebanho, quando se encontra entre as ovelhas dispersas, assim me preocuparei Eu com o meu. Reconduzi-lo-ei de todas as partes por onde tenha sido disperso, num dia de nuvens e de trevas. Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará descansar - oráculo do Senhor DEUS.

    Procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça." "Quanto a vós, minhas ovelhas, assim fala o Senhor DEUS: Eis que vou julgar entre ovelhas e ovelhas - entre carneiros e bodes.

    Livro de Salmos 22,1-2.2-3.5.6.

    — O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma.

    — Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Pelas águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

    — Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo,/ e com óleo vós ungis minha cabeça;/ o meu cálice transborda.

    — Felicidade e todo bem hão de seguir-me/ por toda a minha vida;/ e, na casa do Senhor, habitarei/ pelos tempos infinitos.

    1ª Carta aos Coríntios 15,20-26.28.

    Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. E, como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida. Mas cada um na sua própria ordem: primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.

    Depois, será o fim: quando Ele entregar o reino a Deus e Pai, depois de ter destruído todo o principado, toda a dominação e poder. Pois é necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés.O último inimigo a ser destruído será a morte.

    E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos.

    Evangelho segundo S. Mateus 25,31-46.

    «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.

    O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’

    Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’

    Em seguida dirá aos da esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’

    Por sua vez, eles perguntarão: 'Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ Ele responderá, então: 'Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego
    A Vida em Jesus Cristo, Livro 4, 93-97; 102

    «Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo»

    «Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Heb 1, 3). [...] Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, aquando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 37). Eis Aquele pelo Qual reinam os soberanos e governam os príncipes!

    É assim que Ele há-de exercer a Sua realeza, verdadeira e sem mancha [...]; é assim que Ele domina aqueles que submeteu ao Seu poder: mais amável que um amigo, mais equitativo que um príncipe, mais terno que um pai, mais íntimo que os membros, mais indispensável que o coração. Ele não Se impõe pelo medo, nem submete através do salário. Somente em Si mesmo encontra a força do Seu poder, apenas prende os que Se lhe submetem. Porque reinar pelo medo ou com vista a um salário não é governar por si mesmo, mas pela esperança do lucro ou pela ameaça. [...]

    É preciso que Cristo reine em sentido próprio; qualquer outra autoridade é indigna Dele. Ele soube chegar a este ponto por uma via extraordinária [...]: para Se tornar o verdadeiro Senhor, abraça a condição de escravo e torna-Se servo de escravos, até à cruz e à morte; e assim arrebata a alma dos escravos e apodera-Se directamente da vontade deles.

    Sabendo que é esse o segredo deste modo de reinar, Paulo escreve: «Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou» (Fil 2, 8-9). [...] Pela primeira criação, Cristo é senhor da natureza; pela nova criação, tornou-Se senhor da nossa vontade. [...] É por isso que Ele diz: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra» (Mt 28, 18).

    Paz e Bem!

    A MINHA ALMA ENGRANDECE AO SENHOR

    Sexta-feira, dia 21 de Novembro de 2008
    Sexta-feira da 33ª semana do Tempo Comum

    Apresentação de Nossa Senhora no Templo

    Livro do Apocalipse 10,8-11.

    Depois, a voz do céu, que eu tinha ouvido antes, falou-me de novo: «Vai, toma o livro aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra.» Aproximei-me do anjo e pedi-lhe para me entregar o livrinho. Ele disse-me: «Toma e come-o. Ele vai amargar-te nas entranhas, mas, na tua boca, será doce como mel.»

    Tomei o livrinho das mãos do anjo e comi-o: na minha boca era doce como mel; mas, depois de o comer, as minhas entranhas encheram-se de amargura. Depois, disseram-me: «É necessário que continues a profetizar contra muitos povos, nações, línguas e reinos.»

    Salmo (Lucas 1,46-47s).

    — O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

    — A minh’alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois ele viu a pequenez de sua serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome.

    — Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos.

    — Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos.

    — Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.

    Evangelho segundo S. Lucas 19,45-48.

    Depois, entrando no templo, começou a expulsar os vendedores.
    E dizia-lhes: «Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões.» Ensinava todos os dias no templo, e os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, assim como os chefes do povo, procuravam matá-lo. Não sabiam, porém, como proceder, pois todo o povo, ao ouvi-lo, ficava suspenso dos seus lábios.

    Da Bíblia Sagrada

    Uma liturgia oriental
    Oração para a bênção de uma igreja

    Que o templo interior seja tão belo como o templo de pedras

    Quando três se reúnem em teu nome (Mt 18,20), eles já formam uma igreja. Olha os milhares aqui reunidos: os seus corações prepararam um santuário antes que as nossas mãos construíssem este à glória do teu nome. Que o templo interior seja tão belo como o templo de pedras. Concede-nos habitar num como no outro; os nossos corações como estas pedras estão marcados com o teu nome.

    A força todo-poderosa de Deus teria podido construir uma morada para si mesma de uma forma tão  fácil como a que usou para, com um gesto, dar existência ao universo. Mas Deus construiu o homem a fim de que o homem construísse moradas para ele. Bendita seja a sua clemência que nos amou tanto! Ele é infinito; nós somos limitados. Ele construiu para nós o mundo; nós construímos-lhe uma casa. É admirável que o homem possa construir uma morada ao Todo-poderoso presente em tudo, a quem ninguém saberá escapar.

    Ele habita no meio de nós com ternura; ele atrai-nos com laços de amor; ele permanece no meio de nós e chama-nos para que tomemos o caminho do céu para habitarmos com ele. Ele deixa a sua morada e escolhe a Igreja para que nós abandonemos a nossa morada e escolhamos o paraíso. Deus habitou no meio dos homens para que os homens encontrem Deus.

    JESUS, FILHO DE DAVI, TENDE PIEDADE DE MIM

    Segunda-feira, dia 17 de Novembro de 2008
    Segunda-feira da 33ª semana do Tempo Comum

    Santa Isabel, rainha da Hungria, +1231

    Livro do Apocalipse 1,1-4.2,1-5.

    Revelação de Jesus Cristo. Deus encarregou-o de manifestar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer e que Ele comunicou pelo anjo que enviou ao seu servo João, o qual atesta que tudo o que viu é Palavra de Deus e testemunho de Jesus Cristo. Feliz o que lê e os que escutam a mensagem desta profecia e põem em prática o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.

    João saúda as sete igrejas da província da Ásia: graça e paz da parte daquele que é, que era e que há-de vir, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono.

    Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve: «Isto diz o que tem na mão direita as sete estrelas, o que caminha no meio dos sete candelabros de ouro:
    ‘Conheço as tuas obras, as tuas fadigas e a tua constância. Sei também que não podes tolerar os malvados e que puseste à prova os que se dizem apóstolos – mas não o são – e os achaste mentirosos; tens constância, sofreste por causa de mim e não perdeste a coragem.

    No entanto, tenho uma coisa contra ti: abandonaste o teu primitivo amor. Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e torna a proceder como ao princípio. Se não procederes assim e não te arrependeres, Eu virei ter contigo e retirarei o teu candelabro do seu lugar.

    Livro de Salmos 1,1-2.3.4.6.

    — Ao vencedor concederei comer da Árvore da Vida.

    — Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

    — Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

    — Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

    Evangelho segundo S. Lucas 18,35-43.

    Quando se aproximavam de Jericó, estava um cego sentado a pedir esmola à beira do caminho. Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era aquilo. Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que ia a passar.
    Então, bradou: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!»

    Os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: «Que queres que te faça?» Respondeu: «Senhor, que eu veja!» Jesus disse-lhe: «Vê. A tua fé te salvou.»

    Naquele mesmo instante, recobrou a vista e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, ao ver isto, deu louvores a Deus.

    Da Bíblia Sagrada

    S. Gregório o Grande (c. 540-640), Papa, Doutor da Igreja
    Sermões sobre o Evangelho, nº 2; PL 76, 1081 ( Trad. Luc comentada, DDB 1987, p139 rev.)

    «O homem começou a ver e seguia Jesus dando glória a Deus»

    O Nosso Redemptor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (Luc 18, 31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição.

    Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um acto sobrenatural.

    É que devemos ter um duplo olhar sobre os milagres do nosso Salvador e Mestre: são factos que devemos aceitar como tais e são signos que remetem para outra coisa... Assim, no plano da história, não sabemos nada acerca de quem era este cego. Mas que ele é designado de forma obscura, sabemo-lo.

    Este cego é o género humano expulso, na pessoa do seu primeiro pai, da alegria do Paraíso, que não tem qualquer conhecimento da luz divina e está condenado a viver nas trevas. Contudo, a presença do seu Redemptor ilumina-o: ele começa a ver as alegrias da luz interior, e, desejando-as, pode pôr os pés na caminhada de vida das boas obras.

    Paz e Bem!

    MUITO BEM SERVO BOM E FIEL...

    Domingo, dia 16 de Novembro de 2008
    33º Domingo do Tempo Comum - Ano A

    33º Domingo do Tempo Comum - Ano A (semana I do saltério) ,   Santa Margarida, rainha da Escócia, +1093 ,   Beato José Moscati, médico, +1927

    Livro de Provérbios 31,10-13.19-20.30-31.

    Uma mulher de valor, quem a poderá encontrar? O seu preço é muito superior ao das pérolas. O coração do marido nela confia e jamais lhe falta coisa alguma. Ela proporciona-lhe o bem e nunca o mal, em todos os dias da sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha de boa vontade com as suas mãos.

    A sua mão pega na roca e os seus dedos fazem girar o fuso. Estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente. A graça é enganadora e a beleza é vã: a mulher que teme o Senhor, essa será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos, e que as suas obras a louvem às portas da cidade.

    Livro de Salmos 127,1-2.3.4-5.

    — Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

    — Feliz és tu, se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem!

    — A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa.

    — Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida.

    1ª Carta aos Tessalonicenses 5,1-6.

    Irmãos, quanto aos tempos e aos momentos, não precisais que vos escreva. Com efeito, vós próprios sabeis perfeitamente que o Dia do Senhor chega de noite como um ladrão. Quando disserem: «Paz e segurança», então se abaterá repentinamente sobre eles a ruína, como as dores de parto sobre a mulher grávida, e não escaparão a isso.

    Mas vós, irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Na verdade, todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos nem da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios.

    Evangelho segundo S. Mateus 25,14-30.

    «Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

    Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: 'Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’

    O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’

    O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’»

    Da Bíblia Sagrada

    São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja
    Carta

    «Um homem [...] chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens»

    Este proprietário é, sem dúvida alguma, o próprio Cristo. Após a Sua ressurreição, quando se preparava para regressar vitoriosamente para junto do Pai, chamou os apóstolos e confiou-lhes a doutrina do Evangelho, dando a um mais, a outro menos, nunca demais nem de menos, mas de acordo com as forças daqueles que a recebiam. Da mesma maneira, o apóstolo Paulo afirma que alimentou de leite aqueles que não estavam capazes de tomar alimento sólido (1 Cor 3, 2). [...]

    Cinco, dois, um talento – são, quer as diferentes graças concedidas a cada um, quer, no primeiro caso, os cinco sentidos, no segundo, a inteligência da fé e das obras, no terceiro, a razão, que nos distingue das restantes criaturas. «O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco». Ou seja, a partir dos sentidos físicos e materiais que tinha recebido, fez aumentar o seu conhecimento das coisas celestes; a sua inteligência elevou-se das criaturas até ao Criador, do corpóreo ao incorpóreo, do visível ao invisível, do passageiro ao eterno. «O que recebera dois talentos ganhou outros dois». Também este, na medida das suas forças, duplicou na escola do Evangelho aquilo que tinha recebido na escola da Lei. Ou podemos dizer que compreendeu que a inteligência da fé e das obras da vida presente conduz à felicidade futura.

    «Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor». Preso às obras cá de baixo, aos prazeres deste mundo, o servo mau esqueceu os mandamentos de Deus. Notemos que outro evangelista afirma que ele enrolou o talento num pano; podemos entender por isso que suprimiu o vigor dos ensinamentos do mestre com uma vida de moleza e de prazeres. [...]

    O senhor acolhe os dois primeiros servos – aquele que, dos cinco talentos, tinha feito dez, e aquele que, dos dois talentos, tinha feito quatro – com o mesmo elogio: «Vem tomar parte na alegria do teu senhor», recebe aquilo que «nem o olho viu, bem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem» (1 Cor 2, 9). Que recompensa maior se pode dar a um servo fiel?

    Paz e Bem!

    IGREJA CATÓLICA

    Ex-Protestante responde: O que significa o termo Católico?
    12 junho 2008
    Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade, História da Igreja

    Por Steve Ray
    Tradução: Renata Espíndola
    Fonte: Catholic Convert

    A história do termo Católico

    Como um protestante, fui para uma igreja evangélica que modificou um importante e histórico termo no Credo dos Apóstolos. Ao invés da “Santa, Católica Igreja”, éramos a “Santa, Cristã Igreja”. Nada refleti sobre este fato naquele momento. Certamente não havia nenhuma intenção maligna, apenas uma repugnância com a Igreja Católica e o distinto desejo de nos distanciarmos desta heresia e tradição feitas pelas mãos dos homens.

    Para mim, os católicos se desviaram logo no início da “Cristandade Bíblica”, então eles simplesmente inventaram um novo termo para descrever sua sociedade. Desde que nós, os evangélicos, supostamente éramos os leais e verdadeiros crentes da Bíblia, não possuíamos nenhum interesse no termo católico, desde que este não foi encontrado em nenhum lugar entre as capas da Bíblia, ou seja no corpo textual não era citado. Era apenas um termo cujo viés era carregado por uma bagagem negativa, então nós o removemos do Credo.

    Eu deveria ter questionado “De onde vem o termo católico e o que significa”. Estaria eu correto em assumir que os Católicos Romanos inventaram o termo para destacá-los da “Cristandade Bíblica”?

    Como doutrinas e palavras se desenvolvem

    O desenvolvimento da doutrina não é apenas um fenômeno católico. É também um fato entre protestantes e em todas as religiões ou tradições teológicas. Ao longo dos anos, termos teológicos são desenvolvidos para auxiliar na explicação do conhecimento mais profundo da fé. Como os cristãos ponderam, a Revelação foi transmitida pelos apóstolos e depositada na Igreja d’Ele – a Igreja pondera apoiada na Palavra de Deus – refletindo cada vez mais profundamente.

    Não é muito diferente de se descascar uma cebola em camadas, o se penetrar profundamente no coração. O desenvolvimento da doutrina define, molda e interpreta o depósito da fé. A Bíblia não é um manual técnico de instruções teológicas ou de detalhamento de uma igreja, como seria um catecismo ou um guia de estudos. O significado da Bíblia não é sempre claro, como nos contou São Pedro (2Ped 3,15-16).

    Trinta e três mil denominações protestantes - competindo entre si - também tornam este fato aparente, uma vez que falham em concordar no que a Bíblia diz. Faz-se necessária a autoridade de uma igreja universal e dos sucessores dos apóstolos para formular as doutrinas da fé. Como um evangélico, eu era ingênuo ao pensar que poderia recriar a roda teológica para mim mesmo.

    Para ilustrar o desenvolvimento doutrinário, observemos o termo Trindade. Este termo nunca aparece na Bíblia, nem a mesma dá a fórmula explícita para a natureza da Trindade como comumente é utilizada hoje, como sendo “Um Deus Único em Três Pessoas Distintas” ou “Três Pessoas, Uma Natureza“. Todavia, o termo Trindade, como desenvolvido internamente na Igreja Católica, é uma crença essencial para quase toda denominação protestante.

    O primeiro registro do uso do termo Trindade – trias – foi nos escritos de Teófilo de Antioquia, em torno do ano 180 A.D.. Apesar de não ter sido encontrada na Bíblia, a Igreja Primitiva desenvolveu termos como Trindade, os quais são utilizados para definir e explicar doutrinas cristãs essenciais e básicas.

    De modo interessante, enquanto vários protestantes objetam a idéia do desenvolvimento da doutrina segundo a Igreja Católica, os mesmos não têm problema com o desenvolvimento em seus próprios campos, inclusive quanto a inovações e invenções. Tome por exemplo, o Arrebatamento, outro termo não encontrado na Bíblia e não utilizado em qualquer círculo teológico até meados do século XIX. Após uma “profética articulação” vinda de duas mulheres numa reunião escocesa de renovação, a nova doutrina do “Arrebatamento” espalhou como um incêndio selvagem por toda Nova Inglaterra e América.

    Foi a Igreja Católica quem definiu a Trindade Sagrada, a divindade e humanidade de Cristo – a união hipoestática destas duas naturezas na pessoa única e divina de Jesus -, salvação, batismo, a Sagrada Eucaristia e todos os outros ensinamentos que pavimentam a Fé Cristã. Foi também a Igreja Católica que trouxe à tona o Novo Testamento – coletando, canonizando, preservando, distribuindo e interpretando o mesmo.

    Como um protestante, eu estava bastante inclinado para a aceitação inconsciente dos ensinamentos da Igreja Católica sobre a Trindade, sobre a deidade de Cristo, o cânon ortodoxo do Novo Testamento e etc., mas rejeitava, voluntariosamente, o ensinamento “integral” da Igreja Católica. Hoje, compreendo que é na Igreja Católica que encontramos a abundância da fé e o visível e universal corpo de Cristo.

    A definição do termo Católico

    Entretanto, nós ainda não definimos o termo católico. Ele vem do termo grego “katholikós“, o qual é a combinação de duas palavras: “kata” – concernente – e “holos” – totalidade; por conseqüência, “concernente à totalidade” ou “integral, abrangente”. De acordo com o Dicionário Oxford de Etimologia Inglesa, o termo católico surge de uma palavra grega cujo significado é “relativo à totalidade” ou mais simplesmente, “geral ou universal”.

    Universal é originado de duas palavras gregas: “uni” – um – e “vetere” – giro; por conseqüência, “girando ao redor de um” ou “transformado em um“[1]. A palavra igreja deriva do grego “ecclesia“, a qual significa “aqueles chamados para socorrer“, como se convocados a serem sublimados e libertos do mundo para formar uma sociedade distinta. Então, a Igreja Católica é feita destes que foram convocados e reunidos numa visível e universal sociedade fundada por Cristo.

    Em seus primeiros anos a Igreja era pequena, tanto geograficamente, quanto numericamente. Aproximadamente pela primeira década, a Igreja na área de Jerusalém foi constituída exclusivamente de judeus; o termo católico dificilmente poderia ser aplicado. Entretanto, conforme a Igreja crescia e se espalhava pelo Império Romano, foi incorporando judeus e gentios, ricos e pobres, romanos, homens libertos e até mesmo escravos; ou seja, homens e mulheres de cada tribo e idioma. Porém, por volta do terceiro século, era católica uma em cada dez pessoas no Império Romano.

    Do mesmo modo que o termo Trindade foi apropriado para descrever a natureza de Deus, assim foi com o termo católico para descrever a natureza do Corpo de Cristo – a Igreja -, mas voltemos à história do termo católico.

    O registro inicial de seu uso foi encontrado nos primeiros anos da literatura cristã. Encontramos o primeiro indício nos escritos de São Inácio de Antioquia, o qual era um homem jovem durante o tempo de vida dos apóstolos e foi o segundo Bispo de Antióquia, sucessor de Pedro. São Inácio esteve imerso na tradição viva da igreja local em Antióquia, onde os seguidores de Cristo foram inicialmente denominados cristãos (At 11,26).

    Ele esteve presente o suficiente não só para conhecer os apóstolos, mas para ser ensinado e ordenado diretamente pelos mesmos. Dos apóstolos, Santo Inácio aprendeu o que era a Igreja, como deveria funcionar, crescer e ser governada. A História nos informa que São Pedro era o Bispo de Antióquia na época, e de fato, os Pais da Igreja proclamam que São Inácio foi ordenado pelo próprio São Pedro[2].

    São Inácio certamente prestou adoração com Pedro, Paulo e João, vivendo com ou próximo a eles e esteve sob as orientações destes apóstolos especiais. São Inácio de Antióquia é conhecido e reverenciado como uma testemunha autêntica da tradição e costumes dos apóstolos.

    Nos documentos existentes que resistiram até nossa época, São Inácio foi o primeiro a utilizar o termo católico em referência à Igreja. Em sua jornada a Roma, sob escolta militar para o Coliseu, onde seria devorado por leões devido a sua fé, escreveu que “Vocês todos devem seguir o Bispo assim como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como vocês seguiriam aos apóstolos. Aonde quer que o Bispo surja, permita que as pessoas ali estejam, assim como onde quer que Jesus Cristo esteja, ali se encontra a Igreja Católica” (Epístola aos Esmirniotas).

    Outro registro inicial do termo católico é associado a São Policarpo, Bispo de Esmirna, o qual o utilizou por diversas vezes. São Policarpo foi discípulo do apóstolo João, assim como este o foi de Jesus Cristo. Como São Inácio, São Policarpo morreu martirizado num coliseu em 155A.D.. No Martiriológo de São Policarpo, escrito no período de sua morte, lemos “Da Igreja de Deus localizada em Esmirna para a Igreja de Deus localizada em Filomélia, e para todas as dioceses da santa e católica Igreja localizadas em qualquer parte” (Epístola da Igreja em Esmirna, Prefácio).

    Posteriormente, é citado no mesmo livro que “quando Policarpo terminou sua oração, na qual relembrou todos os que conheceu… e toda a Igreja Católica dispersa pelo mundo…“. Após a oração, os romanos o entregaram às feras selvagens, ao fogo e à espada. A epístola conclui ainda que “agora com os Apóstolos e todos os justos, se encontra glorificando ao Deus e Pai Todo Poderoso, louvando ao Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador de nossas almas e Pastor da Igreja Católica por todo o mundo“. (8)

    Então podemos claramente entender que logo no início do segundo século, os cristãos usaram regularmente o termo católico como uma definição do estabelecimento da Igreja. A partir do segundo século em diante, vemos que o termo é regularmente aplicado por teólogos e escritores.Alguém poderia facilmente concluir que “católica” era uma descrição inicial da Igreja, provavelmente utilizada pelos próprios apóstolos.

    No quarto século, Santo Agostinho ao retransmitir a tradição da Igreja Primitiva, não economizou palavras para referendar a importância e disseminação a longa distância do uso do termo católico. Ele escreveu que “devemos ser leais à religião cristã e à comunicação em Sua Igreja que é católica, e que não é denominada católica apenas por seus próprios membros, mas também por todos seus inimigos” (A Verdadeira Religião 7,12).

    E novamente, “a única e verdadeira denominação Católica, a qual não sem razão, pertence somente a esta Igreja, defronte tantos hereges, e embora todos os hereges desejem ser denominados católicos, quando um estranho lhes pergunta a localização da Igreja Católica, nenhum destes hereges ousa apontar para sua própria basílica ou casa” (Contra a Carta de Mani entitulada “A Fundação” 4,5).

    A inicial aplicação e a importância do termo também poderão ser compreendidas através de seu uso tanto no Credo dos Apóstolos, quanto no de Nicene. Se você fosse um cristão no primeiro milênio, você seria um católico; e se você era um católico, você recitou estes credos afirmando “Uma Santa, Católica e Apostólica Igreja“. Infelizmente, hoje algumas pessoas buscam realizar uma distinção entre “Católica” com “C” maiúsculo e “católica” com “c” minúsculo, mas tal distinção é um desenvolvimento recente e jamais escutado na Igreja Primitiva.

    O entendimento bíblico do termo Católico

    Jesus enviou seus apóstolos como missionários levando as seguintes palavras “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28, 19-20). Como nos recorda Frank Sheed, “Preste atenção primeiramente na repetição tripla da idéia de “totalidade” – todas as nações, todas as coisas, todos os dias.

    Católico, dizemos, significa universal. Examinando o termo universal, vemos que este contém duas idéias, a idéia do todo, a idéia do um. Mas tudo o que? Todas as nações, todo os ensinamentos, todo o tempo, assim diz Nosso Senhor. Não é uma descrição exagerada da Igreja Católica. Nem sob o mais insano exagero, esta poderia evoluir como uma descrição de qualquer outra [igreja]“ (Teologia e Santidade [San Francisco, CA: Ignatius Press, 1993], 284).

    Jesus utilizou a palavra igreja duas vezes nos evangelhos, e ambas em Mateus, Ele disse “…sobre esta pedra edificarei minha igreja…” (Mt 16,18). Ele não mencionou igrejas ainda que estabelecesse uma divisão, nem insinuou que esta seria uma igreja invisível maquiada em grupos competidores entre si. Ele estava estabelecendo uma visível e reconhecível igreja. E em Mateus 18,17, Jesus diz que “Caso não lhes der ouvido, dizei-o à Igreja“, quanto à correção fraterna de um irmão pelo outro. Repare o artigo “a” referindo-se a uma entidade distinta; não “igrejas”, mas uma visível, reconhecível igreja na qual se espera ter uma liderança reconhecível com universal autoridade.

    Atualmente, qualquer um pode constatar o triste estado da “Cristandade” ao comparar as palavras de Jesus sobre “a Igreja” com a situação corrente. Se um Metodista ofende um Batista, ou um Presbiteriano ofende um Pentecostal, qual “igreja” eles buscarão para ajuizar a questão? Este fato sozinho demonstra o problema quando 33.000 denominações existem fora dos limites físicos da “Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja“. Jesus esperava que houvesse uma universal, plena em autoridade, visível e católica Igreja para representá-lo no mundo até o seu retorno.

    Logo após sua crucificação, Jesus orou não apenas pela universalidade e catolicidade da Igreja, mas para sua unidade visível (Jo 17, 21-23):

    “…a fim de que todos sejam um.
    Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti,
    que eles estejam em nós,
    para que o mundo creia que tu me enviaste.
    Eu lhes dei a glória que me deste
    para que sejam um, como nós somos um:
    Eu neles e tu em mim,
    para que sejam perfeitos na unidade
    e para que o mundo reconheça que me enviaste
    e os amaste como amaste a mim”.

    A Igreja Primitiva compreendeu as palavras de Jesus. Qual seria o bem de uma unidade invisível, teórica e impraticável? Para que o mundo veja uma unidade católica, a singularidade da Igreja deve ter uma realidade física, real e visível, tudo o que já é a Igreja Católica. Desde os primeiros séculos, os cristãos têm confessado que a Igreja é “uma, santa, católica e apostólica”.

    Una, porque realmente só existe uma, visível, orgânica e unificada Igreja; Santa, porque é denominada pelo mundo como a Esposa de Cristo, justa e santificada; Católica, porque é universal, unificada, e abrange todo o mundo; Apostólica, porque fundada por Cristo (Mt 16,18) através de seus Apóstolos, e porque a autoridade de seus apóstolos é perpetuada através de seus Bispos. Através dos séculos, este credo tem sido o estatuto da Igreja.

    Nestes últimos dias, os cristãos necessitam continuar confiantes e obedientes em seus corações à Igreja Católica. Ela tem sido nossa Mãe fiel e persistente em transmitir a ordem de Jesus Cristo por 2.000 anos. Como um evangélico protestante, pensei que poderia ignorar os credos e concílios de nossa Mãe, a Igreja. Eu estava desoladamente equivocado. Eu agora compreendo que Jesus requer de nós que escutemos Sua Igreja, a Igreja a qual ele deu autoridade para atar e desatar (Mt 16,19 e 18,17) – a Igreja Católica – a qual é o pilar e fundação da Verdade (1 Tim 3,15).

    Steve Ray é o autor de Crossing the Tiber, Upon this Rock e St. John’s Gospel. Ele também é co-autor de Catholic Answers: Papacy Learning Guide. Você poderá entrar em contato com ele em sua página eletrônica: www.catholicconvert.com.

    [1] ONIONS, C.T. The Oxford Dictionary of English Etymology. New York, NY: Oxford University Press, 1983.
    [2] RAY, Stephen. Upon this Rock. San Francisco, CA: Ignatius Press, 1999. p.119.

    "SOMOS SERVOS INÚTEIS"

    Terça-feira, dia 11 de Novembro de 2008

    S. Martinho (de Tours), bispo, +397

    Carta a Tito 2,1-8.11-14.

    Tu, porém, ensina o que é conforme à sã doutrina. Os anciãos sejam sóbrios, dignos, prudentes, firmes na fé, na caridade e na paciência. Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada.

    Exorta igualmente os jovens a serem moderados, apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós.

    Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade, aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.

    Ele entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse e zeloso na prática do bem.

    Livro de Salmos 36,3-4.18.23.27.29.

    — A salvação de quem é justo vem de Deus!

    — Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.

    — O Senhor cuida da vida dos honestos, e sua herança permanece eternamente. É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam.

    — Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Os justos herdarão a nova terra e nela habitarão eternamente.

    Evangelho segundo S. Lucas 17,7-10.

    «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: 'Vem cá depressa e senta-te à mesa'? Não lhe dirá antes: 'Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu'? Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.'»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Patrício (c. 385 - c.461), monge missionário, bispo
    Confissão, 12-14

    "Somos servos inúteis"

    Eu, que, de início, não era mais do que um fugitivo frustre e sem instrução e que "não sei prever o futuro" (Qo 4,13 Vulg), sei, no entanto, uma coisa com toda a certeza: é que, "antes de ser humilhado" (Sl 118,67), eu era como uma pedra que jazia numa lama profunda. Mas Ele veio, "aquele que é poderoso" (Lc 1,49) e agarrou em mim na sua misericórdia; ergueu-me verdadeiramente bem alto e colocou-me em cima do muro. Por isso, eu tenho de elevar a voz com toda a força, a fim de devolver qualquer coisa ao Senhor em troca dos seus benefícios, tanto aqui em baixo como pela eternidade, benefícios tão grandes que o espírito dos homens não pode enumerar.

    Ficai, pois, em admiração, "grandes e pequenos que temeis a Deus" (Ap 19,5); e vós, senhores e bem-falantes, escutai e examinai com atenção. Quem foi que me ergueu, a mim, o insensato, de entre os que passam por sábios, peritos da lei, "poderosos em palavras" (Lc 24,19) e em todas as outras coisas? Quem foi que me inspirou, mais do que aos outros, a mim, o rebotalho deste mundo, a fim de que "no temor e no respeito" (He 12,28)... eu faça lealmente bem aos povos a quem o amor de Cristo me conduziu e me entregou para, se for digno disso, os servir toda a minha vida com humildade e verdade?

    É por isso que, "segundo a medida da minha fé" (Rm 12,6) na Trindade, eu tenho de reconhecer e... proclamar o dom de Deus e a sua "eterna consolação" (2Tes 2,16). Tenho que espalhar sem temor mas com confiança o nome de Deus por toda a parte para que, mesmo após a minha morte, eu deixe uma herança aos meus irmãos e aos meus filhos, a tantos milhares de homens que baptizei no Senhor.

    Paz e Bem!

    São MartinhoHoje celebramos a Memória do Bispo São Martinho que tornou-se intercessor e modelo de apostolado para todos nós. Nasceu em 316 na Panônia, atual Hungria, numa família pagã que da parte do pai fez de Martinho um militar, enquanto o Pai do Céu o estava fazendo cristão, já que começou a fazer catecumenato.

    Certa vez quando o militar, mas ainda não batizado, Martinho partiu em duas partes seu manto para dá-lo a um pobre, e assim Jesus aparece-lhe na noite seguinte e disse-lhe: "Martinho, principiante na fé, cobriu-me com este manto". Homem de Deus foi batizado e abandonou a vida militar para viver intensamente a vida religiosa e as inspirações do Espírito Santo para sua vida.

    Com a direção e ajuda do Bispo Hilário, Martinho tornou-se monge, Diácono, fundador do primeiro Mosteiro da França e depois Sacerdote que formava os seus "filhos" para a contemplação e ao mesmo tempo para a missão de evangelizar os pagãos; diferenciando-se com isso dos Mosteiros do Oriente. Por ser fiel no pouco, São Martinho recebeu o mais, que veio com a sua ordenação para Bispo em Tours e não o impediu de fundar muitos outros Mosteiros a fim de melhor evangelizar sua Diocese. Entrou no Céu em 397.

    São Martinho, rogai por nós.

    «DESTRUÍ ESTE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS EU O LEVANTAREI!»

    Domingo, dia 09 de Novembro de 2008
    Dedicação da Basílica de Latrão

    Dedicação da Basílica de Latrão

    Livro de Ezequiel 47,1-2.8-9.12.

    Conduziu-me para a entrada do templo, e eis que saía água da sua parte subterrânea, em direcção ao oriente, porque o templo estava voltado para oriente. A água brotava da parte de baixo do lado direito do templo, a sul do altar. Fez-me sair pelo pórtico setentrional e contornar o templo por fora, até ao pórtico exterior oriental; vi rebentar a água do lado direito.

    Ele disse-me: "Esta água corre para o território oriental, desce para a Arabá e dirige-se para o mar; quando chegar ao mar, as suas águas tornar-se-ão salubres. Por onde quer que a torrente passar, todo o ser vivo que se move viverá. O peixe será muito abundante, porque aonde quer que esta água chegar, tornar-se-á salubre; e a vida desenvolver-se-á por toda a parte aonde ela chegar.

    Ao longo da torrente, nas suas margens, crescerá toda a sorte de árvores frutíferas, cuja folhagem não murchará e cujos frutos nunca cessam: produzirão todos os meses frutos novos, porque esta água vem do Santuário. Os frutos servirão de alimento e as folhas, de remédio."

    Livro de Salmos 45,2-3.5-6.8-9.

    — Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.

    — O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares.

    — Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo. Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.

    — Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó. Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo: reprime as guerras na face da terra.

    1ª Carta aos Coríntios 3,9-11.16-17.

    Pois, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois o seu terreno de cultivo, o edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo.

    Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós.

    Evangelho segundo S. João 2,13-22.

    Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos. Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas; e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa de meu Pai uma feira.» Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devora.

    Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de poderes fazer isto?» Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!» Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?» Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo.

    Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras que tinha proferido.

    Da Bíblia Sagrada

    Cardeal John Henry Newman (1801-1890), padre, fundador de comunidade religiosa, teólogo - PPS, vol. 4, n.° 12 : «The Church, a Home for the Lonely»

    «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!»

    O Templo judeu, visível e material, estava confinado a um só lugar. Não cabia nele o mundo inteiro, nem mesmo uma nação, mas apenas algumas pessoas da multidão. Mas o templo cristão é invisível e espiritual, e pode ser em qualquer sítio. [...] Jesus diz à Samaritana: «Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende» (Jo 4,23). «Em espírito e em verdade», porque, a menos que seja invisível, a sua presença não pode ser real. O que é visível não é o real; o que é material desagregar-se-á; o que está em determinado lugar é um fragmento, apenas.

    O templo de Deus, no regime cristão, é todo o lugar onde os cristãos se juntam em nome de Cristo; Ele está também presente de forma completa em cada lugar, como se não estivesse em mais nenhuma outra parte. E podemos entrar nesse templo, e juntarmo-nos aos santos que nele moram, à família celeste de Deus, de forma tão real quanto o adorador judeu entrava no recinto visível do Templo. Nada vemos deste nosso templo espiritual, mas é a condição requerida para que ele esteja em todo o lado. Ele não estaria em todo o lado se o víssemos num local específico; nada vemos, então, mas fruímos de tudo.

    Já os profetas do Antigo Testamento no-lo apresentavam assim. Isaías escreveu: «No fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes» (Is 2,2). O templo cristão foi desvelado a Jacob [...] quando em sonhos viu «uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam mensageiros de Deus» (Gn 28,12), e também ao servo de Eliseu:

    «O Senhor abriu os olhos do servo e ele viu o monte repleto de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu» (2Rs 6,17). Trata-se de antecipações do que iria ser estabelecido com a chegada de Cristo, que «abriu o Reino de Deus a todos os crentes». Por isso, São Paulo diz: «Vós, porém, aproximastes-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de miríades de anjos, da reunião festiva» (He 12,22).

    Paz e Bem!

    HAVERÁ MAIS ALEGRIA NO CÉU...

    Quinta-feira, dia 06 de Novembro de 2008

    Beato Nuno de Santa Maria (Santo Condestável), guerreiro, religioso, +1431

    Carta aos Filipenses 3,3-8.

    Porque nós é que somos pela circuncisão: nós, os que prestamos culto pelo Espírito de Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne – ainda que eu tenha razões para, também eu, pôr a confiança precisamente nos méritos humanos. Se qualquer outro julga poder confiar nesses méritos, eu posso muito mais:

    circuncidado ao oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu descendente de hebreus; no que toca à Lei, fui fariseu; no que toca ao zelo, perseguidor da Igreja; no que toca à justiça – a que se procura na lei – irrepreensível.

    Mas, tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo. Sim, considero que tudo isso foi mesmo uma perda, por causa da maravilha que é o conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por causa dele, tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo

    Livro de Salmos 105(104),2-3.4-5.6-7.

    — Exulte o coração dos que buscam o Senhor!

    — Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

    — Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

    — Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

    Evangelho segundo S. Lucas 15,1-10.

    Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»

    Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? Ao encontrá-la, põe na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.'

    Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»

    «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.'
    Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»

    Da Bíblia Sagrada

    Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara - Retiro em Nazaré, Novembro de 1897

    À procura da ovelha perdida

    Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a Vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. [...] A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos.

    Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. [...] Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

    Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois, se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. [...]

    Os perigos de viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Oh, meu Deus, como tínheis a Vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as Vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na Vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

    Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo Vosso. [...] Foi a Vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, oh Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o Vosso inimigo.

    Paz e Bem!

    O GRANDE BANQUETE

    Terça-feira, dia 04 de Novembro de 2008

    S. Carlos Borromeu, bispo, +1584

    Carta aos Filipenses 2,5-11.

    Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus:
    Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

    Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!”, para glória de Deus Pai.

    Livro de Salmos 22(21),26-27.28-30.31-32.

    Ó Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembléia!

    — Cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão; seus corações tenham a vida para sempre!”

    — Lembrem-se disso os confins de toda a terra, para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. Pois ao Senhor é que pertence a realeza; ele domina sobre todas as nações. Somente a ele adorarão os poderosos.

    — Toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará, o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!”

    Evangelho segundo S. Lucas 14,15-24.

    Ouvindo isto, um dos convidados disse-lhe: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» Ele respondeu-lhe: «Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: 'Vinde, já está tudo pronto.'
    Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se.

    O primeiro disse: 'Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.' Outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.'

    E outro disse: 'Casei-me e, por isso, não posso ir.' O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: 'Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.' O servo voltou e disse-lhe: Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.'

    E o senhor disse ao servo: 'Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.' Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»

    Da Bíblia Sagrada

    Divina Liturgia de São Basílio (século IV)
    Oração eucarística, I Parte

    «Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar para que a minha casa fique cheia»

    Santo, santo, Tu és verdadeiramente santo, Senhor nosso Deus, e não há limite para a grandeza da Tua santidade: Tu dispuseste todas as coisas com correcção e justeza. Modelaste o homem com o barro da terra, honraste-o com a imagem do próprio Deus, colocaste-o num paraíso de delícias, prometendo-lhe – se observasse os mandamentos – a imortalidade e o gozo dos bens eternos. Mas ele transgrediu os Teus mandamentos, Deus verdadeiro, e, seduzido pela malícia da serpente, vítima do seu próprio pecado, submeteu-se à morte. Pelo Teu justo juízo, foi expulso do Paraíso para este mundo, reenviado para a terra de onde havia sido tirado.

    Mas Tu dispuseste para ele, no Teu Cristo, a salvação pelo novo nascimento, pois não rejeitaste para sempre a criatura que havias criado na Tua bondade; velaste por ela de muitas maneiras, na grandeza da Tua misericórdia. Enviaste profetas, fizeste milagres pelos santos que, em cada geração, Te foram agradáveis; deste-nos a Lei para nos socorrer; estabeleceste os anjos, para nos guardarem.

    E, ao chegar a plenitude dos tempos, falaste-nos no Teu único Filho, por Quem criaste o universo; Ele que é o esplendor da Tua glória e a imagem da Tua natureza; Ele que tudo realiza pelo poder da Sua palavra; Ele, que não preservou ciosamente a Sua igualdade com Deus mas, desde toda a eternidade, veio à terra, viveu com os homens, tomou carne na Virgem Maria, aceitou a condição de escravo, assumiu o nosso corpo miserável, para nos tornar conformes ao Seu corpo de glória (Heb 1, 2-3; Fil 2, 6-7; 3, 21).

    E, como foi pelo homem que o pecado entrou no mundo – e, pelo pecado, a morte –, agradou ao Filho único, a Ele que Se encontrava eternamente no Teu seio, ó Pai, mas que nasceu de mulher, condenar o pecado na Sua carne, a fim de que aqueles que haviam morrido em Adão tivessem a plenitude da vida em Cristo (Rom 5, 12; 8, 3). Enquanto viveu neste mundo, Ele deu-nos preceitos de salvação, Desviou-nos do erro dos ídolos, levando-nos a conhecer-Te, a Ti, Deus verdadeiro. Desse modo, conquistou-nos para Si como povo escolhido, sacerdócio real, nação santa (1 Ped 2, 9).

    Paz e Bem!

    TODOS OS SANTOS E SANTA DE DEUS, LOVEM O NOME DO SENHOR, LOVEM-NO TODOS

    Sabado, dia 01 de Novembro de 2008

    Todos os Santos

    Livro do Apocalipse 7,2-4.9-14.

    Depois, vi outro anjo que subia do Oriente, levando o selo do Deus vivo e gritando com voz forte aos quatro anjos, aos quais fora dado o poder de danificar a terra e o mar. E dizia: «Não danifiqueis a terra nem o mar nem as árvores, até que tenhamos marcado com um selo a fronte dos servos do nosso Deus.»

    Ouvi também o número dos que foram assinalados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel: Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão. Aclamavam em alta voz: «A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.»

    E todos os anjos, que estavam de pé à volta do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes, prostraram-se diante do trono, com a face por terra, e adoraram a Deus, aclamando: «Ámen! O louvor, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força devem ser dados ao nosso Deus pelos séculos do séculos. Ámen!»

    Então, um dos seres viventes tomou a palavra e disse-me: «Estes, que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e donde vieram?» Eu respondi-lhe: «Meu senhor, tu é que sabes.» Ele disse-me: «Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro.

    Livro de Salmos 24(23),1-2.3-4.5-6.

    É assim a geração dos que procuram o Senhor!

    — Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,/ o mundo inteiro com os seres que o povoam;/ porque ele a tornou firme sobre os mares,/ e sobre as águas a mantém inabalável.

    — "Quem subirá até o monte do Senhor,/ quem ficará em sua santa habitação?"/ "Quem tem mãos puras e inocente o coração,/ quem não dirige sua mente para o crime.

    — Sobre este desce a bênção do Senhor/ e a recompensa de seu Deus e Salvador"./ “É assim a geração dos que o procuram,/ e do Deus de Israel buscam a face".

    1ª Carta de S. João 3,1-3.

    Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos! É por isso que o mundo não nos conhece, uma vez que o não conheceu a Ele. Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser.

    O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é. Todo o que tem esta esperança em Deus, torna-se puro, como Ele, que é puro.

    Evangelho segundo S. Mateus 5,1-12.

    Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:

    «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.
    Felizes os que choram, porque serão consolados.
    Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
    Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
    Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

    Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
    Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
    Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.

    Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja
    Sobre o bem da morte

    « Vi uma multidão imensa..., de todas as nações, raças, povos e línguas..., de pé, diante do trono e diante do Cordeiro» (Ap. 7,9)

    Fortalecidos com os ensinamentos [da Escritura], caminhemos sem tremer para o nosso redemptor, Jesus, para a assembleia dos patriarcas, partamos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar. Caminhemos para essa congregação dos santos, essa assembleia de justos. Iremos para os nossos pais, aqueles que nos ensinaram a fé; mesmo se as obras nos faltam, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança!

    Iremos aos lugares onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s); aí repousam aqueles que suportaram o rude peso da vida deste mundo. Agora, Pai, estende mais e mais as tuas mãos para acolheres estes pobres, abre os teus braços, alarga o teu seio para os acolheres melhor, pois são muitos os que acreditaram em Deus.

    Iremos ao paraíso de felicidade onde Adão, outrora caído numa emboscada de salteadores, já não pensa em curar as suas feridas, onde o próprio malfeitor goza da sua parte do Reino celeste (cf Lc 10, 30; 23,43). Lá onde nenhuma nuvem, nenhuma trovoada, nenhum raio, nenhuma tempestade de vento, nem trevas, nem crespúsculo, nem verão, nem inverno, marcarão a instabilidade dos tempos. Nem frio, nem granizo, nem chuva.

    O nosso pobre pequeno sol, a lua, as estrelas, já não servirão para nada; só o luz  de Deus resplandecerá, porque Deus será a luz de todos, essa luz verdadeira que ilumina todo o homem resplandecerá para todos (Ap 21, 5; Jo 1, 9). Nós iremos aonde o Senhor Jesus preparou  moradas para todos os seus servos, para que, aí onde Ele está, nós estejamos também (Jo 14, 2-3).

    «Pai, aqueles que me deste, quero que, lá onde eu estiver, estejam comigo, e que contemplem a minha glória» (Jo 17, 24)... Nós seguimos-te, Senhor Jesus; mas, para isso, chama-nos, pois sem ti ninguém ascende. Tu és o caminho, a verdade, a vida (Jo 14,6), a possibilidade, a fé, a recompensa. Recebe-nos, fortalece-nos, dá-nos a vida!

    Paz e Bem!