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    "O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM"

    Sexta-feira, dia 31 de Outubro de 2008

    Santo Afonso Rodrigues, viuvo, religioso, +1617

    Carta aos Filipenses 1,1-11.

    Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com seus bispos e diáconos: a vós a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Todas as vezes que me lembro de vós, dou graças ao meu Deus, sempre, em toda a minha oração por todos vós. É uma oração que faço com alegria, por causa da vossa participação no anúncio do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.

    E é exactamente nisto que ponho a minha confiança: aquele que em vós deu início a uma boa obra há-de levá-la ao fim, até ao dia de Cristo Jesus. É justo que eu tenha tais sentimentos por todos vós, pois tenho-vos no coração, a todos vós que, nas minhas prisões e na defesa e consolidação do Evangelho, participais na graça que me foi dada.
    Pois Deus é minha testemunha de quanto anseio por todos vós, com a afeição de Cristo Jesus.

    E é por isto que eu rezo: para que o vosso amor aumente ainda mais e mais em sabedoria e toda a espécie de discernimento,
    para vos poderdes decidir pelo que mais convém, e assim sejais puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo,
    repletos do fruto da justiça, daquele que vem por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.

    Livro de Salmos 110,1-2.3-4.5-6.

    — Grandiosas são as obras do Senhor!

    — Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

    — Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

    — Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações.

    Evangelho segundo S. Lucas 14,1-6.

    Tendo entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam. Achava-se ali, diante dele, um hidrópico. Jesus, dirigindo a palavra aos doutores da Lei e fariseus, disse-lhes: «É permitido ou não curar ao sábado?»

    Mas eles ficaram calados. Tomando-o, então, pela mão, curou-o e mandou-o embora. Depois, disse-lhes: «Qual de vós, se o seu filho ou o seu boi cair a um poço, não o irá logo retirar em dia de sábado?» E a isto não puderam replicar.

    Da Bíblia Sagrada

    João Paulo II
    Carta Apostólica "Dies Domini", 61 (trad. DC 2186, p. 674 © copyright Libreria Editrice Vaticana)

    "O sábado foi feito para o homem" (Mc 2,27)

    O shabbat, o sétimo dia abençoado e consagrado por Deus, ao mesmo tempo que encerra toda a obra da criação, está em ligação imediata com a obra do sexto dia, quando Deus fez o homem « à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26). Esta relação mais directa entre o « dia de Deus » e o « dia do homem » não passou despercebida aos Padres, na sua meditação sobre o relato bíblico da criação.

    A este propósito, S. Ambrósio diz: « Dêmos, pois, graças ao Senhor nosso Deus, que fez uma obra onde Ele pudesse encontrar descanso. Fez o céu, mas não leio que aí tenha repousado; fez as estrelas, a lua, o sol, e nem aqui leio que tenha descansado neles. Mas, ao contrário, leio que Ele fez o homem e que então Se repousou, tendo nele alguém a quem podia perdoar os pecados ».

    Assim, o « dia de Deus » estará sempre directamente relacionado com o « dia do homem ». Quando o mandamento de Deus diz: « Recorda-te do dia de sábado, para o santificares » (Ex 20,8), a pausa prescrita para honrar o dia a Ele dedicado não constitui de modo algum uma imposição gravosa para o homem, mas antes uma ajuda, para que se consciencialize da sua dependência vital e libertadora do Criador e, simultaneamente, da vocação para colaborar na sua obra e acolher a sua graça.

    Deste modo, honrando o « repouso» de Deus, o homem encontra-se plenamente a si próprio, e assim o dia do Senhor fica profundamente marcado pela bênção divina (cf. Gn 2,3) e, graças a ela, dir-se-ia dotado, como acontece com os animais e com os homens (cf. Gn 1,22.28), de uma espécie de « fecundidade ».

    Esta exprime-se, não só no constante acompanhamento do ritmo do tempo, mas sobretudo no reanimar e, de certo modo, « multiplicar » o próprio tempo, aumentando no homem, com a lembrança do Deus vivo, a alegria de viver e o desejo de promover e dar a vida.

    Paz e Bem!

    JERUSALÉM, JERUSALÉM...

    Quinta-feira, dia 30 de Outubro de 2008

    S. Geraldo de Potenza, bispo, séc. XII

    Carta aos Efésios 6,10-20.

    Finalmente, tornai-vos fortes no Senhor e na sua força poderosa.
    Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo. Porque não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus.

    Por isso, tomai a armadura de Deus, para que tenhais a capacidade de resistir no dia mau e, depois de tudo terdes feito, de vos manterdes firmes. Mantende-vos, portanto, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça da justiça e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz; acima de tudo, tomai o escudo da fé, com o qual tereis a capacidade de apagar todas as setas incendiadas do maligno.

    Recebei ainda o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Servindo-vos de toda a espécie de orações e preces, orai em todo o tempo no Espírito; e, para isso, vigiai com toda a perseverança e com preces por todos os santos, e também por mim; que, quando abrir a minha boca, me seja dada a palavra, para que, corajosamente, dê a conhecer o mistério do Evangelho, de que sou embaixador em cadeias; que, nele, eu possa falar aberta e corajosamente, tal como é meu dever.

    Livro de Salmos 143,1.2.9-10.

    — Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

    — Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

    — Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo. É meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

    — Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.

    Evangelho segundo S. Lucas 13,31-35.

    Naquela altura aproximaram-se dele alguns fariseus, que lhe disseram: «Vai-te embora, sai daqui, porque Herodes quer matar-te.» Respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Agora estou a expulsar demónios e a realizar curas, hoje e amanhã; ao terceiro dia, atinjo o meu termo. Mas hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, porque não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.»

    «Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! Agora, ficará deserta a vossa casa. Eu vo-lo digo: Não me vereis até chegar o dia em que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!»

    Da Bíblia Sagrada

    Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano em Estrasburgo
    Sermão 21, 4º para a Ascensão

    «Quantas vezes quis juntar os teus filhos como a galinha junta os seus pintinhos e vós não quisestes»

    Jerusalém era uma cidade de paz, e foi também uma cidade de tormento, pois Jesus sofreu lá imensamente e morreu lá muito dolorosamente. É nesta cidade que devemos ser suas testemunhas, e não só em palavras mas em verdade, através da nossa vida, imitando-o tanto quanto possamos. Muitos homens seriam de boa vontade as testemunhas de Deus na paz, na condição de tudo correr ao seu jeito. De boa vontade seriam santos, na condição de nada acharem de amargo nos exercícios e no trabalho da santidade.

    Gostariam de saborear, desejar e conhecer as doçuras divinas, sem terem de passar por qualquer contrariedade, pena ou desolação. Quando lhes surgem fortes tentações, trevas, quando já não têm o sentimento e a consciência de Deus, quando se sentem abatidos interior e exteriormente, então revoltam-se e não são, como tal, verdadeiras testemunhas.

    Todos os homens buscam a paz. Por todo o lado, nas suas obras e de todas as maneiras, procuram a paz. Ah! Pudéssemos nós libertar-nos dessa busca e procurarmos, nós, a paz, no tormento. Só aí nasce a verdadeira paz, aquela que permanece e dura... Procuremos a paz na angústia, a alegria na triteza, a simplicidade na multiplicidade, a consolação na contrariedade; é assim que nos tornaremos verdadeiras testemunhas de Deus.

    Paz e Bem!

    FELIZES OS MANSOS, PORQUE POSSUIRÃO A TERRA

    Quarta-feira, dia 29 de Outubro de 2008

    S. Narciso, bispo de Jerusalém, +212

    Carta aos Efésios 6,1-9.

    Filhos, obedecei a vossos pais, no Senhor, pois é isso que é justo: Honra teu pai e tua mãe – tal é o primeiro mandamento, com uma promessa: para que sejas feliz e gozes de longa vida sobre a terra.
    E vós, pais, não exaspereis os vossos filhos, mas criai-os com a educação e correcção que vêm do Senhor.

    Escravos, obedecei aos senhores terrenos, com o maior respeito, na simplicidade do vosso coração, como a Cristo: não para dar nas vistas, como quem procura agradar aos homens, mas como escravos de Cristo, que fazem a vontade de Deus, do fundo do coração; servi de boavontade, como se servísseis ao Senhor e não a homens, sabendo que cada um, escravo ou livre, será recompensado pelo Senhor, conforme o bem que fizer.

    E vós, os senhores, fazei o mesmo para com eles: deixai-vos de ameaças, sabendo que o Senhor, que o é tanto deles como vosso, está nos Céus e diante dele não há acepção de pessoas.

    Livro de Salmos 144,10-11.12-13.13-14.

    — O Senhor cumpre sempre suas promessas!

    — Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

    — Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

    — O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

    Evangelho segundo S. Lucas 13,22-30.

    Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. Disse-lhe alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu-lhes: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: 'Abre-nos, Senhor!'

    Mas ele há-de responder-vos: 'Não sei de onde sois.' Começareis, então, a dizer: 'Comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.' Responder-vos-á: 'Repito vos que não sei de onde sois. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.'

    Lá haverá pranto e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, e vós a serdes postos fora.
    Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus. E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Ireneu de Lyon (c.130 - c.208), bispo, teólogo e mártir
    Contra as heresias, V, 32, 2

    «Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus»

    A promessa feita anteriormente por Deus a Abraão manteve-se estável. Deus tinha-lhe dito, com efeito: «Ergue os teus olhos e, do sítio em que estás, contempla o norte, o sul, o oriente e o ocidente. Toda a terra que estás a ver, dar-ta-ei, a ti e aos teus descendentes, para sempre» (Gn 13,14-15). [...]

    No entanto, Abraão não recebeu herança alguma durante a sua vida terrena, «nem mesmo um palmo de terra»; foi sempre um «estrangeiro e hóspede» de passagem (Act 7,5; Gn 23,4) [...] Portanto, se Deus lhe prometeu a herança da terra, e se não a recebeu durante a sua estadia terrena, terá de recebê-la na posteridade, isto é, com aqueles que temem a Deus e n'Ele crêem, quando da ressurreição dos justos.

    Ora a sua posteridade é a Igreja, que, pelo Senhor, recebe a filiação adoptiva em relação a Abraão, como diz João Baptista: «Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão» (Mt 3,9). Também o apóstolo Paulo diz na sua Epístola aos Gálatas: «E vós, irmãos, à semelhança de Isaac, sois filhos da promessa» (Gl, 4,28).

    Diz claramente ainda, na mesma epístola, que os que acreditaram em Cristo recebem, de Cristo, a promessa feita a Abraão: «Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não se diz: «e às descendências», como se de muitas se tratasse; trata-se, sim, de uma só: E à tua descendência, que é Cristo» (Gl 3,16).

    E, para confirmar tudo isto, diz ainda «Assim foi com Abraão: teve fé em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça. Ficai, por isso, a saber: os que dependem da fé é que são filhos de Abraão. E como a Escritura previu que é pela fé que Deus justifica os gentios, anunciou previamente como evangelho a Abraão: Serão abençoados em ti todos os povos» (Gl 3,6-8) [...]

    Se portanto nem Abraão nem a sua descendência, isto é, todos os que são justificados na fé, não recebem agora herança alguma na terra, recebê-la-ão no momento da ressurreição dos justos, porque Deus é verídico e estável em todas as coisas. E é por este motivo que o Senhor dizia «Felizes os mansos, porque possuirão a terra.» (Mt 5,5).

    Paz e Bem!

    A VERDADE É ÚNICA E ELA É UMA PESSOA: JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS

    Terça-feira, dia 28 de Outubro de 2008

    S. Simão e S. Judas Tadeu, apóstolos

    Carta aos Efésios 2,19-22.

    Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus.

    É nele que toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo, no Senhor. É nele que também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus, pelo Espírito.

    Livro de Salmos 18,2-3.4-5.

    — Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

    — Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia.

    — Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz.

    Evangelho segundo S. Lucas 6,12-16.

    Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos:

    Simão, a quem chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago, João, Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.

    Da Bíblia Sagrada

    Papa Bento XVI
    Audiência geral de 3/5/2006 (trad. DC 2359, p. 514 © copyright Libreria Editrice Vaticana)

    "Convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos"

    A Tradição Apostólica não é uma colecção de objectos, de palavras como uma caixa que contém coisas mortas; a Tradição é o rio da vida nova que vem das origens, de Cristo até nós, e envolve-nos na história de Deus com a humanidade. Este tema da Tradição é de grande importância para a vida da Igreja.

    O Concílio Vaticano II realçou, a este propósito, que a Tradição é apostólica antes de tudo nas suas origens: "Dispôs Deus, em toda a sua benignidade, que tudo quanto revelara para a salvação de todos os povos permanecesse íntegro para sempre e fosse transmitido a todas as gerações.

    Por isso, Cristo Senhor, em quem se consuma toda a revelação de Deus Sumo (cf. 2 Cor 1, 30; 3, 16; 4, 6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos os homens o Evangelho... como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes os dons divinos" (Const. dogm. Dei Verbum, 7).

    O Concílio prossegue, anotando como tal empenho foi fielmente seguido "pelos Apóstolos que, pela sua pregação oral, exemplos e instituições, comunicaram aquilo que tinham recebido pela palavra, convivência e obras de Cristo, ou aprendido por inspiração do Espírito Santo" (ibid.). Com os Apóstolos, acrescenta o Concílio, colaboraram também "varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a Mensagem da salvação" (ibid.).

    Como chefes do Israel escatológico, também eles doze como doze eram as tribos do povo eleito, os Apóstolos continuam a "recolha" iniciada pelo Senhor, e fazem-no antes de tudo transmitindo fielmente o dom recebido, a boa nova do Reino que veio até aos homens em Jesus Cristo.

    O seu número expressa não só a continuidade com a santa raiz, o Israel das doze tribos, mas também o destino universal do seu ministério, que leva a salvação até aos extremos confins da terra. Pode-se captar isto do valor simbólico que têm os números no mundo semítico: doze resulta da multiplicação de três, número perfeito, e quatro, número que remete para os quatro pontos cardeais, e portanto para todo o mundo.

    Paz e Bem!

    "SE NÃO VOS CONVERTEDES, PERECEREIS IGUALMENTE."

    Sabado, dia 25 de Outubro de 2008

    S. Crispim e S. Crispiniano, mártires, séc. III ,   Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, religioso brasileiro, +1822

    Carta aos Efésios 4,7-16.

    Mas, a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo. Por isso se diz: Ao subir às alturas, levou cativos em cativeiro, deu dádivas aos homens. Ora, este «subiu» que quer dizer, senão que também desceu às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é precisamente o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, a fim de encher o universo.

    E foi Ele que a alguns constituiu como Apóstolos, Profetas,Evangelistas, Pastores e Mestres, em ordem a preparar os santos para uma actividade de serviço, para a construção do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo.

    Assim, deixaremos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por qualquer vento da doutrina, ao sabor do jogo dos homens, da astúcia que maliciosamente leva ao erro; antes, testemunhando a verdade no amor, cresceremos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo.

    É a partir dele que o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de toda a espécie de articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se construir a si próprio no amor.

    Livro de Salmos 121,1-2.3-4.4-5.

    — Que alegria, quando me disseram: "Vamos à casa do Senhor!"

    — Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas.

    — Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor.

    — Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está, e o trono de Davi.

    Evangelho segundo S. Lucas 13,1-9.

    Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente.

    E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»

    Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?'

    Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume.
    Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'»

    Da Bíblia Sagrada

    Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense - Orações meditativas, nº 5

    «Se não vos converterdes, perecereis»

    Pobre de mim, a consciência acusa-me sem cessar, e a verdade não pode desculpar-me dizendo: ele não sabia o que fazia. Perdoa, pois, Senhor, pelo preço do Teu precioso sangue, todos os pecados em que caí, consciente ou inconscientemente. [...] Sim, Senhor, pequei verdadeiramente, pequei por minha vontade, e pequei muito.

    Depois de ter tido conhecimento da verdade, ofendi o Espírito de graça; e contudo, aquando do meu baptismo, o Espírito tinha-me concedido de forma gratuita a remissão dos pecados. Mas eu, depois de ter tido conhecimento da verdade, voltei aos meus pecados, «como o cão volta ao seu vómito» (2Ped 2, 22).

    Ó Filho de Deus, pisei-Te aos pés, negando-Te? Mas não posso dizer que, ao negar-Te, Pedro Te tenha pisado aos pés, ele que Ele amava tão ardentemente, embora Te tenha negado uma primeira vez, uma segunda e uma terceira vez. [...]

    Também a mim Satanás me reclamou por vezes a fé, para me joeirar como o trigo; mas a Tua oração desceu sobre mim, de maneira que a minha fé nunca desfaleceu (Lc 22, 31-32), nunca Te abandonou. [...] Bem sabes que sempre quis aderir à fé em Ti; protege-me, pois, nesta vontade, até ao fim.

    Sempre acreditei em Ti [...], sempre Te amei, mesmo quando pequei contra Ti. Lamento profundamente os meus pecados. Do amor, porém, lamento apenas não ter amado tanto como devia.

    Paz e Bem!

    "POR QUE NÃO JULGAIS POR VÓS MESMOS, O QUE É JUSTO?"

    Sexta-feira, dia 24 de Outubro de 2008

    Santo António Maria Claret, bispo, fundador, +1870

    Carta aos Efésios 4,1-6.

    Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor,
    esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz.

    Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos.

    Livro de Salmos 23,1-2.3-4.5-6.

    É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

    — Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

    — "Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?" "Quem tem mãos puras e inocente coração.

    — Quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador." "É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face".

    Evangelho segundo S. Lucas 12,54-59.

    Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: 'Vem lá a chuva'; e assim sucede. E quando sopra o vento sul, dizeis: 'Vai haver muito calor'; e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?» «Porque não julgais por vós mesmos, o que é justo?

    Por isso, quando fores com o teu adversário ao magistrado, procura resolver o assunto no caminho, não vá ele entregar-te ao juiz, o juiz entregar-te ao oficial de justiça e o oficial de justiça meter-te na prisão.
    Digo-te que não sairás de lá, antes de pagares até ao último centavo.»

    Da Bíblia Sagrada

    Concílio Vaticano II
    Decreto sobre o Ecumenismo, 4

    Discernir os sinais dos tempos

    Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela acção, muitas tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis. Este sagrado Concilio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico.

    Por «movimento ecuménico» entendem-se as actividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são: primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e acções que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos separados e, por isso, tornam mais difíceis as relações com eles; depois, o «diálogo» estabelecido entre peritos competentes, em reuniões de cristãos das diversas Igrejas em Comunidades, organizadas em espírito religioso, em que cada qual explica mais profundamente a doutrina da sua Comunhão e apresenta com clareza as suas características.

    Com este diálogo, todos adquirem um conhecimento mais verdadeiro e um apreço mais justo da doutrina e da vida de cada Comunhão. Então estas Comunhões conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações que a consciência cristã exige em vista do bem comum. E onde for possível, reúnem-se em oração unânime. Enfim, todos examinam a sua fidelidade à vontade de Cristo acerca da Igreja e, na medida da necessidade, levam vigorosamente por diante o trabalho de renovação e de reforma.

    Desde que os fiéis da Igreja Católica prudente e pacientemente trabalhem sob a vigilância dos pastores, tudo isto contribuirá para promover a equidade e a verdade, a concórdia e a colaboração, o espírito fraterno e a união. Assim, palmilhando este caminho, superando pouco a pouco os obstáculos que impedem a perfeita comunhão eclesiástica, todos os cristãos se congreguem numa única celebração da Eucaristia e na unidade de uma única Igreja.

    Paz e Bem!

    QUEM SERÁ, POIS, O SERVO FIEL E PRUDENTE...?

    Quarta-feira, dia 22 de Outubro de 2008

    São Martinho de Dume, bispo, +579

    Carta aos Efésios 3,2-12.

    Com certeza, ouvistes falar da graça de Deus que me foi dada para vosso benefício, a fim de realizar o seu plano: que, por revelação, me foi dado conhecer o mistério, tal como antes o descrevi resumidamente.
    Lendo-o, podeis fazer uma ideia da compreensão que tenho do mistério de Cristo, que, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas, como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

    Dele me tornei servidor, pelo dom da graça de Deus que me foi dada, pela eficácia do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, foi dada a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo e a todos iluminar sobre a realização do mistério escondido desde séculos em Deus, o criador de todas as coisas para que agora, por meio da Igreja, seja dada a conhecer, aos Principados e às Autoridades no alto do Céu, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com o desígnio eterno que Ele realizou em Cristo Jesus Senhor nosso. Em Cristo, mediante a fé nele, temos a liberdade e coragem de nos aproximarmos de Deus com confiança.

    Is. 12,2-3.4.5-6.

    Com alegria bebereis do manancial da salvação.

    — Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.

    — E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime”.

    — Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”.

    Evangelho segundo S. Lucas 12,39-48.

    Ficai a sabê-lo bem: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não teria deixado arrombar a sua casa. Estai preparados, vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais.» Pedro disse-lhe: «Senhor, é para nós que dizes essa parábola, ou é para todos igualmente?»

    O Senhor respondeu: «Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente do seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar procedendo assim. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens.

    Mas, se aquele administrador disser consigo mesmo: 'O meu senhor tarda em vir' e começar a espancar servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que ele menos espera e a uma hora que ele não sabe; então, pô-lo-á de parte, fazendo-o partilhar da sorte dos infiéis.

    O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou e não agiu conforme os seus desejos, será castigado com muitos açoites.
    Aquele, porém, que, sem a conhecer, fez coisas dignas de açoites, apenas receberá alguns. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será pedido.»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Fulgêncio (476-532), bispo
    Sermão I, 2-3

    "Servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1Co 4,1)

    Para definir o papel dos servos que colocou à cabeça do seu povo, o Senhor diz esta palavra que o Evangelho nos transmite: "Qual é o administrador prudente e fiel que o senhor estabelecerá sobre o seu pessoal para lhe dar a seu tempo a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando voltar, encontrar procedendo assim"... Se nos perguntarmos que medida de trigo é esta, S. Paulo no-lo indica; é "a medida de fé que Deus vos repartiu" (Rm 12,3).

    Aquilo a que Cristo chama medida de trigo, Paulo chama medida de fé para nos ensinar que não há outra medida de trigo espiritual senão o mistério da fé cristã. Essa medida de trigo, damo-vo-la nós em nome do Senhor toda a vez que, iluminados pelo dom espiritual da graça, vos falamos segundo a regra da verdadeira fé. Essa medida, recebei-la vós dos administradores do Senhor todo o dia em que ouvis da boca dos servos de Deus a palavra da verdade.

    Que ela seja o nosso alimento, essa medida de trigo que Deus nos faz partilhar. Colhamos nela o sustento para a forma como nos conduzimos, a fim de obtermos a recompensa da vida eterna. Acreditemos naquele que se dá a si mesmo a cada um de nós para que não desfaleçamos no caminho (Mt 15,32) e que se reserva como nossa recompensa para que encontremos a alegria na pátria eterna.

    Acreditemos e esperemos nele; amemo-lo acima de tudo e em tudo. Porque Cristo é o nosso alimento e será a nossa recompensa. Cristo é o sustento e o reconforto dos viajantes que caminham; é a satisfação e a exaltação dos bem-aventurados que chegam ao seu repouso.

    Paz e Bem!

    "DAI, POIS, A CESAR O QUE É DE CESAR E A DEUS O QUE É DE DEUS"

    Domingo, dia 19 de Outubro de 2008

    XXIX Domingo Comum (semana I do saltério) ,   S. Paulo da Cruz,presbítero, penitente, +1775 ,   S. Pedro de Alcântara, religioso, +1562

    Livro de Isaías 45,1.4-6.

    Eis o que diz o SENHOR a Ciro, seu ungido, a quem tomei pela mão direita: «Vou derrubar as nações diante de ti, desatar o cinturão dos reis, abrir-te as portas da cidade, sem que nenhuma te seja fechada. Por amor do meu servo Jacob e de Israel que escolhi, chamei-te pelo teu nome e dei-te um título, embora não me conhecesses.

    Eu sou o SENHOR e não há outro, não existe outro Deus além de mim. Concedo-te a insígnia do poder, embora não me conheças. Assim saberão, do Oriente ao Ocidente, que não há outro fora de mim. Eu é que sou o SENHOR. Não há outro.

    Livro de Salmos 95,1.3.4-5.7-8.9-10.

    — Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

    — Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!/ Manifestai a sua glória entre as nações,/ e entre os povos do universo seus prodígios!

    — Pois Deus é grande e muito digno de louvor,/ é mais terrível e maior que os outros deuses,/ porque um nada são os deuses dos pagãos./ Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.

    — Ó família das nações, dai ao Senhor,/ ó nações, dai ao Senhor poder e glória,/ dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!/ Oferecei um sacrifício nos seus átrios.

    — Adorai-o no esplendor da santidade,/ terra inteira, estremecei diante dele!/ Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”,/ pois os povos ele julga com justiça.

    1ª Carta aos Tessalonicenses 1,1-5.

    Paulo, Silvano e Timóteo à igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que está em Tessalónica. A vós, graça e paz. Damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações; a vosso respeito, guardamos na memória a actividade da fé, o esforço da caridade e a constância da esperança, que vêm de Nosso Senhor Jesus Cristo, diante de Deus e nosso Pai, conhecendo bem, irmãos amados de Deus, a vossa eleição, pois o nosso Evangelho não se apresentou a vós apenas como uma simples palavra, mas também com poder e com muito êxito pela acção do Espírito Santo; vós sabeis como estivemos entre vós para vosso bem.

    Evangelho segundo S. Mateus 22,15-21.

    Então, os fariseus reuniram-se para combinar como o haviam de surpreender nas suas próprias palavras. Enviaram-lhe os seus discípulos, acompanhados dos partidários de Herodes, a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não olhas à condição das pessoas. Diz-nos, portanto, o teu parecer: É lícito ou não pagar o imposto a César?»

    Mas Jesus, conhecendo-lhes a malícia, retorquiu: «Porque me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do imposto.» Eles apresentaram-lhe um denário. Perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» «De César» responderam. Disse-lhes então: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo António (cerca 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
    Sermões para o domingo e a festa de todos os santos

    «Levantai sobre nós, Senhor, a luz da Vossa face!»

    Tal como uma pequena moeda tem a imagem de César, assim a nossa alma é à imagem da Santíssima Trindade, segundo o que nos é dito no salmo: «a luz da tua face está impressa em nós, Senhor» (4, 7LXX)... Senhor, a luz da tua face, quer dizer a luz da tua graça que determina em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a ti, está gravada em nós, quer dizer, gravada na nossa razão, que é a maior força da nossa alma e que recebe essa luz como a cera recebe a marca de um selo.

    A face de Deus é a nossa razão; porque, tal como alguém conhece o seu rosto, assim conhecemos Deus pelo espelho da razão. Mas esta razão foi deformada pelo pecado do homem, porque o pecado torna o homem antagónico a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «renovai espiritualmente a vossa inteligência» (4,23). A luz de que nos fala este salmo é pois a graça, que restaura a imagem de Deus gravada na nossa natureza...  

    Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança. Pela memória, é semelhante ao Pai; pela inteligência, é semelhante ao Filho; pelo amor é semelhante ao Espírito Santo... Desde a criação, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26). Imagem no conhecimento da verdade; semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é pois a graça que nos justifica e que nos revela de novo a imagem criada. Esta luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, como a imagem do imperador marca a moeda.

    É por isso que o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César». Como se dissesse: Tal como dais a César a sua imagem, dai a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz do seu rosto. 

    Paz e Bem!

    SERVI AO SENHOR

    Sabado, dia 18 de Outubro de 2008

    São Lucas, Evangelista

    2ª Carta a Timóteo 4,9-17.

    Vem ter comigo quanto antes, pois Demas abandonou-me. Preferiu o mundo presente e foi para Tessalónica. Crescente foi para a Galácia, e Tito para a Dalmácia. Apenas Lucas está comigo. Traz contigo Marcos, pois me será de grande ajuda no ministério. Quanto a Tíquico, enviei-o a Éfeso. Quando vieres, traz o manto que deixei em Tróade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos.

    Alexandre, o fundidor de cobre, causou-me muitos danos. O Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras. Toma tu também cuidado com ele, pois muito se tem oposto ao nosso ensinamento.

    Na minha primeira defesa, ninguém esteve ao meu lado. Todos me abandonaram. Que não lhes seja levado em conta. O Senhor, porém, esteve comigo e deu-me forças, a fim de que, por meu intermédio, o anúncio fosse plenamente proclamado e todos os gentios o escutassem. Assim fui arrebatado da boca do leão.

    Livro de Salmos 144,10-11.12-13.17-18.

    Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!

    — Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

    — Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

    — É justo o Senhor em seus caminhos, é Santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

    Evangelho segundo S. Lucas 10,1-9.

    Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe.

    Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós.

    Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: 'O Reino de Deus já está próximo de vós.'

    Da Bíblia Sagrada

    Cardeal John Henry Newman (1801-1890), padre, fundador de comunidade religiosa, teólogo - PPS, vol. 3, n.º 22 : «A parte escolhida por Maria»

    São Lucas, evangelista, «servidor da Palavra» (Lc 1,2)

    Boa é toda a palavra de Cristo: ela tem uma missão e finalidade, ela não cai por terra. É impossível que em vez alguma tenha pronunciado palavras efémeras, Ele, o Verbo de Deus, que por seu próprio desejo exprimiu os conselhos profundos e a vontade santa do Deus invisível. Toda a palavra de Cristo é boa.

    Mesmo se os seus propósitos tiverem sido transmitidos por pessoas comuns, podemos estar certos de que nada do que nos foi conservado – sejam palavras dirigidas a um discípulo ou a um opositor, sejam conselhos, ou opiniões, sejam reprimendas, ou palavras de consolação, de persuasão ou de condenação – nada, em todas elas, terá uma significação puramente acidental, um alcance limitado ou parcial [...].

    Pelo contrário, todas as palavras sagradas de Cristo, mesmo quando nos surgem revestidas de uma aparência temporária e dirigidas a um fim imediato - sendo difíceis portanto, porque há que nelas lograr perceber o que têm de momentâneo e de contingente - mesmo assim, elas nada perdem da sua força, a cada século que passa.

    Pertencendo à Igreja, estão destinadas a durar para sempre nos céus  (cf. Mt 24,35); prolongam-se até è eternidade. São a nossa regra santa, justa e boa, palavras que são «farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 118,105), na mesma plenitude e de forma tão íntima, no nosso tempo, como quando pela primeira vez foram pronunciadas.

    Tudo isto terá sido verdadeiro, mesmo aceitando-se ter sido obra humana a recolha destas migalhas da mesa de Cristo. Mas temos uma certeza muito maior, porque as recebemos não dos homens, mas de Deus (1Ts 2,13). O Espírito Santo, que veio glorificar Cristo e dar aos evangelistas a inspiração da escrita, não nos traçou um Evangelho estéril.

    Louvado seja por ter escolhido e salvo para nós palavras que deveriam ser particularmente úteis aos tempos vindouros, as palavras que podiam servir de lei à Igreja, para a fé, para a moral e para a disciplina. Não uma lei escrita em tábuas de pedra (Ex 24,12), mas uma lei de fé e de amor, de espírito, e não de letras (Rm 7,6), uma lei para corações generosos que aceitam «viver da palavra», por mais modesta e humilde que seja, uma lei «que sai da boca de Deus» (Dt 8,3; Mt 4,4).

    Paz e Bem!

    São Lucas

    Estamos em festa na liturgia da Igreja, pois lembramos a vida e o testemunho do evangelista São Lucas. Uma figura simpática do cristianismo primitivo, homem de posição e qualidades, de formação literária e de profundo sentido artístico divino.

    Nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração.

    Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano.

    Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

    No Evangelho, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o "bom" ladrão e conta as lindas parábolas do filho pródigo, do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

    O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: "Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz".

    São Lucas, rogai por nós!

    O MARTÍRIO É A IMITAÇÃO PERFEITA DE CRISTO, O FILHO DE DEUS

    Sexta-feira, dia 17 de Outubro de 2008

    Santo Inácio de Antioquia, bispo, mártir, séc. II

    Carta aos Efésios 1,11-14.

    Foi também em Cristo que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera, de acordo com a decisão da sua vontade, para que nos entreguemos ao louvor da sua glória, nós, que previamente pusemos a nossa esperança em Cristo.

    Foi nele, ainda, que vós ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho que vos salva. Foi nele ainda que acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito Santo prometido, o qual é garantia da nossa herança, para que dela tomemos posse, na redenção, para louvor da sua glória.

    Livro de Salmos 32,1-2.4-5.12-13.

    Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

    — Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o!

    — Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.

    — Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.

    Evangelho segundo S. Lucas 12,1-7.

    Entretanto, a multidão tinha-se reunido; eram milhares, a ponto de se pisarem uns aos outros. Jesus começou a dizer primeiramente aos seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se.

    Porque tudo quanto tiverdes dito nas trevas há-de ouvir-se em plena luz, e o que tiverdes dito ao ouvido, em lugares retirados, será proclamado sobre os terraços. Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar na Geena. Sim, Eu vo-lo digo, a esse é que deveis temer.

    Não se vendem cinco pássaros por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não temais: valeis mais do que muitos pássaros.

    Da Bíblia Sagrada

    Papa Bento XVI
    Encíclica «Spe Salvi», 27 (trad © copyright Libreria Editrice Vatican)

    "Digo-o a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo"

    Neste sentido, é verdade que quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2,12). A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30). Quem é atingido pelo amor começa a intuir em que consistiria propriamente a «vida».

    Começa a intuir o significado da palavra de esperança que encontramos no rito do Baptismo: da fé espero a «vida eterna» – a vida verdadeira que, inteiramente e sem ameaças, em toda a sua plenitude é simplesmente vida. Jesus, que disse de Si mesmo ter vindo ao mundo para que tenhamos a vida e a tenhamos em plenitude, em abundância (cf. Jo 10,10), também nos explicou o que significa «vida»: «A vida eterna consiste nisto: Que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste» (Jo 17,3).

    A vida, no verdadeiro sentido, não a possui cada um em si próprio sozinho, nem mesmo por si só: aquela é uma relação. E a vida na sua totalidade é relação com Aquele que é a fonte da vida. Se estivermos em relação com Aquele que não morre, que é a própria Vida e o próprio Amor, então estamos na vida. Então «vivemos».

    Paz e Bem!

    Santo Inácio de Antioquia

    Neste dia deparamos com a fé ardente, doação completa e amor singular ao Cristo, do Mártir Inácio, sucessor de São Pedro em Antioquia da Síria, que desde a infância conviveu com a primeira geração dos cristãos.

    Como bispo foi muito amado em Antioquia e no Oriente todo, pois sua santidade brilhava, tanto que o prenderam devido a sua liderança na religião cristã, durante o Império Le Frazano, por volta do ano 107.

    Chamado: Teóforo - portador de Deus - Inácio, ao ser transportado para Roma, sabia que cristãos de influência na corte imperial poderiam impedi-lo de alcançar Cristo pelo Martírio, por isso, dentre tantas cartas que enviara para as comunidades cristãs, a fim de edificar, escreveu em especial à Igreja Católica em Roma: "Eu vos suplico, não mostreis comigo uma caridade inoportuna.

    Permiti-me ser pasto das feras, pelas quais me será possível alcançar Deus, sou trigo de Deus e quero ser moído pelos dentes dos leões, a fim de ser apresentado como pão puro a Cristo. Escutai, antes, as feras, para que se convertam em meu sepulcro e não deixem rasto do meu corpo. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo".

    Nesta mesma carta há uma preciosa afirmação sobre a presença de Cristo na Eucaristia: "Não encontro mais prazer no alimento corruptível nem nos gozos desta vida, o que desejo é o pão de Deus, este pão que é a carne de Cristo e, por bebida, quero seu sangue, que é o amor incorruptível".

    Santo Inácio foi, de fato, atirado às feras no Coliseu, em Roma no ano 107, e hoje intercede para que comecemos a ter a têmpera dos mártires a fim de nos doarmos por amor.

    Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

    FELIZ É TODO AQUELE QUE NÃO ANDA CONFORME OS CONSELHOS DOS PERVERSOS

    Quarta-feira, dia 15 de Outubro de 2008

    Santa Teresa de Ávila, virgem, doutora da Igreja, +1582

    Carta aos Gálatas 5,18-25.

    Ora, se sois conduzidos pelo Espírito, não estais sob o domínio da Lei.
    Mas as obras da carne estão à vista. São estas: fornicação, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Sobre elas vos previno, como já preveni: os que praticarem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.

    Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio. Contra tais coisas não há lei. Mas os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e desejos. Se vivemos no Espírito, sigamos também o Espírito.

    Livro de Salmos 1,1-2.3.4.6.

    Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!

    — Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

    — Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!
    — Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

    — Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

    Evangelho segundo S. Lucas 11,42-46.

    Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as plantas e descurais a justiça e o amor de Deus! Estas eram as coisas que devíeis praticar, sem omitir aquelas.

    Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e de ser cumprimentados nas praças! Ai de vós, porque sois como os túmulos, que não se vêem e sobre os quais as pessoas passam sem se aperceberem!»

    Um doutor da Lei tomou a palavra e disse-lhe: «Mestre, falando assim, também nos insultas a nós.» Mas Ele respondeu: «Ai de vós, também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos!

    Da Bíblia Sagrada

    São Siluane (1866-1938), monge ortodoxo
    Escritos

    «Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas»

    A alma do homem humilde é como o mar; quando atiramos uma pedra ao mar, a pedra agita a superfície das águas durante uns instantes, mas em seguida mergulha nas profundezas. Assim são absorvidas as dores no coração do homem humilde, porque a força do Senhor está com ele.

    Onde habitas tu, alma humilde? Quem vive em ti? E a que posso eu comparar-te? Resplandeces, brilhante como o sol, mas não te consomes, apesar de arderes (Ex 3, 2), e aqueces todos os homens com o teu ardor. A ti pertence a terra dos mansos, nas palavras do Senhor (Mt 5, 4). És semelhante a um jardim florido, ao fundo do qual se encontra uma casa magnífica, onde o Senhor gosta de repousar.

    Amam-te o céu e a terra. Amam-te os santos apóstolos, os profetas, os santos e os bem-aventurados. Amam-te os anjos, os serafins, os querubins. Ama-te, na tua humildade, a puríssima Mãe do Senhor. Ama-te o Senhor, que rejubila em ti.

    Paz e Bem!

    Santa Teresa D'Ávila

    Santa Teresa de ávila

    Com grande alegria lembramos, hoje, da vida de santidade daquela que mereceu ser proclamada, em 1970, pelo Papa Paulo VI, "Doutora da Igreja", como Mestra de espiritualidade: "Santa Teresa D'Ávila". Como chegou até lá? Teresa nasceu em Ávila, Espanha em 1515 e foi educada de modo sólido e cristão, tanto assim, que quando criança, se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires, que combinou fugir com o irmão para uma região onde muitos cristãos eram martirizados;  mas nada disso aconteceu, graças à vigilância dos pais.

    Aos vinte anos, ingressou no Carmelo de Ávila, onde viveu um período no relaxamento, pois muito se apegou às criaturas, parentes e conversas destrutivas, assim como conta em seu livro biográfico. Certo dia, foi tocada pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor, assumiu a partir dessa experiência a sua conversão e voltou ao fervor da espiritualidade carmelita, a ponto de criar uma espiritualidade modelo.

    Em 1562, Teresa deu início à reforma dos Carmelos, tão numerosos na Espanha. Obra gigantesca que exigiu de sua vocação amor e doação total à ação. Como fruto de muitas lutas e experiências místicas, ela produziu obras imortais, como o "Caminho da perfeição", "As moradas" e a autobiografia que são, ainda hoje, fontes de perene vida e seta que aponta a finalidade da via carmelita: União absoluta com Deus até se formar uma espécie de matrimônio espiritual entre a alma e Ele.

    O seu segredo é o amor. Santa Teresa conseguiu fundar mais de trinta e dois mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz. Teve sofrimentos físicos e morais antes de morrer, até que em 1582 disse uma das últimas palavras: "Senhor, sou filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer".

    Santa Teresa D'Ávila, rogai por nós!

    VIRGEM MÃE APARECIDA

    Domingo, dia 12 de Outubro de 2008

    XXVIII Domingo Comum (semana IV do saltério) ,   Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil

    Primeira leitura (Ester 5,1b-2; 7,2b-3)

    Leitura do Livro de Ester:

    1bEster revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.

    7,2bEntão, o rei lhe disse: "O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida". 3Ester respondeu-lhe: "Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!"

    Livro de Salmos 23(22),1-3.3-4.5.6.

    Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ que o Rei se encante com vossa beleza!

    — Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ "Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o Rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

    — O povo de Tiro vos traz seus presentes,/ os grandes do povo vos pedem favores./ Majestosa, a princesa real vem chegando,/ vestida de ricos brocados de ouro.

    — Em vestes vistosas ao Rei se dirige,/ e as virgens amigas lhe formam cortejo;/ entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real".

    Segunda leitura (Apocalipse 12,1.5.13a.15-16a)

    Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

    1Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.

    13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.

    Evangelho (João 2,1-11)

    Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". 4Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou".

    5Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser".
    6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala". E eles levaram.

    9O mestre-sala experimentou a água que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!"

    11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (345-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja - Sermão 90; PL 38, 559ss

    Vestir o traje nupcial

    Que traje nupcial é esse de que nos fala o Evangelho? Tal traje é certamente algo que só os bons possuem, os que devem participar no festim [...]. O traje serão os sacramentos? O baptismo? Sem o baptismo, ninguém chega até Deus, mas alguns recebem o baptismo e não chegam a Deus [...] Será o altar, ou o que se recebe no altar? Mas ao receber o Corpo do Senhor alguns comem e bebem a sua própria condenação (1Co 11,29). Então será o quê, esse traje? O jejum? Também os maus jejuam. Será frequentar a igreja? Também os maus vão à igreja como os outros [...].

    O que é então esse traje nupcial? Diz-nos o apóstolo Paulo: «O objectivo desta recomendação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera» (1Tm 1,5). Eis o traje nupcial. Não se trata de um amor qualquer, porque por vezes vemos homens desonestos amar outros [...], mas não vemos neles aquela caridade autêntica «que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera»; ora, esta caridade é precisamente o fato de núpcias.

    «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, diz o apóstolo Paulo, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine [...]. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.» (1Co 13,1-2) [...] Poderia ter tudo isto, disse ele; sem Cristo, «nada sou» [...].

    Como são inúteis os bens, se um só deles nos faltar! Se não tiver amor, bem posso ter distribuir todos os meus bens, confessar o nome de Cristo e entregar o meu corpo para ser queimado (1Co 13,3), que de nada me aproveita, pois posso agir assim por amor da glória [...]. «Se não tiver amor, de nada me aproveita.» Eis o traje nupcial. Examinai-vos a vós próprios: se o tiverdes, aproximai-vos confiantes do banquete do Senhor.

    Paz e Bem!

    A CONFIANÇA É A PORTA DE ENTRADA DA GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS ALMAS

    Quinta-feira, dia 09 de Outubro de 2008

    São João Leonardo, presbítero, +1609 ,   Nossa Senhora do Monte

    Carta aos Gálatas 3,1-5.

    Oh Gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou, a vós, a cujos olhos foi exposto Jesus Cristo crucificado? Só isto quero saber de vós: foi pelas obras da Lei que recebestes o Espírito ou pela pregação da fé? Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, quereis agora, pela carne, chegar à perfeição?

    Foi em vão que experimentastes coisas tão grandiosas? Se é que foi mesmo em vão! Aquele que vos concede o Espírito e opera milagres entre vós, será, pois, que o faz pelas obras da Lei ou pela pregação da fé?

    Lucas 1,69-70.71-72.73-75.

    Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

    — Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos.Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

    — Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança.

    — E o juramento a Abraão, nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.

    Evangelho segundo S. Lucas 11,5-13.

    Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer', e se ele lhe responder lá de dentro: 'Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar'.

    Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar.» «Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.

    Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!»

    Da Bíblia Sagrada

    Rábano Mauro (c.784-856), abade beneditino e bispo
    Três livros para Bonoso, livro 3,4; PL 112, 1306

    «Dar-lhe-á tudo quanto precisar»

    Não permitas que te falte a confiança em Deus, nem te deixes desesperar da sua misericórdia [...] Canta ao Senhor estas palavras do profeta: «Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo, e como os da serva, nas mãos da sua ama, assim os nossos olhos estão postos no Senhor, nosso Deus, até que tenha piedade de nós. Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade de nós, porque estamos saturados de desprezo» (Sl 122, 2-3).

    Se estamos saturados de desprezo por causa dos nossos muitos pecados, devemos porém voltar-nos para o Senhor nosso Deus até que Ele de nós se apiede, e dirigir-Lhe continuamente as nossas súplicas até que nos conceda o perdão pelos nossos erros. De facto, é próprio da alma constante e tenaz perseverar na oração sem vacilar por desespero de querer ser atendida, e persistir tenazmente na oração até que Deus lhe faça misericórdia.

    Para que não venhas a pensar que ofendes ao Senhor por persistires na oração quando não mereces ser escutado, lembra-te da parábola de Evangelho. Nela descobrirás que os que oram a Deus com importuna perseverança não Lhe são desagradáveis, porque é dito: «Embora não se levante para [...] dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar».

    Compreende pois que é o diabo que nos sugere que entremos em desespero por querer ser atendidos, e fá-lo para que nos seja retirada essa esperança na bondade de Deus, que é a âncora da nossa salvação, o fundamento da nossa vida, o guia no caminho que leva aos céus. O apóstolo Paulo diz: «Foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8,24).

    Paz e Bem!

    SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR

    Quarta-feira, dia 08 de Outubro de 2008

    Santa Taís, penitente, séc. IV ,   Santo Artoldo, monge pastor, +1206

    Carta aos Gálatas 2,1-2.7-14.

    A seguir, catorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém, com Barnabé, levando comigo também Tito. Mas subi devido a uma revelação. E pus à apreciação deles – e, em privado, à dos mais considerados – o Evangelho que prego entre os gentios, não esteja eu a correr ou tenha corrido em vão.

    Antes pelo contrário: tendo visto que me tinha sido confiada a evangelização dos incircuncisos, como a Pedro a dos circuncisos – pois aquele que operou em Pedro, para o apostolado dos circuncisos, operou também em mim, em favor dos gentios – e tendo reconhecido a graça que me havia sido dada, Tiago, Cefas e João, que eram considerados as colunas, deram-nos a mão direita, a mim e a Barnabé, em sinal de comunhão, para irmos, nós aos gentios e eles aos circuncisos. Só nos disseram que nos devíamos lembrar dos pobres – o que procurei fazer com o maior empenho.

    Mas, quando Cefas veio para Antioquia, opus-me frontalmente a ele, porque estava a comportar-se de modo condenável. Com efeito, antes de terem chegado umas pessoas da parte de Tiago, ele comia juntamente com os gentios. Mas, quando elas chegaram, Pedro retirava-se e separava-se, com medo dos partidários da circuncisão.

    E com ele também os outros judeus agiram hipocritamente, de tal modo que até Barnabé foi arrastado pela hipocrisia deles. Mas, quando vi que não procediam correctamente, de acordo com a verdade do Evangelho, disse a Cefas diante de todos: «Se tu, sendo judeu, vives segundo os costumes gentios e não judaicos, como te atreves a forçar os gentios a viver como judeus?»

    Salmo Responsorial (Salmos 116)

    Ide por todo mundo, e pregai o Evangelho!

    — Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

    — Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

    Evangelho segundo S. Lucas 11,1-4.

    Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.»

    Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; dá-nos o nosso pão de cada dia; perdoa os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixes cair em tentação.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja - Sermão 80

    «Ensina-nos a orar»

    Acreditais, irmãos, que Deus ignora o que vos é necessário? Aquele que conhece a nossa aflição conhece antecipadamente os nossos desejos. Por isso, quando ensinava o Pai Nosso, o Senhor recomendava aos discípulos que fossem sóbrios nas palavras: «Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós Lho pedirdes» (Mt 6,7-8). Se o vosso Pai sabe o que vos é preciso, para quê dizê-lo, mesmo por poucas palavras? [...] Se o sabes, Senhor, será mesmo necessário pedir-To em oração?

    Ora quem nos diz: «não useis de vãs repetições» declara-nos noutro passo: «Pedi e recebereis» e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: «Procurai e encontrareis» e, para que não pensemos que se trata apenas de uma simples maneira de falar, vede como termina: «Batei, e hão-de abrir-vos» (Mt 7,7). Ele quer portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar te ponhas a procurar, para que possas entrar não deixes, enfim, de bater à porta [...]

    Porquê pedir em oração? Porquê procurar? Porquê bater? Porquê cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: «Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18,2). [...] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos encorajar-nos a orar.

    Paz e Bem!

    ROGAI POR NÓS SANTA MÃE DE DEUS

    Terça-feira, dia 07 de Outubro de 2008

    Nossa Senhora do Rosário

    Carta aos Gálatas 1,13-24.

    Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso perseguia a Igreja de Deus e procurava devastá-la; e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão zeloso eu era das tradições dos meus pais.

    Mas, quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma, nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.

    A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias. Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir. Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia.

    Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na Judeia. Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia agora, como Evangelho, a fé que então devastava.»
    E, por causa de mim, glorificavam a Deus.

    Salmo (Lucas 1,46s.)

    O poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

    — A minh’alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador.Pois ele viu a pequenez de sua serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome!

    — Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos.O poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.

    — Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.

    Evangelho segundo S. Lucas 10,38-42.

    Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra.

    Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»

    O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»

    Da Bíblia Sagrada

    Mestre Eckhart (c. 1260-1327), teólogo dominicano
    Sermões

    «Maria escutava a sua palavra»

    Maria devia primeiro ter sido uma Marta, antes de se tornar realmente uma Maria. É que, quando estava sentada aos pés de Nosso Senhor, ainda não o era: era-o no nome, mas não na sua realização espiritual.

    Algumas pessoas levam as coisas tão longe, que querem libertar-se de todas as obras. Eu digo que isso não está bem! Só depois do tempo em que receberam o Espírito Santo, é que os discípulos começaram a criar alguma coisa de sólido.

    Maria também, enquanto estava sentada aos pés de Nosso Senhor, ainda  estava a aprender; apenas acabara de entrar para a escola; aprendia a viver. Mas, depois, quando Cristo subiu ao céu e ela recebeu o Espírito Santo, então sim, começou a servir. Atravessou o mar, pregou e ensinou e tornou-se numa colaboradora dos apóstolos.

    Desde o primeiro instante em que Deus se tornou homem e homem de Deus, também Cristo começou a trabalhar com vista à nossa beatitude, e isso até ao fim, quando morreu pela cruz. Não há um membro do seu corpo que não participe nesta grande obra.

    Paz e Bem!

    Nossa Senhora do Rosário
    7 de Outubro

    NSRosario Nesta festa, instituída pelo Papa Pio V, 1571, glorificamos a Senhora do Rosário e reconhecemos sua proteção que concede à Igreja pela recitação vocal e mental do Rosário.

    A celebração de hoje, convida-nos à meditação dos Mistérios de Cristo, os quais nos guiam à Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus.

    A origem do Rosário é muito antiga, pois conta-se que os anacoretas orientais usavam pedrinhas para contar o número das orações vocais, dessa forma, nos conventos medievais os irmãos leigos, dispensados da recitação do Saltério, pela pouca familiaridade com o latim, completavam as suas práticas de piedade com a recitação de Pai-Nossos, e para a contagem o Doutor da Igreja, São Beda, o Venerável (séc. VII-VIII), havia sugerido a adoção de vários grãos enfiados num barbante.

    Na história também encontramos Maria que apareceu a São Domingos e indicou-lhe o Rosário como potente arma para a conversão. "Quero que saiba que, a principal peça de combate tem sido sempre o saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do novo testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu saltério".

    Essa devoção, propagada principalmente pelos filhos de São Domingos, recebe da Igreja a melhor aprovação e foi enriquecida por muitas indulgências. Essa grinalda de 200 rosas - por isso Rosário - é rezado praticamente em todas as línguas, e o saudoso João Paulo II e tantos outros Papas que o precederam recomendaram esta singela e poderosa oração, com a qual, por intercessão da Virgem Maria, alcançamos muitas graças de Jesus, como nos ensina a própria Nossa Senhora em todas as suas aparições.

    Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

    A FARSA DO SUPOSTO “PAPA DE HITLER”

    Todos os que viveram sob o pontificado de Eugênio Pacelli (Pio XII) – cujo processo de beatificação está bastante adiantado – sabem que ele, chamado Pastor Angélico, foi um gigante moral, um místico e um santo, que guiou a Igreja com mão segura e prudente, nos terríveis momentos da II Guerra Mundial. Respeitado por todo mundo, teve a seu crédito a salvação de milhares de judeus, para o que mobilizou a diplomacia vaticana e abriu conventos, mosteiros e igrejas como esconderijos para protegê-los. Isso mereceu muitas expressões de gratidão judaica e provocou a conversão do Grão-Rabino de Roma, que, em homenagem ao Papa, adotou no batismo o nome Eugenio Zolli.

    Inexplicavelmente e absurdamente, a partir de 1963, com a peça O Vigário, de Rolf Hochhuth, começou uma campanha de calúnias contra Pio XII, acusado de anti-semitismo e de ser “o Papa de Hitler”. Não adiantam os desmentidos – volta e meia recomeçam as calúnias, cuja central parece trabalhar na França e nos Estados Unidos.

    Mas, finalmente, ficamos sabendo da origem de tudo isso: o ex-chefe de espionagem romena, Íon Mihail Pacepa publicou suas Memórias (na Review on Line) nas quais declara que essa onda de calúnias, que culminou no livro do John Cornwell, O Papa de Hitler (1999), foi organisada pela KGB (polícia e serviço secreto da União Soviética) a mando de Nikita Kruschev, a partir de 1960. Pacepa foi um dos agentes executores da ordem; ele confessa que, de sua parte, entre os anos de 1960 e 1962, “enviou a Moscou centenas de documentos sobre Pio XII.

    Na forma original, os papéis nada continham que pudessem incriminar o Papa. Maquiados, modificados pela KGB, os documentos fizeram dele um virtual colaborador de Hitler e cúmplice, ao menos passivo do holocausto. Foi nesses documentos forjados que Hochhuth se baseou para escrever sua peça, a qual acabou por se tornar o maior sucesso de escândalo da história do teatro mundial. O dramaturgo talvez fosse apenas um idiota útil, mas Erwin Piscator, diretor do espetáculo e, aliás, prefaciador da edição brasileira (Grijalbo, 1965) era um comunista histórico com excelentes relações no Kremlin e na KGB. Muito provavelmente sabia da falsificação” (Olavo de Carvalho, Jornal do Brasil, 1º de fevereiro de 2007).

    Quanto ao livro de John Cornwell, quem o refutou foi exatamente um rabino: David G. Dalin, no livro O Mito do Papa de Hitler – ainda não traduzido no Brasil.
    O lamentável é que a imprensa brasileira, como a mundial, depois do estardalhaço que fez com as obras infundadas, mentirosas, caluniosas contra o Papa, cala-se e nada divulga quando a farsa é revelada...

    Do mesmo jeito foi com Bento XVI quando algum ignorante da mídia brasileira traduziu piagas do italiano como praga, quando na verdade a tradução é chaga para referir-se aos casais que se separam e em segunda união. Chaga no sentido que fere e faz sofrer e exige atenção e cuidados especiais. Também quando foi esclarecido a tradução exata e o sentido da palavra, ninguém da mídia se retratou.
    Vivemos sob a ditadura das desinformações e deturpações.

    “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. Mt 5,11-12

    FONTE: Postado por: Monsenhor Jaelson

    http://www.clickpb.com.br/blogger.php?id=18&artigo=20070831113842

    A VINHA DO SENHOR

    Domingo, dia 05 de Outubro de 2008

    S. Benedito, o Negro, confessor, +1589

    Livro de Isaías 5,1-7.

    Vou cantar em nome do meu amigo o cântico do seu amor pela sua vinha: Sobre uma fértil colina, o meu amigo possuía uma vinha. Cavou-a, tirou-lhe as pedras, e plantou-a de bacelo escolhido. Edificou-lhe uma torre de vigia, e nela construiu um lagar. Depois esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços.

    «Agora, pois, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes, por favor, entre mim e a minha vinha. Que mais poderia Eu fazer pela minha vinha, que não tenha feito? Porque é que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços? Agora, pois, mostrar-vos-ei o que hei-de fazer à minha vinha: destruirei a vedação para que sirva de pasto, e derrubar-lhe-ei a sebe para que seja pisada.

    Deixá-la-ei deserta, não será podada nem cavada; crescerão nela os espinhos e os abrolhos; mandarei às nuvens que não derramem chuva sobre ela.» A vinha do SENHOR do universo é a casa de Israel; os homens de Judá são a sua cepa predilecta. Esperou deles a justiça, e eis que só há injustiça; esperou a rectidão e eis que só há lamentações.

    Livro de Salmos 80,9.12.13-14.15-16.19-20.

    — A vinha do Senhor é a casa de Israel.

    — Arrancastes do Egito esta videira,/ e expulsastes as nações para plantá-la;/ até o mar se estenderam seus sarmentos,/ até o rio os seus rebentos se espalharam.

    — Por que razão vós destruístes sua cerca,/ para que todos os passantes a vindimem,/ o javali da mata virgem a devaste,/ e os animais do descampado nela pastem?

    — Voltai-vos para nós, Deus do universo!/ Olhai dos altos céus e observai./ Visitai a vossa vinha e protegei-a!Foi a vossa mão direita que a plantou;/ protegei-a, e ao rebento que firmastes!

    — E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!/ Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!/ Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo,/ e sobre nós iluminai a vossa face!/ Se voltardes para nós, seremos salvos!

    Carta aos Filipenses 4,6-9.

    Por nada vos deixeis inquietar; pelo contrário: em tudo, pela oração e pela prece, apresentai os vossos pedidos a Deus em acções de graças.
    Então, a paz de Deus, que ultrapassa toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

    De resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, tende isso em mente. E o que aprendestes e recebestes, ouvistes de mim e vistes em mim, ponde isso em prática. Então, o Deus da paz estará convosco.

    Evangelho segundo S. Mateus 21,33-43.

    «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.

    Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma. Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o meu filho.’ Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.’ E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.

    Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
    Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.»

    Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos? Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.

    Da Bíblia Sagrada

    São Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia, na Capadócia, doutor da Igreja
    Homilia 5 sobre o Hexâmeron, 6

    Dar fruto

    O Senhor está permanentemente a comparar a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5, 1), «Plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt, 21, 33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a Sua vinha, foi a ela que cercou, como se fosse uma sebe, com a segurança que proporcionam os Seus mandamentos e a protecção dos Seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33, 8).

    Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1 Cor 12, 28). Por outro lado, através dos exemplos dos homens santos de outrora, eleva-nos os pensamentos, não os deixando cair por terra, aonde mereciam ser pisados. Deseja que os abraços da caridade, quais sarmentos de uma vinha, nos liguem ao nosso próximo e nos levem a repousar Nele. Assim, mantendo permanentemente o impulso em direcção aos céus, elevar-nos-emos como vinhas trepadeiras, até aos mais altos cumes.

    O Senhor pede-nos também que consintamos em ser podados. Ora, uma alma é podada quando afasta para longe de si os cuidados do mundo, que são um fardo para o nosso coração. Assim, aquele que afasta de si mesmo o amor carnal e a ligação às riquezas, ou que tem por detestável e desprezível a paixão pela miserável vanglória, foi, por assim dizer, podado, e voltou a respirar, liberto do fardo inútil das preocupações deste mundo.

    Mas – e mantendo ainda a linha da parábola – não podemos produzir apenas lenha, ou seja, viver com ostentação, ou procurar os louvores dos de fora. Temos de dar fruto, reservando as nossas obras para as mostrarmos ao verdadeiro agricultor (Jo 15, 1).

    Paz e Bem!

    SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR...

    Quinta-feira, dia 02 de Outubro de 2008

    Santos Anjos da Guarda

    Livro de Êxodo 23,20-23.

    Eis que Eu envio um anjo diante de ti, para te guardar no caminho e para te fazer entrar no lugar que Eu preparei. Mantém-te atento na sua presença e escuta a sua voz. Não lhe causes amargura, porque ele não suportará a vossa transgressão, porque está nele a minha autoridade.

    Mas se escutares a sua voz e se fizeres tudo o que Eu falar, Eu serei inimigo dos teus inimigos e serei adversário dos teus adversários, pois o meu anjo caminhará diante de ti e te fará entrar na terra do amorreu, do hitita, do perizeu, do cananeu, do heveu e do jebuseu, e Eu exterminá-lo-ei.

    Livro de Salmos 91(90),1-2.3-4.5-6.10-11.

    — O Senhor deu uma ordem aos seus Anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

    — Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: "Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente".

    — Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te.

    — Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia.

    — Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; pois o Senhor deu uma ordem a seus Anjos para em todos os caminhos te guardarem.

    Evangelho segundo S. Mateus 18,1-5.10.

    Naquele momento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: «Quem é o maior no Reino do Céu?» Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: «Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céu.

    Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe.» «Livrai-vos de desprezar um só destes pequeninos, pois digo-vos que os seus anjos, no Céu, vêem constantemente a face de meu Pai que está no Céu.

    Da Bíblia Sagrada

    São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
    12º sermão sobre o Salmo 90

    «Eis que Eu envio um anjo diante de ti, para te guardar no caminho e para te fazer entrar no lugar que Eu preparei» (Ex 23,20)

    «Ele deu ordens aos seus anjos, para que te guardem em todos os teus caminhos» (Sl 90,11). Que respeito estas palavras não suscitarão em ti, o fervor que farão nascer, a confiança que te inspirarão! Respeito, pela sua presença; fervor, pela sua benevolência; confiança, pela sua vigilância [...] Eles aí estão, portanto, a teu lado, e não estão contigo apenas, estão aí verdadeiramente por causa de ti e para ti. Estão presentes para te proteger, para te socorrer.

    Como retribuirás tu ao Senhor tudo o que Ele te deu? (Sl 115,3). É a Ele e só a Ele que devemos gloriar e honrar por este auxílio; foi Ele quem lhes deu ordens para estarem ao nosso auxílio. «Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto» (Tg 1,17), vêm d'Ele. Mas não podemos contudo deixar de estar reconhecidos aos anjos, tendo em conta a grande caridade com que obedecem, e a extrema necessidade que temos da sua ajuda.

    Tenhamos portanto o maior respeito e reconhecimento por tal vigilância da sua parte; pelo nosso lado, amemo-los e honremo-los o quanto pudermos e devermos [...] Amemos em Deus os seus Anjos, com a consciência de que serão um dia nossos co-herdeiros, com a consciência de que até lá o Pai dispõe e ordena que eles sejam guias e educadores para nós. Porque «agora já somos filhos de Deus» ainda que tal não o pareça ainda claramente (1 Jo 3,2), porque somos ainda filhos submetidos a intendentes e a educadores, parecendo ainda em nada nos distinguir de servos.

    No entanto, por mais pequenos que sejamos, por mais longa que seja a estrada ainda a percorrer, que teríamos a temer sob tão boa guarda? [...] Os anjos são fiéis, sábios, fortes; que teríamos a temer? Sigamo-los somente, liguemo-nos a eles, pois estaremos na protecção do Deus do céu.

    Paz e Bem!

    Santos Anjos da Guarda  - 02 de Outubro

    Santos anjosNeste dia em que fazemos Memória do nosso protetor, a Igreja termina assim o hino e oração da manhã: "Salvai por vosso filho a nós, no amor; ungidos sejamos pelos anjos; por Deus trino, protegidos!"

    A palavra anjo significa, "enviado, mensageiro divino", muitas vezes encontramos as manifestações dos anjos como missionários de Deus, e por isso, com clareza lemos no salmo 91: "Pois Ele encarregará  seus anjos de guardar-te em todos os teus caminhos".

    Quando nos deparamos com a anunciação e outros Mistérios da vida de Jesus, conseguimos perceber que este salmo profetiza a presença dos anjos na vida do Senhor. Ora, Cristo é o primogênito de todas as criaturas, nosso irmão e modelo, se, portanto, sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegida por anjos, logo quanto mais devemos ser nós, seus membros tão frágeis. Tanto o Pai quer isto que revelou a Jesus : "Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos, se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus".(Mt 18,10)

    Nos Atos dos Apóstolos e nos escritos de São Bernardo, Santo Tomás de Aquino e outros Doutores da Igreja, encontramos testemunhos que nos motivam a confiarmos nos Santos Anjos protetores de cada um, pois atesta a Sagrada Escritura: "Não são todos (os anjos) eles espíritos cumpridores de funções e enviados a serviço, em proveito daqueles que devem receber a salvação como herança? " (Hb 1,14).

    Na Inglaterra desde o ano 800 acontecia uma festa dedicada aos Anjos da Guarda e a partir do ano 1111 surgiu uma linda oração que apresentaremos a seguir, mas é importante lembrarmos também, que da Iglaterra esta festa se estendeu de maneira universal depois do ano 1608 por iniciativa do Sumo Pontífice da época. Aprendamos e rezemos esta quase milenar prece:

    "Anjo do Senhor - que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião - guardai-me neste dia (tarde ou noite) iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém."

    Santos Anjos da Guarda...rogai por nós!

    NO CORAÇÃO DA IGREJA, MINHA MÃE, SEREI O AMOR!

    Quarta-feira, dia 01 de Outubro de 2008

    Santa Teresa do Menino Jesus, virgem, doutora da Igreja (+ Lisieux, França, 1897)

    Livro de Job 9,1-12.14-16.

    Job respondeu, dizendo: «Na verdade, eu sei que é assim: Como poderia o homem justificar-se diante de Deus? Se quisesse discutir com Ele, não lhe responderia uma vez entre mil. Quem é sábio de coração, forte e poderoso para lhe poder resistir impunemente? Ele desloca os montes, sem se dar por isso, e desmorona-os na sua cólera. Ele sacode a terra do seu lugar, e abala-lhe as colunas.

    Ordena ao sol e o sol não nasce, e guarda as estrelas fechadas com o selo. Ele sozinho formou a extensão dos céus e caminha sobre as ondas do mar. Ele criou a Ursa Maior, o Orion, as Plêiades e os segredos do céu austral. Ele fez grandes e insondáveis maravilhas, prodígios incalculáveis. Passa diante de mim e eu não o vejo, afasta-se de mim e não me apercebo.

    Se apanha uma presa, quem lha arrebatará? Quem lhe poderá dizer: ‘Porque fazes isso?’ Quem sou eu para lhe replicar e rebuscar argumentos contra Ele? Ainda que tivesse razão não lhe responderia; imploraria misericórdia para a minha causa. Se o chamasse e Ele me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido a minha voz.

    Livro de Salmos 88(87),10-11.12-13.14-15.

    — Chegue a minha oração até a vossa presença!

    — Clamo a vós, ó Senhor sem cessar, todo o dia, minhas mãos para vós se levantam em prece. Para os mortos, acaso, faríeis milagres? Poderiam as sombras erguer-se e louvar-vos?

    — No sepulcro haverá quem vos cante o amor e proclame entre os mortos a vossa verdade? Vossas obras serão conhecidas nas trevas, vossa graça, no reino onde tudo se esquece?

    — Quanto a mim, ó Senhor, clamo a vós na aflição, minha prece se eleva até vós desde a aurora. Por que vós, ó Senhor, rejeitais a minh’alma? E por que escondeis vossa face de mim?

    Evangelho segundo S. Lucas 9,57-62.

    Enquanto iam a caminho, disse-lhe alguém: «Hei-de seguir-te para onde quer que fores.» Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» E disse a outro: «Segue-me.» Mas ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.»

    Jesus disse-lhe: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus.» Disse-lhe ainda outro: «Eu vou seguir-te, Senhor, mas primeiro permite que me despeça da minha família.» Jesus respondeu-lhe: «Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não está apto para o Reino de Deus.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Leão Magno ( ? – c.461), papa e doutor da Igreja
    Sermão 71, para a ressurreição do Senhor; PL 54, 388

    «Quem olha para trás, [...] não está apto para o Reino do Senhor»

    Meus caros, Paulo, o apóstolo dos pagãos, não contradiz a nossa fé quando diz: «Ainda que tenhamos conhecido a Cristo à maneira humana, agora já não o conhecemos assim» (2 Co 5,16). A ressurreição do Senhor não pôs um termo à sua carne; transformou-a. O aumento da sua força não destruiu a sua substância; a qualidade mudou; a natureza não foi aniquilada. Crucificaram aquele corpo, ferrando-o a pregos: tornou-se inacessível ao sofrimento.

    Deram-lhe a morte: tornou-se imortal. Assassinaram-no: tornou-se incorruptível. E bem podemos dizer que a carne humana de Cristo não é, com efeito, a que tínhamos conhecido; porque nela deixou de haver vestígio de sofrimento ou de fraqueza. Continua a mesma na sua essência, mas já não é a mesma quanto à glória. Porque nos surpreendemos então que S. Paulo assim se exprima a propósito do corpo de Jesus Cristo, quando diz, ao falar de todos os cristãos que vivem segundo o espírito: «de agora em diante, não conhecemos ninguém à maneira humana».

    Ele quer desta maneira dizer que a nossa ressurreição começou em Jesus Cristo. N' Ele, que morreu por nós, toda a esperança tomou corpo. Deixou de haver em nós dúvida, hesitação, espera desiludida: as promessas começaram a cumprir-se e conseguimos já ver, com os olhos da fé, a graça com que amanhã seremos cumulados. A nossa natureza elevou-se; então, na alegria, já possuímos o objecto da nossa fé [...].
    Que o povo de Deus tome consciência de que se «está em Cristo, é uma nova criação» (2 Co 5,17).

    Que compreenda bem Quem o escolheu, e a Quem ele próprio escolheu. Que o ser renovado não volte à instabilidade do seu antigo estado. Que «depois de deitar a mão ao arado» não pare de trabalhar, que cuide do grão que semeou, que não se volte para trás, para o que abandonou [...] È esta a via da salvação; é esta a maneira de imitar a ressurreição que começou com Cristo.

    Paz e Bem!

    Santa Teresinha do Menino Jesus

    "Não quero ser Santa pela metade, escolho tudo".

    SantaTeresinha Francesinha, que nasceu em Aliçon 1873, e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, mas sabia que o seu coração - e o de todos nós - foi feito para amar. Teresinha entrou com 15 anos, no Mosteiro das Carmelitas em Lisieux, com a autorização do Papa Leão XIII e sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.

    Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, ofereciam a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, esteve como criança para o pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.

    O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária "desde a criação do mundo, até a consumação dos séculos". Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia "História de uma alma" e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.

    Proclamada principal padroeira das missões em 1927, padroeira secundária da França em 1944 e Doutora da Igreja, Santa Teresinha nos ensina o caminho da santidade pela humildade e sofrimentos. A primeira palavra que esta santa do Amor leu sozinha, bem expressa sua busca, pois leu: "céus"; já as últimas palavras proclamadas com apenas 24 anos, testemunharam o seu segredo para se chegar na glória, disse: "Não me arrependo de haver me dedicado a amar a Deus"

    Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!