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    LITURGIA DIÁRIA

    Quinta-feira, dia 31 de Janeiro de 2008

    S. João Bosco, presbítero, +1888

    Livro de 2º Samuel 7,18-19.24-29.

    Então, David foi apresentar-se diante do Senhor e disse-lhe:

    «Quem sou eu, Senhor Deus, e quem é a minha família, para que me tenhas conduzido até aqui?
    E, como se isto fosse pouco para ti, Senhor Deus, fizeste também promessas à família do teu servo para os tempos futuros! Porque esta é a lei do homem, ó Senhor Deus!
    Estabeleceste solidamente o teu povo, Israel, para ser eternamente o teu povo, e Tu, Senhor, seres o seu Deus. Agora, pois, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e à sua casa e faz como disseste.

    O teu nome será exaltado para sempre e dir-se-á: 'O Senhor do universo é o Deus de Israel.' E permanecerá estável diante de ti a casa do teu servo David.
    Porque Tu próprio, ó Senhor do universo, Deus de Israel, fizeste ao teu servo esta revelação: 'Eu te construirei uma casa.' Por isso, o teu servo se animou a dirigir-te esta prece.

    Agora, ó Senhor Deus, só Tu és Deus, e as tuas palavras são a própria verdade. Já que prometeste ao teu servo estes bens, abençoa, desde agora, a sua casa, para que ela subsista para sempre diante de ti: porque Tu, Senhor Deus, falaste e, graças à tua bênção, a casa do teu servo será abençoada eternamente.»

    Livro de Salmos 132(131),1-2.3-5.11.12.13-14.

    SENHOR, lembra-te de David e dos seus múltiplos trabalhos;
    do juramento que fez ao SENHOR e do voto que fez ao Deus de Jacob:
    «Não entrarei na minha tenda nem me deitarei no meu leito de descanso,
    não deixarei dormir os meus olhos nem descansar as minhas pálpebras,
    enquanto não encontrar um lugar para o SENHOR, uma morada para o Deus poderoso de Jacob.»

    SENHOR fez um juramento a David, uma promessa a que não faltará: «Hei-de colocar no teu trono um descendente da tua família.
    Se os teus filhos guardarem a minha aliança e os preceitos que lhes hei-de ensinar, também os filhos deles se hão-de sentar para sempre no teu trono.»

    SENHOR escolheu Sião, preferiu-a para sua morada:
    «Este será para sempre o meu lugar de repouso, aqui habitarei, porque o escolhi.

    Evangelho segundo S. Marcos 4,21-25.

    Disse-lhes ainda: «Põe-se, porventura, a candeia debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser colocada no candelabro?

    Porque não há nada escondido que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha à luz. Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça.»

    E prosseguiu: «Tomai sentido no que ouvis. Com a medida que empregardes para medir é que sereis medidos, e ainda vos será acrescentado.

    Pois àquele que tem, será dado; e ao que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado.»

    Comentário ao Evangelho feito por: São Máximo, o Confessor (c. 580-662), monge e teólogo

    Pergunta 63 a Talássio

    A vela no castiçal

    A vela no castiçal, de que falam as Escrituras, é nosso Senhor Jesus Cristo, Luz verdadeira do Pai que ilumina todos os homens que vêm ao mundo (Jo 1,9). Quanto ao castiçal, é a santa Igreja. É na sua proclamação que está a Palavra luminosa de Deus, que ilumina os homens do mundo inteiro como habitantes da sua casa, e que preenche todos os espíritos com o conhecimento de Deus […].

    A Palavra não quer permanecer escondida; deseja ser posta em evidência, bem no topo da Igreja. Dissimulada sob a letra da Lei, escondida, a Palavra teria privado todos os homens da luz eterna. Não teria possibilitado a contemplação espiritual àqueles que procuram libertar-se da sedução dos sentidos, capazes de ilusão e prontos a perceber apenas as coisas materiais e passageiras.

    Mas colocada no castiçal que é a Igreja, isto é, fundada sobre o culto em espírito e em verdade (Jo 4,24), ela ilumina todos os homens […] Porque a letra, se não for compreendida pelo espírito, tem apenas um valor material e limitado; só por si não permite à inteligência captar o alcance do que está escrito […].

    Não escondamos pois, por pensamentos ou acções, a vela acesa, isto é, a Palavra de Deus que ilumina a inteligência. Não sejamos culpados por dissimular sob a letra a força incompreensível da Sabedoria divina. Em vez disso, coloquemos a Palavra no castiçal que é a Igreja, no topo da verdadeira contemplação que faz luzir, para todos, a luz da revelação divina.

    Paz e Bem!

    LITURGIA DIÁRIA

    Quarta-feira, dia 30 de Janeiro de 2008

    Santa Jacinta Mariscotti, virgem, +1640

    Livro de 2º Samuel 7,4-17.

    Mas, naquela mesma noite, o Senhor falou a Natan, dizendo-lhe:
    «Vai dizer ao meu servo David: Diz o Senhor: "És tu que me vais construir uma casa para Eu habitar?
    Desde que tirei da terra do Egipto os filhos de Israel até ao dia de hoje, não habitei em casa alguma; mas peregrinava alojado numa tenda que me servia de morada.

    E, durante todo o tempo em que andei no meio dos israelitas, disse, porventura, a algum dos chefes de Israel que encarreguei de apascentar o meu povo: 'Porque não me edificais uma casa de cedro?'
    Dirás, pois, agora, ao meu servo David: Diz o Senhor do universo: Eu tirei-te das pastagens onde apascentavas as tuas ovelhas, para fazer de ti o chefe de Israel, meu povo.
    Estive contigo em toda a parte por onde andaste; exterminei diante de ti todos os teus inimigos e fiz o teu nome tão célebre como o nome dos grandes da terra.

    Fixarei um lugar para Israel, meu povo; nele o instalarei, e ali habitará, sem jamais ser inquietado; e os filhos da iniquidade não mais o oprimirão, como outrora, no tempo em que Eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. A ti concedo uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. Além disso, o Senhor faz hoje saber que será Ele próprio quem edificará uma casa para ti.
    Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, manterei depois de ti a descendência que nascerá de ti e consolidarei o seu reino.

    Ele construirá um templo ao meu nome, e Eu firmarei para sempre o seu trono régio. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, hei-de corrigi-lo com varas e com açoites, como fazem os homens, mas não lhe tirarei a minha graça, como fiz a Saul, a quem afastei diante de ti.
    A tua casa e o teu reino permanecerão para sempre diante de mim, e o teu trono estará firme para sempre".»

    Foi segundo estas palavras e esta visão que Natan falou a David.

    Livro de Salmos 89(88),4-5.27-28.29-30.

    «Fiz uma aliança com o meu eleito, jurei a David, meu servo:
    ‘Estabelecerei a tua descendência para sempre e o teu trono há-de manter-se eternamente’.»

    Ele me invocará, dizendo: ‘Tu és meu pai, és o meu Deus e o rochedo da minha salvação!’ Eu farei dele o primogénito, o maior entre os reis da terra.

    Hei-de assegurar-lhe para sempre o meu favor e a minha aliança com ele há-de manter-se firme. Estabelecerei para sempre a sua descendência e o seu trono terá a duração dos céus.

    Evangelho segundo S. Marcos 4,1-20.

    De novo começou a ensinar à beira-mar. Uma enorme multidão vem agrupar-se junto dele e, por isso, sobe para um barco e senta-se nele, no mar, ficando a multidão em terra, junto ao mar.
    Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas e dizia nos seus ensinamentos:

    «Escutai: o semeador saiu a semear.
    Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na.
    Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra e logo brotou, por não ter profundidade de terra; mas, quando o sol se ergueu, foi queimada e, por não ter raiz, secou. Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, sufocaram-na, e não deu fruto.
    Outra caiu em terra boa e, crescendo e vicejando, deu fruto e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.»

    E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.»
    Ao ficar só, os que o rodeavam, juntamente com os Doze, perguntaram-lhe o sentido da parábola.
    Respondeu: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas, aos que estão de fora, tudo se lhes propõe em parábolas,
    para que ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam, não vão eles converter-se e ser perdoados.»
    E acrescentou: «Não compreendeis esta parábola? Como compreendereis então todas as outras parábolas?
    O semeador semeia a palavra.

    Os que estão ao longo do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; e, mal a ouvem, chega Satanás e tira a palavra semeada neles. Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes e, quando surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo desfalecem.
    Outros há que recebem a semente entre espinhos; esses ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as restantes ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica infrutífera.
    Aqueles que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, a recebem, dão fruto e produzem a trinta, a sessenta e a cem por um.»

    Da Bíblia Sagrada

    Comentário do Evangelho: São Cesário de Arles (470-543), monge e bispo
    Sermões ao povo, nº6

    Dar do fruto trinta, sessenta ou cem para um

    Irmãos, há dois tipos de campos: um é o campo de Deus, o outro, o do homem. Tu tens o teu domínio; Deus tem também o seu. O teu domínio é a terra; o de Deus, é a tua alma. É justo que cultives o teu domínio e que deixes maninho o que é de Deus? Se cultivas a tua terra e não cultivas a tua alma, é porque queres ter a tua propriedade em ordem e deixar maninha a de Deus?

    Isso é justo? Merece Deus que negligenciemos a nossa alma, que Ele tanto ama? Regozijas-te ao ver o teu domínio bem cultivado; porque não choras ao ver a tua alma maninha? Os campos do nosso domínio dar-nos-ão com que viver alguns dias neste mundo; mas o cuidado que tivermos com a nossa alma far-nos-á viver sem fim no céu […]

    Deus dignou-Se confiar-nos a nossa alma como seu domínio; ponhamo-nos pois a trabalhar com todas as forças, com a sua ajuda, para que, no momento em que Ele vier visitar as suas propriedades, as encontre bem cultivadas e em perfeita ordem. Que Ele encontre uma seara e não silvas; que aí encontre vinho e não vinagre; trigo em abundância, e não joio. Se ele então encontrar o que possa agradar a seus olhos, dar-nos-á em troca recompensas eternas, mas as silvas serão votadas ao fogo.

    LITURGIA DIÁRIA

    Terça-feira, dia 29 de Janeiro de 2008

    São José Freinademetz, presbítero, fundador, +1908

    Livro de 2º Samuel 6,12-15.17-19.

    Disseram ao rei que o Senhor abençoara a casa de Obededom e todos os seus bens por causa da Arca de Deus. Foi, pois, David e transportou-a da casa de Obededom para a Cidade de David, com grande regozijo.
    E a cada seis passos que davam os que transportavam a Arca do Senhor, sacrificavam um boi e um carneiro.

    David, cingindo a insígnia votiva de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor.
    O rei e todos os israelitas conduziram a Arca do Senhor, soltando gritos de alegria e tocando trombetas.

    Introduziram a Arca do Senhor e colocaram-na no seu lugar, no centro do tabernáculo que David construíra para ela; e David ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão diante do Senhor.
    Quando David acabou de oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor do universo
    e distribuiu alimentos a toda a multidão dos israelitas, homens e mulheres, dando a cada pessoa, um bolo, um pedaço de carne assada e uma filhó.

    Depois, toda a multidão se retirou, indo cada um para a sua casa.

    Livro de Salmos 24,7.8.9.10.

    Portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos, que vai entrar o rei glorioso.

    Quem é esse rei glorioso? É o SENHOR, poderoso herói, o SENHOR, herói na batalha.

    portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos, que vai entrar o rei glorioso.

    Quem é Ele, esse rei glorioso? É o Senhor do universo! É Ele o rei glorioso.

    Evangelho segundo S. Marcos 3,31-35.

    Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar.
    A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: «Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.»
    Ele respondeu: «Quem são minha mãe e meus irmãos?»
    E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: «Aí estão minha mãe e meus irmãos.
    Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»

    Da Bíblia Sagrada

    Comentário do Evangelho: Isaac da Estrela ( ? - c. 1171), monge cisterciense
    Homilia 51, para a Assunção

    «Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã, minha mãe»

    O Filho de Deus é o primogénito de muitos irmãos (Rm 8,29) pois, sendo Filho único por natureza, uma multidão de irmãos a Si próprio juntou pela graça, com Ele formando um apenas: «A quantos O receberam, Ele deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Ao ser filho de homem, fez da multidão de homens filhos de Deus. A eles Se juntou, Ele que é único no seu amor e poder. Os homens, em si próprios, pelo nascimento na carne, são uma multidão; mas pelo segundo nascimento, o nascimento divino, são com Ele apenas um. Só Cristo, único e total, é a cabeça e o corpo (Col 1, 18).

    E este Cristo único é o Filho de um só Deus no céu e de uma só mãe na terra. Há muitos filhos, e há um único filho. E tal como a cabeça e o corpo são um único filho e vários filhos, também Maria e a Igreja são uma única mãe e várias mães, uma só virgem e várias virgens. Uma e outra são mães; uma e outra, virgens. Uma e outra conceberam do Espírito Santo, sem desejo carnal. Uma e outra deram uma progenitura a Deus Pai, sem pecado. Uma gerou, sem pecado algum, uma cabeça para o corpo; a outra fez nascer, na remissão dos pecados, um corpo para a cabeça.

    Uma e outra são mães de Cristo, mas nenhuma das duas O deu à luz completamente sem a outra. É também com razão que, nas Escrituras divinamente inspiradas, o que é dito em geral acerca da virgem mãe que é a Igreja se aplica em particular à Virgem Maria. E o que é dito em particular acerca da virgem mãe que é Maria, compreende-se em geral acerca da virgem mãe que é a Igreja.

    LITURGIA DIÁRIA

    Segunda-feira, dia 28 de Janeiro de 2008

    S. Tomás de Aquino, presbítero e Doutor da Igreja, +1274

    Livro de 2º Samuel 5,1-7.10.

    Todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: «Aqui nos tens: não somos nós da tua carne e do teu sangue?
    Tempos atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu quem dirigia as campanhas de Israel e o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel e serás o seu chefe.’»

    Vieram, pois, todos os anciãos de Israel ter com o rei a Hebron. David fez com eles uma aliança diante do Senhor, e eles sagraram-no rei de Israel. David tinha trinta anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos: sete anos e seis meses sobre Judá, em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo o Israel e Judá.

    O rei marchou com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus, que habitavam aquela terra. Estes disseram a David: «Não entrarás aqui; serás repelido até por cegos e coxos.» Isto queria dizer: «Nunca entrarás aqui.»

    Contudo, David apoderou-se da fortaleza de Sião, que é a Cidade de David. Deste modo, David ia-se fortificando e o Senhor, Deus do universo, estava com ele.

    Livro de Salmos 89,20.21-22.25-26.

    Outrora declaraste, em visão, aos teus fiéis: «Impus o meu diadema a um herói; escolhi um eleito de entre o povo.

    Encontrei David, meu servo, e ungi-o com óleo santo.
    minha mão estará sempre com ele e o meu braço há-de torná-lo forte.

    minha fidelidade e o meu amor estarão com ele; pelo meu nome crescerá o seu poder.
    Estenderei o seu poder sobre os mares, e sobre os rios, o seu domínio.

    Evangelho segundo S. Marcos 3,22-30.

    E os doutores da Lei, que tinham descido de Jerusalém, afirmavam: «Ele tem Belzebu!» E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.»
    Então, Jesus chamou-os e disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás?
    Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar;
    e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir.
    Se, portanto, Satanás se levanta contra si próprio, está dividido e não poderá subsistir; é o seu fim.

    Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa.
    Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado;
    mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno.»
    Disse-lhes isto porque eles afirmavam: «Tem um espírito maligno.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
    Suma Teológica

    O Príncipe deste mundo vai ser lançado fora

    Os milagres de Cristo visavam manifestar a sua divindade - ora esta devia ficar escondida dos demónios, senão o mistério da Paixão teria sido impedido «Se eles tivessem conhecido o Senhor de glória, não O teriam crucificado.» (1 Co 2,8) Parece portanto que Cristo não devia fazer milagres sobre os demónios […] No entanto, o profeta Zacarias predissera esses prodígios, ao dizer: «Expulsarei do país o espírito de impureza» (Zc 13,2).

    De facto, os milagres de Cristo eram provas em favor da fé que ensinava. Ora, pela força da sua divindade, não devia então Ele abolir, nos homens que em Si iam crer, o poder dos demónios, segundo as palavras de São João : «Agora, o Príncipe deste mundo vai ser lançado fora» ? (Jo 12, 31)

    Convinha portanto que, de entre outros milagres, Cristo libertasse dos demónios os homens que estavam possuídos […] Por outro lado, escreve Santo Agostinho, «Cristo deu-se a conhecer aos demónios tanto quanto quis, e qui-lo o quanto lhe foi preciso […] através de certos efeitos materiais do seu poder». Ao ver os seus milagres, o demónio acreditou por conjectura que Cristo era Filho de Deus: «Os demónios sabiam que Ele era Cristo», diz S. Lucas. Se eles reconheciam que Ele era o Filho de Deus, «era mais por via da conjectura do que pela via da certeza», faz notar São Beda.

    Quanto aos milagres que Cristo realizou ao expulsar os demónios, não os fez para utilidade destes, mas para a dos homens, para que estes dessem glória a Deus. É por isso que Ele impedia os demónios de dizer fosse o que fosse que tocasse o seu louvor. São João Crisóstomo observa : «Não convinha que os demónios se arrogassem a glória do papel desempenhado pelos apóstolos, nem que línguas de mentira pregassem o mistério de Cristo».

    28 de Janeiro

    São Tomás de Aquino - sacerdote e doutor da Igreja

    "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua vida? Pois o que daria o homem em troca de sua vida?" Mc 8,36-37

    Hoje a Igreja celebra um dos maiores santos da História: São Tomás de Aquino. É o autor da Suma Teológica.

    Pertenceu à Ordem dos padres dominicanos.

    Costuma ser indicado como o maior teólogo da Idade Média, como também, mestre dos teólogos até aos dias de hoje. Declarado "Doutor da Igreja", em 1567; e Padroeiro das Universidades, Academias e Colégios católicos, em 1880.

    Foi de facto um génio, que poderia ter-se perdido, não fora ter-se libertado das atracções mundanas de sua classe, pois era rico, nobre e cerceado em seu desenvolvimento pela própria família. Foi em Paris - o maior centro de estudos teológicos do seu tempo - que ele pôde compor a sua gigantesca obra a Suma Teológica, verdadeira síntese do passado e intuição do futuro. Até hoje, essa obra não encontrou similar, nem em matéria de Filosofia nem em matéria de Teologia.

    Por vezes, esquecemos, atrás do sábio, a grandeza do santo. E São Tomás soube desapegar-se das grandezas do mundo, para revelar o amor mais profundo à oração e à contemplação. Tornou-se, assim, o modelo de todos os que buscam a Deus, vivendo segundo o plano divino.

    LITURGIA DIÁRIA

    Domingo, dia 27 de Janeiro de 2008

    3º Domingo Comum (semana III do saltério) ,   Santa Ângela Mérici, virgem, fundadora, +1540

    Livro de Isaías 8,23.9,1-3.

    Não haverá senão obscuridade e angústia nesta terra. No tempo passado, o SENHOR humilhou a terra de Zabulão e o país de Neftali; no futuro cobrirá de glória o caminho do mar, do outro lado do Jordão, a Galileia dos gentios.
    O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles.

    Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo; alegram-se diante de ti como os que se alegram no tempo da colheita, como se regozijam os que repartem os despojos.
    Pois Tu quebraste o seu jugo pesado, a vara que lhe feria o ombro e o bastão do seu capataz, como na jornada de Madian.

    Livro de Salmos 26,1.4.13-14.

    SENHOR é minha luz e salvação: de quem terei medo? O SENHOR é o baluarte da minha vida: quem me assustará?

    Uma só coisa peço ao SENHOR e ardentemente a desejo: é habitar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para saborear o seu encanto e ficar em vigília no seu templo.

    Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do SENHOR, na terra dos vivos.
    Confia no SENHOR! Sê forte e corajoso, e confia no SENHOR!

    1ª Carta aos Coríntios 1,10-13.17.

    Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento.
    Pois, meus irmãos, fui informado pelos da casa de Cloé, que há discórdias entre vós.

    Refiro-me ao facto de cada um dizer: «Eu sou de Paulo», ou «Eu sou de Apolo», ou «Eu sou de Cefas», ou «Eu sou de Cristo».
    Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes baptizados em nome de Paulo?
    Na verdade, Cristo não me enviou a baptizar, mas a pregar o Evangelho, e sem recorrer à sabedoria da linguagem, para não esvaziar da sua eficácia a cruz de Cristo.

    Evangelho segundo S. Mateus 4,12-23.

    Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia.
    Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali,
    para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara:
    Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios.

    O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.
    A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»
    Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.

    Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.»
    E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no.
    Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e
    eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.
    Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

    Da Bíblia Sagrada

    Comentáro ao Evangelho de Filoxeno de Mabbourg (? – cerca 523), bispo na Síria - Homília 4, 77s

    “Imediatamente, deixando as suas redes, seguiram-no”

    Tal como o olho são e puro recebe o raio luminoso que lhe é enviado, assim o olho da fé, com a pupila da simplicidade, reconhece a voz de Deus assim que o homem a escuta. A luz imanente da sua palavra ergue-se nele, ele lança-se alegremente à sua frente e recebe-a, como nos disse nosso Senhor no seu Evangelho: “As minhas ovelhas escutarão a minha voz e seguir-me-ão” (Jo 10, 27).

    Foi com esta pureza e esta simplicidade que os apóstolos seguiram a palavra de Cristo. O mundo não os pôde impedir, nem os hábitos humanos os puderam reter, nem nenhum dos bens que passam por ter algum valor no mundo os pôde estorvar. Estas almas tinham sentido Deus e viviam na fé, e, em almas como estas, nada no mundo pode ser para elas mais importante do que a palavra de Deus.

    Esta é fraca nas almas mortas; é porque a alma está morta que, de forte, a Palavra se torna fraca e que o ensino de Deus, de válido, se torna sem força nelas. Porque toda a actividade do homem se dirige para o sítio onde ele vive; aquele que vive para o mundo põe ao serviço do mundo os seus pensamentos e os seus sentidos, enquanto que aquele que vive para Deus gira, em todas as suas acções, em torno dos seus poderosos mandamentos.

    Todos os que têm sido chamados têm obedecido imediatamente à voz que os chamava logo que o peso do amor das coisas terrenas deixou de estar nas suas almas. Porque os vínculos do mundo são um peso para a inteligência e os pensamentos, e os que estão assim ligados e obstruídos dificilmente percebem a voz de Deus que os chama.

    Mas os apóstolos e, antes deles, os justos e os patriarcas não eram assim; eles obedeceram como vivos, e saíram ligeiros, porque nada no mundo os estorvava com o seu peso. Nada pode atar e entravar a alma que sente Deus; ela está aberta e pronta, de modo que a luz da voz divina a encontra em estado de a receber cada vez que ela vem.

    LITURGIA DIÁRIA

    Sexta-feira, dia 25 de Janeiro de 2008

    Conversão de São Paulo

    Livro dos Actos dos Apóstolos 22,3-16.

    «Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei dos nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus, como todos vós sois agora.
    Persegui de morte esta «Via», algemando e entregando à prisão homens e mulheres, como o podem testemunhar o Sumo Sacerdote e todos os anciãos. Recebi até, da parte deles, cartas para os irmãos de Damasco, onde ia para prender os que lá se encontrassem e trazê-los agrilhoados a Jerusalém, a fim de serem castigados.

    Ia a caminho, e já próximo de Damasco, quando, por volta do meio dia, uma intensa luz, vinda do Céu, me rodeou com a sua claridade.
    Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, porque me persegues?’
    Respondi: ‘Quem és Tu, Senhor?’ Ele disse-me, então: ‘Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues.’
    Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem me falava.
    E prossegui: ‘Que hei-de fazer, Senhor?’ O Senhor respondeu-me: ‘Ergue-te, vai a Damasco, e lá te dirão o que se determinou que fizesses.

    Mas, como eu não via, devido ao brilho daquela luz, fui levado pela mão dos meus companheiros e cheguei a Damasco.
    Ora um certo Ananias, homem piedoso e cumpridor da Lei, muito respeitado por todos os judeus da cidade, foi procurar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista.’ E, no mesmo instante, comecei a vê-lo.

    Ele prosseguiu: ‘O Deus dos nossos pais predestinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e para ouvires as palavras da sua boca, porque serás testemunha diante de todos os homens, acerca do que viste e ouviste.
    E agora, porque esperas? Levanta-te, recebe o baptismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome.’

    Livro de Salmos 117,1.2.

    Louvai o SENHOR, todas as nações! Exaltai-o, todos os povos!

    Porque o seu amor para connosco não tem limites e a fidelidade do SENHOR é eterna!

    Evangelho segundo S. Marcos 16,15-18.

    E disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado.
    Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas,
    apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.»

    Da Bíblia Sagrada

    Papa Bento XVI
    Audiência geral de 08/11/06 (trad. DC 2369, p. 1056 © Libreria Editrice Vaticana)

    A conversão de S. Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Ga 2,20)

    O encontro com Cristo no caminho de Damasco revolucionou literalmente a vida de Paulo... É importante que nos apercebamos de quanto Jesus Cristo possa incidir na vida de um homem e portanto também na nossa própria vida: Como acontece o encontro de um ser humano com Cristo? E em que consiste a relação que dele deriva?...  Paulo ajuda-nos a compreender o valor absolutamente fundante e insubstituível da fé.

    Eis quanto escreve na Carta aos Romanos: "Pois estamos convencidos de que é pela fé que o homem é justificado, independentemente das obras da lei" (3, 28). E também na Carta aos Gálatas: "O homem não é justificado pelas obras da Lei, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo; por isso, também nós acreditámos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei; porque pelas obras da Lei nenhuma criatura será justificada" (2, 16).

    "Ser justificados" significa ser tornados justos, isto é, ser acolhidos pela justiça misericordiosa de Deus, e entrar em comunhão com Ele, e por conseguinte poder estabelecer uma relação muito mais autêntica com todos os nossos irmãos: e isto com base num perdão total dos nossos pecados. Pois bem, Paulo diz com muita clareza que esta condição de vida não depende das nossas eventuais boas obras, mas de uma mera graça de Deus: "Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus" (Rm 3, 24).

    Com estas palavras São Paulo expressa o conteúdo fundamental da sua conversão, o novo rumo da sua vida que resultou do seu encontro com Cristo ressuscitado. Paulo, antes da conversão, não tinha sido um homem afastado de Deus e da sua Lei. Ao contrário, era um observante, com uma observância fiel até ao fanatismo. Mas à luz do encontro com Cristo compreendeu que com isso tinha procurado edificar-se a si mesmo, à sua própria justiça, e que com toda essa justiça tinha vivido para si mesmo.

    Compreendeu que era absolutamente necessária uma nova orientação da sua vida. E encontramos expressa nas suas palavras esta nova orientação: "E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2, 20). Por conseguinte, Paulo já não vive para si, para a sua própria justiça. Vive de Cristo e com Cristo.

    25 de Janeiro

    Conversão de São Paulo, apóstolo

    "Eu sou Jesus, a quem persegues. Mas levanta-te, entra na cidade e ser-te-á dito o que deves fazer" At 9,5-6M

    Comemoramos hoje, com solenidade, a conversão do apóstolo São Paulo.

    Ele próprio confessa, por diversas vezes, que foi perseguidor implacável das primeiras comunidades cristãs. Por causa disso atribuiu a si mesmo o título de "o menor entre os Apóstolos" e, ainda, de "indigno de ser chamado Apóstolo". Mas Deus, que conhecia a sua rectidão, tornou-o testemunha da morte de Santo Estevão, cena entre todas comovente, descrita nos Actos dos Apóstolos. A visão de Estevão apontando para os céus abertos e Filho do Homem, o Cristo, aí reinando, domina a vida toda do Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso.

    Além das grandes e contínuas viagens apostólicas e das prisões e sofrimentos por que passou, devemos a este Santo, que se auto denomina "servo de Cristo", a revelação da mensagem do Salvador, ou seja, as 14 Epístolas ou Cartas. Elas formam como que a Teologia do Novo Testamento, exposta por um Apóstolo.

    Jamais apareceu outro homem sobre a terra que fundamentasse tão bem a nossa fé em Cristo, presente na História, como também, presente em nossa própria existência. Foi São Paulo quem o fez de maneira insuperável.

    LITURGIA DIÁRIA

    Quinta-feira, dia 24 de Janeiro de 2008

    S. Francisco de Sales, bispo, Doutor da Igreja, +1622

    Livro de 1º Samuel 18,6-9.19,1-7.

    Ao regressar o exército, depois de David ter morto o filisteu, de todas as cidades de Israel as mulheres saíram ao encontro de Saul, cantando e dançando alegremente, ao som de tambores e címbalos.
    E, à medida que dançavam, cantavam em coro: «Saul matou mil, mas David matou dez mil.»

    Saul irritou-se em extremo e ficou sumamente desgostoso por isso. E disse: «Dão dez mil a David e a mim apenas mil! Só lhe falta a coroa!»
    A partir daquele dia, não voltou a olhar para David com bons olhos.
    Saul falou ao seu filho Jónatas e a todos os seus servos da sua intenção de matar David. Mas Jónatas, filho de Saul, amava cordialmente David e preveniu-o, dizendo: «Saul, meu pai, quer matar-te. Procura fugir amanhã de manhã; foge para um lugar oculto e esconde-te. Sairei em companhia de meu pai, até ao lugar onde tu te encontrares; falarei com ele a teu respeito, para ver o que ele pensa, e depois avisar-te-ei.»

    Jónatas falou bem de David a seu pai e acrescentou: «Não faças mal algum ao teu servo David, pois ele nunca te fez mal; pelo contrário, prestou-te grandes serviços.
    Arriscou a vida, matando o filisteu, e o Senhor deu, assim, uma grande vitória a Israel. Foste testemunha e alegraste-te. Porque queres pecar contra o sangue inocente, matando David sem motivo?»
    Saul ouviu as palavras de Jónatas e fez este juramento: «Pela vida do Senhor, David não morrerá!»
    Então, Jónatas chamou David, contou-lhe tudo isto e apresentou-o novamente a Saul. David voltou a estar ao seu serviço como antes.

    Livro de Salmos 56(55),2-3.9-10.10-12.13-14.

    Tem compaixão de mim, ó Deus, pois há quem me queira destruir, oprimindo-me e fazendo-me guerra todo o dia.

    Os meus adversários perseguem-me continuamente; são numerosos, ó Altíssimo, os que lutam contra mim!
    Tu contaste os passos do meu peregrinar, recolheste e guardaste as minhas lágrimas. Não está tudo isso anotado no teu livro?

    No dia em que eu te invocar, os meus inimigos hão-de retroceder; então ficarei a saber que Deus está por mim.
    No dia em que eu te invocar, os meus inimigos hão-de retroceder; então ficarei a saber que Deus está por mim.

    Celebro a palavra de Deus, celebro a palavra do SENHOR.
    Em Deus confio, nada temo: que mal me poderão fazer os homens?
    Mantenho as promessas que te fiz, ó Deus, quero cumpri-las com sacrifícios em teu louvor, porque salvaste da morte a minha vida, e os meus pés, da queda, para andar na presença de Deus, na terra dos vivos.

    Evangelho segundo S. Marcos 3,7-12.

    Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia.

    E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem.
    Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus!»

    Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

    Da Bíblia Sagrada

    COMENTÁRIO 

    João Cassiano (c. 360-435), fundador de convento em Marselha
    Conferência 13

    “Da Galileia, da Judeia, da Idumeia, de Tiro e de Sídon..., vinde a mim, todos"

    Deus não criou o homem para ele se perder, mas para viver eternamente; e este desígnio permanece imutável. […] Ele “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2, 4). É vontade do vosso Pai que está nos céus, diz Jesus, “que não se perca um só destes pequeninos” (Mt 18, 14). E também está escrito: “Deus não quer que pereça uma só alma” (2 Sam 4, 14); Ele difere a execução dos Seus decretos, a fim de que aquele que foi rejeitado não se perca para sempre. Deus é verdadeiro e não mente, quando garante por meio de juramento: “Por Minha vida […], não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida” (Ez 33, 11).

    Poderá alguém então pensar, sem incorrer em enorme sacrilégio, que Ele não quer a salvação de todos em geral, mas apenas de alguns? Quem se perde perde-se contra a vontade de Deus, que clama sem cessar: “Convertei-vos! Afastai-vos desse mau caminho que seguis; por que persistis em querer morrer, casa de Israel?” (Ez 33, 11). E de novo insiste: “Por que persiste este povo de Jerusalém na sua obstinada rebeldia?” (Jer 8, 5) “O seu semblante é mais duro do que pedra; recusam-se a converter-se” (Jer 5, 3). A graça de Cristo está, pois, sempre à nossa disposição. Visto que quer que todos os homens se salvem, Ele chama-os a todos, sem excepção: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei” (Mt 11, 28).

    24 de Janeiro

    São Francisco de Sales - bispo e doutor da Igreja

    "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi" Jo 15,16a

    A festa do Santo de hoje é-nos muito querida. Trata-se de São Francisco de Sales. Esse santo oferece-nos a mais perfeita lição do quanto se pode conseguir pela bondade e pela doçura.

    Foi Bispo de Genebra, na Suíça, tendo vivido entre 1567 e 1622. Viu-se logo cercado pelos calvinistas que, naquele tempo, eram tomados por uma grande aversão contra tudo o que fosse católico. Ao invés de brigar e de se entregar à oposição, S. Francisco de Sales preferiu seguir o caminho de um humanismo suave. Fez valer esta máxima: "Mais moscas se caçam com um pingo de mel do que com um barril de vinagre".

    Mas não é só isso que nos ensina o santo que lembramos nesta data. Ele passou a vida escrevendo. E hoje, é patrono dos jornalistas. Seus dois livros - "Tratado do Amor de Deus" e "Introdução à Vida Devota" lêem-se em nossos dias com a mesma facilidade e interesse como no tempo em que foram escritos.

    Fundou a Ordem da Visitação e foi capaz de interpretar o que Deus deseja e o que está no íntimo de cada coração humano.

    Ao lembrarmos a figura dos santos de hoje sentimo-nos convidados a integrar o mundo de Deus e o mundo dos homens num único grande amor: Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

    LITURGIA DIÁRIA

    Quarta-feira, dia 23 de Janeiro de 2008

    Santo Ildefonso, bispo, +667

    Livro de 1º Samuel 17,32-33.37.40-51.

    David disse-lhe: «Ninguém desanime por causa desse filisteu! O teu servo irá combatê-lo.»
    Disse-lhe Saul: «Não poderás ir lutar contra esse filisteu. Não passas de uma criança, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade.»
    E acrescentou: «O Senhor, que me livrou das garras do leão e do urso, há-de salvar-me igualmente das mãos desse filisteu.» Disse-lhe o rei: «Vai, e que o Senhor esteja contigo.»

    E tirou a armadura. Tomou o seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforge de pastor que lhe servia de bolsa. Depois, com a funda na mão, avançou contra o filisteu.
    Este, precedido do escudeiro, aproximou-se de David, mediu-o com os olhos e, vendo que era jovem, louro e de aspecto delicado, desprezou-o.
    Disse-lhe: «Sou eu, porventura, um cão, para vires contra mim de pau na mão?» E amaldiçoou David em nome dos seus deuses.
    E acrescentou: «Vem, que eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!»

    David respondeu: «Tu vens para mim de espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor do universo, do Deus dos esquadrões de Israel, a quem tu desafiaste.
    O Senhor vai entregar-te hoje nas minhas mãos e eu vou matar-te, cortar-te a cabeça e dar os cadáveres do campo dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que todo o mundo saiba que há um Deus em Israel.
    E toda essa multidão de gente saberá que não é com a espada nem com a lança que o Senhor triunfa, porque Ele é o árbitro da guerra e Ele vos entregará nas nossas mãos!»

    Levantou-se o filisteu e avançou contra David. Este também correu para as linhas inimigas ao encontro do filisteu.
    Meteu a mão no alforge, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na cabeça, e o gigante tombou com o rosto por terra.

    Assim venceu David o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E, como não tinha espada na mão, David correu para o filisteu e, quando já estava junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de o matar, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

    Livro de Salmos 144,1.2.9-10.

    Bendito seja o SENHOR, meu rochedo, que adestra as minhas mãos para a luta e os meus dedos para o combate!

    Ele é o meu auxílio e fortaleza, o meu baluarte e o meu refúgio; Ele é o meu escudo e o meu abrigo, que subjuga os povos aos meus pés.

    Quero cantar-te, ó Deus, um cântico novo; cantar-te-ei salmos com a harpa de dez cordas.

    Tu, que concedes aos reis a vitória, e livras o teu servo David da espada mortal,

    Evangelho segundo S. Marcos 3,1-6.

    Novamente entrou na sinagoga. E estava lá um homem que tinha uma das mãos paralisada.
    Ora eles observavam-no, para ver se iria curá-lo ao sábado, a fim de o poderem acusar.
    Jesus disse ao homem da mão paralisada: «Levanta-te e vem para o meio.»
    E a eles perguntou: «É permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar uma vida ou matá-la?» Eles ficaram calados.
    Então, olhando-os com indignação e magoado com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Estendeu-a, e a mão ficou curada.

    Assim que saíram, os fariseus reuniram-se com os partidários de Herodes para deliberar como haviam de matar Jesus.

    Da Bíblia Sagrada

    São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, Doutor da Igreja
    Homilia sobre o mistério da encarnação

    Cristo cura-nos a paralisia dos membros e do coração

    A encarnação de Cristo não é normal, é milagrosa; não é conforme à razão, mas ao poder divino; provém do Criador, e não da natureza; não é corrente, é singular; é divina, e não humana. Não se deu por necessidade, mas por poder. […] Foi mistério de fé, renovação de salvação para o homem. Aquele que, sem ter nascido, formou o homem com barro intacto (Gen 2, 7), ao nascer, fez um homem a partir de um corpo intacto; a mão que Se dignou tomar a argila para nos criar dignou-Se também tomar a nossa carne para nos recriar. […]

    Homem, por que te desprezas assim, tu que és tão precioso aos olhos de Deus? Por que te desonras a tal ponto, quando Deus te honra desta maneira? Por que procuras saber como foste feito, e não queres saber em vista de que foste feito? Não compreendes que todo este mundo que conheces foi feito para ti? […]

    Cristo encarna para devolver à natureza corrompida a sua integridade; assume a condição de criança, aceita ser alimentado, percorre todas as idades, a fim de restaurar a idade única, perfeita e duradoura que Ele próprio tinha criado. Ele carrega o homem, para que o homem não possa voltar a cair. Torna celestial aquele que tinha criado terreno; dá um espírito divino àquele que tinha criado humano.

    E, deste modo, eleva-o por inteiro a Deus, a fim de nada deixar nele que pertença ao pecado, à morte, ao labor, à dor, à terra. Eis o que nos trouxe Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo Deus, vive e reina com o Pai, na unidade do Espírito Santo, agora e para sempre, e pelos séculos dos séculos.

    LITURGIA DIÁRIA

    Segunda-feira, dia 21 de Janeiro de 2008

    Santa Inês, virgem mártir, +304

    Livro de 1º Samuel 15,16-23.

    Samuel disse-lhe: «Cala-te! Vou dizer-te o que o Senhor me disse esta noite.» Saul respondeu: «Fala.»
    Samuel disse: «Apesar de te considerares pequeno, acaso não te tornaste chefe das tribos de Israel, e não te ungiu o Senhor rei de Israel? O Senhor enviou-te a essa expedição, dizendo: ‘Passa ao fio de espada esses amalecitas pecadores e combate contra eles até ao completo extermínio.’ Porque não ouviste a sua voz e te lançaste sobre os despojos, fazendo o que desagrada ao Senhor?»

    Respondeu Saul a Samuel: «Eu obedeci à voz do Senhor, fui pelo caminho que Ele me traçou, trouxe Agag, rei dos amalecitas, e exterminei esse povo. O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, como primícias do que devia destruir, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus, em Guilgal.»
    Samuel replicou-lhe, então: «Porventura, o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua palavra? A obediência vale mais do que os sacrifícios, e a submissão, mais do que a gordura dos carneiros.

    A desobediência é tão culpável como a superstição, e a insubmissão é como o pecado da idolatria. Visto, pois, que rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeita e te tira a realeza!»

    Livro de Salmos 50(49),8-9.16-17.21.23.

    Não te repreendo por causa dos teus sacrifícios; os teus holocaustos estão sempre na minha presença. Não reivindico os novilhos da tua casa, nem os cabritos dos teus currais;

    Ao pecador, Deus declara: «Porque andas sempre a falar da minha lei e trazes na boca a minha aliança, tu que detestas os meus ensinamentos e rejeitas as minhas palavras?

    Tens feito tudo isto. Poderei Eu calar-me? Pensavas que Eu era igual a ti? Vou chamar-te a julgamento e lançar-te tudo isto em rosto!»

    Honra-me quem oferece o sacrifício de louvor; a quem anda por este caminho farei participar da salvação de Deus. SALMOS

    Evangelho segundo S. Marcos 2,18-22.

    Estando os discípulos de João e os fariseus a jejuar, vieram dizer-lhe: «Porque é que os discípulos de João e os dos fariseus guardam jejum, e os teus discípulos não jejuam?»
    Jesus respondeu: «Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar.
    Dias virão em que o esposo lhes será tirado; e então, nesses dias, hão-de jejuar.»

    «Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, pois o pano novo puxa o tecido velho e o rasgão fica maior.
    E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos.»

    Da Bíblia Sagrada

    São Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo laico grego
    A Vida em Cristo, II, 75ss

    «O Esposo está com eles»

    Para nós há duas maneiras de conhecer os objectos: o conhecimento que se pode receber por nos ser contado, e aquele que se pode adquirir por nós próprios. Pelo primeiro, não alcançamos o objecto em si, apenas o percebemos através de palavras, como numa imagem […]; de modo diverso, fazer a experiência dos objectos é encontrá-los realmente em si próprios. Neste segundo tipo de conhecimento, a forma do objecto prende a alma e desperta o desejo como um sinal à medida da sua beleza […].

    Da mesma forma, se o nosso amor pelo Salvador nada produz de novo nem de extraordinário, é evidente que o nosso empenhamento em amá-Lo deriva de apenas termos ouvido falar a seu respeito. Como poderíamos nós, apenas por ouvir falar d’Ele, conhecê-Lo como merece, Esse a quem nada se assemelha […], Esse a quem nada pode ser comparado e que não pode ser comparado a nada? Como poderíamos conhecer a sua beleza e amá-Lo à medida da sua beleza? Mas, sempre que os homens experimentam um intenso desejo de amar, um desejo de fazer por Ele coisas que ultrapassam a natureza humana, é porque foi o próprio Esposo a tê-los tocado e ferido. Ele abriu-lhes os olhos à beleza divina. A profundidade da ferida testemunha o quanto a seta de facto penetrou; e o ardor do desejo revela Quem os feriu.

    Eis como a nova Aliança é diferente da Antiga; antigamente era a palavra o que educava os homens; hoje, é Cristo em pessoa quem, de uma maneira indizível, prepara e modela as almas dos homens. Se o ensinamento da Lei bastasse para os conduzir, então não teriam sido necessários os actos extraordinários de um Deus tornado homem, que foi crucificado e depois morto. Isto é verdade também para os apóstolos, nossos pais na fé.

    Eles tinham ouvido os ensinamentos do Salvador, as palavras da sua boca; tinham visto os seus milagres e assistido a todas as provações que suportou pelos homens, viram-No morrer, ressuscitar e em seguida elevar-Se nos céus. Tudo isto eles o sabiam, mas nada mostraram de novo, de generoso, de verdadeiramente espiritual, até se terem baptizado no Espírito Santo […]. Só então, somente, o verdadeiro desejo por Cristo neles se acendeu, e através deles, se acendeu em outros.

    LITURGIA DIÁRIA

    Quinta-feira, dia 17 de Janeiro de 2008

    Santo Antão, abade, +356

    Livro de 1º Samuel 4,1-11.

    A palavra de Samuel foi dirigida a todo o Israel. Israel saiu ao encontro dos filisteus para lhes dar combate. Acamparam junto de Ében-Ézer e os filisteus acamparam em Afec.
    Os filisteus puseram-se em linha de combate frente a Israel, e começou a batalha. Israel foi vencido pelos filisteus, que mataram em combate cerca de quatro mil homens.

    O povo voltou ao acampamento e os anciãos de Israel disseram: «Porque é que o Senhor nos derrotou hoje diante dos filisteus? Vamos a Silo e tomemos a Arca da aliança do Senhor, para que Ele esteja no meio de nós e nos livre da mão dos nossos inimigos.»
    O povo mandou, pois, buscar a Silo a Arca da aliança do Senhor do universo, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Eli, Ofni e Fineias, acompanhavam a arca.

    Quando a Arca da aliança do Senhor chegou ao acampamento, todo o Israel lançou um grande clamor, que fez a terra tremer.
    Os filisteus, ouvindo-o, disseram: «Que significa este grande clamor no acampamento dos hebreus?» Souberam que a Arca do Senhor havia chegado ao acampamento.

    Tiveram medo e disseram: «O Deus deles chegou ao acampamento. Ai de nós! Até agora nunca se ouviu coisa semelhante.
    Ai de nós! Quem nos salvará da mão desse Deus excelso? É aquele Deus que feriu os egípcios com toda a espécie de pragas no deserto.
    Coragem, ó filisteus! Portai-vos varonilmente, não suceda que sejais escravos dos hebreus como eles o são de vós. Esforçai-vos e combatei.»
    Começaram a luta; Israel foi derrotado e todos fugiram para as suas casas. O massacre foi tão grande que ficaram mortos trinta mil homens de Israel. A Arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, pereceram.

    Livro de Salmos 44(43),10-11.14-15.25-26.

    Contudo, rejeitaste-nos e cobriste-nos de vergonha; já não acompanhas os nossos exércitos.

    Fizeste-nos recuar diante dos inimigos e os que nos odeiam saquearam-nos à vontade.
    Fizeste de nós o opróbrio dos nossos vizinhos, a irrisão e o desprezo dos que nos rodeiam.

    Fizeste de nós objecto de escárnio para os pagãos, os povos abanam a cabeça, troçando de nós.
    Porque escondes a tua face e te esqueces da nossa miséria e tribulação? nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo, colado à terra.

    Evangelho segundo S. Marcos 1,40-45.

    Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.»
    Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.»
    Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado.

    E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo:
    «Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.»

    Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

    Da Bíblia Sagrada

    João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005
    Homilia aos jovens

    “Jesus estendeu a mão e tocou-lhe”

    O gesto afectuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos, reconfortando-os e curando-os, tem a sua expressão mais plena e misteriosa na Paixão. Supliciado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão, abandonado pela população, que esquecera os benefícios Dele recebidos, na Sua Paixão Jesus identifica-Se com os leprosos, tornando-Se imagem e símbolo deles, como havia intuído o profeta Isaías, ao contemplar o mistério do Servo do Senhor: “Vimo-lo sem aspecto atraente, desprezado e evitado pelos homens, como homem […] diante do qual se tapa o rosto. […] Nós o repudiávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado” (Is 53, 2-4). Mas é precisamente das chagas do corpo supliciado de Deus e do poder da Sua ressurreição que brotam a vida e a esperança para todos os homens atingidos pelo mal e pela enfermidade.

    A Igreja sempre foi fiel à missão de anunciar a palavra de Cristo, unida ao gesto concreto de misericórdia solidária pelos mais humildes, pelos últimos. No decurso dos séculos, houve um crescendo de dedicação, comovente e extraordinária, por quantos eram atingidos pelas doenças humanamente mais repugnantes. A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo tinha feito escola, e foi fecundo em gestos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada.

    LITURGIA DIÁRIA

    Terça-feira, dia 15 de Janeiro de 2008

    Santo Amaro ou Mauro, religioso, +584 ,   S. Paulo, eremita, confessor, +342

    Livro de 1º Samuel 1,9-20.

    Ana levantou-se, depois de ter comido e bebido em Silo. O sacerdote Eli estava instalado no seu assento, à entrada do templo do Senhor.
    Ana, profundamente amargurada, orou ao Senhor e chorou copiosas lágrimas. E fez um voto, dizendo: «Senhor do universo, se te dignares olhar para a aflição da tua serva e te lembrares de mim, se não te esqueceres da tua serva e lhe deres um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor, por todos os dias da sua vida, e a navalha não passará sobre a sua cabeça.»

    Ela repetiu muitas vezes a sua oração diante do Senhor; Eli observava o movimento dos seus lábios. Ana, porém, falava só para si e apenas movia os lábios, sem se lhe ouvir palavra alguma. Eli, julgando-a ébria, disse-lhe: «Até quando durará a tua embriaguez? Vai-te embora e deixa passar o efeito do vinho de que estás cheia.»

    Ana respondeu: «Não é assim, meu senhor; a verdade é que sou uma mulher de espírito atribulado; não bebi vinho nem álcool; apenas estava a desabafar as minhas mágoas na presença do Senhor.
    Não tomes a tua serva por alguma das filhas de Belial, porque só a grandeza da minha dor e da minha aflição é que me fez falar até agora.»
    Eli respondeu: «Vai em paz e o Deus de Israel te conceda o que lhe pedes.» Ana respondeu: «Que a tua serva mereça o teu favor.» A mulher foi-se embora, comeu e nunca mais houve tristeza em seu rosto.

     
    No dia seguinte pela manhã, prostraram-se diante do Senhor e voltaram para sua casa, em Ramá. Elcana conheceu Ana, sua mulher, e o Senhor lembrou-se dela.
    Ana concebeu e, passado o seu tempo, deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Samuel, porque dizia: «eu o pedi ao Senhor.»

    1 Sam. 2,1.4-5.6-7.8.

    Ana orou, entoando este cântico:

    «Exulta o meu coração de júbilo noSenhor. Nele se ergue a minha fronte, a minha boca desafia os meus adversários, porque me alegro na tua salvação.

    O arco dos fortes foi quebrado e os fracos foram revestidos de vigor.
    Os saciados tiveram que ganhar o pão e os famintos foram saciados. Até a estéril foi mãe de sete filhos e a mulher que os tinha numerosos, ficou estéril.

    O Senhor é que dá a morte e a vida, leva à habitação dos mortos e tira de lá.
    O Senhor despoja e enriquece, humilha e exalta.

    Levanta do pó o mendigo e tira da imundície o pobre, para os sentar com os príncipes e ocupar um trono de glória; porque são do Senhor as colunas da terra e sobre elas assentou o mundo.

    Evangelho segundo S. Marcos 1,21-28.

    Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar.
    E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei.
    Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar:
    «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.»

    Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.»
    Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito.
    Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!»

    E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

    Da Bíblia Sagrada

    São Jerónimo (347-420), padre, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja
    Comentário sobre o Evangelho de S. Marcos, 2

    «Vieste para nos arruinar?»

    «Havia na sua sinagoga um homem atormentado por um espírito mau». Esse espírito não podia suportar a presença do Senhor; tratava-se do espírito impuro que tinha conduzido os homens à idolatria. […] «Que acordo pode existir entre Cristo e Satã?» (2Co 6,15); Cristo e Satã não podiam estar associados um ao outro. «Pôs-se a gritar: ‘Que tens a ver conosco?’» Aquele que assim grita é um indivíduo que se exprime em nome de várias pessoas; isto prova que tem consciência de ter sido vencido, ele e os seus.

    «Pôs-se a gritar: […] ‘Que tens tu a ver conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus’». Em pleno tormento, e apesar da intensidade do sofrimento que o faz gritar, não abandonou a hipocrisia. É forçado a dizer a verdade, o sofrimento a isso o obriga, mas a malícia impede-o de dizer toda a verdade: «Que tens a ver conosco, Jesus de Nazaré?» Porque não reconheces o Filho de Deus? É de facto o Nazareno quem te tortura, não o Filho de Deus? […]

    Não era Moisés um santo de Deus? E Isaías e Jeremias, não foram também santos de Deus? […] Porque não lhes dizes: «Sei quem tu és, santo de Deus»? [...] Não digas «Santo de Deus» mas «Deus Santo». Imaginas que sabes, mas não sabes; ou se sabes, calas-te por duplicidade. Porque Ele não é apenas o Santo de Deus, mas o Deus Santo.

    LITURGIA DIÁRIA

    Domingo, dia 13 de Janeiro de 2008

    Baptismo do Senhor (semana II do saltério) ,   S. Hilário, bispo de Poitiers, Doutor da Igreja, +367

    Livro de Isaías 42,1-4.6-7.

    «Eis o meu servo, que Eu amparo, o meu eleito, que Eu preferi. Fiz repousar sobre ele o meu espírito, para que leve às nações a verdadeira justiça. Ele não gritará, não levantará a voz, não clamará nas ruas.
    Não quebrará a cana rachada, não apagará a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a fidelidade a verdadeira justiça.
    Não desanimará, nem desfalecerá, até estabelecer na terra o direito, as leis que os povos das ilhas esperam dele.

    Eu, o SENHOR, chamei-te por causa da justiça, segurei-te pela mão; formei-te e designei-te como aliança de um povo e luz das nações;
    para abrires os olhos aos cegos, para tirares do cárcere os prisioneiros, e da prisão, os que vivem nas trevas.

    Livro de Salmos 29(28),1-2.3-4.3.9-10.

    Filhos de Deus, prestai ao SENHOR, prestai ao SENHOR glória e honra.

    Prestai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o SENHOR no seu átrio sagrado.Voz do SENHOR ressoa sobre as águas, o Deus glorioso faz ecoar o seu trovão, o SENHOR está sobre a vastidão das águas.

    Voz do SENHOR é poderosa, a voz do SENHOR é cheia de majestade.Voz do SENHOR ressoa sobre as águas, o Deus glorioso faz ecoar o seu trovão, o SENHOR está sobre a vastidão das águas.

    voz do SENHOR retorce os carvalhos, despoja as árvores dos bosques. No seu santuário todos exclamam: «Glória!» Para além do dilúvio, está sentado o SENHOR; o SENHOR está sentado como rei eterno.

    Livro dos Actos dos Apóstolos 10,34-38.

    Então, Pedro tomou a palavra e disse: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é agradável.
    Enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a Boa-Nova da paz, por Jesus Cristo, Ele que é o Senhor de todos.

    Sabeis o que ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele.

    Evangelho segundo S. Mateus 3,13-17.

    Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.

    Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.
    E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

    Da Bíblia Sagrada

    S. Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja
    Catequeses baptismais, nº 11

    “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”

    Acreditai em Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, mas segundo o Evangelho, filho único: “Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16) …

    Ele é o Filho de Deus por natureza e por adopção, pois que ele nasceu do Pai… Porque o Pai, sendo Deus verdadeiro, gerou o Filho à sua semelhança, Deus verdadeiro… Cristo é filho por natureza, um verdadeiro filho, não um filho adoptivo como vós, os novos baptizados, que agora vos tornastes filhos de Deus. Porque vos tornastes também filhos, mas por adopção, segundo a graça, como está escrito: “Mas a todos os que O receberam, aos que crêem n’Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,12).

    Nós somos gerados pela água e pelo Espírito (Jo 3,5), mas não da mesma maneira que Cristo foi gerado pelo Pai. Porque no momento do baptismo este último levantou a voz e disse: “Este é o meu Filho”, para mostrar que antes mesmo do seu baptismo ele era Filho.

    O Pai gerou o Filho de maneira diferente daquela que, nos homens, o espírito gera a palavra. Porque o espírito em nós subsiste, enquanto que a palavra, uma vez pronunciada e difundida no ar, desaparece. Mas nós sabemos que Cristo foi gerado Verbo, Palavra perene e viva, não pronunciada e saída dos lábios, mas nascida do Pai eternamente, de modo substancial e inefável. Porque “no princípio já existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1), sentado à sua direita (Sl 109,1).

    Ele é a Palavra que compreende a vontade do Pai e produz todas as coisas por sua ordem, Palavra que desce e que sobe (Ef 4,10) …, Palavra que fala e que diz: “Eu digo o que vi junto de meu Pai” (Jo 8,38). Palavra plena de autoridade (Mc 1,27) e que rege tudo, porque “o Pai entregou tudo ao Filho” (Jo 3,35). 

    LITURGIA DIÁRIA

    Sabado, dia 12 de Janeiro de 2008

    Beato Bernardo de Corleone, religioso, +1667

    1ª Carta de S. João 5,14-21.

    Esta é a plena confiança que nele temos: se lhe pedimos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele ouve-nos.
    E, dado que sabemos que nos vai ouvir em tudo o que lhe pedirmos, estamos seguros de que obteremos o que lhe pedimos.
    Se alguém vir que o seu irmão comete um pecado que não leva à morte, peça, e dar-lhe-á vida. Não me refiro aos que cometem um pecado que não leva à morte; é que existe um pecado que conduz à morte; por esse pecado não digo que se reze.

    Toda a iniquidade é pecado, mas há pecados que não conduzem à morte. Nós bem sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o Maligno não o apanha.
    E bem sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.

    Bem sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro; e nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Verdadeiro, é Deus e é vida eterna. Meus filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

    Livro de Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6.9.

    Cantai ao SENHOR um cântico novo; louvai-o na assembleia dos fiéis!

    Alegre-se Israel no seu criador; regozije-se o povo de Sião no seu rei!
    Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe ao som de harpas e tambores!

    SENHOR ama o seu povo e honra os humildes com a vitória!
    Exultem de alegria os fiéis pelo triunfo de Deus e cantem jubilosos em seus leitos!

    Entoem bem alto os louvores de Deus, com a espada de dois gumes na mão, para lhes aplicarem a sentença que estava determinada. Esta é a glória de todos os seus fiéis.

    Evangelho segundo S. João 3,22-30.

    Depois disto, Jesus foi com os seus discípulos para a região da Judeia e ali convivia com eles e baptizava.
    Também João estava a baptizar em Enon, perto de Salim, porque havia ali águas abundantes e vinha gente para ser baptizada.
    João, de facto, ainda não tinha sido lançado na prisão.
    Então levantou-se uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, acerca dos ritos de purificação.

    Foram ter com João e disseram-lhe: «Rabi, aquele que estava contigo na margem de além-Jordão, aquele de quem deste testemunho, está a baptizar, e toda a gente vai ter com Ele.»
    João declarou: «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu.

    Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: 'Eu não sou o Messias, mas apenas o enviado à sua frente.'
    O esposo é aquele a quem pertence a esposa; mas o amigo do esposo, que está ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo. Pois esta é a minha alegria! E tornou-se completa!
    Ele é que deve crescer, e eu diminuir.»

    Da Bíblia Sagrada

    Missal Romano
    Prefácio para a festa da dedicação de uma igreja

    A santidade e a fecundiade da Igreja, Esposa de Cristo

    É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação,
    dar-Te glória e oferecer-Te a nossa acção de graças,
    sempre e em toda a parte,
    a Ti, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente.
    Na tua bondade para com o teu povo,
    quiseste habitar esta casa de oração,
    para que a tua graça sempre derramada
    faça de nós um templo do Espírito,
    resplandescente com a tua santidade.

    Dia após dia, Tu santificas a Igreja de Cristo,
    da qual as nossas igrejas são a imagem na terra,
    até ao dia em que ela entrará na glória do céu,
    feliz por Te ter dado tantos filhos.
    Por isso, com os anjos e todos os santos,
    nós cantamos e proclamamos:

    Santo! Santo! Santo, Senhor Deus do universo!

    LITURGIA DIÁRIA

    Quinta-feira, dia 10 de Janeiro de 2008

    Beato Gonçalo de Amarante, confessor, +1262

    1ª Carta de S. João 4,19-21.5,1-4.

    Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.
    Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
    E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.

    Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus; e todo aquele que ama quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado.

    É por isto que reconhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos; pois o amor de Deus consiste precisamente em que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são uma carga, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé.

    Livro de Salmos 72(71),1-2.14-15.17.

    Deus, concede ao rei a tua rectidão e a tua justiça ao filho do rei,
    para que julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade.

    Há-de livrá-los da opressão e da violência, porque o seu sangue é precioso a seus olhos.

    Enquanto viver, ser-lhe-á dado ouro de Sabá! Por ele hão-de rezar sempre e todos os dias será abençoado.

    Seu nome permanecerá pelos séculos e durará enquanto o Sol brilhar; todos nele se sentirão abençoados; todos os povos o hão-de bendizer!

    Evangelho segundo S. Lucas 4,14-22.

    Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

    Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler.
    Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:

    «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos,a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.»

    Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
    Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»

    Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?»

    Da Bíblia Sagrada

    Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino
    Sobre a Santíssima Trindade, 42

    “O Espírito do Senhor está sobre mim”

    “Cumpriu-se hoje esta palavra da Escritura que acabais de ouvir: ‘O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu’ (Is 61, 1).” É como se Cristo tivesse dito: Porque o Senhor Me ungiu, Eu disse sim, disse-o verdadeiramente, e volto a dizê-lo: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim. Onde foi, pois, em que momento foi que o Senhor Me ungiu? Ungiu-Me quando fui concebido, ou melhor, ungiu-Me a fim de que fosse concebido no seio de Minha Mãe.

    Porque não foi da semente de um homem que uma mulher Me concebeu, antes uma Virgem Me concebeu da unção do Espírito Santo. Foi então que o Senhor Me assinalou com a unção real; consagrou-Me rei ungindo-Me, ao mesmo tempo que Me consagrava sacerdote. E pela segunda vez, no Jordão, o Senhor consagrou-Me por esse mesmo Espírito. […]

    E por que está o Espírito do Senhor sobre Mim? […] “Enviou-me a levar a boa nova aos pobres, a curar os corações despedaçados” (Is 61, 1). Não Me enviou aos orgulhosos nem aos “que têm saúde”, mas como “médico aos doentes” e aos corações despedaçados. Não Me enviou “aos justos” mas “aos pecadores” (Mc 2, 17).

    Fez de Mim um “homem de dores, experimentado nos sofrimentos” (Is 53, 3), um homem “manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Enviou-Me “a anunciar a amnistia aos cativos e a liberdade aos prisioneiros” (Is 61, 1). […] A que prisioneiros, ou antes, de que prisão venho anunciar a libertação? A que cativos venho anunciar a liberdade? Desde que “por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte” (Rom 5, 12), todos os homens são prisioneiros do pecado, todos são cativos da morte. […]

    Eu fui enviado “a consolar […] os amargurados de Sião” (Is 61, 2-3), todos quantos se afligem por terem sido, devido aos seus pecados, privados e separados de sua mãe, a “Jerusalém lá do alto” (Ga 4, 26). […] Sim, consolá-los-ei dando-lhes “uma coroa em vez das cinzas” da penitência, o “óleo da alegria”, ou seja, a consolação do Espírito Santo, “em vez do luto” da orfandade e do exílio, uma veste de festa, ou seja, a glória da Ressurreição “em vez do desespero” (Is 61, 3).

    LITURGIA DIÁRIA

    Terça-feira, dia 08 de Janeiro de 2008

    S. Pedro Tomás, patriarca, mártir, +1366

    1ª Carta de S. João 4,7-10.

    Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.

    Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.
    E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida.

    É nisto que está o amor não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

    Livro de Salmos 72(71),1-2.3-4.7-8.

    Deus, concede ao rei a tua rectidão e a tua justiça ao filho do rei,
    para que julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade.

    Que os montes tragam a paz ao povo, e as colinas, a justiça.

    Que o rei proteja os humildes do povo, ajude os necessitados e esmague os opressores!

    Em seus dias florescerá a justiça e uma grande paz até ao fim dos tempos. Dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra.

    Evangelho segundo S. Marcos 6,34-44.

    Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ove-lhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.
    A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram «O lugar é deserto e a hora vai adiantada.

    Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.»
    Jesus respondeu «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer»
    Mas Ele perguntou «Quantos pães tendes Ide ver.» Depois de se informarem, responderam «Cinco pães e dois peixes.»

    Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde.
    E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta.
    Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos.
    Comeram até ficarem saciados. E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe.

    Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.

    Da Bíblia Sagrada

    Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, co-padroeira da Europa

    O Diálogo

    «Partiu os pães... Dividiu também os dois peixes por todos. E todos ficaram saciados»

    [Jesus dizia a Santa Catarina:] É toda a Essência divina o que recebeis neste sacramento, sob essa brancura do pão. Tal como o sol é indivisível, assim Deus se encontra todo inteiro e o homem todo inteiro na brancura da hóstia. Ainda que dividíssemos a hóstia em milhares de migalhas, se isso fosse possível, em cada uma delas eu estou ainda, Deus inteiro, homem inteiro, tal como te disse...

    Suponhamos que haja várias pessoas a virem buscar luz com círios. Uma traz um círio de cem gramas, outra de duzentos e uma terceira de trezentos gramas; uma outra traz um círio de meio quilo e outra de mais ainda. Todas se aproximam da luz e cada uma acende o seu círio. Em cada círio aceso, seja qual for o seu volume, vê-se agora a luz toda inteira, com a sua cor, o seu calor e o seu brilho... Assim acontece aos que se aproximam deste sacramento.

    Cada um traz o seu círio, quer dizer, o santo desejo com que recebe e toma o sacramento. O círio está apagado e acende-se quando se recebe este sacramento. Digo que está apagado porque por vós mesmos não sois nada. É verdade que vos dei a matéria com que podeis receber e conservar em vós esta luz. Essa matéria é o amor, porque vos criei por amor; é por isso que não podeis viver sem amor».

    LITURGIA DIÁRIA

    Segunda-feira, dia 07 de Janeiro de 2008

    S. Raimundo de Penhaforte, confessor, +1275

    1ª Carta de S. João 3,22-24.4,1-6.

    E recebemos dele tudo o que pedirmos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe é agradável.
    E este é o seu mandamento: que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu.

    Aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e é por isto que reconhecemos que Ele permanece em nós: graças ao Espírito que nos deu.
    Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas apareceram no mundo.

    Reconheceis que o espírito é de Deus por isto: todo o espírito que confessa Jesus Cristo que veio em carne mortal é de Deus;
    e todo o espírito que não faz esta confissão de fé acerca de Jesus não é de Deus. Esse é o espírito do Anticristo, do qual ouvistes dizer que tem de vir; pois bem, ele já está no mundo.
    Meus filhinhos, vós sois de Deus e venceste-los, porque é mais poderoso o espírito que está em vós do que aquele que está no mundo.
    Eles são do mundo; por isso falam a linguagem do mundo, e o mundo ouve-os.
    Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus ouve-nos; quem não é de Deus não nos ouve. É por isto que nós reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

    Livro de Salmos 2,7-8.10-11.

    Vou anunciar o decreto do SENHOR. Ele disse-me: «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.

    Pede-me e Eu te darei povos como herança e os confins da terra por domínio.

    Agora, prestai atenção, ó reis! Deixai-vos instruir, juízes da terra!
    Servi o SENHOR com temor, prestai-lhe homenagem com tremor,

    Evangelho segundo S. Mateus 4,12-17.23-25.

    Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia.
    Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali,
    para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara:
    Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios.

    O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.
    A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»

    Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

    A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os.
    E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

    Da Bíblia Sagrada

    Odes de Salomão (texto cristão hebraico do princípio do séc. II)
    N° 15

    «Sobre aqueles que habitavam no país das sombras e da morte, fez-se uma luz»

    Tal como o sol é a alegria
    dos que procuram a luz,
    assim a minha alegria é o Senhor,
    pois Ele é o meu sol.
    Os seus raios reergueram-me,
    a sua luz dissipou todas as trevas da minha fronte.

    Graças a Ele foram-me dados estes olhos,
    E pude ver a sua luz santa;
    Foram-me dados ouvidos
    e pude ouvir a sua verdade;
    foi-me dado o pensamento da ciência
    e por seu intermédio me alegrei.

    Abandonei o caminho do erro,
    fui junto d’Ele,
    e d’Ele generosamente recebi a salvação.
    Ele muito me deu, por sua benevolência,
    e a sua beleza modelou-me.
    Em seu nome, cobri-me de incorruptibilidade,
    abandonei a corrupção por sua divina graça.

    A mortalidade desapareceu defronte do meu rosto,
    A morada dos mortos foi aniquilada pelas minhas palavras,
    Ergueu-se uma vida imortal na terra do Senhor.
    Ela foi revelada aos crentes
    e sem reservas concedida
    a todos os que a Ele se entregam.
    Aleluia !

    LITURGIA DIÁRIA

    Domingo, dia 06 de Janeiro de 2008

    Epifania do Senhor (semana I do saltério) ,   Santa Rafaela Maria, religiosa, +1925

    Livro de Isaías 60,1-6.

    Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do SENHOR amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o SENHOR. A sua glória vai aparecer sobre ti.

    As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora.
    Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços.

    Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações. Serás invadida por uma multidão de camelos, pelos dromedários de Madian e de Efá. De Sabá virão todos trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do SENHOR.

    Livro de Salmos 72(71),1-2.7-8.10-11.12-13.

    Deus, concede ao rei a tua rectidão e a tua justiça ao filho do rei,
    para que julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade.

    Em seus dias florescerá a justiça e uma grande paz até ao fim dos tempos.

    Dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra.
    Os reis de Társis e das ilhas oferecerão tributos; os reis de Sabá e de Seba trarão suas ofertas.

    Todos os reis se prostrarão diante dele; todas as nações o servirão.
    Ele socorrerá o pobre que o invoca e o indigente que não tem quem o ajude. Terá compaixão do humilde e do pobre e salvará a vida dos oprimidos.

    Carta aos Efésios 3,2-3.5-6.

    Com certeza, ouvistes falar da graça de Deus que me foi dada para vosso benefício, a fim de realizar o seu plano: que, por revelação, me foi dado conhecer o mistério, tal como antes o descrevi resumidamente.
    Que, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas, como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

    Evangelho segundo S. Mateus 2,1-12.

    Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente.
    E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.»

    Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.

    Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.»

    Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.»

    Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.

    Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.

    Da Bíblia Sagrada

    São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
    1º sermão para a Epifania

    «Caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele»

    O desígnio de Deus não foi apenas descer à terra, mas ser nela conhecido; não foi nascer, apenas, mas dar-Se a conhecer. De facto, é com vista a esse conhecimento que celebramos a Epifania, esse grande dia da Sua manifestação. Hoje mesmo, de facto, os magos vieram do Oriente em busca do nascer do Sol da Justiça (Ml 3,20), esse de quem se diz: «Eis o homem, cujo nome é Oriente» (Za 6,12).

    Hoje adoraram o menino nascido da Virgem, seguindo a direcção traçada por uma nova estrela. Temos pois aqui, irmãos, um grande motivo  de alegria, como aliás também nas palavras do apóstolo Paulo: «A bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens foram-nos manifestadas» (Tt 3,4). […]

    Que fazeis, magos, que fazeis? Adorais um menino de colo, envolto em faixas miseráveis, num pobre casebre?  Será este, então, Deus? Mas «Deus mora no seu templo santo, o Senhor tem o seu trono nos céus» (Sl 10,4), e vós, vós procurai-Lo assim, num qualquer estábulo, uma criança de colo? Que fazeis? Porque ofereceis esse ouro? Será este o rei? Mas onde está a sua corte real, o seu trono, a multidão de cortesãos? Acaso um estábulo é um palácio, acaso uma manjedoura é um trono, serão Maria e José membros da sua corte? Como podem os homens ser tolos a ponto de adorar uma simples criança, um ser assim desprezível, quer pela pouca idade, quer pela evidente pobreza de seus pais?

    Loucos, sim, tornaram-se loucos, para serem sábios; o Espírito Santo ensinou-lhes primeiro o que o apóstolo Paulo mais tarde proclamou: «Aquele que quer ser sábio, torne-se louco para ser sábio. Pois já que o mundo, por meio da sua sabedoria, não conseguiu reconhecer Deus na sua Sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação» (1 Co 1,21). […]

    Prostaram-se portanto diante daquela humilde criança, prestando-Lhe homenagem como a um rei, adorando-O como um Deus. Aquele que de longe os guiou através de uma estrela fez brilhar a Sua luz no mais profundo dos seus corações.

    LITURGIA DIÁRIA

    Sabado, dia 05 de Janeiro de 2008

    S. João Nepomuceno Neumann, bispo, +1860

    1ª Carta de S. João 3,11-21.

    Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim que, sendo do Maligno, assassinou o seu irmão. E porque o assassinou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do irmão eram boas.

    Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte. Todo aquele que tem ódio a seu irmão é um homicida; e vós bem sabeis que nenhum homicida mantém dentro de si a vida eterna.

    Foi com isto que ficámos a conhecer o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.
    Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele?

    Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade e, na sua presença, sentir-se-á tranquilo o nosso coração, mesmo quando o coração nos acuse; pois Deus é maior que o nosso coração e conhece tudo.

    Caríssimos, se o coração não nos acusa, então temos plena confiança diante de Deus,

    Livro de Salmos 100(99),1-2.3.4.5.

    Aclamai o SENHOR, terra inteira, servi ao SENHOR com alegria, vinde à sua presença com cânticos de júbilo!

    Sabei que o SENHOR é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho.

    Entrai pelas suas portas em acção de graças; entrai nos seus átrios com hinos de louvor; glorificai-o e bendizei o seu nome.

    SENHOR é bom! O seu amor é eterno! É eterna a sua fidelidade! 

    Evangelho segundo S. João 1,43-51.

    No dia seguinte, Jesus resolveu sair para a Galileia. Encontrou Filipe, e disse-lhe: «Segue-me!»
    Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro.
    Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré.»
    Então disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e verás!»

    Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» Respondeu Natanael: «Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!»

    Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: 'Vi-te debaixo da figueira'? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»

    Da Bíblia Sagrada

    Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África) e doutor da Igreja

    Sermões sobre São João, nº 7

    “Vi-te quando estavas debaixo da figueira

    Natanael estava sentado debaixo de uma figueira, como que à sombra da morte. E foi aí que o Senhor o viu, Ele acerca de Quem está escrito: “Para aqueles que habitavam uma terra de sombras, a luz brilhou” (Is 9, 1). Que disse Ele a Natanael? Perguntas-Me como te conheci? Falas-Me agora porque foste chamado por Filipe. Mas, antes de o apóstolo o chamar, já Jesus tinha visto que ele fazia parte da Sua Igreja.

    Tu, Igreja cristã, verdadeira filha de Israel, […] também tu conheces agora Jesus Cristo por meio dos apóstolos, como Natanael conheceu Jesus Cristo por meio de Filipe. Mas a Sua misericórdia descobriu-te antes de tu O teres conhecido, quando estavas caída, esmagada sob o peso dos teus pecados.

    Com efeito, fomos nós quem primeiro buscou a Jesus Cristo? Não foi Ele, pelo contrário, Quem primeiro nos procurou? Fomos nós, pobres doentes, que nos apresentámos ao médico? Não foi antes o médico Quem veio ao encontro dos doentes? Não foi a ovelha que se perdeu antes de o pastor, deixando as outras noventa e nove, ter ido à sua procura, a ter encontrado e a ter posto aos ombros cheio de alegria (Lc 15, 4)?

    Não estava a moeda perdida antes de a mulher ter acendido a lamparina e a ter procurado por toda a casa, até a encontrar (Lc 15, 8)? […] O nosso pastor encontrou a sua ovelha, mas primeiro foi à sua procura; tal como esta mulher, que só encontrou a moeda depois de a ter procurado. Com efeito, nós fomos procurados, e só podemos falar depois de termos sido encontrados; longe de nós, pois, qualquer sentimento de orgulho. Estávamos perdidos para sempre, se Deus não tivesse ido à nossa procura para nos encontrar.

    LITURGIA DIÁRIA

    Terça-feira, dia 01 de Janeiro de 2008

    Santa Maria, Mãe de Deus

    Livro de Números 6,22-27.

    O Senhor disse a Moisés:
    «Fala a Aarão e a seus filhos: Assim abençoareis os filhos de Israel. Dizei-lhes:
    ‘O Senhor te abençoe e te guarde!
    O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça!
    O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz!’
    Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei!»

    Livro de Salmos 67(66),2-3.5.6.8.

    Deus se compadeça de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a luz do seu rosto.

    Sejam conhecidos na terra os teus caminhos e entre as nações, a tua salvação!

    Alegrem-se e exultem as nações, porque julgas os povos com justiça e governas as nações sobre a terra.

    Que os povos te louvem, ó Deus! Todos os povos te louvem!
    Que Deus nos abençoe; e o seu temor chegue aos confins da terra!

    Carta aos Gálatas 4,4-7.

    Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei,
    para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos.

    E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “Abbá! – Pai!”
    Deste modo, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro, por graça de Deus.

    Evangelho segundo S. Lucas 2,16-21.

    Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura. Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino.
    Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores.
    Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração.

    E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado. Quando se completaram os oito dias, para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus indicado pelo anjo antes de ter sido concebido no seio materno.

    Da Bíblia Sagrada

    Comentário

    SANTA MARIA,

    Mãe de Deus

    Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas, ainda que todas importantes. Celebra-se, em primeiro lugar, a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: somos convidados a contemplar a figura de Maria, aquela mulher que, com o seu "sim" ao projecto de Deus, nos ofereceu Jesus, o nosso libertador.

    Celebra-se, em segundo lugar, o Dia Mundial da Paz: em 1968, o papa Paulo VI propôs aos homens de boa vontade que, neste dia, se rezasse pela paz no mundo. Celebra-se, finalmente, o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que em cada dia nos cumula da sua benção e nos oferece a vida em plenitude.

    As leituras que hoje nos são propostas exploram, portanto, estas diversas coordenadas. Elas evocam esta multiplicidade de temas e de celebrações.

    Na primeira leitura, sublinha-se a dimensão da presença contínua de Deus na nossa caminhada e recorda-se que a sua benção nos proporciona a vida em plenitude.

    Na segunda leitura, a liturgia evoca, outra vez, o amor de Deus, que enviou o seu Filho ao encontro dos homens para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus "filhos". É nessa situação privilegiada de "filhos" livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe "abbá" ("papá").

    O Evangelho mostra como a chegada do projecto libertador de Deus (que se tornou realidade plena no nosso mundo através de Jesus), provoca alegria e felicidade naqueles que não têm outra possibilidade de acesso à salvação: os pobres e os marginalizados. Convida-nos, também, a louvar a Deus pelo seu amor e a testemunhar o desígnio libertador de Deus no meio dos homens.

    Maria, a mulher que proporcionou o nosso encontro com Jesus, é o modelo do crente que é sensível aos projectos de Deus, que sabe ler os seus sinais na história, que aceita acolher a proposta de Deus no coração e que colabora com Deus na concretização do projecto divino de salvação para o mundo.

    cf. www.ecclesia.pt