Joshuavida's profileJESUS EU CONFIO EM VÓSPhotosBlogListsMore Tools Help

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    O NOSSO DESTINO É A GLÓRIA DE DEUS

    “O Reino de Deus está no meio de vós”, disse Jesus. Quando olhamos para nós mesmos, vemos essa verdade, anunciada pelo Senhor, presente em nossa composição; porque somos um misto de corpo e alma, ou seja, acidentes e substância; matéria e espírito. Em outras palavras, somos um composto de visibilidade e invisibilidade; temporalidade e eternidade.

    Ora, e o que isso nos revela? Na verdade revela nosso desejo de perenidade, seja na vida, no amor, na felicidade, etc. E por que não obtemos essa perenidade desde já? Porque a buscamos nas criaturas, quando na verdade só a encontramos no Criador. Além do que, em seu desígnio de amor, Deus não nos criou para o pecado, mas para a santidade, porque Deus é Santo e só cria para a santidade; contrariar esse princípio divino e perder o verdadeiro sentido da vida.

    Logo, nossa vida é um "caminhar" constante para Deus porque é com Ele que viveremos para sempre, pois, Deus em sua Sabedoria, nos dá encontrá-LO ainda aqui, por meio do Seu Filho Jesus, para que não nos percamos nesse percurso temporal que ainda nos resta, até que cheguemos à plenitude que Ele preparou para nós desde toda eternidade, Nele mesmo.

    Destarte, o nosso destino é a glória de Deus, pois para lá é que o Senhor Jesus veio nos buscar, completando, com seu sacrifício de amor, a obra que o Pai começara. Isso Ele nos garantiu: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. (Jo 14,1-3).

    O que é preciso ainda para que venha a Plenitude do Reino? A carta aos Hebreus nos responde a essa pergunta: “De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que Ele prometeu. Porque ainda bem pouco tempo, e aquele que há de vir virá e não tardará”. (Heb 10,36-37). Desse modo pedimos: vem Senhor Jesus, vem!

    Paz e Bem!

    A FELICIDADE

    A felicidade é uma dádiva do amor de Deus para nós, pois, foi para sermos felizes que o Senhor nos criou. De fato, ser feliz é um dom de Deus e o mais sublime, porque por meio desse dom alcançamos aquilo que Deus É e quer nos dar para sempre.

    Ninguém é feliz e satisfeito cem por cento com o que tem; nem com o que pode ou sente em si e das criaturas, porque somos limitados; nada do que vemos ou temos, nos basta; nosso maior desejo é o desejo de Deus.

    Por maior que seja a fortuna; por maior que seja o prazer ou a fama; nada disso nos completa ou realiza totalmente; porque diante de uma doença incurável ou mesmo da "morte", tudo se esvai; de nada adianta o que se acumulou de bens materiais ou status social, nesse instante.

    Então, onde reside a nossa esperança de Felicidade Eterna? Unicamente em Deus, nossa Fonte de Alegria permanente, nosso Oasis de paz. “Pois, só em Deus a nossa alma tem repouso, porque Dele é que nos vem a salvação. Ele é meu rochedo, meu abrigo onde encontro segurança”.

    Paz e Bem!

    CRISTO ALIMENTA-NOS COM A PALAVRA E O PÃO

    Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV (trad. Ravinaud/Driot, Médiaspaul 1984, p. 237)
    Livro IV, capítulo 11, 3-5

    Tu me és testemunha, ó Deus, de que nenhuma coisa me pode consolar, nenhuma criatura dar repouso, senão Tu, meu Deus, a Quem desejo contemplar eternamente. Mas tal não é possível enquanto eu viver neste estado mortal. [...] Até lá, terei os livros sagrados por consolação e espelho de vida, e sobre tudo isto o Teu santíssimo Corpo por único remédio e refúgio.

    E, na verdade, sinto que duas coisas me são sobretudo necessárias neste mundo, sem as quais esta vida miserável se me tornaria impossível. Prisioneiro no cárcere deste corpo, confesso faltarem-me duas coisas: alimento e luz. E assim me deste, a mim, fraco, o Teu sagrado Corpo, para refeição do espírito e do corpo e «a Tua palavra é qual farol para os meus passos e uma luz para meus caminhos» (Sl 118, 105). Sem estas duas coisas, não poderia viver bem: a Palavra de Deus, luz da minha alma, e o Teu sacramento, Pão da Vida.

    Ambos se podem comparar também a duas mesas, postas dum e doutro lado do tesouro da Santa Igreja. Uma das mesas é a do altar sagrado, que tem o Pão santo, ou seja, o precioso Corpo de Cristo; a outra é a da Lei divina, que contém a doutrina santa, instruindo na verdadeira fé e conduzindo com firmeza para além do último véu, onde está o Santo dos Santos. [...]

    Graças a Ti, Criador e Redentor dos homens, que, para mostrares a todo o mundo a Tua caridade, preparaste a grande ceia, na qual ofereceste para comer, não o cordeiro simbólico, mas o Teu santíssimo Corpo e Sangue, e alegras todos os fiéis com o sagrado banquete, inebriando-os com o cálice da salvação, onde se encontram todas as delícias do paraíso.

     

    Paz e Bem!

    "CHAMOU OS QUE ELE QUERIA"

    Sexta-feira, dia 23 de Janeiro de 2009
    Constituição Dogmática sobre a Igreja, «Lumen Gentium», §§ 18-20

    Santo Ildefonso, bispo, +667

    Carta aos Hebreus 8,6-13.

    Mas, de facto, ele obteve um ministério tanto mais elevado, quanto maior é a aliança de que é mediador, a qual foi estabelecida sobre melhores promessas. Se, na verdade, a primeira fosse perfeita, não haveria lugar para a segunda. De facto, censurando-os, diz: Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova, não como a aliança que fiz com os seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os fazer sair do Egipto; porque eles não permaneceram na minha aliança, também Eu me desinteressei deles – diz o Senhor.

    Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, depois daqueles dias. Diz o Senhor: Porei as minhas leis na sua mente e as imprimirei nos seus corações; serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Ninguém ensinará o seu próximo nem o seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor’; porque todos me conhecerão, do mais pequeno ao maior, pois perdoarei as suas iniquidades e não mais me lembrarei dos seus pecados. Ao falar de uma aliança nova, Deus declara antiquada a primeira; ora, o que se torna antiquado e envelhece está prestes a desaparecer.

    Livro de Salmos 84,8.10.11-12.13-14.

    — A verdade e o amor se encontrarão.

    — Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, concedei-nos também vossa salvação! Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra.

    — A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

    — O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

    Evangelho segundo S. Marcos 3,13-19.

    Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele. Estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios.

    Estabeleceu estes doze: Simão, ao qual pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que o entregou.

    Da Bíblia Sagrada

    Concílio Vaticano II
    Constituição Dogmática sobre a Igreja, «Lumen Gentium», §§ 18-20

    «Chamou os que Ele queria»

    Este sagrado Concílio, seguindo os passos do Concílio Vaticano I, com ele ensina e declara que Jesus Cristo, pastor eterno, edificou a Igreja enviando os apóstolos como Ele fora enviado pelo Pai (Jo 20, 21); e quis que os sucessores deles, os bispos, fossem pastores na Sua Igreja até ao fim dos tempos.

    Mas, para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou o bem-aventurado Pedro à frente dos outros apóstolos e nele instituiu o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão. [...]

    O Semhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, elegeu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregarem o Reino de Deus (Mc 3, 13-19; Mt 10, 1-42); constituiu estes apóstolos em colégio, ou grupo estável, e deu-lhes como chefe Pedro, escolhido de entre eles (Jo 21, 15-17).

    Enviou-os primeiro aos filhos de Israel e, depois, a todos os povos (Rom 1, 16), para que, participando do Seu poder, fizessem de todas as gentes discípulos Seus e as santificassem e governassem (Mt 28, 16-20; Mc 16, 15; Lc 24, 45-48; Jo 20, 21-23), e deste modo propagassem e apascentassem a Igreja, servindo-a, sob a direcção do Senhor, todos os dias até ao fim dos tempos (Mt 28, 20).

    No dia de Pentecostes, foram plenamente confirmados nesta missão (Act 2, 1-26), segundo a promessa do Senhor: «Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra» (Act 1, 8).

    E os apóstolos, pregrando por toda a parte o Evangelho (Mc 16, 20), recebidos pelos ouvintes graças à acção do Espírito Santo, reúnem a Igreja universal que o Senhor fundou sobre os apóstolos e levantou sobre o bem-aventurado Pedro, seu chefe, sendo Jesus Cristo a suma pedra angular (Apoc 21, 14; Mt 16, 18; Ef 2, 20).

    A missão divina confiada por Cristo aos apóstolos durará até ao fim dos tempos (Mt 28, 20), uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja.

    Paz e Bem!

    O VERBO DA VIDA

    Quinta-feira, dia 22 de Janeiro de 2009
    Sermões sobre a primeira carta de São João, 1,1 (trad. cf. SC 75, p. 113)

    S. Vicente, diácono e mártir, +304 ,   Beata Laura Vicunha, virgem, +1904

    Carta aos Hebreus 7,25-28.8,1-6.

    Sendo assim, Ele pode salvar de um modo definitivo, os que por meio dele se aproximam de Deus, pois Ele está vivo para sempre, a fim de interceder por eles. Tal é, com efeito, o Sumo Sacerdote que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado acima dos céus, que não tem necessidade, como os outros sacerdotes, de oferecer vítimas todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo, porque Ele o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo.

    A Lei, com efeito, constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à debilidade; mas a palavra do juramento, posterior à Lei, constitui o Filho perfeito para sempre. O ponto principal do que estamos a dizer é que temos um Sumo Sacerdote que se sentou nos céus à direita do trono da Majestade, como ministro do santuário e da verdadeira tenda, construída pelo Senhor e não pelo homem.

    Todo o Sumo Sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; daí a necessidade de também ele ter algo para oferecer. Se Cristo estivesse na terra, nem sequer seria sacerdote, pois já existem aqueles que oferecem os dons segundo a Lei. Esses prestam um culto que é uma imagem e uma sombra das realidades celestes, como foi revelado a Moisés quando estava para construir a tenda. Foi-lhe dito: Presta atenção, faz tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte.

    Mas, de facto, ele obteve um ministério tanto mais elevado, quanto maior é a aliança de que é mediador, a qual foi estabelecida sobre melhores promessas.

    Livro de Salmos 39,7-8.8-9.10.17.

    — Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!

    — Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: "Eis que venho!"

    — Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!"

    — Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!

    — Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor! Digam sempre: "É grande o Senhor!" os que buscam em vós seu auxílio.

    Evangelho segundo S. Marcos 3,7-12.

    Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia.

    E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem.

    Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus!» Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África), Doutor da Igreja
    Sermões sobre a primeira carta de São João, 1,1 (trad. cf. SC 75, p. 113)

    A Vida manifestou-se na carne

    «O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram é o Verbo da Vida.» (1Jo 1,1) Como podemos nós tocar com as nossas mãos o Verbo, se não porque: «o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco» (Jo 1,14)?

    Este Verbo, que se fez carne para ser tocado pelas nossas mãos, começou por se fazer carne no ventre da Virgem Maria. Mas não foi nessa altura que Ele começou a ser o Verbo, porque já o era «desde o princípio», diz São João. [...]

    Talvez alguns entendam «Verbo da Vida» como uma expressão vaga para designar Cristo, e não rigorosamente o próprio corpo de Cristo, que as mãos tocaram. Mas vede a continuação: «de facto, a Vida manifestou-se» (1Jo 1,2). Cristo é, pois, o Verbo da Vida.

    E como se manifestou essa Vida? Ela existia desde o princípio, mas ainda não se tinha manifestado aos homens: mas apenas aos anjos, que a viam e que dela se alimentavam como se fosse o seu pão. É o que diz a Escritura: «Comeram todos o pão dos fortes» (Sl 77, 25).

    Portanto, a Vida manifestou-se, a si mesma, na carne; foi colocada em plena evidência para que uma realidade anteriormente apenas aparente ao coração se torne igualmente visível aos olhos, a fim de curar os corações.

    Porque apenas este vê o Verbo; a carne e os olhos do corpo não o vêem. Nós éramos capazes de ver a carne, mas incapazes de ver o Verbo. O Verbo fez-se carne, que nós podíamos ver, para curar em nós aquilo que devia ver o Verbo.

    Paz e Bem!

    "LEVANTA-TE E VEM PARA O MEIO"

    Quarta-feira, dia 21 de Janeiro de 2009
    Homilia pascal, 71-73 (trad. SC 123, p. 99 rev.)

    Santa Inês, virgem mártir, +304

    Carta aos Hebreus 7,1-3.15-17.

    Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao encontro de Abraão quando ele voltava da derrota infligida aos reis e abençoou-o; Abraão concedeu-lhe o dízimo de todas as coisas; o seu nome significa, em primeiro lugar, rei de justiça, e depois, «rei de Salém», que quer dizer «rei de paz».

    Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, assemelha-se ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre.

    E isto é ainda mais evidente, quando aparece outro sacerdote à semelhança de Melquisedec, instituído, não segundo o mandamento de uma lei humana, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.

    Na verdade, dele se testemunha: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.

    Livro de Salmos 109,1.2.3.4.

    — Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!

    — Palavra do Senhor ao meu Senhor: "Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!"

    — O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: "Domina com vigor teus inimigos; tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!"

    Jurou o Senhor e manterá sua palavra: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!"

    Evangelho segundo S. Marcos 3,1-6.

    Novamente entrou na sinagoga. E estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada. Ora eles observavam-no, para ver se iria curá-lo ao sábado, a fim de o poderem acusar.

    Jesus disse ao homem da mão paralisada: «Levanta-te e vem para o meio.»

    E a eles perguntou: «É permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou matá-la?» Eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Estendeu-a, e a mão ficou curada.

    Assim que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus.

    Da Bíblia Sagrada

    Melito de Sardes (?–c.195), Bispo
    Homilia pascal, 71-73 (trad. SC 123, p. 99 rev.)

    «Olhando-os [...] magoado com a dureza dos seus corações»

    Ele é o cordeiro sem voz, o cordeiro degolado, Ele, que nasceu de Maria, a graciosa ovelhinha. Ele é Aquele que foi tirado de seu rebanho para ser levado à morte, que foi morto ao cair da noite, que foi de noite amortalhado [...], para ressuscitar de entre os mortos e para fazer ressuscitar cada homem do fundo do seu túmulo.

    Foi portanto levado à morte. E levado à morte onde? No coração de Jerusalém. Por quê? Porque tinha curado os coxos, tinha purificado os leprosos, tinha dado a ver a luz aos cegos, e tinha ressuscitado os seus mortos (Lc 7,22). Eis por que Ele sofreu. Está escrito na Lei e nos profetas: «Os que me pagam o bem com o mal perseguem-me, porque procuro fazer o bem. E eu, como manso cordeiro conduzido ao matadouro, ignorava as maquinações contra mim.» (Sl 37,21; cf. Jer 11, 19)

    Porque cometeste este crime inominável? Desonraste Aquele que te tinha honrado, humilhaste Aquele que te tinha exaltado, renegaste Aquele que te tinha reconhecido, rejeitaste Aquele que te tinha chamado, mataste Aquele que te vivificava [...]. Era preciso que Ele sofresse, mas não por tua intervenção. Era preciso que Ele fosse humilhado, mas sem que fosses tu a fazê-lo.

    Era preciso que Ele fosse julgado, mas não por ti. Era preciso que Ele fosse crucificado, mas não por tuas mãos. Eis as palavras que deverias ter gritado a Deus: «Senhor, se é preciso que Teu Filho sofra, se é essa a Tua vontade, que Ele sofra, então, mas não por minha intervenção».

    Paz e Bem!

    "O FILHO DO HOMEM É SENHOR TAMBÉM DO SÁBADO"

    Terça-feira, dia 20 de Janeiro de 2009
    Espelho da Caridade, III, cap. 3 (trad. Bellefontaine, 1992, p. 185)

    S. Sebastião, mártir, +288 ,   S. Fabião (ou Fabiano), papa e mártir, +250

    Carta aos Hebreus 6,10-20.

    De facto, Deus não é injusto, para esquecer as vossas obras e o amor que mostrastes pelo seu nome, pondo-vos ao serviço dos santos e servindo-os ainda agora. Desejamos, porém, que cada um de vós mostre o mesmo zelo para a plena realização da sua esperança até ao fim, de modo que não vos torneis preguiçosos, mas imiteis aqueles que, pela fé e pela perseverança, se tornam herdeiros das promessas.

    Quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha ninguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Na verdade, Eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência. E assim, Abraão, tendo esperado com paciência, alcançou a promessa.

    Ora, os homens juram por alguém maior do que eles, e o juramento é para eles uma garantia que põe fim a toda a controvérsia. Por isso, querendo Deus mostrar mais claramente aos herdeiros da promessa que a sua decisão era imutável, interveio com um juramento, para que, graças a duas acções imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, encontrássemos grande estímulo, nós os que procurámos refúgio nele, agarrando-nos à esperança proposta.

    Nessa esperança temos como que uma âncora segura e firme da alma, que penetra até ao interior do véu onde Jesus entrou como nosso precursor, tornando-se Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.

    Livro de Salmos 110,1-2.4-5.9-10.

    — O Senhor se lembra sempre da Aliança.

    — Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

    — O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança.

    — Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.

    Evangelho segundo S. Marcos 2,23-28.

    Ora num dia de sábado, indo Jesus através das searas, os discípulos puseram-se a colher espigas pelo caminho. Os fariseus diziam-lhe: «Repara! Porque fazem eles ao sábado o que não é permitido?»

    Ele disse: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus, ao tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da oferenda, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos que estavam com ele?»

    E disse-lhes: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»

    Da Bíblia Sagrada

    Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense
    Espelho da Caridade, III, cap. 3 (trad. Bellefontaine, 1992, p. 185)

    «O sábado foi feito para o homem»

    Quando um homem se retira do tumulto exterior para entrar no segredo do seu coração, quando fecha a porta à multidão ruidosa das vaidades e percorre os seus tesouros interiores, quando nada encontra em si mesmo que esteja agitado e desordenado, nada que o atormente e o contrarie, quando tudo nele está cheio de alegria, de harmonia, de paz e de tranquilidade; quando o pequeno mundo dos seus pensamentos, das suas palavras e das suas obras lhe sorri, como a família sorri ao pai numa casa onde reina a ordem e a paz; nessa altura, surge de repente uma segurança maravilhosa.

    Dessa segurança provém uma alegria extraordinária, dessa alegria resulta um canto de satisfação e de louvor a Deus, louvor esse tanto mais fervoroso, quanto mais claramente se compreende que tudo quanto se tem de bom é dom de Deus.

    A comemoração alegre do sábado deve ser precedida de seis dias, isto é, do completamento das obras. Começamos por transpirar praticando as boas obras, para em seguida descansarmos na paz da nossa consciência. Dessas obras boas nasce a pureza da consciência, que conduz a um justo amor de si mesmo, que nos permitirá amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22, 39).

    Paz e Bem!

    "MESTRE, ONDE MORAS?"

    Domingo, dia 18 de Janeiro de 2009
    Sermões sobre o Evangelho de São João, nº 7

    Segundo Domingo do Tempo Comum (semana II do saltério) ,   Santa Margarida da Hungria, virgem, +1270

    Livro de 1º Samuel 3,3-10.19.

    A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel repousava no templo do Senhor, onde se encontrava a Arca de Deus. O Senhor chamou Samuel. Ele respondeu: «Eis-me aqui.» Samuel correu para junto de Eli e disse-lhe: «Aqui estou, pois me chamaste.» Disse-lhe Eli: «Não te chamei, meu filho; volta a deitar-te.»

    O Senhor chamou de novo Samuel. Este levantou-se e veio dizer a Eli: «Aqui estou, pois me chamaste.» Eli respondeu: «Não te chamei, meu filho; volta a deitar-te.» Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois até então nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor.

    Pela terceira vez, o Senhor chamou Samuel, que se levantou e foi ter com Eli: «Aqui estou, pois me chamaste.» Compreendeu Eli que era o Senhor quem chamava o menino e disse a Samuel: «Vai e volta a deitar-te. Se fores chamado outra vez, responde: «Fala, Senhor; o teu servo escuta!» Voltou Samuel e deitou-se.

    Veio o Senhor, pôs-se junto dele e chamou-o, como das outras vezes: «Samuel! Samuel!» E Samuel respondeu: «Fala, Senhor; o teu servo escuta!» Samuel ia crescendo, o Senhor estava com ele e cumpria à letra todas as suas predições.

    Livro de Salmos 40,2.4.7-8.8-9.10.

    — Eu disse: "Eis que venho, Senhor!"/ Com prazer faço a vossa vontade.

    — Esperando, esperei no Senhor,/ e, inclinando-se, ouviu meu clamor./ Canto novo ele pôs em meus lábios,/ um poema em louvor ao Senhor.

    — Sacrifício e oblação não quisestes,/ mas abristes, Senhor, meus ouvidos;/ não pedistes ofertas nem vítimas,/ holocaustos por nossos pecados.

    — E então eu vos disse: “Eis que venho!”/ Sobre mim está escrito no livro: "Com prazer faço a vossa vontade,/ guardo em meu coração vossa lei!"

    — Boas-novas de vossa justiça/ anunciarei numa grande assembléia;/ vós sabeis: não fechei os meus lábios!

    1ª Carta aos Coríntios 6,13-15.17-20.

    Os alimentos são para o ventre, e o ventre para os alimentos, e Deus destruirá tanto aquele como estes. Mas o corpo não é para a impureza, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. E Deus, que ressuscitou o Senhor, há-de ressuscitar-nos também a nós, pelo seu poder.

    Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Iria eu, então, tomar os membros de Cristo para fazer deles membros de uma prostituta? Por certo que não! Mas quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito.

    Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo, mas quem se entrega à impureza, peca contra o próprio corpo.

    Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.

    Evangelho segundo S. João 1,35-42.

    No dia seguinte, João encontrava-se de novo ali com dois dos seus discípulos. Então, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» Ouvindo-o falar desta maneira, os dois discípulos seguiram Jesus.

    Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: «Que pretendeis?» Eles disseram-lhe: «Rabi que quer dizer Mestre onde moras?» Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.» Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Eram as quatro da tarde.

    André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas» que significa Pedra.

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
    Sermões sobre o Evangelho de São João, nº 7

    «Ficaram com Ele nesse dia»

    «João encontrava-se de novo ali, com dois dos seus discípulos.» João era de tal maneira «amigo do Esposo», que não procurava a sua própria glória, limitando-se a dar testemunho da verdade (Jo 3, 29.26). Ter-lhe-á ocorrido reter os seus discípulos, impedindo-os de seguir o Senhor? De maneira nenhuma. Pelo contrário, aponta-lhes Aquele a Quem devem seguir. [...] «Por que permaneceis ligados a mim?», pergunta-lhes. «Eu não sou o Cordeiro de Deus. Eis o Cordeiro de Deus [...], Aquele que tira os pecados do mundo.»

    A estas palavras, os dois discípulos que estavam com João seguiram Jesus. «Jesus voltou-Se e, notando que eles O seguiam, perguntou-lhes: "Que pretendeis?" Eles disseram-Lhe: "Rabi, que quer dizer Mestre, onde moras?"» Ainda não O seguiam de maneira definitiva; sabemos que se ligaram a Ele quando os chamou a deixarem a barca [...], quando lhes disse: «Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens» (Mt 4, 19).

    Foi a partir desse momento que se ligaram a Ele para nunca mais O deixarem. Para já, queriam ver onde Jesus morava, e pôr em prática aquela palavra da Escritura que diz: "Se vires um homem sensato, madruga para ir ter com ele, e desgastem os teus pés o limiar da sua porta. Fixa a tua atenção nos preceitos de Deus» (Ecli 6, 36-37).

    Jesus mostrou-lhes, pois, onde morava; e eles ficaram com Ele. Que dia feliz aquele! Que noite bem-aventurada! O que eles terão ouvido da boca do Senhor! Construamos, também nós, uma morada no coração, ergamos uma casa onde Cristo possa vir instruir-nos e conversar connosco.

    Paz e Bem!

    O TESTEMUNHO DE CATALINA

    A SANTA MISSA ( PARTE I )

    Pe. DANIEL GAGNON, OMI

    Comissão para a Doutrina da Fé

    Arquidiocese do México

    ABRIL 2000

    Não é minha função confirmar seu caráter sobrenatural. No entanto, recomendo-o por sua inspiração espiritual.

    Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão! Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”.(Jo 6,34-35).

    Então Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,53-54).

    “Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.” (Jo 6,55-57).

    “Quem come deste pão viverá eternamente.” (Jo 6,58).

    TESTEMUNHO DE CATALINA

    Na maravilhosa catequese com a qual o Senhor e a Virgem Maria nos têm instruído - em primeiro lugar mostrando-nos o modo de rezar o Santo Rosário, de rezar com o coração, de meditar e desfrutar os momentos de encontro com Deus e com nossa Mãe bendita; a maneira de se confessar bem - está a do conhecimento do que acontece na Santa Missa e o modo de vivê-la com o coração.

    Este é o testemunho que devo e quero dar ao mundo inteiro, para maior Glória de Deus e para a salvação de todo aquele que queira abrir seu coração ao Senhor. Para que muitas almas consagradas a Deus reavivem o fogo do amor a Cristo - as que são donas das mãos que têm o poder de trazê-Lo à terra para que seja nosso alimento, e as outras, para que percam o "costume rotineiro" de recebê-Lo e revivam o assombro do encontro cotidiano com o amor. Para que meus irmãos e irmãs leigos do mundo inteiro vivam o maior dos Milagres com o coração: a celebração da Santa Eucaristia.

    Era a vigília do dia da Anunciação e os componentes do nosso grupo tínhamos ido confessar. Algumas das senhoras do grupo de oração não conseguiram fazê-lo e deixaram sua confissão para o dia seguinte, antes da Santa Missa.

    Quando cheguei no dia seguinte à igreja um pouco atrasada, o senhor Arcebispo e os sacerdotes já estavam saindo do presbitério: Disse a Virgem com aquela voz tão suave e feminina que imediatamente enche a alma de doçura: “Hoje é um dia de aprendizagem para ti e quero que prestes muita atenção, porque do que fores testemunho hoje, tudo o que viveres neste dia, terás que dar a conhecer à humanidade”. Fiquei surpresa e sem compreender, mas procurando estar bem atenta.

    A primeira coisa que percebi é que havia um coro de vozes muito belas que cantavam como se estivessem longe, aproximando-se às vezes e logo se afastava a música como se fosse com o barulho do vento. O senhor Arcebispo começou a Santa Missa e, ao chegar a Oração Penitencial, disse a Santíssima Virgem:

    “Do fundo de teu coração, pede perdão ao Senhor por todas as tuas culpas, por tê-Lo ofendido, assim poderás participar dignamente deste privilégio que é assistir à Santa Missa.”

    Certamente que por uma fração de segundo pensei: “Mas se estou na Graça de Deus, pois acabo de me confessar à noite passada”.

    Ela replicou: “E crês que desde a noite passada não ofendeste ao Senhor? Deixa-me que te recorde algumas coisas. Quando saías para vir aqui, a moça que te ajuda se aproximou para te pedir algo e, como estavas atrasada, com pressa, não respondeste de bom modo. Isso foi uma falta de caridade de tua parte e dizes não ter ofendido a Deus?...”

    “No caminho para cá, um ônibus atravessou o teu caminho, quase se chocando contigo, e te expressaste de modo pouco conveniente contra o pobre homem, em lugar de vires fazendo tuas orações, preparando-te para a Santa Missa. Faltaste com a caridade e perdeste a paz, a paciência. E dizes não ter ferido o Senhor?” “Chegas no último minuto, quando a procissão dos celebrantes está saindo para celebrar a Missa... e vais participar dela sem uma preparação prévia...”

    -Ah, minha Mãe, não me digais mais, não me recordeis mais coisas porque morrerei de pesar e vergonha - respondi.

    “Por que tendes que chegar no último minuto? Deveríeis estar antes para poder fazer uma oração e pedir ao Senhor que envie Seu Espírito Santo, que vos dê um espírito de paz que lance para fora o espírito do mundo, as preocupações, os problemas e as distrações para serdes capazes de viver este momento tão sagrado. Mas chegais quase ao começar da celebração, e participais como se participásseis de um evento qualquer, sem nenhuma preparação espiritual. Por quê? É o maior Milagre, ides viver o momento do maior dom da parte do Altíssimo e não sabeis apreciar.”

    Era bastante. Sentia-me tão mal que tive mais do que o suficiente para pedir perdão a Deus, não somente pelas faltas desse dia, mas por todas as vezes em que, como muitíssimas outras pessoas, esperei que terminasse a homilia do sacerdote para entrar na igreja. Pelas vezes que não soube ou me neguei a compreender o que significava estar ali, pelas vezes que talvez tendo minha alma cheia de pecados mais graves, tinha me atrevido a participar da Santa Missa.

    Era dia de Festa e se devia recitar o Glória. Disse Nossa Senhora: -“Glorifica e bendiz com todo o teu amor à Santíssima Trindade em reconhecimento como Sua criatura”.

    Como foi diferente aquele Glória! Logo me vi em um lugar distante, cheio de luz ante a Presença Majestosa do Trono de Deus, e com todo amor fui agradecendo ao repetir: “...Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai Todo-Poderoso: nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos adoramos, nós Vos glorificamos, nós Vos damos graças por Vossa imensa Glória. (e evoquei o rosto paterno do Pai, cheio de bondade...) Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai...” e Jesus estava diante de mim, com esse Rosto cheio de ternura e Misericórdia: “...Só Vós sois o Santo, só Vós, o Senhor, só Vós, o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo...” o Deus do formoso Amor, Aquele que neste momento estremecia todo o meu ser...

    E pedi: “Senhor, libertai-me de todo mau espírito; meu coração Vos pertence, Senhor meu. Enviai-me Vossa paz para conseguir tirar o melhor proveito desta Eucaristia e que minha vida dê seus melhores frutos. Espírito Santo de Deus, transformai-me, agi em mim, guiai-me. Oh Deus, dai-me os dons de que necessito para Vos servir melhor...!”

    Chegou o momento da Liturgia da Palavra e a Virgem me fez repetir: “Senhor, hoje quero escutar Vossa Palavra e produzir fruto abundante, que o Vosso Santo Espírito limpe o terreno de meu coração, para que Vossa Palavra cresça e se desenvolva; purificai meu coração para que esteja bem disposta.”

    “Quero que estejas atenta às leituras e a toda a homilia do sacerdote. Recorda que a Bíblia diz que a Palavra de Deus não volta sem ter dado fruto. Se estiveres atenta, ficará algo em ti de tudo o que escutares. Deves tratar de lembrar-te o dia todo essas Palavras que deixaram marca em ti. Serão por vezes duas frases, logo será a leitura inteira do Evangelho, talvez uma só palavra; saboreia o resto do dia e isso ganhará carne em ti porque essa é a forma de transformar a vida, fazendo com que a Palavra de Deus te transforme totalmente”.

    “E agora, diz ao Senhor que estás aqui para escutar o que Ele quiser dizer hoje ao teu coração”.

    Novamente agradeci a Deus por me dar a oportunidade de ouvir Sua Palavra e Lhe pedi perdão por ter tido o coração tão duro por tantos anos, e por ter ensinado a meus filhos que deviam ir à Missa aos domingos porque assim a Igreja mandava, não por amor, por necessidade de encher-se de Deus... Eu que havia assistido a tantas Eucaristias, mais por compromisso; e com isso acreditava estar salva. Vivê-la, nem sonhar; prestar atenção às leituras e à homilia do sacerdote, muito menos.

    Quanta dor senti por tantos anos de perda inútil, por minha ignorância! Quanta superficialidade nas Missas a que assistimos porque é um casamento, uma Missa por um defunto ou porque temos que ser vistos com a sociedade! Quanta ignorância sobre nossa Igreja e sobre os Sacramentos! Quanto desperdício em querer instruir-nos e sermos cultos nas coisas do mundo, que em um momento podem desaparecer sem ficarmos com nada, e que no final da vida não nos servem nem para aumentar em um minuto a nossa existência! E no entanto, daquilo que nos vai dar um pouco do céu na terra, e portanto a vida eterna, nada sabemos. E nos consideramos homens e mulheres cultos!...

    Um momento depois chegou o Ofertório e a Santíssima Virgem disse “Reza assim: (e eu a acompanhava) «Senhor, eu Vos ofereço tudo o que sou, o que tenho, o que posso, tudo coloco em Vossas mãos. Edificai Vós, Senhor, com o pouco que sou. Pelos méritos de Vosso Filho, transformai-me, Deus Altíssimo. Peço-Vos por minha família, por meus benfeitores, por cada membro de nosso Apostolado, por todas as pessoas que nos combatem, por aqueles que se encomendam às minhas pobres orações... Ensinai-me a pôr meu coração no chão para que o caminhar deles seja menos penoso.» Assim rezavam os santos, assim desejo que façais”.

    É que assim pede Jesus, que ponhamos o coração no chão para que eles não sintam a dureza, mas que os aliviemos com a dor daquele pisão. Anos depois li um livrinho de orações de um Santo a quem muito quero: Josemaría Escrivá de Balaguer - e ali pude encontrar uma oração parecida com a que me ensinava a Virgem. Talvez esse Santo a quem me encomendo agradava à Virgem Santíssima com aquelas orações.

    Logo começaram a ficar em pé umas figuras que nunca tinha visto antes. Era como se ao lado de cada pessoa que estava na Catedral, saísse outra pessoa, e o lugar se encheu de uns personagens jovens, belos. Vestiam-se com túnicas muito brancas e foram saindo até o caminho central, dirigindo-se para o Altar. Disse nossa Mãe: “Observa, são os Anjos da Guarda de cada uma das pessoas que estão aqui. É o momento em que vosso Anjo da Guarda leva vossas oferendas e pedidos ante o Altar do Senhor.”

    Naquele momento eu estava completamente assombrada, porque esses seres tinham rostos tão formosos, tão radiantes como não se pode imaginar. Ostentavam rostos muito lindos, quase femininos, no entanto a compleição de seus corpos, suas mãos, sua estatura, era de homens. Os pés descalços não pisavam o solo, mas era como se deslizassem, escorregassem. Aquela procissão era muito bonita.

    Alguns deles tinham como uma fonte de ouro com algo que brilhava muito com uma luz branco-dourada; disse a Virgem: “São os Anjos da Guarda das pessoas que estão oferecendo esta Santa Missa por muitas intenções, aquelas pessoas que estão conscientes do que significa esta celebração, aquelas que têm algo a oferecer ao Senhor...” “Oferecei neste momento..., oferecei vossas penas, vossas dores, vossos sonhos, vossas tristezas, vossas alegrias, vossos pedidos. Lembrai-vos de que a Missa tem um valor infinito, portanto, sede generosos em oferecer e em pedir.”

    Atrás dos primeiros Anjos vinham outros que nada tinham nas mãos, levavam-nas vazias. Disse a Virgem: “São os Anjos das pessoas que, estando aqui, nunca oferecem nada, que não têm interesse em viver cada momento litúrgico da Missa e não têm oferecimentos para levar ante o Altar do Senhor.”

    Por último iam outros Anjos que estavam meio tristonhos, com as mãos unidas em oração mas com os olhos baixos. “São os Anjos da Guarda das pessoas que, estando aqui, não estão, isto é, das pessoas que vieram forçadas, que vieram por obrigação, mas sem nenhum desejo de participar da Santa Missa. E os Anjos vão tristes porque não têm o quê levar diante do Altar, salvo suas próprias orações.”

    “Não entristeçais o vosso Anjo da Guarda... Pedi muito, pedi pela conversão dos pecadores, pela paz do mundo, por vossos familiares, vossos vizinhos, por aqueles que se encomendam a vossas orações. Pedi, pedi muito, não somente por vós, mas pelos outros.” “Lembrai que o oferecimento que mais agrada ao Senhor é quando ofereceis a vós mesmos como holocausto, para que Jesus, ao descer, vos transforme por Seus próprios méritos. Que tendes a oferecer ao Pai por vós mesmos? O nada e o pecado; mas ao vos oferecer unidos aos méritos de Jesus, esse oferecimento é agradável ao Pai.”

    Aquele espetáculo, aquela procissão era tão bela, que dificilmente seria comparável a outra. Todas aquelas criaturas celestes fazendo uma reverência diante do Altar, umas deixando sua oferenda no chão, outras prostrando-se de joelhos com o rosto quase ao solo e, assim que ali chegavam, desapareciam de minha vista. CONTINUA...

    SANTA MISSA ( PARTE II )

    TESTEMUNHO DE CATALINA

    Chegou o momento final do Prefácio e quando a assembléia dizia: “Santo, Santo, Santo”, imediatamente tudo o que estava atrás dos celebrantes desapareceu. Do lado esquerdo do senhor Arcebispo para trás, em forma diagonal, apareceram milhares de Anjos, pequenos, Anjos grandes, Anjos com asas imensas, Anjos com asas pequenas, Anjos sem asas, como os anteriores; todos vestidos com umas túnicas como as alvas brancas dos sacerdotes ou dos coroinhas. Todos se ajoelhavam com as mãos unidas em oração e em reverência inclinavam a cabeça. Escutava-se uma música maravilhosa, como se fossem numerosíssimos coros com vozes diferentes e todos diziam em uníssono com o povo: Santo, Santo, Santo…

    Havia chegado o momento da Consagração, o momento do mais maravilhoso Milagre... Do lado direito do Arcebispo para trás, também em forma diagonal, uma multidão de pessoas vestia túnicas em tons pastel: rosa, verde, azul, lilás, amarelo; enfim, de diferentes cores suaves. Seus rostos também eram luminosos, cheios de alegria, pareciam ter todos a mesma idade. Podia-se ver (e não consigo dizer como) que havia pessoas de diferentes idades, mas todos se assemelhavam nos rostos, sem rugas, felizes. Todos também se ajoelhavam no canto de “Santo, Santo, Santo, é o Senhor...”

    Disse Nossa Senhora: “São todos os Santos e Bem-aventurados do céu, e entre eles também estão os vossos antepassados que já gozam da Presença de Deus”. Então eu A vi. Ali justamente à direita do senhor Arcebispo... um passo atrás do celebrante, estava um pouco suspensa acima do solo, ajoelhada sobre tecidos muito finos, transparentes mas luminosos, como água cristalina, a Santíssima Virgem, com as mãos unidas, olhando atenta e respeitosamente para o celebrante. Falava-me dali, mas silenciosamente, diretamente ao coração, sem olhar para mim.

    “Chama a tua atenção o fato de Me ver um pouco atrás do Monsenhor, não é verdade? Assim deve ser... Com todo o amor que Me tem o Meu Filho, não Me deu a dignidade que dá a um sacerdote de poder trazê-Lo em Minhas mãos diariamente, como o fazem as mãos sacerdotais. Por isso sinto tão profundo respeito por um sacerdote e por todo o milagre que Deus realiza através dele, que Me obriga a ajoelhar-Me aqui.”

    Deus meu, quanta dignidade, quanta graça derrama o Senhor sobre as almas sacerdotais e nem nós, talvez nem muitos deles estão conscientes disso!

    Diante do altar, começaram a sair umas sombras de pessoas de cor cinza que levantavam as mãos para cima. Disse a Virgem Santíssima: “São as almas benditas do Purgatório que estão à espera das vossas orações para se refrescarem. Não deixeis de rezar por elas. Pedem por vós, mas não podem pedir por elas mesmas, sois vós quem deveis pedir por elas para ajudá-las a sair para encontrarem-se com Deus e Dele gozar eternamente”.

    “Vê, aqui estou o tempo todo... As pessoas fazem peregrinações e procuram os lugares de Minhas aparições, e é bom por todas as graças que ali recebem, mas em nenhuma aparição, em nenhum lugar estou mais tempo presente do que na Santa Missa. Ao pé do Altar onde se celebra a Eucaristia, sempre ireis encontrar-Me; ao pé do Sacrário permaneço com os Anjos, porque estou sempre com Ele”.

    Ver esse rosto formoso da Mãe naquele momento do “Santo”, igual a todos eles, com o rosto resplandecente, com as mãos juntas à espera daquele milagre que se repete continuamente, era estar no próprio céu. E pensar que há gente, pessoas que ficam nesse momento distraídas, falando... Com pesar digo que há muitos homens, mais do que mulheres, que de pé cruzam os braços como se rendessem homenagem ao Senhor de pé, de igual para igual.

    Disse a Virgem: “Diz ao ser humano, que nunca um homem é mais homem do que quando dobra os joelhos diante de Deus”.

    O celebrante disse as palavras da “Consagração”. Era uma pessoa de estatura normal, mas imediatamente começou a crescer, a ficar cheio de luz, uma luz sobrenatural entre branca e dourada o envolvia e se fazia muito forte no rosto, de modo que não podia ver seus traços. Quando elevava a hóstia vi suas mãos e elas tinham umas marcas no dorso, das quais saía muita luz. Era Jesus!... Era Ele que com Seu Corpo envolvia o do celebrante como se rodeasse amorosamente as mãos do senhor Arcebispo. Nesse momento a Hóstia começou a crescer e crescer, enorme, e nela, o Rosto maravilhoso de Jesus olhando para Seu povo.

    Por instinto quis baixar a cabeça e Nossa Senhora disse: “Não baixes os olhos, levanta-os, contempla-O, cruza olhares com Ele e repete a oração de Fátima: Senhor, eu creio, adoro, espero e Vos amo, peço-Vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Perdão e Misericórdia... Agora diz a Ele o quanto O amas, rende homenagem ao Rei dos reis”.

    Como disse, parecia que a enorme Hóstia olhava somente para mim, mas soube que assim contemplava cada pessoa, cheio de amor... Logo abaixei a cabeça até ter a testa no chão, como faziam todos os Anjos e bem-aventurados do Céu. Por uma fração de segundo talvez, pensei o que era aquilo, que Jesus tomava o corpo do celebrante e ao mesmo tempo estava na Hóstia que, quando o celebrante baixava, tornava-se novamente pequena. Eu tinha as faces cheias de lágrimas, não podia sair de meu assombro.

    Imediatamente o Monsenhor disse as palavras da consagração do vinho e, junto com suas palavras, começaram uns relâmpagos no céu e ao fundo. A igreja não tinha teto nem paredes, estava tudo escuro, somente aquela luz brilhante no Altar.

    Logo vi, suspenso no ar, Jesus crucificado, da cabeça até a cintura. A haste transversal da cruz estava sustida por umas mãos grandes, fortes. Do meio daquele resplendor se desprendeu uma luzinha como de uma pomba muito pequena e muito brilhante; velozmente, deu uma volta em toda a igreja e foi pousar no ombro esquerdo do senhor Arcebispo que continuava sendo Jesus, porque eu podia distinguir Seus cabelos e Suas chagas luminosas, Seu corpo grande, mas não via Seu Rosto.

    Acima, Jesus crucificado estava com o rosto caído sobre o ombro direito. Eu podia contemplar o rosto e os braços machucados e descarnados. Do lado direito tinha uma ferida no peito e saía aos borbotões, para a esquerda sangue e à direita penso que água, mas muito brilhante; eram mais jorros de luz que se iam dirigindo para os fiéis, movendo-se à direita e à esquerda. Espantava-me a quantidade de sangue que fluía para dentro do Cálice! Pensei que iria transbordar e manchar todo o Altar, mas não caiu uma só gota!

    Nesse momento, disse a Virgem: “Este é o milagre dos milagres; já te repeti, para o Senhor não existe tempo nem distância e, no momento da consagração, toda a assembléia é transportada ao pé do Calvário no instante da crucificação de Jesus”.

    Alguém pode imaginar isso? Nossos olhos não podem ver, mas estamos todos lá, no momento em que O estão crucificando e Ele está pedindo perdão ao Pai, não somente por aqueles que O matam, mas por cada um de nossos pecados: “Pai, perdoai-os, não sabem o que fazem!”

    A partir daquele dia, não me importa se me tomam por louca, mas peço a todos que se ajoelhem, que tratem de viver com o coração e toda a sensibilidade de que são capazes, aquele privilégio que o Senhor nos concede.

    Quando íamos rezar o Pai Nosso, o Senhor falou pela primeira vez durante a celebração, e disse: “Espero, quero que rezes com a maior profundidade que sejas capaz, e que neste momento, tragas a tua memória a pessoa ou as pessoas que mais mal te hajam feito durante tua vida, para que as abraces junto a teu peito e lhes digas de todo coração: “Em Nome de Jesus eu te perdôo e te desejo a paz. Em Nome de Jesus te peço perdão e desejo minha paz.” Se essa pessoa merecer a paz, recebê-la-á e lhe fará muito bem; se essa pessoa não for capaz de se abrir para a paz, essa paz voltara ao teu coração. Mas não quero que recebas e dês a paz a outras pessoas quando não fores capaz de perdoar e sentir essa paz primeiro em teu coração.”

    “Cuidado com o que fazeis” – continuou o Senhor - “Vós repetis no Pai Nosso: perdoai-nos assim como perdoamos a quem nos têm ofendido. Se vós sois capazes de perdoar e não esquecer, como alguns dizem, estais condicionando o perdão de Deus. Estais dizendo: perdoa-me somente como eu sou capaz de perdoar, e não mais que isso.”

    Não sei como explicar minha dor, ao compreender o quanto podemos ferir ao Senhor e quanto podemos ferir a nós mesmos com tantos rancores, sentimentos maus e coisas feias que nascem dos complexos e das susceptibilidades. Perdoei, perdoei de coração e pedi perdão a todos o que me haviam machucado alguma vez, para sentir a paz do Senhor. O celebrante dizia: “...dai-nos a paz e a unidade”... e então: “a paz do Senhor esteja convosco...”

    Imediatamente vi que entre algumas pessoas que se abraçavam (não todas), aparecia uma luz muito intensa; soube que era Jesus e praticamente me atirei para abraçar a pessoa que estava ao meu lado. Pude sentir verdadeiramente o abraço do Senhor nessa luz, era Ele que me abraçava para me dar Sua paz, porque nesse momento eu havia sido capaz de perdoar e de tirar de meu coração toda dor que sentia contra outras pessoas. É isso o que Jesus quer, compartilhar esse momento de alegria abraçando-nos para desejar-nos Sua Paz. CONTINUA...

    A SANTA MISSA ( PARTE III )

    TESTEMUNHO DE CATALINA

    Chegou o momento da comunhão dos celebrantes e voltei a notar a presença de todos os sacerdotes junto ao Monsenhor. Quando ele comungava, disse a Virgem: “Este é o momento de pedir pelo celebrante e por todos os sacerdotes que o acompanham; repete Comigo: Senhor, bendizei-os, santificai-os, ajudai-os, purificai-os, amai-os, cuidai e sustentai-os com Vosso Amor... Lembrai de todos os sacerdotes do mundo, rezai por todas as almas consagradas...”

    Queridos irmãos, esse é o momento em que devemos pedir porque eles são Igreja, como também somos nós os leigos. Muitas vezes os leigos exigimos muito dos sacerdotes, mas somos incapazes de rezar por eles, de entender que são pessoas humanas, de compreender e avaliar a solidão que muitas vezes pode rodear um sacerdote. Devemos compreender que os sacerdotes são pessoas como nós e que precisam de compreensão, cuidado, que precisam de afeto, atenção de nossa parte, porque estão dando suas vidas por cada um de nós, como Jesus, consagrando-se a Ele.

    O Senhor quer que as pessoas do rebanho que Deus lhe recomendou, reze e ajude na santificação de seu Pastor. Algum dia, quando estivermos do outro lado, compreenderemos a maravilha que o Senhor fez ao nos dar sacerdotes que nos ajudem a salvar nossas almas. As pessoas começaram a sair dos bancos para ir comungar. Havia chegado o grande momento do encontro, da “Comunhão”; o Senhor me disse: “Espera um momento, quero que observes algo...” por um impulso interior levantei os olhos até a pessoa que ia receber a comunhão na língua, das mãos do sacerdote.

    Devo esclarecer que esta pessoa era uma das senhoras de nosso grupo que na noite anterior não tinha conseguido se confessar e o fez naquela manhã, antes da Santa Missa. Quando o sacerdote colocava a Sagrada Forma sobre sua língua, como um flash de luz, aquela luz muito branco-dourada atravessou essa pessoa pelas costas primeiro e foi pelos lados nas costas, nos ombros e na cabeça. Disse o Senhor: “É assim que Me comprazo em abraçar uma alma que vem com o coração limpo para Me receber”

    O tom da voz de Jesus era de uma pessoa feliz. Eu estava atônita vendo essa amiga voltar para seu assento rodeada de luz, abraçada pelo Senhor, e pensei na maravilha que perdemos tantas vezes por ir com nossas pequenas ou grandes faltas receber Jesus, quando deve ser uma festa.

    Muitas vezes dizemos que não há sacerdotes para confessar-se a todo momento, e o problema está em outro lado: o problema está em nossa facilidade para voltar a cair no mal.

    Por outro lado, assim como nos esforçamos para encontrar um salão de beleza ou os senhores um barbeiro quando temos uma festa, temos que nos esforçar também em procurar um sacerdote quando precisamos que tire todas essas coisas sujas de nós, mas não ter a desfaçatez de receber a Jesus em qualquer momento com o coração cheio de coisas feias.

    Quando me dirigia para receber a comunhão, Jesus repetia: “A última ceia foi o momento de maior intimidade com os Meus. Nessa hora do amor, instaurei o que diante dos olhos dos homens poderia ser a maior loucura: fazer-me prisioneiro do Amor. Instaurei a Eucaristia. Quis permanecer convosco até a consumação dos séculos, porque Meu Amor não podia suportar que ficassem órfãos aqueles a quem amava mais do que a Minha vida...”

    Recebi aquela Hóstia, que tinha um sabor diferente, era uma mistura de sangue e incenso que me inundou inteira. Sentia tanto amor que me corriam as lágrimas sem poder detê-las... Quando cheguei ao meu banco, ao ajoelhar-me disse o Senhor: “Escuta...” E num instante comecei a escutar dentro de mim as orações de uma senhora que estava sentada à minha frente e que acabava de comungar.

    O que ela dizia sem abrir a boca era mais ou menos assim: “Senhor, lembra-te que estamos no final do mês e que não tenho dinheiro para pagar o aluguel, a mensalidade do automóvel, a escola das crianças, tens que fazer algo para me ajudar... Por favor, faz com que meu marido deixe de beber tanto, não posso suportar mais suas bebedeiras e meu filho menor vai perder o ano outra vez se não o ajudares, ele tem provas nesta semana... E não te esqueças da vizinha que precisa se mudar de casa, que se mude de uma vez porque eu não a agüento... etc., etc. ”

    Logo o senhor Arcebispo disse: “Oremos” e obviamente toda a assembléia se pôs de pé para a oração final. Jesus disse em um tom triste: “Percebeste? Nem uma só vez Me disse que Me ama, nem uma só vez agradeceu o dom que lhe fiz de baixar Minha Divindade até sua pobre humanidade, para elevá-la até Mim. Nem uma só vez disse: obrigada, Senhor. Foi uma ladainha de pedidos... e assim são quase todos os que vêm Me receber.” “Morri por amor e estou ressuscitado. Por amor espero a cada um de vós e por amor permaneço convosco..., mas vós não percebeis que preciso de vosso amor. Lembrai que sou o Mendigo do Amor nesta hora sublime para a alma.”

    Percebeis que Ele, o Amor, está pedindo nosso amor e não o damos? E mais, evitamos ir a esse encontro com o Amor dos Amores, com o único amor que se dá em permanente oblação.

    Quando o celebrante ia dar a bênção, a Santíssima Virgem disse: “Atenção, cuidado... Vós fazeis um rabisco em lugar do sinal da Cruz. Lembra que esta bênção pode ser a última que recebes em tua vida, das mãos de um sacerdote. Tu não sabes se, saindo daqui, vais morrer ou não, e não sabes se terás a oportunidade de que outro sacerdote te dê uma bênção. Essas mãos consagradas estão te dando a bênção em Nome da Santíssima Trindade, portanto, faz o sinal da Cruz com respeito e como se fosse o último de tua vida.”

    Quantas coisas perdemos ao não compreender e não participar todos os dias da Santa Missa! Por que não fazer um esforço de começar o dia meia hora antes para correr à Santa Missa e receber todas as bênçãos que o Senhor quer derramar sobre nós? Estou consciente de que nem todos, por suas obrigações, podem fazê-lo diariamente, pelo menos duas ou três vezes por semana sim, e, no entanto tantos se esquivam da Missa do domingo com o pequeno pretexto de que têm uma criança pequena ou duas ou dez e, portanto, não podem assistir à Missa... Como fazem quanto têm outro tipo de compromissos importantes? Levam todos os filhos ou se revezam e o esposo vai uma hora e a esposa outra hora, mas cumprem o compromisso com Deus.

    Temos tempo para estudar, para trabalhar, para nos divertir, para descansar, mas NÃO TEMOS TEMPO PARA IR AO MENOS NO DOMINGO À SANTA MISSA.

    Jesus me pediu que ficasse com Ele ainda uns minutos depois de terminada a Missa. Ele disse:

    “Não saiais às pressas assim que terminada a Missa; ficai um momento em Minha Companhia, desfrutai dela e deixai-Me desfrutar da vossa...”

    Eu tinha ouvido alguém dizer, quando era criança, que o Senhor permanecia conosco até uns 5 ou 10 minutos depois da comunhão. Perguntei a Ele nesse momento: Senhor, na verdade, quanto tempo permaneces depois da comunhão conosco?

    Suponho que o Senhor deve ter rido de minha tolice, pois respondeu: “Todo o tempo que quiseres ter-Me contigo. Se me falares o dia todo, dedicando-me umas palavras durante tuas tarefas, Eu te escutarei. Eu estou sempre convosco, sois vós que Me deixais. Vós saís da Missa e acabou o dia de guarda, cumpriram a obrigação com o dia do Senhor e fim, não pensais que gostaria de compartilhar de vossa vida familiar, ao menos nesse dia.”

    “Vós tendes em vossas casas um lugar para tudo e um cômodo para cada atividade: um para dormir, outro para cozinhar, outro para comer, etc. etc. Qual é o lugar que fizestes para Mim? Deve ser um lugar não apenas onde tendes uma imagem que está empoeirada o tempo todo, mas um lugar onde ao menos 5 minutos por dia a família se reúna para agradecer pelo dia, pelo dom da vida, para pedir por suas necessidades do dia, pedir bênçãos, proteção, saúde... Tudo tem um lugar em vossas casas, menos Eu”.

    “Os homens programam seu dia, sua semana, seu semestre, suas férias, etc. Sabem que dia vão descansar, que dia ir ao cinema ou a uma festa, visitar a avó ou os netos, os filhos, os amigos, suas diversões. Quantas famílias dizem uma vez ao mês, pelo menos: “Este é o dia em que visitamos Jesus no Sacrário” e vem toda a família conversar Comigo, sentar-se diante de Mim e conversar Comigo, contar-Me como foram desde a última visita, contar-Me os problemas, as dificuldades que têm, pedir-Me o que precisam... Fazer-Me participar de suas coisas? Quantas vezes?” “Eu sei tudo, leio até o mais profundo de vossos corações e mentes, mas Me agrada que Me conteis vós mesmos vossas coisas, que Me participeis como a um familiar, como ao amigo mais íntimo. Quantas graças perde o homem por não Me dar um lugar em sua vida!”

    Quando fiquei aquele dia com Ele e em muitos outros dias, Ele nos passou vários ensinamentos e hoje quero compartilhar convosco nesta missão que me deram. Jesus disse:

    “Quis salvar Minha criatura, porque o momento de vos abrir a porta do céu foi concebido com demasiada dor...” “Lembra que nenhuma mãe alimentou a seu filho com sua carne; Eu cheguei a esse extremo de Amor para vos comunicar meus méritos.”

    “A Santa Missa sou Eu mesmo prolongando a Minha vida e Meu sacrifício na Cruz entre vós. Sem os méritos de Minha vida e de Meu sangue, que tendes para apresentar-vos diante do Pai? O nada, a miséria e o pecado...” “Vós deveríeis exceder em virtude aos Anjos e Arcanjos, porque eles não têm a dita de Me receber como alimento, e vós sim. Eles bebem uma gota do manancial, mas vós que tendes a graça de Me receber, tendes todo o oceano para beber.”

    Outra coisa que o Senhor disse com dor foi das pessoas que fazem de seu encontro com Ele um hábito. Daquelas que perderam o assombro de cada encontro com Ele. Que a rotina torna certas pessoas tão tíbias, que não têm nada novo para dizer a Jesus ao recebê-Lo. Das não poucas almas consagradas que perdem o entusiasmo de se enamorar pelo Senhor e fazem de sua vocação um ofício, uma profissão à qual não se entregam mais do que lhe é exigido, mas sem sentimento...

    Logo o Senhor me falou dos frutos que cada comunhão deve dar em nós. O que acontece é que há muita gente que recebe o Senhor diariamente e que não muda de vida. Que tem muitas horas de oração e faz muitas obras, etc. etc. Mas sua vida não se vai transformando, e uma vida que não vai se transformando não pode dar verdadeiros frutos para o Senhor. Os méritos que recebemos na Eucaristia devem dar frutos de conversão em nós e frutos de caridade para com nossos irmãos.

    Nós leigos temos um papel muito importante dentro de nossa Igreja, não temos nenhum direito de nos calar diante do envio que o Senhor nos faz, como a todo batizado, para ir anunciar a Boa Nova. Não temos nenhum direito de absorver todos estes conhecimentos e não os dar aos demais e permitir que nossos irmãos morram de fome tendo conosco tanto pão em nossas mãos.

    Não podemos ver que nossa Igreja esteja desmoronando, porque estamos cômodos em nossas Paróquias, em nossas casas, recebendo e recebendo tanto do Senhor. Sua Palavra, as homilias do sacerdote, as peregrinações, a Misericórdia de Deus no Sacramento da Confissão, a união maravilhosa com o alimento da comunhão, as palestras destes e daqueles pregadores.

    Em outras palavras, estamos recebendo tanto e não temos a coragem de sair de nossas comodidades, de ir a uma prisão, a um instituto correcional, falar ao mais necessitado, dizer-lhe que não se entregue, que nasceu católica e que sua Igreja precisa dele, ali, sofredor, porque essa sua dor vai servir para redimir a outros, porque esse sacrifício vai lhe ganhar a vida eterna.

    Não somos capazes de ir onde estão os doentes terminais nos hospitais e, rezando o terço da Divina Misericórdia, ajudá-los com nossa oração nesse momento de luta entre o bem e o mal, para livrá-los das armadilhas e tentações do demônio. Todo moribundo tem medo e só tomar a mão de um deles e falar-lhe do amor de Deus e da maravilha que o espera no Céu junto a Jesus e Maria, junto aos seus entes queridos que partiram, já os reconforta.

    O momento que estamos vivendo não admite filiações com a indiferença. Temos que ser a grande mão dos nossos sacerdotes para ir onde eles não podem chegar. Mas para isso, para ter a coragem, devemos receber Jesus, viver com Jesus, alimentarmo-nos de Jesus. Temos medo de nos comprometer um pouco mais e, quando o Senhor diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo o mais lhe será acrescentado”, é tudo, irmãos! É buscar o Reino de Deus por todos os meios e com todos os meios e... abrir as mãos para receber TUDO por acréscimo; porque é o Patrão que melhor paga, o único que está atento a tuas menores necessidades!

    Irmão, irmã, obrigada por me haveres permitido cumprir com a missão que me foi confiada: fazer chegar estas páginas até ti. Na próxima vez que assistires à Santa Missa, vive-a. Sei que o Senhor cumprirá contigo a promessa de que “Nunca mais tua Missa voltará a ser como antes”; e, quando O receberes: Ama-O!

    Experimenta a doçura de te sentir repousando entre as dobras de Seu lado aberto por ti, para deixar-te Sua Igreja e Sua Mãe, para te abrir as portas da Casa de Seu Pai, para que sejas capaz de comprovar Seu Amor Misericordioso através deste testemunho e trates de corresponder a ele com teu pequeno amor.

    Que Deus te abençoe nesta Páscoa da Ressurreição.

    Tua irmã em Jesus Cristo Vivo,

    CATALINA

    Missionária leiga do Coração Eucarístico de Jesus

    Apostolado da Nova Evangelização (A.N.E.)

    (Merida, April 2003)

    www.a-n-e.net www.Jesucristovivo.org

    Espanhol: www.a-n-e.net - www.jesucristovivo.org

    ane@a-n-e.net

    Inglês: www.apostolate.org

    Calle 1H No.104 esquina 20

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    Mérida, Yucatán, México

    Paz e Bem!

    "TU ÉS MEU FILHO MUITO AMADO"

    Domingo, dia 11 de Janeiro de 2009
    BAPTISMO DO SENHOR, festa.

    Baptismo do Senhor (semana I do saltério) ,   Sto. Higino, papa, mártir, +140

    Livro de Isaías 55,1-11.

    Atenção! Todos vós que tendes sede, vinde beber desta água. Mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai trigo para comer sem pagar nada. Levai vinho e leite, que é de graça. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta? E o vosso salário naquilo que não pode saciar-vos? Se me escutardes, havereis de comer do melhor, e saborear pratos deliciosos.

    Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança eterna, e a promessa a David será mantida. Fiz dele o meu testemunho para os povos, um chefe e um soberano das nações. Chamarás um povo que nunca conheceste; um povo que não te conhecia acorrerá a ti, por causa do SENHOR, teu Deus, e do Santo de Israel, que te glorifica.

    Buscai o SENHOR, enquanto se pode encontrar; invocai-o, enquanto está perto. Deixe o ímpio os seus caminhos, e o criminoso os seus projectos. Volte-se para o SENHOR, que terá piedade dele, para o nosso Deus, que é generoso em perdoar. Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos oráculo do SENHOR.

    Tanto quanto os céus estão acima da terra, assim os meus caminhos são mais altos que os vossos, e os meus planos, mais altos que os vossos planos. Assim como a chuva e a neve descem do céu, e não voltam mais para lá, senão depois de empapar a terra, de a fecundar e fazer germinar, para que dê semente ao semeador e pão para comer, o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão.

    Is. 12,2.4-6.

    Este é o Deus da minha salvação; estou confiante e nada temo, porque a minha força e o meu canto de vitória é o SENHOR; Ele foi a minha salvação.»

    Naquele dia cantareis: «Louvai o SENHOR, invocai o seu nome, anunciai as suas obras entre os povos; proclamai que o seu nome é excelso.

    Cantai ao SENHOR porque Ele fez maravilhas; anunciai-as em toda a terra.

    Exultai de alegria, habitantes de Sião, e proclamai como é grande no meio de ti o Santo de Israel.»

    1ª Carta de S. João 5,1-9.

    Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus; e todo aquele que ama quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado. É por isto que reconhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos; pois o amor de Deus consiste precisamente em que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são uma carga, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé.

    E quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus? Este, Jesus Cristo, é aquele que veio com água e com sangue; e não só com a água, mas com a água e com o sangue. E é o Espírito quem dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

    Pois são três os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; e os três coincidem no mesmo testemunho. Se aceitamos o testemunho dos homens, maior é o testemunho de Deus; e o testemunho de Deus está em que foi Ele a dar testemunho a respeito do seu Filho.

    Evangelho segundo S. Marcos 1,7-11.

    E pregava assim: «Depois de mim vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias.

    Eu baptizei-vos em água, mas Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo.»
    Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no Jordão.

    Quando saía da água, viu serem rasgados os céus e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba. E do céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu agrado.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Sofrónio de Jerusalém (?-639), monge, bispo
    Hino do ofício bizantino da Teofania (Oração das Igrejas de rito bizantino, t. 2, pp. 280-281)

    «Hoje o céu abriu-se, o Espírito desceu sobre Jesus e a voz do Pai domina as águas : «Tu és o meu Filho muito amado»» (versículo do Aleluia)

    Hoje nasceu o Sol sem ocaso e o mundo está iluminado com a luz do Senhor. [...] Hoje as nuvens derramam sobre a humanidade uma rosácea celeste de justiça. Hoje Aquele que não foi criado permite que Aquele que criou Lhe imponha a mão. Hoje o profeta e precursor chega antes do seu Mestre, mas fica ao seu lado, a tremer, ao ver a condescendência de Deus para connosco.

    Hoje as marés do Jordão transformam-se em fonte de salvação na presença do Senhor. [...] Hoje as ofensas dos homens são apagadas nas águas do Jordão. Hoje o paraíso abre-se diante da humanidade e o Sol da justiça brilha sobre nós (Mal 3, 20) [...] Hoje o Mestre dispõe-Se a ser baptizado para salvar o género humano. Hoje Aquele que não Se pode baixar inclina-Se diante do Seu servidor para nos livrar da escravatura. Hoje adquirimos o Reino dos céus, pois o Reino do Senhor  não terá fim.

    Hoje a terra e o céu partilham da alegria do mundo e o mundo está cheio de júbilo. «Ao verem-Vos, as águas, oh Deus, as águas tremeram» (Sl 77, 17). «O Jordão voltou para trás» (Sl 113, 3) ao ver o fogo da divindade vir até ele em corpo e descer à sua corrente. O Jordão voltou para trás ao ver o Espírito Santo descer do céu transformado em pomba e pairar sobre Ti.

    O Jordão voltou para trás ao ver o Invisível tornar-Se visível, o Criador fazer-Se carne, o Senhor tomar a aparência de um escravo. [...] As nuvens fizeram escutar a sua voz na admiração que lhes causava a vinda a nós da Luz da Luz, do Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.

    É a festa do Senhor que nós vemos hoje no Jordão. Vemo-Lo deitar ao Jordão a morte que nos valeu a desobediência, o aguilhão do erro, as correntes do inferno e dar ao mundo o baptismo da salvação.

    Paz e Bem!

    «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!»

    Quarta-feira, dia 07 de Janeiro de 2009
    Quarta-feira depois da Epifania

    S. Raimundo de Penhaforte, confessor, +1275

    1ª Carta de S. João 4,11-18.

    Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos nele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito.

    Nós o contemplámos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

    É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: em estarmos cheios de confiança no dia do juízo, pelo facto de sermos neste mundo como Ele foi.
    No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor; de facto, o temor pressupõe castigo, e quem teme não é perfeito no amor.

    Livro de Salmos 71,1-2.10-13.

    — As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor!

    — Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.

    — Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo e de todas as nações hão de servi-lo.

    — Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

    Evangelho segundo S. Marcos 6,45-52.

    Jesus obrigou logo os seus discípulos a subirem para o barco e a irem à frente, para o outro lado, rumo a Betsaida, enquanto Ele próprio despedia a multidão. Depois de os ter despedido, foi orar para o monte.
    Era já noite, o barco estava no meio do mar e Ele sozinho em terra.

    Vendo-os cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, foi ter com eles de madrugada, andando sobre o mar; e fez menção de passar adiante. Mas, vendo-o andar sobre o mar, julgaram que fosse um fantasma e começaram a gritar, pois todos o viram e se assustaram. Mas Ele logo lhes falou: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!»

    A seguir, subiu para o barco, para junto deles, e o vento amainou. E sentiram um enorme espanto, pois ainda não tinham entendido o que se dera com os pães: tinham o coração endurecido.

    Da Bíblia Sagrada

    São Francisco de Sales (1567-1622), Bispo de Genebra e Doutor da Igreja
    Cartas (a partir da trad. de Lemaire, Beauchesne 1963; cf AELF)

    «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!»

    Todas as embarcações têm uma bússola marítima, cuja agulha magnética aponta sempre a direcção da estrela polar e, ainda que a barca parta do sul, a sua bússola nunca deixa de indicar o norte.

    Que, do mesmo modo, o fino ponteiro do espírito indique sempre a direcção de Deus, que é o seu norte [...]. Ides para o mar alto deste mundo; para tal não mudeis de mestre, nem de mastro, nem de vela, âncora ou vento. Tende sempre a Jesus Cristo por mestre, a sua cruz por árvore, nela pondo as vossas resoluções, como quem as estende numa vela; que a vossa âncora seja uma profunda confiança n'Ele, e ide, sim, em boa hora. Queira o vento propício das inspirações celestes enfunar as velas do vosso barco, mantendo-as sempre pandas, e fazer-vos chegar, em felicidade, ao porto da santa eternidade [...].

    Que no meio do desnorte tudo encontre o sentido certo, não o digo apenas relativamente ao que está ao redor de nós, mas ao que está mesmo em nós, isto é, quer a nossa alma esteja triste ou alegre, em tranquilidade ou em amargura, em serenidade ou em tribulação, na claridade ou nas trevas, em tentação ou em repouso, em alegria ou em desgosto, em tibieza ou em ternura, quer o sol a queime, quer o orvalho a refresque, ah, é preciso porém que o ponteiro deste nosso coração, do nosso espírito, da nossa superior vontade, que é a nossa bússola, vele sempre, e se guie, incessante e perpetuamente, pelo amor de Deus.

    Paz e Bem!

    "DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER"

    Terça-feira, dia 06 de Janeiro de 2009
    Terça-feira depois da Epifania

    Dia dos Reis Magos ,   Santa Rafaela Maria, religiosa, +1925

    1ª Carta de S. João 4,7-10.

    Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.

    E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida.

    É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

    Livro de Salmos 71,1-2.3-4.7-8.

    — Os reis de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

    — Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.

    — Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça! Este Rei defenderá os que são pobres, os filhos dos humildes salvará.

    — Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!

    Evangelho segundo S. Marcos 6,34-44.

    Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ove-lhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.»

    Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?» Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam: «Cinco pães e dois peixes.»

    Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde. E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta. Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos.

    Comeram até ficarem saciados. E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe. Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.

    Da Bíblia Sagrada

    São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja
    Cântico espiritual, 2ª recensão (trad. OC, Cerf 1990, p. 1299)

    «A hora já ia muito adiantada [...]. Comeram até ficarem saciados»

    O meu Bem-Amado é como a noite tranquila,
    Semelhante ao nascer da aurora,
    A silenciosa melodia,
    E a solidão sonora,
    A ceia retemperadora, que inflama o amor.

    Na Sagrada Escritura, o repouso da noite designa a visão de Deus. Tal como a ceia marca a conclusão dos trabalhos do dia e o princípio do repouso da noite, também a alma saboreia, nesta notícia pacífica de que falamos, uma antecipação do fim dos seus males e a garantia dos bens que espera. Também por isto o seu amor a Deus é em muito aumentado. Para a alma, o amor de Deus é realmente «a ceia retemperadora» que lhe anuncia o fim dos seus males, e que «inflama o amor», assegurando-lhe a posse de todos os bens.

    Para melhor podermos compreender quão deliciosa é de fato esta ceia para a alma - pois, como o temos dito, a ceia é afinal o próprio Bem-Amado -, recordemos as palavras do Esposo, no Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele Comigo» (Ap 3, 20). Já aqui Ele nos dá a entender que traz a ceia consigo, isto é, o sabor e as delícias com que Ele próprio Se alimenta e que comunica à alma ao unir-Se-lhe, para que também esta se alimente do mesmo.

    É este o sentido das suas palavras: «Cearei com ele, e ele Comigo», e é este o efeito produzido pela união da alma com Deus: os mesmos bens de Deus tornam-se comuns a Ele e à alma Esposa, porque Ele comunica-lhos gratuitamente e com soberana liberalidade. Deus é em Si mesmo esta «ceia retemperadora, que inflama o amor». Ele retempera a Esposa com a sua liberalidade, e inflama-a de amor com a sua benevolência.

    Paz e Bem!

    CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO

    Segunda-feira, dia 05 de Janeiro de 2009
    Segunda-feira depois da Epifania

    S. João Nepomuceno Neumann, bispo, +1860

    1ª Carta de S. João 3,22-24.4,1-6.

    e recebemos dele tudo o que pedirmos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe é agradável. E este é o seu mandamento: que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu. Aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e é por isto que reconhecemos que Ele permanece em nós: graças ao Espírito que nos deu.

    Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas apareceram no mundo. Reconheceis que o espírito é de Deus por isto: todo o espírito que confessa Jesus Cristo que veio em carne mortal é de Deus; e todo o espírito que não faz esta confissão de fé acerca de Jesus não é de Deus. Esse é o espírito do Anticristo, do qual ouvistes dizer que tem de vir; pois bem, ele já está no mundo.

    Meus filhinhos, vós sois de Deus e venceste-los, porque é mais poderoso o espírito que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles são do mundo; por isso falam a linguagem do mundo, e o mundo ouve-os. Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus ouve-nos; quem não é de Deus não nos ouve. É por isto que nós reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

    Livro de Salmos 2,7-8.10-11.

    — Eu te darei por tua herança os povos todos.

    — O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és o meu Filho, e eu hoje te gerei”!

    — Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio.

    — E agora, poderosos, entendei; soberanos, aprendei esta lição: Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito!

    Evangelho segundo S. Mateus 4,12-17.23-25.

    Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia.
    Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara:

    Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios. O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.

    A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

    A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os. E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

    Da Bíblia Sagrada

    São Romano, o Melodista (?-c. 569), compositor de hinos
    2º Hino para a Epifania, § 15-18

    «Trouxeram-lhe todos os que sofriam [...], que padeciam doenças e tormentos»

    Ergamos todos os olhos para o Senhor que está nos céus, e digamos, como o profeta: «Fez a Sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (Bar 3, 38). Esse mesmo que aos profetas Se mostrou sob aparências várias, Esse que surgiu a Ezequiel na aparência de um homem num trono de fogo (Ez 1, 26) e que Daniel viu como Filho do Homem e Ancião, idoso e jovem ao mesmo tempo (Dn 7, 9.13), proclamando-O como um só Senhor, Esse é Aquele que apareceu e que tudo iluminou.

    Ele fez dissipar a noite sinistra; graças a Ele, é sempre dia. Resplandeceu no mundo a luz sem ocaso, Jesus, nosso Salvador. O país de Zabulão vive na abundância e imita o paraíso, pois todos podem «saciar-se» no seu «rio de delícias» (Sl 35, 9), e faz desaguar nele uma corrente de água sempre viva [...]. Na Galileia contemplamos «a fonte da vida» (v. 10), Aquele que apareceu e que tudo iluminou.

    Também eu Te verei, Jesus, a iluminar o meu espírito e a dizer aos meus pensamentos: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba!» (Jo 7, 37). Refresca este coração humilhado que a minha vida errante fez quebrar. Ela consumiu-o, na fome e na sede; não fome de alimentos, não sede de beber, mas de ouvir as palavras do Senhor (Am 8, 11) [...]. Por isso o meu coração geme baixinho, esperando o Teu juízo, o que vem de Ti, que apareceste e que tudo iluminaste [...]

    Dá-me um sinal claro, purifica os meus erros escondidos, pois as feridas minam-me [...] A Teus joelhos me rojo, Salvador, como a hemorroísa. Também eu toco na fímbria da Tua túnica e digo: «Se ao menos tocar nas Suas vestes, ficarei curado.» (Mc 5, 28). Não faças vã a minha fé, Tu, que és médico das almas [...]. Encontrar-Te-ei, para minha salvação, a Ti, que apareceste e que tudo iluminaste.

    Paz e Bem!

    VIMOS SUA ESTRELA NO ORIENTE

    Domingo, dia 04 de Janeiro de 2009
    Epifania do Senhor

    Epifania do Senhor - Ano B ,   Santa Isabel Ana Seton, religiosa fundadora, +1821.

    Livro de Isaías 60,1-6.

    Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do SENHOR amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o SENHOR. A sua glória vai aparecer sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora.

    Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações.

    Serás invadida por uma multidão de camelos, pelos dromedários de Madian e de Efá. De Sabá virão todos trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do SENHOR.

    Livro de Salmos 71,1-2.7-8.10-11.12-13.

    — As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

    — Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com eqüidade ele julgue os vossos pobres.

    — Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!

    — Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e todas as nações hão de servi-lo.

    — Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.

    Carta aos Efésios 3,2-3.5-6.

    Com certeza, ouvistes falar da graça de Deus que me foi dada para vosso benefício, a fim de realizar o seu plano: que, por revelação, me foi dado conhecer o mistério, tal como antes o descrevi resumidamente. Que, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas, como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

    Evangelho segundo S. Mateus 2,1-12.

    Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.»

    Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.»

    Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.»

    Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.

    Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.

    Da Bíblia Sagrada

    J. B. Boussuet (1627-1704), Bispo de Meaux
    Sermões sobre os mistérios, 17ª semana, nº 2

    «Vimos a sua estrela no Oriente»

    Que tinha esta estrela acima das outras, que anunciam no céu a glória de Deus? (Sl 18, 2). Que tinha ela a mais que as outras, para merecer ser chamada a estrela do Rei dos reis, do Cristo que acabara de nascer, para Lhe trazer os magos? Balaam, profeta entre os pagãos, em Moab e na Arábia, tinha visto Jesus Cristo como uma estrela; e tinha dito: «Uma estrela sai de Jacob» (Nm 24, 17).

    Esta estrela que aparece aos magos era a imagem daquele que Balaam tinha visto: e quem sabe se a profecia de Balaam não se tinha espalhado no Oriente? [...] Fosse como fosse, uma estrela que aparecesse apenas aos olhos não seria capaz de atrair os magos ao Rei recém-nascido: era preciso que a estrela de Jacob e a luz de Cristo nascessem em seus corações.

    Em presença do sinal que ela lhes deu exteriormente, Deus tocou-os interiormente, por esta inspiração da qual Jesus disse: «Ninguém pode vir a Mim se o Pai que Me enviou o não atrair» (Jo 6, 44).

    A estrela dos magos é, pois, a inspiração nos seus corações. Não sei o que brilha dentro de vós; estais nas trevas e nas distracções, ou talvez na corrupção do mundo; voltai-vos para o Oriente, onde nascem os astros; voltai-vos para Jesus Cristo, que está a Oriente, onde se levanta como um belo astro o amor à verdade e à virtude.

    Paz e Bem!